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  3. 09

História Wings of Freedom: A Levi Ackermann story. - Capítulo 9


Escrita por:


Notas do Autor


3h atrasada hahahah e um cap gigantesco aqui!

Oi mores, como estão? Espero que bem!
Eu tenho que me achar por um momento, ok? O tanto que eu pesquisei sobre tratamento de ferimentos de bala, foi inacreditável. Até uma ligação pra minha mãe enfermeira rolou hahahah eu realmente deveria assistir Grey's anathomy ou qualquer coisa assim. Brincadeira!

Não tenho muitas delongas pra encher vocês. Cap fresquinho, eu terminei agora, porque tive uns contra tempos. E já garanto que no prox, tem a parte da batalha de Trost e o Eren e cia chegando. eeeeeeeee!!!

Vocês me perdoem, eu escrevi demais. Espero que gostem! Eu necessito postar na minha outra historia antes que eu leve um tiro, portanto, até o mais tardar na quarta, sai o prox!

É isso gente, eu acho que é só tudo isso hahah. Espero de todo meu coração que vocês gostem.

Boa leitura, perdão os erros e vejo vocês lá embaixo ;*

Capítulo 9 - 09


Fanfic / Fanfiction Wings of Freedom: A Levi Ackermann story. - Capítulo 9 - 09

Continuação do Flash Back.

Aerys Tybur:

- Não importa o que aconteça, fique comigo Levi. VOCÊ OUVIU? FIQUE COMIGO!!!

Aquele devia ser o pior dia de toda a minha vida. Eu tremia, não aguentar segurar direito o meu choro, estava desesperada, na minha mente, existia um relógio em contagem regressiva para que a vida de Levi fosse tomada. Como? Porque? Porque tinha que acontecer aquilo?

- E-Estou aqui... – Ele respondeu com a voz muito rouca, falhando, com uma respiração muito pesada e forçada. Seu peito estava coberto de sangue e não demorou para que minhas mãos também estivessem na minha tentativa falha de estancar o sangramento. Soltei seu rosto, engolindo desesperadamente o choro, enquanto minhas mãos tremulas abriam seu colete e sua camisa suja, para finalmente enxergar a gravidade daquele ferimento. Era profundo, estava saindo muito sangue, comecei a limpar superficialmente e pude ver que a bala realmente atravessou ali, mas talvez tivesse deixado resquícios.

Levi estava já muito pálido, sua testa suava, a ponto de os fios negros da franja repicada ficarem colados sobre sua pele. Sua expressão era de extrema martírio, ele estava sofrendo, gemendo rouco por causa da dor. Aquilo me destruía aos poucos por dentro.

- NÃO ME DEIXE, POR FAVOR! EU AMO VOCÊ!

Gritei aquelas palavras como se aquilo fosse adentrar o subconsciente dele e fazer um milagre acontecer. Eu sabia que era inútil dizer aquilo, naquele momento, mas eu era o que o meu coração em sofrimento gritava para que eu fizesse.

“Eu não vou te perder, EU NÃO VOU! ”

Mordi o lábio inferior com força engolindo de vez o meu choro, usando em seguida, as costas de uma das mãos para limpar minha visão marejada de lágrimas. Eu tinha que ser forte, e focar, precisava salva-lo de qualquer jeito. Se Farlan fosse chamar um médico naquele momento, talvez não fosse dar tempo, a perda de sangue era severa e isso era a coisa mais difícil a ser resolvida. Sem contar que no subterrâneo, a medicina era precária e muito, muito cara.

Levi respirava cada vez mais fraco, seu coração ainda estava batendo, eu conferia a cada meio segundo, morrendo de medo dele parar de lutar pela vida. Justo ele, a pessoa mais forte e corajosa que eu conhecia!

“Resista, por favor! Por favor...! ”

Eu falava em pensamentos o que minha boca não conseguia abrir para dizer, porque a dor no meu peito já queimava minhas cordas vocais. Dentro da minha cabeça, eu buscava me lembrar de tudo que já havia lido sobre medicina na minha vida. Entre eu, Levi e Farlan, o louro era o que mais ficava doente de tempos em tempos, e eu sempre cuidei de sua saúde. Também o ajudei bastante com sua mãe enferma até seu falecimento, foi assim que fui aprendendo e praticando algumas coisas. Eu não era forte, nem nada fora do comum, acho que até bastante lerda como Levi sempre me chamou e muito desastrada, mas se tinha uma coisa que eu fazia direito, era aprender rápido as coisas, armazenando bem as informações por um longo período na minha mente.

Os rapazes do bando de Levi também recorriam a mim quando estavam machucados ou doentes. Eles não podiam ir ao hospital, nem pagar o alto preso nas escadarias para ter acesso a um tratamento de melhor qualidade na capital. Eu não era medica, nem enfermeira, mas sabia pelo menos o necessário para que ninguém morresse prematuramente. Uma vez, há alguém tempo, Ivern, um jovem que fazia parte das pessoas que andavam com Levi e Farlan, acabou se machucando seriamente em uma briga. Eu quem tratei dele, mas o ferimento fora causado por lamina, nada comparada com o estrago de um tiro.

Farlan apareceu minutos depois com várias toalhas limpas e o que eu havia pedido. Lavei minhas mãos na agua, pois estavam muito sujas de sangue e comecei a limpeza do ferimento, utilizando tudo que eu sabia que tínhamos e poderia ajudar.

- Farlan, vai ter que me ajudar a vira-lo, preciso ver como está a saída da bala!

- Certo! – Ele respondeu de maneira firme.

Quando o maior moveu o corpo de Levi, eu o ouvi gemer de dor e seu corpo se contorceu, o que dificultou demais o processo. Era incrível que mesmo com toda aquela dor, sem muita noção do que provavelmente estava acontecendo, ele ainda tinha forças para se mover. Coloquei rapidamente a mão na testa dele e constatei que ele estava queimando de febre também.

“INFERNO…”

O lençol não era mais branco, estava violentamente manchado de uma cor carmesim intensa e o cheiro ferroso estava realmente forte. Por sorte, aquilo não me afetava em nada, eu só estava ainda tremendo um pouco, por medo de causar ainda mais dor a Levi do que ele já estava sentido. Me apressei em limpar ali pois ele ainda se mexia muito, fiz o melhor que eu pude e por fim, terminei com um curativo improvisado, para conter o sangramento, e então, disse a Farlan para vira-lo de volta.

- Vou aplicar morfina nele. Segure os braços para que ele não se mova e eu não o machuque!

Farlan assentiu e eu comecei a preparar uma seringa com morfina. Isso não ia parar o sangramento nem curar aquele ferimento, mas o livraria da dor, pelo menos um pouco e o acalmaria. Olhei para o rapaz louro ao meu lado e vi que ele estava muito nervoso, extremamente pálido, suando frio. Eu não poderia culpa-lo, seria exigir demais dele que aguentasse tudo aquilo, mas ele estava ali, comigo, tentando salvar Levi tanto quanto eu.

