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História Without losing hope - Capítulo 37


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Notas do Autor


Oi pessoal que mora bem ali, tudo bom com vocês?
Eu estou bem na medida do possível. Tenho um pedido para vocês fique em casa, só saia se for necessário já foram 5 pessoas próximas a mim que perderam suas vidas por causa do coronavirus. Sei que tem pessoas que tem que sair a luta, mas tente ficar em casa. Os números estão virando rostos. #Fiqueemcasa
O beijo de hoje vai para: Marcinhareg obrigado por favoritar ❤

Capítulo 37 - A arqueira


POV GALE

Acordo com o barulho do telefone, olho para o relógio na cabeceira da cama, passa das nove da manhã, mesmo assim fico irritado com o barulho.

_Que merda!_ praguejo com raiva, nem imaginei que acordaria tão tarde, mas depois da noite de ontem não dava para esperar nada diferente, bebi bastante ontem, depois de ter chamado uma garota que estava comigo de Katniss, ela ficou assustada ao me ouvir e simplesmente a larguei e fui beber, minha mãe me recebeu preocupada mas não disse nada, ela sempre espera que eu melhore, mas não sei se irá acontecer. Pego o telefone que ainda toca irritantemente e atendo.

_Oi._ digo sonolento, minha voz sai muito rouca e pigarreio antes de continuar. _ Alô!_ a voz sai um pouco melhor.

_Gale?_ reconheço a voz do padeiro, o xingo mentalmente pois ele com certeza estragou a minha noite pois pensar nela logo me faz lembrar que escolheu ficar com ele e só lembrar que existe com certeza vai estragar o meu dia, mas ele nunca me ligou por isso fico alerta. _Preciso de sua ajuda. _ ele fala e logo estou de pé, penso que algo pode ter acontecido a Katniss.

_O que aconteceu? Katniss está bem?_ pergunto nervoso.

_Ela está bem, não se preocupe, preciso falar pessoalmente com você, pode me encontrar na prefeitura?_ confirmo minha presença e vou ao banheiro tomar um banho, não quero que me veja como estou, sujo e com cheiro de bebida barata, nunca as peço no bar mas acredito que depois que fiquei alto foi o que o atendente passou a me dar, é a única explicação que consigo chegar ao perceber meu cheiro. Assim que tomo banho me visto e desço as escadas rapidamente. Minha cabeça lateja pelo movimento rápido e vou até a cozinha tomar alguma coisa que alivie a dor. Chego a prefeitura em menos de vinte minutos, o padeiro conseguiu uma grande platéia: o prefeito, Haymitch e algumas pessoas mais conhecidas no Distrito, assim que chego começa sua explicação, diz que estava andando com a Katniss pelos arredores do Distrito e que encontrou outros sobreviventes em uma ruínas distantes. Ao ouvi-lo fico cogitando a possibilidade de estar ficando maluco, mas os demais o ouvem com atenção e logo estão se mobilizando para fazer tudo que ele diz que precisa ser feito, o prefeito faz algumas ligações solicitando veículos e médicos, Haymitch fala com o pessoal da Capital sobre a descoberta, todos começam uma grande força tarefa para resgatar os tais sobreviventes, me aproximo do bêbado mais insuportável de Panem e digo:

_Já considerou que isso pode ser delírio da cabeça maluca dele e que podemos estar organizando tudo isso em vão?_ o olhar que ele me dirigi diz que não, levanto a mão em sinal de rendição e digo:_ Tudo bem, não está mais aqui quem falou, vamos lá, pegar essa gente.

Pode ser só implicância minha mas é bem difícil acreditar que depois de quase dois anos do bombardeio ainda tenham habitantes do Doze em qualquer lugar, mas ignoro meus questionamentos e sigo os demais até por que ele deixou Katniss nesse lugar e fico preocupado com ela sozinha em um lugar distante. O relato do Peeta se mostra verdadeiro, resgatamos um total de 45 pessoas e aí começou o trabalho de acomodação de todos, arrecadação de alimentos, roupas e sapatos. Alguns foram recebidos em casa de parentes e amigos, mas fiquei com um pequeno grupo que não tinham onde se alojarem. As casas populares construídas recentemente por Katniss e o Peeta foram entregues a novos moradores há pouco tempo então não tínhamos onde locar essas pessoas, esse seria um trabalho para a Katniss mas como a mãe do padeiro está no hospital ela não se voluntariou para fazê-lo, então o prefeito solicitou minha ajuda. Haymitch também está trabalhando e pela primeira vez o vejo sorrindo, não consigo imaginar o motivo, mas minha mente rapidamente trabalha com uma hipótese, algo relacionado ao beijo que o vi dando em Effie assim que ela desceu do trem e ficou dando pulos de alegria ao ouvi-lo dizer que a família do garoto, como ele diz, estava viva. Ela foi mandada para cá assim que a Capital ficou sabendo dos sobreviventes, parece que querem fazer uma grande festa e ficou responsável por organizar tudo. Ver os dois se beijando foi a cena mais estranha que já presenciei na vida, até por que ele era só euforia ao dar a novidade, Katniss me disse que eles eram uma família e suas atitudes demonstram realmente isso, seja lá o que aconteceu a eles enquanto estavam nos jogos mudou a todos, ela desenvolveu essa ligação com o padeiro que nem o fato dele passar a odiá-la mudou e o bêbado se tornou alguém que ela realmente se importa. Chego perto dele e aproveito a oportunidade para tirar um sarro.

