História With Love, Yuri - Capítulo 30


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Categorias Girls' Generation
Personagens Hyoyeon, Jessica, Seohyun, Sooyoung, Sunny, Taeyeon, Tiffany, Yoona, Yuri
Tags Girls' Generation, Hyoyeon, Jessica, Seohyun, Snsd, Sooyoung, Soshis, Sunny, Taeyeon, Tiffany, Yoona, Yulsic, Yuri
Visualizações 131
Palavras 5.375
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Fluffy, Orange, Yuri (Lésbica)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oiiieee amores, como estão???

Demorei? Bom espero que não. Aqui vai mais um capítulo da fic e deixarei para falar mais nas notas finais

Capítulo 30 - As mudanças de ares de Jessica Jung


Sooyoung

 

Outubro de 2016 – Loja de artigos esportivos dos Kwon

 

— Muito obrigada. — Agradeci assim que paguei o motorista e desci do táxi chegando à loja de artigos esportivos de Hyukjun.

Aquele relacionamento já não estava funcionando há muito tempo e somente agora eu havia tido finalmente a coragem de pôr um fim nisso.

A loja já estava fechada como eu imaginava, mas a luz acesa indicava que ele ainda estava ali, como eu suspeitava a princípio apenas ocultando sua presença. Não foi preciso muito mais que um simples toque na maçaneta para a porta da frente se abrir e para que eu adentrasse ao no interior da loja.

Confesso que era um tanto quanto mórbido de noite, os manequins com roupas e uniformes de times espalhados pelo lugar me assustavam, bem como as vitrines ao canto e todos os objetos pendurados. Permaneci caminhando e desviando de todos os objetos até chegar exatamente ao centro da loja, distância suficiente para ouvir sua voz grave soar assustando-me fazendo com que, acidentalmente, eu esbarrasse em um dos manequins.

— Meu sócio envia um relatório das vendas toda semana. — Ele falava em um tom que eu desconhecia e certamente havia alguém com ele.

— Envia, realmente. — A voz da mulher soou em seguida enquanto eu ainda me aproximava. —Porém, estamos observando uma certa discrepância nos valores emitidos. Nossos veículos costumam valer muito mais que 1.5 milhão de wons.

O valor mencionado me fez parar instantaneamente tentando raciocinar sobre o que falam. Até o momento, eu me direcionava para os fundos onde ficava a pequena sala em que conversavam, e eu desisti, recuando uns passos e me direcionando à pequena janela mais à frente.

Eu sabia que aquilo se tratava de alguma negociação sobre algo e isso respondia muitas de minhas imensas perguntas a respeito dele. Uma súbita raiva me atingiu naquele momento e uma lágrima escorreu de meu olho no segundo que disquei para o número da polícia.

— Está nos chamando de ladrões? — Subi em uma pequena elevação para conseguir olhar pela janela no segundo exato que ele voltou a falar. Na sala estava Hyukjun – sentado à sua mesa –, uma mulher mascarada e mais dois homens que permaneciam ao redor como sentinelas pelas costas, quase imóveis apenas observando. Atentei bem todas as descrições de todos dentro da sala e liguei à polícia explicando bem sobre o local onde o estabelecimento ficava localizado.

Mesmo sem saber como deveria agir, imaginei que estivesse fazendo o certo.

— Olha aqui, seu coreaninho imundo. — Ela debruçou-se sobre a mesa e os homens atrás dela moveram-se uns centímetros à frente, ficando apostos. — No país de vocês, talvez, vocês pensem que balançam os peões, mas estão brincando com o fogo. Eu quero o meu dinheiro.

Hyukjun engoliu a seco enquanto eu conseguia ver pequenas gotas de suor brotar em sua testa e sua respiração ficar alterada.

— Eu...

A mulher à sua frente recompôs-se diante dele, mantendo sua postura impecável e completamente assustadora.

— Na família, eu sou conhecida como piedosa, por isso me enviam para negociar com os ratos. Mas isso não significa que não sou capaz do contrário. Agora eu te pergunto mais uma vez: Cadê o meu dinheiro?

— Eu não tenho todo esse dinheiro. — Ele respondeu entregando um papel a ela. — Esse valor é tudo que há na conta da minha família. — A moça à sua frente analisou o – aparentemente – documento e voltou a entregá-lo.

