História WINGS - You never walk alone. - Capítulo 25


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Ação, Aventura, Bangtan Boys, Drama, Jeon Jungkook, J-hope, Jung Hoseok, Jungkook, Kim Namjoon, Kim Taehyung, Min Yoongi, Park Jimin, Sobrenatural, Suga, Violencia, Vkook, Yoonseok
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Palavras 6.572
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Lemon, LGBT, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Necrofilia, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


olá meus amores sz

Capítulo 25 - Manipulação.


Fanfic / Fanfiction WINGS - You never walk alone. - Capítulo 25 - Manipulação.

Quando Taehyung sentiu a caminhonete parando mais uma vez, soube de imediato que haviam chegado ao lugar que de fato, também não queria entrar.

Estava garoando lá fora, enquanto o vento parecia estar tão forte que o Kim supôs que por um momento Angel pudesse sair voando se descesse do automóvel. Mas é claro, isso era apenas uma distração que estava tentando inventar em sua própria mente, afinal, não queria ficar pensando o tempo todo sem conseguir parar nas coisas que haviam o destruído nas ultimas horas desde que havia saído da casa de Jimin.

Ah, Jimin... E logo depois Jungkook e todo aquele papo que prometeram nunca mais sequer demonstrar. E ai veio novamente outra despedida, a surpresa que Jin não estava mais consigo e a briga com Yoongi e todo aquele surto de lágrimas.

Sempre que pensava que as coisas ruins aconteciam rápido demais em sua vida, era porque realmente aconteciam. Era como uma bola de neve descendo uma montanha. Começava com um floquinho, e de repente já estava gigante, grande o suficiente para quebrar qualquer coisa ao redor. E era exatamente assim que se sentia, ainda mais depois de ter que absorver tudo aquilo.

Mas ok! Horas e minutos haviam se passado. Já estavam de frente para casa de Eliza, não de frente para sua. Não estavam mais no sub solo do hospital com Jimin e Jungkook, então ele poderia tentar fingir que esses fatos nunca aconteceram, ou simplesmente ignorar a existência de todos eles.

E com um suspiro, Taehyung concluiu que era exatamente isso que iria fazer, por mais que seu coração e mente estivessem maltratados e precisando de um pouco de conforto. Iria tentar se acalmar e colocar as coisas em seus devidos lugares, independente do que já tivesse acontecido. Jungkook já havia ficado para trás com Jimin, assim como sua casa com sua mãe e a briga com Yoongi. Iria ignorar todos esses fatos nem que precisasse chorar na frente de todos ali, e já estava decidido.

— Taehyung? — novamente ouviu aquela voz lhe chamar. Por medo de parecer um idiota assustado novamente, ele logo se virou para Eliza, que o encarava com seriedade. — Ainda não se sente confortável?

— Não, não é isso! — negou, fazendo questão de colocar um enorme sorriso nos lábios. — Eu estou bem.. Só estava... pensando.

A loira franziu o cenho, soltando um risinho abafado.

— Então você pode pensar lá dentro, porque todos já entraram. — murmurou, fazendo Taehyung perceber que era realmente o único que havia sobrado na parte de trás da caminhonete.

— Ah... Eu estava pensando alto. Tipo, alto demais!

Eliza sorriu novamente soltando uma gargalhada.

— Tudo bem, eu já entendi. — disse, colocando um pouco de seus fios loiros para trás, apenas para o Kim perceber o quão diferente ela poderia ser se ele apenas desse um pouco de confiança... Ou espaço. — Vai entrar ou não?

Ele assentiu com a cabeça e em seguida desceu do automóvel de cabeça baixa, para não ser notado pelos guardas. Escutou a porta bater arás de si de repente, e quando se deu conta, já estava naquela casa tão familiar quanto a sua.

Todos estavam sentados na sala, encarando o chão e suspirando pesado vez ou outra. Taehyung se aproximou, mas não soube direito como iniciar uma conversa já que todos pareciam tão tensos. Com isso, ele apenas se sentou ao lado de Angel, que sorriu ao nota-lo.

Ele sentia certas coisas estranhas quando olhava para ela, ou quando ela o olhava. E sim, havia ignorado essas pequenas borboletas em seu estômago desde a primeira vez que viu a mesma na floresta, mas agora, já chegando naquele ponto de toda a história, era impossível negar para si mesmo que algo extremamente estranho ocorria dentro de si quando se encaravam. De repente o coração disparava e as mãos começavam a suar, queria gaguejar mas se controlava para não fazer, porque assim pelo menos conseguiria ignorar as coisas estranhas.

É que Angel era tão bonita. 

E Kim Taehyung meio que nunca soube resistir direito a um rostinho bonito.

— Está tenso? — ela perguntou, fazendo-o negar com a cabeça.

Você está tensa. — acabou por confirmar, vendo a mesma dar de ombros. — Acho que todos estão.. Pelo menos agora, né?

— É. — Namjoon respondeu, um pouco mais ríspido do que de costume. — Nova fase. Uma que provavelmente vai trazer mais problemas do que pensavamos.

Yoongi e Angel permaneceram em silêncio, enquanto Taehyung direcionava seu olhar para Eliza, que estava encostada em um canto, apenas observando todos eles.

Não houve uma troca de palavras, mas no mesmo instânte que os olhos verdes dela se encontraram com os castanhos dele, ela soube exatamente o que fazer.

