História Witness - Capítulo 3


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Categorias Histórias Originais
Tags Adolescência, Boyxboy, Incestogay, Irmãos, Irmãosgay
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Palavras 2.566
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, LGBT, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Incesto, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - 3 no café da manhã


...encontrei Chan sentado na cozinha, com uma tigela transbordando com leite e muito cereal boiando.

Achei estranho estar só ele ali. Não que eu tenha acordado as seis horas da manhã, né.

— Foram pescar — me respondeu quando quis saber dos nossos pais. — O Guto tá na piscina, faz um tempo já. Chamei pra vir comer um pão e ele nem bola deu.

— É típico dele.

Chan enfiou uma colherada na boca pequena dele. Quando foi engolir, fez uma careta e os olhinhos sumiram nas dobras do rosto. Tragam um troféu para esse campeão!

— É... — antes que eu comesse, ou fizesse qualquer coisa, na verdade, precisava saber de uma coisa: — dormiu direito ontem? — Não ouviu dois irmãos se pegando na cama?

Chan espiou os quatro cantos da casa, depois esticou o pescocinho em minha direção, e disse numa voz sussurrada:

— Ontem o primo pegou duas cervejas pra mim — o sorriso era travesso e os olhos curiosos para saber se tinha alguém ouvindo. — Fui dormir meio bêbado, apaguei legal — então ele começou a rir. Nada de movimentos sobre a cama, cochichos e quase punhetas incestuosas.

Fiz um aceno com a cabeça, sorrindo mais de alívio do que da sua história.

Chan dizia a verdade, meu irmão estava na piscina. Numa cadeira preguiçosa, ao lado, havia uma toalha, o celular dele e um protetor solar. Antes que eu pudesse me aproximar o suficiente para ele me ver, lá de dentro, o celular começou a tocar. Foi o suficiente para ele saltar d’água como um golfinho. Usava a mesma cueca branca que colocou ontem após o banho, e eu nem precisei olhar pra saber o que veria. Para nossa segurança, mantive os olhos bem longe da cueca branca e molhada. O que eu veria, afinal?

Guto deteve a mão quando foi pegar o celular e me encarou, paradão.

— Ah, é você — olhou rapidamente para meu rosto, depois fixou os olhos nos meus pés.

Que gênio! Sou eu sim, o irmãozinho que você deixou enfiar a mão nessa sua cuequinha na outra noite, lembra?

— O Chan tá chamando a gente pra comer — na verdade: ninguém chamou ninguém.

— Disse que tô sem fome, vocês são surdos?

— Qual o problema?

— Deveria haver algum problema, Gabriel?

— Não sei, me conta você — ui!, toma essa, bem na sua cara. — Há algum problema?

Guto levou mais tempo para dar a resposta, fingiu entrar no WhatsApp e depois fechou o app sem visitar nenhuma conversa.

— Vai ser melhor pra todo mundo se esquecer aquilo de ontem à noite.

— Aquilo... o quê? — nem pense em estragar tudo, seu idiota cretino.

— Eu estava bêbado, Gabriel. Você... eu... nós — sim, já havia um nós ♥. — Nem sei o que aconteceu direito.

— Deveria ter medido as consequências antes de fazer! — joguei na cara dele. — Eu não estava bêbado, e não me arrependo.

— Em primeiro lugar, não tem nada pra se arrepender.  Em segundo, tá se ouvindo? Soa como um idiota, e se tirarmos a parte engraçada, soa como um pervertido de merda.

Pervertido de merda? O. k.

Sabia que o Guto ia pular de volta na piscina, pra dar aquele efeito “tchan” pras palavras dele. Se fosse uma série dramática, a música sad subiria quando ele pulasse e logo a câmera teria um efeito diferente, pra cortar a cena.

Pacientemente, fiquei esperando que ele pulasse. Quando o fez, meti um chute nas coisas dele, toalha, protetor, e o celular, tudo voou sobre a piscina e foi dar um mergulhinho junto com o idiota do meu irmão.

