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História Wild Cat - OT4 - Capítulo 12


Escrita por:


Notas do Autor


Não tenho muito que falar... Apenas aproveitem esse novo personagem que vai trazer muito amor e ódio pra história :p

Capítulo 12 - Chapter 012 ;; Félix


Aquele homem estava descansando em seu escritório. Jogado em uma de suas poltronas com a cabeça cheia, pensando em como deveria seguir com seus planos. Sabia que Chat Noir seria um alvo perfeito por sua instabilidade sentimental, entretanto precisava de alguém que lhe abrisse caminho para alcançá-lo. Se debilitasse um dos dois heróis que tanto o atrapalhavam as coisas ficariam mais fáceis. Mas, como? Olhou para aquele miraculous do pavão que segurava em sua mão. Quebrado. Defeituoso. O causador do coma de sua esposa. Se ao menos pudesse usá-lo com mais frequência… Se soubesse como consertá-lo. Foi em meio ao seu devaneio que Nathalie, sua assistente, entrou no escritório com uma feição não muito boa implícita em sua neutralidade.


— Sua cunhada veio visitar – informou, sabendo que aquilo não era algo bom.


— Ela não estava em Londres? – aquilo era mais dor de cabeça.


— Acho que deveria conversar com ela… Ela parecia querer falar sobre o Félix – suspirou.


— Por que ele está de volta? – não entendia os motivos daquele reencontro, porém sabia que aquele garoto não era o mais agradável.


— Ele pediu transferência para a faculdade que seu filho está estudando – disse.


— O que esse garoto está tentando fazer? – respirou fundo, pensativo.


— Receio que não seja sobre seu filho, senhor – puxou seu tablet e pesquisou a ficha de um dos estudantes da universidade, mostrando-o a figura que imaginava ser a causadora daquela volta repentina.


— Quem é ela? – arqueou uma sobrancelha, tendo uma vaga memória em sua mente daquelas madeixas azuladas.


— Na última sessão de fotos de seu filho, ela foi vista com ele. Parece ser uma colega da turma dele – Gabriel não pareceu se interessar com aquela informação, contudo, Nathalie continuou — E é ex-namorada do Félix – ouvindo aquilo, um estalo veio à mente do designer que sorriu.


— Isso é perfeito… O ciúmes… Que sentimento poderia ser mais poderoso? – sorriu vitorioso.


— Devo preparar o almoço para a senhorita Amelie? – questionou.


— Claro, Nathalie… Essa pode ser uma grande oportunidade – levantou-se.


— Devo avisar ao Adrien para vir almoçar? – perguntou, mesmo que soubesse no que aquilo resultaria.


— Você sabe que não adianta, Nathalie. Ele está descontrolado e será melhor se ele não comparecer, já que ele almoça com essa tal de Marinette… Pode criar a energia negativa que eu preciso – suspirou, parecendo extremamente decepcionado com o próprio filho. Entretanto, a assistente entendia ambos os lados, optando por deixar as coisas como estavam, porém, forçando a dar uma opinião.


— Sabe que Adrien quer aproveitar a juventude dele… Ele só tem 19 anos – suspirou.


— Já tivemos essa conversa, Nathalie – cortou-a, como se não quisesse ouvir mais nenhuma palavra.


— Perdão, senhor – curvou a cabeça e deu meia volta, retirando-se do escritório para fazer o que havia sido-lhe solicitado. O homem de cabelos loiros quase esbranquiçados levantou-se ao ser deixado sozinho e abriu a ficha daquela estudante mais uma vez, sorrindo com gosto por ter uma possível chave para sua vitória.


— Espero que sua estadia em Paris seja agradável, Félix…


[...]


Adrien estava sentado sem ninguém ao seu lado, como de costume. Prestando atenção na aula para não perder muitos detalhes, apesar de ter uma boa memória e aprender rápido. Entretanto, vez ou outra acabava ficando entediado e começava a observar em volta os outros alunos que pareciam tão desanimados quanto ele. A única exceção era a garota que sentava-se bem em frente ao loiro, que estava com a cara enfiada no caderno fazendo anotações contínuas enquanto a professora explicava sobre a história da moda. Tinha que confessar ter algo nela que o fazia ficar intrigado, como se fosse um imã atiçando sua curiosidade. Era a única pessoa que, desde que havia chegado naquela universidade, tinha deixado-o confortável o suficiente para ser ele mesmo. 


Diante de sua observação à ela, vez ou outra via-a olhar por cima do ombro, acenando ou sorrindo sempre que percebia, vendia voltar a prestar atenção na professora imediatamente em um gesto estranho, como se o evitasse. Suspirou. Não conseguia entender se eram amigos ou não. Sempre que achava que estavam se acertando, Marinette começava a evitá-lo. Talvez tivesse feito algo errado? Pouco importava. Queria correr atrás de tal amizade que o deixava tão confortável. Foi quando sua oportunidade surgiu. Um primeiro trabalho daquela matéria que seria em dupla. Esperou até que o sinal tocasse para que pudesse abordá-la após recolher suas coisas rapidamente. 


— Marinette – chamou-a enquanto esta passava pela porta, a qual parou olhando para baixo enquanto o loiro se aproximava.


— O-oi, Adrien… Quer… Alguma coisa? – encarava seus próprios pés, com vergonha e receio de olhá-lo nos olhos.


— Eu queria saber se você queria fazer o trabalho comigo… Se não tiver feito dupla com a Juleika ainda e não tiver ninguém em mente… – colocou a mão na parte de trás da nuca, coçando-a um pouco sem graça.


— Ah… – estava começando a suar frio. Qual era seu problema? Ele era seu amigo, não? Tinha mesmo que se afastar dele só por sua semelhança com Félix? Adrien era outra pessoa… Apesar de… Não! Não podia pensar nele além de um amigo. Afinal, ele era um modelo famosíssimo, não faria sentido algum ambos terem algo junto. Faria? E se…? Balançou a cabeça tentando livrar-se daqueles pensamentos e respirou fundo tentando manter a calma diante dele enquanto levantava o olhar — Seria uma honra… Mas, como você disse, eu já falei com a Juleika – estava finalmente com uma voz mais firme, apesar de não saber quanto tempo mais aguentaria olhar para aquelas orbes esverdeadas sem começar a se atrapalhar toda. 


