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História W.I.T.C.H: The new guardians of veil. (Vol.2) - Capítulo 8


Escrita por: EmeFernouza

Notas do Autor


Oiee minhas estrelinhas!!!
Como vocês estão? Espero que bem!!
Segue abaixo o nosso oitavo episódio dessa segunda temporada, para vocês desfrutarem e matarem a saudade dos nossos garotos.
Quero dar uma outra notícia, ao longo da fic estarei lançando episódios/capítulos conhecidos como Filleres, ou Capítulos Extras, parra contar um pouco da história de personagens secundários e outras informações do passado. Esses capítulos serão menores que os comuns e não seguem a cronologia da trama original, mas servirão para vocês adentrarem mais intensamente nesse vasto mundo dos guardiões. Os Filleres sempre acabaram em um capitulo só, contando a historia toda em apenas um episódios!!

Bom, é isso, espero que gostem desse novo capítulo e espero ansiosamente para ler a impressão de vocês. Obrigado por existirem. ;)

Boa leitura e gratidão <33

Arte utilizada na capa:
Phobs

Capítulo 8 - A sexta garota.


Fanfic / Fanfiction W.I.T.C.H: The new guardians of veil. (Vol.2) - Capítulo 8 - A sexta garota.

Episódio 08:- “A sexta garota.”

Apartamento dos Hale – Heatherfield.

Terra.

O relógio de pulso de Cornelios marcava ás meia noite e vinte, estava atrasado.

Havia tirado a tarde e à noite para utilizar a Sala de Música da universidade, em busca de uma canção boa o bastante para surpreender Samuel Daschemberg e garantir sua vaga no Conserto de Elio Sheffield, precisava daquela nota bônus para aumentar sua média ou reprovaria na matéria. Andava no corredor no seu prédio com o celular em mãos, digitava mensagens para Unio desejando saber sobre o estudo em Kandrakar e as informações que tinham adquirido.

As mensagens chegavam, mas sem resposta. O loiro pensou que talvez ainda estivessem em Kandrakar, pensando em fazer uma visita ao namorado quando chegassem. Retirou as chaves do bolso e enfiou na fechadura, porém quando tocou na porta para destrancar percebeu que ela estava aberta, empurrou lentamente abrindo-a. Causando estranheza em Cornelios.

— Pérola! Cheg... – a voz do loiro desapareceu antes de terminar a frase.

Suas pupilas negras dilataram tanto reagindo ao cenário a sua frente, sua casa estava devastada. As estantes com livros e enfeites da pequena Tomilho estavam espalhados por todo chão, as cortinas rasgadas com marcas de garras afiadas, a mesa e cadeiras estavam destroçadas espalhando lascas de madeira por todo lugar, além da televisão caída no chão, as janelas de vidro estavam estilhaçadas.

O coração de Cornelios palpitou forte quase saindo por sua boca, parecia que um temporal havia passado em sua casa arrastando tudo que tocava, o medo tomou conta de seu coração lhe deixando em choque. Porém, um som vindo dos corredores lhe retirou do transe daquela cena chocante, um choro abafado e lamurioso.

— Tomilho... – sussurrou o loiro correndo para o corredor rapidamente.

Deparou-se com a pequena Tomilho sentada de frente para a porta de seu quarto batendo com as mãozinhas na madeira chorando tristonha, seu choro era alto e causava arrepios no loiro, que estava aliviado ao ver a irmã bem.

Pegou a pequenina no colo abraçando-a como nunca tinha abraçado antes, não conteve a sensação de alivio sentindo os olhos lacrimejarem.

— Está tudo bem, minha princesa. Eu estou aqui agora. – consolou a pequena colocando sua cabeça em seu peito enquanto acariciava seus cachos dourados. — Não precisa chorar...

Tomilho soluçava molhando a camisa do irmão, mas a presença de Cornelios bastava para lhe acalmar cessando seu choro lentamente. O guardião da terra olhou em volta percebendo que faltava mais uma pessoa.

— Pérola... – arregalou os olhos assustado.

 

Biblioteca dos Saberes – Templo da Congregação.

Kandrakar.

— Bom, agora que sabemos mais sobre o louco dos olhos podemos voltar para casa. Eu estou cansado e com fome, louco para devorar um sanduba. – Igor bocejou olhando para os amigos.

— Você tem razão, iremos informar o Theo e o Cornelios do que descobrimos. – disse Unio pegando o celular.

— Queria saber mais sobre esse tal Balor... – sussurrou Brisa fechando o livro e o encarando sobre a mesa.

O sussurro da guardiã do ar chamou a atenção de Kauê que encarou a garota sorridente.

— Escuta, porque você não leva o livro? Assim, terão mais informações com um estudo aprofundado nessas lendas. – o aprendiz sorriu simpático olhando para ela.

— Sério? Eu posso pegar livros emprestado tipo na biblioteca? – Brisa estava animada com a ideia, acessando aqueles livros poderia saber mais sobre os outros reinos e sobre a magia.

— Sim, Kandrakar deve ajudar na evolução dos guardiões e no equilíbrio das Dimensões Finitas. Vocês são os atuais guardiões do véu, os herdeiros do conhecimento dos Seres Absolutos. A biblioteca está aqui para servi-los também.

— Fico tão empolgada com essa informação! – a empolgação de Brisa era notável, algo que fez os olhos de Kauê brilharem de admiração. — Obrigada.

