História Winston - Capítulo 1


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Categorias It: A Coisa
Personagens Edward "Eddie" Kaspbrak, Richard "Richie" Tozier
Tags Reddie
Visualizações 26
Palavras 1.056
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Fluffy, Shonen-Ai
Avisos: Drogas, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - Único


"Pensa bem, dez centavos por um boquete é quase um presente!"

A luz alaranjada caía sobre o horizonte num ritmo lento o suficiente para parecer um toque de recolher gentil. Bill, Ben e Stan já haviam recolhido suas coisas e partido para suas casas, exaustos após a montagem e a desmontagem da genial e antagônica represa que lhes rendeu um belo esporro do sr. Nell. Em silêncio, Richard Tozier e Edward Kaspbrak permaneceram sentados num tronco despencado dentre a imensidão arbórea.

"Quinze se você demorar"  complementou Eddie, esboçando um riso nervoso apesar de não ter entendido bem o que aquilo queria dizer. 

Richie enfiou uma das mãos no bolso lateral de seu jeans puído e apanhou uma maço vermelho, amassado e meio vazio de cigarros Winston. O mais novo copiou seus gestos e agarrou sua bombinha de asma com os dedos trêmulos. Odiava quando os amigos fumavam perto dele, tanto quanto odiava os monólogos acusativos da mãe sobre os perigos de se andar em más companhias, os riscos de se tornar um fumante passivo e passar o resto de sua vida infeliz com o pulmão putrefado e ligado a uma aparelhagem absurda e barulhenta. As constantes e exageradas advertências da Sra Kaspbrak sempre soavam dolorosas e humilhantes aos ouvidos púberes de Edward.

"Justo. É um preço legal pra pegar sífilis."  disse Richard com um cigarro entre os lábios enquanto tentava acendê-lo com um isqueiro branco que parecia estar quase sem gás. "Devia ter aceitado, Edds. Não é como se alguém um dia fosse tocar no seu pauzinho de graça". 

"Cala a boca" disse Eddie afundando a cabeça entre os dois joelhos. Tentava exorcisar da mente os pensamentos assustadores - o leproso com as mãos cobertas de besouros, o álbum de fotografias interativo de Bill e a gritaria de sua mãe quando o recebesse em casa após o anoitecer.

            "Quer?" Tozier estendeu-lhe o cigarro após finalmente acendê-lo. 

Eddie estremeceu ao projetar a imagem de sua progenitora redonda afundando as narinas em seu cangote e berrando em histeria, batendo em fúria os pézinhos inchados contra o piso, parecendo um cabrito montês trotando em brasa quente: "Edward, você estava fumando?"

Negou num gesto de cabeça.

"Acho que dividir um cigarro com você é o jeito mais barato de pegar sífitis." Eddie escorregou os lábios num sorriso de canto. 

"Sífilis, idiota." Richie levou o fumo de volta a boca e tragou  "É sífilis que se fala. Não existe sífitis."

Um breve silêncio caiu sobre os dois enquanto o menino Richard segurava a fumaça no pulmão, pois ouviu certa vez em uma conversa entre Henry Bowers e seus amigos que quanto mais tempo você tranca o ar, mais efeito ele faz. Tozier havia pegado apenas fragmentos da conversa fora de contexto, mas assumiu que eles obviamente estavam se referindo a cigarros de tabaco, como os que seu pai guardava no bolso da camisa e nas gavetas de cueca. 

"Você acredita na história do Bill?"  Eddie deixou a indagação escapar entre seus lábios em tom de culpa e acusação. Não sabia exatamente para onde queria levar a conversa. Também não se sentia confortável falando sobre o amigo em sua ausência.

"Sim" Richie enroscava os fios escuros de cabelo em seu dedo magro, que agora tremia pela baixa repentina de pressão causada pela nicotina. 

"E em nós?" o garoto rolou a bochecha sobre os joelhos, se encolhia cada vez mais conforme adentravam o assunto.

"Escuta, Eddie" Richard acariciou a própria têmpora "Pode ser que vocês tenham visto um maluco vestido de palhaço. Pode ser que ele tenha a ver com a morte do Georgie e dos outros garotos. Pode ser que o Bill tenha visto um fantasma. Pode ser que sejam só casos isolados, pode ser que estejamos todos malucos."

"Pode ser que vamos morrer" O menor levou a bombinha a altura do rosto mas antes de arrancar-lhe a tampa e afogar seus pulmões infantis no aerosol, a mão do amigo pousou na sua, abaixando-a de volta ao colo.

"Não vamos morrer, Edds."  o amigo lhe falava com serenidade apesar das mãos trêmulas. "É verão. Estamos de férias. Vamos construir mais um milhão de represas e levar umas surras dos garotos grandes, no máximo."

Eddie limitou-se a sorrir. 

"Traga só uma vezinha, Edds." Tozier voltou a insistir, apontando a cigarrilha para o amigo. "Você está de TPM, isso vai te fazer bem".

"Eu não posso, Richie, se eu chegar em casa e minha mãe sentir o cheiro o meu verão acaba aqui, talvez até minha vida. Ela disse que eu não posso andar com fumantes ou vou me tornar um fumante passivo"

"Você já é um fumante passivo".  disse Richard com seriedade "Fumamos perto de você há meses. Seu pulmão já está podre, não tem mais jeito".

O jovem Kaspbrak limitou-se a concordar emudecido.

"Além do mais, a sua mãe já vai te matar por chegar em casa no escuro."  o sol havia baixado por completo, e a única fonte de luz restante era a brasa do agora meio-cigarro entre os dedos brancos de Richard  "A sua mãe sempre vai te matar, Edds. Não importa o que você fizer ou deixar de fazer."

Edward descolou os lábios por um instante para responder-lhe, mas parou.

"Me dá isso" - A mão infantil de Edds tomou o fumo de Richie e levou-o até a boca. Na primeira tentativa, o corpo magro retorceu-se e debulhou em um ataque de tosse. Richard Tozier ria no mesmo descompasso em que o amigo tossia. Tomou de volta a unidade de Winston em mãos. 

"Quer experimentar o intermédio entre o fumante e o fumante passivo?”

Kaspbrak movia os braços em desespero, tateando os bolsos atrás de seu medicamento. Relaxou ao ouvir a oferta. Novamente emudeceu.

Richie tornou a tragar. Dessa vez, segurou a fumaça entre as bochechas e aproximou-se de Edward contendo o riso. Sabia que rir estragaria tudo. Com os rostos bem próximos, Richard colora os lábios nos de Eddie e abrira-os apenas o suficiente para passar a fumaça da sua boca para a do outro, que entendeu e o deu permissão. 

"Agora você é fumante e tem sífilis" sussurrou Tozier ao afastar-se. Edward o encarava incrédulo e curioso.  "Só não deixe sua mãe mandar a conta da farmácia lá pra casa, meu pai vai pirar"

A respiração de Edds normalizou. Sentiu que não precisava mais usar sua bombinha. 



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