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História Witch's Mark - Capítulo 20


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Notas do Autor


Happy Valentine's day, my loves! And It's Lupercalia too!

Peço apenas que se atentem aos anos em que cada trecho se passa. São muitas idas e vindas. Não quero deixá-los confusos.

Só mais uma observação, eu percebi que rolou uma confusãozinha por conta das caixas que o Faustus entregou para a Zelda. São caixas diferentes, ok?

Isso acertado, aproveitem o capítulo!

Capítulo 20 - Spellman-Blackwood


Fanfic / Fanfiction Witch's Mark - Capítulo 20 - Spellman-Blackwood

Greendale, 1967

 

– Este casamento será a reconstrução da família Spellman.

 

Eu, Hilda, Sabrina e Ambrose montávamos as lembranças do meu casamento na sala de botânica. Eu não podia negar que estava ansiosa e animada. Os Spellman voltariam à sua glória e eu conseguia imaginar perfeitamente a minha ascensão ao poder com Faustus ao meu lado.           

 

– O Antipapa, o próprio Papa Profano, está vindo de Roma, da Necrópole Vaticana, para me casar com Faustus – murmurei sem conseguir controlar a euforia. – Que honra o Senhor das Trevas nos concedeu. Daqui a dois dias, serei para sempre a Sra. Zelda Spellman-Blackwood.

 

Aquele casamento pomposo quase fazia valer a pena não ter casado com Faustus tantos anos antes.

 

– Queria estar lá, para te ver a caminho do altar – Hilda murmurou desanimada enquanto me passava um frasco com conteúdo azul, cujo rotulo dizia “Poção do Amor”.

 

– Pare de choramingar, Hilda – pedi. – Já te disse, falarei com Faustus sobre retirar a sua excomunhão. Afinal você tem seus deveres como minha dama de desonra. Caso contrário, sobrariam para Sabrina, que anda muito quieta nesses últimos dias.

 

Quando Sabrina se silenciava, algo estava por vir.

 

– Se não posso dizer nada de bom... – sussurrou e eu lhe lancei um olhar questionador. – Deixando de lado o fato de que não ama o padre Blackwood...

 

– Amor? – eu a interrompi. – Tem 16 anos, o que sabe sobre o amor?

 

Desviei meu olhar do seu para o frasco em minhas mãos.

 

– Mas tampouco confia nele...

 

Perdi a paciência. Sabrina herdara de Edward o repúdio pelo meu relacionamento com Faustus, não era possível.

 

– Sabrina, em menos de 48 horas, serei a esposa do Sumo Sacerdote, você aprovando ou não.

 

Salem ronronou e Ambrose atirou uma das caixas de lembranças nele, fazendo o familiar fugir.

 

– É melhor correr, bastardinho.

 

– Ambrose! – Hilda chamou sua atenção.

 

– Deixe Salem em paz. Quantas vezes...

 

– Eu vou – Ambrose interrompeu Sabrina. – Assim que ele regurgitar Leviatã.

 

– Salem não comeu seu familiar, Ambrose!

 

Eu apenas observava a discussão dos dois. Por Satã, nós tínhamos trabalho a fazer... Que perda de tempo.

 

– Então, onde ele está?

 

– Nas paredes com os outros ratos – Hilda se intrometeu. – Olhe. Você não acha que está triste por causa do Luke? É normal sofrer por aqueles que perdemos.

 

Ambrose se recostou na cadeira e desviou o olhar para o chão, devastado.

 

– Não consegui dizer adeus a ele, tia – sussurrou. – E agora, é como se Luke simplesmente tivesse deixado de existir.

 

– Chega de falar de morte! – exigi irritada com aquele assunto. – Eu vou me casar. Só sorrisos essa semana.

 

***

 

Greendale, 1871

 

Zelda Spellman

 

– Não entendo seus motivos para pensar nos mortais agora, Edward.

 

Já haviam se passado anos desde a sua nomeação como Sumo Sacerdote e meu irmão estava se saindo muito bem. Como era de se imaginar. Era um feiticeiro sábio e justo. Acabara com as tradições bárbaras do Coven, como o ritual dos rituais e seu banquete sanguinário, e os trotes da Academia. Mas agora começava a espalhar ideias sobre como nós, feiticeiros, deveríamos nos integrar aos mortais. Sua prerrogativa era de que compartilhávamos um único lar e deveríamos agir como uma grande família em harmonia.

 

Estávamos debatendo suas ideias em sua sala, na diretoria da Academia. Ele me convidara para lecionar línguas antigas e escritura sagrada e ser responsável pelo Coral Satânico. Mas quando tinha tempo livre, eu o auxiliava em suas tarefas como Sumo Sacerdote.

 

– Eles têm importância no nosso ecossistema. Nossos números estão caindo, Zelda – ele rebateu. – Se nos unirmos a eles, o número de feiticeiros irá aumentar.

 

Balancei a cabeça negativamente.

