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História Wolf's Bane - taekook - Capítulo 12


Escrita por:


Notas do Autor


E aqui estou eu com mais um capítulo, saudades? Ansiosos? Eu estou...

Não me sinto satisfeita com ele, não parece bom o bastante pra mim, então só saberei se gostaram depois que ler os comentários.   

Falando neles, muito obrigada pelos comentários no capitulo anterior, li cada um deles e me motivou demais a escrever esse capítulo.

Ele tá bem grande. (15.5k) de palavras, então se puderem comentar bastante de novo eu vou ficar muito agradecida >.<

as betas @moinalovesbts @HiShinySmiles trabalharam duro em me ajudar na revisão, sei que não é fácil. Então vamos agradecê-las por isso.

A capa desse capítulo foi feita pela fooxymin , obrigada de novo.

 A tag no twitter é #WolfsBaneTK, usem se puderem, eu amo ler a reação de vocês lá. E por favor favoritem esse capítulo (cliquem no coração) se acham que mereço e vale a pena... Ajuda muito a história a crescer >.<

A música que indico hoje é "Beautiful Mess - Kristian Kostov", ouçam ela nas duas vezes que eu deixar em negrito. 

É isso... Boa leitura ~~ 

Capítulo 12 - Cauteloso


Fanfic / Fanfiction Wolf's Bane - taekook - Capítulo 12 - Cauteloso


❝Emoções raramente são convenientes e muitas vezes intoleráveis.❞

— Anne with an E


Ω


[1729 d.e]

Setembro, sétima lua do mês, outono


Olho o corredor sorrateiramente e cobri os lábios evitando soltar uma risadinha quando desço as escadas devagar. Minhas perninhas são curtas demais para correr, eu poderia cair e me machucar.

Ahri está conversando com minha ómoni na sala e sem que me vissem abro a porta lentamente e saio, me escondendo atrás de uma árvore quando um dos guardas passa por mim.

Havia um buraco pequeno em um dos muros que cercam a nossa casa que escondi com um vaso grande, apenas eu podia passar porque sou pequenininho então, me deitei sem me importar em sujar a roupinha bonita que minha ómoni colocou em mim e rastejei até o outro lado, sorrindo animado quando consegui.

Estava descalço e gostava disso, gostava de estar em contato com a natureza dessa forma, vovô diz que isso faz de mim um pequeno aventureiro.

Minha ómoni ficará brava porque estou saindo sem ela deixar de novo, mas não pude brincar com Yoongi Hyung ontem e já estudei muito hoje, tínhamos que salvar a princesa, ela não poderia dormir e me esperar por muito tempo. Pobrezinha.

Queria poder virar um lobo como meu abeoji, mas ainda não aprendi a fazer isso, então corri até ao lago onde costumo brincar escondido com meu Hyung. É um pouco afastado e escondido na floresta onde ninguém vai porque é muito longe e pequeno, mas é bom porque assim Daehyun e suas amigas não poderão me ver e rirem de mim.

Abri um sorriso largo assim que vi meu amiguinho sentado em frente ao lago ajeitando os brinquedinhos que o tio Jisung fez, seu pai é suuuuper bonzinho e lhe fez uma espada de madeira para que pudéssemos brincar.

— Ggukie-ah, você demorou! — o beta fez um bico emburrado.

— Desculpe Hyung, estava estudando — digo, me sentando na sua frente, vendo-o segurar um boneco com um escudo e roupas de príncipe. — Que bonito, Hyung!

— Não é? Meu appa comprou para mim, meus irmãos ficaram morrendo de inveja — gabou-se balançando o boneco animado.

— Eu posso segurar? — pedi tímido. Não costumava ganhar muitos brinquedos, minha ómoni gostava de me dar roupas bonitas e meu appa sempre comprava jogos bobos de tabuleiro.

Se bem que meu último presente foi o melhor de todos… Guloso era o meu segundo melhor amigo! 

— Claro que pode, Ggukie-ah — Yoongi sorriu e me entregou o boneco e segurei com cuidado, olhando-o com atenção. — Vamos salvar ele desta vez.

— Salvar um príncipe? 

— Claro, não são apenas princesas que precisam ser salvas, dessa vez será diferente! — explicou e arregalei os olhos surpreso, concordando com a cabeça.

Pensei que príncipes fossem fortes e invencíveis e sempre salvassem as princesas, mas Yoongi Hyung era esperto, então acreditava nele.

— Eu serei uma sereia? — perguntei e ele concordou animado, pegando sua espada de madeira.