— Eu vou dar uma arrumada lá em cima já que os quartos devem estar meio bagunçados. — anunciou meio sem jeito, já seguindo para as escadas. — Vocês podem ficar a vontade. Tem comida o suficiente na cozinha caso queiram comer algo, também.

Angel sorriu docemente para ela, que retribuiu logo subindo as escadas.

Agora, estavam todos os quatro ali, sozinhos. Poderiam decidir o que fazer e o que não fazer, por onde começar e por onde não começar. Tinham tempo o suficiente para decidir detalhes importantes do começo ao fim, mas Kim Taehyung estava tão confuso sobre tudo que sequer conseguia pensar em algo, ou até mesmo por onde começar. Apenas colocou em sua cabeça que iria aceitar o que tivesse que fazer, e assim seria.

— Já que ninguém começa, então eu vou começar. — ele disse, suspirando. — Estamos nessa apenas para matar Daniel, estou certo?

O olhar de Yoongi se cruzou com o mais novo, mas não houve uma resposta do mesmo, que apenas continuou com a mesma expressão. Na verdade, aquela era a primeira vez que o Min olhava para o moreno desde a briga que haviam tido na casa do mesmo.

— Sim, você está certo. — Angel acabou por responder quando notou a demora de Namjoon para faze-lo. — Não tecnicamente todos nós. Eu vou matar ele, apenas eu.

— E por que só você?

— Porque no livro diz que é ela. — respondeu Namjoon desta vez. — E se está no livro, é porque vai acontecer, ou deve acontecer. Enfim... É ela.

— Livro? — indagou. — Quê livro?

Namjoon encarou Angel, que apenas assentiu com a cabeça para que o mesmo prosseguisse com as informações.

— O livro das profecias. É assim que chamamos ele. — respondeu erguendo seu corpo um pouco mais para frente, encarando o mais novo. — É a única forma de Deus se comunicar com os Arcanjos. Lá está escrito tudo o que ira ocorrer, em forma de profecias.

Taehyung franziu o cenho, confuso.

— Esse é o único jeito de Deus se comunicar com vocês? — indagou, incrédulo. — Quer dizer que vocês nunca viram Deus de verdade? Só se comunicam através de... folhas?

— Porque não nos concentramos na parte importante e deixamos as perguntas idiotas de fora, Namjoon? — sugeriu Yoongi, mesmo que seus olhos estivessem cravados no Kim. — Eliza. Você disse que ela foi possuída. E depois Angel disse que vocês dois haviam concluído algo antes de chegarmos ao sub solo do hospital. O que era?

— Yoongi, o que você fez com Daniel antes de fugir da floresta? — Angel indagou, fazendo com que o Min quase se engasgasse com a própria saliva. Ele arqueou uma das sobrancelhas e soltou um risinho abafado, mordendo um pouco de seus lábios. O suficiente para que o Kim visse um pequeno filete de sangue escorrer.

— Por que essa pergunta tão de repente? — ele rebateu, apreensivo.

A líder dos Arcanjos cruzou uma das pernas, respirando fundo. Os olhos de Namjoon e Taehyung se encontraram, mas ambos permaneceram em silêncio.

— Porque eu suponho que você não tenha deixado ele lá sozinho, certo?  — ela soltou, de forma fria e calculista.

O Kim estava de boca aberta e cenho franzido, paralisado. Não entendia a ordem dos fatos e nem o que estava acontecendo ali, mas apenas sentia que se Namjoon não estava falando algo, então ele também não deveria abrir a boca para opinar ou perguntar.

— Não, eu não deixei ele na floresta sozinho. — o Min murmurou meio inquieto. Batendo o pé esquerdo no chão de madeira repetidamente. — Antes de eu deixar a floresta... coisas aconteceram. Nós acabamos brigando e eu dei uma facada nele.

Taehyung deixou a gargalhada escapar.

— Desculpa, foi sem querer.

O Min respirou fundo e voltou-se para Angel, que continuava com a mesma expressão no rosto. 

E Min Yoongi odiava ver aquela expressão. Era quase como se tivesse sendo torturado. Sendo torturado por algo que gostava.

Ou talvez não. 

— Você deu uma facada nele e?

— E nada! Ele só desapareceu de repente. Estava lá em um segundo e no outro não estava mais.

— Atingiu ele com a faca branca, certo? — Namjoon perguntou, e o Min apenas assentiu. — Onde?

— No peito. No lado esquerdo.

Angel franziu o cenho e negou com a cabeça.

— Atingiu ele com a faca branca no lado esquerdo do peito e mesmo assim ele ainda está vivo?! — o olhar da mesma se fixou aos de Namjoon, que apenas deu de ombros.

— É... Tecnicamente sim! Mas não sei ao certo se fui fundo o suficiente para mata-lo, eu não estava sob controle de toda situação na hora. Apenas... aconteceu.

— Você ia matar o seu próprio irmão? — a voz de Taehyung preencheu a sala com a pergunta, fazendo com que Namjoon e Angel ficassem em silêncio.

Yoongi engoliu em seco e fitou o garoto em sua frente. Ele estava sério, mas no fundo o Min sabia que as dúvidas sobre tudo aquilo estavam quase lhe corroendo por dentro, e por mais que o garoto estivesse evitando conversa com o mais velho desde a briga, Yoongi sabia bem que ele não aguentaria ficar calado por muito tempo quando o assunto se voltava para Daniel. Então, mesmo que seu peito estivesse cheio de dor por dizer aquilo, Min Yoongi simplesmente respondeu:

— Você não mataria o seu se fosse preciso?

Taehyung arqueou uma das sobrancelhas, dando de ombros.

