História With a Little Help From My Friends. - Capítulo 74


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Palavras 4.033
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Festa, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 74 - Aquele Com As Borboletas.


Fanfic / Fanfiction With a Little Help From My Friends. - Capítulo 74 - Aquele Com As Borboletas.

Cameron dá outro gole na bebida laranja que ele decidiu levantar para pegar. Eu pensei em argumentar que não deveríamos fazer isso, sendo que a bebida havia sido feita para a festa do Sebastian e hoje não havia necessidade de bebermos, mas eu ainda me sentia fraca demais para me obrigar a movimentar os lábios e leve demais para elaborar uma sentença que fizesse sentido, então me contentei em inclinar a cabeça observando ele se levantar da cama e seguir para cozinha, voltando com aquela garrafa grudada nos lábios parecendo mais distante a cada golada que eu o assistia dar. Essa foi a pior bebida que fizemos hoje, vodka e laranja nunca deveriam ser misturadas, mas ele parecia satisfeito em forçar o líquido asqueroso descer goela abaixo, sem desperdiçar uma única gota. Mesmo tendo consciência do sabor de remédio que a mistura formou, eu estendo a mão para que Cameron divida a bebida comigo.

  Ele coloca a garrafa na minha mão relutantemente depois de lançar um olhar cheio de reservas. Meu rosto se contorce com o primeiro gole, e não a humor no rosto de Cameron quando eu repasso a bebida para ele. Eu sinto que ele é o único autorizado a usar essa rota de fuga, porque é cruel demais e seria mais saudável para mim se eu não me acostumasse ceder ao impulso de correr ao bar mais próximo toda vez que houvesse indícios de que as coisas estão dando errado novamente. Porém meu corpo já parou de tremer e não me sinto mais tão leve e ele ainda está longe de mim e nada foi dito, nada que me alerte o que exatamente eu fiz de errado ou que me acalme para ter certeza de que não fiz. É como se nada tivesse acontecido. Mas aconteceu e agora tenho que lidar com a possibilidade de que tudo aquilo só foi bom para mim. E não é preciso muito diálogo para saber que algo está errado, na verdade, a falta dele já diz tudo. Está no modo em que ele precisa se esforçar muito para dar o mais leve dos sorrisos ou na forma em que ele olha diretamente para os meus lábios que se movem  enquanto tento arrumar brechas para iniciar um assunto que trará respostas, mas ele não parece ouvir uma palavra do que digo.

  No segundo gole eu já estava preparada para o gosto azedo e o aroma amargo.

 Minutos se passam, assim como a garrafa que vai se esvaziando enquanto pula de mão em mão, seguindo a conversa estranhamente leve e despretensiosa,  é como se Cameron estivesse fazendo todas as curvas certas para impedir que eu tome conhecimento sobre algo. Falamos sobre tudo, menos sobre o que é necessário. Depois disso eu não sinto a ponta dos meus dedos e o meu paladar está tão dormente que eu certamente seria capaz de beber outra garrafa dessas sem nem ao menos conseguir diferenciar álcool de água.  E eu vou dissolvendo junto com o álcool em minhas veias, ainda assim, o corpo e os movimentos de Cameron - aqueles que ele faz sem ter a menor noção do quanto mexe comigo, inconscientemente arquitetando a melhor dança não coreografada -  faz surgir uma brasa morna em meu peito, que rasteja de encontro a ele e acorda os lugares que ele tocou, embebendo em chamas as memórias. E eu estou boba, incapaz de esconder como eu quero que ele me toque de novo. Ele fala e fala, mas eu só queria que sua boca estivesse se movimentando junto a minha. Subitamente eu saio dos meus próprios devaneios e volto a me prender a realidade. Talvez ele tenha me puxado, com sua cara séria e a recusa em me encarar. Ou talvez meu cérebro e coração tenham me dado chutes e empurrões depois que as palavras "não deveríamos..." começaram a escapar dos seus lábios.  E eu me forço a ouvir o suficiente do monólogo de ponderações irrelevantes e sem sentido para poder afirmar com firmeza que não concordo com nada do que ele diz. Mas ele continua enquanto eu nego bravamente com a cabeça, rebatendo para longe de mim todas as coisas que afligem ele. Porque eu já me preocupei com o fato de que provavelmente tudo isso fosse bastante errado, e que no fundo só estamos nos usando para preencher algo que se encontra vazio, não sabendo ao certo o porquê sentimos com todas as forças que é importante continuar. Eu já vaguei por esse vale de pensamentos, e não quero voltar para onde já estive.

