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História W.I.T.C.H: The new guardians of veil. (Vol.2) - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Oie gente, como vocês estão?
Senti muitas saudades de escrever e ter essa interação com vocês. Eu sei que o projeto do segundo volume da nossa saga ficou para ser lançado em Fevereiro, mas precisei de mais tempo para deixar tudo organizado. Então, me afundei em várias histórias e reli diversas vezes para fazer uma segunda temporada melhor que a primeira.
Espero muito que gostem e curtam essa nova vibe dos nossos guardiões e queridos meninos.
Amo vocês demais e agradeço por me acompanharem nessa nova jornada.
Estou ansioso pelos comentários e reações desse primeiro episódio.
Bom, por enquanto é isso pessoal.
Amo você, gratidão e boa leitura <3

Capítulo 1 - Agora, só nos resta as memórias daquela luz.


Fanfic / Fanfiction W.I.T.C.H: The new guardians of veil. (Vol.2) - Capítulo 1 - Agora, só nos resta as memórias daquela luz.

Episódio 01 – “Agora, só nos resta as memórias daquela luz.”

Mosteiro – Templo da Congregação.

Kandrakar.

O Mosteiro flutuava acima do Templo da Congregação.

Era um dos espaços mais distantes da sede oficial, a gravidade agia de uma maneira diferente naquele lugar deixando-o ilhado e cercado por nuvens. Construído por tijolos brancos e pilares perolados posicionados em um formato circular lembrava antigas ruínas gregas. Os sábios de Kandrakar usavam do lugar para meditarem alcançando níveis de concentração elevada, conectando suas mentes com os astros cósmicos.

Porém, naquele momento o Mosteiro estava sendo usado com outra finalidade.

A explosão de energia azulada atingiu a barriga de Unio, seu corpo girou no ar como um peão fazendo suas costas atingirem um dos pilares em um impacto grandioso – se aquele lugar não tivesse sido construído com magia celestial, já estaria em pedaços. Ele levantou o olhar rapidamente percebendo três esferas flutuantes indo em sua direção. Com velocidade correu pelo mosteiro desviando de duas das esferas, a terceira partia ao seu encontro como um míssil teleguiado. Entretanto, estava mesmo esperando por aquilo.

Usando um dos pilares, impulsionou seu corpo para cima dando um salto. Seus olhos castanhos foram envolvidos em um brilho mágico, um tom de azul gelo tomou a coloração castanha fazendo as íris de Unio cintilarem. Pequenas cargas elétricas passearam por seus dedos e com um movimento rápido agarrou a esfera explosiva, girou-a entre seus dedos alimentando a energia com seus raios e lançou de volta no alvo.

Himerish, o Oráculo de Kandrakar, sorriu com a ação do guardião. O treinamento de Unio estava dando resultados. Quando o jovem recebeu toda energia da auramere da quintessência, o poder agia descontrolado em seu corpo sendo liberado juntamente com suas emoções. Agora, Unio já possuía domínio sob uma parte daquele poder, utilizando-o livremente.

O Oráculo esticou as duas mãos mostrando suas palmas. Uma luz vibrante emergiu de sua pele moldando um escudo no formato de um pássaro. A ave de energia engoliu a esfera e desapareceram em uma explosão colorida.

Tanto o guardião, quanto o Oráculo pousaram no Mosteiro ofegantes.

— Você está evoluindo, Unio Vandom. – Himerish uniu suas mãos na frente do corpo, em posição de oração. — Devagar, mas está evoluindo.

— É. Eu sinto que agora tenho mais controle dessa energia. – ainda com os olhos brilhantes, fazia pequenas cargas pularem entre seus dedos. — Mas, o poder é grande demais, as vezes acho que ele vai me consumir por inteiro.

— Por isso estamos estou te treinando em Kandrakar. Caso a energia da auramere domine seu corpo posso controla-la aqui. Esse treinamento serve para lhe instruir a ter domínio de suas próprias habilidades. Um evento raro aconteceu com você, agora temos que adaptar seu corpo a essas novas circunstancias.

Unio fechou os olhos lentamente puxando o ar com força e liberando com suavidade. Quando abriu os olhos seus olhos castanhos haviam retornado.

— Agradeço você por me ajudara com isso Oráculo.

— Esse é o meu dever. – os pés de Himerish deixaram o chão com brandura, seu corpo voltou a flutuar. — Onde paramos?

Unio sorriu vendo um brilho azulado emergir da palma do Oráculo, a energia transformou-se em uma onda mágica ofensiva. O líder dos guardiões deu um sorriso lateral limpando as gotas de suor com as pontas dos dedos.

Com um salto, retornou ao treinamento.

 

Residência dos Tubbs Lair – Heatherfield.

Terra.

Igor revirava os olhos com os murmúrios que vinham do banheiro.

Estava dias sem dormir. Usou de suas férias para ampliar seus treinos no vôlei e natação acordando todos os dias ás cinco da manhã para começar seus exercícios, precisava ficar em forma e continuar destacando-se nos torneios e competições. Deixava os finais de semana para descansar dormindo até o anoitecer e usando da noite para divertir, não podia deixar as férias passarem em branco. Porém, naquele sábado, sua rotina iria mudar.