— Talvez. — respondeu.

(Talvez. Se ele fosse igual ao seu.)

Mas na verdade ele só não entendia o que era de tamanha importância para Min Yoongi ao ponto de faze-lo esfaquear o próprio irmão. Porém, mesmo com esses pensamentos, o silêncio pairou na sala por alguns minutos, antes que a pergunta pulasse da boca de Taehyung:

— Nós vamos ficar sentados na porra do sofá o dia todo ou vamos resolver essa merda? — grunhiu. Não estava nervoso, apenas curioso demais.Respondam! Porque eu juro, não vou mais aturar isso tudo sem ter nenhum caminho pra seguir! Ou vocês param de criar expectativas naquilo ou nisso, ou eu juro que vou surtar! Se é que eu já não estou surtando desde que isso começou...

Angel suspirou, massageando suas têmporas.

— Então é isso... — ela murmurou. — Você esfaqueou ele, e ele está vivo. Eliza foi possuída, mas não conseguimos sentir a pressão espiritual de nenhum... demônio. — o olhar dela se cruzou com o de Taehyung, que claramente estava assustado com a palavra que surgiu de seus lábios. — É... Demônios. Eu e Namjoon não sentimos nada, mesmo que ele e Taehyung tenham se deparado com coisas estranhas na floresta no dia que me resgataram.

— O que foi que vocês viram? — Yoongi indagou, curioso.

— Eu achei que eram demônios, mas no final não eram. Me preparei para lutar e até mandei Taehyung se afastar, mas nada aconteceu, só... fiquei lá sozinho. — Namjoon respondeu, encarando o chão. Perplexo. — No final acabei percebendo que tudo não se passava de... ilusão. É, eu me deixei ser afetado por ele... Um pouco. Mas não vai mais acontecer, isso é um fato!

O Min respirou fundo, fechando seus olhos. Ele se jogou contra o sofá e mais uma vez mordeu seus lábios, fazendo com que mais sangue escorresse. Tudo era sobre Daniel e o que ele era capaz de fazer... Ilusões? Ah, ele era profissional naquilo.

— Você sabe... E-ele...

— Eu sei, Yoongi. — o Arcanjo lhe cortou. — Ele consegue manipular a mente de todos que estão sob seu controle. Sei disso.

O Kim respirou fundo e encarou um ponto fixo no chão, se lembrando muito bem daquela noite na floresta, quando ele encontrou Angel novamente. A memória veio tão forte e tão claramente em seu campo de visão que o mesmo precisou respirar fundo novamente para não ter  um ataque de pânico.

 

“Taehyung conseguiu ver a sombra pelo chão — graças a luz da lua — e constatou que se tratava de uma garota, a não ser que um cara estivesse com um cabelo gigante e encaracolado.

E ela se aproximou mais e mais da árvore, com passos lentos e pequenos, fazendo o garoto querer sair correndo pelo pânico que aquela sensação estava lhe causando.

Mais uma vez fechou os olhos e respirou fundo, tentando se acalmar. Sempre achou que os humanos eram os monstros, mas depois do que havia passado naquela sala com Daniel, não tinha mais certeza sobre essa conclusão.

Apenas cruzou os dedos para que conseguisse escapar vivo mais uma vez, mas não porque não queria morrer, e sim porque havia prometido para Namjoon.

— Taehyung... — a  voz feminina cantarolou feliz, causando no rapaz um arrepio ruim. Ele conhecia aquela voz, mas apenas não queria acreditar. — Taehyung...? Eu sei que você está ai..”

 

— Não era uma ilusão. — disse, com toda a certeza que existia dentro de si, mesmo que aquela não fosse sua atual intenção — Quer dizer... Era?

Todos na sala expressaram aquela típica expressão de curiosidade, mas ao mesmo tempo, todos os três se mantiveram com o pé no chão para responder aquela pergunta, mesmo que a vontade fosse de devolver com um “Por que?”

— Era uma ilusão. — Namjoon confirmou, com a voz calma e suave, quase como se falasse com todo cuidado para não fazer o garoto ter uma crise de pânico. — Daniel tem poderes fortes por ter sido um Arcanjo, Tae. Ele pode manipular a mente das pessoas, mesmo que ainda tenha dificuldade para tal, já que quando estava no céu o mesmo não fazia uso desse poder. De qualquer maneira, ele pode sim entrar na sua mente e fazer você ver e sentir o que quiser, mas isso tudo só depende do quão saudável sua mente está, entende?

Taehyung assentiu com a cabeça, atônico. Se Daniel podia controlar mentes, o quão vulnerável e exposto para o loiro o mais novo estava, tão assustado e em pânico ali no meio?

— Você também viu algo naquela noite? — Yoongi perguntou sem o olhar nos olhos. Frio e seco.

— Vi. — o moreno respondeu, mesmo querendo recuar. — Mas... era uma ilusão..

— O que foi que você viu, Taehyung? — sentiu a mão de Angel lhe tocar na coxa esquerda, com calmaria. 

As borboletas em seu estômago apareceram novamente.

Ele respirou fundo e tentou não surtar diante de memórias assustadoras que percorriam sua mente. A imagem de Caroline com metade do rosto desfigurado pelo tiro que havia dado. O jeito que o sangue escorria e o modo como o cérebro dela estava estraçalhado pela bala.

A bala que ele havia atirado.

 

“— Ela já está morta, Taehyung. Você quer que eu te lembre? Você matou ela com um tiro na cabeça. Você matou ela!”