 Nãooooo. Nãoooo. Nãoooo. Não precisamos mais questionar nada. Está tudo certo, estamos indo tão bem. Empurro o corpo dele para cama, e me acomodo, posicionando um joelho em cada lado, suas mãos agarram minha cintura e ele me puxa para baixo. E esse é o jeito que eu gosto de mudar o assunto.

— Cala a boca - o beijo sofregamente antes que ele tenha a oportunidade de começar a se preocupar com coisas insignificantes novamente - Eu gostei muito do que fizemos - falo com a boca a centímetros da dele.

— Eu gostei muito de sentir você - ele geme na minha boca quando começo a me mexer devagarinho em seu colo, e já sinto ele ceder gradativamente.

— Você vai fazer isso mais vezes, certo? - me ergo para conseguir encará-lo, deixando transparecer uma ruga de preocupação, pois por um momento eu senti que ele ameaçava se distanciar novamente.

— Você quer recomeçar agora? - ele agilmente me tira do seu colo e volta a me deitar na cama, onde eu caio suavemente, sentindo o seu braço roçar ao lado da minha cabeça. Ele ergue o tronco para conseguir uma visão melhor do meu corpo, levanta a barra da minha blusa e começa a traçar linhas imaginárias na minha barriga, que se retrai com seu toque lento e instigante. Meu corpo dormente começa a lutar contra o álcool e tenta se acordar - Porque eu gostaria muito de te ver daquela forma de novo, eu gostaria muito de beijar você...  - ele sussurra com os lábios colados na minha orelha e eu sei que ele não quer beijar minha boca.

Arrepios percorrem minha coluna enquanto imagens vívidas  do rosto dele no meio das minhas pernas invadem minha mente.

— Não... Quer dizer, sim! - balanço a cabeça e tento me concentrar, tentando não deixar que minhas emoções embaralhem ainda mais minhas palavras. Cameron dá uma risadinha e volta a cobrir minha barriga, como se tivesse manipulado toda a conversa só para me deixar atordoada ou para fugir do foco principal, que agora tenho dificuldade para lembrar exatamente o teor. E a julgar pelo sorriso estampado no rosto do desgraçado, tenho quase certeza de que foi exatamente isso que ele fez - É que você veio com toda aquela conversa de que talvez eu estivesse bêbada e esse não tenha sido o melhor dia para ser chupada.

Um sorriso brinca no canto dos seus lábios e faz com que seus olhos comprimam rapidamente.

— Eu falei aquilo pensando mais em mim do que em você, acredite... - ele explica, ainda tentando evitar se aprofundar na questão.

— Então só porque você acha que eu estou bêbada... - passo a língua pelos lábios e tento manter minha linha de raciocínio - E eu não estou bêbada! - emendo esse detalhe antes de continuar - Acha que eu não posso retribuir o favor? Eu posso fazer o mesmo por você, se me mostrar como!

— Quê? - o rosto de Cameron fica franzido enquanto ele tenta entender o que estou querendo dizer - Eu já disse que não fiz aquilo só pra receber um boquete teu! Eu tentei deixar isso bem claro para que você não pensasse que foi uma troca!