Igor pegou o travesseiro abafando os ouvidos no intuito de diminuir o volume da conversa que vinha diretamente de seu banheiro, bufou meio irritado por ter sido acordado. A conversa aproximava novamente da cama deixando o som das palavras mais alto e nítido. Igor revirou os olhos mais uma vez, sentou na cama com o lençol cobrindo a cintura e o peito desnudo, encarou a porta do banheiro.

— Amor, não tem como falar um pouco mais baixo? Só um pouquinho? – bocejou coçando os cabelos em uma nova tonalidade.

O guardião da água tinha mudado o corte e a cor de seus fios, passaram de um castanho amarronzado para um tom desbotado próximo a um platinado, além do comprimento ter diminuído.

Priscilla pontou a cabeça para o lado de fora da porta lançando um olhar ofensivo no namorado, estava com o telefone apoiado na orelha enquanto escovava os dentes. Tendo sua resposta Igor aceitou sua derrota e a afastou o lençol espreguiçando os braços e pernas. Abriu as cortinas iluminando o quarto com os raios de sol, logo admirou seu corpo no espelho coçando os olhos, percebeu algumas olheiras e bufou.

Usava apenas uma cueca box preta. Priscilla saiu do banheiro, seu corpo também estava coberto apenas por uma lingerie branca feita de choche e com vários detalhes florais. Deixou o telefone em cima da escrivaninha admirando o namorado, circulou o pescoço de Igor com seus braços e sorriu.

— Eu estava ocupada gatinho. – deu um selinho prolongado nele. — Agora que nossas férias acabaram minha vida de capitã começa novamente. Tenho que colocar meus compromissos em dia, você sabe como é.

— Mas, eu não estou dormindo direito, você bem que podia ter falado um pouco mais baixo...

Priscilla olhou para ele de cima a baixo e respirou fundo. Andou até a cama pegando suas roupas e começou a vestir sua blusa lentamente.

— Foi você que insistiu para que eu viesse dormir aqui ontem.

Igor deu um sorriso safado abraçando a garota pelas costas, deu um beijo em seu pescoço fazendo ela arrepiar da cabeça aos pés. Priscilla fechou os olhos e sentiu uma mordida em sua orelha enquanto a mão do namorado descia por sua barriga chegando em sua calcinha lentamente.

— Eu adoro quando você fica marrentinha. – Igor sussurrou no ouvido dela arrancando um gemido abafado.

Os dedos sorrateiros de Igor adentraram o tecido começando com movimentos sutis e delicados.

— Igor... – Priscilla gemeu mordendo o lábio inferior. Arregalou os olhos segurando o pulso do namorado, a atitude fez o garoto ficar meio intrigado. — Não que eu não queira, mas você lembra que dia é hoje?

O guardião da água arregalou mais os olhos e afastou de Priscilla em passos rápidos se lembrando da sua promessa.

— Merda! Eu tinha esquecido completamente! – deu um leve tapa em sua testa. — Prometi para a tia Hay Lin que iria ajudá-la a arrumar as coisas do jantar.

— Exatamente. – Priscilla deu um beijo na bochecha dele terminando de vestir a blusa. — E esse jantar vai ser bem importante.

— Verdade. – suspirou.

Priscilla caminhou entrando novamente no banheiro enquanto Igor sentou na cama pegando o celular e enviando uma mensagem rápida para Hay Lin.

— O Unio e o Cornelios já chegaram de viagem? – perguntou a garota do banheiro.

— Não sei. Mas, o Uni prometeu que estaria aqui no jantar. – terminou a mensagem abrindo as portas do guarda-roupa.

— E o Theo? Não tive notícias dele as férias inteiras.

Igor deu uma pausa, sentiu uma sensação estranha invadir seu corpo e logo as memórias do baile de formatura retornaram em sua mente, como se a fala de Priscilla tivesse despertado gatilhos guardados por ele. Com o celular em mão abriu a aba de conversas com o Theo e encarou todas as mensagens que enviou para o amigo, mas nenhuma havia resposta. Continuou encarando a conversa dando um suspiro lamurioso.

— Eu não tenho notícias do Theo...

 

Praia da Concha – Heatherfield.

Terra.

A Praia da Concha sempre foi um lugar calmo e tranquilo.

E no início da primavera mostrava suas belezas, com uma água azul oceano e sua areia branca tornou-se o ponto turístico mais marcante de Heatherfield. Sua vida marinha era vasta e preservada pela ong Whater Salve. A praia foi o lugar de encontro dos guardiões em diversos momentos, as famílias sempre adoravam levar as crianças para um banho de sol durante o verão construindo memorias felizes naquele local.

Cornelios pisava na areia fofa segurando em suas mãos dois capacetes, seus cabelos balançavam com a brisa vinda do mar. Os fios dourados não estavam mais longos, agora o Hale detinha um corte novo, havia abrido mão dos longos cabelos loiros e usando um estilo mais despojado com um corte mais curto.

Caminhava na direção rochosa da praia, uma área que as pessoas quase não frequentavam por causa da voracidade das ondas e da alta quantidade de pedras que cobriam a costa. As forças das ondas atingiam as pedras de diversos tamanhos espalhando respingos por as direções molhando levemente o loiro.

