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História Witch Hunter - Capítulo 1


Escrita por: e TopJKProject


Notas do Autor


Olá, aqui estou eu com mais uma KookV e postando de madrugada, nada surpreendente.
Gostaria de agradecer a @badxbuttercup pela betagem e a @wingsfar pela capa.
Espero que gostem.
Ps: é minha primeira vez escrevendo sobre terror/ação, provavelmente eu vou voltar aqui daqui um ano e reescrever o capítulo quando eu tiver mais experiência, mas até lá finjam que tá tudo certo kkkk

Capítulo 1 - Águas Tempestuosas


A noite era a mais fria daquele outono, o vento forte e cortante remexia os galhos das poucas árvores magrelas e desfolhadas, espalhadas pelo terreno da casa grande e antiga, com paredes de pedra e madeira escura que se localizava nos fundos do local. Apenas uma delas estava intacta, a árvore grande e volumosa com flores rosas que se encontrava separada das outras, à beira do pequeno lago de água magenta e cercado por pedras. As águas do lago se movimentavam inquietas com a força do vento, era uma imagem bonita, mas que preocupava Jeongguk.

    O jovem familiar observava o lago na escuridão profunda da noite, sentado próximo à árvore sagrada. A preocupação se devia ao fato de que o lago não se afetava por intempéries do plano terreno, apenas do plano astral, já que funcionava como um portal de comunicação utilizado pelas famílias bruxas originais. O moreno não sabia interpretar a mensagem por trás dos movimentos das águas, já que não era um bruxo, mas a inquietude e braveza que observava não transmitiam um bom sentimento. 

    Os Kim — bruxos originais que moravam naquela casa e aos quais Jeongguk servia — estavam estudando a mensagem desde a manhã daquele mesmo dia, quando ela havia chegado. Namjoon, o irmão do meio, era o que tinha mais conhecimento sobre o assunto e encontrava dificuldades de decifrar o lago, já que era um meio de comunicação antiquado e não utilizado. Inclusive algumas das famílias bruxas já haviam aterrado seus portais para que pudessem ampliar suas casas.

    Jeongguk estava perdido em seus pensamentos, os cabelos pretos, brilhosos e compridos balançavam com o vento, fazendo um carinho gostoso em seu couro cabeludo e acabou não percebendo quando a temperatura pareceu cair ainda mais, o ar ficar mais denso e uma neblina forte aparecer. Uma figura sombria estava parada em frente ao portão que dava acesso a casa, olhando fixamente para as janelas do terceiro andar, onde sabia que conseguiria acesso livre pela sacada bonita e decorada com algumas plantas que eram usadas em feitiços.

    Fome. Era essa a única coisa que passava pelos pensamentos da criatura. O cheiro de sangue fresco e o som relaxante e atrativo que os corações bombeando sangue faziam, o atraíram até aquela casa. Bruxas, ele pensou, o cheiro agridoce de magia pairava no ar. Passou a língua comprida pelos lábios pálidos e ressecados, assim como pela gengiva que coçava em estimulação, usando suas últimas forças para se locomover rapidamente até a sacada que vigiava de longe.

    

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    O cabelo loiro acinzentado e comprido estava espalhado pela fronha branca do travesseiro macio, era a única parte visível do corpo do bruxo, que estava inteiramente escondido pelo cobertor confortável e quentinho. Taehyung estava encolhido na grande cama de casal, abraçado a um travesseiro enquanto dormia profundamente. O corpo adormecido se incomodou com a queda de temperatura do ambiente e se encolheu ainda mais, tentando fugir do frio.

    O Kim odiava sentir frio, estava sempre com alguma jaqueta ou blusa de frio por perto para que conseguisse se esquentar em eventuais quedas de temperatura. O cobertor que utilizava no momento sempre conseguia protegê-lo, mas naquela noite, Taehyung se sentia incomodado e havia custado a pegar no sono. A mistura entre cabeça cheia de pensamentos conturbados e confusos e o frio da noite não eram uma boa pedida para o loiro.

    Em meio a escuridão do quarto — próximo à porta por onde conseguiu entrar sem maiores dificuldades devido a falta de cuidado do Kim mais novo — o vampiro observava o volume na cama e apreciava o perfume gostoso do sangue do garoto adormecido. Estava com sede, fazia semanas que não bebia o líquido viscoso e estava louco para finalmente se deliciar com a raridade que era um sangue bruxo. Se aproximou da cama, levando as mãos extremamente pálidas e gélidas, com garras compridas, até a ponta do cobertor, levantando levemente para que tivesse acesso aos tornozelos do loiro. Passou as mãos gentilmente pela tez aveludada, imaginando como seria o gosto de fincar suas presas nela.