— Você claramente ficou desapontado... - a forma que ele agiu ainda está gravada em minha mente, porém em linhas borradas. Havia uma distância segura no que ele dizia e o que ele realmente queria dizer, o que me leva a pensar que o que quer que esteja acontecendo é importante, as pessoas não costumam ter muitas reservas em assuntos que não são capazes de ferir - Eu posso fazer, me deixa mostrar que eu sei! - seguro a colcha da cama para não arrancar a calça dele.

— Você não vai encostar em mim, tá bêbada. - o riso permeia a sua voz, porém seus olhos estão sérios.

— Qual é o problema?! - me sento na cama para que meus gestos determinados possam ser feitos livremente -  Você acha que eu não consigo? Então me ensina!

— Eu tenho muita fé na capacidade dessa sua boquinha - umedeço os lábios quando ele ergue a mão para tocá-los com o polegar e ele desvia o olhar - Mas já reparou que qualquer coisa que aconteça entre nós dois... Qualquer coisa... Sempre tem bebida no meio?

 Reflito um pouco para conseguir uma boa resposta. Uma que justifique tudo isso.

— Okay, eu entendi. Nós dois temos que aprender a beber, ou talvez devêssemos parar de beber de uma vez por todas. Sobriedade!  - concluo com impaciência porque sei que é o que ele quer ouvir e espero ter o que preciso em seguida  - Agora deixa eu te chupar!

 Ele arregala os olhos, parecendo um pouco assustado quando eu volto a montar nele sem pedir permissão. Cameron me deixa descer meus lábios úmidos pelo seu pescoço, afundando meus dedos em seus ombros, inalando seu cheiro doce e as promessas do que pode ser. Ele repousa o queixo na minha testa quando afasto sua camisa para mordiscar a pele que fica abaixo da clavícula. Ainda estou perto de sua boca, então posso ouvir muito bem sua respiração pesada que soa como um incentivo em forma de música. Puxo sua camisa para cima e aproveito para roçar meus dedos em seu abdômen. Cameron me ajuda a jogar o tecido para longe, meu coque desmancha e os fios caem em uma cascata emaranhada. Ele prende meus cabelos em seu punho para conseguir me observar distribuindo beijos em seu tronco rijo. A mistura de álcool e tesão começa percorrer o meu corpo como um fogo que queima de forma lenta e implacável. Subo mais uma vez em direção ao seu rosto, porque ele é tão lindo e preciso sentir o sabor dos seus lábios. Encosto meu peito no dele, afastando os seus cabelos para trás e jogando minha cabeça para o lado para que os meus cabelos não caiam em seu rosto. Ele enfia as duas mãos dentro da minha blusa e segura os meus seios com firmeza, me fazendo suspirar enquanto passo minha língua nos seus lábios entreabertos. Cameron chupa minha língua e a guia para dentro da sua boca. Meus quadris e a língua fazem movimentos circulares e lentos de uma forma provocante. Estou prestes a me perder em seu beijo quando volto a me lembrar o que realmente quero. Tiro suas mãos ávidas de dentro da minha blusa e Cameron olha para mim com uma expressão confusa quando volto a descer. Entrelaço meus dedos nos dele e sigo lentamente até perto da barra da sua calça, só aí solto sua mão e tento tirar o botão que está novamente no local onde não deveria estar. Dessa vez eu consigo ver o que estou fazendo, então é bem mais rápido.

— Anne, eu disse que não quero isso hoje! - Cameron se senta rapidamente quando começo a tentar puxar sua calça para baixo e empurra meus ombros delicadamente para longe dele. Deixo escapar um gemido frustrado.

 Ele sobe a calça um pouco mais para cima e eu afasto suas mãos com a esperança de poder continuar de onde paramos. Eu posso fazer isso! Eu posso! Eu posso! Eu consigo fazer isso até mesmo com minhas mãos dormentes e quando eu terminar vai ser a melhor coisa que ele já sentiu.

   Posso usar a boca.

   Eu posso usar a boca e as mãos?! Uau! Eu acho que posso usar a boca e as mãos. Talvez ele desmaie.

    Eu quase desmaiei quando ele encostou as duas coisas em mim.