De repente, a brisa tornou-se mais agitada, as correntes de ar ficaram um pouco mais quentes e o vórtice surgiu bem na frente do guardião da terra. Faíscas azuis e prateadas emergiam do portal místico. Cornelios observou a sombra saindo do show de luzes, o vórtice fechou.

— Bem na hora. – Unio sorriu olhando para ele. O ruivo usava uma bolsa de lado e tinha um semblante cansado fruto do seu treinamento com Oráculo.

Cornelios aproximou do namorado dando um beijo apaixonado que arrancou suspiros de Unio.

— Como foi o treino de hoje? – segurou os capacetes com apenas uma das mãos, enquanto com a outra segurou a mão de Unio e junto começaram a caminhar pela praia.

— Ele disse que estou progredindo. Porém, ainda é cedo para dizer se vou conseguir controlar todo o poder da auramere. Como ele já disse, isso nunca aconteceu antes. Para eu não me tornar um louco que dispara raios de energias em todos, tenho que continuar treinando.

— Você vai conseguir. Eu acredito em você.

A doçura e o cuidado que Cornelios tinha com Unio fazia o ruivo se apaixonar por ele cada vez mais. Juntos passaram por muitas coisas, o relacionamento conturbado e secreto tornou-se um laço sentimental e inabalável, não tinham vergonha de demonstrar seu amor.

— Obrigado. – disse Unio com um tom sentimental.

Mesmo com toda aquela doçura no olhar Unio sabia quando o loiro estava escondendo algo, a feição de Cornelios estava mais séria que o normal e era possível notar uma tristeza no fundo de seus olhos. Algo que preocupou o ruivo.

— Qual é o problema? – saíram da orla da praia parando próximo a motocicleta do Hale. — Sei quando você não está bem...

Cornelios deu um suspiro sentando em um banco debaixo de uma árvore, com o olhar distante.

— Precisamos conversar Uni... – dando outro suspiro, dessa vez mais pesado, retirou um envelope do bolso de trás da calça e estendeu o papel para o outro.

— O que é isso? – intrigado Unio notou que o envelope já estava aberto, então apenas retirou o papel de seu conteúdo e começou a ler.

A feição do ruivo ia mudando à medida que seu olhar passava pelas palavras na carta. Um sorriso largo e alegre crescia em seus lábios, os batimentos de seu coração palpitavam com animo e assim que terminou de ler direcionou toda sua atenção ao Hale.

— Nelios... – envolveu o pescoço do namorado com os braços. — Isso é uma carta de aceitação. Você foi aceito na Faculdade Comunitária de Heatherfield, para cursar música. Tudo o que você sempre quis!

A voz de Unio mostrava muita empolgação, porém Cornelios mantinha a mesma expressão triste.

— Você não parece muito feliz? Está assim por que é uma faculdade comunitária?

— Não, não! – coçou a nuca sem graça colocando uma das mãos na cintura de Unio. — Fiquei sabendo que um dos olheiros estava no Festival de Bandas, ele viu minha performance no palco e escutou a música que eu cantei para você, parece que gostou muito.

— Como não gostar? – Unio lembrou o quanto ficou emocionado naquele dia. A declaração de Cornelios foi diante milhares de pessoas. — Mas, você não parece feliz com a notícia. O que foi?

— Eu liguei para o Noah e para o Aimin, para saber se eles também foram aceitos em alguma faculdade. Bom, parece que apenas o Aimin foi aceito comigo. Sabe Unio, eu não consigo parar de pensar que isso pode ter sido culpa minha...

— Como assim? – encarou os olhos esmeraldas.

— Eu não me arrependo de nada daquele dia, mas eu fui de encontro a tudo que ensaiamos para o Festival. Passei por cima do nosso roteiro sem avisar meus companheiros, isso não se faz. Talvez, se eu tivesse seguido com o planejado o pessoal também entraria na faculdade...

A culpa e preocupação corroíam o guardião por dentro. Sentia-se responsável pelo fracasso dos amigos.

— Nelios, não é assim que as coisas funcionam. Você sabe disso. Você entrou na faculdade por sua bravura em demonstrar seus sentimentos sem medo de retaliação. O Noah é um excelente baterista e um ótimo amigo, tenho certeza que ele vai entender isso. A culpa não foi sua, não se martirize dessa maneira. Fique feliz, você vai estudar aquilo que sempre sonhou!

— Você tem razão... eu deveria estar animado com essa notícia. – deu um sorriso calmo e singelo. — Obrigado, você sempre está presente quando eu preciso.

Unio mostrou um sorriso carinhoso, ainda estava com os braços envolta do pescoço de Cornelios o que facilitou para que ele beijasse o loiro. Seus lábios se encontraram com ternura moldando um beijo caloroso e apaixonado. Apenas se afastaram quando o ar começou a faltar.

Cornelios bagunçou os fios ruivos e sentou em sua moto ligando a ignição.

— Você está preparado para hoje à noite? – Cornelios perguntou com a voz meio abafada pelo capacete.

— E quem está? – Unio respondeu com um sorriso amarelo. — Mas, a tia Hay Lin quer fazer isso e, bom, eu vou estar sempre à disposição dela.