Minutos depois e Levi já estava sedado. Agora, eu poderia focar na parte da frente, na entrada da bala. Novamente tive que limpar o peito dele, e me lembrei rapidamente, que em qualquer outra ocasião, eu teria morrido de vergonha de tocar ali, em seus músculos firmes.

- Acha que ele vai aguentar? – O jovem louro me perguntou. Àquela altura, eu já tinha começado a costurar o ferimento, depois de longos e agonizantes minutos mexendo na ferida, procurando e retirando todos os restos da bala. Farlan segurava uma toalha molhada sobre a testa de Levi, que ainda queimava em febre.

- Eu não vou deixar que ele morra!

Achei que estava firme já, controlando meus sentimentos desesperados e a dor no meu peito que queimava, a ponto de dificultar até minha respiração, mas estava enganada. Comecei a chorar de novo, mas não ousei parar o que fazia.

- Ei, não chore...!

Como estávamos perto um do outro, sentados um de cada lado do corpo de Levi, a mão livre de Farlan alcançou meu rosto e seus dedos, limparam minhas lágrimas rapidamente. Eu engoli de novo o choro e ele se afastou. O sangramento parecia ter parado, mas nós estávamos longe de terminar. Infelizmente, a quantidade de sangue que Levi perdeu ainda era um problema gravíssimo, eu não tinha mais tempo para ficar chorando e sim, tinha que me concentrar em arrumar aquilo, custe o que custar.

- Como isso foi acontecer? Num instante ele estava comigo e depois...- Parei a frase no meio pois deixei meus pensamentos saírem em forma de palavras, e me odiei por me desconcentrar de novo.

- A culpa foi minha Aeris! Eu planejei um roubo a uma escadaria e não contava que eles estavam armados. Eu só queria que nós pudéssemos sair desse esgoto horroroso o mais rápido possível. Eu ia tomar o tiro, Levi apareceu e entrou na frente... devo mais do que minha vida a ele.

Naquele instante, eu senti o pesar na fala de Farlan. O olhei por um minuto inteiro, e fui incapaz de culpa-lo, pois eu via nas expressões dele, como ele mesmo já se culpava. Independente da carranca que Levi sempre sustentava, das suas palavras ríspidas, do seu jeito grosseiro e da falta de demonstração de sentimentos, eu sabia, sempre soube na verdade, que naquele instante, Levi tinha colocado de lado qualquer sentimento próprio para salvar Farlan.

- Me perdoe! Acho que não mereço nem desejar o seu perdão porque deve estar me odiando agora!

Ele se apressou em dizer na ausência das minhas palavras.

- Farlan, eu não estou...

- Eu ouvi o que disse a ele, Aeris. Você o ama! Eu sei...sempre soube na verdade, mas achei que talvez, eu pudesse te conquistar, e fazer você me amar como eu a amo!

Existia uma sinceridade gritante no olhar de Farlan. Senti a dor no meu peito se intensificar com aquelas palavras. Não era hora para aquilo, eu sabia. Mas eu não tinha como ignorar que sabia que ele tinha sentimentos por mim. Ele não me pediria um beijo por nada, certo?!

- Você não precisa me dizer nada. Sei que está sofrendo e eu sou o culpado. Mas saiba, que eu farei de tudo, para mantê-lo vivo pra você. É uma promessa!

A mão dele viajou de novo até o meu rosto e ele me deu um sorriso acolhedor no meio de uma caricia suave e breve. Eu realmente não tinha palavras para aquilo, era demais. Eu lidaria com Farlan e seu amor depois, assim que Levi estivesse fora de qualquer perigo. Na realidade, ele sempre foi como um grande e amoroso irmão mais velho pra mim. Diferente de Levi que sempre foi a minha pessoa preferida e a mais importante, eu sabia que existia uma diferença no que sentia pelos dois. Eu assenti agradecida, e ele afastou a mão para trocar a toalha que tentava conter a febre de Levi.

Ele ainda estava dormindo, mas o tempo corria, e ele precisava repor o sangue que havia perdido.

--

- Nesse estado, não poderíamos tentar leva-lo a um hospital? – Farlan me questionou, enquanto me ajudava a levar o lixo e as toalhas sujas pra fora do quarto.

- Seria extremamente caro, não temos esse dinheiro todo. Nem para o passe na escadaria nem para o tratamento. Levi e você são procurados, seria um prato cheio para a polícia militar!

Depois que joguei a seringa e todos os gases sujos no lixo, fui lavar as mãos. Precisava respirar, precisava de um momento, ou iria explodir. Farlan me deixou sozinha e eu aproveitei aquele momento para pensar um pouco. Levi precisava de uma transfusão, de soro, de várias coisas que nós não tínhamos. Ele estava dormindo agora e todo costurado, mas até onde estava certo tudo que eu havia feito? Eu não era especialista em nada!

Era muito doloroso pra mim lembrar de nossos últimos instantes juntos, quando ele prometera pra mim que voltaria pra casa. Me senti péssima por ter sido dura com ele, por ter ficado triste e brava quando ele quis me dar a flor. Naquele momento, eu senti como se ele estivesse fazendo como no nosso primeiro beijo. Escolhendo não dizer nada do que sentia e queria, tornando tudo mais doloroso do que se ele tivesse dito que tinha se arrependido, que foi um impulso, que gostava de outra garota. Foi por isso que ficamos quase uma semana sem conversar, sem que eu fosse capaz de olha-lo. Me faltou coragem para lutar pelo o que eu sentia, e naquela noite, em que nos beijamos, eu deveria ter colocado ele contra a parede, afinal, ele me colocou contra a cama e me beijou!

Agora ele estava ali, entre a vida e a morte, e eu nem pude dizer metade das coisas que meu coração idiota queria dizer. Antes que as lágrimas começassem a cair de novo, eu suspirei fundo e engoli. Aproveitei que estava lavando as mãos e lavei meu rosto também. Estava exausta, meio tonta, mas eu não dormiria aquela noite, nem em todas que viesse até que ele melhorasse e voltasse pra mim.

- Você está bem?

Farlan havia retornado e eu nem tinha me dado conta. Estava perdida entre minhas dores e meus pensamentos pesarosos que oscilavam nas possibilidades de salva-lo e dos lamentos em não ter dito tudo que precisava ter dito antes.

- Farlan, qual o seu tipo sanguíneo, você sabe?

Como eu era capaz de me manter firme depois de querer ajoelhar e bater a cabeça no chão de tanta dor e tristeza, eu não sabia! Mas nada na minha vida me assustava mais do que voltar para o quarto e ver Levi morrer. Se o senhor Kenny aparecesse na minha frente agora, não se compararia ao medo que eu estava de perder o meu Levi.

- “O” negativo, porque?

- TEM CERTEZA?

- S-sim! Precisei saber quando minha mãe estava doente porquê...