 

O jeito como ela havia se aproximado.. Dizendo que não podia machuca-lo porque regras eram regras, e Daniel queria ele vivo. São e salvo.

 

“— Porque Daniel criou você a imagem e semelhança dele. Tudo que existe nele, existe em você. Você carrega o mal da morte, Kim Taehyung, apenas porque o assassino é você.”

 

Daniel o queria vivo, são e salvo. Mas por que?

Por que Kim Taehyung era tão importante no meio de tudo aquilo, onde nem mesmo ele fazia ideia de onde entrar, ou de onde sequer se encaixava.

 

“— Você é igual a mim, e não há nada que possa fazer para mudar isso. Eu criei você a minha imagem e semelhança, então pare de tentar ser o que não é!”

 

— NÃO SOU ASSASSINO! — Taehyung gritou de repente, sentindo seu corpo todo entrar em estado de choque extremo. Quando abriu os olhos novamente, todos estavam lhe encarando com o semblante assustado.

— Tae... — Namjoon sussurrou, se aproximando lentamente enquanto o moreno tremia. Por um momento, Taehyung se afastou do toque do Arcanjo, que decidiu recuar, tentando não causar mais pânico no mais novo. — Sabemos que você não é assassino, ok? — ele assentiu com a cabeça enquanto limpava rapidamente uma lágrima que escorria, e logo respirou fundo, engolindo em seco junto com todo o seu medo e pânico. — Não precisa contar o que viu naquela noite, nós entendemos você. Olha... por que não vai tomar uma água?

O mais novo apenas assentiu repetidamente com a cabeça, e mais rápido do que havia surtado de repente, ele se levantou e seguiu em direção a cozinha. Sem copos ou nada ele simplesmente abriu a torneira e molhou a garganta com a mesma, sentindo o líquido lhe esfriar por dentro.

Não vamos falar disso perto dele, ele ainda não consegue lidar com o próprio pânico. — ouviu Namjoon sussurrar, enquanto os outros apenas concordavam. — Falaremos sobre Daniel depois, sozinhos. Agora podemos discutir apenas o plano, certo?

Certo. — todos responderam.

Taehyung não queria ter medo. Não queria tremer e ter ataques de pânicos de repente, do mesmo jeito que também não queria fugir de todo lugar, apenas por estar assustado com a ideia de ser dominado. Queria se manter sóbrio e não chorar por qualquer coisa, do mesmo jeito que também queria não acreditar que Daniel poderia lhe controlar, bem quando entendesse.

Se fosse desse jeito, Daniel poderia apenas estalar os dedos para Taehyung estar em suas mãos. Completamente entregue e vulnerável.

Não queria e não deveria demonstrar medo. Sabia que estava tendo crises de pânico e alguns surtos de ansiedade durante o percurso, mas isso não era nada. Afinal, onde estava o Kim Taehyung valente que mesmo com medo daquele lugar de muros enormes, entrou no reformatório com toda cara a tapa e coragem?

Dias haviam se passado, e sua coragem apenas havia se esvaído. Daniel estava levando tudo aos poucos, e ele não fazia ideia de onde iria terminar aquilo tudo. Porém, não queria mais demonstrar isso. Não queria mais demonstrar medo e pânico. Angel, Yoongi e Namjoon estavam ali, prontos para agir independente do que acontecesse. E se fosse para ser desse jeito, ele iria fazer, mesmo com todo medo e pânico.

Já havia decidido isso tantas vezes naquele dia que até mesmo havia perdido a conta. Mas sempre havia algo que o fazia recuar..

— Taehyung? — ouviu mais uma vez a voz grave, mas ao mesmo tempo calma de Namjoon lhe chamando. — Está tudo bem ai?

Taehyung fechou os olhos e respirou fundo.

“Não se preocupa, vai dar tudo certo! Você vai conseguir!”

E ele esperava acreditar em si mesmo pelo menos uma vez.

— Oi... — respondeu já aparecendo na sala, enquanto todos o encaravam. — Eu tô bem. Só tava... me recuperando.

E calmamente o garoto se aproximou dos assentos e se sentou ao lado de Angel, que apenas sorriu e assentiu com a cabeça pela expressão de calmaria que o moreno apresentava, tão de repente.

Ele sabe fingir bem. Ela pensou consigo mesma, tentando ao máximo manter sua postura de líder, não podendo demonstrar tudo o que queria.

— E o plano? — ele indagou como se nada tivesse acontecido.

Namjoon encarou Angel, que encarou Yoongi, que encarou Taehyung. Por um momento houve aquele silêncio que sempre ocorria quando todos estava receosos de começar a conversa, mas logo Namjoon concertou tudo, tirando do bolso traseiro de sua calça algo parecido com um pergaminho. Angel e Yoongi rapidamente retiraram tudo o que havia em cima da pequena mesa de centro para que Namjoon pudesse abrir o mesmo lá.

Naquele momento os olhos castanhos do Kim estavam encarando um mapa. E era incrivelmente grande.

— Isso estava com você o tempo todo? — perguntou, curioso.

— Digamos que sim. — Namjoon respondeu, levando seu dedo indicador para certo ponto do mapa. — Nós estamos bem aqui. Porque a floresta é bem aqui do lado. Então, bem do outro lado fica Ma-

— A cidade de Maríah. — Taehyung completou antes mesmo que o mais velho terminasse de falar. O garoto ergueu seu corpo para frente, e atônico, seus olhos brilhantes encararam aquele enorme mapa naquela pequena mesinha. — Esse é o mapa oficial? Das duas cidades? Tipo... de verdade mesmo?

