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História Winter Bird - Capítulo 15


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Notas do Autor


Heey people!! \o

Graças a quarentena consegui terminar esse cap e já comecei outro. Então, se tudo der certo, nas próximas semanas tem mais cap novo, antes que eu enlouqueça. Huhsuhauhsuhau
Sério, vocês também estão meio que entrando em pânico com tudo o que está acontecendo ultimamente? PORQUE EU TO! NÃO TA FÁCIL NÃO!
But, vamos ficar em casa e nos cuidar, e aproveitar pra atualizar as fics tudo \o ~socooorr

Quero super agradecer por todos os coments até agora! Fiquei felizona por saber que ainda acompanham a fic. Muuuuuuito obrigada, de coração <3

E boa leitura! \o

Capítulo 15 - Apenas Um


Fanfic / Fanfiction Winter Bird - Capítulo 15 - Apenas Um

- Para um assassino, você fala demais.- Kai pronunciou conforme caminhava.

A calma dominava seu semblante, mas não seu espírito. Kai não estava ali para perder tempo discutindo com SeHun ou explicando um fato inédito que até mesmo ele descobrira naquele instante.

Seu pai era impulsivo e imprudente. Agora Kai sabia de onde herdara tais características.

- Não seria o líder da facção a melhor pessoa para me julgar.- SeHun retrucou, cínico. Deleitava-se com a situação e ainda mais com a confusão palpável de JinYoung, o que o incitou a cutucar o irmão.- Você sabia disso também, JinYoung?

- Não é ele seu maior alvo agora, afinal, vocês estão no mesmo barco.- Kai se pronunciou com altivez, embora estivesse um pouco confuso com o rumo que aquilo seguiria.

Precisava de um segundo para digerir o que ouvira, mas não tinham tempo. A espada firme em sua mão, pronta para ser usada. Os passos lentos o guiavam em direção a SeHun, e JinYoung estava no meio do caminho.

Sempre JinYoung no meio de seu caminho...

Ficou satisfeito que o plano com HyunJoo funcionara perfeitamente. A máscara de SeHun já havia caído e JinYoung estava face a face com a verdade. Kai pensou que seria fácil armar aquela situação, virar um irmão contra o outro e apenas assistir a uma briga por vingança e poder.

Estava enganado. O destino o colocou perigosamente na jogada.

Algo passou a pesar dentro dele assim que soube da loucura que seu pai fizera. O trono que Kai tanto amaldiçoou agora estava destinado a ele oficialmente. WooJin não brincou quando disse que pretendia recuperar o tempo perdido. Em contrapartida, Kai não deixou de pensar no esforço de JinYoung até então para chegar ao mesmo objetivo.

Seus propósitos se embaçaram por um instante. Perguntas brotaram em sua mente, mas ele preferiu empurrá-las para o fundo de seu ser e se apegar aos instintos. Ah, os instintos não mentiam.

- Vocês dois planejaram isso.- a língua deslizou pelos lábios de JinYoung, o sabor amargo da traição. Só lhe restava aplaudir.- Devo parabenizá-los pela atuação?

- Deixe seus aplausos para quando eu subir no trono. Podemos dividir, o que acha, Kai?- SeHun ironizou, tomando um chakram nas mãos e caminhando em direção a JinYoung.

- A única coisa que eu vou dividir, SeHun, é a sua cabeça!- Kai cuspiu as palavras.

Sem mais delongas, ele apenas atacou. A agilidade de seus movimentos não deixou espaço para uma reação imediata. Em instantes, Kai empurrou JinYoung de seu caminho, concentrado demais em tirar o caçula de cena. Seu radar se concentrava em apenas uma pessoa. E ela tinha o cheiro do sangue de seu pai nas mãos.

SeHun, o verdadeiro assassino.

Por instinto, SeHun se esquivou dos golpes, os passos cegos seguindo para trás até esbarrar em uma porta fechada em suas costas. Levou a mão a maçaneta no mesmo momento em que Kai desferiu-lhe um golpe com a espada, causando um corte em seu antebraço. Numa fração de segundo, SeHun golpeou a lâmina com o chakram, a qual escapou da posse do outro.

As coisas haviam mudado de lado.