Só de raiva, comi uma tigela de cereal igual à do Chan, assim que voltei pra cozinha, e três pães com manteiga.

O almoço foi alguns peixinhos magrelas que meus pais conseguiram pegar e fizeram questão de limpar, fritar e jogar um limãozinho na hora de babar. O resultado, depois do almoço, foi um fedor de escamas, tripas e tudo o mais dos fedorentos peixes por toda a casa. Chan foi o único que concordou comigo, secretamente. Quanto ao Guto, depois do episódio da piscina, nem olhou pra minha cara. Até aí, nada além do normal. Foi ficando de noite e cada vez mais eu pensava que não iria dormir com ele. Talvez eu fosse mesmo infantil, sabe, e por isso tinha um orgulho besta. Esse orgulho me protegia de algumas coisas, mas por que eu teria que me proteger do meu irmão? Com o Chan a meio metro de distância, o que ele poderia fazer comigo na cama?

Tivemos pizzas no jantar, um monte delas. Minha tia quem deu a ideia de comprar os ingredientes e fazer em casa. Todos sabem que pizza em casa é mais gostosa, aliás, tudo que a gente faz em casa fica mais gostoso. Minha mãe, querendo se aparecer, recheou uma massa com tudo que foi achando pela frente: frango desfiado, muçarela, azeitonas, linguiça calabresa, requeijão, tomate, presunto, cebola caramelizada, bacon, milho verde, pimentão verde, pimentão vermelho, pimentão amarelo, gorgonzola, rúcula picada, ervilha, e uma pitada de muito orégano e pimenta vermelha. Batizei o troço de “X-Tudo das Pizzas”. Depois que assou, ninguém sabia dizer que cheiro prevalecia sobre todos os ingredientes. Ela cortou uma grande fatia para mim. Tipo, caso ninguém comesse, empurraria tudo pra cima de mim e do meu pai, suas cobaias. Até que o gosto não ficou ruim, os ingredientes se deram bem juntos e o guaraná ajudou a descer tudo goela abaixo. Quando acabamos a pizza da minha mãe, minha tia não quis ficar atrás e me trouxe logo duas fatias, de sabores diferentes, uma vegana (do tio) e uma integral (dela). Só sei que quando acabei de comer só aqueles três primeiros pedaços, meu bucho estava imenso. Tive que abrir o zíper da bermuda para dar espaço pros próximos sabores que vieram.

Mas já diz o ditado “tudo que é bom dura pouco”, essa noite de comilança durou bem pouco. Logo deu onze horas, a comida ficou bem assentada e tivemos que ir dormir. Decidi ser infantil, mas de uma formal cruel, iria dormir com o Guto só para fazer pirraça. Dessa vez ele já estava na cama quando fui deitar. Apaguei a luz depois que o Chan apareceu para pegar a escova e pasta. Enquanto meu primo foi pro banheiro, tirei a roupa, ficando só de cueca, coloquei as peças num canto e mergulhei pra debaixo das cobertas.

Guto estava deitado de bruços, com o rosto virado pro lado do Chan. Não fiquei olhando muito tempo para ele, nem para a cueca preta e as meias brancas. Virei pro outro lado, fazendo bico e adormeci com a pança cheia.

Bem, tudo que entra sai. Se não sai pelo mesmo lugar que entrou, sai por outro. Acordei no meio da noite e corri pro banheiro. Ao voltar, olhei no relógio: 2:52 da manhã. Ótimo, pensei comigo. Agora iria ficar acordado até as quatro da manhã, sem sono.

Entrei no Instagram e fiquei vendo memes e fotos dos moleques da escola, a maioria postava um zilhão de todos das férias deles. Alguns estavam em casa, mas nem por isso deixavam de tirar foto. No meu Insta, faltava algumas fotos das minhas férias. Não gostava da minha cara infantil na porra do celular, por isso ficava bem longe dele. Bem da verdade, entre memes do “Aí, pai para” e fotos dos guris, haviam fotos de outros homens, esses mais gostosos e de cuecas. Por isso virei o celular pro Guto e fiquei olhando disfarçadamente pros caras que iam subindo.

