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História Wish - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Oi galera, como vocês estão?

Primeiro gostaria de desejar feliz ano novo, espero que 2020 seja um ano leve e com momentos bons.

Segundo, gostaria de agradecer demais a minha amiga @veenest por ter betado essa belezinha e me ajudado no desenvolvimento do plot ❤️

Não poderia começar mais um ano sem postar uma fanfic, né?

Avisos: a música do capítulo é I Really Wish I Hated You do Blink 182, eu recomendo ouvir enquanto lê ❤️

Alguns termos em francês vão ter seus significados nas notas finais.

Parágrafos em itálico são flashbacks

Espero que vocês gostem, sem mais delongas boa leitura 📖❤️

Capítulo 1 - I Really Wish I Hated You


Quinta-feira, 22 de setembro. Paris, França

20:45


I don't really like myself without you


A capital francesa em meados de setembro é marcada pelo clima outonal. As folhas secas caídas pelas ruas colorem as ruas em tons terrosos e o céu pontilhado em prata completa o ar romântico da cidade luz. 


Já passa das vinte horas, a noite não está tão fria, então isso possibilita o passeio de algumas pessoas. As noites de quinta-feira geralmente são dedicadas para jogar conversa fora com amigos e descontar o estresse da semana em bons goles de alguma bebida barata, não seria diferente com a equipe da Gendarmerie parisiense. 


Every song I sing is still about you

Save me from myself the way you used to


Depois de um dia cansativo no quartel, Levi é convidado - ou arrastado - por seus amigos para um happy-hour em um barzinho conhecido da região. Esgotado é a palavra que define bem como se sente o comandante Ackerman, porém o mesmo acaba cedendo. 



O olhar vazio é tão superficial quanto qualquer luz que ilumina a cidade nesse momento. Como se não bastasse apenas o cansaço físico por conta do trabalho, sua mente não cansa de lhe pregar peças graças ao casamento de sua melhor amiga que se aproxima e, como se a vida não fosse sacana o suficiente, obvio que ele sente algo a mais por sua amiga, e quando ele achou que não poderia ficar pior o convite irrecusável de ser padrinho - do seu amor de infância - chegou. 


A little numb, maybe I can't feel at all


Completamente alheio ao que acontece dentro do veículo, o moreno se assusta quando a voz de Farlan o traz de volta ao presente. 


— Não adianta ficar com essa cara de morto vivo. Vai ser legal, cara.


— Presta atenção na direção ao invés de me encher o saco. — retruca automaticamente. 


— Eu consigo fazer os dois. Sério, se anima! — ele vira na direção do moreno e vê a costumeira carranca de poucos amigos. — Você sabe que essa cara feia não me assusta, né? 


Levi nem se esforça para replicar, apenas volta a olhar a paisagem pelo vidro. 


Não demoraram muito para chegar ao seu destino. As meninas - Petra e Isabel - já estavam lá a espera deles. Sentadas em uma mesa afastada, provavelmente para não serem importunadas ou apenas por conhecerem Levi o suficiente - e saberem que ali é o lugar ideal. Com certeza a segunda opção, pois o título de tenentes mais duronas da cidade já é bem conhecido. 


O bar é espaçoso, a luz ambiente torna o lugar mais aconchegante, mas, mesmo assim, o Ackerman preferia estar em casa organizando alguns de seus papéis ou até mesmo preparando um de seus chás favoritos e o degustaria em sua varanda. Porém isso implicaria em ligações incessantes de sua caçula Isabel e ele não queria isso de jeito nenhum. A pirralha sabia ser insistente quando queria algo e ele também precisava de uma distração. 


— E ai, meninas! — cumprimenta o loiro com um largo sorriso enquanto puxa a cadeira para sentar-se.


— Petra, Isabel — diz simplesmente o moreno.


— Nós não estamos no quartel, deixa essa pose de lado — responde Isabel. — E falando nisso, achei que você nem viria. Fico feliz que esteja aqui. 


— Eu não tive escolha — dá de ombros.


— Tanto teve que escolheu estar aqui — implica Petra. 