Kai acertou um soco no estômago de SeHun e usou o impulso do corpo para frente. A porta cedeu, levando o caçula ao chão, mas isso não foi o suficiente para pará-lo. O chakram lambeu o tornozelo de Kai, aproveitando-se da perna que já estava ferida para agravar ainda mais a situação.

Kai sequer teve tempo de ver o estrago, pois, no mesmo instante, sentiu outra espada lamber-lhe as costas em diagonal.

- Se almejam o trono, terão que tirá-lo de mim.- JinYoung disse, controlado. A espada era um reflexo de seu interior: inconstante, agressiva, imprevisível.

A mente se tornou um borrão. A dor da traição detinha JinYoung em suas cordas como uma marionete. Seu irmão matara o próprio pai, seu melhor amigo provocou uma rebelião, uma guerra.

Momentos atrás, JinYoung disse com todas as letras que confiava nele. Quão tolo pôde ser?

Mais um golpe da espada cortou o vento, e Kai desviou de última hora ao mesmo tempo em que tentava se desvencilhar dos ataques de SeHun.

- Eu não quero o trono, JinYoung.- Kai resfolegou.

- Traidor. Destruiu a minha nação, o meu palácio, o meu casamento, a confiança que eu tinha em você. Cada ataque da facção... você estava por trás de tudo aquilo, e eu fui idiota demais por não perceber que o inimigo estava ao meu lado. Sua ganância será sua ruína, meu irmão.- as últimas palavras saindo com desdém.

- A facção é a menor das ameaças para você. Lutamos por um mundo melhor para as pessoas que estão lá fora e...

- Mas foi a mim que atacaram.

JinYoung, descrente, gesticulou em direção ao caçula.

- Vocês dois são iguais. Me certificarei de que terão o mesmo fim.

JinYoung avançou novamente, e dessa vez Kai encontrou uma brecha para interceptar o golpe, segurando a espada e torcendo o braço alheio para imobilizá-lo. Não funcionou. JinYoung retorceu o corpo para trás a fim de golpeá-lo com a mão livre, porém Kai estava um passo a frente. Aproveitou o impulso alheio para lhe dar uma cabeçada.

A breve distração alheia foi suficiente para que SeHun pudesse se colocar de pé. Sua sede por sangue aumentava, alimentando-se do fulgor que crepitava nos olhos de seus dois irmãos. Mas não acabava ali. Em seu interior, também ansiava pelo reencontro agradável que teria com HyunJoo . Tinha certeza de que era ela quem armara aquela situação.

A batalha dos tronos era aquela. Três pilares que se recusavam a ruir.

No breve instante em que Kai e JinYoung estavam entretidos um com o outro, SeHun correu, meio cambaleante, em direção a porta lateral.

- Você!- o grito de Kai reverberou junto do estrondo da porta batendo e sendo trancada.

Uma fuga de sucesso por tempo indeterminado. Tempo suficiente para que os planos de SeHun se concretizassem. Daquele duelo para além das portas restaria apenas um. JinYoung... Kai... Não importava. Seria apenas um.

 

- - -

 

Assim como a porta que se fechou, a torrente de revolta cessou. JinYoung simplesmente ajeitou as vestes e guardou de volta a espada na bainha, o que gerou estranhamento em JongIn que, até então, estava prestes a ir atrás de SeHun.

- Não vá atrás dele. De nada adiantará.- JinYoung indicou a porta por onde JongIn aparecera mais cedo.- Venha! Vamos seguir pela passagem secreta da sala de reuniões. Chegaremos ao salão principal ao mesmo tempo que ele, e então o interceptamos.

Sem entender a completa mudança de comportamento, Kai ainda manteve a guarda alta.

- O que?- resfolegou o mais velho, desconfiado.

- O que está esperando?- retrucou o outro, sem paciência.

- Você enlouqueceu, JinYoung?

JinYoung apenas o encarou, inquieto e deu de ombros. Seus gestos demonstravam pressa e uma frieza inabalável.

- Você não é tão esperto quanto parece, JongIn. Por que acha que o mantive perto em todas as reuniões estratégicas de guerra? Nunca desconfiou de eu ter acreditado em você tão rapidamente quando apareceu nas portas desse palácio dizendo ter resgatado Sun?

JinYoung não esperou respostas. Ao contrário disso, continuou a falar enquanto se colocava a caminhar. Se quisesse, Kai o seguiria. E assim foi feito.