 

– Se nos unirmos a mortais, pelo amor de Satã, quem garantirá que serão feiticeiros? Serão mestiços. Podem não nascer com poderes – ponderei. – Sem contar que não podemos revelar nossa natureza a eles... Irão nos caçar, como fizeram tantos anos antes.

 

– Zelda, nem todos os mortais são assim!

 

Franzi o cenho.

 

– Por acaso você tem interagido com mortais, Edward? – inquiri. – Quer ser excomungado do nosso Coven?

 

Ele revirou os olhos.

 

– Acalme-se.

 

Uma batida na porta antecipou a entrada de um feiticeiro.

 

– Com licença, Vossa Excelência – o garoto pediu com uma leve reverência. – Seu convidado acabou de chegar.

 

– Obrigado. Já irei recebê-lo – Edward murmurou e o garoto se retirou. – Zelda, precisarei que se retire. É um assunto particular.

 

Suspirei e concordei com um meneio de cabeça antes de deixar sua sala.

 

Cruzei um dos corredores ainda atônita com as ideias de Edward. Eram polêmicas demais. Passei a mão no rosto em desespero ao pensar nele convivendo com os mortais. Tinha algo que ele estava me escondendo...

 

Senti algo se chocar contra a minha perna e olhei para baixo. Uma garotinha negra de grandes olhos ônix me encarava, abraçada a minha perna. Ela se afastou para me fazer uma reverência e eu passei a mão no topo da sua cabeça.

 

– Como vai, irmã Spellman? – a garota murmurou com um sorriso.

 

– Muito bem e você, Prudence?

 

– Bem também! – replicou. – Estava brincando com as minhas irmãs, mas a vi passar e quis dizer oi.

 

Abri um sorriso para ela. Era uma criança muito amável. Sentia pena dela por ter perdido os pais, mas pelo menos recebia tudo do melhor que podíamos oferecer na Academia.   

 

– Está precisando de alguma coisa? – questionei me ajoelhando a sua frente, para ficar na altura dos seus olhos. Ela negou com a cabeça. – Então vá brincar, querida.

 

Ela me abraçou rapidamente e se afastou, sumindo ao virar o corredor.

 

Faustus Blackwood

 

Passara anos sem pisar naquele lugar. O ar me causava uma grande nostalgia. Sentia falta da Academia de Artes Ocultas. Mas sabia que faltava pouco para reavê-la.

 

Um feiticeiro me escoltava pelos corredores. Provavelmente seguia ordens de Edward para não permitir que eu me desviasse do meu caminho.

 

Ouvi algumas risadas infantis, mas não tive tempo de associar, logo senti o impacto de uma criança contra as minhas pernas.

 

A garotinha ergueu os olhos para mim e eu engoli em seco. Ela apenas sorriu.

 

– Sinto muito, senhor.

 

Sem mais, ela desviou de mim e continuou a percorrer o corredor. Soltei um suspiro. Prudence crescia mais a cada dia e eu não podia acompanhar seu desenvolvimento. Apenas Edward sabia que a garota era minha filha bastarda e me atualizava, de tempos em tempos, de suas condições. Sabia que apesar das nossas diferenças, ele jamais descontaria na menina.

 

O feiticeiro que me acompanhava me guiou até a sala do diretor e abriu a porta para que eu entrasse. Edward estava sentado em sua cadeira, olhando fixamente para mim.

 

– Sente-se, Faustus.

 

Obedeci a sua ordem e ocupei uma cadeira vazia à sua frente.

 

– Conte-me exatamente o que houve – ele exigiu.

 

– Seu sobrinho, Ambrose Spellman, se envolveu em um esquema para explodir o Vaticano – expliquei. – Ele foi o único pego e se recusa a revelar o nome de seus parceiros. Por ser seu sobrinho, o Conselho determinou que se ele ficar em prisão domiciliar sob a sua tutela, não será executado.

 

Edward passou as mãos pelo cabelo e soltou um suspiro.

 

– O que deu nesse garoto? – sussurrou. – Bem, diga ao Conselho para enviar Ambrose para a minha casa. Eu me responsabilizarei por ele.

 

Assenti e me ergui da cadeira.

 

– Bem, então já estou indo – murmurei.

 

Antes que pudesse lhe dar as costas, sua voz tornou a reverberar pela sala.

 

– Prudence está se saindo muito bem, Faustus.

 

Assenti com um meneio de cabeça.

 

– Eu tive o prazer de vê-la no corredor. Cresceu tanto... – murmurei tentando evitar que o orgulho transparecesse no meu tom de voz. – Logo poderá assinar seu nome no Livro da Besta.

 

Edward concordou e me lançou um olhar ferino.

 

– Sabe, Faustus... Olho para a menina e percebo o quanto eu estava certo em te separar de Zelda – comentou e eu fechei as mãos em punhos. – Era isso que faria com a minha irmã? A trairia com qualquer mulher que cruzasse o seu caminho?

 

– Você sabe as condições do meu casamento, Edward – brandi irritado. – Não envolva sua irmã nisso.