Unio sorriu e esticou o dedo revelando seu anel com o Coração de Kandrakar, faíscas azuladas formaram um portal no meio da biblioteca com destino a Heatherfield.

— Obrigado Kauê, e agradeça também ao Oráculo. – o ruivo sorriu atravessando o portal brilhante.

— Falou aprendiz, nos vemos depois! – Igor adentrou as luzes deixando Brisa para trás.

— Foi um prazer conhece-la senhorita Brisa Lin, estarei sempre aqui para ajudar no necessário. – o aprendiz sorriu fofo encarando as bochechas coradas de Brisa, achou delicado o jeito que suas bochechas tingiam-se de um tom mesclado de rosa e vermelho.

— Também gostei muito de te conhecer Kauê, espero que possamos nos encontrar logo. – ela exalou um sorriso tímido, pegou o livro e antes de entrar no portal lançou um último olhar para Kauê. Tinha sentido uma conexão diferente com rapaz que ainda não compreendia.

O aprendiz de sábio observou a garota entrando no portal, que fechou em um show de luzes brilhantes, suspirou pensando em Brisa e na descoberta que fizeram, estava satisfeito em ter ajudado os guardiões, afinal era seu sonho conhece-los.

 

Apartamento dos Hale – Heatherfield.

Terra.

As horas passavam rapidamente e a madrugada fazia-se presente na cidade.

Tomilho dormia serenamente nos braços do loiro, enquanto Cornelios andava de um lado para o outro com o telefone na orelha buscando comunicação com sua mãe, porém era inútil pois a mulher estava sem sinal, presumia o loiro que ela já havia pegado o avião de volta para casa. Cornelios não conseguia tirar os olhos do caos que estava em seu apartamento, tudo revirado causava uma sensação de temor e impotência no loiro. Voltou a mexer no celular deixando a trigésima sexta ligação na caixa postal de Pérola, porém, também era inútil.

— Droga! – lançou seu celular no sofá revoltado, suspirou focando em manter as emoções controladas.

Porém, a raiva era grande, ficou imaginando se algo tivesse acontecido com Tomilho ele nunca iria se perdoa, precisava saber o que aconteceu naquele lugar. Quem havia deixado sua casa naquelas condições? De repente, sua mente ficou nebulosa, enquanto suas mãos tocavam Tomilho, sua mente fluiu através das memórias recentes da pequenina. Cornelios conseguia visualizar um home trajando uma vestimenta preta, com olhos verde turquesa, repentinamente gritos agudos e as mãos desesperadas de Pérola segurando a garota, conseguia sentir em sua própria pele o medo que sua irmã sentiu.

Sua atenção foi desviada quando notou a chegada de Unio, o ruivo correu rápido até o namorado o abraçando forte assustado com toda aquela bagunça.

— Vim o mais rápido que consegui, o que aconteceu aqui? – perguntou preocupado acariciando o rosto do namorado.

— Eu não faço ideia, cheguei da faculdade e tudo estava assim, a Pérola havia desaparecido e a Tomilho estava na porta do meu quarto em prantos. Não sei, ao certo, o que pode ter acontecido.

— Você não pode ficar aqui até descobrirmos o que aconteceu, não é seguro, até para a própria Tomilho. Vamos dormir lá em casa, até a tia Cornelia chegar. – o tom de Unio era de preocupação.

— Tudo bem, mas também estou preocupado com a Pérola, ela sumiu. – disse pensativo lembrando das memórias que visualizou minutos atrás, não sabia como tinha feito aquilo, mas era muito real.

— Vamos encontra-la, não se preocupe. – forçou um sorriso tentando anima-lo. — Agora vamos, vou preparar a cama para a Tomilho e podemos dormir em um colchão.

Cornelios assentiu com a cabeça abraçando a cintura do namorado, a presença de Unio sempre lhe aclamava, acalentava suas emoções e transformava seu jeito durão e rabugento de ser. A presença do ruivo em sua vida tinha sido o melhor presente que poderia pedir, ambos saíram do apartamento deixando o caos para trás.

Porém, no chão perto dos destroços da mesa, existia um pequeno orbe turquesa, um globo ocular que havia visto toda interação dos dois guardiões.

O olho piscou flutuando pela janela estilhaçada em meio a madrugada.

 

Praia da Concha – Heatherfield.

Terra.

O dia amanhecia devagar, o sol surgia forte e vibrante afastando as nuvens cinzas da noite chuvosa.

Logo no início da manhã, o par de tênis pretos pisava forte na areia fofa, as ondas da Praia da Concha estavam calmas e tranquila deixando o clima da caminhada matinal de Lila agradável. A garota usava uma legue azul marinho e um toper branco, seu longo cabelo castanho estava amarrado em um rabo alto e em seus fones a melodia de “Kids In The Corner – Amber Van Day”, sua corrida estava em um ritmo calmo e constante.

Havia criado o hábito de correr pela manhã para organizar os pensamentos, diminuir a ansiedade e além de tudo manter seu corpo. Cruzou a areia e todo o perímetro da praia aproximando do território da famosa Gruta da Concha, lugar onde sempre parava para realizar alguns agachamentos e flexões.

Porém, algo naquele dia estava diferente.

Lila Wood parou de correr assim que percebeu algo estranho na beira da praia. Um corpo estava jogado sobre uma rocha, provavelmente desacordado, sendo molhado pelas ondas que batiam na costa e sujo de areia e detritos. No primeiro impacto a garota ficou assustada, retirou os fones correndo na direção do corpo.