- Não sou ingênuo. Há tempo suficiente descobri quem você realmente era, sua relação com a facção. Também tenho olhos e ouvidos por toda Sanshiro.

- Poderia ter acabado com isso mais cedo.- revidou, acompanhando os passos apressados do outro. Estavam lado a lado, mas olhavam em apenas uma direção.

- Não era o momento. Você era uma peça importante demais para ser dispensada, por isso fingi ignorância e ocupei a posição do bom e velho amigo de infância.- ele esboçou um sorriso, satisfeito que sua atuação tenha soado tão convincente por todo aquele tempo, mas logo voltou à seriedade.- SeHun almeja o poder mais do que tudo. As intenções de meu irmão nunca passaram despercebidas por mim nem por meu pai desde o princípio, e, pelo que vejo, por você também não. Era questão de tempo até ele matar a todos nós para assumir o trono, a menos que o ataque da sua facção ocorresse antes.

JinYoung limpou a garganta a fim de continuar.

- Mesmo que nos custasse a honra, a facção no poder faria mais por esta nação do que SeHun. Era esse meu primeiro plano, embora secreto. Mas então descobrirmos a poucos dias que você era... meu irmão. O primeiro filho e, claro, o verdadeiro sucessor do trono.- ele mordeu o lábio inferior, revivendo as lembranças de quando o pai lhe trouxe tal notícia.

“O trono sempre foi dele, antes mesmo de você nascer.”, WooJin lhe dissera, sem se incomodar com como JinYoung se sentiria. Logo ele, que viveu para o dia em que chamaria aquela nação de sua.

- As histórias do passado não são gentis. Passar dia após dia vivendo uma vida que meu pai amaldiçoou... que era eu o bebê que nasceu, mas que ele nunca quis...

A voz sumiu outra vez. A frase incompleta que JinYoung não conseguiu expulsar de sua boca. Era difícil demais lidar com seus sentimentos em relação a tudo. Um turbilhão de coisas acontecendo de uma só vez que o engolia vivo sem piedade, mas ainda assim ele mantinha a postura diplomática.

- Eu o apoiei em sua decisão. Eu estava com ele quando reescreveu o testamento.- ele suspirou e, por fim, encarou JongIn.- Era a única forma de garantir que SeHun jamais encostasse no trono, caso a facção falhasse em sua dominação.

- É lamentável que as coisas tenham terminado assim.- JongIn disse após um longo minuto de silêncio. Um riso curto e seco escapando por entre os dentes. Estava surpreso com a astúcia do outro.

Foi um erro seu achar que JinYoung não passava de um fantoche do pai. No fim, ele estava movimentando as peças sem que nenhum deles percebesse.

- Esse é o problema. Ainda não terminou.

- Um homem sempre bom, correto e apegado a tradição. Não faz seu feitio abrir mão do trono tão facilmente, ainda mais para um rebelde.

- Não é por você, é pelo bem da nação.

Sacrifício era o que todo imperador carregava nas costas em prol da nação.

Dobraram uma esquina e depois outra. Já conseguiam avistar o salão principal. JinYoung desembainhou a espada e observou Kai fazer o mesmo. Pelo canto do olho notou todos os ferimentos nas mãos alheias. Kai mal conseguia fechá-las.

- Se pretendia lutar ao meu lado, não deveria ter exagerado tanto nos golpes.- Kai reclamou, percebendo a direção do olhar do irmão.

JinYoung soprou um riso e balançou a cabeça.

- Não foi atuação. Foi só um alerta.

Kai arqueou uma sobrancelha em questionamento, ganhando um olhar faiscante em troca. Uma ameaça flutuou até seus ouvidos.

- Por ter galanteado a minha mulher.

 

- - -

 

- Me solta, seu...!- Sun gritava a plenos pulmões, embora sua voz fosse engolida pela orquestra que a guerra provocava.

Seu estômago doía apertado contra a ombreira metálica da armadura do soldado. As pernas e braços balançavam e esperneavam a fim de se soltar, mas o tal soldado a mantinha rendida como um saco de batatas.

Ódio era tudo o que Sun sentia, mesclado com frustração e preocupação. Sua honra se perdera no meio do caminho, misturada ao barro que grudava nas botas do homem que a carregava.