Angel assentiu com a cabeça, sorrindo pela reação do moreno.

— Mas... Maríah é enorme... Eu diria que é duas vezes maior do que Maríliah... Como é possível que seja tão grande assim?

— Talvez seja até maior que isso. — supôs Namjoon, com os olhos centralizados em cada detalhe daquele mapa. — Não sabemos o quão grande pode ser, o mapa é só uma suposição. Enfim... Se lembra bem do ponto onde aconteceu, Yoongi?

Dessa vez o olhar do Kim foi direto para o de cabelos negros, que deu de ombros para o Arcanjo.

— Não vou saber olhando para esse mapa, mas garanto que sei reconhecer quando chegarmos lá.

Taehyung franziu o cenho, sentindo um misto sensações confusas. Pela primeira vez em muito tempo uma noticia estava lhe chocando o suficiente para que tudo ao redor fosse esquecido.

Maríah?

Nós vamos invadir a cidade de Maríah? — perguntou, mais surpreso do que nunca. — Quer dizer... Isso é sério?

— Não é uma invasão se não cruzarmos a linha. — acrescentou Angel, mesmo que estivesse de olho no mapa também. — E nós não vamos cruzar a linha. Vamos ir pelo riacho. Certo, Namjoon? — ele assentiu. — E também não iremos chamar atenção para ser considerado uma invasão.

— Vamos sair daqui amanhã cedo, quando o dia nublado começar dar as caras. — Namjoon explicou enquanto o Kim escutava tudo atentamente. Pela primeira vez em muito tempo tinha um caminho para seguir se estivesse perdido, um rumo. — O fato de termos ficado aqui ajuda muito, porque as grades da floresta ficam perto o suficiente da casa, então tecnicamente não precisamos sair para entrarmos lá. Desse jeito, sem chamar atenção e sem sermos notados pelas câmeras, iremos atravessar o riacho e entrar em Maríah.

— Você sabe se podermos fazer isso, Taehyung? As grades são perto o suficiente de algum lugar da casa? — indagou Angel, fazendo com que o mais novo assentisse.

— No quarto dos pais da Eliza. — respondeu. — Tem uma janela que da de cara pras grades da floresta. É um pouco longe, mas nada demais. Eu já pulei várias vezes.

— Ótimo. — Namjoon sussurrou, provavelmente estava pensando alto naquele momento. Mas não mais do que Kim Taehyung, que apesar de “animado” com a ideia de sair do cubículo de cidade onde havia nascido para ir direto para Maríah, ainda tinha aquela famosa pulga atrás da orelha, e dessa vez não iria sair daquela casa sem mata-la.

— Certo... — ele murmurou, sem olhar nos olhos de ninguém. Iria jogar a questão no ar, apenas para quem quisesse responde-la. — Vamos ir para Maríah, mas a questão é: Por que é que vamos ir para Maríah?

Houve novamente aquele silêncio, mas como sempre, Namjoon tratou de quebra-lo mesmo que Angel estivesse com vontade de falar.

— Já explicamos. — respondeu, dando de ombros. — Precisamos do livro das profecias.

— E como é que vocês vão achar um livro no meio de uma puta cidade? Porque pelo tamanho desse mapa aquela cidade é enorme pra caralho, Namjoon! É um livro ou você só está omitindo algo de mim, de novo?

Namjoon engoliu em seco enquanto Yoongi respirava fundo, provavelmente tentando não começar uma discussão. Angel calmamente fechou o mapa, o enrolando como um pergaminho novamente, até entrega-lo de volta para o Arcanjo. Ela encarou o chão por alguns minutos e soltou um sorrisinho abafado antes de colocar seus cabelos negros atrás da orelha e encarar o moreno com aqueles seus olhos incrivelmente azuis.

Ele realmente não sabia direito o que acontecia quando aquela garota olhava para si.

— Taehyung, nós vamos sim para Maríah porque precisamos do livro. — ela disse, calma. O tom de voz singelo e doce fazia o garoto entrar quase em um transe completo. — Mas bem antes disso, nós precisamos achar Daniel. Eu e Namjoon não fazemos a mínima ideia de onde ele esteja, porque de alguma maneira ele conseguiu camuflar sua pressão espiritual mesmo sendo um anjo caído, e isso só Anjos e Arcanjos podem fazer. Yoongi também não sabe onde ele está, então... Você sabe? — o garoto negou com a cabeça apenas uma vez, lentamente. Estava definitivamente hipnotizado por aqueles olhos que mais se pareciam com a imagem perfeita de um céu azul, mesmo que ele nunca tivesse visto um céu azul em toda sua vida.

— Não sei onde ele está.. — respondeu, engolindo em seco por tocar nesse “ele."

— Ninguém sabe. — ela continuou. — Ele está se escondendo de nós. E nós não temos como encontra-lo sem o livro, entende? — ele assentiu novamente. — Mas... nós eramos cinco arcanjos, Taehyung. Eu, Namjoon, Yoongi e Daniel.

— Mas.. e o quinto?

— Hoseok. — respondeu, deixando um sorriso brotar em seus lábios. Yoongi se remexeu no sofá e novamente mordeu seus próprios lábios, claramente desconfortável. — O nome dele é Jung Hoseok. E por mais que eu seja a primeira Arcanjo na linha de sucessão dos céus, Hoseok sempre esteve acima de nós. De todos nós.

— P-por que? O que ele tinha de especial?

