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História With eyes to hear and ears to see - Capítulo 2


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Capítulo 2 - 0.1 - A big decision


  De alguma forma, eu sinto que os dias são iguais ou simplesmente eu não me interesso mais por dias como costumava e parei de reparar em suas singularidades, também não é como se eu me esforçasse para mudar isso, continuo deitado sem mexer um músculo, as vezes me lembro de como era ter uma agenda cheia, correr de um lado para o outro vendo pessoas que nunca veria de novo, quando minha presença era requisitada, mas agora o que mais faço é olhar a parede e deixar minha cabeça se inundar de pensamentos. Talvez algum dia isso já tenha sido produtivo; acredito, porém que não mais, agora as coisas estão afundadas em cinzas de um incêndio que eu causei.

  Acho que de alguma forma, eu deixei o holofote que me aquecia esfriar e a lâmpada queimar, não teve pedido de bis, não houveram despedidas, o principal apenas abandonou o palco de repente quando mais precisavam dele. Afinal, o que me motivava era meu sinalizador interno, quando ele parou de brilhar notei que era hora de abandonar a minha antiga vida. Uma vez ou outra me pego conjecturando onde estão as pessoas que uma vez vi, sinto um aperto no peito por decepcionar quem apreciava meu trabalho, porém sei que meu tempo se expirou. Era hora de voltar para casa, havia no caminho perdido minha essência, no final do dia não sabia quem via no espelho ou quem tinha escrito os últimos livros, eu havia criado um personagem para mim mesmo e vivia minha própria ficção.

  Portanto sou um escritor que perdeu as próprias palavras, é tão trágico que beira o cômico, como posso escrever se minha mente se apagou e palavras são apenas conjuntos de signos? Os críticos dizem que me reinventei e a atenção vazia da mídia sondava minha vida, eu digo que me perdi, gostaria de me encontrar no trajeto até a cozinha, sentado nas banquetas, esperando para me dizer meu propósito de vida. Concordo que minha espiral de pensamentos negativos seja culpa de eu ser um traumatizado fodido, mas a vida não te pergunta se você está pronto e confortável antes de jogar a merda toda no ventilador. Me encontrar todos os dias deitado em uma cama, sem produzir e enfrentar o novo dia, faz com que eu me pergunte se algum dia me levantarei e seguirei como antes. 

  O que adianta ter prêmios, ser considerado gênio aos vinte e quatro anos e não suportar viver dentro de mim, não saber lidar com minhas próprias sensações. Tento viver em uma casca que sempre parece que abrirá uma fissura, é extremamente cansativo sentir dor desde o momento em que acordo ao que vou dormir, parar para fazer algo se torna uma tortura, pois sinto que meus músculos apertam meus ossos, até que eles estejam todos quebrados. Eu aceito que talvez a única saída disso seja tomar remédios, só que não me sinto confortável em deixar minha vida nas mãos de uma empresa multimilionária e megalomaníaca como a farmacêutica, sinto como se fosse dançar em um fio que separa o ideal da completa perdição, um passo em falso e você é engolido pelo vício que são as drogas legalizadas. Então acho que não me sinto pronto o suficiente para terceirizar minha vida dessa forma.

 Acho engraçado o quanto procuram motivos para dizer que joguei minha "vez" no lixo e me aproveitei das pessoas, como se eu fosse um vilão de filme infantil, contudo não vejo ninguém bater à minha porta e me perguntar ou ao menos tentar entender o que gerou a minha fuga repentina e reclusão total. Procuraram todos, inclusive minha ex-mulher, não preciso nem mencionar o que ela pensa sobre mim, eu e um pão mofado esquecido em um armário obtemos o mesmo valor... talvez o pão valha até mais, já viu como a organização de fungos é bem feita? Foram longos meses de fofocas e suposições feitas ao meu respeito, acredito que a esfera jornalística não obtinha nada mais interessante para falar sobre, nenhuma teoria da conspiração, nenhum fim do mundo próximo, nenhum famoso sendo reptiliano, acabou sobrando para mim. No final eu fui como um livro velho em uma estante, amarelo, frágil, sem valor e esquecido.

  Sinto que tudo que tudo que tenho para fazer agora é continuar deitado nessa cama grande demais, em um apartamento absurdamente grande, com móveis em excesso, cheio de advérbios de intensidade e vazio em significado, cujo ecoa minha solidão, expressando em seu silêncio uma voz vigorosa que se calou. Esperei que a ausência de som continuasse, repercutindo a conversa muda entre minha mente oca e meu apartamento, porém não aconteceu o som de chaves tilintando seguidas de uma porta sendo aberta me surpreenderam, por mais que eu soubesse quem havia aparecido. 

  O som de sapatos batendo no chão de mármore era inconfundível, sua confiança era tão forte que eu podia sentir o cheiro dela no ar, postura impecável, subindo as escadas, perpassando os dedos longos pelo corrimão, observando a falta de marcas de dedo e a poeira depositada acima, assim ele suspira, ainda ouço os pés no chão, isso faz com que eu me encolha nas cobertas, cobrindo-me por inteiro.