— Olha para você, já está preparado! - toco na parte alta da sua calça para enfatizar. Ele arregala os olhos e segura meu punho com força - Você tem algum problema? Qualquer pessoa já teria me deixado fazer o que eu quero. -  à medida que as palavras vão saindo da minha boca me dou conta e mesmo assim não consigo parar. Algo em seu rosto me faz perceber o que estou fazendo e em como isso é errado. Recuo um pouco e tento entender como acabei me tornando uma daquelas pessoas que não compreendem o significado de  não. Eu não preciso entender, mesmo que isso fosse me ajudar a fortalecer meu ego extremamente frágil, mas eu preciso respeitar. O não ainda ameaça escapar dos lábios de Cameron. Está lá, preparado para me empurrar caso eu tente novamente. E é horrível que ele precise fazer isso. Não já é uma frase completa.

— Eu não tenho problema nenhum, tá legal? - ele explica parecendo ofendido - E você estava pegando no pincel, bonitinha.

Quê?

Tento segurar mais uma vez para ter certeza, mas ele agarra minhas mãos e me força a deitar. Aterrisso espalhafatosamente na cama e ele começa a tirar algo do bolso.

 - Meu pincel, Anne! Eu sempre tô com ele - ele exibe o mesmo pincel que usou para desenhar um pênis no rosto do Ethan naquela brincadeira ridícula do verdade ou consequência que fizemos no acampamento. Cameron o coloca em cima da minha barriga para que eu possa ver  e se deita ao meu lado, repousando a cabeça no travesseiro e olhando para o teto. Eu permaneço assistindo o pincel subir e descer, acompanhando o movimento da minha respiração.

— Por que você sempre tá com essa coisa? - seguro o pincel entre os meus dedos e começo a procurar algo de especial nele. Não tem nada. É absolutamente comum. Totalmente cinza e somente sua tampa é preta. Nenhuma marca que remeta a uma memória especial, nenhum nome que lembre alguém. Absolutamente comum, entretanto, intrinsecamente dele.

— É só um costume - ele dá de ombros - Assim como os anéis.

— Você não vai me deixar tocar em você - digo baixinho apenas para ir me acostumando com a ideia.

— Não - ele ergue sua mão lentamente para segurar as minhas, cessando os meus movimentos de colocar-tirar-colocar-tirar a tampa da caneta. Logo sinto falta do barulhinho plástico que estava sendo reproduzido no quarto.

— Eu não consegui fazer você sentir nada? - o álcool, que a cada segundo toma mais espaço do meu sangue, começa a me fazer ficar suscetível a qualquer tipo de emoção que eu seja induzida a ter. E agora eu me sinto tristemente inútil. Ele conseguiu me fazer sentir todo tipo de emoção louca nas últimas horas. Ele me fez ir até o céu e voltar para contar história. Ele fez todo meu corpo funcionar a base de chamas e eletricidade. E eu não consegui fazer porra nenhuma. Não consigo lidar com o fato de ele ter me dado tudo que eu não sabia que precisava, e eu estou aqui deitada, sem saber como retribuir ou se consigo.

— Se eu estivesse tomando essa decisão com base no que você consegue me fazer sentir - ele está estável e cuidadoso, me convidando a aproximar e me aninhar em seus braços, mas permaneço no mesmo local, presa a todas as nuances aveludadas de sua voz - Nesse momento você estaria completamente nua e se esforçando para manter os gemidos baixinhos, como da última vez - pressiono as coxas para controlar a pressão que surge no meio das minhas pernas - Acredite, não tem nada a ver com o que você consegue ou não me fazer sentir. Esse nunca foi um problema pra você.

— Então qual é o problema? - toda minha confusão interna transforma os traços do meu rosto.

— As coisas têm significados diferentes para nós dois - Cameron fala sem rodeios - Você ainda não consegue entender... Você nunca fez isso antes - ele luta para explicar de uma forma que eu entenda - Você não sabe diferenciar uma coisa da outra.