— Tudo bem… – falou decepcionado — Boa sorte para vocês duas – sorriu de um jeito simpático e passou reto pela de madeixas escuras, interrompendo suas passadas ao ouvir um grito atrás de si na sala.


— Adrikins! – Chloé veio correndo até o modelo, pulando sem seu pescoço extremamente animada — Eu e você vamos fazer o melhor trabalho! Não é, Adrikins? – a Bourgeois parecia ignorar a presença de Marinette até o momento, que tentou retirar-se sem ser notada para não se expressar — Dupain-Cheng! Você estava aqui… Não me surpreende que eu não tenha notado antes, afinal, você é muito sem graça, quem iria reparar em você? – o comentário fez a de madeixas escuras bufar. Era ainda a velha e malvada Chloé Bourgeois que tinha conhecido no ensino médio.


— Acho que as 12 camadas de maquiagem que você passa todos os dias não foram o suficiente para cobrir essa espinha enorme na sua testa – provocou-a, sabendo muito bem comentários que a atingiam por conta dos três anos de convívio. 


— Corta essa, Dupain-Cheng… Você só está com inveja porque o meu trabalho com o Adrien vai ser o melhor! – sem importar-se a azulada rolou os olhos e cruzou os braços, preparando-se para ir embora.


— Chloé… Você não estava com a Sabrina? – Adrien perguntou, tendo visto ambas falando sobre o trabalho enquanto passava alguns minutos antes para alcançar Marinette.


— A professora disse que poderíamos ser um trio já que a turma tem número ímpar – a loira falou, extremamente confiante.


— Você já perguntou a ela?! – Agreste pareceu franzir o cenho, ao saber que sua amiga de infância havia feito aquilo sem consultá-lo.


— Claro, Adrikins… Nós temos que fazer o trabalho juntos para ficar perfeito! E afinal, faz tempo que não fazemos nada junto… Parece até que está me evitando – começou a ficar mais manhosa, ainda não largando o pescoço do loiro.


— Vai ver ele esteja cansado de você – resmungou Marinette para si.


— O que disse?! – Chloé largou-se de Adrien, indo em direção à mais baixa — Olha, Marinette… Eu sei que você sempre teve inveja do quão incrível eu sou… Afinal, quem não teria? Mas se acha que eu vou deixar você roubar o meu Adrien como você fez com o Félix-


— Cala a boca, Chloé! – irritou-se ao ouvir aquele nome.


— Então ficou irritada porque eu falei o nome do seu ex que te largou porque não te aguentava mais? – continuou a provocá-la, sabendo bem como aquele era um assunto delicado.


— Eu não dou a mínima para ele, Chloé. Faça seu trabalho, mas pode ter certeza de que o motivo para o Félix ter se afastado de você não fui eu e sim essa sua personalidade arrogante – virou as costas para a bully sem pensar duas vezes, porém com o coração a mil por estar com seus nervos à flor da pele naquele momento. Nem mesmo conseguiu olhar para o rosto de Adrien, que estava calado com uma feição perdida diante de toda aquela discussão. 


— Arrogante?! Quem você pensa que é?! – sem querer mais participar daquele drama, Marinette deu as costas e saiu da sala, deixando Chloé falando sozinha — Volta aqui, sua-


— Chloé – Adrien chamou atenção dela — O que você fez não foi legal – advertiu, sabendo que ela o escutaria.


— Você viu como ela me tratou? Ela sempre foi assim! Desde o ensino médio ela fica me chamando de arrogante, sendo que eu nunca fiz mal a ninguém! – o loiro fechou a cara.


— Você que não percebe, Chloé! Você tem atitudes egoístas e é arrogante com todo mundo! Principalmente com a Sabrina que fica correndo atrás de você todo dia! – a repreendeu mais uma vez, querendo acordá-la e fazê-la entender o motivo de ter se afastado dela.


— A Sabrina é minha amiga! Nós somos muito próximas! – começou a fazer sua voz manhosa mais uma vez, querendo abraçar Adrien que deu alguns passos para trás com os braços cruzados.


— Todos os meus amigos dizem a mesma coisa, Chloé. Não percebe o problema? 


— Não está vendo que eles estão tentando te tirar de mim dizendo essas coisas?! Eu já fiz algo ruim para você? – o dramalhão estava começando a cansar o modelo que suspirou.


— Chloé, enquanto não se desculpar com a Marinette e não mudar essa atitude, eu não vou ser seu amigo – deu as costas para ela.


— Espera! E nosso trabalho?! – segurou-o pelo pulso.


— Eu nunca concordei que o faria com você – tirou a mão dela de seu pulso, ainda que de maneira gentil e saiu da sala atrás de Marinette.


— Vai se arrepender disso, Adrien! – ouviu-a dizer atrás dele e esbarrar em seu ombro correndo com um choro exagerado. Podia ter sido um pouco duro com ela, porém era necessário e não se arrependia. Bufou olhando para as pessoas no corredor enquanto caminhava, avistando quem procurava em um dos bebedouros, aproximando-se por trás.


— Desculpa pela Chloé – a garota ao ouvir aquela voz deu um pulo, se molhando toda com a água da garrafa que estava enchendo. Ao notar o que tinha causado, Agreste fez um semblante sem graça — Foi mal…


— Tudo bem – Marinette tranquilizou-o. Tinha se estressado tanto com aquela conversa com Chloé que estava desligada do resto do mundo, tendo merecido tomar aquele susto — Eu vi ela correndo… O que aconteceu? – perguntou curiosa.


— Nada demais… Só discordei em fazer o trabalho com ela e disse algumas vezes que ela precisava ouvir – explicou, apoiando a mão na parede ao seu lado a qual Marinette havia se escorado para beber um pouco da água que ainda restava na garrafa.


— Então, finalmente acordou pra vida? – brincou, lembrando-se do primeiro dia de aula.


— Você sabe que eu não sou como ela – com a afirmação, aqueles olhos azul-anil encararam-o com suspeita até que ambos começaram a rir ao mesmo tempo. Aquela risada… Tinha um soar tão doce para a garota que foi parando de rir gradativamente, perdendo-se naquele rosto mais uma vez. 