 

Com ela, tudo seria diferente. Eu sabia bem disso. Coloquei a mão no bolso e agarrei a pequena caixa que carregava para todos os lados.

 

– Pois bem, então se retire e volte imediatamente para a necrópole do Vaticano.

 

Revirei os olhos e deixei a sala para trás. Edward não perdia por esperar.

 

***

 

Greendale, 1967

 

Zelda Spellman

 

– Aí ele me disse que o padre Blackwood foi o responsável pelo assassinato dele e da minha mãe.

 

Sabrina exigira uma reunião familiar após ter, segundo ela, encontrado o pai na Sala de Dorian Gray.

 

– Edward te disse isso? – questionei cética. – Meu irmão, que está morto há 16 anos.

 

– O fantasma dele – insistiu.

 

– Espíritos adoram um casamento de bruxas – Hilda murmurou. – Há muitas assombrações quando alguém se casa.

 

– Houve um inquérito independente conduzido pelo Conselho quando seus pais morreram – contei ignorando minha irmã. – Eles concluíram que o acidente foi resultado da falha mecânica do motor. Nada mais que isso. Foi um acidente horrível e trágico. Seu fantasma está mal informado.

 

– Não está preocupada com o que o fantasma do meu pai disse?

 

– Não até ouvir isso diretamente dele. Peça a Edward que fale comigo, se ele aparecer para você de novo, sim? – pedi sarcasticamente. – E fique à vontade para convidá-lo para o casamento.

 

Soltei um pequeno riso zombeteiro e Sabrina saiu marchando da cozinha.

 

Não negaria que sentiria satisfação ao ver a cara de Edward no meu casamento com Faustus. Ele conseguiu impedi-lo uma vez, não o faria novamente. Nem por cima do meu cadáver.

 

***

 

Greendale, 1948

 

Edward requisitara que nos reuníssemos na sala de estar e andava de um lado para o outro, com as mãos atadas nas costas. Hilda, eu e Ambrose apenas o acompanhávamos com o olhar. Ele parou abruptamente pouco depois e respirou fundo, antes de se virar para nós.

 

– A questão é... Eu conheci alguém – disse por fim.

 

Ele estava tão nervoso por isso? Eu conhecia alguém uma vez por semana e não fazia alardes por isso.

 

Revirei os olhos.

 

– Quem, querido? – Hilda indagou alegremente.

 

– Isso não importa... – desconversou levando uma das mãos à nuca.

 

– Claro que importa! – foi a minha vez de dizer.

 

Já conseguia imaginar os motivos de Edward para tamanho nervosismo e resistência em nos dizer quem era a mulher em questão. E se eu estivesse certa, teríamos um problema gigantesco.

 

– O nome dela é Diana Sawyer – disse por fim.

 

– Diana – repeti. – Ela não faz parte do nosso Coven, então?

 

– Não. Realmente não – ele sussurrou respirando fundo. – Ela é mortal.

 

Ergui-me do sofá e dei as costas a ele para pensar. Lá estava a situação que eu imaginara. Uma mortal! Por Satã no inferno...

 

– Uma mortal? O Conselho não permitirá isso, Edward! – apontei quando tornei a olhá-lo. – Feiticeiros se relacionando com mortais?! É expressamente proibido!

 

Hilda apenas olhava para nós. Parecia surpresa com a revelação de Edward, ao mesmo tempo que não parecia entender a gravidade daquilo.

 

– Eu já falei com o Conselho e embora seja um pouco ortodoxo, eles estão dispostos a fazer uma exceção.

 

Era o fim dos tempos.

 

***

 

Todo o Coven estava reunido na Igreja da Noite. Edward estava prostrado de frente para o Conselho, que se mantinha sentado em uma meia lua. Não havia um mínimo de hesitação em seus traços, estava determinado a conseguir a permissão do Antipapa para se casar com Diana.

 

Na minha opinião, Edward perdera todo o juízo que lhe restava.

 

– Quebrando o protocolo, você convocou esse encontro com o Conselho das Bruxas – o Antipapa Enoque anunciou. – A palavra é sua, Edward Spellman.

 

– Obrigado, Vossa Excelência – meu irmão murmurou com imponência. – Alguns de vocês sabem porque eu requisitei essa audiência. Estou aqui, apelando a todos vocês, porque desejo me casar com uma mortal.

 

O espanto tomou o rosto das bruxas e dos feiticeiros do Coven que assistiam à reunião. Não podia culpá-los.

 

– Existem leis contra essa miscigenação, Edward. A bíblia satânica é clara nessa questão; “Se um feiticeiro deitar com um mortal, como ele deita com uma bruxa, os dois cometerão uma abominação. Eles certamente serão mortos, seu sangue estará sobre eles” – o Antipapa proferiu contrariado ao pedido do feiticeiro. – E, por que, em nome de Asmodeus, nós deveríamos garantir a você essa dispensa, Spellman?

 

Edward parecia confiante e um sorriso vitorioso não deixava seus lábios.