Cornelios assentiu com a cabeça e deu a partida, sentindo as mãos de Unio em sua cintura. A moto adentrou as ruas partindo na direção dos carros.

No alto da árvore, cercado pela escuridão das folhas, um pequeno orbe verde água com uma pupila negra observava o casal de guardiões sorrateiramente.

 

Restaurante Dragão Prateado – Heatherfield.

Terra.

Um dos estabelecimentos mais movimentados de Heatherfield, estava vazio.

Não por falta de público ou de atrações, Hay Lin tinha dispensado todos os clientes com apenas uma placa “Estamos fechados hoje!”. A pintora tinha deixado o dia inteiro reservado para realizar as tarefas do seu grande jantar das lanternas. Como os Lin eram uma família de tradições, na China hoje comemora-se o Grande Festival das Lanternas, um evento que valoriza a família e entes queridos, além de comemorar a passagem das almas para o pós vida, a morte não era algo ruim, na verdade, era algo honroso e que devia ser celebrado.

Hay Lin fazia sua própria versão do Festival das Lanternas, um jantar com a família e amigos para comemorar as coisas boas da vida. Com todas as guloseimas e pratos feitos, a mulher decorava o restaurante com faixas vermelhas e amarela junto com pequenas lanternas brilhantes. Eric Lyndom confeccionava lanternas chinesas coloridas para soltarem a meia-noite, como dizia a tradição.

— Tia Hay Lin, acho que está tudo pronto. – Igor sorriu vendo a grande mesa posta, os talheres estavam bem distribuídos junto a prataria. — Nunca vi tantos pratos assim.

— Obrigada Igor. – deu um sorriso amável amarrando uma fita vermelha no telhado.

Igor esteve muito presente nessas férias. Depois da partida de Feng sempre visitava o Dragão Prateado conferindo se Hay Lin ou Eric precisavam de algo, tentava fazer seu papel de amigo e dar todo o suporte que eles precisavam.

— Acho que vou precisar de mais um tubo de cola. – disse Eric levantando de sua cadeira.

— Eu vou comprar. – Igor prontificou rapidamente.

— Fica tranquilo rapazinho o mercado é logo ali. – Eric deu uma risada divertida pegando suas chaves, deu um selinho e saiu do restaurante.

Quando abriu a porta percebeu a presença de Cornelios e Unio na entrada, cumprimentou os dois garotos com o sorriso e liberou a entrada para eles. Unio agradeceu.

— Nossa, tá tudo muito lindo! – disse o ruivo admirado com a decoração.

— Finalmente vocês voltaram para Heatherfield, achei que fossem ficar na Grécia para sempre. – Igor deu uma longa risada abrindo os braços e dando um abraço forte em Unio.

— Sentiu saudades, foi? – Cornelios arqueou a sobrancelha.

— Suas não, mas do Uni, sim! – Igor piscou para o Unio em um tom brincalhão, então deu um soquinho no ombro de Cornelios que riu balançando a cabeça negativamente. — Mudou o visual loiro rabugento?

— Pelo visto não fui o único, você deixou um pote de descolorante cair no cabelo ou o quê?

Unio deu uma risadinha do entrosamento dos amigos.

— Quanto amor vocês dois. – Hay Lin interviu com um tom irônico. — Senti saudades de vocês!

A mulher envolveu o ruivo em um abraço forte e carinho, logo foi a vez de Cornelios. Hay Lin estava com um semblante alegre e animado, bem diferente do primeiro mês após a perda de Feng. Ela estava lidando com a situação aos poucos, teve muita ajuda de suas amigas em relação a isso.

— A gente resolveu dar uma passadinha aqui, pensamos que talvez a senhora precisasse de ajuda para arrumar as coisas do jantar. – Unio sorriu caridoso.

— Foi uma ótima ideia, ainda tem muitas coisas para serem resolvidas! Você pode me ajudar finalizando as sobremesas enquanto os rapazes terminam a decoração. – Hay Lin segurou a mão do ruivo e saíram andando na direção da cozinha.

— Cornelios e Igor na decoração? Só quero ver o que isso vai dar. – Unio deu uma risadinha com Hay Lin adentrando a cozinha.

Assim que os dois saíram, Igor logo pegou as faixas amarelas e começou a pendurar na parte que faltava do teto.

— Então, vocês chegaram que dia? – Igor perguntou subindo na cadeira para colar a faixa.

— Faz dois dias, a gente ia chegar antes, mas resolvemos visitar outros lugares do mundo. Foi bem legal, a presença do Uni sempre me deixa mais calmo. – Cornelios pegou lanternas menores colando na parede. — E como anda o relacionamento?

— Muito bom, eu amo a Pri. Não viajamos nas férias como você e o Uni, mas passávamos a noite juntos, isso que importa. Ah, e que noites! – deu um sorriso pervertido lembrando de suas madrugadas.

Cornelios deu uma risada baixa balançando a cabeça. Igor não mudava nunca, sempre com seu tom pervertido e brincalhão para todas as situações, essa era a marca mais vibrante na personalidade do garoto. Ele era o descontraído do grupo.

— E você teve notícias do Theo? – a pergunta teve um tom estranho, porém Cornelios estava concentrado em sua tarefa que nem notou.