— O que ele tem de especial, garoto. Ele está vivo, e é por isso que vamos encontra-lo em Maríah. Hoseok é um escriba, o Arcanjo escolhido diretamente e unicamente por Deus para se comunicar com o mesmo através da escrita no livro.  Então... quando dizemos que precisamos do livro, estamos dizendo que precisamos de Hoseok, porque sem ele, o livro não é nada.

— Então.. Só ele exclusivamente pode fazer isso? Quer dizer... Sabe, “falar” com Deus?

Angel assentiu, sorrindo.

— Só ele conversa com Deus. — confirmou. — Só ele tem o dom e o poder de ler tudo o que aparece lá. E também é o único que consegue entende-las. E é por isso que vamos até ele. É por isso que precisamos acha-lo. Eu e Namjoon fomos enviados aqui para deter Daniel, e Hoseok é apenas uma peça faltando no quebra-cabeça.

— Achei que eu era a peça que faltava no quebra-cabeça.

— Nunca dissemos que você era o único. — Yoongi resmungou, enquanto o moreno apenas soltava uma pequena gargalhada.

— Hoseok? — disse em um pequeno tom de deboche, já encarando o Min com fogo nos olhos.  — Acho que eu já ouvi esse nome em algum lugar, não é? Acho que você já teve pesadelos com ele ou coisa do tipo, as vezes no reformatório eu escutava você chamar esse nome durante a noite.

— Kim Taehyung, nem começa!  — Angel o interviu, dessa vez com a maior autoridade do mundo. Uma pessoa completamente diferente de segundo atrás. De repente. Não vou permitir esse tipo de provocação, entendeu? Algumas coisas estão fora do seu alcance, e você não tem o direito de tocar em certos assuntos quando não sabe da intensidade dos mesmos.

— Ah, é? — indagou. — Então por que não me conta? Afinal eu faço parte de tudo isso, não faço?! Sou eu quem se parece com aquele filho da puta, não nenhum de vocês! Eu vim com vocês até aqui e confiei em vocês até aqui também! Como é possível que nessa altura do jogo vocês ainda tem coragem de esconder algo de mim?! Caralho eu sou o único aqui que sofreu nas mãos dele o suficiente para ter medo, e mesmo assim vocês ainda fazem isso? O que é tão importante a esse ponto, que fazem todos vocês esquecerem o fato de que eu fui assediado, e fui obrigado a matar uma menina?!

Yoongi suspirou, tristonho. Namjoon queria falar, mas não falou. Angel também queria falar algo reconfortante, mas não podia. Então, simplesmente respondeu:

— É como eu disse, Taehyung. Algumas coisas estão fora do seu alcance.

 

 

- X -

 

 

Estavam todos ocupados, tomando banho e se aprontando para dormir. Depois da conversa sobre o plano, o clima estranho tomou conta de todo o grupo, e todos apenas ficaram em silêncio durante o almoço que Eliza preparou, e durante o resto da tarde toda também.

Agora, sentado ao lado de Namjoon na sala novamente, estava apenas esperando que Angel ou Yoongi saísse de um dos banheiros para que ele pudesse entrar e se deliciar com a água quente.

Contanto, Namjoon era uma “pessoa” extraordinária, e jamais deixaria que o mais novo se sentisse desconfortável diante de uma situação como aquela. 

Ou em qualquer outra situação.

— Angel é um pouco grossa as vezes, só para avisar. — ele comentou, fazendo com que Taehyung soltasse um risinho abafado, mas sem respostas. Talvez não fosse isso o motivo do desconforto. — Enfim... acho que se você aguentou Yoongi por esse tempo todo, Angel não vai ser nada.

E Angel realmente não era nada.

— Não me importo com isso. — respondeu dando de ombros. — Já estou acostumado com vocês me escondendo coisas o tempo todo.

— Talvez você não saiba de tudo agora, Tae. — o Arcanjo murmurou, cabisbaixo com a reação do moreno. — A história de como isso tudo chegou ao ponto que está agora é... sentimental demais, ou talvez.. errada demais, complexa demais. Pessoas como você, que sentem e absorvem tudo demais, as vezes... não conseguem lidar com a coisa toda.

— Quer dizer que não vão me contar por que eu tenho crises de pânico, é isso?

— Não, não é isso. Uma hora você vai saber, e quando souber, vai entender do que estou falando, confia em mim.

— Confiar em você depois que mentiu sobre o meu irmão estar me protegendo. — soltou um risinho abafado. — Hilário.

— Eu não menti, Tae. — levou sua mão esquerda até o ombro do garoto, este na qual apertou com certo afago. — Eu fiz para te proteger. Eu entendo bem que você é confuso ai por dentro, acredite. Mas eu também entendo que pessoas que tendem a sentir demais, talvez sintam mais do que o necessário, mais do que elas próprias aguentam. — o olhar triste do Kim se cruzou com o vivido de Namjoon, que levantou um sorrisinho para o garoto. — Você só tem vinte e dois anos, Tae. É jovem demais e tem uma vida inteira pela frente, apesar de tudo isso estar acontecendo agora. Deus sabe das minhas verdadeiras intenções, e ele também sabe o quão eu rezo pela sua felicidade e alivio. Peço pela sua vitória todas as noite, garoto. Acredite quando digo isso.

Uma lágrima escorreu do olho direito do Kim, e logo, outra pelo esquerdo. E aos poucos, o choro que estava guardando o dia inteiro começou a surgir.