 

– Porque é o desejo do Senhor das Trevas, Vossa Excelência. Ele apareceu para mim e revelou que era para ser assim... – anunciou causando um espanto maior. – Gostaria que eu O conjurasse agora, nessa sala, para que Ele lhe diga isso ele mesmo?

 

Meu irmão ergueu os braços e uma nuvem negra e vermelha começou a se formar sobre sua cabeça. Ele realmente estava conjurando nosso senhor. Se ele o fizesse, a probabilidade de todos sermos mortos era grande.

 

– Não! Isso não será necessário – o Antipapa se apressou em dizer e ao ver que Edward não pararia seu feitiço, prosseguiu. – A dispensa é aprovada e validada. Boa sorte para você, Spellman.

 

Edward enfim reverteu seu feitiço e sorriu satisfeito. Conseguira a permissão para casar com Diana.

 

***

 

Greendale, 1950

 

Hilda servia uma xícara de chá para Diana enquanto eu ignorava sua existência. Não nos dávamos bem e isso não era segredo para ninguém. Traguei meu cigarro, focada no jornal.

 

– Zelda, fume para o outro lado – Hilda me repreendeu e eu revirei os olhos. – Fará mal para o bebê.

 

Suas mãos acariciaram a barriga avantajada de Diana que apenas sorriu para a minha irmã. Apaguei meu cigarro no cinzeiro e deixei o jornal sobre a mesa, erguendo-me. Se não estivéssemos falando do meu sobrinho ou sobrinha, eu jamais desperdiçaria meu cigarro.

 

– Ótimo – murmurei contrariada. – Tenho que ir para a Academia de qualquer forma...

 

– Quanta pressa, Zelda... Deixaria seu irmão para trás?

 

Edward adentrou a cozinha com um sorriso. Soltei todo o ar dos pulmões e revirei os olhos.

 

– Tenho aulas para ministrar. Se demorasse mais um pouco, eu o largaria.

 

Ele cumprimentou Diana com um beijo rápido, passando as mãos por sua barriga. A loira abriu um sorriso doce que ele correspondeu.

 

Desviei o olhar. Era intimidade demais e me incomodava ver suas demonstrações de afeto de forma tão aberta. Bufei ao lembrar que já tivera momentos assim com Faustus.

 

“Esqueça isso”. Minha mente me dizia e eu decidi obedecê-la.

 

Hilda, por sua vez, olhava para os dois com carinho. Seu romantismo incorrigível adorava admirar meu irmão com aquela mortal.

 

Edward caminhou até Hilda e lhe deu um beijo no rosto, roubando um muffin da bancada. Sem demora, ele me alcançou e me abraçou.

 

– Pare de ser ranzinza, Zelda – pediu com carinho. – Onde está Ambrose?

 

– Presente, tio!

 

O garoto entrou na cozinha carregando um pequeno pote com cereais nas mãos. Ele se jogou na cadeira que eu ocupara momentos antes.

 

Um irmão que quase fora excomungado e estava para se casar com uma mortal, um sobrinho criminoso e uma irmã alienada... O que estava acontecendo com os Spellman?

 

– Ambrose, entregarão um corpo hoje. Pode cuidar dele para mim, por favor? – pediu.

 

– Claro, sem problemas.

 

– Perfeito – Edward murmurou com um meneio de cabeça. – Vamos, Zelda? Preciso revisar alguns documentos para enviar para o Conselho.

 

Concordei e quando estávamos saindo da cozinha, ouvimos um tilintar baixo. Hilda se abaixou para pegar o que caíra no chão e se reergueu com uma colher de chá nas mãos.

 

– Se uma colher cair, um bebê vem aí! – ela comemorou feliz.

 

– Será? – Diana indagou acariciando a própria barriga.

 

– É o ditado, querida.

 

– Ora, poupe-nos das suas superstições, Hilda! – rebati irritada.

 

Revirei os olhos, ignorando as duas, e saí da cozinha. Edward me seguiu para nos retirarmos da casa. Ele segurou no meu braço e nos teletransportamos para a sua sala na Academia. Soltei-me dele e caminhei para a porta, minhas aulas estavam para começar. Entretanto, voz de meu irmão me fez parar e lhe dar atenção.

 

– Zelda, você precisa parar de destratar Diana – ele me repreendeu.

 

Soltei um pequeno riso incrédulo.

 

– Não estou destratando ninguém – rebati na defensiva. – Só ignoro a sua existência.

 

Ele revirou os olhos e cruzou os braços sobre o peito.

 

– Lembre-se que nossa união é um desejo do nosso Senhor das Trevas.

 

– O Senhor das Trevas tem desejos estranhos, às vezes – sussurrei.

 

Edward ergueu uma sobrancelha para mim.

 

– Está contrariando as vontades do nosso senhor? – questionou.

 

– De forma alguma. Só não consigo entendê-las.

 

Ele suspirou.

 

– Ninguém consegue, Zelda – replicou. – Só cabe a nós obedecer e esperar que seja por um bem maior.