— Uma linda sereia que salvará um príncipe — falou, pegando o boneco e jogando no lago, me fazendo arfar assustado, mas felizmente ele boiou. — Daria uma ótima história, não acha?

— Você pode me contar depois? — pedi, pegando a coroa de flores que ele trouxe e eu sempre usava quando íamos brincar, junto de uma saia de sua mãe para fingir ser a cauda da sereia. A senhora Min ficava brava quando a encontrava suja e molhada, mas nunca brigava conosco, meu Hyung dizia que era porque ela não tinha forças para isso.

— Eu vou escrever para você — respondeu, tirando os sapatos e fiz o mesmo, junto da camiseta. — já aprendeu a ler, você pode guardar, farei milhares de histórias pra você!

— Tantas assim? Eu não gosto de ler — reclamei e ele riu, virando e entrando no lago, não era fundo e nós dois sabíamos nadar.

— Ler é incrível, Ggukie-ah! — ele gritou erguendo a espada e revirei os olhos, tirando meu medalhão porque não gosto de o molhar.

— Só vou ler se não conseguir salvar o meu príncipe! — gritei, entrando no lago. A água estava fria, mas eu gostava.

Yoongi riu e fingiu me atacar então, eu mergulhei e tentei puxar seu pé, mas ele correu pra longe e eu emergi, rindo de sua expressão amedrontada.

— Você é uma sereia ou um tubarão? — ele xingou e  eu acabei gargalhando, lhe mostrando a língua.

— Você que é um pirata bobão!

Vi o boneco boiando e tentei pegar mas Yoongi fingiu me atacar de novo, ele nunca me acertava de verdade para não me machucar e geralmente sempre me deixava vencer, mas como queria que eu lesse sua história, faria de tudo para ganhar.

Continuamos nadando e brincando no lago, rindo das provocações um do outro.

— Vou cantar para você — falei, sabendo que era minha única chance de vencer, já estava cansado e Yoongi tinha que fingir estar hipnotizado, seria trapaça se não fizesse isso.

— Ah não, por favor não faça isso! — ele dramatizou, cobrindo os ouvidos e ri baixinho, começando a cantar.

Nobre, nobre marinheiro — cantarolei, balançando os braços e ele fingiu me seguir. — Siga a minha voz…

Quando ele se afastou do boneco desviei e corri, salvando meu príncipe, rindo quando Yoongi caiu na água como se tivesse apagado por causa da música.

— Eu venci, Hyung! — comemorei, rindo de sua atitude, ainda boiando na água. — Pode levantar Yoongi Hyung.

O beta não se mexeu e me aproximei confuso. Ele iria me dar um susto com certeza, esse Hyung bobão!

— Eu o liberto nobre marinheiro — ri baixinho, empurrando-o. — Quer dizer, pirata! — mas ele continuou parado. — Hyung… Para, estou com medo.

Abracei o boneco assustado, vendo-o inerte sobre a água, sem se mexer, sentindo meu coração acelerar apavorado. "Por que ele não se mexia?"

Larguei o boneco e o puxei, virando-o, arregalando os olhos ao notar sua expressão dolorida, ele estava tremendo e as veias de seu pescoço estavam vermelhas e pretas, os olhos revirados de tal forma que eu só conseguia ver o vazio.

— Hyung! Acorda, Yoongi Hyung! — pedi, puxando-o para fora da água, por sorte mesmo sendo mais velho que eu ele não era muito alto ou pesado. — Por favor, Hyung… — pedi, sentindo as lágrimas molharem ainda mais meu rosto.

O sacudi, confuso com sua reação. 

— Eu não vou cantar mais, Hyung, não vou mais… — solucei, abraçando-o com força. — Alguém me ajuda! Socorro! — gritei, olhando ao redor. — Por favor!

"Por quê? Eu não entendo…"

Um grito agudo soou no céu e me encolhi assustado, abraçando o corpo do meu amigo com força, desviando o olhar de seu rosto contorcido para a águia que voou em nossa direção com rapidez, me fazendo estremecer amedrontado. 

No entanto, ela passou por nós dois e cravou os pés na água, fincando as garras no boneco de Yoongi, voando para longe.

— O qu-quê…? — sussurrei confuso.

Meu Hyung estremeceu mais uma vez e voltei minha atenção para ele, sem saber o que fazer. Não conseguia carregá-lo até um curandeiro e não podia abandoná-lo aqui… 

"Por quê…?"

— Yoongi Hyung… — o abracei.