  Não sei se poderia encará-lo, por mais que o amasse e estivesse com saudades, eu sabia que havia uma vez mais saído mais cedo do trabalho, sei também que durante os seus dias de folga, passava os dentro dessa casa, lavando as louças e fazendo os trabalhos domésticos, por mais que eu insistisse para que não os fizesse e deixasse por minha conta. Ele sabe que eu nunca faria. Senti a cama pensar e assim soube que agora partilhavamos o mesmo cômodo.

- Sua psicóloga me ligou, ela não poderá vir aqui hoje, pediu então que fosse até lá.

- ... não.

- Jimin. - Ouvi outro suspiro que fez meu coração apertar. - Eu entendo você... ou ao menos tento entender, mas por favor, já está na hora de ver o mundo.

- O mundo é feio e sem dúvidas não precisa de mim.

- Realmente ele não precisa, mas eu preciso de você nele. - Por que ele parece sempre saber o que dizer? - Você comeu desde a última vez que te vi? Não encontrei tantas coisas na pia e eu aposto que você não tenha as lavado. - Puxou as cobertas delicadamente para baixo, eu pude ver aqueles lindos e profundos olhos me analisarem tristemente. - Você parece cada dia mais magro...

- Eu comi - ou ao menos tentei - são só dias difíceis. - Ouvi uma risada seca e sem humor.

- Faz um ano...

- São assim, muitos e muitos dias ruins... seu cabelo está muito vermelho. - Tentei mudar o assunto.

- Não gostou?

- Nah, é impossível você ficar feio. - Ele riu, eu sentia falta daquele sorriso perfeitamente quadrado.

- Chimmy... por mim...

- Ugh, tudo bem, por todos os anos que você me suportou. - Com isso, eu vi seu rosto se iluminar por inteiro, com pouquíssimas palavras, com apenas uma atitude, assim, eu sorri, um sorriso pequeno, mas Deus sabe quanto tempo eu não sorria.

  E eu me iluminei, não por fora, mas por dentro, mesmo que pouco, eu sei o quanto é difícil fazê-lo sorrir daquela forma. Há anos que eu e Taehyung somos amigos, talvez até mais do que amigos (as vezes cogito que na verdade somos a mesma pessoa) e vê-lo sorrir assim, com os dentes, com os olhos, com o coração, é uma tarefa quase impossível. Ao passo que ele fica mais famoso e adquire mais reconhecimento, isso o torna mais sério, porém é o que a exposição faz com as pessoas, a reclusão talvez seja uma maneira de tentar fugir de todas as câmeras e manter o mínimo de privacidade. Eu sabia que mesmo com toda sua discrição, a mídia iria saber de nossa amizade, contudo nada nunca conseguiu nos separar. 

  Tae sempre foi meu equilíbrio, aquele que quando tudo desse errado, estaria lá para mim e de fato, tudo deu errado e ele estava lá, me ajudando com tudo, até com minhas roupas sujas. Lembro dos dias em que ele dormia aqui, não suportava a ideia de ficar sozinho e via em todos os lugares a cena que mudou minha vida. Todos os dias, ele acordava, fazia comida e a deixava em minha cômoda, não sei quantas ofertas de trabalho ele recusou por mim, quanto dinheiro e tempo eu o devo, alguns dias, lembro de precisar de ajuda para tomar banho após alguma crise. Prefiro dizer que a Taehyung, dou minha vida e mais.

- Eu te amo tanto, Jiminie. - Ele abriu os braços e me joguei neles.

- Eu também. - Falei com a voz abafada, com o rosto enfiado em seu ombro.

- Me enche de orgulho saber que o mundo o verá novamente.

  Apenas assenti, sinceramente eu poderia ficar ali para sempre, sem ver o mundo, sem ver ninguém, porque eu sei que a pessoa a quem estou abraçado vale mais do que o mundo pútrido que reside fora de minhas janelas. Seu sorriso me garante que eu ainda obtinha o direito de ver meu melhor amigo feliz e ter a vaga esperança de que eu também posso melhorar.

- Agora antes de sairmos, você irá tomar um banho. - Disse me afastando com seus longos braços.

- Isso significa que eu estou fedendo?! - Ele riu e deu de ombros, enquanto eu me cheirava para verificar a veracidade daquela CALÚNIA. - Vai se foder! - Ele gargalhou e me sentei na ponta da cama. - Otário.

  Olhei o chão, era como se ele fosse me engolir quando eu o pisasse, respirei fundo, juntando toda minha força, colocando os pés no chão, Tae ainda me olhava, como se de supetão se necessário, levantaria para me segurar caso eu caísse, sei que se fosse possível, ele daria toda sua energia para mim. Eu precisava fazer isso, por ele e majoritariamente por mim. Suspirei e fiquei de pé, andando para o banheiro, apoiei-me na pia e levantei os olhos. Quem é esse zumbi que eu vejo, gente?