Em sua mente, Kai dominava cada neurônio e os fazia entrar em conflito. Ela ainda conseguia ver cada momento daquela batalha desastrosa que se propôs a ter com ele. Foi como quando se encontraram na vila: o esforço iminente dela e a agilidade somada aos truques dele. Sun ainda conseguia sentir o cheiro de mofo que impregnara em sua roupa devido a sabe-se lá quanto tempo ficou trancada naquele maldito armário.

E agora lá estava ela sendo levada para longe do palácio. As árvores já os rodeavam com suas copas altas e densas, deixando poucos feixes de luz penetrarem. Mesmo assim os sons da batalha ainda podiam ser ouvidos, indicando que não haviam se afastado tanto assim.

- Eu já disse para me soltar!- ela berrou pela centésima vez e, para sua surpresa, foi obedecida.

Seus pés tocaram o chão e mais do que de pressa as mãos buscaram pela arma que usara há pouco. Não estava lá. Sun Li bufou em resignação, olhando ao redor.

Não sabia o que fazer e isso a sufocava.

- Obrigada por trazê-la.- a voz familiar chamou-lhe a atenção.

Sun então encontrou a figura andando com dificuldade por entre os troncos grossos. Ela se apressou em ajudá-lo, mas este a dispensou com um gesto breve.

- É um alívio que esteja a salvo.- disse ele, analisando cada centímetro de pele alheia.- Qual parte de não entrar em confronto você não entendeu?

- Eu deveria fazer a mesma pergunta para você.- desdenhou ela, mas logo deixou os ombros caírem.- ZhouMi, nós precisamos parar JongIn. JinYoung está em perigo.

O outro maneou a cabeça.

- JinYoung quis que isso acontecesse. Só nos pegaram um pouco... desprevenidos.

- Você deve ter levado uma pancada feia na cabeça.- ela se aproximou novamente para examiná-lo, mas ZhouMi recuou um passo.

Os olhares se sustentaram e tudo o que ZhouMi via nos olhos dela era medo. Medo por ela, por JinYoung... por JongIn.

- Eu contei a ele a verdade sobre JongIn. Com os ataques à capital e outras cidades, resolvemos incitá-los a dar um grandioso passo.

- Vocês sabiam que haveria o ataque hoje.- concluiu ela nas entrelinhas, aflita.- Isso explica porque JinYoung estava tão inquieto durante a cerimônia. Não era por minha causa.

- Não tínhamos certeza, mas sabíamos que eles não deixariam passar uma oportunidade como essa.

Sun desviou o olhar. Um líquido estranho borbulhava em seu estômago e ameaçava subir pela garganta. A mente estava a mil.

- Há quanto tempo?- ela soltou, encarando-o como se sua vida dependesse disso.

ZhouMi respirou fundo, ciente da reação que ela teria.

- Há quanto tempo JinYoung sabe?- insistiu ela.

- Desde o dia seguinte em que JongIn te trouxe de volta para cá.

O coração pesou toneladas no peito naquele momento. Quanto pesava o de JinYoung então?

- E sobre JongIn e eu...?- o desespero já era quase palpável.

O silêncio alheio foi sua resposta.

Sem pensar duas vezes, Sun pegou com rapidez uma adaga que ZhouMi trazia na cintura e, ciente de que ele não a alcançaria – e talvez o soldado também não-, saiu pela floresta em disparada.

Estava na hora de desatar os nós da linha que os unia. Os três.

 

- - -

 

Adrenalina corria pelas veias de SeHun como fogo e ardia pela pele machucada. Em contrapartida, o plano que arquitetara de ultima hora mantinha-se estável.

A morte provavelmente já varrera daquele palácio muitas almas, e talvez a de JinYoung ou de Kai estivesse na lista. Quem sabe a de ambos? Assim não teria o trabalho de sujar suas mãos com mais sangue. Facilitaria muito as coisas.

SeHun sorriu com a hipótese. JinYoung se tornava um ser sombrio e incontrolável quando sob sentimentos intensos e situações que o tiravam dos eixos. O que poderia causar mais estrago do que a traição do melhor amigo? Kai mentiu, fingiu ser quem não era, dizimou soldados aos montes desde o início daqueles confrontos que se espalhavam pelo país. Era ele a mente criminosa, o terrorista, o demônio.

E as pessoas ainda tinham coragem de apontar o dedo para SeHun como assassino. O que era algumas mortes comparadas a milhares?