— Tive sim, ele conversou com as férias inteiras comigo e com o Unio. A gente trocava e-mails. – Igor não conseguiu esconder a feição de espanto, por isso virou de costas. — Pelo que eu entendi ele também esteve viajando, aproveitando as férias. Disse que vai vir para o jantar e que tem uma surpresa para a gente.

— Ah, legal... – o guardião da água forçou empolgação.

— Escuta Igor, você que ficou esses quatro meses em Heatherfield. Como a tia Hay Lin está, tipo, depois de tudo o que aconteceu? – Cornelios suspirou.

— Cara, é um dia de cada vez, sabe. Tudo acontece com calma, ela está bem melhor que no primeiro mês. Mas, a dor nunca vai embora, você só aprende a lidar com ela.

— Você tem razão. E como a Brisa está?

Igor deu uma pausa pensativo e respirou pesado. Lançou um olhar sério para Cornelios.

­— Nada bem...

 

Cemitério Central – Heatherfield.

Terra.

O vento primaveril agitava as folhas secas do Cemitério.

O coveiro varria os montes de folhas secas limpando o local silencioso. Diferente as outras estações, a primavera trazia cores vivas e brilhantes na vegetação que cercava o lugar, transformando o ambiente mórbido em algo vivido.

Brisa andava por entre as lapides com um olhar sereno, portava em suas mãos um buquê de rosas azuis. A garota estava diferente, os cabelos longos e escuro estavam curtos e repicados, em um corte com uma pegada mais rebelde. Ela andava por aquele ambiente como se já tivesse acostumada com aquelas lápides, e realmente estava, o Cemitério Central tinha si tornado o lugar mais frequentado por ela.

O lugar centro da morbidade, onde lagrimas correm livremente pela dor dos perdidos tinha tornado se o ambiente de acalento da Lin. Passava seus finais de tarde conversando com lapide de cerâmica, como se ela tivesse vida e lhe escutasse, desabafava de suas brigas com seus pais, de suas noites mal dormidas e das noites de festas e baladas. Chegou no exato lugar, encarou as mesmas palavras que encarava todos os dias: “Feng Lyndom Lin. Amigo, filho e guardião.”

— Você sabe que não tem como olhar para essa lapide sem dar risadas, né? – Brisa encarou as palavras dando uma risada seca. — Guardião? Guardião de que?

Brisa afastou algumas folhas ainda rindo, sentou no gramado ao lado da lápide colocando as flores azuis na frente da placa de cimento.

— Sabe, eu fiquei meio indecisa entre rosas brancas ou essas flores azuis. Acho que são tulipas, espero que goste. – ficou alguns segundos encarnado as flores, então deu uma gargalhada alta. — Na verdade, eu sei que você não vai gostar. Você não gostava de flores. Mas sabe, é para manter o costume. Toda essa coisa de dar flores para os mortos e tal. Se não der para darmos flores, o que daríamos, né?

Brisa respirou fundo, e por mais bizarro que fosse sempre esperava por uma resposta. Um sussurro, um grito ou qualquer coisa que mostrasse que ele estava a ouvindo, porém nada acontecia.

— Hoje eu pulei de paraquedas. Estive em seu quarto para ver algumas coisas e me deparei com os seus pôsteres daquele paraquedista famoso, como é o nome dele? O tal do Leo Orsini, acho que é isso. Então, fiquei curiosa e lembrei que você passava horas e horas pulando de paraquedas. Eu queria saber o que tinha de divertido em gritar loucamente enquanto arriscava minha vida de uma altura surreal, aí marquei uma aula com o Paul, aliás ele disse que sente sua falta. – Brisa deu de ombros comum sorriso fofo. — Até que foi divertido, sentia meu coração disparado como se fosse explodir a qualquer momento, e ao mesmo tempo sentia o vento amaciar minha pele com delicadeza. Uma mistura de alta adrenalina com uma calmaria estranha. Foi bizarro e com certeza vou repetir.

Ela voltou a encarar a lápide por mais alguns segundos fixando o olhar em cada letra que formava aquela frase, quando sentiu algo escorrendo por suas bochechas molhando seu rosto. Limpou a lagrima delicadamente.

— Eu prometi que não ia fazer mais isso... desculpa. – deu um sorriso bobo. — Sinto sua falta.

Suas últimas palavras tinham um tom triste e melancólico. A garota abaixou a cabeça lentamente e suspirou.

— Eu também sinto falta dele. – a voz fez Lila arregalar os olhos e virar com brutalidade, estava assustada pois não tinha notado que alguém havia aproximado. Lila deu um sorriso meigo piscando para a amiga.

— Achei que você tivesse ido embora de Heatherfield. – Brisa levantou limpando as gramas grudadas em sua calça e abraçando a antiga amiga com força. Lila deu um grunhido fofo e ampliou o sorriso.

— Ainda não, estou esperando os resultados de algumas faculdades, mas não tem nada certo ainda. – Brisa notou o sorriso de Lila desfazendo a medida em que seu olhar mirava na lápide. — Bom, eu ia trazer flores, mas sei como ele achava isso clichê e chato. Então eu trouxe isso.