— O que veio fazer aqui? – perguntou desviando o olhar para o lado, sentindo as bochechas levemente esquentadas.


— Eu estava pensando… Já que pode haver um trio para os grupos… 


— Você é insistente – comentou sorrindo, não entendendo o porquê dele querer aquilo, porém, sentindo-se lisonjeada e até mesmo pulando por dentro, mesmo que se recusasse a admitir.


— Ei, não precisa se incomodar se não concordar… Eu posso arrumar outra pessoa ou fazer sozinho – deu de ombros, não querendo incomodá-la.


— Eu vou falar com a Juleika, mas acho que tudo bem – se desencostou da parede, dando as costas para o loiro.


— Está indo almoçar? – indagou indo atrás dela, andando ao seu lado.


— Sim, o pessoal vai se reunir no auditório de música de novo, você vem? – tentava agir da maneira mais natural possível.


— Claro… Nino tinha me dito algo sobre isso – concordou — Vamos? – naquele mesmo momento o celular de Marinette começou a tocar.


— Só um minuto… É minha mãe – afastou-se um pouco do garoto para atender a ligação. Aguardou o retorno da garota pacientemente enquanto uma questão martelava em sua cabeça. O nome do ex dela era Félix… Recordava daquele nome de um primo seu que era bem distante da família, entretanto só podia ser uma coincidência… O Félix que conhecia nunca havia namorado ninguém, ou pelo menos nunca havia dito sobre, apesar de que existia o fato dele nunca ter sido muito próximo de sua família, principalmente depois do que havia acontecido com Emilie.


— Adrien? – Marinette chamava-o, tendo já voltado sem que ele percebesse.


— Foi mal, vamos? 


— Na verdade eu tenho que ir pra casa… Minha mãe precisava de ajuda na padaria já que essa hora é bem movimentada – explicou — Se importaria de avisar os outros por mim? – parecia com pressa.


— Posso ajudar? – perguntou o de madeixas loiras com um semblante pidão, como o de uma criança. A garota estranhou.


— Eu vou trabalhar… Você-


— Eu sei. Eu sempre quis saber como é trabalhar de verdade, sabe… Sem ter que ficar posando pra uma câmera – vendo aquela cara toda inocente de quem ainda estava aprendendo a viver fora de casa, Dupain-Cheng suspirou.


— Eu vou avisar minha mãe antes… Avise os outros que a gente não vai almoçar com eles e me encontra na padaria, eu vou na frente – que mal poderia fazer? Estaria apenas passando um tempo a mais com Adrien Agreste, o modelo mais admirado de toda Paris… Seria um desastre… Como ela prestaria atenção em seu trabalho?!  Devia ter pensado melhor antes de ter respondido, mas já era tarde… Como iria conseguir dizer não a ele que parecia tão… Ansioso… Algo dentro dela sentia por ele, sentia empatia. Ouvir ele falando aquelas coisas de querer trabalhar fazia-a pensar cada vez mais em como deveria ser um saco ter vivido 19 anos de sua vida dentro de casa. E o pior era pensar que seu designer de moda favorito tinha feito isso com ele. 


— Certo… Devo dizer a Juleika sobre o trabalho? – perguntou.


— Claro. Eu vou indo – virou as costas para ele quando notou que estava com um sorriso extremamente bobo em seus lábios.


— Nos vemos daqui a pouco – viu-a partir pelos corredores com o passo apressado, enquanto esboçava um sorriso bobo também de quem iria fazer algo como adulto pela primeira vez. 


— Que tipo de garoto da sua idade iria pedir para trabalhar?! – Plagg reclamou dentro do blazer de Adrien que pegou seu celular para disfarçar enquanto falava com ele andando pelo corredor até o pátio.


— O que tem de mal? Pode ser divertido… Além disso não deve ser muito difícil – falou como se não fosse grande coisa.


— Alguma vez você já atendeu um cliente ou cozinhou? – Plagg olhava-o ainda sem acreditar.


— Atender não, mas teve uma vez que eu cozinhei alguns biscoitos com a minha mãe… Mas… – parou de falar envergonhado.


— Isso tem tudo para ser um desastre.


— Pelo menos é algo diferente do que ficar em casa no meu quarto – refutou, contrariado.


— Eu não vejo problema nenhum em ficar em casa… Admita que só está fazendo isso para passar mais tempo com a Marinette – sabia que havia algo que envolvia segundas intenções.


— Qual o problema se for? Ela é uma boa amiga, eu me sinto confortável perto dela – deu de ombros, sem entender o alarde.


— Amiga… – revirou os olhos — Eu vou voltar a dormir – acomodou-se mais uma vez dentro do bolso da camisa de Adrien e parou de falar.


— Você não tem jeito, mesmo…



[...]


No departamento de música as coisas encontravam-se agitadas naquele dia. Agora no intervalo era a hora que muitos estavam esperando para abordar um novo aluno que havia sido transferido e estava na universidade terminando de preencher os papéis que precisava. Aquela perseguição das pessoas irritava-o e por isso ele não hesitava em ignorá-las sem se importar se estava sendo grosso ou não. Tudo que queria era entregar aqueles papéis e ir almoçar no lugar que havia planejado. Finalmente terminou de assinar aqueles papéis na diretoria principal e saiu para o pátio em direção ao departamento de música uma última vez para dar uma olhada no local antes de se livrar daquela dor de cabeça, sendo parado a todo momento por alguém. Pegou um papel que mostrava-lhe seus horários daquele período e parou para lê-lo por alguns segundos quando sentiu alguém esbarrar com força em suas costas.


— Olha por onde anda! – falou a garota de madeixas loiras que havia cruzado caminho com ele e agora estava caída no chão.


— Ora sua… – virou-se para ver seu rosto e assustou-se — Ah, é você, Chloé – falou sério, não sabendo como deveria reagir ao revê-la. 


— Como assim sou eu?! – quando finalmente levantou o rosto fez uma expressão incrédula, deixando expostos seus olhos inchados do que tinha chorado já naquele dia — Só pode ser brincadeira! Você e a Dupain-Cheng estão fazendo de propósito! – levantou-se com raiva.