Enquanto esperava pelo grand finale, ele trataria de outros assuntos pendentes. Assuntos que tinham nome, sobrenome, volúpia e crueldade incutida em cada dobra daquele ser que o enfeitiçou.

Ah, HyunJoo... Tinha certeza de que ela abrira o bico sobre suas intenções e não duvidaria de que ela armara aquele encontro entre os três. Ah, uma pena... ela lidaria com as consequências.

SeHun seguiu pelo salão principal em direção à porta que dava acesso ao pátio central. A lâmina atravessou um soldado que estava em seu caminho. Se era inimigo ou não, pouco importava. O baque sequer foi ouvido, abafado pela algazarra lá fora. E também devido ao barulho, o caçula não ouviu o assovio da flecha cortando o ar em sua direção, atingindo seu braço de raspão.

Ele virou-se de imediato e deliciou-se com a imagem refletida diante de seus olhos. Por que não estava surpreso?

- E no final, somos só nós dois.- as palavras debochadas deslizaram pela língua de SeHun.

O destino sabia como fazer as coisas. Claramente estava a seu favor.

JinYoung jogou o arco e a aljava de lado conforme terminava de descer alguns poucos degraus. Frio, calmo, implacável. Aos olhos do caçula refletia o deus da morte vindo buscar sua alma. As roupas sujas de sangue contavam uma história da qual ele imaginava o enredo.

- Kai precisa de companhia no inferno.- a voz sedosa, quase tentadora.- Vou te mandar para lá antes mesmo que perceba.

SeHun inclinou a cabeça ao passo que um pequeno sorriso despontou em seus lábios. Olhou ao redor por um instante. O caos permeava todo o lugar. A porta aberta garantia a vista do massacre nos pátios, assim como os estrondos vindos dos andares de cima indicavam que a facção conseguira invadir o palácio.

O mais belo cenário era aquele.

- Ah, meu irmão... Não vê que a nova era já começou? E adivinhe, você não faz parte dela.- a espada desenhou um arco perfeito sob posse das mãos de SeHun, os pés já se movendo ao alvo na intenção de um ataque.

JinYoung apenas esperou sem se mover um milímetro sequer. Um ato tolo, pois SeHun investiu com toda a força que havia em seu ser. A lâmina buscou o corpo do outro, mas acabou por atingir apenas as vestes de raspão.

Ambos já estavam cansados e feridos devido ao embate de mais cedo, porém SeHun sabia que JinYoung jamais se daria por vencido, e ele, muito menos.

O caçula avançou outra vez e JinYoung desviou, usando o corrimão como apoio para pular os degraus que faltavam. No mesmo instante, labaredas despencaram do andar de cima, fazendo com que SeHun se jogasse para escapar por um triz.

O fogo tomou rapidamente a tapeçaria e se alastrava com facilidade pelas pilastras de madeira. O inferno viera até ele.

Estranhamente, JinYoung não parecia surpreso. Bastou mais uma bola de fogo cair com um estrondo para que SeHun ligasse os pontos. A sombra esguia surgiu por entre as chamas altas.

Era uma armadilha.

- A tolice já era percebida, mas a deslealdade... Essa é nova para mim.- SeHun alfinetou JinYoung, recompondo-se e guardando a espada na bainha.- Papai ficaria decepcionado se soubesse que traiu seu próprio império.

- Você não é digno de pronunciar a nome de meu pai com essa boca imunda.- JinYoung retrucou entre dentes conforme caminhava lentamente até o irmão. O calor começara a se tornar desconfortável.

- E você perdeu sua dignidade ao se aliar a esse monstro.

As palavras não afetavam mais JinYoung. Na verdade, ele não sentia mais nada. Estava anestesiado, a mente em branco, turbulenta em seu vazio.

E então as espadas voltaram a se encontrar ainda com mais ferocidade que antes. Cada tilintar estridente traduzia um sentimento inanimado, cada faísca, uma memória de momentos apagados aos poucos. Memórias estas que SeHun fizera o favor de manchar e reduzir a algo insignificante.

Kai, em compensação, aguardava pelo momento certo. O olhar acompanhando cada movimento, cada golpe banhado pela luz alaranjada do incêndio iminente -este não se equiparava ao fogo que ardia no âmago de seus seres. A fumaça incomodava os pulmões, e Kai percebeu quando JinYoung começara a ser afetado pela mesma após um golpe feio na cabeça.