Taehyung acordou assustado quando fora puxado com brutalidade pelos tornozelos para fora da cama, batendo as costas na madeira maciça e azulada do objeto e dando um grito de pavor em reação ao que sentia das garras grandes e pontiagudas da criatura, romperem a pele dourada e delicada. O bruxo se debateu, ainda preso entre o cobertor e as unhas da criatura escondida na escuridão do quarto. 

    — Periculum refoulement — recitou o encantamento de repulsão assim que conseguiu focar o olhar no ser pálido e desfigurado, porém não obteve nenhum resultado.

    — Vocês bruxos são sempre tão patéticos — disse a voz grossa e seca em meio a escuridão, enquanto se aproximava mais da figura chocada do bruxo, que não entendia o porquê do encantamento não ter funcionado. — Tão prepotentes — disse finalmente, antes de sorrir maliciosamente para o loiro e mostrar seus dentes podres e afiados, cravando-os na parte interna da coxa roliça e morena que estava à mostra pelo short do pijama de Taehyung.

  O jovem feiticeiro gritou em desespero pela dor e tentou se livrar do aperto do vampiro mais algumas vezes, mas em pouco segundos já estava imobilizado pelo veneno das presas afiadas, deixando-o completamente anestesiado e fora da realidade. Sentia que estava em um mundo paralelo, cercado apenas pela tranquilidades, os machucados não doíam mais, apenas o prazer que recebia era importante.

 

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    A estufa grande ficava localizada aos fundos da casa Kim era antiga e feita inteiramente de vidro. As diferentes espécies de plantas cultivadas na estufa enfeitavam o local, dando um aspecto de pureza e leveza, embora a maioria delas fosse extremamente venenosas ou perigosas. Algumas — mais agressivas —  ficavam trancadas em vidros, já que elas poderiam atacar bruxos mais desavisados.

Os Kim tinham um grande histórico de bruxos herbólogos na família, sendo muito conhecidos no ramo e tendo descoberto diversas das ervas mágicas que são usadas em poções e rituais no mundo bruxo. Esse conhecimento foi transmitido pela linhagem Kim e preservado através de livros e espécimes raros armazenados na estufa.

O corpo grande estava apoiado sobre a mesa de madeira escura desconfortavelmente, as pernas compridas estavam parcialmente dobradas embaixo da mesa, já que eram muito compridas para o espaço disponível. Os ombros largos estavam encolhidos e havia alguns pedaços de flores grudadas no rosto bonito, Seokjin havia caído no sono novamente enquanto fazia seus estudos botânicos.

    O arroxeado era o único dos irmãos que havia se interessado em realmente seguir os passos dos antepassados herbólogos e se aprofundar nos estudos sobre ervas mágicas. Namjoon e Taehyung também possuíam conhecimento sobre o assunto, mas era o básico ensinado na academia de bruxaria. Seokjin dedicava sua vida a isso e estava feliz e realizado com suas pesquisas inovadoras e novas descobertas mágicas, passava o dia entre a estufa, coletando mais amostras e estudando sobre o comportamento das plantas, e entre o laboratório de poções e ressecamento de plantas que ficava dentro da enorme casa.

    Ao lado do homem bonito — deitada em uma redinha própria para seu tamanho em forma animal e estrategicamente localizada próxima a alguns galhos de eucalipto —, estava Chaewon, sua familiar em forma animal de Sugar Glider. A garota, diferentemente de Jeongguk, tinha preferência por se manter em forma animal do que na humana, sua personalidade comunicativa e afável era de extrema utilidade para que ela conseguisse receber o que mais gostava: carinho. 

    Chae, assim como Seokjin, dedicava-se a aprender sobre botânica e sempre ajudava seu mestre em seus experimentos e descobertas, assim como dava suporte emocional e o amparava quando estava perdido em meio a bagunça do laboratório de poções. Apesar de adorar passear aos arredores do grande terreno dos Kim, sempre estava ao lado do arroxeado mais velho, zelando pela sua proteção em todos os momentos.  

    A garota foi a primeira a acordar assim que ouviu um barulho alto vindo da casa, assustada, olhou para trás em busca de tentar entender o que acontecia. Seus pelos se arrepiaram em sinal de perigo e ao olhar seu mestre, viu que ele já estava desperto e também observava a casa através das plantas e do vidro. Não foi necessário uma troca de palavras para que o Kim se levantasse e corresse para dentro da grande casa com a Sugar Glider presa em seu ombro largo, entrando pela porta dos fundos que dava acesso para a cozinha.