A família de Hyukjun nunca foi rica, de fato, mas eles tinham uma boa condição financeira para se manterem muito bem. O pai deles havia dedicado longos anos construindo aquela loja para dar conforto e uma vida digna para todos os seus filhos e naquele momento, eu descobria que Hyukjun estava prestes a arruinar de vez sua família e eu não pude evitar sentir nojo por um dia ter gostado dele de verdade.

Ela virou às costas para ele enquanto os seguranças permaneciam apostos ao que estava acontecendo.

— Ótimo. Vocês têm até o meio dia de amanhã para transferir essa quantia para minha conta e eu lhe dou um mês para conseguir o resto, caso contrário, eu vou caçar você senhor Kwon.

Ela saiu marchando, caminhando a passos largos com seus sentinelas à sua cola fechando a porta bruscamente fazendo todo o prédio balançar. Utilizou a entrada dos fundos para sair e no segundo que a segunda porta se fechou, Hyukjun gritou furioso jogando no chão todos os papéis e tudo que estava na mesa.

Pegou seu celular na gaveta ao lado e discou para algum número direcionando-se para a porta. Rapidamente, desci da elevação e corri, escondendo-me entre os manequins mais à frente enquanto o via acessar a loja completamente furioso.

— Seu desgraçado! — Ele comentou com quem quer que seja que estivesse ao outro lado de sua linha telefônica. — Fênix de Taiwan... Eu não acredito que eu fui ameaçado por aquela pirralha da Hydra. Eu não vou me ferrar nessa, sozinho. Está me ouvindo? Está me ouvindo? — A segunda vez que ele repetiu a frase, ecoou tão alta que eu me assustei o bastante para recuar esbarrando em um dos manequins e tirando-o do lugar. — Sooyoung. — E quando eu ouvi meu nome soar eu não consegui evitar sentir um arrepio percorrer meu corpo enquanto um súbito medo me consumia.

Eu havia assinado minha própria sentença.

Eu tentei correr, mas ele foi mais rápido, desligando o telefone, jogando-o sobre o balcão e pulando sobre ele, chegando à porta de saída primeiro do que eu, travando-a.

— Deixe-me passar. — Ele apenas me olhava com um olhar psicótico e doentio e eu só conseguia sentir medo. — Deixe-me passar.

Ele ainda me olhava com ódio. Quando ouvi uma sirene soar ao fundo, respirei aliviada imaginando que finalmente eu estaria salva. A polícia havia chegado e eu apenas tentei correr em direção aos fundos quando ele agarrou meu braço me prendendo ali.

— Chamou a polícia?

Sequer tive tempo de reação quando vi seu punho cerrado vir em minha direção, fazendo-me cair ali mesmo, desmaiada, em seus braços.

 

[…]

 

Quando minha visão turva começou a tornar-se mais nítida, tudo que eu conseguia ver era Hyukjun à minha frente. Estávamos em minha casa, pela escuridão do lado de fora eu presumia que estávamos de noite embora eu ainda não soubesse ao certo o que havia acontecido antes. Tudo parecia confuso e eu ainda não tinha muito controle sobre o meu corpo.

Hyukjun andava de um lado para o outro pegando objetos em minha casa enquanto eu estava no quarto, e só então eu percebi que estava sentada à uma cadeira de madeira com amarras prendendo-me ali.

— Vejo que acordou. — Ele mencionou, entrando no quarto e fechando a porta. — Não deveria ter feito isso, Soo. Eu gostava de você...

— Sério? — Disse com dificuldade, minha garganta arranhava e minha visão ainda não estava cem por cento restaurada.

— Esse foi o seu erro. — Ele comentou colocando uma amarra em minha boca impossibilitando que eu dissesse qualquer outra palavra. Logo, aproximou-se de meu ouvido e disse em sussurro. — Desculpe amor, mas terá que ser assim. — Passou suas mãos imundas em meu rosto. — Tão linda e tão burra. Deveria ter ficado quieta e essas são as punições. Foi bom te conhecer. — Deu um beijo em minha bochecha que deixou meu estômago embrulhado e saiu, carregando o que conseguiu de minha casa, deixando-me para morrer ali, no quarto, amarrada e amordaçada.

 

[…]

 

Yuri

 

Atualmente – aeroporto de Taipei, capital de Taiwan

 

— Yuri. — Ouvi um cochicho bem distante, com certeza vindo de Jessica, mas eu recusava-me a abrir os olhos. —Yuri. — Ela continuava chamando, mas eu ainda queria permanecer dormindo. — Yuri! — Dessa vez, enquanto me chamava, Jessica me balançou e uma alta risada ecoou fazendo com que, mesmo contrariada, eu finalmente abrisse os olhos.