Lila caminhou pela grama, abriu sua bolsa retirando um pacote de biscoitos da sorte chineses. Brisa deu um sorriso seguido de uma risada abafada, sabia o quanto o irmão amava aqueles biscoitos. Lila apoiou o pacote junto das flores azuis e afastou sem tirar os olhos do tumulo.

— Tenho certeza que ele vai gostar mais dos biscoitos do que das flores que eu trouxe.

— É, ele amava esses salgadinhos, mesmo eu não vendo nenhuma graça neles. Trigo frito com uma mensagem dentro.

— O Feng tinha gostos estranhos... – Brisa e Lila deram risadinhas.

As duas amigas ficaram encarando aquele tumulo, cada uma com sua dor, cada uma sofrendo da sua forma. A saudade manifestava de maneiras diferente, assim como os laços daquelas duas garotas eram diferentes. A perda de um irmão e a perda de um amor.

— Como seus pais estão? – Lila perguntou sem ao menos olhar para Brisa.

— Não sei ao certo, uma hora parecem bem outra hora parecem péssimos. A dor é algo individual e a forma deles sentirem isso é diferente da minha. – Brisa abaixou a cabeça com os olhos marejando. — Eles não entenderiam.

— Sua forma de lidar com isso é cortando o cabelo? Porque ficou bem estiloso. – deu um sorriso fraco voltando com o olhar sério. — Recebi uma mensagem de sua mãe, ela vai dar um jantar hoje, certo?

— Aquilo? Não sei o que ela pensa que está fazendo. Um jantar cheio de lanternas, como se essas luzes fossem levar nossa dor.

A revolta estava exposta no olhar de Brisa de um jeito que Lila nunca tinha visto antes, a garota cerrava os punhos com uma feição fechada e rígida.

— Escuta, sua família tem histórico de pessoas cardíacas?

A pergunta de Lila despertou alguma coisa dentro de Brisa, um sentimento estranho que incomodava. Seu estomago revirou com tal indagação e lançou um olhar ardiloso para a Wood.

— Por que você está perguntando isso?

— Não sei, talvez para o seu próprio bem. Por que o Feng não apresentava nenhum sintoma, nada do tipo e acabou morrendo por uma parada cardíaca, bom, pelo menos foi isso que me disseram. Você não acha estranho Brisa? Alguém saudável como ele ter morrido dessa maneira?

— Pessoas morrem, aceite isso. – Brisa pegou sua mochila ajeitando em suas costas, deu mais uma olhada na lápide. — Foi bom ver você, se cuide Lila.

A Lin não queria reviver aquilo, não queria falar da morte de seu irmão em frente o tumulo dele.

— Aceitar da mesma maneira que você? – a voz de Lila fez Brisa para de andar. Ela encarou as costas da antiga amiga, sentia as lagrimas escorrendo em seu rosto. — Quem olha consegue enxergar que você está um caco. Isso é aceitar?

— Por que está dizendo isso Lila? – Brisa virou-se abruptamente percebendo o choro dela. Seus olhos começaram a encher de lagrimas também.

Leves brisas balançavam o cabelo das garotas e agitavam as folhas secas do solo.

— Ela não me deixou vê-lo. – aquelas palavras atingiram Brisa como uma faca cortante em seu peito. — Sua mãe não me deixou vê-lo por uma última vez. Ela não deixou o caixão ser aberto, não me deixou despedir dele. Por que Brisa? Qual o verdadeiro motivo?

As lagrimas de Lila Wood cresciam perdendo o controle.

— Ela também não me deixou vê-lo... – a frase de Brisa causou um grande impacto em Lila, fazendo seu choro cessar e suas pupilas dilatarem. As brisas cresceram transformando-se em lufadas violentas. — Ela também não me deixou despedir do meu irmão... Você não sofre isso sozinha, penso nisso todos os dias e vai continuar assim para o resto da minha vida.

Brisa deu as costas deixando Lila sozinha no cemitério. As lufadas começaram a reduzir até que o clima voltou a ser ensolarado, Lila caiu de joelhos no gramado ofegante. Estava surpresa e perguntava a si mesma o porquê Hay Lin não havia deixado ao menos Brisa ver o seu próprio irmão? Sentia algo estranho em relação a tudo isso, e com toda certeza dedicaria sua vida a descobrir o que estava errado.

Entre as folhas secas, um orbe verde água com pupilas negras observava tudo sorrateiramente.

 

Restaurante Dragão Prateado – Heatherfield.

Terra.

A noite caiu rapidamente sob a cidade, logo os convidados de Hay Lin começaram a chegar.

A mulher recepcionava seus amigos com beijos e abraços, os primeiros a chegarem foram Will e Matt, a veterinária começou a conversar com a amiga sobre seu trabalho e como havia estressado com um cliente que insista em dar vitaminas para seu cachorro pois queria vê-lo “bombado”, isso arrancou risadas de Hay Lin. Matt e Eric conversavam sobre acordes em músicas que conheciam, disputando entre os saxofones e as guitarras. Logo os minutos passaram e Taranee junto de Nigel e Bryce chegaram cumprimento os amigos. Bryce correu para a mesa de quitutes deliciando com alguns salgadinhos chineses.