— Jeongguk! Afaste-se dele! — ergui o olhar ao notar minha ómoni se aproximar assustada, ela segurava algo mas não tive tempo de ver o que era, então apenas me afastei confuso. — Coloque o medalhão, querido — pediu, tossindo angustiada e senti uma descarga elétrica ao me lembrar do veneno e meu cheiro.

“Foi minha culpa…”

— Ómoni…

— Coloque o medalhão, meu amor — insistiu, pegando Yoongi no colo, meu amiguinho não parava de se debater e as veias escuras e vermelhas alcançavam seu braço, pescoço e bochechas. — Fique aqui, não chegue perto dele até- — ela tossiu novamente e me encolhi culpado, chorando assustado. — Fi-Fique aqui meu amor…

Jieun se afastou tropeçando, levando meu Hyung para longe e senti meu coração apertar angustiado.

Eu tinha machucado meu amigo… Meu cheiro era perigoso… Eu… Eu era mesmo uma aberração como Daehyun dizia…

Me virei ao escutar o grito agudo da águia novamente, tão grande que chegava a ser maior do que eu e senti minha cabeça doer e minha visão embaçar quando a ave voou ao meu redor, então cai no chão, sentindo minhas pernas fracas e minha consciência ser levada para longe. Muito longe.

— Ómoni… — sussurrei, piscando devagar, sentindo as pálpebras cada vez mais pesadas e a silhueta de Jieun desaparecer por entre as árvores.  


Ω


[1741 d.e]

Junho, vigésima sétima lua do mês, verão



As carruagens estão em frente ao casarão da família Jung enquanto Taehyung orienta os servos e soldados de Bane sobre o que deverá ser feito durante a viagem.

Estou de braços cruzados ao lado da carruagem, do lado de fora, observando o alfa com o canto dos olhos, fingindo prestar atenção no que Somi e Yoongi Hyung estão dizendo sobre o ataque que aconteceu na madrugada da noite passada — ou desta manhã.

— Você os defendeu sozinho? — minha irmã pergunta para o beta e Yoongi concorda, gabando-se de seu feito.

Ele ficou nos fundos do casarão durante o ataque e protegeu os servos dos soldados inimigos sozinho, matando três deles sem qualquer ajuda. E a julgar pelo seu olhar, parecia grato por seu pai tê-lo obrigado a treinar quando criança e depois se juntar aos recrutas do vice-general, se não fosse por isso, ele poderia estar morto.

— Eu me machuquei um pouco, mas sua pomada faz milagres, Somi-ah — agradeceu, bagunçando os cabelos da ômega que riu envergonhada.

— Eu estudei muito para deixá-la assim — falou. — Jaewon me emprestou alguns livros sobre plantas e vou continuar estudando para encontrar uma cura para o meu orabeoni.

Desviei minha atenção de Taehyung para Somi, me lembrando de sua promessa. Ela tinha uma pilha de livros ao seu lado, provando que estava mesmo se esforçando para me ajudar. 

— Obrigado, maninha — falei, embora não acreditasse que ela fosse conseguir.

— Não me agradeça agora, orabeoni — respondeu, erguendo os polares. — Quando eu te curar vou querer uma recompensa.

— Oh, garota esperta — Yoongi provocou, fazendo cócegas em sua cintura. — Qual seu preço?

— Quero que ele cante pra mim todos os dias antes de dormir e… Quero que me faça aquele bolo de chocolate e avelã de novo! 

— É difícil de fazer — resmunguei e ela deu de ombros. — Mas fechado!

— Eba! — comemorou, virando-se para pegar um do livros e já começar sua pesquisa.

Voltei meu olhar para o Kim e notei que tudo já parecia pronto, então me virei para entrar na carruagem, no entanto escutei Jieun me chamar, sendo seguida de Kim Heechul, o alfa educado que não pude conhecer na festa. 

— Querido, olhe quem veio se despedir — ela sorriu forçada e repeti seu ato, observando-o se curvar para mim.

— É uma pena que não podemos conversar e nos conhecer — falou suavemente e realmente parecia decepcionado com tal fato.

— Hum… Sim, me desculpe por minha atitude na festa — falei, me aproximando ao notar o movimento de minha ómoni. 

— Oh, não se preocupe jovem mestre, eu entendo perfeitamente — sorriu pomposo e franzi o cenho.

Ele parecia tão… Sincero.

— É uma pena que não possam se conhecer melhor, mas conversem um pouco enquanto organizamos nossa viagem.