— Do que está falando? – seu semblante permanecia sério, porém com a testa franzida. Aquela garota lhe dava dores de cabeça, desde sua infância, com suas acusações sem sentido. 


— Você e a Marinette só sabem me humilhar na frente dos outros! Por que está aqui?! Já basta aquela...


— Eu nunca precisei fazer nada pra te humilhar, você já faz isso sozinha – olhava-a com repreendimento, como se ela fosse alguém inferior, exatamente como ele fazia com as outras pessoas. Sentia nojo. 


— É sempre assim! A Marinette tira todo mundo de mim! – seus lamentos começaram mais uma vez, deixando mais algumas lágrimas caírem.


— Se você fosse diferente, essas coisas não aconteceriam – passou reto por ela, cansado daquela conversa — A propósito… Como está o senhor abraços? – sorriu sarcasticamente, relembrando sua infância. E foi ouvindo aquilo que Chloé encheu-se de raiva.


— Eu te odeio, Félix! É igualzinho a ela… Vocês dois se merecem – o garoto cerrou os punhos com ódio, mas antes que pudesse falar mais algo, Chloé retirou-se com o nariz empinado, o que o fez sentir mais raiva ainda. Tantos anos e aquela garota nunca mudava. 


Deu de ombros e seguiu seu caminho pelo departamento de música como se soubesse para onde estava indo. Procurou e procurou por vários lugares até encontrar as salas onde teria suas aulas, com muitas pessoas encarando-o por ser um estranho, mas ao mesmo tempo por ser conhecido. Se pudesse evitar o evento de seu passado que tinha deixado-o tão marcado, nunca teria pedido aquela transferência. Nunca teria ido embora. Era por isso que tinha retornado. Queria consertar as coisas… Entender o que tinha acontecido. Ficar sozinho em Londres não era o que desejava, então decidiu voltar a morar com sua mãe em Paris, afinal, tinha problemas inacabados de seu passado que precisava entender. Ainda não havia esquecido. Nem mesmo se deu conta de que estava andando aleatoriamente pelo departamento, parando diante de uma grande porta semi-aberta a qual entrou, vendo de imediato algumas pessoas de sua idade reunidas na borda do palco, conversando. Nenhuma delas parecia ter um rosto familiar, porém olhou-as com seu semblante analítico, imaginando estar no auditório de apresentações.


— Ah, oi! Você deve ser o aluno novo que todo mundo tá falando – tomou um leve susto ao ver que um garoto de madeixas azuis se aproximava do seu lado, com um violão pendurado nas costas — Deve ser o Félix… Os professores falaram muito bem de você hoje quando souberam da transferência – ele falava de maneira tão natural, nem mesmo se dando conta de que poderia estar sendo um incômodo para o loiro, que revirou os olhos ao saber daquilo.


— É tudo que sabem falar – deu as costas desinteressado.


— Félix? – no momento que virou-se deu de cara com um rosto familiar que pouco lhe agradava, assim como Chloé — O que está fazendo aqui?! Não estava estudando em Londres? – Adrien Agreste. Viu-se obrigado a forçar um sorriso, por mais que desejasse ignorá-lo e passar reto.


— Adrien – disse como forma de cumprimento, deixando bem claro seu desgosto — Eu me transferi pra cá – informou.


— Isso é ótimo! Se precisar de ajuda pode me dizer – tentava ser gentil, com um sorriso simpático, entretanto tinha conhecimento que Félix não o suportava e sabia que ele não era alguém totalmente confiável. 


— Claro – retribuiu o sorriso forçado. Luka, que tinha sido o primeiro a falar com o novato da universidade, encontrou-se perdido, contudo percebia que o clima estava pesado.


— Então… Vocês dois já se conhecem? – perguntou, chegando mais perto de Adrien, que tinha uma aura menos hostil.


— Ele é meu primo – falou desconfortável.


— Infelizmente – Félix, que era o mais alto do trio, cruzou os braços, esperando aquelas apresentações acabarem.


— Certo… Eu vou lá com o pessoal almoçar, fique a vontade se quiser se juntar a nós – ofereceu a Félix que, mesmo reconhecendo a gentileza, desejava ir embora.


— Eu recuso… Vou terminar de olhar o departamento – passou reto por Adrien que ainda olhava-o como se tentasse desvendar suas intenções. Esbarrou propositalmente em seu ombro, de leve, e sumiu pelos corredores sem companhia.


— Foi mal por ele… Nós não nos damos muito bem… Na verdade eu nem sabia que ele vinha para cá – falou com Luka, parecendo meio apressado, ao mesmo tempo que parecia curioso para saber o porquê daquela volta repentina de Félix.


— Tudo bem, ele ainda é novo – deu de ombros como se não tivesse ligado para a arrogância do garoto — Você vem? Ainda estamos esperando a Marinette.


— Na verdade ela me pediu pra avisar que não vai poder vir, porque ela vai precisar ajudar a mãe dela na padaria – disse.


— Ah… Claro – continuou parado com uma sobrancelha arqueada, esperando ele passar — E você? – apressou.


— Eu vou ajudar ela também… Fica pra outro dia – falou com um sorriso em seu rosto.


— Boa sorte pra vocês dois, então – Luka parecia feliz por saber que ambos estavam finalmente se dando bem — Agora eu vou indo, porque tô morrendo de fome – deu um toque no ombro do garoto como despedida e deu as costas.


— Ah… Poderia avisar a sua irmã que eu entrei no grupo do trabalho dela com a Marinette? – pediu o lembrar-se. 


— Claro, mas acho melhor você ir antes que deixe a Marinette esperando – falou querendo fazer o de madeixas claras se apressar, visto que já estava ali enrolando.


— Verdade… Valeu, Luka… Até outra hora – despediu-se ansioso para ir fazer o que tinha planejado, dando as costas para o auditório e partindo em seu caminho até a padaria.


Para sua sorte naqueles últimos dias, Nathalie nem mesmo estava tentando convencê-lo a ir almoçar em casa, então pôde andar pelas ruas, tranquilamente, em direção ao estabelecimento. Bom, nem tão tranquilamente já que muitas pessoas o olhavam durante o trajeto. Adrien não estava dando muita importância naquele dia, já que estava com a mente ocupada pela presença de Félix na cidade mais uma vez. Não era que o desprezasse, mas por algum motivo seu parente não gostava dele e, por isso, preferia não incomodá-lo. Quando entrou na padaria, passou direto pelos olhares das pessoas até atrás do balcão, onde Marinette parecia um pouco enrolada com a lotação do horário do almoço.