  Meu cabelo estava todo bagunçado, expressando a baderna que eu era por dentro, minhas olheiras estavam fundas e roxas, entregando que eu não dormia bem há meses e, de fato, emagreci bastante, perdi boa parte de minhas bochechas que se encontravam secas. Se alguém algum dia dissesse no meu passado que um dia, eu seria assim, eu riria, acusando a pessoa de ter editado uma foto minha para me pregar uma peça, afinal todos os poros da minha pele gritavam que eu estava doente. Retirei minha roupa, jogando-a dentro do cesto, que vomitava as antigas roupas sujas, eu precisava lava-las urgentemente. 

  Entrei no chuveiro e deixei que a água quente tocasse minha pele e enfim, meu corpo relaxou, me deixei ser lavado como se fosse a gota d'água, escorrendo em meu próprio corpo, caindo no chão e descendo pelo ralo, logo caindo outras gotas, como um renascimento e era isso que eu buscava, o meu renascimento, ser uma pessoa nova, mesmo que eu ainda estivesse dentro do cárcere frio e escuro que era minha mente. Eu queria ser o futuro, todavia insistia em viver o passado. 

  Apoiei minha cabeça na parede, respirei fundo, soltando o ar pela boca, como minha psicóloga uma vez me ensinara, devagar e suave, como deixar uma vela acesa, você quer tremer a chama e não apagá-la. Eu iria sair hoje. Lavei meu corpo para tirar o cheiro de defunto de mim e cuidei de meu cabelo.

  Saí do chuveiro com uma toalha amarrada em minha cintura e encontrei um ruivo, sem o blaser, mangas dobradas até os cotovelos, avental preto amarrado em sua cintura, uma tesoura estava em seu bolso, ele mexia veemente um pote com uma massa pastosa engraçada dentro, quando me viu, torceu o rosto.

- Você precisa de roupas novas. - Apontou uma cueca e um roupão.

- Não me recordo de ter contratado um estilista... ou pedido sua opinião. - Torceu mais o rosto e franziu o cenho, me fazendo rir de sua carraca, arqueou uma sobrancelha, enquanto eu vestia o que havia apontado.

- Não lembro de ter visto um circo a caminho de sua casa, se tornou palhaço desde quando? - Apontou a cadeira à sua frente.

- Não sei, resolvi testar coisas novas, gostou? - Ele murmurava coisas incompreensíveis.

  Virou a cadeira para o espelho e tive a visão mais nostálgica possível, ele iria cortar meu cabelo, assim como nos velhos tempos, meus olhos marejaram e eu sorri, minha sorte era que meu amigo estava mais interessado em cortar minhas madeixas rebeldes do que me assistir chorar em silêncio, sinto saudade daquela época, quando éramos apenas crianças. Por mais que as coisas fossem difíceis para ambos, sinto falta da liberdade que sentia em correr por aí de mãos dadas com um companheiro, pensando que o mundo era pequeno o suficiente para ser apenas todo meu, podíamos ir até onde nossas pernas pudessem correr, onde nossos olhos podiam alcançar, deitar na grama e sentir o cheiro de terra molhada, ter certeza de que tudo está ao nosso alcance, nada nos deteria, mesmo que parecesse que deus estava contra nós. Só que hoje sei, sei que o mundo não é meu, nem quero que seja.

  Quando saí de meus pensamentos, o chão já estava limpo, fios arrastados ao canto do banheiro nos pés de uma vassoura, meu cabelo estava bem mais curto, minha franja estava na altura dos olhos, havia ficado muito bom, eu parecia uma tela nas mãos de um artista, ele sabia tudo o que estava fazendo. Taehyung começou a mexer novamente no pote com conteúdo suspeito, passando-o em minha cabeça, sabia que por mais que quisesse enchê-lo de perguntas, carregava sua face de concentração total, não as responderia.

  Ele esfregava minha raiz, espalhando o produto com o pincel e seus dedos, no final meu cabelo estava duro de tanto produto, então ele descalçou as luvas e as colocou no lixo, lavando suas mãos.

- Posso saber o que é... isso aqui? - apontei para minha cabeça.

- Descolorante, você disse que queria mudar drasticamente. - Disse sem olhar para mim, esfregando as mãos arduamente.

- Aaah, tá... pera, quê?! E desde quando eu tenho descolorante?!

- Relaxa, pelo amor de Deus. - secou suas mãos na toalha e revirou os olhos. - Você é antiquado, eu não.

  Segui-o pela casa até a cozinha, onde pegou um prato cheio de dentro do microondas, colocando-o em minha frente, em seguida começou a comer. Olhei o prato, os hashis, não queria comer, mas eu não queria decepcioná-lo, peguei os hashis, joguei o conteúdo do prato de um lado para o outro e comecei a comer. 