Eu não podia mais ouvir Farlan, eu estava me desconectando da terra.

“Não pode ser. Quer dizer, PODE! ”

O mundo parou de vez, enquanto minha mente viajava para uma citação em um livro que eu havia lido tempos atrás: “Pessoas com sangue do tipo O - podem doar sangue para pessoas de todos os outros tipos sanguíneos, A, B, AB, O. É o chamado doador universal. ”

- Você confia em mim?

Eu perguntei ansiosa, tremendo ao mesmo tempo que piscava várias vezes para voltar a mim mesma, enquanto me aproximei dele.

- Sim, mas, o que pensa em fazer?

- Preciso que você me traga soro, agulhas e equipo. Pode fazer isso?

Farlan assentiu, naquele meio tempo, ergui minhas mãos e segurei nos ombros dele com urgência.

- Preciso que vá rápido! Como nunca sai do submundo, nem para andar nas ruas da cidade, eu não sei o meu tipo sanguíneo, mas seu sangue é o tipo universal, vai ser compatível!

Fiz uma pausa, contendo o nervosismo e ansiedade na minha fala. Era sorte? Era um milagre? Qualquer outro tipo de sangue não serviria, a menos que batesse com o tipo de sangue de Levi.

- Vamos transfundir, está bem? -  Eu estava mais assustada do que Farlan quando eu afirmei em voz alta aquela ideia maluca. Mas nós não tínhamos muito tempo, nem dinheiro, nem um médico pra fazer aquilo, então, só me restava tentar. E por sorte, ele parecia tão insano quanto eu, concordando de pronto e se retirando dali rapidamente.

“Eu não vou deixar que você parta, Levi! ”

 

Flash Back off, por enquanto.

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Aeris Tybur:

- Como se sente? Fico feliz em vê-la no quartel de novo.

A voz de Erwin soou gentil como sempre, mas eu notei um misto de alivio e talvez até ansiedade. Passaram-se uma semana desde que capturamos o titã e eu havia me machuquei. Recebi alta dois dias depois daquilo, mas meu comandante, havia gentilmente me dado uns dias de folga. Aproveitei para me isolar e esfriar a minha cabeça, junto da difícil tarefa de acalmar meu coração profundamente machucado.

- Estou ótima, obrigada pela folga. Acredito que poderei tirar os pontos na próxima semana. Espero que isso não tenha comprometido os objetivos da missão.

Aquela era a mesma sala que ele havia me encontrado chorando muitos dias atrás. Ainda me sentia super envergonhada por aquilo, mas ele era meu superior, eu tinha que enfrentar aquilo e esquecer dos meus vexames. Por incrível que pareça, Erwin sempre foi muito gentil e compreensivo comigo. Não havia nada em sua face que remetesse aquele momento, ou imaginava eu, que ele jamais tocaria naquele assunto, sabendo como eu estava no dia.

- Fique tranquila! Os testes seguem, imagino que Hange já tenha falado com você.

- Oh sim, é verdade. Ela me visitou!

Ri mentalmente, me lembrando da visita animada de Hange Zoe na minha casa. Eu realmente a adorava.

- Conversamos pouco a respeito, mas foi o suficiente. Trabalhei em algumas novas ideias, mas preciso confirmar pessoalmente sua viabilidade.

Se meus planos estivessem certos, talvez poderíamos melhorar o DMT e o compartimento de laminas, mas dependeria muito do resultado dos próximos testes.

- Fico satisfeito em ouvir isso, não esperava menos de você. Mas eu a chamei aqui por outro motivo. – Ele fez uma pausa, me olhando fixamente.

Erwin estava sentado atrás de sua mesa e só agora, notei que ali, perto de suas mãos, havia uma carta com o selo real. O que poderia ser?

Ele apanhou o envelope e eu notei que já estava aberto; rapidamente esticou na minha direção e eu me aproximei, tomando o papel, abrindo e finalmente passando os olhos na escrita elegante. O conteúdo me assustou um pouco.

- Um pedido para que eu deixe o Reconhecimento e sirva a esquadrão da Policia Militar do Interior? Erwin, isso é praticamente como se o rei quisesse que eu fosse da sua guarda pessoal!

Não pude conter o meu tom de voz surpreso. Aquilo significava, que meu comandante estava me transferindo de divisão?

- Deixe-me explicar: Esse pedido veio do comandante da própria divisão, eu jamais recomendaria você pra isso.

- Como assim? – Eu perguntei, retornando o papel para a mesa a minha frente.

- Não é a primeira vez que eu recebo isso. Há algum tempo, anos na verdade, eu venho recusado todas as solicitações da coroa, pedindo sua transferência. Eles cobiçam seu conhecimento e suas habilidades, imagino que o corpo de engenharia da capital ficara extremamente feliz em ter você junto a eles.

Não havia nada nos olhos azuis do comandante a não ser seriedade e até uma sincera preocupação. Foi então que eu me lembrei de nossa primeira conversa há muitos anos atrás, antes de eu me alistar, longe da presença de Levi, onde notei aquele mesmo olhar. Existia algo em Erwin que eu admirava desde o começo. Não conhecia uma pessoa mais inspiradora do que ele, a ponto de aguentar tudo em seus ombros sem fraquejar. Mas porque estávamos tendo aquela conversa?

- Se vem recusando isso há tanto tempo, porque manteve isso em segredo até agora? Não que eu fosse aceitar, meu juramento está com você, eu não vou deixar o reconhecimento.

Em qualquer outro momento, eu imaginava a felicidade reprimida de Levi ao saber que estavam solicitando minha transferência. Mas não era o caso, Erwin parecia nunca cogitar aquilo. Ele se levantou e deu a volta na mesa. Assim que se aproximou de mim, suas mãos pesadas foram aos meus ombros e ele os segurou, abaixando o olhar para me encarar, isso me assustou um pouco.

- Eu sou grato por sua lealdade. Eu confio cegamente em você, independentemente de qualquer coisa.

Engoli um seco, mas o deixei falar.

- Mas se chegar o momento e eu solicitar que faça algo que não queira, para um bem muito maior, você o faria?

A intensidade no olhar do comandante fez meus ombros se encolheres. O que ele queria dizer com aquilo? Como assim me pedir algo que eu não quero para um bem maior? Minha garganta deu um nó e eu não sabia o que responder porque sem saber seus reais objetivos, seria complicado. Abri minha boca pra responder mas a minha voz morreu, pois a porta da sala se abriu atrás de mim.

- Erwin, estou entrando.

“Levi...”

Típico ele entrar sem bater. Sim! Era ele, em carne e osso. Não me virei para olha-lo, não pude, estava paralisada sentiu meu estômago revirar e a dor no meu peito renascer só de escutar a voz dele. No nosso último encontro, eu acabei dando um tapa muito bem dado em seu rosto. Achei que ele ia esbravejar, explodir, mas ele não o fez. Erwin soltou meus ombros e se afastou. Ouvi os passos do capitão se aproximarem, até ele parar quase ao meu lado.