— Precisando de ajuda? – perguntou ao vê-la lutando para contar o dinheiro.


— Não aqui… Minha mãe precisa de alguém pra entregar os pedidos, vai lá atrás – apontou para a porta que dava caminho até a cozinha, mantendo sua atenção nos clientes.


— Certo – concordou.


— Você é o Adrien Agreste? O modelo? – um dos clientes que estava na fila perguntou, despertando atenção de vários outros.


— Adrien Agreste?! Filho do Gabriel Agreste?! – vários murmúrios começaram a surgir pelo local com aqueles olhos curiosos que estavam começando a sufocar o loiro, que ficou sem reação.


— O que está fazendo?! Não disse que queria trabalhar?! – Marinette chamou atenção do garoto, sem entender o porquê dele ter congelado.


— Ah, sim, foi mal – despertou sumindo dentro daquela porta, onde poderia ter um pouco de paz. Encostando-se na parede e respirando fundo. Era difícil de admitir, mas tinha crises de pânico constantes quando ficava cercado daquele jeito por pessoas que o conheciam por seu trabalho como modelo. Odiava aquilo. E era tudo uma consequência de seu pai. Não sabia como agir diante de pessoas o sufocando de perguntas, tendo problemas para se socializar. Tentava ser gentil, educado, manter a postura, fazia como seu pai havia ensinado, porém tinha vezes que não conseguia manter a calma. Tudo que queria era ter um dia como um jovem adulto normal. Agora sabia que seu pai descobriria o que estava fazendo e provavelmente seria repreendido. Era por isso que estava tentando manter-se longe dele, para sentir-se mais livre, mas seu medo constante dele o repreender ainda o causava aquelas crises. Chat Noir era sua escapatória, porém ainda assim fugia das câmeras por medo de ser julgado. Não gostava de se explicar, pois nunca era ouvido. Tudo que podia fazer era fugir para não ter uma crise diante das câmeras por conta das inúmeras perguntas que o fariam. 


— Adrien? – Sabine veio ao seu encontro — Está tudo bem? Você está pálido – colocou a mão no ombro dele sem entender a situação.


— Sim, senhora Cheng, eu só precisava de um pouco de ar – falou com um sorriso para tranquilizar a mulher.


— Eu não posso te deixar ajudar com você assim, não quer ir pra casa, querido? 


— Não! Eu quero ajudar… Mas poderia ser com algo na cozinha? Eu… Não quero que me vejam lá fora – explicou, com medo de parecer um pouco ridículo, porém a de madeixas azuladas como as de Marinette fez um semblante acolhedor.


— Claro… Pode ajudar o Tom no meu lugar, eu fico com a Marinette cuidando dos pedidos.


— Obrigada, senhora Cheng – estava aliviado.


— Sem formalidades, me chame de Sabine. Assim como Alya, você é um amigo da Marinette – em meio a sua gentileza, retirou-se de volta à padaria para ajudar sua filha, deixando com que Adrien fosse sozinho até a cozinha onde Tom retirava alguns croissants do forno. O loiro se aproximou em silêncio.


— Senhor Dupain? – chamou com receio, não querendo atrapalhá-lo e aquele enorme homem virou seu rosto para o modelo, parecendo surpreso.


— O que faz aqui, rapazinho? Achei que fosse ajudar com os pedidos – colocou os salgados dentro de um cesto, não parando quieto por um segundo, voltando a abrir uma massa que estava ali ao lado. 


— Sua esposa me pediu para ajudar na cozinha que ela iria ficar na padaria com a Marinette – informou, ainda meio intimidado, afinal, não tinha um bom olhar de figuras paternas por conta de seu próprio pai. 


— Maravilha! Iremos nos divertir com a arte da cozinha! – Tom animou-se ao saber que teria companhia, já que, Alya, a outra amiga de Marinette que conhecia, não tinha demonstrado interesse em cozinhar — Me mostre o que sabe fazer – entregou ao loiro um rolo de massa.


— E-eu nunca mexi com massa, senhor Dupain – falou nervoso e o homem o encarou.


— Para tudo tem uma primeira vez, garoto! Gostaria de aprender? – diante daquela pergunta, ouviram o apito de mais uma das coisas que assavam no forno e o padeiro apressou-se para retirar uma bandeja de macarons que pareciam deliciosos.


— Eu não atrapalharia seu trabalho? Eu vi que a padaria está cheia, então pensei que pudesse ajudar levando as coisas para fora… Ou- 


— Não seria incômodo nenhum! É sempre um prazer ensinar a arte da confeitaria! Além disso, estaríamos trabalhando enquanto eu te ensino – o adulto ofereceu-lhe um dos macarons, dando um sorriso gentil. Era incrível como Marinette tinha pais tão gentis e isso o fazia invejá-la de certa forma. Pegou aquele doce e comeu por inteiro sem pensar duas vezes, sabendo que seria delicioso. Era mesmo. Ficou emocionado em estar sendo tratado de maneira tão acolhedora por aqueles dois, mesmo que ainda fosse um tipo de estranho. Estava mais confortável do que nunca havia sentido antes em sua casa nos últimos anos.


— Será um prazer ajudar, então, senhor – concordou, finalmente, empolgado em aprender algo novo como cozinhar. Sentia-se como uma criança recebendo lições mais uma vez e sorria de um jeito bobo. Com aquilo, Tom sorriu, colocando a bandeja de macarons na mão do garoto.


— Leve isso para a Sabine e volte aqui. Temos muito trabalho ainda – virou-se mais uma vez para voltar a botar a mão na massa e Adrien, um pouco receoso concordou, mesmo que com um pouco de medo de aparecer mais uma vez diante da fila de pessoas que poderia a qualquer momento tirar uma foto que pararia nas mãos de seu pai. Respirou fundo e concordou com a cabeça, indo com a bandeja cuidadosamente pelo corredor até a padaria mais uma vez, vendo que já estava um pouco mais calmo, porém com algumas pessoas ainda. Não conseguiu ver a senhora Cheng em lugar algum, então, olhando para baixo, foi até o balcão onde a filha do casal estava ainda cuidando do caixa.