    Assim que chegaram às escadas, conseguiram ver Jeongguk já no segundo andar, correndo em direção às escadas que davam acesso ao terceiro e último andar. Ouviram mais um grito, dessa vez dolorido, como se o loiro sentisse dor. E só de pensar em ver seu irmãozinho machucado, o moreno sentia seu coração apertar. Por mais que Taehyung fosse um adulto agora, ainda se sentia responsável pelo mais novo desde que seus pais morreram — há quase vinte anos —, Seokjin havia assumido o posto de responsável pela família.

    O familiar sentia o coração disparado e a respiração pesada devido a adrenalina em sua corrente sanguínea. Estava quase dormindo embaixo da árvore sagrada quando escutou o primeiro grito vindo do terceiro andar, no mesmo momento seus instintos se aguçaram e Jeongguk se prontificou a correr até o quarto de seu mestre. A audição aguçada captava o barulho de duas pessoas se debatendo dentro do cômodo e, assim que estava próximo as escadas que davam acesso ao quarto, ouviu o segundo grito.

    Jeongguk irrompeu pela porta preta e pesada do quarto, encontrando Taehyung deitado na escuridão do quarto, com uma figura desconhecida em cima de seu corpo. Não pensando duas vezes, o moreno lançou-se por cima da criatura, colocando seus braços no pescoço ossudo e extremamente pálido com veias aparentes na pele, sufocando-o em um Mata-Leão.

Então reparou o estado letárgico do Kim e pôde concluir finalmente que aquela criatura se tratava de um vampiro. Ao que ele soltou seus dentes da coxa morena do mais velho, o encarou com os olhos vermelhos e dentes podres. O sangue de seu mestre escorria entre os dentes encardidos, descendo pelo pescoço e manchando a blusa suja e desgastada. Jeongguk sentiu repulsa e ódio ao ver aquilo, a raiva que sentia o impulsionou a apertar ainda mais forte os braços ao redor do inimigo.

O vampiro mudou seu foco para o moreno que o impediu de se deliciar com o sangue bruxo, levantou-se com tudo, empurrando Jeongguk contra a parede com o intuito de fazer o mais baixo soltar seu pescoço, mas a força de um familiar era imensa e o vampiro —  fraco como estava — não conseguiria se soltar.

Seokjin passou pela porta escancarada ofegante, a primeira coisa que seus olhos confusos captaram foi a briga entre Jeongguk e o intruso. Procurou rapidamente pelo cômodo atrás de seu irmão mais novo, encontrando-o jogando ao chão próximo à cama de casal, não hesitando em correr até o loiro para prestar ajuda. Chae pulou dos ombros largos em direção à Jeongguk, transmutando-se agilmente para sua forma humana, a qual seria mais útil em uma disputa de força.

Os dois familiares juntos não precisaram de fazer muito esforço para conter o vampiro, a moça com cabelos curtos e ruivos retirou uma das hastes do cabideiro de madeira que estava próximo do vampiro e não hesitou em fincá-lo no coração sem vida da criatura. Isso não mataria o vampiro, mas lhes daria tempo para que conseguissem preparar o facão, o alho e a cova para que enterrassem a cabeça. 

O corpo gélido, ossudo e magro do vampiro caiu no chão, tendo o som abafado pelo tapete branco de pelinhos do quarto. Jeongguk direcionou o olhar ao seu mestre, que estava recebendo atenção do irmão mais velho. Respirou profundamente ao ver que ele conversava normalmente, indicando para Seokjin que estava tudo bem.

— Foi só uma mordida, Jinnie, eu vou ficar bem — o loiro disse, ao que observava a feição preocupada do irmão mais velho.

O arroxeado passava os olhos receosos por todo o corpo de Taehyung, analisando cada centímetro para ver se encontrava outra ferida, ouvindo do mais novo que era apenas a mordida e os arranhões ardidos nos tornozelos.

— Temos que te levar para o laboratório — Seokjin disse, assim que terminou de analisar a ferida. — Vou encontrar o que eu preciso para limpar e curar o ferimento lá. — Ganhou um acenar da cabeça loira em concordância.

— Eu te levo. — Taehyung desviou sua atenção do irmão mais velho e se focou em seu familiar parado ao seu lado observando a conversa entre os Kim. Jeongguk decidiu continuar ao que não ouviu nenhuma resposta do loiro. — É melhor não forçar a coxa machucada.