_Você e Effie? Nem imaginei que gostasse tanto de perucas e cores. _ ele me dá um olhar fulminante, acho que nem imaginava que eu estivesse olhando os dois. Mas depois vira e antes de sair dispara:

_Isso não é da sua conta caçador, cuide de suas bebedeiras ou daqui a pouco estará sendo chamado de o bêbado do Distrito já que o cargo está desocupado desde que o médico me obrigou a maneirar com o álcool. _ o simples pensamento me assusta, ficar como ele, bêbado e irritado com todos, não é uma possibilidade em minha vida, preciso urgentemente resolver essa merda em minha cabeça, aceitar que ela é dele e pronto. Olho para o relógio e constato que passa das dez da noite, todos já estão alojados, conseguimos desocupar um galpão que estava com materiais para as novas construções, e montamos algumas barracas, não é muito mas o prefeito disse que a construção de casa vai reiniciar para acomodar a todos, então será um processo temporário. Os colchões e cobertores chegam vindos da Capital, não só os ocupantes do galpão mas os que ficaram em casa de familiares e amigos também irão precisar por isso faço a distribuição. Com tudo concluído vou para casa dormir. Acordo cedo sabendo que preciso prestar contas ao prefeito de tudo que foi feito, como rapidamente e saio de casa.

_Saindo sozinha tão cedo?_ pergunto assim que a vejo do lado de fora da Vila. Ela sorri ao me ver, e me junto a ela na caminhada, é sempre um momento difícil para mim, encontrar casualmente com ela sem a presença do Peeta, normalmente nossos encontros são mentalmente planejados, então tenho tempo de trabalhar minha mente para aceitar nossa nova realidade mas quando não o faço fica complicado lidar com ela sem dar vazão a todas as vontades que meu corpo solicita, porém ela facilita tudo quando diz sorrindo:

_Eu preciso encontrar o Peeta, ele passou a noite no hospital e..._ ela não termina a frase ao perceber que é comigo que está falando mas eu sei o que dirá por isso completo:

_E você está ansiosa para encontrá-lo. _ ela confirma com a cabeça sorrindo, meu coração se aperta, mas prometi ser só um bom amigo por isso continuo firme e falo a ela algo que tenho dito para mim mesmo todos os dias. _Sabe eu sempre achei que você só era feliz quando estava na floresta, mas estava enganado, a floresta te faz esquecer os problemas, mas você só é realmente feliz quando está com ele, fica até com esse sorriso bobo só de falar dele.

_Gale.._ ela começa mas não quero que diga nada por isso continuo.

_Eu fico feliz por vocês dois, realmente merecem isso, eu só espero algum dia encontrar alguém que me deixe assim também._ sou sincero, ando ansioso para encontrar alguém que me ajude a esquecê-la.

_Você vai, eu tenho certeza disso, você merece. _ tento aliviar o clima tenso por isso falo:

_Tomara pois depois do que eu vi ontem, comecei a pensar que posso ser o único a sair dessa história ainda solteiro._ digo rindo e ela fica curiosa.

_O que você viu?_ faço um pequeno suspense mas logo falo:

_Haymitch e Effie no maior amasso depois que ela desceu do trem?_ leva a mão a boca sorrindo.

_Você esta de brincadeira?_ pergunta incrédula e com uma expressão de surpresa no rosto.

_Eu estou falando sério, você tinha que ver, parecia uma cena de cinema. _ ela sorri alto, soltando gargalhadas pelo caminho e por um segundo fico paralisado ao perceber que talvez eu nunca consiga tirá-la de minha cabeça, ainda bem que ela não permite que eu fique preso muito tempo nesse pensamento pois a próxima palavra que diz é justamente o nome dele antes de correr para seus braços. Penso em sair logo mas preciso cumprimentar a todos, faço isso rapidamente e saio de lá, quando olho para trás vejo os dois retornando abraçados para casa. Faço o relatório ao prefeito e saio. Vou até o escritório, mas minha mente não está muito ligada os problemas de segurança hoje. Peço ao Tom que tem sido meu substituto quando preciso, para segurar as pontas por mim e vou para onde sei que minha mente vai se acalmar, adentro a floresta sem muitas expectativas, sento no lugar que sempre me encontrei com ela, me sentindo mais sozinho do que nunca, porém me assusto quando uma flecha cruza minha frente em direção a um coelho, sei que não é a Katniss no momento em que o bicho corre impune e a flecha descansa no chão, levanto em busca do arqueiro e começo a rir ao encontrar a filha do prefeito com o arco.