— Marinette, onde está sua mãe? Eu tenho que dar esses macarons para ela – falou, torcendo para que ninguém fizesse um escândalo ao vê-lo, um pouco aliviado ao olhar em volta e ver que ninguém parecia estar com nenhum celular apontado para ele.


— Ela está lá fora atendendo alguns clientes nas mesas – falou olhando-o brevemente, vendo que ele parecia agitado — Minha mãe disse que você estava pálido, não precisa fazer isso – desviou o olhar, mesmo que preocupada, controlando-se para não se atrapalhar com as palavras ou ficar nervosa.


— Eu quero… Não se preocupe… Eu só tive um momento difícil depois de toda aquela gente me olhando – escutando aquilo, a Dupain-Cheng estranhou, entretanto resolveu não se meter muito.


— Quer falar sobre isso depois? – ofereceu-se a ouví-lo.


— Não é nada demais. Só… Relacionado ao meu pai…  – não queria preocupá-la. Suspirou e deixou a bandeja junto a um cesto de croissants que estavam ali do lado, imaginando que era a única coisa que podia fazer no momento — Eu vou voltar lá para dentro. Seu pai disse que ia me ensinar a cozinhar – falou, tentando pensar no lado bom de estar ali, ansioso para aprender um pouco. Marinette escutando aquilo arqueou uma sobrancelha, surpresa.


— Você vai cozinhar? Ele te intimidou? – perguntou achando aquilo muito estranho.


— Não, não. Eu achei que pudesse ser divertido, então aceitei ajudar ele – sua feição inocente fez com que o coração de Marinette acelerasse repentinamente. Nunca esperaria ver Adrien interessado em algo de seu mundo, principalmente sabendo quem era o pai daquele garoto. Todavia, vê-lo parecendo tão empolgado com aquilo a fez pensar que ele estivesse tentando viver do jeito que ele queria e, por isso, acabou sorrindo. Estava vendo-o tentar ser ele mesmo, fazendo algo que queria. Como um garoto normal. Terminou de dar o troco ao último cliente da fila até o momento e pegou um pano que estava jogado no balcão, que normalmente usava para colocar no próprio cabelo quando ajudava seu pai.


— Pra trabalhar na cozinha, não pode deixar o cabelo solto desse jeito, porque ele pode cair na comida – foi até atrás do loiro e colocou o pano em sua cabeça, como se fosse uma bandana para puxar seu cabelo para trás. Em seguida, tirou um dos elásticos de seu cabelo e usou-o para prender todas aquelas madeixas loiras do garoto em um pequeno rabo de cavalo — Assim está melhor – com metade do cabelo solto, Marinette olhou para o rosto do modelo, que sorria meio tímido e atrapalhado por não ter se dado conta daquilo antes.


— Valeu, Marinette – sorriu de um jeito sereno para ela, que, imediatamente, corou e virou o olhar.


— É-é melhor você ir trabalhar – quando disse aquilo, depararam-se com uma garota da idade deles mais ou menos que estava com o celular na mão sorrindo para ambos.


— Adrien Agreste ajudando a namorada na padaria, todo mundo vai amar isso! – falou empolgada por ter conseguido capturar a cena logo ao entrar na padaria.


— Merda – Adrien falou para si.


— Se importa de apagar? – Marinette levantou a voz, vendo que aquilo incomodava o loiro, além de ir contra a própria privacidade dela.


— Desculpa… Eu já postei... – mostrou a língua um pouco envergonhada por sua falta de paciência em ter postado aquilo.


— Mas você pode apagar o post – Dupain-Cheng insistiu, enquanto amarrava o próprio cabelo em um coque com o único elástico que restava.


— Marinette, deixa – colocou a mão sobre o ombro da amiga, sabendo que já era tarde. Sabia que seu pai veria aquilo e provavelmente estaria ferrado. Tudo que podia fazer era lidar com as consequências, apesar dele mesmo saber que não estava fazendo nada errado. Suspirou — Mesmo se ela apagar, outras pessoas já vão ter visto – falou, como se já tivesse passado por aquela situação antes.


— É minha culpa… Eu não deveria ter- 


— Não é culpa de ninguém, foi só um acaso – sorriu. Apesar de saber o que lhe aguardava mais tarde em sua casa, estava feliz — Vou voltar para a cozinha – mergulhou mais uma vez naquela porta para os fundos do estabelecimento e deixou Marinette, preocupada, junto àquela garota imprudente que olhava para o semblante decepcionado da de madeixas azuladas sentindo-se culpada.


— Me desculpa… Eu fiquei empolgada em ver o Adrien em um lugar tão inusitado assim… Além dele estar com a namorada dele… Sabe… Ninguém sabia que ele tinha uma namorada e quando eu pensei que poderia ser a primeira a saber disso, eu não pude resistir – a voz daquela garota irritava Marinette, que bufou, sabendo que o erro já estava feito.


— Eu não sou a namorada dele – voltou até o caixa, desanimada — Vai querer alguma coisa? – perguntou, querendo voltar ao seu trabalho.


— Ah, sim! Uma caixa daqueles macarons, por favor – pediu como se nada tivesse acontecido, apesar de estar segurando-se para não fazer mais perguntas àquela garota.


— Claro – pegou o dinheiro que lhe foi entregue e pegou o troco rapidamente, dirigindo-se até a bandeja de macarons que Adrien havia trazido para colocar alguns em uma caixa já pronta para as entregas. Voltou até a garota e entregou-a a caixa — Tenha um bom dia – disse com simpatia, mesmo tendo ficado incomodada com a foto que aquela mesma havia publicado.


— Se quiser minha opinião, eu diria que ele gosta de você. Afinal, não é todo dia que o modelo mais famoso de Paris é visto numa cozinha de padaria – riu sorrateiramente e foi embora pela porta da frente sem dizer mais nada. 