Passei as mãos em meu rosto por alguns segundos tentando despertar-me por completo até ver Jessica sorrindo largamente ao meu lado enquanto me olhava. Por breves segundos, simplesmente parecia que estávamos a sós no avião, e eu amava aquele olhar.

— Yuri! — Dessa vez o chamado foi de Tiffany que estava à nossa frente e tão logo que ouvi sua voz, me virei para sua direção sendo surpreendida pelo flash da câmera de seu celular e apenas deu tempo de fazer qualquer pose aleatória antes de uma foto ser tirada.

Nossa primeira foto juntas e em território estrangeiro.

— Ficou muito boa. — Tiffany comentou caminhando com o celular para que Jessica pudesse ver.

Comecei a ajeitar minhas coisas para que pudéssemos desembarcar já que, pelo que eu pude perceber, havíamos acabado de posar. Mas não conseguia não notar Jessica olhando para mim ao mesmo tempo que analisava a foto no celular de Tiffany enquanto todos da equipe começavam a se ajeitar para também desembarcar.

— Me envia essa foto. — Foi tudo que eu consegui ouvi-la dizer antes de Tiffany correr para seu assento e também organizar suas próprias coisas.

Eu não fazia ideia em qual momento daquela viagem eu havia caído no sono, mas eu conseguia me lembrar claramente da voz de Jessica soando no fone e não pude evitar me sentir culpada por desconhecer sua discografia impecável. Quanto mais a conhecia, mais ficava encantada por ela.

— Aposto que não vai querer pegar a saída privada. — Comentei, puxando assunto antes de começarmos a sair do avião.

Jessica apenas virou-se para mim e sorriu.

— Não mesmo.

Um mar de fãs ainda maior do que nossa saída de Seul cercava todos os cantos. A segurança no lugar estava reforçada pela própria companhia que administra o aeroporto, mas, ainda assim, tivemos certa dificuldade para passarmos por entre os fãs, dessa vez, sem ter muito tempo para Jessica cumprimentá-los.

Nossa equipe manteve-se próxima o tempo todo também servindo como escudo para Jessica e mesmo com toda a dificuldade de locomoção, eu ainda conseguia breves segundos para olhar para Jessica ao meu lado e vê-la acenando para seus fãs que a chamavam. Vi-a pegar algumas cartas oferecidas por eles, e tocar na mão de alguns enquanto nos direcionávamos para a van logo adiante.

Na frente, uma moça já nos esperava. Jessica a abraçou e a cumprimentou enquanto ela repetia o mesmo com o resto da equipe antes de adentrarmos a van. Dessa vez, nos dividimos de modo que, Tiffany, Jessica, os dois seguranças e eu ficássemos em uma van e o resto da equipe, em outra. E assim que a porta fechou-se, o motorista deu partida, fazendo com que nos distanciássemos do aeroporto.

— Sica, quanto tempo? — Comentou a moça de cabelos castanhos sentada à nossa frente na van que havia ido nos buscar. — Essa eu não conheço. — Ela completou, apontando para mim.

Jessica ainda ajeitava-se no banco e sorriu para a mulher enquanto desviava levemente o rosto para mim e voltava para a frente.

— É minha assistente pessoal. Yuri, essa é Mei Qi, minha tradutora e guia em Taiwan.

Cumprimentei-a apenas com um aceno de cabeça.

— Muito prazer senhorita Yuri. — Ela comentou.

— E qual o roteiro de hoje, Mei Qi?

Certamente, ambas se conheciam bem a julgar pela forma como conversavam. Assim como Jessica frequentemente tinha agenda em Taiwan, era quase que certo que Mei Qi sempre fora sua tradutora para um dos dialetos do mandarim.

— Vamos direto ao hotel, vocês se instalam, descansam e os levarei para almoçar no restaurante que você gosta. Depois, passagem de som, show e retorno ao hotel.

Vi apenas Jessica virando-se para mim com um meio sorriso no rosto.

— Já comeu comida Taiwanesa, Kwon? — E eu apenas assenti negativamente para sua pergunta fazendo-a sorrir com a resposta. Talvez fosse a resposta que ela esperava.

 

[…]

 

A chegada no hotel foi bem tranquila. Era um hotel luxuoso e não haviam fãs o cercando. As vans estacionaram bem em frente a entrada e fomos entrando aos poucos e lotando a recepção do hotel 5-estrelas localizado no centro de Taipei.

