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História Window - yoonkook - Capítulo 1


Escrita por: yuorthppl

Capítulo 1 - Um


Você ligou sua música pela primeira vez, colocou-a extremamente alto. Eu, seu vizinho pude ouvir quando você começou a gritar durante a música, o prédio só ouvia a música extremamente alta e apenas eu ouvia seu sofrimento. Eram seis da manhã. Você madrugou, não foi? Eu sei que você estava mal quando ouvi você chorando, três horas ou até mais olhando uma série de comédia.

Você estava com a janela aberta. Desde quando a quarentena começou você não abria a persiana nem de dia, cheguei a pensar que estava morto ou tinha se mudado. Mas hoje, nessa madrugada você se abriu, chorou, olhou sua série, chorou e ligou sua música. Eu não tinha reparado até então mas você fuma. É claro que eu já havia sentido o cheiro de fumaça mas não pensei que fosse você. Você é menor de idade, não é? Eu sinto o cheiro de fumaça nesse momento. Você gritava/cantava junto a música e as vezes parava para dar uma tragada.

Me desesperei quando você se sentou em sua janela chorando e fumando. Empurrei meu vidro assim te possibilitando de me ver, tu pausa tua música e seca as lágrimas úmidas de sua bochecha e funga se nariz. “não vou pausar minha música.” você diz em um tom birrento.

Traga, segura e expira sua fumaça fedorenta, olhando para mim esperando minha resposta. Sexy.

  Você está bem?

Talvez pelo meu tom de voz ou meu olhar você percebeu que não era uma pergunta superficial, por mais que parecesse, de um jeito brusco e inesperado seu choro voltou; alto e forte.

— O que aconteceu? — minhas palavras.

— Eu estou tão cansado.

Eu sabia o que você estava sentindo, de repente tudo muda e você que não é mais uma criança tem que se virar sozinho. Tudo de uma vez, a solidão, a saudade, a dor, a frustração e o medo. Ninguém para ajudar.

O cigarro foi apagado e a janela fechada bruscamente. Sua música não foi mais ouvida, apenas seu choro.

Após esse dia toda tarde sua persiana era aberta, todo vez que você abria eu estava lá, te esperando. Sempre com uma aparência tão exausta e pálida você olhava para minha janela por alguns minutos, provavelmente ainda sonolento, você esperava que eu abrisse meu vidro para falar contigo e eu sei disso porque eu estava lá, sempre estive. Você me olhava sem me ver. O abençoado insulfilm. Você se cansou de me esperar e voltou a sua rotina mas nunca mais fechou sua persiana. Mesma coisa, música alta das 18:00 até 00:00, algumas vezes mais tarde, algumas vezes mais cedo. Você mexia seu corpo de acordo com a música, não eram passos ensaiados ou alguma coisa bem feita, era apenas você se mexendo com ritmo, lindo. Você estava tão imerso na sua dança de ritmo próprio que nem notou que o cigarro em sua boca estava muito pequeno, praticamente queimando o seu lábio. Você dançava centralizado em sua janela, era praticamente um convite. “Me observe, caia em tentação e se imagine me tocando. Eu amo atenção.”

Eu via tudo com clareza, tudo tão desnudo. Algumas vezes você tentava estudar mas sempre terminava chorando, eu quero voar até você e o abraçar. “você não é burro, me diga no que precisa de ajuda e eu te explicarei e se você não entender eu explico de novo e de novo e se ainda assim você não entender eu te deixo entrar na minha cabeça e pegar tudo que você quiser e precisar.”

Você sempre estava lá, olhando tv, as vezes só fumando e conversando com seus amigos pelo notebook, eu via até quando você brigava com seu pai o que era frequente mas ao mesmo tempo não. No início eram brigas toda hora até que eu vi sua vontade desaparecer, você não tinha mais ânimo para discutir, apenas ouvia e ficava quieto. Sem energia. Lembro quando seu pai descobriu que você fumava. Ele não ficou bravo nem nada, apenas lhe alertou que fumar fazia mal. Não teve um pedido para que você parasse ou algo do tipo, era quase como se ele não ligasse, bem, eu acho que ele não ligava.

Tarde, nublada. Aproximadamente umas quatro e quarenta da tarde e eu resolvo tentar “perder” minha timidez e abro minha janela, você estava jogando no notebook de bruços e nem me percebe pois estava de fone e gritando com seus amigos. Eu fico ali, te vendo, esperando para ver se você me nota em algum momento mas isso não aconteceu por pelo menos quase uma hora então eu meio que desisto e vou pegar uma xicara de café. Volto e lá está você, apoiado no parapeito de sua janela fazendo carinho no seu gato.

— Oi vizinho.

Você parece estar debochando de mim, não entendi o porquê mas decidi ignorar.

— Olá..

— Estranho, ficou quanto tempo me olhando dessa vez? — questionou ele com naturalidade. Estou boquiaberto.

— O que foi? Tu tem algum tipo de obsessão esquisita por mim?

Que língua afiada.

— Você gosta de menininhos mais novos, é? Quer me foder, não é?

Eu arregalo meus olhos mais do que já estavam (se é que é possível) e você cai na gargalhada.

Ainda rindo você tira seu gato do parapeito o leva para cama e fecha seu vidro. Sabendo que eu ainda estava lá você mostra sua língua para mim e se joga na cama para ler algum livro que estava na sua mesa de cabeceira.


Notas Finais


espero que gostem<3


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