- Atrapalho?

Ele questionou sarcasticamente e eu prendi a respiração sentindo a tensão se estabelecer no ar. Qual era o tipo de inferno que eu tinha que passar mais? Estava muito feliz de não ter topado com ele no pátio! Discretamente, subi a mão e massageei meu peito, tentando aliviar aquela dor que já de pronto, me consumia. Não fui capaz de encara-lo, mas sentia seu olhar em mim por um longo momento.

- Não, de forma alguma! Precisava mesmo falar com você, Levi. - Erwin respondeu, mas me surpreendi que ele não comentou o motivo de eu estar ali. Me limitei a ficar quieta sobre aqui, imaginando que essa seria a minha deixa para correr dali.

- Vou dar privacidade aos dois. Com licença comandante.

Eu dediquei a Erwin a posição de sentido e sem olhar para Levi, fiz o mesmo.

- Capitão.

Não era preciso que nenhum deles me liberasse. Eu só queria sair dali antes que minha pressão resolvesse cair. Quando dei as costas e alguns passos na direção da porta, fui impedida de sair com a voz de Levi me chamando.

- Ei Aeris! Seria bom ir dar uma olhada na sua amiga fundo de garrafa, ou ela vai inundar o pátio em lágrimas.

“Hange? ”

Me virei rapidamente e foi só aí que nos encaramos. As olheiras de Levi estavam gritantemente mais profundas. Acredito que ele não estava dormindo nada. Mas isso era da minha conta? Não! Meu coração quis sair pela boca com a intensidade do olhar dele azul escuro. As sobrancelhas como sempre estavam baixas e ele as juntava ao falar moldando ainda mais sua apatia, seu olhar não estava vazio, escondia alguma coisa e eu não soube decifrar o que era.

- O que houve? – Por sorte, minha voz saiu bem firme.

- O marido dela, o titã feioso. Acabou de virar uma pilha nojenta de ossos, em meio a uma fumaça fétida e podre.

Aquele desgosto nas palavras era típico, nem me surpreendia, mas eu captei um fundo de uma respeitosa empatia ali. Bem, não era hora de ficar ali analisando ele sendo que eu estava realmente preocupada com Hange. Pedi licença às pressas e sai dali, ouvindo a voz de Erwin questionar Levi sobre o acontecido antes da porta se fechar.

Bem, eu sobrevivi ao primeiro encontro com ele depois de todos aqueles dias. Não podia negar que ainda sentia o toque dele se eu me concentrasse nos nossos últimos momentos juntos na ala medica. Depois de tudo, ele ainda tinha tido a audácia de me tocar e me abraçar. O que ele esperava? Que eu caísse no papo dele? Havia arrependimento em seus atos? Bem, não era isso que ele demonstrava enquanto beijava Petra depois da nossa noite juntos. Eu devia de novo a minha vida a ele. Era incrível minha capacidade de viver infernos, como se já não tivesse sido o bastante aquele dia horrível, Levi ainda fora meu salvador.

“Que grande inferno! ”

Eu pensava enquanto caminhava rumo ao pátio, a procura de Hanji. Será que ele não ia relatar a Erwin e solicitar que eu fosse punida? Preferia isso mil vezes a ter que encará-lo de novo. Quantas vezes mais eu seria capaz de sobreviver aquilo?

--

- AHHHHH AERIS, PORQUEEE?!!!

Hange não estava só chorando, ela estava fazendo mesmo um verdadeiro escândalo, gritando em meio de um verdadeiro rio de lagrimas. Estávamos no pátio, ao lado do que restava do titã que nós capturamos, com vários recrutas com cara de tacho nos observando. Aparentemente, Levi não tinha exagerado no que contou.

Eu mesma estava muito chateada pelo acontecido, aparentemente, segundo o relatório de Moblit, subordinado de Hange, aquilo aconteceu por acidente. Resumidamente, o titã ficou tempo demais sem ser exposto ao sol, o que dava energia a eles mesmo sem se alimentar.

- Cabo Tybur, o que nós faremos? Não podemos deixa-la aí dessa maneira.

 Eu estava ajoelhada ao lado de Hange, segurando-a pelos ombros enquanto ela chorava, porque quando cheguei, ela estava quase batendo a cabeça no chão e conhecendo ela como eu conhecia, ela faria aquilo até sangrar, o que seria muito pior.

- Peça para todo pelotão recuar. Eu vou leva-la daqui! - Moblit assentiu positivamente e eu puxei o corpo de Hanji para mim. – Hange, ei! Venha, precisamos sair daqui.

- NÃO, NÃO, NÃO! VAMOS CAPTURAR OUTRO AGORA! LEEEEVIIIII!!!!!

- Cabo, acha que devemos chamar o capitão Levi aqui? Ele pode ajudar. – Moblit sugeriu e eu acabei me descontrolando no tom de voz.

- NÃO! – Pigarreie no mesmo segundo ao vê-lo um pouco assustado. - D-Digo, está tudo bem, eu dou conta disso. Por favor, apresse-se e tire todos daqui.

Ele assentiu e enfim nos deixou. Com muito custo, eu consegui colocar Hange de pé e comecei a arrasta-la dali quartel a dentro.

 

--

- Eu me odeio, ele era só um bebê! A CULPA FOI TODA MINHA! – O choro de Hange continuou por boa parte do nosso caminho. Minha intensão era leva-la até sua sala, onde com calma, poderíamos conversar melhor.

- Claro que não! Foi só um acidente...capturaremos outro, eu prometo!

O braço esquerdo de Hange estava sobre meus ombros porque ela era maior que eu. Eu trazia comigo na mão livre os óculos dela e ainda dava conta de segurar um lenço em que volta e meia, usava para limpar o nariz dela, enquanto meu outro braço, envolvia a cintura da tenente. Era o jeito mais simples de arrasta-la dali, embora eu soubesse que não estava machucada fisicamente, talvez sentir-se segura e amparada a deixasse mais tranquila. Dessa forma, seguimos caminhando lentamente pelos corredores. Era fim de mais um dia, o sol estava começando a se por, então a maioria dos soldados de dentro do quartel já devia estar de saída, pois a próxima missão estava marcada para dali há dois dias.

- Acho que deveríamos beber hoje, como se esse fosse o pós enterro do pobre, em memória!

Acho que minha promessa da possibilidade de capturarmos outro teve uma boa recepção, pois o choro dela se acalmou depois de uns instantes. Ergui o rosto para olha-la, parando de caminhar, um pouco chocada com aquela sugestão tão sincera.

- Não acho seja uma boa ideia!

- Porque??? Mereço isso, aliás, nós merecemos! Estou magoada e destruída por dentro, eu tinha tantas coisas a perguntar pra ele, tantas...