Muitos estavam dispersos pelo lugar conversando sobre coisas aleatórias enquanto outros, inclusive eu, permanecíamos em uma espécie de fila desorganizada para fazermos check-in no hotel. Jessica estava atrás de mim conversando com sua guia e, aparentemente, amiga enquanto Tiffany estava à minha frente falando com a recepcionista do hotel. Eu, verdadeiramente, não sabia como isso funcionaria mas, aparentemente, todos teriam seus próprios quartos até o primeiro problema começar a aparecer.

— Não há quarto reservado para Stephanie Hwang. — A recepcionista comentou, devolvendo-lhe seu documento.

Imediatamente todos da equipe que estavam dispersos pelo local, começaram a aglomerar-se à frente do balcão de recepção até descobrirmos que o total de quarto realmente reservados não coincidia com o total de pessoas aguardando.

Jessica tinha seu quarto e Solji também. Curiosamente, o meu estava reservado no andar inferior ao quarto dos demais. Das 5 dançarinas, haviam apenas 2 reservas. Gray – o técnico de som – tinha seu próprio quarto e sua maquiadora também.

— Talvez Seohyun tenha se enganado. — Comentou Hyoyeon, colocando sua mala sobre o chão e sentando-se em cima dela.

— Impossível. — Jessica pronunciou aproximando-se do balcão. — Não há quartos vagos?

— Não, senhora. — A recepcionista respondeu. — Como a reserva foi cancelada, liberamos os quartos para outros hóspedes.

— Cancelada? — Alguém falou ao fundo e não consegui identificar quem.

— Talvez devêssemos ligar para a Seohyun. — Solji sugeriu fazendo-me lembrar de suas recomendações antes de entrarmos no avião. — Ela talvez saiba o que fazer.

Qualquer problema era para comunicar a ela e foi o que eu fiz, puxei o celular do bolso no intuito de me comunicar com ela, mas não consegui antes de Tiffany impedir-me de mexer no celular, roubando a atenção de todos.

— Não será preciso. Temos 7 quartos. É só dividirmos.

— Mas ainda acharia melhor comunicar à Seohyun. — Comentei, interrompendo-a enquanto a chave de meu quarto era brutalmente arrancada de minha mão por Tiffany que recolhia todas as chaves dos quartos, exceto a de Jessica.

— Ok. — Tiffany voltou a dizer enquanto, aparentemente, raciocinava sobre o que estava acontecendo. — Os seguranças e o técnico de som, ficam no mesmo quarto. — Disse Tiffany, entregando a primeira chave enquanto os mencionados já encaminhavam-se para a direção do elevador. — Três dançarinas em um dos quartos, duas dançarinas no outro. — E logo, duas outras chaves foram entregues fazendo com que as 5 dançarinas se dispersassem pelo local em direção aos seus quartos. — Maquiadora e cabeleireira. — Mais uma chave. — Solji e Mei Qi. — Disse entregando a 5ª e penúltima chave. — Hyoyeon e eu.

Com o anúncio da distribuição da última chave, a aglomeração na recepção já havia se dispersado, porém, ainda faltava uma pessoa.

— E eu? — Comentei, vendo Tiffany afastar-se. Ela sequer virou-se para responder. Apenas manteve seu foco para onde olhava e deixou escapar alto e claro:

— Você divide o quarto com Jessica.

 

Krystal

 

Coridel Entertainment

 

— Como tiveram problemas nas reservas? — Ouvi Seohyun quase gritar enquanto atendia a um telefonema de Yuri que já havia desembarcado em Taipei. — Unnie, eu mesma reservei todos os quartos. — Ela voltou a comentar enquanto eu apenas aguardava à sua frente. Não fazia muito tempo desde que eu havia chegado aos prédios da Coridel sendo devidamente recepcionada por Seohyun pelos fundos da empresa tentando evitar ao máximo que me vissem, mas boa parte do tempo, apenas a vi pendurada ao telefone. — Eu sinto muito. Procurarei saber qual foi a falha.

E então ela desligou o telefone. Seohyun encostou-se à sua mesa enquanto respirava fundo e provavelmente raciocinava sobre o que estava acontecendo do outro lado daquela linha telefônica.

— Problemas? — Questionei, aproximando-me dela.

— Eu tenho certeza que reservei todos os quartos. — Seohyun cobriu seu rosto com suas mãos totalmente preocupada com o que estava acontecendo.

— Eu sei. Jessica também sabe disso. — Comentei, pondo minha mão sobre suas costas. — Relaxa. Elas conseguiram dar um jeito, não é?

