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História Wild - Capítulo 55


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Capítulo 55 - Capítulo 55


Fronteira Norte – RIO – Canídeo e Felino

Bali observava o rio correr, estava calmo, como se não fosse uma das fronteiras que dividiam duas nações.

— Alguma notícia? - perguntou Apollo quando chegou.

Bali olhou para o filho e analisou-o de cima abaixo e depois respondeu.

— Não.

O líder felino estava estranhamente calmo com toda aquela situação, mas era apenas por fora, para não assustar seus companheiros nem o filho mais velho, por dentro estava destruído, cansado e inconsolável.

— BALI! - o leão ouviu a voz familiar de sua esposa e olhou para trás vendo a mesma correndo em sua direção, estava linda como sempre.

— O que faz aqui, mãe? - perguntou Apollo antes que o pai dissesse algo.

— Eu quero ver Zachary.

— Cherish, é perigoso você ficar aqui, pode estourar uma guerra a qualquer momento, não sabemos se pode ser uma armadilha - disse Bali tentando ser calmo.

— Eu sei disso. Eu não sou fraca e você sabe disso, já te venci muitas vezes em luta de corpo a corpo.

E essa era uma grande verdade, quando eles eram mais novos e treinavam juntos enquanto estavam transformados, Cherish já venceu Bali incontáveis vezes, mas depois que Apollo nasceu, a mesma parou de treinar e se dedicou a maternidade.

— Mas você não treina há muito tempo!

— Não é comigo que você deveria se preocupar, é com ele - disse Cherish apontando para o homem do outro lado do rio.

— Darius - resmungou baixo enquanto caminhava até a beirada do rio.

O líder canídeo estava simples, usava uma camiseta presta, uma jeans escura e um tênis, poderia ser confundido facilmente por cidadão comum. Bali por sua vez, usava calça, sapato social e uma blusa de manga comprida azul com botões, só que a mesma estava dobrada até o cotovelo.

— Eu quero ver o meu filho, quero ver se ele está realmente bem - disse Bali com a voz num tom normal, pois sabia que Darius o ouviria.

Viu o lobo branco assentir com a cabeça e mexer a mão, alguns de seus soldados deram caminho para Zachary passar. O coração de Bali sentiu-se aliviado ao ver que o filho estava bem, e não estava ao menos amarrado, apenas estava sob os "cuidados" de um soldado que o segurava pelos ombros.

Zachary olhava para baixo, não queria encarar o pai.

— O que você quer? - perguntou Bali novamente em um tom baixo.

— Quero conversar - Darius falou alto o suficiente para que todos ouvissem.

O líder canídeo começou a caminhar em direção ao rio. Os felinos entraram em modo de ataque, mostrando as garras para atacar a qualquer momento, porém Darius parou de caminhar e encarou Bali, o mesmo entendeu o que queria dizer e pediu para seus homens guardarem as garras.

Darius vinha pelo rio junto com mais quatro soldados canídeos e Zachary. Depois de longos minutos, o líder canídeo estava em território inimigo.

— Finalmente! A água estava muito gelada.

— Zachary! - disse Cherish indo correr em direção ao filho, porém ao mesmo tempo em que Darius levantou a mão para que ela parasse, Bali a segurou pelo braço e disse em seu ouvido.

— Querida, espere! - Bali logo depois lhe deu um selinho, Darius que encarava tudo, desviou o olhar por alguns segundos, mas depois se recompôs.

— Vamos aos acordos ou ficar nos acariciando? - perguntou Darius sarcástico, Cherish o olhou com o maior desprezo que poderia transmitir, e o líder canídeo a respondeu com um sorriso forçado.

Zachary pôde perceber que o que Apollo havia lhe falado era verdade, Darius era apaixonada pelo velho Bali. Ele riu baixinho tristemente, olhou para trás para ver se conseguia enxergar Hendrik, o mesmo estava na beira do rio do lado do território canídeo, concentrado em tudo que se passava do outro lado.

— Estou bem - disse Zach baixinho. Quando voltou a olhar para frente estava todo mundo o encarando, fazendo o jovem leão ficar vermelho e abaixar o olhar encarando o chão.

— O que você quer? - Bali repetiu a pergunta.

— Olha, eu quero tantas coisas... - respondeu Darius olhando intensamente para os olhos de Bali.

— Pare de brincar!

— Acalme-se, só estou tentando descontrair esse clima pesado, vocês são muito sem humor - disse o lobo revirando os olhos.

— É que não tem como ter humor com esse cheiro desagradável de cachorro molhado, literalmente - disse Cherish.

Darius olhou para a esposa de seu amado e deu-lhe como resposta apenas outro sorriso forçado.

— Tudo bem, vocês não querem piada, então vamos aos assuntos - ao dizer aquilo, Darius mudou totalmente de expressão, antes estava calmo e descontraído, agora estava sério, seu olhar era forte, seu maxilar estava rígido, não estava ali mais para piadinhas.

— Fale! - exigiu Bali arrumando sua postura, mostrando autoridade.

— Eu não sei bem o que aconteceu, porém o seu filho estava em território canídeo, mesmo depois de ter conseguido fugir. Ninguém sabia que eles estavam lá, então não estávamos procurando, apenas os encontramos por acaso. Eu realmente não quero punir seu filho, Nikolaevich, por isso você terá que aceitar a proposta que eu tenho para fazer-lhe.

Bali respirou fundo e pediu para que Darius prosseguisse.

— É um amor lindo que existe entre seu filho e o lobo Gandares, porém o mundo não gira em torno deles, e eles não fazem ideia nenhuma de como não daria nem um pouco certo juntarmos as duas raças, novamente. Por isso, pelo menos em nossa fronteira, iremos construir um muro de quatro metros de altura, a partir de um quilômetro do rio em toda a extensão do território de ambos os lados.