— Tia Hay Lin, isso aqui tá uma maravilha! – Bryce elogiou colocando mais um salgadinho na boca.

Hay Lin agradeceu e teve que ir novamente até a porta, dessa vez Irma e toda sua família chegavam, juntos deles estavam Priscilla, namorada de Igor. Houve mais cumprimentos e Igor pegou um copo de vinho de arroz chinês e começou a conversar com Bryce sobre técnicas de musculação e treinamento aeróbico, enquanto Priscilla atualizava suas redes sociais.

A campainha soou mais uma vez anunciando a chegada de Cornelia, Tomilho, Unio e Cornelios todos devidamente vestidos para o jantar. Todos elogiaram o novo corte de Cornelios e diziam o quanto Tomilho estava grande, a garotinha já conseguia andar sozinha.

— Pessoal, cadê a Brisa? – perguntou Unio juntando-se aos amigos.

— Verdade, faz um tempo que não vejo ela. – Priscilla adentrou a conversa segurando um copo de suco, segurou a cintura de Igor.

— Bom, parece que ela andou tendo alguns problemas com os pais. Mas, espero que ela considere isso e venha para o jantar. É importante para a tia Hay Lin e o para o tio Eric. – Igor deu um longo gole em seu suco beijando o topo da cabeça de Priscilla.

— Acho que ela virá sim... – Cornelios sorriu esperançoso, segurou a mão de Unio delicadamente.

No canto direito, as antigas W.I.T.C.H conversavam como verdadeiras amigas. Irma fazia todas rirem com suas piadas, enquanto Cornelia dizia o quanto era estressante administrar o seu estúdio de patinação.

— Hay Lin, você vai servir o jantar que horas? Eu não estou aguentando o cheiro maravilhoso dessa comida. – Irma deu um gole em seu vinho jogando uma mexa de cabelo para atrás da orelha.

— Assim que todos chegarem. – a chinesa olhou para as amigas. —Taranee, onde está o Theo? Ele não vem?

Igor percebeu que elas falavam de Theo e aproximou mais um pouco para ouvir sobre a conversa.

— Claro, ele já deve estar a caminho. Chegou hoje de viagem, ele foi com o Augusto na casa dele se arrumar para o jantar. – Taranee sorriu simpática.

— Augusto? – Igor indagou curioso.

— Você não sabe da novidade? – Bryce segurou o ombro de Igor dando uma risada. — Achei que vocês fossem melhores amigos.

— É, eu também achei...

A campainha tocou novamente e todos os olhares direcionaram para a porta. Taranee logo percebeu que poderia ser o filho, então Hay Lin atendeu a porta com um logo sorriso carinhoso nos lábios, recepcionando com alegria seus últimos convidados.

Theo sorriu vendo a tia de consideração dando um abraço forte nela, logo o rapaz que estava ao seu lado também cumprimentou Hay Lin com doçura. Todos os olhares direcionaram para a porta, todos espantados pela nova aparência de Theo. Seus músculos estavam bem definidos, abandonando aquela aparência magricela, havia cortado seus dreads deixando seu cabelo crespo livre. Abandonou os óculos, usava lentes de contato que valorizavam seus olhos castanhos mel. Todos estavam surpresos com o novo Theo.

— Oi gente. – disse o guardião do fogo com um sorriso fino e delicado. — É bom ver vocês depois de tantos meses.

— O Theo tá bombadão agora. – Unio sussurrou para Cornelios.

— Gente, esse é meu namorado o Augusto. – disse Theo com orgulho segurando a mão de Augusto que estava ao seu lado.

— É um prazer pessoal. – disse ele meio tímido.

Todos ficaram em silêncio. Taranee, Nigel e Bryce já sabiam da notícia, porém a novidade surpreendeu os outros, principalmente Igor que não conseguia esconder sua feição de surpresa. Logo, todos começaram a cumprimentar o mais novo casal da família.

Unio e Cornelios cumprimentaram os dois com apertos de mãos e abraços calorosos, sabiam bem como era ser um casal gay. Em seguida veio Priscilla, porém Igor manteve-se afastado, foi quando seu olhar se cruzou com o de Theo, porém, diferente das últimas vezes, sentiu a conexão que tinham enfraquecida. Foi quando o guardião do fogo deixou Augusto sob os cuidados de seus outros amigos e caminhou até Igor.

— Eae cara, como você tá? – disse Theo, foi nesse momento que Igor percebeu que a voz dele também tinha ficado mais grossa.

— B-bem, você tá diferente, e parece muito bem acompanhado. – forçou uma risada divertida coçando a nuca. — Curtiu bem suas férias?

— Fui para uma casa na praia dos pais do Augusto, lá é bem legal. – Theo deu de ombros tomando um gole do seu suco. — Agora vou voltar para lá o pessoal deve tá enchendo ele de perguntas. É bom ver você de novo.

— É bom te ver também... – suspirou vendo Theo afastar.

Hay Lin anunciou que o jantar seria servido, todos sentaram-se a mesa em seus lugares. As delicias foram servidas, pratos da cultura chinesa que aromas únicos. Depois das orações, todos começaram a comer saciando a fome. A comida estava maravilhosa e a diversidade de sabores invadia os paladares com sucesso. Eles conversavam felizes contando sobre as novidades das férias e de suas profissões, Igor ficou em silêncio, algo que incomodou Priscilla pela natureza falante do garoto. Augusto fazia novos amigos e arrancava risadas das pessoas da mesa, era simpático e carismático.