Kai não pensou duas vezes em intervir. Usou um fragmento do corrimão que se soltara para atingir o ombro de SeHun, deixando um caminho de cinzas que lhe atingiu os olhos. A breve distração abriu espaço para que JinYoung conseguisse se arrastar pelo chão, tossindo e tentando se recompor da tontura devido a pancada. Enquanto isso, SeHun cambaleava para trás, lutando para abrir os olhos.

Não demorou para que o estado de perigo do palácio fosse notado pelas pessoas que combatiam do lado de fora. Divididos entre lutar ou deter o fogo, alguns soldados escolheram a segunda opção, ocupados demais para notar o que se desenrolava ali.

Mais do que depressa, Kai correu até JinYoung, levantando-o com um só braço.

- Precisamos sair daqui. A fumaça está ficando densa.- disse ele entre tossidas.

Nenhuma resposta. JinYoung estava aturdido demais para processar qualquer informação que fosse.

- Que droga! Vamos!- Kai o puxou com força, obrigando-o a ficar de pé para saírem dali juntos, mas não houve tempo.

Quando Kai virou o corpo em direção a porta, tudo o que conseguiu vislumbrar foi o sorriso ardiloso de SeHun perto demais, e então dor. Apenas dor.

Seus dedos já não mais agarravam o braço de JinYoung, sua boca já não mais proferia palavras e os olhos apenas acompanharam a lâmina terminar de lamber o lado esquerdo de seu abdome. Tudo se tornou vermelho. As chamas, as vestes, as mãos.

Mais um golpe certeiro e Kai foi lançado no chão.

- Fim da linha para você e seus ratos.

 

- - -

 

- JongIn!- o grito feminino cheio de dor reverberou entre o crepitar das chamas.

Era como se todos os esforços de Sun para chegar até ali provassem que tudo estava fora de controle, inclusive o que habitava seu interior. Durante todo o caminho a mente gritava para que protegesse JinYoung, mas seu coração ansiava por proteger outra pessoa. Não sabia o que poderia acontecer naquele embate entre JinYoung e Kai, mas o que encontrou ali foi bem diferente de todas as cenas horrendas que imaginou.

Era muito pior.

Captou o momento exato do corpo de Kai indo ao chão, ensanguentado. JinYoung, mesmo parecendo desorientado, se colocara a frente do irmão, bloqueando com a espada o que seria o golpe final de SeHun.

As lágrimas nos olhos embaçaram a visão junto da fumaça que se estendia suas garras cada vez mais. Sun apenas correu até Kai na intenção de ajudá-lo. Desespero e urgência reviravam em suas entranhas. A ideia de perdê-lo se tornou insuportável.

Mas o destino ainda guardava suas cartas na manga.

Antes mesmo que pudesse alcançá-lo, sentiu-se ser puxada com brusquidão para trás. Quando se deu conta, já estava rendida por SeHun. Suas costas pressionadas contra o peito esguio, o braço firme que a segurava no lugar e a lâmina vermelha encostada em seu pescoço.

- Que surpresa magnífica!- exclamou o caçula.- O destino realmente está colocando todas as peças em seu devido lugar e na hora certa. Seria um sinal dos céus, meu irmão?

- Me solta!- Sun remexeu-se para se soltar. Um erro irrevogável.

JinYoung ameaçou dar um passo, mas serviu apenas para que SeHun pressionasse um pouco mais a lâmina contra o pescoço feminino.

- Nem tente.- SeHun alertou a JinYoung.

- Chega de jogos, SeHun.- a voz de JinYoung transparecia todos os cacos de sua alma. Estava dividido entre socorrer Kai, que agonizava no chão, enquanto obrigava a mente a encontrar uma solução para poupar Sun.

- Mas agora que as coisas ficaram mais interessantes. Esse é o momento em que eu te tiro tudo. E então você renuncia e se ajoelha perante mim.- a satisfação dominava cada traço de SeHun.

JinYoung e Sun trocaram olhares – coisa que não havia acontecido até então. Ele sabia que se o fizesse, fraquejaria. Sun sempre foi seu maior ponto fraco. Não podia perdê-la.

- Covarde!- JinYoung cuspiu as palavras. Embora relutante, cedeu ao pedido de SeHun, ajoelhando-se.