A medida que aproximava da rocha notou que era um garoto, seu corpo estava machucado e existia um ferimento acima de sua sobrancelha que ainda sangrava. Lila arregalou os olhos e abafou o grito com as mãos, ela reconhecia muito bem aquele rosto.

— Theo!! – chamou pelo garoto puxando seu corpo para areia fofa com dificuldade.

Averiguou os batimentos constatando que ele estava vivo, ficou aliviada ao escutar seu coração. Abaixou a cabeça fazendo uma massagem cardíaca e respiração boca a boca, um fluxo de ar entrou nos pulmões e garganta de Theo expelindo toda água que o jovem tinha engolido ao nadar.

Tossiu forte erguendo as costas assustado, ficando sentado enquanto tossia. Olhou lentamente para o lado vendo Lila preocupada.

— O-obrigado... – tossiu mais um pouco fazendo feição de dor devido aos ferimentos.

— Vou chamar uma ambulância para você! – pegou o celular no bolso, mas sentiu os dedos do guardião lhe impedindo.

— N-não, não precisa... só ligue para um dos meninos, por favor. – Theo disse em um tom baixo estabilizando sua respiração. — Por favor, Lila.

— Theo, seus lábios estão roxos, você está cheio de machucados, além de ter dormido na praia! O que um bando de garotos vai fazer para te ajudar? Você precisa de um médico!

— LILA! – gritou Theo assustando-a. — Por... favor...

Lila deu um suspiro confusa e preocupada, mesmo reprovando a ideia pegou o celular e discou rápido o número de Igor, lembrou que os dois eram bem próximos e assim contava com a ajuda do outro para convencer Theo a ir ao hospital.

— Estou ligando para o Igor. – disse séria.

Theo abriu a boca para falar, mas sua visão escureceu, cedeu ao cansaço dos ferimentos e a exaustão da luta e do nado. Desmaiou na areia aumentando a preocupação de Lila, que ouviu alguém no outro lado da linha.

 

Residência dos Vandom Olsen – Heatherfield.

Terra.

Unio bocejou abrindo os olhos lentamente, a claridade da janela incomodava sua visão.

Sentiu um músculo quente embaixo de sua cabeça e sorriu fraco, percebeu que dormia apoiado no peito de Cornelios, quando levantou a cabeça notou que o loiro já estava acordado, seu olhar parecia distante e aflito.

— Bom dia. – Unio deslizou os dedos pelo peito desnudo do namorado, fazendo um leve carinho.

— Bom dia. – respondeu com um tom angustiado.

Unio encarou os olhos verdes notando a aflição neles, não gostava de ver o loiro assim, mas era compreensível devido ao que havia acontecido. Cornelios fez um carinho nos cabelos ruivos e suspirou fraco, pensativo.

— Você não dormiu bem, ne? – perguntou Unio e a resposta foi um balançar de cabeça negativo. — Eu entendo.

O casal estava deitado em um colchão de solteiro colocado no tapete ao lado da cama de Unio, enquanto a pequena Tomilho dormia sossegada entre as cobertas quentes abraçada sua boneca. O ruivo sorriu com a calmaria que a pequenina transmitia, diferente do seu irmão que latejava de preocupação.

— Vamos descobrir o que aconteceu, fique calmo. – Unio deu um selinho delicado no namorado.

— Se algo tivesse acontecido com a Tomilho eu nunca me perdoaria.... nunca mesmo. – suspirou cerrando os punhos. — Vou encontrar o desgraçado que fez isso!

— Ei..ei calma, ela está bem, nada teria acontecido a ela. – Unio acariciou a bochecha do loiro.

— Uni, escuta... – Cornelios segurou a mão do namorado cessando com o carinho. — Ontem à noite, antes de você chegar no apartamento, quando eu abracei forte a Tomilho, surgiram imagens na minha mente... imagens que eu nunca vivenciei.

A feição de Unio ficou confusa.

— Como assim, imagens?

— Parecia que eu estava vivendo, ou vendo, as memórias da Tomilho. E essa não foi a primeira vez, na faculdade, teve um dia que eu toquei no Aimin e todos os seus sentimentos e lembranças com a Lúcia surgiram na minha cabeça, como se eu pudesse ver suas memórias, sabe. Acho que estou ficando meio louco... – ansiou colocando a mão na cabeça.

Unio deu um sorriso fofo, aproximou mais do namorado beijando o topo de sua testa com sutileza e paixão, o gesto carinhoso chamou a atenção de Cornelios.

— Como diria o Chapeleiro, essas são as melhores pessoas. – Unio piscou arrancando um sorriso do namorado. — Vamos dar um jeito nisso também.

O líder dos guardiões aproximou do guardião da terra segurando seu rosto com ternura, o casal beijou apaixonado, um beijo calmo que exalava união. Estavam juntos, conectados e enfrentaria todas as tribulações juntos, pois os laços que haviam formado superava todos os problemas.

A porta do quarto foi aberta com lentidão, evitando o despertar de Tomilho, Unio direcionou seu olhar para a porta vendo sua mãe aparecer.

— Bom dia meninos. – disse Will. — A Cornelia acabou de chegar, estamos esperando vocês lá em baixo.

O casal se entreolhou assentido com a cabeça.

 

Em poucos minutos desceram para o andar inferior, Cornelios usava uma camisa branca e short preto enquanto Unio vestia um blusão que cobria o short do seu pijama colorido, seu cabelo estava meio bagunçado. Matt estava sentado em uma poltrona em frente ao sofá, onde Cornelia estava sentada com Will. A Hale tinha um semblante de culpa, ao ver o filho andou rapidamente até ele o apertando em um abraço forte.