— Mas e os animais que caçamos para sobreviver!? - disse Apollo alterado.

— Ou é isso, ou terei de levar Zachary de volta para o meu território para puni-lo e mostrar que ainda tenho autoridade - disse Darius desviando os olhos, olhando para Apollo, percebeu que o mesmo era Bali versão mais nova.

— Darius, isso não vai dar certo. Pense, Apollo está certo, os animais que caçamos, eles precisam da água do rio para sobreviver, precisa da floresta para sobreviver, alguns vão ficar para dentro do muro outros para fora, Darius isso não vai dar certo!

— Eu já conversei com os comandantes das outras fronteiras e eles irão fornecer os suprimentos para a nossa capital, com certeza daria certo com vocês - disse Darius calmamente.

— Não é tão simples assim!

— Se você acha, então estou voltando para o meu território com seu filho - disse o lobo dando as costas, porém virou-se novamente quando Bali gritou.

— Aonde eu tenho que assinar?

— Pai, você não pode aceitar! Tem que ter outra maneira! - disse Apollo.

— É o seu irmão - disse Bali, fazendo o filho mais velho ficar sem palavras.

Um dos soldados felinos resolveu falar:

— Líder, com todo o respeito, o senhor não pode, simplesmente, prejudicar a maioria, o seu povo, por causa de uma pessoa só, você tem que pensar no bem maior, sua decisão vai afetar todos nós!

— É O MEU FILHO! - Bali gritou e se exaltou - E SE FOSSE O SEU FILHO? SEU IRMÃO, SUA MÃE?

O soldado engoliu a seco, porém respondeu.

— Primeiramente eles não teriam atravessado para o território inimigo - após terminar de falar olhou para baixo fechando os olhos com força, achando que Bali iria o atacar, porém o líder apenas grunhiu.

Zachary e Hendrik, que estava ouvindo tudo, estavam se sentindo maus por aquilo tudo ser culpa deles, eles deveriam ter repensado mais, apesar de ser perigoso, eles nunca pensaram que realmente seriam pegos.

— Pai! - disse Zachary chamando a atenção de todos para ele — o homem tem razão, você tem que pensar no bem maior! Quem sou eu? Eu não mereço tudo isso, eu desrespeitei a lei duas vezes por capricho meu! Eu não pensei. Mas eu não vou pedir desculpas, porque eu não estou nem um pouco arrependido, foram os melhores dias da minha vida, eu me senti livre, então, por favor, pai, não concorde com isso, eu não quero que os outros sofram as consequências das minhas ações, deixe que me punam, o que eles podem fazer demais? Me metar? Se for assim, que seja, eu não quero viver nesse mundo injusto e... - Zachary para de falar do nada após sentir algo espetando em seu braço, olhou para o lado e viu Apollo com uma arma de dardos tranquilizantes, logo depois sua visão ficou turva e em seguida tudo preto, só não caiu no chão porque o guarda o segurou. Hendrik ficou agitado, tentando se livrar dos guardas, pois não conseguia ver direito, apenas ouvir.

— Calma, ele está bem - disse Apollo, direcionado totalmente a Hendrik, que finalmente se acalmou.

— Por que fez isso? - perguntou Bali desesperado.

— Vamos aceitar o acordo!

— Por que mudou de ideia?

— É o meu irmão! E quem estiver contra venha falar comigo depois, eu vou ser o futuro líder aqui, eu que mando - gritou Apollo e os soldados ficaram quietos — o que nós temos que fazer? - perguntou Apollo olhando nos olhos de Darius e o mesmo sorriu.

Após conversarem por quase meia hora, Bali e Darius assinaram o contrato onde dizia que os dois estavam de acordo com a construção dos muros de ambos os territórios. Darius entregou Zachary aos cuidados de Apollo e então ouviu a voz de Hendrik o chamar.

— Darius, por favor, Darius, você está ouvindo? Darius! Líder! Por favor, eu imploro, você está me ouvindo?

— Estou, o que você quer?

— Por favor, me deixe ver Zachary pela última vez, peça para o pai dele, por favor, eu te imploro, eu faço o que quiser, só me deixe vê-lo!

Darius virou em direção a Bali e disse.

— O lobo, Hendrik, quer ver seu filho uma última vez, você deixa?

Bali olhou para Apollo, e o mesmo assentiu.

— Pode o deixar vir.

Os soldados soltaram Hendrik e o mesmo saiu correndo atravessando o rio e chegando em território felino em alguns segundos. Correu em direção a Zachary​ que estava deitado sobre um pano, abaixou-se do lado dele e acariciou o rosto do leão adormecido, todos estavam olhando para ambos.

— Me desculpe por não podermos ficar juntos, saiba que você sempre ocupará o meu coração - Hendrik se abaixou mais e deu um longo selinho em Zachary​.

Levantou-se silenciosamente e caminhou em direção a Bali, olhou para cima, e com seus olhos verdes esmeralda encarou os olhos cor de terra do pai de seu amado.

— Poderia, por favor, entregar isso a ele? - disse enquanto estendia a mão fechada em direção a Bali, e o leão líder fez o mesmo recebendo o que o lobo tinha para entregar-lhe, era um anel simples feito de arames - eu ia entregar para ele quando voltássemos para o nosso esconderijo, mas isso não aconteceu.

Bali não deu resposta ao garoto, pois não sabia realmente o que falar, então apenas assentiu.

Hendrik passou por Apollo e disse obrigado, o futuro líder felino também não sabia o que responder então apenas assentiu, como seu pai.

— Podemos voltar - disse Hendrik olhando para Darius, o líder sorriu e todos os canídeos que estavam presente no território felino, atravessaram o rio, voltaram para suas terras.



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