Tudo fluía com harmonia, todos sorriam alegres como uma grande família feliz.

Com o término do jantar, Eric e Hay Lin distribuiu pequenas lanternas de papel para seus convidados, todos portavam uma.

— Bom, está na hora pessoal. – ela sorriu e começou a subir as escadarias para o terraço do restaurante, sendo acompanhada por todos.

Assim que estavam acomodados no terraço, Hay Lin respirou fundo e sorriu virando para seus amigos, na verdade, para sua família.

— Esse é um feriado chinês, é meio estranho empurrar vocês para a nossa cultura. Porém, uma coisa que aprendi nos últimos meses é zelar pela família. Cuidar de quem amamos é algo vital. As lanternas representam prosperidade e boa sorte para nosso povo, além de representarem a transição das almas para o pós-vida. Bom, e como sabem... – ela respirou fundo reunindo forças. — Uma de nossas estrelas brilha no céu hoje. Agora, só nos resta as memórias daquela luz, de sua luz. Eu te amo filho.

Foi impossível não deixar uma lagrima escorres. Todos ali deixaram as lagrimas correrem livremente por seus rostos, um choro emocionado.

— Isso é para você Feng. – Eric ergueu sua lanterna junto de sua esposa deixando o objeto voar pelo seu noturno.

Will e Matt se abraçaram deixando suas lanternas voarem juntas. Cornelia tinha Tomilho nos braços, a pequenina soltou a pequena lanterna. Taranee e Nigel deram um selinho libertando suas lanternas junto de Bryce. Augusto segurou na cintura de Theo e juntos também libertaram suas lanternas. Igor e Priscilla foram os próximos. Unio e Cornelios si entreolharam, o loiro deu um beijo na testa do ruivo limpando suas lagrimas e juntos soltaram suas lanternas.

O céu escuro ficou iluminado com as pequenas lanternas de papel que voavam deixando sua luz pulsante invadir aquela escuridão.

 O tempo passou rápido, as horas deixavam o dia mais tarde e as despedidas começaram. Os casais precisavam ir para casa e todos arrumavam seus pertences despedindo uns dos outros, marcando o próximo encontro com rapidez. Unio pegou um capacete enquanto esperava Cornelios despedir de sua mãe e irmã.

— Temos que marcar algo para conhecermos o Augusto melhor. – Unio sorriu olhando para Theo e seu namorado. — Vamos levar ele no Golden ou no boliche.

— Amor, você não quer assustar o novato logo no primeiro dia dele. O coitado levaria uma surra no boliche. – Cornelios sorriu com as bochechas rosadas, deu um beijo na bochecha de Unio e foi nesse momento que o ruivo sentiu o cheiro de álcool dando uma risada.

— Você precisa ir para casa. Fica competindo com o Igor de quem bebe mais e dá nisso. – Unio envolveu a cintura do namorado e sorriu. — A gente marca alguma coisa pessoal. Agora vamos pegar uma carona com meus pais, você não está em condições de pilotar. Tchau gente.

— Tchau Uni, pode deixar que combinamos algo. – respondeu Theo abraçado a Augusto. — Bom, acho que está na nossa hora de ir também.

— Na nossa também. – disse Priscilla vendo o namoradão embriagado no sofá. — Só não sei como vou te levar para casa.

— Relaxa, o Augusto veio de carro, a gente dá uma carona para vocês.

— Obrigada Theo. – Priscilla sorriu apoiando Igor em seu ombro e saindo com os amigos.

Hay Lin despediu de todos e quando o restaurante ficou vazio sorriu feliz pelo dia. Tudo tinha sido magnifico, era bom passar aqueles momentos com a família, porém algo ainda estava a deixando desconfortável.

— Amor, eu vou sibir, preciso tomar um banho para dormir.

— Tudo bem, eu já vou.

Eric despediu da esposa com um beijo em sua testa e subiu as escadarias na direção da casa deles. Hay Lin sentou em uma das cadeiras pensativa, seu olhar direcionou a um porta-retrato onde estava toda sua família fazendo-a dar um suspiro pesado. Pegou seu celular vendo que nenhuma das mensagens que deixou para Brisa foram respondidas, então deu outro suspiro e levantou exausta.

Foi quando sua campainha tocou, o coração de Hay Lin bateu forte pensando ser a filha, imediatamente abriu a porta. Não importava se Brisa tinha perdido o jantar, pelo menos ela estaria em casa naquela noite.

Porém, a mulher foi surpreendida, uma criatura coberta de escamas brancas com uma cauda reptiliana e olhos verde agua estava parada em sua porta. Com um movimento bruto a criatura atacou Hay Lin lançando seu corpo pelo restaurante até a mulher quebrar umas das mesas com as costas.

A antiga guardiã ergueu sua cabeça com o corpo dolorido.

— Um demônio branco...

Os olhos verdes do demônio brilharam em um tom vibrante, ele soltou um urro e correu na direção da mulher pronto para matar Hay Lin.


Notas Finais




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