— Você está bem. – Cornelia sorriu apertando os cabelos loiros de Cornelios entre seus dedos. — Onde está sua irmã?

— Dormindo, ela está bem, mas foi por muito pouco mãe. – suspirou ainda culpado por não estar presente quando Tomilho necessitava. — Por muito pouco mesmo...

— Temos que acionar a polícia. – Will levantou do sofá, Unio cruzou a sala ficando perto dos pais. — Até descobrirem quem fez isso vocês não podem voltar para lá, não é seguro.

— Eu concordo. – Unio olhou para o namorado.

— E onde está a Pérola? – questionou Cornelia.

Cornelios apenas olhou para a mãe balançando a cabeça negativamente, a mulher deu um suspiro pesado pegando o celular dentro da bolsa. Os gestos de Cornelia eram rápidos e meio bruscos, revelando toda sua preocupação e medo.

— Mãe, fica calma... – sussurrou o loiro.

— Eu estou bem, querido. Seu eu tivesse em casa nada disso teria acontecido. – disse apressada sorrindo, deixou algumas lagrimas caírem, mas manteve o sorriso forçado nos lábios trêmulos. — Não se preocupe, eu vou dar um jeito em tudo!

— Cornelia, não se culpe tanto, você não poderia imaginar que algo assim fosse acontecer. – Will tentou acalma-la podia imaginar bem a culpa materna que a amiga sentia.

— Obrigada por ter cuidado dos meninos. – sorriu reconhecendo o sentimento de irmandade que tinham. — Vamos encontrar a Pérola, eu prometo, vamos dar um jeito nisso tudo!

— Vamos mesmo... – sussurrou Unio pensativo.

O telefone do loiro vibrou no bolso, analisou a mensagem vendo a mãe afastar para falar ao telefone. Assim que leu o conteúdo lançou um olhar rápido para Unio, um olhar sério apreensivo fazendo-o notar sua mudança de humor.

— Uni, precisamos ir. – o tom de Cornelios, a voz nervosa e firme assustou o outro. — O Igor precisa da gente.

Unio arregalou os olhos e assentiu com a cabeça andando até o namorado.

— Mãe, a tia Cornelia precisa da senhora. – Unio aproximou de Will falando em um tom calmo e tranquilo, teve como resposta um balançar de cabeça da ruiva junto com um sorriso sereno.

— Tomem cuidado.

 

Luna Park: Abandonado – Heatherfield.

Terra.

O solo da tenda circense ainda estava úmido devido à chuva da noite passada.

A marca da bota ficava cravada na lama a cada passo do homem de cabelos negros, sua íris turquesa cintilava como cristais revelando que sua verdadeira essência e poder estavam próximos do ápice, tudo indicava que seu ritual estava seguindo como desejado. Balor caminhava calmamente até os cinco casulos embaraçados no topo da tenda, enquanto um tentáculo negro escapava da abertura de seu sobretudo enroscando o corpo de Pérola desacordado e com diversas escoriações, a babá havia tentado resistido ao sequestro.

Balor moveu o dedo indicador lentamente para cima, influenciando o tentáculo a juntar-se com os outros. Em poucos segundos o corpo de Pérola foi envolto ao emaranhado pegajoso construindo um novo casulo, completando seis a contagem. O tentáculo retornou para dentro do sobretudo desaparecendo na pele do demônio.

— Finalmente, estamos perto do fim. – sua voz tinha um tom soberbo. — Logo completarei todos os ingredientes necessários para o Ritual das 7 Almas, e assim, meu objetivo estará completo.

As pupilas de Balor moveram-se rapidamente para o canto do olho reagindo a um reflexo. Um vulto veloz adentrou a tenda pousando em frente a ele. O homem encarou o demônio branco ajoelhado a sua frente, percebeu algumas queimaduras espalhadas por diferentes partes de seu corpo. Abaixou erguendo o queixo da criatura e mirou em seus olhos fazendo surgir um brilho purpura em sua íris.

— Vejamos o que você tem aprontado... – o brilho turquesa intensificou.

Flashes da batalha do demônio branco contra Theo surgiram na mente de Balor, vasculhava cada pedaço da mente da criatura vendo o resultado da batalha, algo que gerou um sorriso sádico em seus lábios. Largou o queixo do demônio cessando o brilho de seus olhos.

Uma gargalhada alta e rouca ecoou pela tenda agitando um grupo de morcegos que dormiam nas sombras.

— Um guardião já foi. Agora só restam quatro! – ampliou o sorriso cerrando o punho direito. — A ruína desses jovens garotos se aproxima a cada segundo. Para completar nosso ritual preciso de mais um item, algo antigo e valioso.

O demônio branco urrou como se comunicasse com o homem.

— Acalme-se meu peão, eu irei pessoalmente atrás desse artefato e, logo após, iremos até a sétima alma e completaremos nossa missão. – Balor ergueu o dedo indicador da mão direita.

Um brilho verde rodeou seu dedo, começou a desenhar um círculo dentro de um triangulo e, em cada ponta desenhou uma espécie de runa mística. Dentro do círculo traçou a forma de um olho. O desenho brilhava intensamente no ar.