 Cameron pega o pincel e puxa minha mão direita para cima do seu peito. Sinto a tinta sutilmente gelada quando ele começa a fazer linhas no meu pulso.

— O que eu preciso saber diferenciar? - decido implorar para que ele me mostre o que não consigo ver. Ele não responde e inclino a cabeça para trás, para conseguir olhar para o seu cenho franzido e a forma como os seus dedos ágeis e firmes guiam o pincel, elaborando algo que foge do meu campo de vista.

— Você é minha melhor amiga - Cameron olha rapidamente para mim antes de soltar o meu pulso. Viro o braço para descobrir o que Cameron estava fazendo. É uma borboleta pequena e um pouco torta. Mas é linda. Suas asas exibem alguns pontinhos pretos e teias ligam as extremidades até o corpo do que antes era uma lagarta. Meu coração começa a bater mais rápido e sinto algo gelado envolver e perturbar o meu peito. Pisco os olhos rapidamente e tento ignorar que eles começam a ficar  meio úmidos.

— Você também é o meu melhor amigo - dou um sorriso fraco para ele e afundo minha cabeça em seu peito, tentando esconder o meu rosto. Minha garganta aperta quando ele me envolve e começa a passar a mão por meu cabelo. Começo a sentir algo muito próximo do que seria o medo. Tiro o pincel da mão dele, e me debruço sobre o seu corpo. Começo a desenhar algo um pouco abaixo do seu peito para conseguir me distrair.

— Você é a minha melhor amiga - ele volta a repetir e com as pontas dos dedos afasta o cabelo do meu rosto, roçando levemente o meu pescoço. Ignoro os arrepios, me forçando a focar nas linhas que vou traçando tremulamente - Eu nunca faria nada para te machucar, mesmo que isso não pareça verdade - ele meio que ri no final, não tenho certeza, mas senti o seu peito tremer.

— Eu sei - balbucio.

— Você ainda não entende - ele desce os dedos pelo meu braço, e é quase como se eu estivesse dormindo e ele estivesse divagando em voz alta - E quando finalmente se der conta, sinto que vai correr para tentar fugir. E se você se aproximar demais... Se eu deixar você fazer as coisas que quer... você vai me destruir. E você já me tem o suficiente para fazer um puta estrago, e caralho, você  com certeza vai me destruir - eu não consigo olhar para ele, porque o seu tom de voz já é bastante perturbador.  A borboleta que eu comecei a desenhar já está bem maior do que a que ele fez em meu pulso. E mesmo que tenha tentado fazer algo infantil e delicado, essa já está ficando mais escura e intimidadora. Não que ela não esteja bonita. Só não é bonita da mesma forma que a dele - Eu preciso me controlar. Eu não posso deixar você fazer as coisas só porque acha que quer, você tem que ter certeza. Eu posso perder os privilégios relacionados a poder te tocar, mas eu não vou arriscar perder minha melhor amiga.

— Eu não quero te machucar - termino a borboleta e largo o pincel, e subo para poder sentir o cheiro dele e não o da tinta. Toco no pescoço de Cam com os lábios e tento absorver seu aroma.

Por favor, acredite em mim. 

Não desista, tenha paciência, eu não quero te machucar. 

Por favor, não me machuque.

— Se você quiser desistir, se quiser que tudo volte a ser como antes... esse é o momento, é agora que você deve pular fora - ele não poderia estar mais sério - Mas por favor, não se distancie de mim.

 Ergo meu corpo parcialmente e seguro seu maxilar tensionado com as mãos, me forçando a olhar para ele de verdade e ser tão sincera quanto ele foi.

— Eu não vou desistir, eu vou ficar - ele prende uma mecha atrás da minha orelha, e depois passa os dedos pela minha bochecha. Acabo inclinando minha cabeça para repousá-la em sua mão - Não vá embora, não seja um estranho, não arrume uma namorada quando estiver bêbado - ele ri e só isso já o faz parecer mais leve. E era exatamente essa a minha intenção.