  Sabia que era do restaurante preferido de Taehyung, ele sempre trazia algo de lá por ser a caminho de onde ele trabalha até minha casa, via-o comer alegremente, cantarolando enquanto mastigava com as bochechas cheias. Senti meu couro cabeludo coçar e queimar, que porra é essa? Tacaram fogo na minha cabeça?

- Eu espero que seja normal a sensação de estar sendo escalpelado.

- Você é tão dramático às vezes... francamente. - Disse sem olhar pra mim ainda, concentrado em seu prato. - Já perdi as contas das vezes em que fiz isso.

- Vou tomar isso como um "sim, meu amigo querido, é muito normal".

  Acabamos de comer e Tae começou a lavar os pratos com suas luvas azuis de bolinhas em suas mãos, afinal ele não suportava a sensação de encostar na sujeira dos pratos ou na saliva que se impregna nos utensílios. Secou os pratos e os guardou, respeitando a maneira metódica da ordem de tamanho, deixando os hashis dentro de guardanapos, em cima da mesa, como se ela já estivesse posta para outra refeição. Nunca ousei tocar em nada para atrapalhar sua ordem, apenas deixei que fizesse como desejasse, minha casa era mais dele do que minha de qualquer forma.

  Eu já sabia que agora era o momento dele, precisava correr para o banheiro, escovar seus perfeitos dentes, fazendo com que ele se sentisse limpo novamente. Deixei que ele fosse, voltando para o meu, sabia que após cinco minutos cronometrados, ele voltaria, eu mesmo sendo a "metade de sua laranja", nunca teria o mínimo direito de invadir seu espaço e quebrar sua monotonia.

  Fiz minhas higienes e sentei em minha cadeira, aguardando, me olhei no espelho e ri, ri muito, não porque havia graça, mas era surreal, depois de um ano, preso dentro de casa, como uma Rapunzel sem príncipe e sem janela, trancada por vontade própria, isolada da sociedade na grandiosa segurança e altura de sua torre. E, agora, estou passando pelas mãos de um ator, que não é um cabeleireiro, deixando com que ele mude minha aparência, para que eu veja a luz do sol novamente, não por trás das cortinas, porém por de trás da retina de meus olhos.

  Taehyung voltou já com luvas novas, balançou a cabeça indicando que eu o seguisse, colocou um pequeno banquinho embaixo do chuveiro, onde me sentei, jogando minha cabeça para trás. Ligou a ducha, lavando o produto de meu cabelo todo, usando alguns produtos que eu nem sabia que existiam naquela casa, secou minhas mechas com uma toalha velha e encardida que estava no fundo dos armários, a deixando em meus ombros.

Nem uma palavra foi trocada, até que meus fios fossem secos e finalizados da maneira que ele escolheu, é claro, nunca fui consultado sobre minha opinião.

- Você está parecendo um anjo. - E enfim, eu pude me ver no espelho.

  Realmente, eu estava diferente. Dizer que eu parecia um anjo talvez fosse forçar demais, agora que eu parecia outra pessoa, mais leve, mais jovem, mais... feliz? Talvez eu estivesse mais feliz, havia passado tempo com a pessoa que mais amo, fazendo algo juntos, eu sempre para toda minha vida, serei grato a ele.-

- Obrigado.

- Hm? Eu só passei descolorante no seu cabelo, Jimin, não me custou nada. - Sua voz grossa se mantinha constante.

- Você sabe do que eu to falando. - Você parou sua vida por mim, sempre parou.

- Não foi um favor, fiz porque eu quis, continuarei fazendo pelo mesmo motivo. - Ele virou de costas para mim, começou a lavar a vasilha com toda sua energia armazenada apenas para isso, me joguei em suas costas, abraçando sua cintura, ele não pareceu surpreso, acho que nos conhecemos demais para isso.

  Ficamos em silêncio, as vezes palavras não são necessárias para expressar o que quer ser dito, eu sabia o que ele queria dizer e vice-versa. Por isso ficamos daquele jeito por um tempo, ele secou as mãos e apertou meus braços, eu sei que ele notou meus soluços, também sei que seus olhos transbordavam, contudo não é como se estivéssemos tristes, era uma forma de expressar toda a felicidade e gratidão que temos um pelo outro e tudo que passamos, a felicidade em estar ali, outro ano, um novo começo, para mim e também para ele e acima de tudo, juntos.

  Ambos sabíamos que não podíamos ficar daquele jeito para sempre, desatei minhas mãos, mesmo que o aperto tivesse ficado mais forte e eu sentisse que ele não queria que eu soltasse, olhei para ele, ele olhou para mim pelo espelho em nossa frente, funguei o mais fundo que pode e vi a ponta de meu nariz vermelho, eu parecia uma rena, ele riu, eu ri, foi assim que eu soube que as coisas nunca mudariam, independentemente do tempo que passasse. Andei até meu closet e sentei na poltrona vermelha, a única cor que havia no cômodo, olhei as roupas e talvez eu precisasse de novas, aquelas não eram como eu queria aparecer de novo, eu queria mais personalidade, mais vida, coisas novas, não os velhos ternos que eu usava para parecer alguém sério. 