Os lábios de Balor moveram entoando um cântico em uma língua antiga fazendo o brilho ampliar e o selo mágico expandir. Um portal triangular surgiu na frente do homem, exalando um brilho verde com faíscas brancas, uma ventania invadiu o ambiente agitando a tenda velha.

— Quando se faz um pacto com o demônio, ele volta pessoalmente para cobrar sua parte. – deu uma gargalhada medonha.

O som de sua gargalhada fluiu no ar enquanto Balor atravessava o portal junto de seu demônio branco, o homem de cabelos negros estava prestes a cobrar uma dívida antiga.

 

Residência dos Tubbs Lair – Heatherfield.

Terra.

Igor andava de um lado para o outro aflito.

Seu coração estava disparado e devido a ansiedade e preocupação não conseguia organizar seus pensamentos de forma devida, apenas andava de um lado para o outro sem tirar os olhos do sofá. Após a ligação repentina de Lila, dirigiu-se até a Praia da Concha e com o auxílio da garota trouxe o corpo desacordado e ferido de Theo para sua casa, agora o seu amigo encontrava-se no sofá ainda sem consciência.

— Precisamos ligar para uma ambulância urgente! – Lila deu um passo à frente observando a aflição de Igor, estava encostada próximo a janela esperando uma atitude do garoto. — O Theo está muito machucado, além de estar encharcado, precisamos de um médico ou ele pode até pegar uma pneumonia ou algo pior. Temos que fazer alguma coisa Igor!

— N-não vamos ligar para ninguém, o Unio deve estar chegando a qualquer momento, ele vai saber o que fazer. – aproximou do sofá ainda com o coração disparado, tocou delicadamente a mão Theo sentindo a pele fria e úmida.

Em toda sua vida Igor jamais tinha visto o amigo naquela situação, estava preocupado, além dos machucados espalhados pelo rosto e braços, os lábios de Theo estavam azuis e sua pele empalecida. Segurou as lagrimas temendo pelo pior.

— Vamos Theo, você tem que aguentar firme... não pode desistir. – sussurrou para o amigo enquanto segurava sua mão entre os dedos.

— Igor, o Unio não é médico! Precisamos levar o Theo daqui, agora! – Lila estava decidida, caminhou até o sofá e quando estava prestes a tocar no guardião do fogo a porta abriu.

Cornelios e Unio entraram na casa rapidamente deparando com o corpo pálido de Theo, perceberam a aflição estampada no rosto de Igor e indignação no rosto de Lila.

— O que aconteceu? – Unio aproximou do sofá sentindo o coração bater forte, porém, por ser o líder do grupo precisava transparecer calma e tranquilidade. Averiguo os batimentos cardíacos do amigo tocando em sua pele fria.

— E-eu não sei direito... – Lila afastou gaguejando, seu nervosismo aumentou ao ver o grupo de amigos. — Eu estava fazendo minha corrida matinal, quando o encontrei perto da Gruta da Concha, estava desacordado e ferido, com algumas algas presas em sua roupa. Ele me implorou para não chamar uma ambulância, então liguei para o Igor e ele apagou...

— Você fez o certo, fique tranquila Lila, vai ficar tudo bem. – Cornelios aproximou dela notando suas mãos tremulas, exibiu sorriso gentil tentando acalma-la.

Unio analisou os ferimentos com cuidado, os batimentos do amigo estavam regulares, a magia do fogo presente no corpo de Theo estava reagindo as lesões curando-as devagar, se o garoto fosse um humano normal já estaria morto.

Ao se tornarem guardiões, receberam além dos dons elementais, algumas modificações corporais como; maior durabilidade em ambientes hostis, força e resistência corporal sobre-humana, reflexos e velocidade ampliada, regeneração mágica para pequenos e médios ferimentos entre outras habilidades a serem desenvolvidas.

As pequenas lesões no braço e no corpo de Theo estavam melhorando devido a sua magia de guardião, porém sua temperatura permanecia baixa.

— Precisamos de cobertores para aquecê-lo. – Unio olhou para Igor.

O guardião da água estava agarrado a mão de Theo intensamente, seus olhos azuis estavam fixos no amigo enquanto lagrimas formavam-se em seus olhos. Unio tocou lentamente no ombro de Igor o tirando do transe.

— Igor... – sussurrou com uma feição complacente. — Ele vai ficar bem.

Igor encarou os olhos castanhos do amigo sentindo confiança, respirou fundo e assentiu com a cabeça largando a mão de Theo e subindo as escadarias para recolher os cobertores. Cornelios ficou observando o namorado cuidar de Theo, Lila estava inquieta desejava entender o motivo dos rapazes não levarem o outro ao hospital onde teria os devidos cuidados.

— Ainda não entendo o porquê não vamos até o hospital? – ela olhou para cada um deles esperando uma resposta.

De repente, o alarme do seu celular vibrou, a garota conferiu o lembrete respirando frustrada.

— Tenho que ir trabalhar, meu turno começa em meia hora. – desligou o alarme. — Vou ligar para o Golden e avisar que vou faltar hoje.

— Espera, Lila! – Cornelios interviu. — Você pode ir para o seu serviço tranquilamente, vamos cuidar disso aqui... vamos esperar o Theo acordar e depois o levaremos até um médico.

Lila hesitou por alguns segundos desconfiando da promessa do loiro, porém cedeu assentindo com a cabeça.

— Me mandem notícias do hospital, por favor. – suspirou saindo pela porta ainda preocupada.

Cornelios sorriu aliviado, Lila poderia começar a fazer perguntas que não podem ser respondidas.