Além de inteligente, e excêntrica, Hange consegue ser dramática quando quer. Na realidade, achei que aquele tom era mais para me convencer a acompanhar do que por realmente estar ainda a lamentar e querer uma comemoração póstuma do Titã.

- Ele não responderia de qualquer forma. Melhor irmos pra casa e descansar, o que acha?

Ouvi o choramingo de Hange e quase comecei a rir. Ela era uma pessoa incrível e quase sempre, emanava as suas boas energias contagiantes, mesmo que fosse do modo mais excêntrico possível.

Ao som de vários argumentos e protestos bem fundamentados do porquê deveríamos sair dali e ir ao refeitório dos oficiais conseguir de forma clandestina algumas bebidas, continuamos a caminhar até a sala. Quando chegamos, abri a porta e a deixei entrar sozinha, pois ela disse que já estava melhor e só precisaria pegar algumas coisas para então, irmos embora. Encostei ao lado, aguardando, aproveitei para fechar os olhos e relaxar. Ouvi passos um pouco distantes que deveriam estar vindo na minha direção, mas certamente era algum recruta, então, quando chegasse mais perto, eu abriria os olhos.

- Ela não se afogou?

Queria entender qual era o pecado que eu tinha cometido para que pela segunda vez naquele dia, eu tivesse que encontrar Levi. A voz dele, entrou pelos meus tímpanos de maneira grave e eu tremi, dando um pulinho no meu lugar pelo susto. Enquanto meu coração disparava e abria-se de novo meu peito em dor, eu precisei puxar o ar dos meus pulmões para conseguir que minha voz saísse.

- O que faz aqui? – Foi tudo que consegui dizer.

- Estava de passagem.

Levi respondeu, cruzando os braços em frente ao peito. Estávamos há alguns passos um do outro, mas mesmo assim eu achei que estávamos perto demais.

- Não devia estar aqui! – Eu respondi um pouco mais firme e nós nos encaramos, por meio segundo, mas pra mim, foi uma eternidade.

- E porque não? Tem alguma placa dizendo que não posso transitar aqui?

A resposta foi na lata e mais ríspida do que o normal.

- Se quer falar com Hange, entre, ela está lá dentro. Entre!

Me afastei mais um passo para o lado deixando a porta a vista. Levi não se moveu, pelo contrário, continuava a me olhar intensamente, fixo, quase sem piscar e até sua respiração era discreta, enquanto a minha era uma luta para ser contida.

- Não preciso falar com a quatro olhos. Se ela está ali, significa que conseguiu salva-la. É o suficiente.

Eu assenti e desviei o olhar, suspirando alto para ele entender que estava ficando incomodada e tensa. Mas a realidade era, estava doendo, era muito difícil acreditar que nós chegamos ali, daquela maneira, parecendo dois estranhos que nunca tiveram qualquer tipo de contato, sendo que não. Levi era a minha pessoa mais importante, e sempre seria.

- Erwin me contou do novo pedido da polícia militar.

Ok, aquilo era o argumento mais forte que ele poderia vir a ter para atrair minha atenção de novo, sem falhas.

- Novo? Você sabia?!

- Sim.

“O QUE???”

Odiava quando Levi respondia as coisas como se não fizesse nenhuma diferença. Ah, mas claro que ele sabia. Óbvio! O que Erwin não devia contar pra ele? Era seu braço direito. Mas porque ele não disse quando o capitão chegou na sala e nos interrompeu mais cedo?

- Porquê...porque nunca me contou sobre?

O lado ruim de ser expressiva e de notar minhas próprias mudanças, era que agora, eu não tinha mais medo de expressar o que sentia e pensava.

- Não concordei desde o primeiro instante. Odeio aquela gente porca, e é mais que óbvio que existe muito mais por trás disso.

- Mas você sempre...

- Tente abrir um pouco seus olhos, estou falando que existe algo de podre implícito nisso, não disse sobre os outros esquadrões. Minha opinião Aeris, ainda é a mesma, nada mudou.

Precisei de meio minuto pra me concentrar. O que afinal tinha de mal ali?

- Existe algo de podre ali, só não vê quem quer. A coroa também está envolvida com certeza, Erwin só não tem provas. – Levi explicou e parecia ainda mais sério, algo em seu olhar se tornou sombrio e ameaçador, ele estava preocupado. – Então, mantenha seu nariz longe daquele lugar, lerda.

- Eu não iria de qualquer forma, não vou sair do Reconhecimento! – Respondi firme.

- Tsc!

Não contava que Levi ia descruzar os braços e avançar. Quando o fez, ele segurou minha mão em processo de cura, me fazendo abrir a palma pra olha-la.

- Até quando vai manter essa teimosia? É mais cicatrizes como essa que você quer? A próxima vai ser onde? No meio da sua garganta cortada e jorrando sangue?

Puxei minha mão de volta, mas ele não deixou. Seu toque era quente e fazia meu coração disparar, mas eu sei que ia chorar ou ter coragem de agredi-lo de novo. Eu não queria nenhuma das duas coisas.

- Queria uma cicatriz no meu coração, pode me ajudar? Ah esqueça, você não é capaz de entender isso! - Os olhos dele se surpreenderam com a minha fala carregada de dor, mas ele não respondeu de imediato. - Me solte, isso é problema meu!

- Eu não quero soltar, portanto não irei. Tente a sorte em me obrigar!

Eu já estava trincando os dentes. Levi estava irritado, e eu também. Observava-me nos olhos e desviava o olhar para minha mão. Os pontos não estavam visíveis porque havia ainda um curativo. Ele usou a outra mão para deslizar os dedos ali no corte. Fiquei tensa o suficiente para prender a respiração.

- Quando foi que você mudou tanto? Porque nunca me escuta? – Ele questionou com a voz extremamente baixa e o tom me deixou assustada, como ele conseguiu contar a furiosa na garganta.

- Quando foi que VOCÊ mudou tanto?! Eu só queria estar onde você estivesse! Porquê...porquê. Aff! – Não consegui concluir.

Ele não pareceu me ouvir. Sua típica carranca suavizou e ele deu mais um passo na minha direção. Sua mão parou de acariciar minha palma ferida e ergueu-se na direção do meu rosto. A intensidade do seu olhar que sempre penetrava minha alma, quase me fez ceder, mas eu suspirei e ergui a mão a tempo de segurar seu pulso antes do toque acontecer na minha bochecha, afastando-o.

- Eu pedi para não me tocar mais!

- Ou o que, hãn? Vai me bater de novo? Vamos, eu estou esperando. – Havia algo em sua voz que não era nada ameaçadora, apesar daquele desafio escrachado. Consegui puxar minha mão do domínio do toque dele e me afastei, uma distância segura para que o cheiro dele, sempre tão gostoso, seu olhar e todo meu amor não me fizesse recair. – Não vai poder fugir de mim a vida toda, preciso que me escute!