  Tae entrou, olhou tudo, continuou com sua expressão vazia e saiu do quarto, eu continuava parado, com as pernas cruzadas olhando as roupas, não sabia muito o que fazer. Aquilo tudo me lembrava minha antiga vida, minha ex-esposa, nossos planos, as premiações que fui, a plateia, luzes, apresentadores, pessoas falando sobre assuntos banais, jantares com pessoas importantes, vidros se chocando, brindes, ter que fingir que eu estou bem e continuo o mesmo, sendo que todos na mesa não se importam verdadeiramente com isso, apenas com o dinheiro que eu enchia o bolso deles, estar rodeado de pessoas e me sentir sozinho, sentir que minha vida tem preço, isso é o que o capitalismo faz? Transforma sonhos em matéria comprável? Existe uma placa no meu pescoço com meu valor?

  Pisquei várias vezes e balancei minha cabeça, não era hora de devanear, olhei para os lados e vi meu amigo com uma calça preta em mãos e uma blusa social branca, ele falava consigo mesmo em um tom baixo, não era para que eu ouvisse sua conversa particular, sacou a tesoura de seu bolso e cortou o joelho de minha calça, arregalei meus olhos, ele só podia estar ficando maluco, apoiou-a no ombro, olhando a camisa social de cima embaixo e balançando a cabeça. Colocou o cabide pendurado na puxador da janela, pegou um óculos de sol, o colocou na mesa em frente a janela, junto a um boné e uma bota.

- Vista-se. - Virou as costas e saiu.

- Okay...

  Me vesti com as roupas escolhidas e coloquei alguns brincos, puxei as mangas até metade do meu antebraço, não estava frio lá fora, mas também não fazia calor, a primavera havia chegado para iluminar as plantas e desabrochar as flores, era um ótimo dia para sair às ruas, coloquei os óculos e decidi mudar minha postura, não andaria mais curvado, como se houvesse perdido meu orgulho, fiz dança por anos, eu voltaria a postura digna de um dançarino, ajeitei minha coluna e joguei a bolsa sob meu ombro, me olhando no espelho pela última vez.

  Vi que Taehyung já não estava mais no quarto, portanto andei pelo segundo andar, desci as escadas, meus sapatos faziam barulho, ecoando pelo apartamento, passei a mão pelo corrimão, queria deixar a marca daquele dia.

- Você parece diferente. - Ele afirmou olhando em meus olhos,

- Decidi tentar uma postura diferente.

- Gostei, me parece mais decidido, mais cheio de você. O Jimin que eu conheço.

  Eu ri, ele pegou seu paletó de cima do piano e abriu a porta, me fazendo ver o hall de meu apartamento, era um visão quase nostálgica, afinal eu não o via há um ano, parecia tudo tão igual, porém ao mesmo tempo tão diferente, algumas memórias me bombardeavam, só que eu tinha apenas um trabalho, ignorar todas elas e continuar com a cabeça erguida, trancou a porta atrás de nós, guardando as chaves no bolso de sua calça.

  Adentramos o elevador, Tae se olhou no espelho, acertando seu cabelo e sua roupa, ajeitando defeitos que ninguém via, apenas ele, tirando os óculos de sol de um bolso escondido dentro do casaco. O elevador apitou, indicando que havíamos chegado no térreo, a porta se abriu e eu pude ver a portaria do prédio, acredito que os porteiros foram dispensados por hoje, dei graças por isso, eu realmente não gostaria de ter que falar com alguém hoje por simples costumes cordiais.

  O sol estava muito forte, havia pouquíssimas nuvens no céu, era um dia bonito, vi meu amigo escancarar as portas, como se me desse boas vindas de volta ao mundo dos viventes, meus olhos se cerraram devido a luminosidade, saí pela porta com um dos braços em frente aos olhos, os óculos não era suficiente para tampar e filtrar toda a luz que meus olhos não desejavam. Árvores verdes, algumas tinham flores com pétalas delicadas e coloridas, a grama estava igualmente vívida, as pessoas pareciam não estar na rua naquele horário naquele dia, o que me fez lembrar que eu ainda não sabia que dia era hoje, olhei meu celular, eu precisava mudar aquele fundo, eram duas da tarde de uma quinta, as pessoas deveriam estar chegando em seus trabalhos agora do horário de almoço. 

  Andei um pouco pela calçada, até chegar ao carro de Tae, antes de entrar, olhei um pouco para trás, haviam anos que eu morava na rua em que estava, mas nunca havia parado para reparar em como ela era bonita, com suas cores fortes e grama bem aparada, prédios com cores bonitas e recém reformados ou feitos, poucos carros na ruas, grades brancas e vidros limpos, era uma cena curiosa.