— Na verdade, nós… — desviei o olhar e notei que Taehyung estava ao lado da minha carruagem, organizando os baús, embora me observasse, cauteloso. — Já estamos prontos para partir.

— Que tolice — ela riu e se virou para o Kim. — Ainda há muito trabalho, certo, vice-general? 

Taehyung engoliu em seco, desviando o olhar do meu para o alfa a minha frente, parecendo incerto sobre o que dizer pela primeira vez, no entanto concordou.

— Claro… Ainda levaremos alguns minutos… — mentiu.

— Ótimo, podem desfrutar da companhia um do outro enquanto isso — insistiu e concordei desgostoso, me afastando da carruagem, seguindo Heechul.

Não ficamos muito longe, à vista dos olhos espertos de minha ómoni, mas distante o bastante para ela não nos escutar, ao lado de uma grande árvore.

— Sei que já sabe quem sou, mas permita-me apresentar, jovem mestre — curvou-se novamente. — Me chamo Kim Heechul, filho caçula dos Kim do norte e moradores de Ume.

— Você é de Ume?

— Meus avós e tios são, meu pai se casou com uma ômega de Ídea e aceitou viver aqui em vez de levá-la.

— Oh… Entendo — isso era incomum.

— Caso esteja pensando em nossa relações diplomáticas, saiba que particularmente mantenho um bom contato com eles, mas infelizmente não os vejo há muito anos, desde que essa guerra ficou ainda pior…

— Eu sinto muito — digo sincero. Não deve ser fácil ficar privado de ver seus parentes por causa da guerra. 

— Não diga isso, logo poderei vê-los — sorriu esperançoso e concordei. Ele tinha uma energia positiva e isso era bom. — Mas… Não estou aqui para falar sobre minha família, não exatamente — riu sem graça, se aproximando um pouco mais e recuei um passo, sabendo que Taehyung poderia estar nos observando.

— Refere-se ao casamento…

— Exatamente — sorriu triste e arregalei os olhos quando se ajoelhou na minha frente e segurou minha mão fazendo meu coração disparar com sua atitude ousada. — Peço-lhe perdão e saiba que não quero ofendê-lo, mas… Não posso me casar com você, jovem mestre.

"Pera, o quê?!"

Ele se levantou e beijou a palma de minha mão e estava tão atordoado que sequer me afastei. 

Isso não era uma boa notícia. Pela primeira vez não estava contente ao ouvir tal sentença, não na situação em que me encontro, e Heechul era a melhor opção no momento. 

— Por quê? — questionei angustiado. Se minha ómoni soubesse que três alfas desistiram de mim em tão pouco tempo surtaria. 

Heechul sorriu triste e desviou o olhar para Taehyung e de fato o alfa estava ao lado de minha carruagem nos observando de braços cruzados, esperando que terminássemos de conversar para partirmos.

— Não posso me casar com alguém que já está apaixonado por outra pessoa — respondeu e prendi a respiração, voltando a fitá-lo surpreso.

— E-Eu não estou… — de jeito nenhum. Não podia estar, mal conhecia Taehyung, toda essa bagunça dentro de mim era apenas curiosidade ou carinho porque ele era gentil comigo. Apenas isso!

— Logo você perceberá — Heechul garantiu, acariciando minha palma. — A forma como vocês se olharam na festa enquanto dançavam… Não era apenas o lobo de vocês que estavam se conhecendo e se atraindo…

— Nossos lobos… — sussurrei, lembrando-me de como me senti ao ficar tão perto do Kim, com seu braço em torno de minha cintura e seu cheiro inebriando meus sentidos. 

Tudo em Taehyung era bom… Tudo era melhor, parecia… Certo.

Mas não poderia ser possível, afinal o alfa não poderia reconhecer o ômega que há em mim devido aos perfumes, óleos e o inibidor.

— Eu poderia me casar com você se quisesse muito, jovem mestre — o alfa continuou e franzi o cenho. — Mas este não é meu objetivo.

— O que quer dizer? — pergunto e ele pigarreia, colocando a mão no bolso, me entregando um pequeno rolo de papel.

— Quando precisar de mim, envie um pássaro ou um mensageiro de sua confiança a este lugar — sussurrou e semicerrei os olhos, sem entender suas intenções.

— Por que está fazendo isso? 

— Porque um dia você vai precisar de mim — falou baixinho, colocando-se na minha frente, ficando de costas para Taehyung e qualquer outra pessoa que estivesse nos observando. — E quando esse dia chegar, estarei pronto para serví-lo e me tornarei seu mais fiel súdito.