— Eu meio que estou bêbado agora - tento não sorrir como uma boba para forma que ele olha para mim - E você parece com a minha namorada.

 Ele projeta a cabeça para frente e me beija no meio do sorriso.

—  Deixa eu ver o que você fez aqui - Cameron curva o corpo e apoia as costas na cabeceira da cama, olhando para o próprio peito.

— Eu tentei imitar a borboleta que você desenhou em mim - revelo a  minha intenção e coloco o meu pulso ao lado da grande borboleta que abre as asas imponentemente em seu peito. Ele inclina a cabeça e fecha um olho tentando comparar o resultado com mais precisão - Não poderia ter ficado ainda mais diferente.

— Eu estranhamente gostei - Cameron admite com  o cenho franzido e balança a cabeça, como se estivesse buscando uma explicação lógica para o desenho ou para o fato de ter gostado.

— Para de besteira - dou um tapinha nele e puxo o meu pulso de encontro ao peito.

— É sério - ele fala veementemente - Não é delicada ou frívola. É uma borboleta de macho.

Deito na cama com o meu peito chacoalhando dolorosamente por conto do ataque de riso.

— Okay, machão - digo ainda tentando me conter.

— Eu poderia tatuar isso... - vou parando de rir gradativamente e o encaro para ver se está brincado. Ele admira o desenho, provavelmente fazendo todas as considerações - Ninguém teria uma dessas.

— Você tá brincando comigo? - me sento ao mesmo tempo que ele. Eu porque fico nervosa com a possibilidade de ele estar falando realmente sério. Ele porque está animado demais para permanecer deitado.

— Por que não? É uma borboleta bonita - ele segue para o banheiro e eu pulo da cama para conseguir acompanhá-lo.

— Você deveria pensar um pouco - falo alto para que ele preste atenção em mim, mas ele só tem olhos para imagem da borboleta que está sendo refletida no espelho do banheiro - Você vai se arrepender e vai doer muito. Já pensou em como vai doer?!

Cameron nem dá bola, e sai do banheiro como se já tivesse tomado à decisão. Jogo a cabeça para trás e respiro fundo antes de tentar segui-lo novamente. Ele anda pelo cômodo tentando passar a camisa pelo corpo ao mesmo tempo que tenta colocar o cartão do quarto no bolso da calça.

— Quê? - minha voz sai alarmada quando ele começa a calçar as botas que estavam jogadas perto da cama - Você tá pensando em fazer agora?!

— Quanto mais eu demorar, mais motivos para não fazer vão aparecer - meu olhar arregalado não faz com que ele me dê ouvidos, nem meu vai-e-vem ansioso - Primeiro; foi você que fez o desenho, esse é um bom motivo para não fazer. Segundo; tia Helen vai ficar muito pistola quando descobrir que não foi ela que fez minha primeira tatuagem. Tô pensando em deixar ela fazer e escolher a segunda - segunda?! Será que ele entende que essas coisas duram, tipo... UMA VIDA INTEIRA!

— Cameron, eu sou inconstante! - minha voz sai esganiçada e eu mal consigo respirar quando ele passa por mim, segura a minha mão e me puxa em direção à porta - Eu posso surtar! Eu posso ir embora! Você vai mesmo querer ter uma coisa que vai fazer você lembrar de mim pra sempre?

Cameron relaxa os ombros e sua mão para a caminho da maçaneta, ele sorri para o chão antes de dizer:

— Eu sei que você pode fazer tudo isso - espero que ele se afaste da porta, espero que ele pense duas vezes. Três vezes. Várias vezes. Mas não é isso que ele faz - Mas eu espero realmente que você não faça.


Notas Finais


Você foi feito para viver nas páginas de livros antigos.
Quer dizer, quem no mundo iria aprender a desenhar borboletas somente para deixar outra pessoa um pouquinho mais feliz?


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