Seohyun se recompôs respirando fundo logo em seguida, mantendo sua postura profissional impecável.

— Decidiram dividir quartos. — Ela ainda pareia um pouco preocupada. — Jessica Unnie está dividindo o quarto com Kwon, mas não faz sentido. Eu me lembro de ter feito as reservas.

Eu não pude evitar rir ao fim de seu relato enquanto me encaminhava para a porta da sala de Seohyun a fim de dar início ao que havíamos ido fazer ali.

— Não se preocupe. — Comentei, chegando à porta. — Aposto que Jessica não se importou com isso.

— Jessica gosta de Kwon unnie?

Eu gargalhei apenas controlando-me para não soar alto demais.

— Gostar? Ela gosta sim e muito; assumir... Talvez nem tão cedo. — Disse sussurrando. Seohyun fazia parte do círculo de pessoas que sabiam sobre Jessica, entretanto, ainda estávamos na Coridel e para todos os efeitos, ainda precisávamos manter aquele assunto em segredo. — Vamos?

Seohyun apenas assentiu antes de deixarmos sua sala para seguirmos com nossa missão por entre os corredores da Coridel. Tomando o máximo de cuidado possível para não encontrarmos com alguém pelo caminho.

Seohyun guiou-me até a sala de arquivos e começamos a procurar pelo contrato de Jessica diante de todos os papéis que estavam ali. Uma busca que demorou cerca de 10 a 20 minutos até ouvi-la me chamando diante de todo o silêncio que se estabeleceu enquanto estávamos na sala.

— Soojung? — Seohyun fez-me olhar para ela enquanto estendia-me a folha de papel em suas mãos.

— O contrato? — Só tive tempo de questionar antes de passos ecoarem pelos corredores.

E nós corremos. Os passos vinham em nossa direção e só havia uma coisa a fazer: rezar para que não nos vissem. Corremos até a mesa da sala e nos abaixamos atrás dela a tempo de ouvir o rangido da porta ecoar com duas pessoas adentrando a ela. Fiz sinal de silêncio e apenas aguardei esperando pelo melhor.

— Por que conversar na sala dos arquivos, senhor? — A voz de Tyler soou assim que passaram pela porta e eu olhei para Seohyun.

— Para não corrermos o risco de que alguém ouça. — Quem respondeu, dessa vez, foi meu pai e a forma como falavam parecia confidencial demais. — Quanto tempo você não dorme com minha filha?

Senti Tyler hesitar antes de responder.

— Um bom tempo, senhor.

— Então por que você não está em Taipei agora? — Meu pai intimidou Tyler fazendo-o gaguejar tanto que fomos capazes de ouvi-lo balbuciando alguma coisa antes de respondê-lo firmemente.

— Temos uma viagem marcada para a América, amanhã, senhor. Temos resolvido muitas coisas na Coridel, não tenho tido muito tempo livre.

Meu pai respirou fundo provavelmente tentando conter seu humor. Nunca havia presenciado uma conversa dos dois ou sequer havia visto meu pai agir com tal autoridade sobre Tyler.

— Espero que não tenha esquecido nosso trato, Senhor Kwon. — Ele comentou enquanto seu tom de voz tornava-se mais grave. — Você pediu 6 meses e eu dei 6 meses para você conquistar ela na Califórnia, voltarem noivos e se casarem. Por que ainda não oficializaram o noivado?

Tyler engoliu a seco com a intimação de meu pai.

— Estou indo no tempo dela, senhor.

— Tempo dela? Ela nunca te dará tempo. Espero que não decida cair fora agora, ou o mais prejudicado será você.

— Não senhor. — Tyler parecia nervoso enquanto conversavam e eu apenas fiz questão de certificar-me de cobrir a boca de Seohyun com minha mão, garantindo que saíssemos ilesas diante de toda aquela situação.

— Ótimo. — Ele comentou enquanto seus passos voltavam a soar. Certamente, planejava sair da sala e ameacei sair de meu esconderijo embaixo da mesa, mas ele retornou, batendo a porta novamente fazendo com que eu recuasse. — A aproximação de Jessica com aquele projeto de segurança pessoa não me agrada.

— Não se preocupe senhor. — Ele voltou a responder. — Ela não é uma ameaça e farei o possível para que não se torne. Inclusive, mexi nas reservas do hotel. Coloquei-as em quartos distintos e garanti que Tiffany ficasse sem quarto. Certamente, Jessica fará com que a amiga fique com ela.