Igor desceu as escadarias com dois cobertores nos braços notando a ausência da garota, com ajuda de Unio começou a agasalhar o corpo de Theo na intenção de aquecê-lo e assim acelerar seu processo de cura. Arrumavam as cobertas com delicadeza, os lábios de Theo estavam retornando a sua cor normal abrandando o grupo de amigos.

— Quem fez isso com ele? – Cornelios cruzou os braços assumindo uma expressão rígida.

— Ainda não sei... mas quando eu souber, vou fazer o desgraçado pagar caro! – o guardião da água cerrou os punhos demonstrando toda sua fúria.

Unio respirou fundo ficando ao lado de Theo, percebeu as pálpebras do amigo tremerem e seus olhos castanhos-mel abriram com lentidão, provocando um sorriso no líder dos guardiões. Ele demorou um pouco para se acostumar com a luz, analisou o ambiente em volta e chegou à conclusão que estava na casa dos Lair, estava em segurança.

— Theo. – Unio chamou por ele. — Você está bem? Consegue conversar com a gente.

— C-consigo, eu estou bem... – tossiu um pouco sentindo um gosto amargo nos lábios. — Onde está a Lila?

— Ela teve que ir trabalhar, depois cuidamos disso. – Cornelios aproximou do sofá ainda com os braços cruzados. — Theo, quem fez isso com você?

— E-eu não sei bem... – inclinou seu corpo para frente fazendo feições de dor devido aos machucados, sentou no sofá deixando as cobertas em suas pernas. — Eu também não sei muito bem o que aconteceu. Lembro de estar com o Augusto, nos despedimos e depois uma criatura apareceu, tinha escamas brancas, uma cauda longa e olhos brilhantes, parecia um demônio...

— O demônio branco que atacou a tia Hay Lin.– Igor sussurrou chamando atenção dos amigos, a lembrança surgiu como um estalo em sua mente.

— Porém, o mais bizarro é que ele tinha diversos olhos espalhados pelo corpo, olhos idênticos aos daquela ilusão. – concluiu Theo associando os dois ataques.

— Balor. – Unio começou a andar de um lado para o outro, como se formulasse todos os acontecimentos, buscava uma linha de raciocínio, algum padrão que lhe induzisse aos propósitos de Balor. — Ele está cumprindo a sua promessa, disse que faria das nossas vidas um inferno e que destruiria um por um.

— Esse demônio que atacou o Theo com toda certeza é o mesmo que atacou a tia Hay Lin no mês passado. Se estabelecermos um padrão, essa criatura também pode estar capturando as mulheres desaparecidas. – disse Igor atento.

— Mas com qual propósito? Por que um demônio iria querer mulheres? – Unio tentava encaixar as peças desse grande quebra-cabeças com dificuldade.

— Descartamos a ideia de montar um exército de híbridos humanos-demônios, isso seria ridículo. Porém, não podemos descartar uma hipótese, se o Balor e esse tal demônio branco estiverem por trás dos desaparecimentos então estão planejando algo grande. – Cornelios assumiu uma feição preocupada.

— Precisamos saber mais sobre o Balor, pode ajudar a entender o que ele planeja.

— E o mais rápido possível Unio... – Igor lançou um olhar incivil para o ruivo. — Não estamos seguros, nossas famílias não estão seguras. Aquele desgraçado deixou bem claro que conhece a fundo cada um de nós, vamos descobrir sua fraqueza depois caçá-lo e acabar com tudo isso.

Igor estava decidido a dizimar a existência de Balor e seu subordinado, e olhar para os ferimentos de Theo só ampliava sua raiva. Não deixaria algo acontecer novamente ao seu amigo, e para isso caçaria Balor até os confins das Dimensões Finitas.

— Acho que sei por onde podemos começar essa busca... – disse Unio determinado.

 

Instituto Sheffield – Heatherfield.

Terra.

 Brisa caminhava rapidamente pelas longas prateleiras da biblioteca.

Buscava um horário entre suas aulas, um intervalo para desfrutar do conhecimento que havia naquele livro tão diferente, e depois da mensagem de Unio relatando o ataque a Theo ficou mais motivada a retirar cada detalhe, informação e lenda sobre Balor assim, mesmo com sua desenvoltura precária com seus poderes, poderia ajudar os amigos com seu conhecimento.

Encontrou uma mesa afastada das outras onde ninguém lhe incomodaria, sentou rapidamente olhando para os lados, retirou o livro da mochila e abriu nas páginas que relatavam o terror apavorante do Demônio dos Olhos.

Ao iniciar a leitura lembrou de Kauê e um pequeno sorriso fofo surgiu em seus lábios, o aprendiz do Oráculo detinha um vasto conhecimento que poderia ajuda-los de diversas maneiras, além de ter o sorriso mais fofo do mundo, pelo menos era o que a Lin achava. Ela afastou esses pensamentos e concentrou sua mente para compreender as lendas.

— Finalmente te encontrei. – Priscilla surgiu por trás das prateleiras lançando sua mochila sobre a mesa, sua feição não estava nada feliz.

Brisa assustou com a aparição repentina e fechou o livro com rapidez dando um sorriso forçado.

— Pri! Nossa, é... – engoliu seco. — Você me encontrou.

— Claro. Estava precisando desabafar. – ela revirou os olhos desbloqueando o celular e sentando na frente de Brisa. — Estou com muitos problemas, você não tem noção... ser a presidente das líderes de torcida e do grupo de formandos está acabando comigo aos poucos. Tenho que dar conta dos meus problemas escolares e ainda manter um namoro saudável.