 

Um bem maior?

 

– Que seja! Só não se esqueça que tudo tem um preço, Edward.

 

Sem mais, eu deixei a sala.

 

***

 

– Só mais um pouco, querida! – Hilda murmurou.

 

Diana se contorcia no meio da floresta, tentando trazer ao mundo nosso sobrinho. Edward se mantinha longe, apenas observando a mulher em trabalho de parto. Diana segurava a minha mão e a apertava, enquanto gritava.

 

– Ai vem ela!

 

Segundos depois, Hilda ergueu a criança e a enrolou em uma manta.

 

– É uma linda garotinha! – comemorou entregando-a a Diana.

 

A loira olhou para o pequeno ser em seus braços e eu me permiti olhar para a minha sobrinha. Poucos cabelos nasciam em sua cabeça e ela estava inchada. Mas eu já a achava adorável.

 

– Olá, Sabrina – ela sussurrou.

 

Para a minha surpresa, Edward se aproximou e tomou a garotinha de seus braços. Ele se afastou de nós, indo em direção à floresta. Franzi o cenho e o persegui com o olhar. Suspendi a respiração ao vê-lo mostrar a filha ao Senhor das Trevas.

 

Ele pareceu aprovar a criança.

 

Mas que diabos?

 

***

 

– Zelda, preciso da sua ajuda.

 

Revirei os olhos. Estávamos no final de um longo dia na Academia, logo iriamos para casa. O que Edward poderia querer?

 

– Diga.

 

Edward suspirou e coçou os olhos.

 

– O Senhor das Trevas quer que eu assine o Livro da Besta, prometendo a alma de Sabrina a ele.

 

– O quê? – questionei com incredulidade. – Ela é um bebê, Edward! Um bebê!

 

Ele soltou todo o ar dos pulmões.

 

– Eu sei, Zelda. Mas esse é o preço que ele exigiu – murmurou tentando se manter calmo. – Além do mais, aos dezesseis anos, ela terá que assinar o livro de qualquer forma...

 

Passei as mãos pelos cabelos, pensando sobre o que ele dizia. Entregar a alma da filha por uma mortal? Por Satã, Edward perdera toda e qualquer sanidade.

 

– Digamos que eu concorde com isso. O que você quer que eu faça?

 

– Quero que seja minha testemunha – disse por fim.

 

– Edward...

 

– Por favor, Zelda. Estou pedindo isso como seu irmão, não como Sumo Sacerdote.

 

Passei a mão pelo rosto e respirei fundo.

 

– Diana sabe sobre isso? – indaguei.

 

Ele negou com um meneio de cabeça.

 

– Ela jamais aceitaria... Mas preciso fazer isso, Zelda.

 

O fato de não gostar de Diana não afetava o meu julgamento. Acreditava que ambos deveriam fazer as escolhas acerca da vida da filha juntos, mas Edward parecia desesperado demais para refletir sobre o que estava tirando da mulher.

 

Entretanto, considerando que Sabrina assinaria o livro anos depois, talvez não fosse um pedido tão grave.

 

– Tudo bem.

 

Ele atravessou sua sala e me abraçou com força.

 

– Obrigado.

 

Soltei-me dos seus braços.

 

– O preço pelos seus caprichos está saindo muito alto, Edward.

 

***

 

Chegamos à clareira na hora da bruxa. Edward carregava Sabrina embalada nos braços, enquanto eu o acompanhava. Ele se aproximou do altar de pedra no centro do campo e abriu o Livro da Besta, que jazia ali, em uma página marcada.

 

Ele segurou a pequena mão de Sabrina e sacou uma adaga cerimonial do próprio bolso.

 

– Ofereço ao Senhor das Trevas, como prova da minha eterna lealdade, a alma de minha única filha, Sabrina Spellman – anunciou para a escuridão da floresta.

 

Em seguida, fez um pequeno corte na palma da mão da filha. O choro de Sabrina ecoou pela clareira e deveria reverberar por toda a floresta de Greendale. Ouvir seu pranto desesperado quase me fez pedir que Edward parasse. Mas ele parecia em um conflito interno maior que o meu.

 

Duas gotas do sangue escarlate caíram na página do livro e Edward soltou sua mão para pegar a pena de ossos. Puxei a menina para mim, tentando conter seu choro. Usei um feitiço rápido de cura para amenizar sua dor e ela se acalmou. Edward assinou o nome de Sabrina no livro e o fechou.

 

– Está feito.

 

***

 

Greendale, 1967

 

Deixei o escritório de Faustus, irritada. Além de ter meu casamento arruinado, ainda tive que barganhar com ele o destino de Sabrina, Nicholas e Ambrose. Eu não podia ter um dia de gloria em paz?

 

Hilda e Sabrina se ergueram do sofá no corredor ao me verem.

 

– Parabéns. Você arruinou o dia do meu casamento, Sabrina.

 

– Tia Zelda...

 

– Um dia de grandeza para a família Spellman, que agora, ao invés disso, cai na infâmia – esbravejei interrompendo-a.