- Eu não quero fugir de você! Quero que saia, que fique longe. – Seu olhar se tornou surpreso, com a firmeza das minhas palavras. Por dentro, eu estava gritando, segurando meu choro na garganta. – O que eu deveria escutar? Seu sarcasmo frio? Alguma desculpa esfarrapada pelo o que aconteceu entre você e Petra? Ou vai se gabar que foi você quem salvou minha vida de novo?

- É sobre nós.

- SOBRE NÓS? – Me exaltei no tom, mas logo me corrigi, não queria que ninguém escutasse, Levi ainda era meu superior. – Você se lembra da madrugada daquela noite que passamos juntos, antes de você e Petra…você se lembra certo?

Ele assentiu positivamente, e eu vi como seu corpo pareceu tencionar, contendo alguma fúria, eu acho.

- Pois é. Eu acordei, chamei você e pedi pra conversar. Fiz isso para falar sobre nós! Você se lembra a sua resposta?

Levi nada disso, para meu desespero.

- Era ali! Qualquer chance, qualquer possibilidade de te escutar. Eu queria te escutar, além de dizer tudo que eu sentia. Mas você escolheu outro caminho, e eu, cai! Talvez eu seja mais errada que você por acreditar nessa pequena chance de ter existido um “nós”!

Os olhos de Levi se fecharam e sua expressão sempre de antipática, sempre irritadiça se suavizou. Quando ele abriu os olhos eu vi um lampejo de tristeza? Não, não podia ser! Ele precisou de mais um minuto para enfim começar a falar.

- Aeris, eu...

- CAPITÃO!

A voz de Levi morreu no começo da frase. Quem o chamava, era Petra e a garota vinha na nossa direção com certa presa, mas demonstrava uma animação excessiva.

- Tsc!

Ouvi ele exclamar com o olhar agora furioso. Eu não tinha mais como ficar ali, não existia como conversar, pois, meu peito estava doendo e eu, a ponto de explodir. Antes que ela se aproximasse mais, eu me afastei, abri a porta da sala de Hange e entrei ali, sem ao menos me despedir e claramente sem dar a chance dele me impedir.

 - O que faz aqui Petra? – Era voz de Levi, friamente exaltada. Me afastei da porta pois não queria ouvir o diálogo. Meu coração estava disparado e só então, notei que estava suando frio. Eu queria gritar, rolar no chão, gritar mais, porque a sensação dos dedos dele me tocando sempre ficava e não tinha como apagar.

- Aeris, está bem? Está pálida...Parece que viu um titã de boca aberta!

Hange havia mudado de roupas, e estava perto de sua mesa, reunindo alguns papeis. Ela os soltou e veio na minha direção, sua mão veio a minha testa.

- A-Ah...desculpa, estou bem! Entrei aqui para saber se precisava de alguma coisa!

Mentia muito mal, mas eu não quis dizer o que tinha acontecido, pelo menos não agora.

- Estava quase acabando, só resolvi escrever uma rápida carta a Erwin, formalizando o pedido de uma nova expedição para capturar um novo titã. A tenente disse. Para minha sorte, ela parecia muito melhor e animada. - Bem, acho que precisamos ir então, você também precisa descansar.

Hange se afastou e eu a segui. Antes que ela abrisse a porta, eu a segurei ali mais um pouco, só pra ter certeza que Levi e Petra não estaria mais lá fora.

- A-Ah Hange! Sabe...eu acho mesmo que poderíamos tirar hoje de folga. Aquela bebida ainda está de pé?

Era uma péssima ideia, eu sabia, mas o brilho no olhar de Hange me deu coragem, assim como seu sorriso de extrema animação.

--

Levi Ackermann:

Um pouco mais cedo, naquele mesmo dia.

- Erwin, o que está planejando?

Perguntei após me virar para o homem alto a minha frente. Eu a vi partir rapidamente quando citei Hange. Na realidade, achei bom ela ter se retirado mesmo, pois a angustia tomou conta de mim quando cheguei e vi Erwin tão perto, segurando-a pelos ombros. Mas eu não deveria sentir aquelas coisas, certo? Eu fiz tudo para aproxima-los. Perder Aeris era a deixa para que Erwin a conquistasse.

- Outra expedição, agora mais do que nunca, pois perdemos nosso titã.

O comandante deu a volta na mesa de novo e sentou-se. Eu me aproximei e vi o envelope com o selo real aberto.

- Isso é o que estou pensando?

Apontei com o olhar mesmo o envelope na mesa, pois já havia visto vários daqueles ao longo dos anos. Não necessariamente eram da polícia militar do interior, às vezes, eram de outros do alto escalão, o que intensificava meu ranço.

- É sim, recebi hoje, pela manhã. – Erwin respondeu serenamente.

- Contou a ela? – Cruzei os braços enquanto aguardava a resposta.

- Contei, ela não ficou nada feliz, claro. Estou certo de que isso não a afetou.

Eu também estava certo daquelas duas coisas. Mas no meio da fala de Erwin, notei uma certa hesitação em continuar a falar.

- E o que está pensando em fazer?

Ele estava me escondendo alguma coisa e não era difícil de notar o conhecendo tão bem como eu conhecia. Quando me olhou de novo, eu vi um lampejo em seu olhar, era a resposta aos meus pensamentos sem qualquer palavra dita.

- Que incomodo! Imagino que no fim disso tudo, vou ter que limpar sua sujeira.

Erwin riu.

- Eu não gosto de ter que fazer isso Levi, mas, eu preciso.

- Que seja. Eu confio na sua decisão!

Em tantos anos servindo a tropa, eu não tinha porque duvidar das escolhas dele. Afinal, desde aquele dia há muitos anos atrás, na iminência de mata-lo, Erwin provou que eu poderia confiar nele, e eu o fazia, sem questionar.

--

As ordens estavam dadas e eu precisava preparar meu esquadrão. Uma coisa eu achei bom, Erwin tinha me prometido que deixaria Aeris de fora da próxima saída das muralhas, pois ela ainda estava machucada. Avisei Erd para reunir o resto dos meus soldados, para que eu pudesse passar as últimas ordens antes do dia acabar.

No caminho para a minha sala, me deparei com Aeris na frente da porta da sala de Hange. Eu não a segui, sabia que quando citei que a quatro olhos estava se afogando em lamentos pelo marido titã falecido, ela, sendo boa como era, correria até a tenente para ajudar. Eu só não contava que o destino, ou a porra que fosse, me levaria até ela de novo. Avistei a garota loura no corredor e até ponderei um minuto se devia ir até lá ou não. Quando me dei conta, já estava me aproximando e chamando sua atenção. Ela parecia bem melhor, e mais corada devido ao descanso, mas claro, minha presença não deveria ser bem vida, o que a levou a se assustar.