— Joguinhos, Tyler? Sério? Quantos anos você tem? Tome atitudes de homem porque tirar você da jogada é mais fácil do que mexer em reservas de hotel.

Meu pai saiu bufando pela sala tendo Tyler imediatamente à sua cola. Ficamos alguns segundos completamente imóveis sem sabermos como agir ou o que fazer. Encarei Seohyun assim que confirmamos ser seguro levantarmos e ainda não sabíamos como lidar com o que havíamos acabado de presenciar.

— Ele mexeu nas reservas? — Ela perguntou, incrédula.

— Eu nunca vi Tyler parecer tão amedrontado como agora. — Recompus-me e analisei o documento à minha mão. O suposto contrato de Jessica para a Coridel — Por que ele teria medo?

— Não sei. — Ela respondeu enquanto caminhava para a porta. Mas eu ainda não estava totalmente satisfeita.

Tinha algo a mais, eu sabia que sim.

— Seohyun? — Chamei fazendo-a virar. — Vamos continuar procurando. Tem algo muito maior ainda por trás disso tudo.

 

[…]

 

Yuri

 

Hotel em Taipei

 

— Falei com Seohyun. — Comentei assim que Seobaby desligou o telefonema enquanto caminhava para perto de toda a equipe que já ajeitava-se para sairmos para almoçar. Havíamos combinado de irmos cedo para termos tempo suficiente para irmos fazer a checagem de som em seguida, então apenas deu tempo de todos tomarem banho antes de descermos novamente para a recepção. — Não foi ela quem cancelou as reservas.

— Pode ter sido um erro no sistema. — Comentou Hyoyeon.

— Ainda assim, é muito estranho.

— Esqueça isso, Kwon. — Tiffany me repreendeu dando leves tapas em minhas costas. — Já resolvemos o problema dos quartos.

Apenas assenti positivamente enquanto, ao fundo, observávamos Mei Qi aproximar-se de onde estávamos. A equipe estava quase toda completa na recepção do hotel após cada um ter tido poucos minutos em seus respectivos quartos para arrumarem-se.

— Prontos? — Ela perguntou aproximando-se.

Tiffany começou a contar todos que estavam presente, até constatar o que eu já sabia.

— Onde está a Jessica?

— Vou chamá-la. — Disse apenas, virando-me de costas para eles e partindo em direção ao quarto.

Apertei o botão do elevador e o aguardei chegar. Estávamos em um andar consideravelmente alto e demorou para que ele descesse, bem como subisse. Tempo suficiente para 1000 pensamentos rondarem minha mente e no meio deles, repentinamente, uma melodia surgiu e eu não pude evitar sorrir ao reconhecê-la.

O elevador parou no andar desejado e desembarquei caminhando para o quarto que eu dividiria com Jessica mais uma vez. A melodia ainda soava em minha mente até não conseguir mais segurá-la, começando a cantarolar uma das músicas de ouvi durante o voo até Taipei.

— You’ll never know, behind my smile, I wanna tell you... — Cantei enquanto abria a porta do quarto, soou alto o suficiente para ecoar pelo quarto até o banheiro onde Jessica ainda tomava seu banho.

Ouvi uma risada ecoar enquanto eu ainda adentrava ao quarto.

— Vejo que você gostou. — Ela comentou gabando-se pelo fato de eu cantar suas músicas que sequer imaginei que um dia as ouviria enquanto saía do banheiro vestida em um roupão de banho.

— É muito boa, eu confesso. — A fiz gargalhar ainda mais enquanto caminhava em minha direção. — Já estão todos prontos lá embaixo. — Comentei ameaçando caminhar de volta à porta para voltar a recepção, mas Jessica me segurou, puxando-me de volta a ela.

Devo dizer que estava com saudades visto que nossa manhã havia sido bem agitada e sequer havíamos tido um minuto uma com a outra. Conforme ela me puxou para perto dela novamente, apenas coloquei minhas mãos em volta de seu pescoço e a vi sorrir segundos antes de unir nossos lábios.

Eu já havia perdido as contas de quantas vezes a havia beijado nesse curto período de tempo em que estávamos tendo alguma coisa, mas o fato era que, todas as vezes sempre parecia a primeira vez. O frio na barriga e a imensa felicidade por saber que ela, assim com eu, também queria aquilo.

— Yuri... — Jessica me chamou, de repente, interrompendo nosso beijo enquanto fazia com que eu a olhasse nos olhos. — Eu....