 

– Onde está Ambrose, tia Zee?

 

– Seu primo foi jogado na Cela das Bruxas por seus crimes de traição.

 

– Não! – Sabrina rebateu inconformada.

 

Hilda se adiantou, agindo sabiamente.

 

– E Sabrina? – indagou séria.

 

Deixei meus olhos caírem sobre a minha irmã.

 

– Ela e Nicholas foram expulsos da Academia de Artes Ocultas – declarei. – E mereceram. Foi tudo o que pude fazer para convencer Faustus a não te trancar na masmorra.

 

Os olhos de Sabrina brilharam com deleite.

 

– Bom, pelo menos impedi seu casamento.

 

Um riso sarcástico escapou pela minha boca. Sabrina estava se mostrando cada dia mais parecida com Edward... Tentando impedir o inevitável.

 

– Impediu? – rebati com ironia. – Sabrina, Faustus e eu nos casamos em seu escritório.

 

***

 

Greendale, 1951

 

Edward estava focado em seu manifesto. Pretendia revolucionar todo o sistema legislativo feiticeiro. Suas teorias eram modernas e polêmicas. Não seria fácil implementá-las, mas seria um grande passo para o nosso povo. Ao menos, era o que ele dizia.

 

Seu manifesto era composto por cinco leis básicas:

Primeiro; os mortais são crias de Deus na terra, então Bruxas são crias do Inferno. Compartilham uma casa e um destino em comum.

Segundo; o povo feiticeiro não só pode se deitar e amar, mas viver entre os mortais. É a sua prerrogativa sagrada.

Terceiro; como Lilith era mãe dos demônios, todas as bruxas devem ser reverenciadas como matriarcas da Igreja da Noite.

Quarto; magia é o presente do Senhor das Trevas às bruxas. Pode e deve ser usada por prazer, por ganho e para saciar os sentidos.

Quinto; só a verdadeira união dos mortais e seus amados irmãos feiticeiros trará a “Era da Estrela da Manhã”.

 

Terminei de ler seu manifesto e ergui meus olhos para Edward. Ele me encarava com expectativa. Chamara-me em sua sala com urgência e queria minha opinião sobre o documento. Logo iria para o Vaticano compartilhar suas ideias com Antipapa na esperança de reformar os dogmas da Igreja e queria ter certeza de que seu trabalho estava perfeito.

 

– O que achou?

 

Eu sorri para ele.

 

– Está impecável, Edward – murmurei revendo as páginas.

 

Ele soltou um suspiro aliviado. Estendi a mão com o documento para ele que o pegou e o guardou em uma pasta de couro.

 

– Passarei em casa para buscar Diana e então embarcaremos para o Vaticano – avisou arrebatando seu casaco no mancebo. – Posso contar com você e com Hilda para cuidar de Sabrina, não é?

 

Lancei a ele um olhar carinhoso e sorri.

 

– Sempre, Edward.

 

Ele se aproximou e me abraçou com força.

 

– Obrigado por tudo, Zelda.

 

Assim que me soltou, pegou sua maleta e a pasta de couro e desapareceu diante dos meus olhos. Soltei um suspiro e saí da sala para voltar para as minhas aulas.

 

***

 

A noite chegara rapidamente. Relâmpagos iluminavam a casa através dos vitrais e janelas. Os trovões soavam tão alto que Sabrina berrava assustada. Hilda estava na cozinha preparando um chá calmante para que a criança conseguisse sossegar. Ambrose sumira na casa e provavelmente estava trancado em seu quarto. E eu, balançava Sabrina em seu berço, tentando distraí-la com uma brincadeira infantil, na sala.

 

– Peek a boo! – eu dizia e me escondia por alguns segundos antes de reaparecer. – I see you!

 

Mas sempre quando ela estava se acalmando, outro trovão reverberava e ela voltava a chorar. Era de se estranhar. Sabrina sempre fora uma criança tranquila.

 

A campainha soou, ecoando pela casa. Franzi o cenho. Quem, em nome de Satã, viria até a funerária em meio a uma tempestade?

 

Peguei Sabrina no colo, tentando acalmá-la, enquanto caminhava até a porta. Assim que girei a maçaneta e abri espaço para ver o nosso convidado, senti meu corpo congelar. Faustus Blackwood estava parado na soleira da porta, completamente encharcado. Alguns cabelos negros caiam sobre sua testa, sua respiração estava irregular e seu semblante sério.

 

– Srta. Spellman, eu preciso falar com você e com a sua família urgentemente – anunciou.

 

Franzi o cenho sem conseguir associar o que estava acontecendo.

 

– O que houve?

 

Seus olhos azuis se fixaram nos meus e ele engoliu em seco.

 

– O avião em que Edward estava, caiu – sussurrou. – Ele está morto, Zelda.