— Você — ele aponta em direção a ela. — Calada — dá a falsa ordem. 


— Não adianta, comandante. Aqui eu não recebo suas ordens. 


Farlan e Isabel explodem em risada automaticamente. Ele nem sequer pode falar nada, pois ela está certa. Maldita hora em que eles se conheciam desde o colegial. 


Farlan e Levi são amigos desde o ensino fundamental, sempre compartilharam o sonho de se tornarem militares. Já Petra apareceu no grupo no ensino médio e permanece até hoje. Todos são formados em direito pela mesma faculdade, e ainda conseguiram prestar concurso para mesma unidade e garantiram a vaga graças às notas excelentes. 


Isabel, como sua irmã caçula, acabou por tabela seguindo os mesmos passos do irmão e, ao mesmo tempo, conquistou seus amigos. 



Já sua melhor amiga - a qual será padrinho daqui a pouco tempo -, Hanji... sua história com Zoe é completamente diferente. Eles se conhecem desde a infância. Seus pais eram amigos e, por consequência, a menininha esquisita acabou crescendo junto a ele. O título de melhor amigo veio e os efeitos colaterais com ele. Em um determinado momento, ele viu que o sentimento que nutria por Hanji não cabia só no pequeno espaço de amizade, porém, o medo pela primeira vez em sua vida o assombrou e ele preferiu enterrar esse sentimento a perder sua pessoa favorita. 


Ele se recorda, então, de que sua única paixão está longe de seu alcance e decide sair dos devaneios que só o machucam.


— Eu continuo sendo a lei — afirma arrogante. 


— Claro, claro — debocha a menor. 


(...)


I love you, but I hate you when you're with someone else


Levi não lembra como aconteceu, porém, a conversa nesse exato momento se torna sobre Hanji e seu casamento. Desconfortável para dar um fim no assunto, ele tenta uma última vez. 


— O importante é que ela está feliz agora. Erwin é um bom homem.


Levi sabe que tentar se enganar é impossível, Erwin poderia realmente ser alguém legal, mas, não para Hanji. Ele não é o suficiente para ela. Nenhum homem jamais seria, nem mesmo o próprio Levi. E céus, isso dói e é um dos motivos pelos quais o Ackerman nunca tentou dar asas ao seu coração. 


Hanji sempre foi aquela que derrubou todas as suas barreiras, sempre o ajudou em todas as situações, sempre esteve ali. E ele o mesmo. Sempre como amigo. Isso o irritava, mas, antes tê-la como amiga do que não tê-la. Essa última possibilidade sempre esteve fora de cogitação.


— E você acha que a felicidade dela é ao lado do Erwin? Céus, Levi, você está sendo um tolo — foi a vez de Petra quebrar o silêncio. — Me desculpe, mas você está sendo um idiota, basta notar o jeito que ela te olha. Eu a amo e por isso estou aqui, mas eu gostaria que fosse você a pessoa ao lado dela naquele altar.


Levi a encarou surpreso. Nunca imaginou que sua subordinada o trataria desse jeito. 


— Ainda bem que no tempo de escola você era considerado o mais forte, não o mais inteligente — foi a vez de Isabel provocá-lo. 


— O que elas estão querendo dizer é que você deve fazer algo — Farlan simplificou. 


— Mas eu não posso, ela já está com tudo pronto. Eu não quero ser o culpado por estragar o momento mais incrível da vida dela. Eu nunca a vi tão feliz, só quando ela conseguiu passar na faculdade de arqueologia. 


— Ou quando você a chamou para ir ao baile — lembra Petra, e nota um sorriso nostálgico contido no rosto dele. — Viu só? 


— Eu não posso. Não tem mais como eu fazer nada. Essa guerra já está perdida. 


— Só porque você quer que ela esteja, Levi — disse o loiro. — Sério, aja por você apenas uma vez na sua vida. 


— Que seja — responde mau humorado. 


— Bom, a conversa está ótima, mas já é minha hora. Oluo daqui a pouco vai lá em casa. Vejo vocês amanhã — se despede Petra. — E você, — ela aponta na direção do moreno. — pense no que foi dito aqui. É para o seu bem. Tchau! 