A parte intrigante da nossa discussão foi que, a cada vez que eu a confrontava, ela se tornava mais corajosa. Eu não sabia até que ponto isso era bom, mas no fundo, eu ainda sentia sua fragilidade, sua delicadeza, as lutas internas que ela travava para se manter ali. Aquilo tudo apertava meu coração e os mistos de raiva, frustração e desgosto que eu sentia, se tornavam ainda mais altos.

Se nossa conversa conseguisse ser mantida sem eu a tocar, eu teria ganhado uma guerra interna. Só Deus ou qualquer porcaria divina que existia, se existia mesmo, sabia como era difícil me manter sóbrio na frente dela. Aqueles sentimentos só se intensificavam a cada dia. Eu poderia sair com Petra, poderia beija-la, poderia fingir gostar daquilo, e ainda não era possível apagar Aeris de dentro de mim. Eu tentei, muito, brigando comigo mesmo para não perder a paciência, não ser tão ríspido ou idiota com ela, mas quando me vi, já tinha soltado tudo. Eu a amava! Muito, sem limites, sem eiras nem beiras, sem uma explicação plausível para aquele amor que a machucou, mas que ardia como fogo vivo na minha pele e em meu coração. Mas mesmo a amando tanto, não a merecia. Conclui firmemente isso na semana que se passou após o seu resgate e eu pude me manter isolado no meu mundo sombrio e frio, mergulhado em pensamentos.

Toca-la era o alento para o meu coração. Pois imagino que na minha miserável existência, ela nunca mais estaria nos meus braços de novo. Ver aquele machucado me matava, porque eu não fui capaz de protege-la realmente. Quando a toquei, meu ímpeto era de abraça-la, mas como sempre, parecia que existiam linhas invisíveis feitas como cabos de aços, me prendendo ao chão, prendendo minha maldita língua enquanto alguém vinha e me dava um soco forte na boca do estômago. Ela reagiu mais rápido do que costumava. E eu sei que estava pronto para ganhar um novo golpe dela, mas isso não aconteceu.

A cada novo segundo, a sensação de ter sido um babaca ridículo, idiota, que havia perdido tudo que tinha, se tornava ainda mais forte, me deixando meio enjoado.

- SOBRE NÓS? – Aquelas palavras gritadas realmente me assustaram. – Você se lembra da madrugada daquela noite que passamos juntos, antes de você e Petra…você se lembra certo?

Eu assenti positivamente, e meu corpo tencionou totalmente. Se eu contasse pra ela todos os meus motivos, ela entenderia? Será que ela poderia ainda me dar uma chance de me explicar? O que isso mudaria afinal?

“MERDA! ”

- Pois é. Eu acordei, chamei você e pedi pra conversar. Fiz isso para falar sobre nós! Você se lembra a sua resposta?

Eu não disse nada, não consegui, não saiu! Como argumentar se a razão era dela? Eu quem não quis conversar, e a induzi a fazer amor comigo de novo. Será que naqueles anos todos que ela estava na minha vida, quase 20 anos, eu não entendia a única pessoa que me amou de verdade? Eu me senti mais lixo do que o lixo das ruas, isso era incontestável.

Ok, eu deveria pelo menos uma explicação. Algo sobre Petra, ou sobre porque eu não quis conversar. Queria dizer a ela que foi tudo muito real pra mim, que eu senti cada chama dentro do meu ser queimando com ela me amando. Senti cada toque, cada suspiro e aquilo seria precioso pra mim.

“Ok, vou dizer! ”

- Aeris, eu...- Iniciei centrado para dizer tudo sem faltar nada.

- CAPITÃO!

“MAS QUE MERDA! AGORA NÃO PETRA!!!”

- TSC!

Poderia ser outra pessoa, qualquer uma, o diabo talvez, menos Petra. Eu merecia ser punido daquela forma. E logico, perdi minha chance de dizer o que eu queria para Aeris, pois ela mais do que depressa, entrou na sala de Hanji. Se eu fosse atrás, teria problemas imensos.

- O que faz aqui Petra? – Indaguei a garota loura, enquanto ela me dava um sorriso e grudava no meu braço.

- Vim te buscar, não temos uma reunião?

“Merda...!”

- É, temos. Mas não precisa me agarrar assim.

Ela me soltou rapidamente, mas ainda sorria. Eu tentei ao máximo evita-la, mas ela estava mesmo na minha cola. Se arrependimento matasse...

- Vi que estava falando com a cabo Tybur. Ela está bem? Vocês pareciam tão tensos...

Aquele tom de voz era...ciúmes?

“Era só o que me faltava! ”

- Estávamos falando sobre a tenente Hange. Se quer perguntar sobre o estado de Aeris, pode pessoalmente ir falar com ela.

Eu estava sem paciência alguma, ela não tinha culpa, mas eu não queria prolongar e ter um problema. Precisava me resolver com Petra, era isso! Ela tagarelou mais alguma coisa, mas eu me limitei a ficar quieto e comecei a andar, saindo logo dali.

 

--

Acertei os últimos detalhes com a minha equipe. Petra insinuou-se quando estávamos sozinhos, mas eu dei um jeito de manda-la pra casa sem magoar, alegando que tinha uma pilha de relatórios chatos pra fazer e precisava me concentrar. Na realidade, eu queria jantar e ir pra minha casa descansar. Minha cabeça estava explodindo, e talvez, uma xicara de um chá bem quente me ajudasse depois de um banho. Dormir? Ficou na minha memória, nem sabia mais o que era dormir desde o dia que salvei Aeris da última vez. Estranhamente, tive um sonho estranho nas poucas horas de sono daquela maldita noite, algo do nosso passado, mas agora, parecia mesmo só uma lembrança boa demais para acontecer de novo.

Na entrada do nosso refeitório, me deparei com uma cena deveras interessante. No fundo do local reservado para oficiais, havia uma mesa com algumas pessoas. A fundo de garrafas, vulgo Hange Zoe, Aeris, Moblit, Vigo (do esquadrão de armamentos da nossa divisão) e Mike Zacharias, um soldado deveras veterano. Eu diria que Mike, é o único que sobreviveu depois de empurrar minha cara contra uma poça nojenta de lama. Deixando de lado meus rancores, e reconhecendo que Mike era um cara bacana; o que mais me chamou atenção a cena foi o que eles estavam fazendo. Além da conversa alta, dos risos estridentes de Hange e Mike, a minha conclusão veio assim que me deparei com várias garrafas de bebidas alcoólicas, provavelmente já secas, sobre a mesa indicando que todos ali, estavam embriagados.

“Eu não acredito nisso, tsc! ”

Aeris estava com as bochechas coradas e ria muito. Do que? Eu não sabia. Hange fazia maior festa falando sobre armas, titãs e Mike não ficava atrás, parecia contar seus feitos o que causava ainda mais alvoroço naquela mesa de patetas.