 

***

 

Hilda soluçava em desespero ao descobrir o destino de Edward e era consolada por Ambrose que derramava algumas lágrimas. Eu me mantinha forte e lutava contra a vontade de chorar, apesar de estar destruída por dentro. Até mesmo Sabrina, que berrava, agora estava quieta e contemplativa.

 

A sala de estar nunca pareceu tão pequena e eu sentia que seria sufocada a qualquer momento.

 

– O Conselho conduzirá um inquérito para averiguar a causa do acidente, mas ainda estão à procura dos corpos – Faustus murmurou. – Eu sinto muito.

 

Ele se ergueu do sofá e eu o acompanhei automaticamente. Por mais incômoda que sua presença fosse após tudo o que ocorrera, algo dentro de mim queria que ele ficasse e ajudasse a curar a maldita ferida que sangrava dentro de mim.

 

– Darei privacidade a vocês – anunciou.

 

Acompanhei-o até a porta e ele me olhou com aqueles olhos azuis penetrantes.

 

– Estarei em Greendale até decidirem quem assumirá as funções de Edward – sussurrou. – Se precisar de mim, não hesite em me procurar, Zelda.

 

Assenti com um meneio de cabeça.

 

– Obrigada, Faustus.

 

Sem demora, ele partiu.

 

Ao invés de voltar para a sala, eu me encaminhei para a cozinha. Coloquei água para ferver no fogo e separei algumas ervas calmantes do herbário. Preparei as xícaras de chá e adicionei duas gotas de sonífero em cada uma.

 

Levei-as até a sala e forcei Hilda e Ambrose a tomarem seus conteúdos. Vê-los chorando devastados, me dava vontade de acompanhá-los em sua sinfonia dolorosa. Mas eu precisava ser forte por eles. Alguém tinha que juntar os pedaços agora que Edward não estava mais ali.

 

Poucos minutos foram necessários para o sonífero fazer efeito. Hilda finalmente adormeceu quando consegui guiá-la até sua cama. Ela ainda soluçava, mas pelo menos conseguiria descansar. Ambrose já havia se recolhido para o seu quarto e Sabrina dormia em seu berço.

 

Eu deixei o quarto e voltei para a sala, ocupando uma das poltronas próximas a lareira.

 

O fogo aquecia o meu corpo, mas eu me sentia fria por dentro. Não podia crer que meu irmão estava morto. Parecia uma mentira, que logo Edward entraria pela porta e me cumprimentaria como sempre fazia. Mas não dessa vez.

 

Quando minha visão nublou e o nó na minha garganta se tornou incômodo demais, eu permiti que as lágrimas escorressem pelo meu rosto. Eu nem me preocupava em limpá-las, apenas as sentia escorrer pelas minhas bochechas, até morrerem no meu queixo. Eu queria gritar e quebrar metade da casa por pura frustração e raiva. Raiva do destino e do Senhor das Trevas por ter chamado Edward de forma tão precoce.

 

Mas a dor... A dor era a pior parte. Parecia me dilacerar e me consumir de dentro para fora.

 

Escorreguei da poltrona e caí de joelhos no chão. Não tinha mais forças para nada.

 

Meus soluços já não eram mais silenciosos e eu agradecia por todos estarem dormindo.

 

Vinegar Tom se aproximou de mim, provavelmente preocupado com meu pranto, e eu o abracei.

 

– Edward não vai voltar, Vinnie T. – sussurrei com a voz embargada. – Ele nunca mais vai voltar.

 

Faustus Blackwood

 

Eu observava de longe a devastação de Zelda. A caixa dentro do meu bolso estava inquieta e eu a ignorei.

 

Mesmo após ter deixado a casa dos Spellman, eu me mantive observando o andamento da situação. Pretendia me retirar quando todos aparentemente tinham se recolhido para descansar e se recuperar, mas logo Zelda retornou para a sala e eu me teletransportei para observá-la mais de perto.

 

Minha vingança estava concluída. Edward e a mortal que ele amava estavam mortos. Mas ao ver a face desolada de Zelda, eu entendi os motivos do Senhor das Trevas exigir que eu abrisse mão dos meus sentimentos por ela. Eu não teria coragem o suficiente de fazer o que era necessário, por saber que ela sofreria.

 

Vê-la daquela maneira fazia valer a pena ter trancado nossos sentimentos. Pensar que ela poderia ter sofrido daquela maneira por mim, teria acabado comigo no passado.

 

Zelda estava ajoelhada no chão abraçada a seu familiar. Muito me surpreendia que Vinegar Tom ainda não tivesse notado a minha presença.

 

Seus lamentos e seu pranto foram reduzindo com o passar dos minutos. Ela já não deveria mais ter forças para sequer derramar lágrimas. O familiar a deitou no chão e se prostrou ao seu lado. Ela deveria ter dormido de exaustão.

 

Soltei um suspiro e me aproximei dela. Vinnie T. rosnou para mim e eu fiz sinal para que não latisse.

 

– Sou eu, garoto – sussurrei. – Quero ajudar.