Não porque estava triste ou coisa do tipo. Apenas... Queria chorar, como sempre. Sentia um aperto em seu peito, e não importava o quão grande pudesse ser o impacto, qualquer mínima coisa era capaz de lhe fazer chorar.

— Você tem todo direito de chorar... — o Arcanjo sussurrou, apertando mais ainda o ombro do mais novo. — Pessoas com corações bons choram mais do que as outras, isso é verdade. Mas.. não se preocupe com nada, ok? Tudo vai dar certo, e no final, você vai poder voltar para seus amigos e família. Vai poder voltar para Jungkook.

O semblante assustado de Taehyung o dominou, e de repente as lágrimas pararam de cair.

— Jungkook? — indagou, assustado. — Você viu... aquilo? — Namjoon assentiu. — Ai, porra! E os outros?! Os outros viram?!

— Só eu vi. — confirmou, gargalhando. — Os outros estavam de costas para a cena. Mas não se preocupe, pode confiar este segredo a mim, assim como qualquer outro.

Taehyung ia responder, mas no próximo segundo Angel apareceu na sala vestida com um pijama velho de Eloá, que o moreno reconhecia mesmo que de longe. Namjoon se levantou do sofá e seguiu para o banheiro, enquanto Angel ia para a cozinha.

O moreno não sabia onde estava com a cabeça, mas tudo estava tão estranho que ele simplesmente perguntou:

— Angel, acha que o Daniel consegue controlar minha mente?

A garota, que estava na cozinha, caminhou calmamente até o sofá com uma maça nas mãos. Ela ficou de frente para Taehyung, e sorriu.

— Daniel não controla mentes, bobinho. Ele as manipula.

— E...?

— Controlar e manipular. Duas palavras que se parecem mas tem significados diferentes, Taehyung. — disse, ainda sorrindo. — Se Daniel pudesse controlar sua mente, ele faria o que quisesse com você a qualquer momento, mas ele não pode. Não pode porque não tem esse poder. Mas a manipulação? — ela soltou um risinho, quase como se fosse engraçado. — A manipulação vai de você. Daniel não pode manipular sua mente se você não deixar que ele a manipule, entende a diferença? Você não pode fugir do controle dele, mas pode fugir da manipulação, porque a manipulação não te controla, apenas te convence a fazer aquilo.

O moreno assentiu com a cabeça, se sentindo mais aliviado com a “informação.”

— Bom.. já é tarde, eu vou dormir! Amanhã temos um dia longo! Boa noite, Tae.

Ele sorriu. “Tae”

— Boa noite, Angel.

E aqueles olhos castanhos acompanharam o corpo magro da Arcanjo até as escadas, onde Eliza estava descendo as mesmas. Taehyung não sabia como reagir a presença da mesma, até porque tinha a evitado o dia todo desde que havia entrado na casa. Sabia que aquela era ela de verdade agora, e que tudo aquilo do reformatório havia sido... outra coisa. Mas por algum motivo simplesmente não conseguia encara-la.

Não conseguia confiar.

Mas mesmo assim, ela não desistia de tentar se aproximar do mais novo.

— Ei.. — ela o chamou, fazendo que o mesmo a encarasse. — Você não tomou banho ainda, né? — ele negou com a cabeça. — Então... será que eu posso limpar esse corte ai na sua cabeça?

Taehyung levou uma de suas mãos até a própria testa, e sentiu o corte com o sangue seco ali. As horas haviam se passado tão depressa que ele havia esquecido que acabou cortando a testa com o impacto da sua cabeça contra o volante mais cedo.

— Ah.. — murmurou. — Eu nem me lembrava disso...

— Posso limpar? O sangue está seco, então não vai ser muito legal se você entrar com isso na água quente.

Ele apenas assentiu com a cabeça, fazendo com que a mesma se sentasse ao seu lado — bem próxima, por sinal — com um pano úmido. E então, Taehyung sentiu o pano ser passado em cima de seu corte, o fazendo arder.

— Ai..

Eliza sorriu.

— Sinto muito. Não quero machucar você.

O processo foi rápido, mas quando o Kim sentiu que Eliza havia terminado com a limpeza, ambos simplesmente se encararam por minutos, em silêncio. As respirações estavam tão próximas que Taehyung podia sentir o cheiro adocicado da pele da mesma.

— Já.. terminei.. — ela finalmente disse algo, se afastando rápido logo em seguida.

Havia sido constrangedor, e Kim Taehyung não gostava de deixar uma mulher desconfortável.

— Onde você vai dormir? — acabou por perguntar, apenas para descontrair o clima tenso.

— Ah.. Aqui!

— Aqui? Tipo, no sofá?

— Sim!

— Mas por que? Isso nem faz sentido, está é a sua casa.

— Angel vai dormir no quarto da minha irmã. Yoongi e Namjoon na cama de casal dos meus pais. E você, no meu quarto.

— Ah...

— Sabe Taehyung... — ela respirou fundo, colocando seus fios loiros para trás. — Será que não podemos conversar? Sabe, sobre tudo que aconteceu entre nós lá dentro daquele lugar horrível, sobre... tudo.

Foi tão de repente.

O coração do mesmo parou. Não sabia como agir ou responder, apenas ficou encarando os olhos verdes da loira, até que escutou uma voz lhe chamar nos fundos.

— Taehyung? — era Yoongi, e pela primeira vez o Kim agradeceu por isso. — Já terminei de tomar banho, você pode ir agora.