Minha bateria já tava na merda, o sono não vinha. Foi então que o Guto acordou. Não disse nada, só levantou a bunda gorda da cama e foi dar aquela mijada pra aliviar a pressão do pau. Olhei no relógio quando ouvi os passos dele voltando, faltava 5 minutos pras 4 da manhã.

Guto veio até a cama com passinhos lentos e bem silenciosos. Sentou vagarosamente na cama e BUM! Virou o rosto pro meu lado. Fui pego com a guarda baixa, naquela hora. Esperava que ele virasse as costas e começasse a roncar. De repente, não sabia o que dizer ou fazer, então olhei pra ele.

— Você estragou o meu celular — sussurrar deixava a vozeirona dele ainda mais grave, tipo um rouco gostoso de se ouvir no pé do ouvido.

Então é por isso que ele virou a cara pra mim durante o dia todo. Só não contou pros nossos pais porque eles iam querer saber o que aconteceu. “Eu o chamei de pervertido”. “Por que chamou?”. “Porque na noite passada deixei ele enfiar a mão na minha cueca. Eu tava com a rola dura, mas nem deixei ele tocar nela”.

Engoli em seco. Guto iria me dar um soco na cara agora. Pobre de mim, já era feio. Ele ia acabar com o resto.

— Quero o seu celular emprestado, até a gente voltar pra cidade e eu poder levar o meu no conserto.

— Com que dinheiro? — precisava perguntar alguma coisa ou ia ficar parecendo ainda mais idiota encarando ele assim.

— Com os duzentos reais que a tia me deu e com os seus cem — Guto deu a sentença de morte com um de seus sorrisos canalhas.

Por um segundo, eu fiquei sem chão. Ainda não sabia o que ia fazer com aqueles cem paus, mas não ia dar assim de mão beijada pro Guto. Não depois dele ser tão cruel comigo.

— Eu conto pra mãe que estragou o meu celular, se não me der — ele ameaçou, ao ver o sinal de contrariedade nos meus olhos.

— E eu conto o que você fez comigo!

— O que eu fiz? Foi você quem fez. Eu sou a vítima aqui! — Guto pode ter esquecido de sussurrar essa parte.

Vitima? Seu cachorro! Chutei as canelas do Guto o mais forte que pude. Ele até fez uma careta de dor, mas não chorou, em vez disso, me devolveu um soco no meu ombrinho, que chegou doer o meu coração. Fechei os olhos em agonia. Não vou chorar. Devolvi mais um chute, dessa vez consegui dar uma de ninja e quase acertei o saco dele. Passou por pouco. Guto olhou horrorizado para mim, ele não sabia que estávamos jogando baixo. Então também jogou: além de ser muito maior do que eu, ele tinha umas mãozonas que só vendo, e a academia dava ainda mais massa muscular pra ele. Eu era só um franguinho depenado e ele não teve dó. Acertou um croque na minha cabeça, bem acima da orelha e perto da moleira do bebê.

Quando ouvi o estralo, senti que meu rosto ficou vermelho. Meus olhos começaram a arder e esse era o pior tipo de choro. Porque quando eles ardem, só chorando para fazer parar de arder. Não vou chorar, tentei prometer mais uma vez. Foi em vão. Senti as lágrimas e pequenos soluços que me agitavam na cama.

— Você vai ver, vou contar tudo pra mamãe — falar dela me fez chorar ainda mais. Levei as costas das mãos pra limpar o rosto, fungando o nariz. — Você não sabe brincar.

Guto deve ter se dado conta de sua força tarde de mais. Ficou olhando para mim como um irmão mais velho olha para o caçula que fez bagunça, mereceu apanhar, mas logo sente o coração se contorcer de culpa. Esse é o amor entre irmãos mais puro que alguém pode encontrar.

— Vem cá — me chamou puxando o meu braço. Quando disse “cá”, eu já tinha corrido pro canto da cama como um gatinho esquivo. Guto não desistiu e me trouxe até ele, fiquei com o rosto afundado em seu peitoral, sentindo o cheiro de sua pele.