De onde eu estava, e distraídos como estavam, eles não me notariam, mas eu recuei um pouco para observar discretamente. Haviam mais pessoas no refeitório, mas nenhum deles parecia se incomodar com aquela algazarra toda. Eu não tinha como culpa-los, um pouco de diversão na vida de quem era soldado do reconhecimento não era ruim. Eu mesmo bebia as vezes, muito raramente, e sozinho em casa. Muito me surpreendia, como a lerda tinha tolerância a bebidas. Só podia ser obra da quatro olhos, não preciso pensar muito para constatar. No instante seguinte, Vigo começou a cantar e Hange começou a chorar de forma escandalosa. Era o suficiente para me irritar e eu deixar o local, porém, não fui embora, esperei próximo, de olho na saída das pessoas ali.

“Que incomodo, aff! ”

--

Cerca de meia hora depois, e eu julgava que já era bem tarde, cerca de 10 horas da noite, aquele bando de patetas irritantes deixaram o lugar. A última que saiu foi Aeris, andando lentamente, com a mão na cabeça e dava para ver que soluçava baixinho. Hange a arrastou dali e eu as segui, enquanto os homens se dispersaram, sabe Deus pra onde.

“O mínimo que você tem que fazer é acompanha-la, né? Sua irresponsável! ”

Eu queria esganar Hange, fazer ela engolir seus livros, os titãs, o DMT e aqueles malditos óculos. Não foi difícil segui-las, e eu era muito bom em ser discreto, graças aos meus anos de crime no subterrâneo e a escuridão de Trost. As garotas saíram do quartel, para minha surpresa de maneira bem educada. Eu sabia que a direção da casa das duas era oposta, e alguns metros depois da base, na primeira esquina, elas pararam e iniciaram um diálogo caloroso.

- Você não precisa voltar tudo só pra que eu pegue minha bolsa, Hange!

Aeris pedia, e eu fiquei surpreso com aquele tom de voz tão leve. Nem bêbada ela ficava agressiva o suficiente para assustar as pessoas.

- Então eu te espero aqui! - Hange soluçou e deu algumas risadas.

- Não e não! Vá pra casa. Te vejo amanhã! – A menor disse feliz e já se virou para caminhar, deixando a tenente ali.

“Aeris o que você está pensando??? Vai com a maldita da quatro olhos! ”

Em que realidade ela ia me escutar? Em nenhuma, porque eu era mais uma sombra guardando-a naquela noite. Independente de qual fosse a escolha dela, eu teria que interferir. Naquele estado, seria extremamente perigoso que ela voltasse sozinha, se as pernas dela aguentassem né? Porque o jeito torto que ela andava, trançando as pernas e se apoiando nas paredes do quartel me dava desespero. Só não avancei porque ponderei mentalmente qual seria a reação dela em me ver, uma vez que, sob efeitos alcoólicos seus sentimentos deviam estar aflorados ao extremo.

 Mantive o resto de calma que eu ainda conseguia manter e fui seguindo, de perto. Ela voltou para o quartel, passou pelo alojamento feminino, apanhou o tal bolsa e saiu. Estávamos de volta ao longo corredor que dava acesso as salas principais, a sala do comando e posteriormente a saída. Estava tão quieto e tão vazio que chegava a ser assustador, sem contar a iluminação precoce. Mas nem aquilo parecia assustar aquela avoada.

Em determinado momento, ela parou de caminhar. Seus cabelos estavam soltos agora, aliás, desde que ela estava no refeitório. Vi que ela se curvou e colocou a mão no estômago. A cabeleira loura foi para a frente do rosto e ela exclamou um palavrão.

“Vai vomitar, merda! ”

Eu avancei rápido, querendo diminuir a distância entre nós para ampara-la, mas parei no meio do caminho, tendo que recuar para as sombras de novo quando ouvi um barulho de porta se abrindo. A luz iluminou Aeris e ela pareceu um pouco chocada, então Erwin saiu dali.

“OTIMO, EU SABIA, A SALA DELE ESTÁ BEM ALI, TSC! ”

Era típico dele estar trabalhando até aquela hora, dava pra ver que até tinha escolhido dormir por ali, já que a parte de cima do uniforme, havia sido substituída por uma camisa social branca. O comandante avançou a passos largos para perto dela, a segurando pelos ombros. Ouvi ele perguntar se ela estava bem, e o que tinha acontecido.

- E-Estou, só...um pouco enjoada!

“Lerda! Está quase colocando as tripas para fora, mas continua tentando ser gentil! ”

Eu não estava exatamente irritado com ela, só preocupado. Minha cara amarrada facilmente confundiria preocupação com raiva, eu nem ligava mais. Erwin realmente não parecia ter me notado. No segundo seguinte, ela se endireito e ele a soltou. No primeiro passo que Aeris deu, seu corpo vacilou. Na minha mente, eu não ia assistir o tombo dela de graça, quis avançar rápido para impedir, mas Erwin a amparou prontamente e mais, a pegou no colo!

Algo rasgou dentro de mim. Era uma típica cena daqueles livros românticos que ela lia em voz alta para mim quando éramos adolescentes, em que o príncipe encantado sempre aparecia para salvar sua princesa em apuros. O trágico (para mim) espetáculo, diante dos meus olhos pesarosos, não fugia muito daqueles contos que eu sempre achava tediosos demais, e ela ria quando eu falava que contraia diabetes de tão romântico e doce que tudo aquilo parecia ser.

Não seria Erwin o homem ideal, o grande príncipe encantado? E Aeris? Claramente uma princesa. Uma que eu gostaria que fosse minha, mas que estava sendo carregada agora, por outro. Abaixei o olhar fechando minhas mãos em punho, eu queria gritar! Eu estava realmente, muito longe de ser qualquer coisa próxima de um príncipe. Que ridículo!

A porta se fechou, levando-os dali. O corredor voltou a ficar escuro e silencioso. Eu sobrei, sentindo-me totalmente perdido e tolo, porque havia falhado de novo em estar ao lado dela quando ela precisava.

“Não, eu falhei em todas as coisas! ”

Falhei em contar o que sentia, em acertar os pontos, em protege-la e ama-la devidamente. Sai dali rapidamente antes que perdesse meu controle e fosse lá bater na portar de Erwin. Era o melhor a se fazer.

- Quem precisa de uma bebida agora sou eu. TSC!

 


Notas Finais


Me digam se eu querem que eu diminua os caps, ok!

Eu me empolguei, serio!
Aeris salvando o Levi de uma forma brilhante. Farlan super fofo, se desculpando e ainda deixando claro seus sentimentos, pensando muito nela. ♥

Nos dias atuais: Erwin, o que ele queria dizer com aquela pergunta? hmmmm
Aeris trançando as pernas? hahahahah socorro.
Nossa como eu amo a Hange, serio, ela é muito eu na vida!

E ai Levi mozão? Vai falar ou não vai? SEU LINDO!!!!

Quero as teorias e as opiniões de vocês. O que quiserem me dizer, eu amo ler ♥
Obrigada por tudo até aqui, espero que gostem! Amo vocês ;*


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