E sem mais nem menos o moreno foi em direção para o banheiro, deixando Eliza ali, sozinha, triste, confusa e arrependida por coisas que ela nem mesmo havia feito. Kim Taehyung era um menino bom demais, e ela havia o magoado o suficiente para que o garoto não quisesse manter uma conversa consigo por mais de cinco minutos. E com tudo que sentia por ele, aquilo tudo a destruía da pior maneira possível.

Porém, o Kim era um menino com suas estratégias de fuga, e quando deixou Eliza para trás naquela sala, caminhou com a certeza de que iria ignora-la até a manhã seguinte, que era quando partiria junto com todos para Maríah.

Mas é claro que ele não sabia como as coisas iriam ocorrer depois daquele banho. E esse sempre foi seu pior defeito: Achar que tinha controle de coisas simples, quando na verdade, não tinha.

Até porque, se Kim Taehyung soubesse de tudo que iria acontecer depois, ele jamais teria colocado o pé para dentro daquele banheiro.

 

 

- X -

 

 

Sentir a água quente por todo seu corpo era uma das melhores sensações que estava podendo ter nos últimos tempos. Afinal, era basicamente o único momento em que estava completamente sozinho, sem ninguém para ficar lhe enchendo a cabeça com mais mistérios, questões e brigas. Podia só ficar ali, dentro da banheira, sentindo a água quente lhe aquecer até o pescoço.

A calmaria, o silêncio...

Sentia tanta falta disso. Da paz em que vivia e simplesmente não sabia antes de embarcar naquela confusão toda.

E com isso, com esse pensamento se repetindo varias e varias vezes em sua cabeça, Taehyung se lembrou da última vez que sentiu Jungkook em seus braços, e de todas as aventuras que haviam passado juntos, sem desistir um do outro por um curto período de tempo. E agora, depois de tudo aquilo, de todos os momentos e os sorrisos verdadeiros, Jeon Jungkook havia ficado para trás.

Para trás em Maríliah, mas não no coração de Kim Taehyung.

É que existem aquelas pessoas que por mais distantes que estejam, ainda continuam perto. Aquelas que, passe o tempo que passar, serão sempre lembradas por algo que fizeram, falaram, mostraram, pelo que nos fizeram sentir. É isso… As pessoas são lembradas pelos sentimentos que despertaram em nós… E quanto maior o sentimento, maior se torna a pessoa.

Jeon Jungkook era essa pessoa.

 

“— Então enquanto isso, eu vou te amando de longe e bem baixinho, só para que você saiba.”

“— Idem.”

 

— Desgraçado... — sussurrou sozinho, encarando os azulejos brancos da parede. — Por que me fez sentir tanta falta de você assim, tão de repente...

Uma lágrima escorreu de seu olho esquerdo, mas o moreno se negou a chorar por aquele mesmo velho motivo de novo. Não iria chorar por Jeon Jungkook de novo, nunca mais!

Com essa certeza em mente, respirou fundo e afundou sua cabeça na água quente da banheira, se emergindo por completo.

Imagens e mais imagens se passavam em sua cabeça..

Jeon Jungkook..

Os beijos..

As promessas...

As noites juntos...

Mas de repente... O que era aquilo?

Daniel..

Os toques do loiro em seu corpo..

As palavras sujas...

 

“— Acho que você não entendeu ainda, não é? Eu controlo vocês, mesmo quando acham que não estão sendo controlados. — Vocês são meus bonecos, minhas marionetes.. meus fantoches preferidos..”

 

A sensação dos pulmões queimando pela falta de ar lhe invadiu. Suas memórias haviam ido das noites junto a Jungkook para os abusos de Daniel. Queria mudar aquilo, mas não conseguia. Algo simplesmente lhe levou a pensar naquilo, naqueles momentos horríveis e torturantes, quando na verdade, estava apenas querendo ter lembranças felizes.

Abriu os olhos, e em uma tacada de tempo jogou seu corpo submerso para fora da água novamente, se agarrando as bordas geladas da banheira.

Respirou fundo e contou até dez, piscando sem parar. Algo dentro de si dizia para sair correndo dali. Porém era tarde demais.

Quando finalmente pensou em sair da banheira, aquela voz extremamente idêntica a sua surgiu ecoando pelas paredes finas:

— Olá, Taehyung. — o loiro sorriu de lado, arqueando uma das sobrancelhas. — Sentiu minha falta?


Notas Finais


pessoas traumatizadas com o Daniel se preparem pq ele vai aparecer dnv sim

ENFIM, É ISSO! Espero não ter demorado muito dessa vez, porque eu realmente estou tentando não demorar tanto. Como eu disse não tem um dia fixo para atualização, mas vou TENTAR manter as atualizações sem demorar! Espero que vocês tenham gostado do capítulo de hoje, e que tenham prestado atenção também, porque vai ser bem necessário para que vocês entendam o próximo capítulo rsrs

Ah, e caso vocês não estejam se lembrando qual foi o capítulo que o Nam e o Tae viram coisas na floresta, foi o capítulo de número 21! Voltem lá para reler caso precisem refrescar a memória ^^

O Spin off Vkook vai sair sim, só não sei quando sz PS; os próximos capítulos voltam a ter menos de 6k, não sei se vocês gostam de capítulos grandes, mas tento não prolongar demais também.

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AMO VCS É ISSO BEIJOS E ATÉ O PRÓXIMO CAPÍTULO

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⚫ PLAYLIST.
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⚫ SPIN OFF (Yoonseok).
https://www.spiritfanfiction.com/historia/lagoa-dos-esquecidos-12653623


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