_Madge? O que você está fazendo na floresta com um arco?_ ela também parece surpresa ao me ver, nós nunca nos demos muito bem, mais por minha causa que me sentia irritado pelo fato de que não precisava passar pela dificuldade que tínhamos e por ser filha do prefeito que era a pessoa mais próxima a Capital que eu conhecia, hoje sei que eles eram tão escravos quanto nós, isso ficou claro quando a prefeitura queimou com todos os seus familiares dentro, penso em como deve estar sendo difícil para ela voltar ao lugar em que toda a família morreu e tento ser simpático.

_Não é obvio? Estou caçando._ diz simplesmente, nunca foi de falar muito, acho que era isso que fazia com que ela e Katniss fossem amigas por tanto tempo, as duas possuem muito em comum. Minha intenção é ser agradável mais não consigo impedir a ironia em minha fala.

_Bom seria óbvio se você tivesse acertado ao coelho, mas como ele saiu ileso, tinha que perguntar. _ ela não responde e vira de costa saindo de perto de mim, penso que minha fala a irritou e me apresso em me desculpar. _ Não quis te chatear, só fiquei surpreso ao te encontrar aqui, você com certeza seria a última pessoa que eu esperaria encontrar na floresta. Mas poderíamos caçar juntos o que acha?_ ela sacode o ombro e continua a caminhada, já estou com meu arco por isso vou atrás dela. O silêncio fica constrangedor entre nós por isso tento manter um diálogo. _ Desde quando você caça?

_Desde que precisei para sobreviver, eu tive algumas aulas com a Katniss aqui antes do massacre, na época não conseguia muita coisa, mas durante nossa fuga eu encontrei um dos seus arcos escondidos na mata e peguei, foi muito útil.

_Como você escapou do bombardeio? _ a pergunta parece incomodá-la por isso recuo. _Se não quiser falar tudo bem, eu só estava curioso, desculpe._ não parece que vai responder nada mais contrariando minhas expectativas ela fala:

_Meu pai achou que estaríamos seguros em casa e por isso até acolheu algumas pessoas lá, eu vi a Júlia correndo sozinha pela rua e saí para buscá-la e foi quando bombardearam a casa, sabia que não havia possibilidades deles sobreviverem por isso peguei a garota e corri para a mata, me encontrei com o grupo que o Sr. Mellark liderava e fugimos._ Júlia é uma garota que na época tinha cinco anos, seus pais achavam que estava morta e o reencontro deles foi uma das cenas mais emocionantes que já presenciei em minha vida. Olho para Madge e percebo que a lembrança a deixa triste e tento mudar de assunto.

_Do outro lado da floresta tem bastante perus, eles podem ser mais fáceis de acertar do que coelhos, posso te levar lá, o que acha?_ ela concorda só com a cabeça, caminhamos em silêncio, é estranho estar caminhando pela floresta com uma garota que não seja Katniss, porém ela se mostra uma boa companhia, presta atenção em minha fala, parece ansiosa para aprender, conseguimos alguns perus e coloco armadilhas para pegar coelhos. No meio do dia faço uma fogueira e preparo nosso almoço, depois a levo para o canteiro de morango, seu pai era o que mais comprava e isso me dá a ideia que ela gostaria de alguns, mas assim que os vê começa a chorar e penso que gostaria de abraçá-la enquanto soluça, mas não faço isso me limito a tentar desfazer a burrada que fiz _Desculpa, eu não quis te chatear, eu fui um idiota, quer sair daqui? _ ela balança a cabeça e a encaminho para longe dali, passamos o resto do dia caçando em silêncio, quando percebo que o crepúsculo está próximo a chamo para voltarmos para o Distrito. Na entrada da Vila dividimos tudo e me despeço dela.

_Foi bom encontrá-la na floresta, se quiser repetir a dose é só falar, vai ser um prazer te acompanhar. _ ela só concorda com a cabeça, mas não fala nada, vou para casa e levo a caça, minha mãe se apressa em me receber e percebo que está arrumada, ela esclarece que a Katniss ligou nos convidando para uma comemoração que estão fazendo na padaria, tomo banho e vou para lá, não é minha opção preferida de diversão: ficar vendo os dois trocarem beijos e confidencias, mas me obrigo a aceitar o fato que preciso virar a página, seguir em frente e planejar um futuro para mim que não envolva ficar bêbedo todas as noites. A comemoração parece insuportável, mas melhora no momento em que ela atravessa a porta. Está muito bonita, com um vestido florido e os cabelos dourados soltos, parece intimidada pela quantidade de pessoas presentes por isso logo vou em sua direção.

_Boa noite, precisa de companhia?_ ela olha em minha direção e lhe ofereço um sorriso que não corresponde, levanto a sobrancelha indicando que espero uma resposta sua, e ela aceita minha mão estendida. Quando seguro sua mão pela primeira vez na vida, tenho uma sensação estranha de que talvez toda minha implicância com ela durante todos esses anos seja por um motivo diferente do que eu queria acreditar, ela sempre mexeu comigo e tentei esconder isso atrás da revolta pela vida perfeita que levava. Katniss olha para nós e sorri de forma cúmplice, acho que chegando a mesma conclusão que eu.


Notas Finais


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