Meu irmão me aninhou tempo suficiente até eu parar de chorar. Levei alguns minutos fazendo drama, porque não queria que, quando parasse de chorar, ele ficasse chato de novo e me chutasse pro meu canto.

Depois que sequei as lágrimas dos olhos, pude ver que pequenos pelos nasciam sobre o peitoral do Guto. Era como quando eu raspava o meu saco e no outro dia já estavam lá, irritando. Esfreguei a ponta do nariz sobre os pelos, sentindo que ele se arrepiava e eu também.

— Que porra tá fazendo? — ele recuou um pouco o pescoço e olhou para baixo. Tinha um sorriso no canto do rosto.

Meu coração acelerou naquela hora. Tive um desejo quase que incontrolável, precisei morder os lábios com muita força, até sentir o gosto de sangue, para não cair sobre o sorriso do meu irmão com beijos.

— Nada — desviei os olhos daqueles lábios rosados. A parte superior era pequena, mas a inferior era bastante carnuda, do tipo que fica perfeita entre os dentes, com a língua roçando por cima.

O que aconteceria se eu o beijasse? Íamos ser um casal gay pervertido? Isso nos tornaria completos doentes? Ou não. Quem sabe só seria uma troca de carinho afetuosa entre dois homens, e sendo irmãos sabíamos que não iria ter nenhum objetivo sexual na troca de salivas entre nós.

Tentei aproximar os lábios dos dele... Me detive no caminho, lembrando da noite passada. Guto não me jogou para longe quando estava perto de alcançar o seu brinquedo. Será que pra ele tudo bem a gente ficar se esfregando durante a noite, com tanto que não toquemos nas partes um do outro? Beijar pode? Tinha certeza: se o beijasse ele ia quebrar os meus dentes com aquela mãozona pesada.

Pensar no soco que levaria, me fez encolher os ombros e ficar triste de novo.

— Bielzinho — sim, meu amor? — o que tá pegando? O soco ainda tá doendo? — sem que eu tivesse oportunidade de responder, Guto aproximou o rosto da minha cabeça e beijou os meus cabelos.

Mais pra baixo, pensei inutilmente. Sem querer, apertei com força minhas unhas em seu corpo, denunciando o quanto aquele beijo patético me desequilibrava. Meu irmão notou imediatamente o que estava acontecendo. Senti seu hálito sobre minha cabeça, ele estava rindo de mim.

— Sabe que não podemos — então porque simplesmente não para com tudo isso. Por que fica me torturando? — Eu te amo, irmãozinho mimado.

Guto recuou o corpo e ficou cara a cara comigo, literalmente estava com o rosto posto no meu. Naquele momento, pensei que todos os meus desejos fossem ser realizados, que finalmente teria o meu mimo mais desejado. Senti o cheiro da pasta de dente de sua boca, tão suave, à luz da lua. Macia, desprotegida e delicada. Ele cheira a hortelã.

Guto moveu o rosto para mais perto de mim. Na minha cabeça subiu a valsa dos contos de fadas da Disney. Na na na...

O encanto da magia foi quebrado quando o ogro arrotou na minha cara. E não foi um arrotinho qualquer. Ele queimou os pelos do meu nariz com aquela carniça sem fim das pizzas dentro do seu bucho. Por sorte ele parou, já estava me dando ânsias. Sorrindo da minha cara, Guto beijou a minha testa suavemente. Demorou uns 10 segundos.

— Porco — foi tudo o que disse, evitava respirar. Virei de costas para ele, não queria outro arroto na cara.

Meu irmão me abraçou como um travesseiro velho, aconchegou as pernas entre as minhas, com uma mão sua sobre a minha barriga. Não me movi, queria que ele continuasse assim, suas meias me aquecendo e minha bunda exatamente sobre suas coxas. Passei um dedo sobre seu braço, as veias estavam ressaltadas sobre a pele. Rígidas.

Pelo menos eu tinha aquele bração para me defender dos idiotas e me ninar durante a noite fria. Com arroto e tudo.



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