— Ela tem razão, aniki, pensa no que te falamos. Vamos, amanhã o dia vai ser longo. 


— Quem disse que vou com você? — implica.


— Hoje é quinta a noite, o Farlan não vai para casa agora e eu sei que você não veio de carro. 


— Sim, depois daqui eu tenho outro lugar para ir, se é que me entendem. — debocha Farlan


— Nos poupe dos detalhes — resmunga a ruiva. 


— Vamos logo então, Isabel. Até amanhã — se despede do loiro, que acena em sua direção.


O caminho de volta para casa foi silencioso - o que é completamente anormal quando se trata de estar no mesmo ambiente que Isabel. Isso o incomoda, pois ele conhece sua irmã o suficiente para saber que silêncio não é bom. 


— O que aconteceu? — questiona. 


— Oi? Nada.


— Você pode tentar enganar a todos menos a mim, pestinha. 


Ela ri e suspira antes de finalmente responder.


— Sabe, eu sempre quis vocês dois juntos. Na verdade, houve um tempo que a Zoe veio conversar comigo e eu achei finalmente que vocês iriam se acertar. Mas ela também tinha medo. Desculpa por não ter dito nada — desabafa pesarosa. 


— Você não tem que se desculpar por nada. Você fez o certo, esse assunto não era seu. Vai ver não era para ser. 


— Eu discordo e sei que você no fundo pensa o mesmo que eu — diz enquanto estaciona o carro em frente a casa do seu irmão.


And I want you wrapped around me, but I don't trust myself


— Talvez. Obrigado pela carona. Até amanhã — se despede enquanto deposita um beijo na testa dela e bagunça seu cabelo. 


— Boa noite, aniki. 


Ele sorri minimamente e desce do carro, andando até sua porta. 


Assim que adentra seu apartamento, por puro automatismo ele repara em toda a decoração para conferir se nada foi mudado. Tudo milimetricamente limpo e arrumado, durante a inspeção, seus olhos caem sobre o porta retratos que ganhou dela em um de seus aniversários. Nele há uma foto deles em uma das edições da  fête foraine no jardin des Tuileries. A fotografia foi tirada por Isabel em um dos raros momentos em que Levi sorria, e a razão não podia ser ninguém menos que ela: Hanji Zoe. Ela também sorria, pois havia acabado de ganhar um urso de pelúcia gigante da barraquinha de tiros. Sua empolgação contagiante afetou a todos. 


Se aproximando mais do móvel onde está o porta retratos, a vontade de correr até ela surge maior do que qualquer pensamento racional. Ele apenas passa a mão nas chaves de seu carro e do mesmo jeito que entrou em casa, saí novamente. 


O Ackerman dirige em direção a casa da morena - a qual sabia o endereço de cor. 


Seu coração acelerado só não fez com que aumentasse mais o velocímetro, pois, apesar de tudo, ele era uma pessoa prudente. Ou pelo menos está consciente o suficiente para não fazer qualquer bobagem no trânsito.


A conversa de algumas horas atrás com seus amigos ecoa em sua cabeça, tentar fugir já não é mais uma opção. 


I drove by your house, but you don't live there anymore


Assim que chega em seu destino, o sentimento de frustração o consome. As luzes apagadas denunciam o óbvio: Zoe está na casa de seu noivo. 


Entendendo como um sinal do universo, mesmo descrente sobre qualquer bobagem dessa, ele simplesmente volta para sua casa. 


— Sim, Farlan, essa batalha já está perdida — pensa desgostoso em voz alta no carro. 






Notas Finais


A música: https://youtu.be/p9asRPqPbjo
Glossário:
1- Gendarmerie: é a polícia militar francesa, subordinados direto do ministério da defesa.
2- Fête Foraine: é um parque itinerário que costuma durar(pelo menos na minha região) de julho até setembro.

Gostaram? O feedback de vocês e bem importante. Essa fic vai ser bem curtinha e já está quase finalizada, então sem riscos de abandono hejaja


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