- JinYoung, não faça isso.- Sun implorou, tentando se soltar do domínio do outro mais uma vez. O corte superficial em sua pele foi só um aviso de que a paciência de SeHun estava por um fio.

Sem escolhas, ela se aquietou. Os olhos não desgrudavam de JinYoung e vice-versa. Sun o via ruir por dentro. Não podia deixá-lo cometer aquela loucura.

- Liberte-a, SeHun.- JinYoung ordenou, ganhando um sorriso de desdém do caçula.

- O que fará para que eu poupe a vida dela?

SeHun queria levá-lo ao limite. Sem delongas, chutou os tornozelos de Sun para obrigá-la a caminhar consigo até ficarem frente a frente a JinYoung. Pouco menos de um metro os distanciava.

JinYoung desviou o olhar para SeHun, fitando-o com um ódio fumegante. Estava de mãos atadas.

- Eu aceito o acordo.

- Que acordo? Diga com todas as letras. Eu quero ouvir a derrota pela sua boca, meu irmão.

- Eu entrego o trono a vo...

A frase não se completou.

Sun tentou um ataque, aproveitando-se da distração alheia. Retirou a adaga que prendia ao lado do hanfu e girou o pulso para acertá-la em SeHun, mas tudo o que conseguiu foi um corte na coxa alheia.

- Previsível demais.- SeHun segurou o pulso de Sun no timing perfeito, sem soltá-la ainda de sua posse.

Sentia o corpo trêmulo contra o seu. A pequena reação de seus músculos foi o que a denunciou.

- Solte a adaga, ou perderá a cabeça.

Nenhuma resposta.

Sem piedade, o caçula torceu o braço feminino para trás. Bastou para Sun girar o corpo para longe e manejar a adaga mais uma vez em uma das mãos, cravando-a no antebraço alheio. Queria vingar JongIn. Queria fazer a coisa certa ao menos uma vez.

A última chance.

- Sun Li, não!- JinYoung gritou, levantando-se num rompante. Ela não ouviu.

Era tarde demais.

Mesmo com o braço ferido, a lâmina de SeHun não vacilou. Sangue escorrendo do corte no pescoço manchou o hanfu que deveria celebrar o início de um novo ciclo.

- Eu avisei.- SeHun desdenhou.

E o mundo de JinYoung cedeu mais uma vez. Sequer houve chances para lamentações. Foi tudo muito rápido. Instintos despertados em situação de sobrevivência.

Duas espadas dançaram no ar ao mesmo tempo em que o barulho do corpo de Sun caindo no chão se perdia em ondas sonoras sufocadas em agonia e desespero. O som metálico do encontro das lâminas não veio.

Carne foi dilacerada, gritos escaparam numa promessa vaga de uma vitória inexistente. Os mesmos sangues se juntavam numa poça conforme os olhares cansados e cheios de coisas a dizer se conectavam e se sustentaram por minutos a fio.

Dois irmãos que ainda empunhavam suas espadas, ambas cravadas uma no corpo do outro. Era como uma disputa de quem permaneceria mais tempo em pé, mesmo que a morte lhes abrisse os braços para um abraço convidativo pela eternidade.

Num movimento pesado, SeHun abaixou o braço, levando consigo a lâmina recém saída do ombro do irmão mais velho. Um sorriso sangrento surgiu nos lábios de SeHun ao ver JinYoung cair de joelhos diante de si mais uma vez.

- Curve-se perante seu imperador.- ele riu, insano, cuspindo mais sangue.

- Nunca.- JinYoung sibilou, determinado a colocar-se de pé outra vez. A dor excruciante o corroia, assim como a exaustão física e emocional.

SeHun ignorou, acertando um último chute no peito do irmão, fazendo-o cair de vez.

Com um puxão, SeHun retirou a espada que estava cravada na lateral de sua barriga e jogou-a no chão. As vestes encharcadas de sangue, a fumaça envolvendo seu corpo num torpor magnífico, a morte cantando em seus ouvidos.

- Eu venci.


Notas Finais


AGORA A COISA FICOU SÉRIA!

Tenho nem o que dizer aqui... Só deixei a bomba... É isso... Não me matem, por favor huhsuhauhsuhua
Ainda tem muita água pra rolar em baixo da ponte, eeeentão nos vemos no próximo cap!

Até a próxima!
Kissus kissus ;** <3


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