E quando Jessica preparava-se para dizer algo, batidas soaram à porta, interrompendo-a. Permanecemos um certo tempo sem saber como agir até eu precisar cobrir nossas bocas evitando que nossas risadas fossem ouvidas.

— Jess! — A voz de Tiffany soou junto à batida à porta. — Precisamos ir almoçar. — Ela completou enquanto eu e Jessica apenas nos entreolhávamos e nos segurávamos para nos rirmos. Avancei poucos centímetros para perto dela ameaçando beijá-la de novo quando a voz de Tiffany voltou a soar. — Agora! — Alertou alto e claro.

— 5 minutos. — Jessica respondeu.

Houve um curto período de tempo em silêncio.

— Yuri? — Tiffany chamou e mesmo que eu não tivesse respondido, sabia que ela tinha a certeza de que eu estava ali. — Você também.

 

[…]

 

— É um prazer recebê-las aqui. — Ouvi o gerente do restaurante dizer assim que passamos pela porta adentrando no estabelecimento.

O hotel ficava próximo ao local portanto, não demoramos muito mais que 10 minutos para chegarmos. Como previsto, reservas já tinham sido feitas e os lugares reservados ao fundo do restaurante, longe da visibilidade do público, mas até chegarmos ao local enquanto éramos todos guiados pelo gerente, tivemos que fazer três paradas rápidas para Jessica dar atenção aos seus fãs.

A primeira era mais uma criancinha e pelo que eu estava observando dela, Jessica era apaixonada por crianças. A segunda, era uma fã um pouco mais velha, mas a cumprimentava igualmente e o terceiro foi um rapaz antes de finalmente nos distanciarmos e nos sentarmos ao canto.

— Você passa por isso sempre? — Sussurrei, inclinando-me para Jessica minutos antes de nos sentarmos e ela sorriu enquanto me olhava.

— Todo o tempo.

Os dois seguranças sentaram-se à frente de Jessica enquanto Mei Qi estava à extremidade da mesa, ao seu lado estava Tiffany logo seguida de Jessica. Eu sentei-me ao lado esquerdo dela enquanto todos da equipe sentaram-se dispersos pelo local. O gerente fazia questão de manter-se apostos para servir Jessica enquanto, dessa vez, uma garçonete veio à nossa mesa para nos servir.

Mei Qi começou a comunicar-se com ela a respeito dos pedidos enquanto aguardávamos e por fim, o almoço foi servido. Todos tinham suas respectivas refeições à sua frente e sem mais demoras, todos começaram a se servir.

— Você já comeu comida Taiwanesa, Kwon? — Jessica questionou enquanto eu apenas analisava o que havia à minha frente cogitando por onde eu deveria começar.

— Acho que sim, talvez. — Comentei tentando puxar algo da memória já que, há muito tempo, era a provadora oficial de Juran e ela servia-me diversos tipos de comida. — Mas não isso aqui.

Jessica sorriu enquanto encarou ao seu redor por algum tempo. A equipe focava-se em suas próprias refeições e em seus celulares e conversas paralelas que sequer chegavam até nós. Os seguranças também apenas focavam em suas comidas, Mei Qi não fazia contato visual e Tiffany segurava-se para não rir. Não conseguíamos ver muito da outra área do restaurante então, quando notei, Jessica apenas pegou uma porção com o kuàizí* e a direcionou a mim.

Sem muitas delongas abri a boca e recebi o alimento enquanto Tiffany gargalhava ao nosso lado e Jessica corava com o que havia acabado de acontecer.

— É boa? — Ela cochichou, dessa vez, servindo a si própria.

Apenas abaixei a cabeça e sorri, concordando com ela. Parecíamos duas adolescentes descobrindo e adentrando em um mundo novo.

De repente, um garçom veio da outra parte do restaurante, carregando uma bandeja em suas mãos e com seus olhos focados em nós. Ao aproximar-se da mesa, ele colocou um prato que havia trazido consigo na frente de Jessica.

Ele falou alguma coisa que não consegui entender enquanto apontava para alguém do outro lado do restaurante que quase não conseguíamos ver. Eu apenas encarei Mei Qi que prestava atenção na explicação do rapaz enquanto eu esperava pela tradução do que sabe-se lá o que ele estava dizendo.

— Foi um fã? — Jessica comentou, de repente, interrompendo ele e chamando minha atenção para ela.

— Você entende mandarim?

— Um pouco. — Ela respondeu no segundo que ele parou de falar enquanto puxava o prato para si procurando pelos seus kuàizís.