  Coloquei o cinto, olhando meu amigo, ele ajustava um pouco o retrovisor, desbloqueei meu celular, olhei todas aquelas memórias que eu nem sabia se queria ter, comecei a apagar desesperadamente as fotos antigas e os contatos desnecessários, eu nunca mais veria aquelas pessoas e, sinceramente, não as quero ver. Meu lixo da galeria foi se enchendo, mil, duas mil, duas mil e quinhentas fotos... não seria melhor eu simplesmente restaurar meu telefone como o de fábrica? Eu não queria nada dali mesmo...

- Tae?

- Sim? - Disse ainda encarando a rua.

- Enquanto eu estiver na psicóloga, você compra um celular novo pra mim? Eu pago por ele depois, prometo. - Ele enfim, em um sinal vermelho me olhou e ergueu uma de suas sobrancelhas.

- Sim, mas por quê? O seu estragou? E não precisa me pagar, será meu presente por todos os aniversários que não pudemos comemorar juntos.

- Não, é só que... eu queria um mais novo, sabe? E tem muitas coisas aqui as quais eu não quero me recordar... - Disse a última parte quase em um sussurro.

- Entendi. - Ele colocou a mão em meu ombro e deu um sorriso pequeno, voltando a olhar o trânsito.

  O caminho foi bem tranquilo e é incrível como as coisas podem mudar tanto em um ano, algumas lojas fecharam e outras as substituíram, outras apenas abriram, eu vi em alguns telões algumas notícias, como o fato de que um asteroide passaria bem próximo a Terra em alguns dias, os casos de novas pesquisas da ciência, aparentemente, eu dormi por muitos anos e não apenas um.

  O carro parou em frente ao prédio onde me consultaria, quando abri a porta, vi algumas pessoas me encarando, então logo a fechei.

- Você sabia que seria assim.

- Hm hum.

- Eu volto para te buscar.

- Tudo bem.

- Está tudo bem. 

- Vai ficar.

  Abri a porta e a fechei, sem me despedir, saindo com a cabeça baixa até a porta do prédio, parei em frente ao balcão, onde a secretaria franzina avisou que era necessário um cadastro para subir sem tirar os olhos do computador velho em sua frente, um tempo passou, depois que ela colheu toda a informação que queria e algumas pessoas tirarem fotos de mim, com a plena certeza de que estavam sendo discretas, mesmo que algumas estivessem com o flash ligado, passei pelas catracas apressado e consegui finalmente subir até o oitavo andar, onde seria minha consulta.

  A porta já estava aberta, vi minha psicóloga me olhar e sorrir, dizendo que se orgulhava de minha iniciativa, seu cabelo loiro preso no mesmo coque de sempre, as mechas grisalhas entregavam sua idade, olhos azuis cristalinos que atravessam o meu ser e veem por de trás de qualquer máscara que eu já me predispus a colocar em minha face, sempre a mesma calça cor caqui, normalmente o mesmo casaco preto com o broche de pérolas, sua blusa sem nenhuma dobradura, a mesma pulseira de pérolas, os mesmos brincos de pedras brilhantes que ganhará de casamento. Óculos caídos na ponta de seu nariz fino, salto desgastado preto, mesmo cômodo com cheiro de lavanda misturado com naftalina e aspecto envelhecido, acho que deve ser o excesso de madeira e as cortinas de seda velhas e meio amareladas, mesma cadeira vermelha estofada, mesmos livros, prancheta apoiada em seu colo com a caneta presa por uma cordinha.

  Os retratos de seu falecido esposo continuam em cima da lareira apagada, ela me parece bem mais feliz em suas antigas fotos, ela ainda usa a aliança, não é meu papel aqui dizer o que ela deve fazer ou não, talvez ela ainda se considere casada à pessoa que ele foi, mesmo que seu espírito já não se encontre conosco. Eu entendo, se eu amasse tanto alguém, passasse minha vida toda com essa pessoa, se minha vida fosse mais com ela do que só, eu faria o mesmo. Ele foi o amor da vida dela, é totalmente compreensível.

  Mesmas perguntas de sempre como: nos dias que passamos sem nos ver, como me saí? Se senti meus pensamentos se afunilarem novamente, se havia comido, alguma crise de pânico? Sentimento autodestrutivo? Minha dor em uma escala de zero a dez? Se senti que alguma hora iria me transformar em uma "pedra". Meu celular apitou, seu olhar reprovador me atravessou, como se eu fosse um aluno, pego fazendo coisas que não deveria.

- Senhor Park, sabe que celulares, apenas no mudo.

- Me perdoe. - Puxei-o do bolso apenas para mudar seu estado, porém vi inúmeras notificações com meu nome, o boato de que havia um relacionamento incestuoso voltou a toda força, coisas que minha ex-esposa criou. Senti minhas mãos começarem a tremer e a suar frio.