 

Ele mostrou os caninos, pronto para me atacar. Aparentemente, os comentários sobre mim naquela casa não eram os melhores. Ou ele estava fazendo apenas o que fora destinado a fazer, cuidar de Zelda. E eu sempre fora uma ameaça, de certa forma.

 

Vinegar pulou sobre mim e eu reagi o mais rápido possível, tentando afastar sua boca do meu rosto.

 

– Quase ad opem brevis intueri mihi est in statum salis fiet.

 

No instante seguinte, o familiar estava petrificado, como se tivesse sido empalhado.

 

– Desculpe, garoto. Mas não posso correr o risco de você contar a ela que eu estive aqui.

 

Olhei para Zelda adormecida no chão. Seu rosto estava corado e ainda era possível ver a marca de suas lágrimas em sua pele.

 

Suspirei.

 

Um dia, ela entenderia que tudo o que eu fizera foi por nós e que Edward não era o herói que ela imaginava.

 

Com cuidado para não acordá-la, passei um braço sob seus joelhos e o outro por seus ombros para pegá-la no colo. Ela continuava leve como eu bem me lembrava. Sua cabeça pendeu no meu ombro e seu perfume invadiu minhas narinas. Continuava inebriante.

 

Carreguei-a através das escadas até seu quarto e então, a deitei sobre sua cama. Ela suspirou chorosa, mas continuou a dormir. Nunca vira Zelda Spellman destruída... era realmente perturbador. Cobri seu corpo com as cobertas e acariciei seu rosto com o dorso da mão. Sua pele era quente e macia, e eu senti o ímpeto de permanecer ao lado dela.

 

Franzi o cenho e peguei a caixinha preta no meu bolso. Ela quase vibrava. Os sentimentos praticamente imploravam para escapar. Aparentemente, era uma reação comum toda vez que nos aproximávamos.

 

Soltei um suspiro e engoli em seco. Eu poderia abrir a caixa agora. Edward não estava mais ali para nos impedir.

 

Mas o que aconteceria se eu a abrisse?

 

Travei a mandíbula e a guardei no bolso novamente.

 

Depositei um beijo na testa de Zelda.

 

– Espero que me perdoe um dia.

 

Saí da casa dos Spellman tentando ignorar tudo o que ocorrera, mas parei de andar abruptamente ao encontrar o Senhor das Trevas parado no meio do cemitério pertencente à família.

 

Aproximei-me dele e coloquei as mãos nos bolsos, ignorando a leve garoa que persistia em cair dos céus.

 

– Agora que teve sua vingança, não vai abrir a caixa, Blackwood?

 

Engoli em seco, segurando-a com firmeza.

 

– Não... não posso abri-la.

 

– Por quê? – tornou a indagar.

 

Eu percebia agora que se a abrisse, sentiria culpa pelo que fiz a Edward apenas pelo simples fato de me importar com Zelda.  Isso me levaria a contar a ela o que fiz... E ela me abandonaria. Eu a perderia de qualquer maneira. Mas com a caixa fechada, eu não sentiria a dor da sua ausência.

 

– Não adianta mais abrir a caixa. Nossos sentimentos vão apenas nos consumir.

 

Ele soltou um leve riso.

 

– Você finalmente compreendeu – afirmou. – Vá para casa, amanhã você será nomeado o novo Sumo Sacerdote da Igreja da Noite e reestabelecerá todas as antigas tradições.

 

Sem mais, ele desapareceu no ar.

 

***

 

Greendale, 1967

 

Zelda Spellman

 

Faustus e eu paramos lado a lado na entrada da Academia. Vários feiticeiros se prostravam enfileirados, ladeando o caminho que percorreríamos.

 

– Lady Blackwood e eu transladaremos o corpo do Antipapa para o seu lugar de descanso final, na Necrópole sob o Vaticano, e depois passaremos a lua de mel em Roma – Faustus anunciou.

 

Seus olhos encontraram os meus rapidamente e ele me lançou um sorriso, o qual eu correspondi. Ele desceu dois degraus para se aproximar de Prudence e eu o acompanhei.

 

– Prudence, confio que você manterá os altos padrões desta Academia – sussurrou pegando seu chapéu e a bengala das mãos da bruxa – e nosso nome de família na minha ausência.

 

– Pode confiar em mim, pai – ela retribuiu com satisfação.

 

– Ótimo.

 

Descemos o restante dos degraus juntos e inesperadamente, Faustus parou de andar e virou seu rosto para mim.

 

– Perdeu a cabeça, minha querida. Uma esposa caminha atrás do marido.

 

O tempo para absorver suas palavras foi o necessário para que ele desse alguns passos a minha frente. Se não estivéssemos na presença de tantas testemunhas, eu teria estapeado seu rosto. Travei o maxilar e o segui.

 

Nós teríamos uma conversa muito séria em breve.


Notas Finais


Quem mal via a hora da morte do Edward levanta a mão! hahaha

Bom, chegamos no ponto em que o Roberto acabou com o nosso Ship. Mas não se preocupem, a Lua de Mel será esclarecedora.

- WM


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