— Um fã pagou para ela. — Mei Qi traduziu. — Disse que era um presente.

E quando Jessica preparava-se para começar, assustou-se com algo, recuando os kuàizís e analisando o prato. Tudo estava extremamente estranho.

— O que é isso? — Ela perguntou para o garçom à nossa frente e dessa vez, Jessica fez sinal para que Mei Qi traduzisse por completo o que ele dizia, e foi tradução instantânea quase que eu não conseguia entender ambos ao mesmo tempo até a voz de Jessica ressoar, confirmando a suspeita dela. — Pepino?

Eu ainda estava um pouco perdida no que estava acontecendo ali, mas Jessica afastou o prato dela imediatamente. A vi entristecer-se por ter que recusar o presente já que era um presente de um fã, mas ela não parecia querer comer.

— Ela não come pepino. — Tiffany sussurrou à minha frente.

Eu ainda tentava assimilar os acontecimentos até um pensamento rondar minha mente como se uma faísca tivesse se acendido. Começou um pequeno caos à mesa por conta do pequeno incidente, mas eu estava mais preocupada com o que acabara de acontecer.

— Não come pepino? — Perguntei e Jessica apenas negou com sua cabeça. — Desde quando?

Jessica parecia confusa quando me olhou.

— Desde sempre?

— Um fã saberia, não é? — Perguntei novamente enquanto todos se entreolhavam confusos com o que estava acontecendo.

— Talvez. — Jessica me encarou enquanto eu apenas mantinha meu olhar em algum ponto inespecífico e pensava chegando a única conclusão possível. — Yuri, o que está acontecendo? — Ela questionou alterada.

— Ele não é fã.

Só deu tempo de dizer minha frase e olhar para frente para ver o mesmo rapaz que a cumprimentara segundos antes, sair pela porta da frente após constatar o pequeno tumulto provocado. Sem pensar duas vezes, coloquei-me de pé e corri em direção à porta.

E ele já havia sumido pelas ruas de Taiwan quando cheguei. Tentei andar alguns metros mas era totalmente em vão. Por mais que eu olhasse e por mais rostos que eu visse, eu não o encontrava dentre todas aquelas pessoas ali.

— Ei, o que houve? — Taeyang chegou falando enquanto aproximava-se de mim. — O que está acontecendo?

— Eu não sei. — Respirei fundo checando mais uma vez. — Volte para perto de Jessica.

— Você acha que um fã faria algo?

— Ele não é um fã, Taeyang. — Comentei, olhando nos olhos e transmitindo toda a minha raiva. — Onde está o prato servido?

— Relaxa... Jessica não comeu. — Respirei aliviada. — G-Dragon se ofereceu para não fazer desfeita.

— O quê? — Não pude evitar meu espanto.

Eu não sabia o que estava acontecendo ou quando toda a situação havia saído de meu controle, mas tudo aquilo estava estranho e eu estava, verdadeiramente, torcendo para que tudo não passasse de uma brincadeira de mal gosto.

 

 

 

 


*Notas para conhecimentos gerais: Embora China, Japão e Coréia possuam relações culturais muito íntimas seus utensílios em algumas ocasiões sendo até mesmo similares é importante saber que cada país os tratam de formas diferentes e são bastante sensíveis em relação a isto, logo é importante saber que embora os tais "palitinhos" usados tradicionalmente para se alimentar sejam igualmente similares cada país possui um nome para o mesmo. 
No caso da China tais utensílios se chamam Kuàizí, enquanto que na Coréia os mesmos são chamados de Jeotarak, sendo Hashi nome usado unicamente no Japão.*

 


Notas Finais


E ai? O que acharam? Hyukjun foi um FDP sim, claro ou com certeza?
Yulsic sempre perfeito e Tiffany pegando no pé delas kkkk
Tyler e senhor Jung.... mmmm Krystal está prestes a descobrir algo.
E temos visitas em Taiwan....

A nota de esclarecimento foi apenas um conhecimento que tive que postar compartilhada por minha amiga conhecedora da cultura asiática. Porque eu, particularmente, não sabia.

Sobre a tradutora, mesmo ela não sendo de Taiwan, ela é chinesa ou seja, sabe mandarim, e precisei colocar ela.

A respeito da música que a Yuri canta, é um trecho de Golden Sky e eu precisei colocar em inglês porque seria muito mais fácil do que alguém trecho em coreano. Enfim, acho que foi isso.

Espero que tenham gostado e até o próximo. :*


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