- O que te aflige? - Eu tentava falar, mas nada saía, simplesmente nada saía, minha voz se emudeceu e meus olhos se encheram de lágrimas. - As notícias já correram? - Concordei com a cabeça. - Elas sempre correm.

- As pessoas são cruéis. - Sussurrei.

- Sim, elas são, mas se você sabe que nada disso é verdade, filtre os comentários e absorva apenas o que é bom e produtivo para você.

- Elas nem me conhecem.

- O ser humano tem o costume de achar que a vida do outro é a extensão da sua, a internet aumenta isso, todos sabem da vida de todos, isso cria a ilusão que elas são parte da sua vida, portanto cabe a elas julgá-la.

- Elas não têm esse direito.

- Como isso faz você se sentir?

- Péssimo, triste, irado, dolorido... sozinho?

- Eu gostaria que você visitasse um lugar. Lá você encontrará pessoas com o mesmo objetivo que você, provável que você não se sentirá sozinho mais.

- E para quê? - Eu arrancava os fios que se soltavam dos rasgos juvenis de minha calça.

- Você é sozinho, senhor Park, o ser humano é um ser social, é o que nos torna humanos. Interação com outras pessoas é essencial, sei que você costuma fugir delas, mas é importante, principalmente para o avanço do tratamento de sua condição que você se encontre com outras pessoas e fale sobre os seus sentimentos. Você tem muitas coisas guardadas, esses grilhões fazem você sentir dor, você sabe disso.

- Eu posso me virar sozinho.

- Temo que não.

- Então, isso significa que eu sou incapaz? Eu não posso nem lidar com meus problemas sozinho? Eu sou tão inútil assim? Eu não tenho o mínimo de controle sobre minha vida mais?

- O auxílio de terceiros não te faz menos capaz, apenas demonstra que você precisa se ver em terceiros para fazer novas descobertas sobre si mesmo. É assim que as pessoas funcionam, por favor, pense sobre isso. - Dizia estendendo o cartão do tal lugar.

  Pude ler, "lagoa de lírios d'água", o cartão era bonito, continha uma pintura de fundo, era um jardim com uma ponte, pude ver a escritura "MYSA" no canto com um telefone, o endereço era meio longe, trinta minutos de minha casa, mais ou menos, ficava meio longe do centro da cidade, em uma área mais rural, obtinha alguns relevos, era muito bem feito, alguém passou muito tempo o desenhando. Talvez eu devesse dar uma chance, não pelas pessoas, mas o nome era muito curioso, queria saber se realmente tinha uma lagoa com lírios.

  Mais algumas perguntas foram feitas, ela anotava a rabiscava o papel de reciclagem, as vezes me pergunto se ela simplesmente não desenha no papel e finge que escreve, porque eu não penso que sou tão interessante assim, talvez eu seja como os outros pacientes dela, complicado e com a sensação de que meus problemas são maiores que eu. Me sentia um egoísta na maior parte do tempo, meus problemas talvez não fossem tão gigantescos como eu os via, existem pessoas que estão enfrentando coisas muito piores que eu.

  Ela se despediu com sua voz doce e suave, estendeu a mão e a balancei, repetiu que minha decisão havia orgulhado-a, como se eu fosse um filho seu, agradeceu por eu ter ido à consulta, perguntou se poderíamos tê-la aqui mesmo, daqui a três dias, apenas fiz que sim com a cabeça e agradeci por seu tempo.

  Saí pela porta, guardei minhas coisas em minha bolsa, peguei meu celular e o olhei, entrei no twitter e vi meu nome nos mais comentados, como o sujo e maldito escritor que deveria ter continuado dentro de casa, até apodrecer e morrer. Claro, esse comentário era de alguém que eu conhecia. O restante eram de pessoas preocupadas com onde eu estive, se teria livro novo, manchetes sensacionalistas dizendo que eu estava noivo de Tae? Acho que essa foi a coisa mais louca que eu li nos últimos meses. Alguns agradecendo por eu ter voltado antes de que a pessoa que comentou tivesse filhos.

  Até que eu vi o que não deveria ver, como as pessoas conseguiram aquela foto? Ela deveria ser confidencial, mais pessoas me xingando, fotos minhas chorando na frente do prédio, sendo escoltado por bombeiros e policiais com um cobertor cinza e velho jogado por meus ombros, camisa ensanguentada, olhos vazios e vermelhos. Vi aquilo, comecei a tremer de novo, mais memórias voltando a minha cabeça, girando e girando, como em um loop, vozes falando, muitas vozes, as vezes eu ouvia a minha própria voz, normalmente gritando ou chorando.

  Senti minhas pernas doerem e meus braços me envolveram em um instinto, então eu corri, empurrei a escada de incêndio, subi os degraus correndo, pulando em alguns e tropeçando em outros, eu sentia meu rosto se encharcar de lágrimas, passei o braço rapidamente por eles, estava difícil de enxergar, aquelas escadas pareciam infinitas, se repetindo de novo e de novo, pareciam que nunca terminariam. Porém tudo tem que ter um final.