O loiro apenas soltou um murmúrio e com a ajuda de Jeongguk, se colocou de pé e foi posto nas costas do mais novo, que o segurou firmemente na coxa que não estava machucada e apoiou a machucada em sua mão esquerda. Antes que pudessem sair do quarto, foram impedidos pela familiar.

— Tem algo errado com esse vampiro — Chaewon comentou. — Tem um líquido escuro saindo do peito dele, os dentes estão apodrecidos. Uma das presas dele está faltando também. — Assim que ela terminou de falar, o loiro começou a resmungar sobre o tapete.

— Eu lancei um feitiço de repulsão nele que não funcionou. — Taehyung parou de reclamar sobre o líquido estar manchando seu tão adorado tapete branquinho e felpudo ao se lembrar do feitiço. — Fiquei tão espantado que não tive reação —  cochichou essa parte, com vergonha de admitir que havia baixado a guarda.

Jeongguk se lembrou da água do lago que observara pela noite inteira, uma sensação pesada preenchendo seu peito. Olhou para Seokjin, vendo a feição fechada do mais velho entre a iluminação leve da lua.

— Só o fato de um vampiro estar na nossa casa já é estranho o suficiente — o arroxeado afirmou. — Estava pensando nisso enquanto examinava Taehyung, mas minha prioridade no momento é ele. Chae, leve-o para o porão e chame o Park pela lareira do quarto de Namjoon, ele tem muito a explicar.

Os três saíram do quarto assim que a Sugar Glider assentiu em concordância. O moreno descia as escadas com cuidado a fim de não fazer muita pressão no machucado do Kim, chegaram rapidamente ao laboratório do mais velho que — assim como a estufa — era lotado de plantas, mas dessa vez tinham muitos jarros com líquidos de coloração e texturas estranhas esparramados pelo local. Jeongguk abaixou-se para que Taehyung conseguisse se sentar na mesa que ficava no centro do local.

Seokjin procurou por uma pinça e pegou uma jarra com um emplastro rosa pink de um cheiro terrivelmente horrível e se direcionou ao irmão mais novo. A mordida não sangrava mais, isso se devia ao veneno do vampiro que — além de ser útil para manter a vítima quieta e submissa —, era coagulante. A luz do local não era forte o suficiente para que ele pudesse visualizar a ferida internamente, então ele pediu para que o familiar trouxesse o abajur que ficava na mesinha ao lado, onde o mais velho passava horas escrevendo sobre os testes realizados ali.

— Não vai doer quando eu mexer — disse, olhando nos olhos castanhos do mais novo, sabia que Taehyung tinha gastura de ferimentos. — O efeito anestésico do veneno ainda está forte. 

Após posicionar corretamente a luz, Seokjin passou a limpar o ferimento e, suspeitando do que Chaewon havia dito no quarto, passou a procurar por algum pedaço do dente do vampiro que pudesse ter ficado preso na carne do loiro. Ao sentir algo duro encostar na pinça, posicionou ela da melhor maneira para que conseguisse pinçar o fragmento de dentro da mordida.

— Isso é o dente dele? — Foi Jeongguk quem perguntou, chocado com o fato do vampiro ter perdido a presa na mordida que deu em Taehyung. Aqueles dentes eram extremamente resistentes e complexos, eles rasgavam a carne e inoculavam veneno. Eram o sistema de alimentação e defesa dos vampiros. 

O arroxeado apenas assentiu em afirmação, pensando no vampiro que Chaewon aprisionava no porão da casa Kim. Aquilo era completamente anormal e Park Jimin teria que se explicar sobre o quê, em nome de Satã, estava acontecendo com aquela criatura e o porquê dela ter invadido sua casa.

— Eu não acredito que esse filho da mãe deixou um dente podre dentro de mim — Taehyung disse, enquanto olhava chocado para o dente ensanguentado preso na pinça de metal que Seokjin segurava.


Notas Finais


Espero que vocês tenham gostado. Nos próximos capítulos eu vou desenvolver mais os personagens e explicar um pouco sobre a dinâmica das bruxas, familiares e criaturas mágicas.
Beijinhos, até o próximo capítulo o/
Ps: Essa é uma obra de ficção e, por tanto, não tem compromisso com a veracidade dos fatos. Para quem não sabe, existe uma religião chamada Wicca de onde vários temas e contextos para as bruxas da ficção foram retirados, porém são aplicados, em um contexto geral, de forma não correspondente à realidade. Essa fanfic não é diferente nesse quesito, as informações presentes aqui são apenas ficcionais e não pretende ofender e nem diminuir nenhuma religião.


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