Brisa deu uma risadinha fraca vendo o desespero da amiga, cobriu a capa do livro com seus braços debruçando-se sobre a mesa.

— Se eu puder te ajudar com alguma coisa... – ofereceu Brisa compassiva.

— Eu não sei se pode. Eu criei todo o cronograma, roteiro e planilha de gastos do baile de arrecadação para a festa de formatura, mas o meu projeto foi barrado pela diretora. Ela disse que devido aos desaparecimentos todos os eventos de grande porte de Sheffield estão cancelados, ou deverão ser realizados na manhã ou à tarde, sem festas a noite.

— Trágico.

— Trágico é elogio, isso é uma catástrofe inimaginável. Bailes não ocorrem de manhã, isso é ridículo. – bufou Priscilla apertando as têmporas. — Eu entendo o perigo e como os desaparecimentos estão sendo desgastantes, mas o baile de arrecadação e o de Halloween são os eventos que mais movimentam o caixa dos formandos, sem eles podemos dizer adeus a festa de formatura e ao grande baile.

— Escuta Pri, por que não fazemos algo fora da escola... – sugeriu a guardiã. — Tem aquela boate velha próximo ao Porto, eu sei que quase ninguém vai até lá, mas você poderia criar um evento beneficente. Você é ótima em festas, esqueça essa ideia de baile e faça algo diferente fora do colégio.

Priscilla arregalou as pupilas e sentiu um estalo em sua cabeça, como se todos os seus neurônios fossem iluminados pela ideia brilhante de Brisa. A garota levantou da cadeira dando um grande sorriso de empolgação.

— Brisa Lyndom Lin você é brilhante! – comemorou eufórica. — Podemos agitar aquele lugarzinho esquecido com um grande evento, cobrar pelos ingressos e como é um evento fora da escola podemos comercializar bebida e lucrar bastante! Minha cabeça está fervilhando de ideias!

— Fico feliz de ter ajudado. – Brisa sorriu simpática.

— Você me salvou! – Priscilla pegou seu celular e bolsa. — Vou entrar em contato com os donos do lugar e procurar por atrações, Bri você é sensacional.

— Obrigada. – manteve o sorriso olhando Priscilla distanciar totalmente empolgava enquanto digitava várias mensagens.

Brisa deu uma risadinha seca voltando a sua leitura, afinal tinha que reunir o máximo de informações possível até o entardecer.

 

Jardim de Treinamento do Exército Real – Meridian.

Metamundo.

A lâmina afiada da longa espada fatiou o boneco de madeira ao meio.

Os pedaços do carvalho caíram ambos de cada lado, assim como as gotículas de suor escorreram pelo peitoral marcado e desnudo de Drogon que arfava reagindo ao seu duro treinamento de ataque. O capitão trajava apenas uma calça de couro escuro com algumas amarrações em tiras dos lados, deixando suas pernas amostra, devido ao fato de ser um draconato tinha pernas diferentes com escamas mais grossas e negras abaixo dos joelhos e três longas garras, pernas semelhantes aos tiranossauros fortes o bastante para sustentarem o grande porte desses repteis evoluídos.

O suor escorria livremente por seu rosto passeando por cada um dos oito gominhos de seu peitoral forte, seus longos cabelos vermelhos estavam presos em um coque acima de seus chifres. Segurava sua espada de aço negro fundido a ferro e cobre, empunhando-a como um grande cavaleiro, a lamina afiada tinha um metro de altura com um cabo solido de pinheiro-negro sustentava toda armação.

Drogon encarou o outro boneco de treino controlando sua respiração aos poucos, quando estava irritado ou triste gastava todas as suas energias em treinamentos pesados. Estava a sofrendo a pressão de ser o capitão do exército real e um draconato, logo quando cruzou os limites da capital Meridian foi bombardeado de diversos julgamentos e olhares nocivos referente ao papel traiçoeiro dos draconatos na história do Metamundo. Ele sofria com o julgamento da corte real e dos meridianos, treinou sua vida toda para destruir essa barreira e restaurar a honra de seu povo, mostrando que os atos do passado não definem a nova geração de draconatos.

Moveu a espada horizontalmente atingindo a cabeça do boneco, decepando-o em poucos segundos, observou a cabeça rolar no chão de pedra.

— Um golpe brutal em um boneco de madeira. – a voz madura e firme surgiu das costas de um pilar.

Drogon virou rapidamente observando um meridiano aproximar, reconhecia aquele rosto das lendas que ouviu sobre a Rebelião contra a Era das Trevas de Phobos. Suas pupilas dilataram prestando atenção nos passos do meridiano.

O homem tinha pele verde e olhos cinza com poucas escamas espalhadas ao longo de seu rosto, vestia uma camisa de tecido fino e azulado com um colete de couro preto amarrado em suas costas, a calça era do mesmo material do colete e guardava na bainha um par de espadas de prata - uma em cada lado da cintura.

— Mestre Paladino Aldarn. – Drogon saldou a presença do cavaleiro honrado apoiando sua espada nas pedras. — Não vi que estava observando meu treinamento.