Corou ao escutar aquilo, mas logo balançou a cabeça para afastar aqueles pensamentos, afinal, esteve contendo-se deles o dia todo e não era por um comentário de alguém que mal conhecia que iria se convencer de algo. O fato era: tinha medo de gostar de Adrien, pois não sabia como as coisas seriam se aquilo acontecesse e, muito provavelmente, se dessem errado ela ficaria arrasada mais uma vez, o que não queria que acontecesse. Além de que, o fato dele ser extremamente semelhante a seu ex a fazia pensar que talvez seus sentimentos fossem superficiais. Era algo muito complicado. Sabia que talvez fosse melhor para ela levar as coisas de um jeito mais leve, como Chat Noir havia sugerido. Outro dos problemas: Chat Noir. Desde seu último encontro com ele, tinha começado a refletir sobre ficar com o mesmo, que parecia tão interessado nela, entretanto, seu receio a estava impedindo. Deveria arriscar? Já estava pronta para esquecer tudo que tinha a ver com Félix? Como saberia? De repente escutou um barulho de algo caindo vindo da cozinha, ao mesmo tempo que aguardava algum cliente aparecer, escorada no balcão. Curiosa, correu para dentro para ver o que tinha acontecido e deparou-se com o modelo coberto de farinha, ao chão. Não conseguiu conter sua risada ao vê-lo naquela situação que, para ela, era tão comum. Tinha que admitir que vez ou outra pegava-se pensando naquele garoto que sorria timidamente enquanto naquela situação, voltando a cozinhar mesmo todo sujo sem nem mesmo hesitar. Seu rosto centrado nas coisas que seu pai o ensinavam mostravam à Marinette um novo lado do Agreste. Quando notou que estava olhando-o demais, retornou à padaria para continuar seu dia de trabalho ao lado de Sabine.


Como não teriam mais nenhuma aula naquele dia, passaram o resto da tarde na padaria trabalhando, nem mesmo tendo tempo para almoçar. Beliscaram algumas coisas vez ou outra, com Marinette passando seu tempo sem clientes na cozinha ajudando Tom e Adrien, que ainda estava bem atrapalhado diante daquela nova atividade. Apesar disso, ele demonstrava aprender rápido. Vê-lo daquele jeito, tão próximo à sua família, fez a Dupain-Cheng lembrar-se de Félix, porém do lado bom que viveu com ele. Suspirou. Não sabia o que deveria fazer, mas tinha que admitir para si estar interessada no modelo, mesmo que apenas por sua beleza, algo nele a deixava confortável. Agia tão diferente dentro daquela cozinha do que agia quando estavam na faculdade… Era como se visse outra pessoa. Alguém mais descontraído. Mais livre. 

Era quase fim da tarde quando começou a bater sua cabeça no balcão de leve, entediada por não ter muitos clientes para atender já que estavam próximos de fechar. Sua cabeça estava cheia de pensamentos sobre aquele garoto de orbes esmeralda que estava na cozinha com seu pai. Como tinha conseguido parar em uma situação dessas depois de ter concluído que não estava pronta para seguir em frente? Mas… Qual era o problema? Eram amigos… Não precisava ser nada além disso, mesmo que seu cérebro sempre colocasse várias possibilidades em sua cabeça. Não sabia reconhecer se aquilo era algo verdadeiro ou só estava assim por conta de certo alguém. Em meio a isso, ouviu a porta da padaria abrir quando faltavam apenas 5 minutos para fecharem. 


— Marinette, você está com problemas! – Alya era quem entrava pela porta da frente, desesperada com o celular em mãos.


— O que aconteceu dessa vez? – ajeitou um pouco a postura no balcão, parecendo desanimada.


— Escuta. O Adrien está aqui? – perguntou, deixando a situação bastante suspeita.


— Sim… Lá atrás com os meus pais... – respondeu com a voz meio recuada, com medo do que ela queria contar-lhe.


— Certo… Então… Hoje na faculdade, quando você saiu sozinha e o Adrien foi avisar sobre a padaria… O Luka e o Adrien tiveram um encontro com… Uma pessoa… Eu tava olhando de longe e não consegui reconhecer na hora, por isso não falei nada, mas eu vi ele! – começou a se desesperar, pulando para trás do balcão para ficar junto da melhor amiga.


— Alya, você está me assustando, quem você viu? – a morena pegou uma das mãos da Dupain-Cheng com firmeza e segurou-a firmemente.


— Me desculpa, me desculpa, me desculpa! Eu vi seu celular hoje de manhã quando você tava dormindo e não te avisei porque achei que não era nada demais, mas acontece que era até coisa demais! – o desespero da Césaire começou a preocupá-la, visto as circunstâncias que tinham sido o dia anterior.


— Alya… Quem me ligou? E quem… Você viu? – engoliu seco.


— Primeiro… Você sabe que todo mundo já viu sua foto com o Adrien, não é? – aquela maldita foto que Marinette sabia que tinha sido um erro.


— Merda, Alya, o que aconteceu?! – começou a ficar ansiosa, acabando por perder a paciência e foi nesse momento que a porta da padaria abriu-se mais uma vez, dando entrada a uma figura. Aquela figura. Aquela pessoa. Cabelos loiros. Extremamente alto. Olhos verdes e roupas formais escuras. Respirou fundo e passou para a frente do balcão para ficar diante daquele garoto que esperava não ter notícias tão cedo. Ambos encararam-se de maneiras diferentes. Enquanto Marinette olhava-o com arrependimento, as orbes esmeraldas encaravam-o decepcionados, mesmo que com um buquê de flores em mãos, que entregou a ela sem o menor sentimento, como se fosse cerimônia. Esperava que ele dissesse algo.

— Está feliz? – questionou Félix, notavelmente afetado.


— Eu pareço feliz? – pegou aquele buquê e colocou-o de lado sobre o balcão, cruzando os braços. Alya observava aquela tensão no ar, meio receosa do que poderia acontecer.


— Parecia bem feliz na foto – o bem, velho e ciumento Félix. A azulada não conseguiu deixar de rolar os olhos.


— Claro que eu estava, somos amigos – falou sem pensar duas vezes.


— Então por que me olha com tanto desgosto? Eu nunca insinuei que eram outra coisa – Marinette riu brevemente, segurando-se para não chorar diante daquele garoto, que, agora, depois de tanto tempo, parecia uma pessoa completamente diferente. As coisas estavam exatamente iguais a quando terminaram. Tensas. Desentendidas. 