  Cheguei no último andar e corri até metade, arremessando meu celular de cima do prédio, nunca mais eu veria aquelas notícias, nunca mais veria aqueles contatos, nunca mais veria as promessas que nunca se cumpriram, nenhuma das fotos, nenhum dos vídeos guardados em nuvens, nunca mais eu veria nada daquilo, eu já não aguentava mais ver meu passado, eu queria viver o presente. 

  Apoiei minhas mãos em meus joelhos e senti o suor escorrer em meu pescoço, estava muito quente, deixei minha bolsa cair no chão, respirei fundo, voltando a minha postura normal, olhando o céu. Tirei minha camisa de dentro de minha calça, eu queria me sentir livre de novo, sem nenhuma amarra, sem ninguém me dizendo o que fazer, queria eu ser um pássaro, para poder voar no azul do céu, indo para bem longe daqui, longe de todas as pessoas que me acham que me conhecem, me sentir cheio de mim, ver a cidade lá de cima, os prédios gigantescos menores, ver carros como pontinhos, quase não ver pessoas, apenas eu, as nuvens e a imensidão azul.

  Sentei-me no chão, absorvendo as nuvens e o formato abstrato que elas tomavam, as construções com pessoas trabalhando dentro, luzes acesas mesmo estando de dia, luz natural não é boa o suficiente para manter um trabalhador acordado, carros passando, sempre apressados para ir a um lugar que não se mexe, pessoas bem vestidas para impressionar os outros e atrair bons olhares, sem necessariamente olharem bem para si mesmos, a busca por aprovação exterior sempre será eterna.

  O sol brilhava, incessantemente, a maior estrela do nosso sistema solar, pensar que as pessoas cogitam que são grandes, contudo, tamanho é só questão de perspectiva, eu sou gigante para uma formiga, para o sol, eu não sou a poeira que ele produz. 

  Fechei os olhos e tentei absorver o calor que inundava minha pele, o contraste que fazia com a brisa suave que batia em meu rosto, me concentrar em apenas estar ali, com minha companhia, como minhas mãos encostavam no cimento sujo e áspero, como o silêncio era perfeito e cristalino, apenas com o som da minha respiração, sentir o ar entrando e saindo de meus pulmões.

  Ouvi um "click", que eu saiba pássaros não emitem esse som, virei minha cabeça para trás e vi um garoto, jeans surrado, camisa branca muito bem passada, jaqueta amarela com detalhes em preto, botas marrons, ele olhava por de trás de uma câmera profissional, seu cabelo estava perfeitamente arrumado, era também de um preto bem profundo, seus brincos e anéis brilhavam, com o vento a corrente de seus brincos balançavam levemente, permaneceu parado por alguns segundos até tirar a câmera da frente de seu rosto.

  Seus olhos eram de um preto eterno, como se eu fosse ser engolido por eles, como duas obsidianas, seus traços eram leves, ele devia ser mais novo que eu, abriu um sorriso gigantesco, dentes de coelho... eu lembro de um sorriso como o dele, todavia o dele tinha algo de diferente, era ingênuo, lembrando de uma criança, expressando toda a felicidade do mundo, como se em toda sua vida, nunca houvesse conhecido tristeza, seu nariz se enrugava um pouco, era a face de um fedelho arteiro que foi pego no ato.

- Oi! - Ele riu um pouco, pude ouvir sua risada bem baixo, eu sorri de leve de volta, sua alegria contagiava qualquer um. - Espero não ter atrapalhado o senhor.

- Senhor? - Eu ri. - Eu devo ser só alguns anos mais velho que você.

- Mesmo assim, poxa. - ele riu um pouco mais alto, ele era adorável. - Prazer, meu nome é Jungkook. - inclinou a cabeça um pouco para o lado, como se me cumprimentasse, fazendo seus fios se deslocarem um pouco.

- Prazer, meu nome é Jimin, pequenino. - Disse me levantando e pegando minha bolsa. - Me diga, o que faz aqui?

 


Notas Finais


Oi gente,

Eu fico muito feliz que vocês tenham lido, que tenham chegado até aqui, muito obrigada, eu to bem empolgada com tudo, prometo atualizar essa semana que chegará agora. Votem e comentem muito, eu adoro ler o que vocês tem a dizer, de verdade.

meu @no twitter é JungkookGalaxy, mas o detalhe é que o L é um I maiúsculo, porque eu sou ladina mesmo, quem quiser me seguir, estão convidadissimos, o da minha amiga (que provavelmente vocês chegaram até aqui por ela) é Minie_my_love_

Se vocês puderem recomendar pros seus amgs, só se gostarem lógico, seria muito muito bom.

https://open.spotify.com/playlist/4lRxULVrulLaSBSCbcmnIb?si=fSKNuPQdQgKgS5e0tnr_Pw Ta aqui o link da playlist que eu disse.

Com amor, Heab.


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