Aldarn é um meridiano de pele verde, diferente de Vathek que tem a pele azul, foi um grande aliado na Rebelião contra Phobos sendo o segundo no comando, era o melhor amigo de Caleb e uniu forças com as antigas guardiãs do véu para combater a ambição de Nerissa e Phobos. Após as árduas batalhas foi nomeado Mestre Paladino devido a sua alta maestria no uso de espadas. É considerado um dos guerreiros mais nobres e experientes de Meridian sendo responsável pelo treinamento dos cavaleiros pertencentes ao exército real.

— O balançar da espada de um guerreiro diz muito sobre ele capitão Drogon. – Aldarn pegou a cabeça do boneco posicionando-a no devido lugar. — É notório que seu treinamento não é somente para ampliar suas habilidades em combate, pensamentos lhe incomodam.

— Não tomarei seu tempo com isso paladino Aldarn. – Drogon embainhou sua espada caminhando até uma rocha que guardava sua camisa e uma toalha na qual secou o suor do rosto. — Às vezes uso minha espada para relaxar, espero que não me julgue.

— Jamais faria isso capitão. – Aldarn cruzou suas mãos nas costas. — Lamento por não ter comparecido ao seu jantar de nomeação, tive compromissos familiares e não fico muito confortável com esses eventos da realeza.

— Não se preocupe, não perdeu nada... – revirou os olhos lembrando do conflito com Vathek e Cedric. — Foi até bom não ter comparecido, aquele jantar não foi um dos melhores.

— Ouvi rumores que sua presença em Meridian causou grande reboliço, os meridianos não estão acostumados com um draconato andando entre eles, ainda mais ocupando um título de liderança.

— Percebi isso no momento que entrei na cidade, estou pensando se é mesmo uma boa ideia ser o capitão do exército real... existem pessoas influentes que não ficaram tão confortáveis com essa novidade. – lamuriou pegando uma garrafa barro ao lado da rocha despejando a água em sua boca.

— O senhor venceu a competição justamente, o lugar é seu por mérito. – Aldarn deu alguns passos à frente encarando o draconato. — Escute um conselho de alguém com experiência capitão, se a causa for por algo honrado e justo, nunca desista da batalha.

A pupila de Drogon dilatou, o hibrido não esperava tal conselho vindo de alguém tão importante em Meridian, achou que seria julgado novamente pelo passado de seu povo, porém Aldarn tinha sido a pessoa mais gentil que encontrou desde que chegou a capital, talvez nem todos os meridianos fossem agressivos, julgadores e preconceituosos.

Aldarn andou na direção do Palácio deixando o draconato para trás.

— Da próxima vez espero que me convide para acompanha-lo, afinal eu sou o responsável pelo treinamento dos nossos soldados.

 Aldarn deu uma risadinha baixa enquanto Drogon respondeu com um sorriso sorrateiro reagindo a provocação, o capitão pegou a espada e lançou um olhar rápido na direção do Palácio notou que na vidraçaria de uma das torres existia a sombra de um homem lhe observando.

Lorde Cedric encarou o jardim com desprezo saindo da janela encerrando sua análise.

 

Gruta da Concha – Heatherfield.

Terra.

O entardecer tomava conta de Heatherfield com uma paisagem alaranjada.

Brisa corria pela areia da praia da concha rapidamente levando o livro consigo, começou a escalar os grandes pedregulhos no lado leste da baia chegando a famosa Gruta da Concha, ofegou um pouco devido a correria. O lugar ainda estava iluminado por causa do céu alaranjado, quando a garota entrou deparou-se com os quatro jovens esperando por sua chegada.

— Desculpe o atraso fiquei presa na leitura tentando absorver o máximo de informações. – disse unindo ao grupo.

— Não tem problema, acabamos de chegar. – Unio deu um leve sorriso, estava ao lado de Cornelios.

Igor que estava encostado com um dos pés na parede da Gruta levantou aproximando dos amigos, Theo olhou de canto para o amigo ainda tinha algumas escoriações no corpo e hematomas na pele, mas prestaria sua ajuda aos amigos, cumpriria com seu papel de guardião.

— Para onde vamos? Você ainda não disse nada Unio. – o guardião da água parecia impaciente.

— Estive conversando com a Brisa e a primeira informação concreta que encontramos sobre Balor estava em uma lenda escrita por boreanos, pensei nesse como nosso ponto de ignição. – disse o líder.

— O que são boreanos? – questionou Theo.

— São os nativos de Nune-Boreal, chamada de dimensão verde, também é um dos reinos pertencentes as setes Dimensões Finitas. – comentou Brisa rapidamente recebendo olhares impressionados. — Que foi? Como acham que eu mantenho minhas notas? Aprendo rápido, tá!

— Beleza, então vamos para Nune-Boreal. Temos que ter bastante cuidado, ainda não conhecemos essa dimensão, não sabemos se pode ser hostil. – Theo parecia cauteloso, e com razão devido aos seus ferimentos.

— Teremos cuidado. – Unio esticou a mão para frente fazendo seu anel cintilar. — Estão prontos?

O grupo de guardiões assentiu com a cabeça apreensivos, o coração de Kandrakar preso ao anel brilhou liberando raios azulados por todas as direções. O show de luzes reuniu em um ponto da gruta formando um grande círculo brilhante, um portal.

Os fios loiros de Cornelios balançavam devido as lufadas fortes que emergiam do portal, o loiro foi o primeiro a atravessar, sendo seguido por Igor e Theo, logo foi a vez de Unio que entrou dando um suspiro abafado e, por fim, Brisa que estava admirada com aquele grande disco luminoso.

O portal mágico cintilou uma última vez e desapareceu.


Notas Finais




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