— Por que voltou para Paris? – perguntou, não sabendo como deveria reagir ao vê-lo, porém, tudo que queria naquele momento era se livrar dele.


— Temos coisas para acertar – franziu o cenho.


— Ainda com isso de querer respostas, Félix? Eu já te disse… Você mentiu sobre a sua família porque teve ciúmes… Você decidia tudo por mim... A gente dependia um do outro e isso não era bom – seus olhos marejados entregavam ao loiro o quanto ela ainda guardava mágoas daquela época.


— As coisas ainda podem ser diferentes, você sabe que eu nunca quis que as coisas ficassem daquele jeito – suspirou com o olhar sério.


— Você precisa seguir em frente – virou as costas para ele, deixando algumas lágrimas de raiva escorrerem, enquanto olhava para Alya, decepcionada. Queria que ela tivesse avisado-a sobre a ligação. Abaixou a cabeça e sentiu-o colocar a mão em seu ombro — Félix…


— Marinette, eu posso tomar um banho? – Adrien surgiu da porta dos fundos da padaria, deparando-se com aquela situação repentina e ligando os pontos imediatamente. Então ele era mesmo o ex-namorado de Marinette.


— Você seguiu em frente, Marinette? – indagou, com medo da resposta, sem querer demonstrar os sentimentos conflituosos que estava sentindo ao ver o rosto de seu próprio primo encarando-os.


— Vai embora, Félix – retirou a mão do garoto, bruscamente, de seu ombro e entrou naquela porta dos fundos, sumindo na escadaria que havia ao lado de um corredor para a cozinha, Alya, perdida, foi atrás da garota, deixando ambos os parentes sozinhos, encarando-se.


— Por que nunca contou sobre ela? – Adrien perguntou, finalmente.


— Não devo explicações à você – olhava-o com nojo, como se tivesse sido traído.


— Nós éramos próximos, Félix! Por que ficou tão fechado comigo desde que começou a namorar com ela? Desde que minha mãe se foi? – forçou-se a continuar aquela conversa, precisando de respostas.


— Você e seu pai sempre tiraram tudo de mim e da minha família! O anel da sua mãe… Seu pai se recusou a devolver ele e ele sabia o quanto significava para a minha mãe – cerrou os punhos — Marinette sempre foi sua fã… Eu não podia deixar que ela soubesse, ou então... 


— Tá falando sério?! – irritou-se com a última frase — Me escondeu da sua namorada porque achou que eu ia tirar ela de você? – estava começando a perder sua postura civilizada. 


— Eu fui imprudente, mas eu sabia que se eu tivesse falado, estariam próximos como estão agora, ou talvez mais – sentia o peso de suas ações batendo em sua cara naquele exato momento.


— Ela é minha amiga… Você sempre teve essa atitude possessiva! Até mesmo com a Chloé… Sempre achando que os outros querem o que é seu… Querendo o que os outros têm... – Félix segurava-se, ouvindo todo aquele desaforo, enquanto o Agreste aproximava-se — Eu sei que você tem um lado bom, Félix… Você se importa com os outros… Eu sei disso desde que você fez aquilo pela Chloé quando éramos crianças.


— E agora ela me odeia.


— Você decidiu permanecer como o vilão da história – refutou-o e nesse exato momento, Félix agarrou-o pelo colarinho do blazer branco que Adrien usava.


— Você não entenderia… Você sempre tem tudo o que quer… – Adrien empurrou-o com força, para livrar-se de suas mãos.


— Não fale sem saber toda a história – seu semblante ficou mais sério do que nunca, verdadeiramente irritado. Deixou de lado seu personagem educado de sempre e mostrou-se pronto para começar uma briga se fosse necessário.


— Digo o mesmo para você – ajeitou sua roupa com calma — Eu não vim aqui para voltar com a Marinette – falou, enfim, ainda com seu ar de arrogância.


— O que quer, então? 


— Respostas – suspirou — Quando eu a vi feliz daquele jeito na foto… Eu vim ver se ela estava bem de verdade… Mas parece que não. Ela está sofrendo, por minha causa… – suas palavras eram verdadeiras, mas, ainda assim, não condiziam com seus sentimentos de inveja e ciúmes de Adrien.


— Então por que brigou com ela? Por que sempre tenta ser o vilão da história? – o mais baixo estava confuso.


— Porque quando se tem um vilão, as pessoas têm um motivo a mais para serem melhores – virou as costas. Não aguentava mais olhar para o rosto daquele garoto.


— Você- 


— Não pense que somos amigos. Eu não preciso de ajuda – abriu a porta para a rua — Eu serei melhor que você – ficou parado diante a porta, como se esperasse algo — Venha comigo – disse, como se fosse um tipo de ordem.


— Por que eu deveria? – arqueou uma sobrancelha.


— Seu pai não está nada feliz… Não iria para casa se fosse você – abriu caminho para que ele passasse.


— Ele viu a foto? – sabia que aquilo aconteceria, cedo ou tarde, mas teria que enfrentar as consequências. Tinha que ir para casa. Quanto mais cedo fosse aquilo, mais cedo as coisas aconteceriam — Eu tenho que ir para casa. 


— Nathalie avisou minha mãe que Gabriel está descontrolado… Eu não mostraria a cara por hoje, Adrien… Não seja teimoso – bufou, irritado já em ter que bancar a babá do modelo.


— Ele é sempre assim – aproximou-se de Félix, meio acuado — Não vai se incomodar mesmo se eu ficar na sua casa? 


— Pelo amor de Deus, pare de falar e vamos logo antes que eu mude de ideia – impaciente começou a andar, deixando Adrien para trás, que, perdido, mas ao mesmo tempo feliz, apressou-se para alcançá-lo, passando um de seus braços por trás dos ombros do mais alto, que reagiu imediatamente.


— Não encoste em mim!


Notas Finais


Lembrando que se puderem deixar algum comentário de opinião, etc, me deixaria muito feliz por saber o que estão achando.

O que acharam do Félix? Acham que ele vai ter um papel importante? Se sim, o que acham que ele fará na história?

Até o próximo capítulo.


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