— Súdito? — ri descrente. — Fala como se eu fosse um rei, mas sou apenas o filho de um líder.

Heechul negou com a cabeça, me olhando com seriedade, como meu professor costumava fazer quando estava me ensinando alguma coisa importante. Ou Heejin, durante minhas aulas de etiqueta.

— Se o seu pai vencer esta guerra e seus aliados concordarem, ele se tornará o rei desse país e você será o príncipe herdeiro. — respondeu e arfei só de imaginar tal coisa. — Isso só aumentará seu valor para um casamento — prosseguiu e mordi o lábio aflito.

Se como filho de um líder as chances de eu poder me casar com alguém que amava eram pequenas, ser um príncipe tornava tudo ainda pior.

E Taehyung… Ele não era um pretendente para meus pais e jamais poderia ser nessas condições… Cada vez mais parecia que os Espíritos estavam nos impedindo e talvez fosse o certo, eu provavelmente estava destinado a outra pessoa, então deveria evitar que esses sentimentos confusos continuassem existindo, era perigoso.

— Eu…

— Você só poderá se casar com o filho de um líder de seus aliados, provavelmente — Heechul prosseguiu.

— Jaewon? Hoseok? — questionei e ele concordou com a cabeça.

Não gostava disso, de como minha vida toda já parecia definida e eu não pudesse decidir nada. Mas eu tinha deveres e responsabilidades e não havia espaço para distrações como o amor. 

Era um sonho que eu jamais poderia realizar, afinal meu abeoji estava certo, não encontramos nossa pessoa de repente, não era assim que funcionava, pelo menos, não comigo. 

— Não quero pensar nisso agora — digo, me afastando um pouco dele, guardando seu bilhete no bolso do casaco. — Não estamos vencendo essa guerra ainda, Aloysia e Ume são mais poderosas e meu abeoji não me casaria dessa forma…

O alfa suspirou triste, como se eu estivesse lhe contando uma história infantil e ele já soubesse seu final desastroso. 

— Seu destino já está há muito tempo traçado, jovem mestre — murmurou e neguei com a cabeça.

— Como pode saber disso? — pergunto irritado. Ele mal me conhecia, como ousava dizer estas coisas?

Heechul, no entanto apenas desviou o olhar do meu para qualquer outro lugar, perdendo-se em seus próprios pensamentos.

— Há alguns anos, quando eu era apenas um adolescente e Ume não tinha formado uma aliança com Aloysia ainda, e vocês não eram nossos inimigos, fui visitar meus tios — contou e o escutei com atenção. — E lá encontrei uma velha mulher que podia falar com os Espíritos…

Arregalei os olhos, erguendo as mãos sobre o peito pego de surpresa.

— Impossível… —  sussurrei.

Apenas o velhote podia e agora Jimin-ssi. Não poderia existir outro Sábio em outra aldeia, podia? Por quê? Eles sempre nos disseram que eram os únicos…

— Eu pensei o mesmo — o alfa concordou. — Naquele dia ela me disse que eu não deveria me preocupar com bobagens como encontrar um ômega para tomar como marido — explicou, rindo sem graça. — Contou-me que todos aqueles que deitassem em meu leito jamais poderiam ser meus de verdade.

— Por quê?

Não fazia sentido os Espíritos condenar um alfa a não ter um parceiro, alfas e ômega foram feitos um para o outro, sendo incompletos enquanto não encontrassem seu companheiro.

Claro que havia exceções, como os pais de Taehyung que eram ambos alfas, mas era como funcionava as relações entre nossos lobos.

Heechul, entretanto não parecia chateado com tal sentença, como se tivesse tido tempo o bastante para aceitar seu destino.

— Ela me contou que eu deveria esperar, que um dia eu encontraria o ômega certo, aquele ao qual estou destinado — riu, me observando com carinho e senti meu coração comprimir. 

Não queria que fosse eu, não podia ser… Eu queria ser destinado a outra pessoa, ser o ômega de outro alfa. Um com cheiro de cacau e grama molhada, olhos bondosos e sorriso persuasivo. 

— Eu não acho que…

— Mas, ela me disse que eu também não poderia tomá-lo para mim — continuou, me olhando como se soubesse de meu receio. — Que meu destino não era como o dos outros, não se tratava de amor ou romance… Se tratava de dever.

— Dever? — Heechul concordou.

— Meu dever seria ajudar este ômega até os fins de meus dias. Que eu o acompanharia nesta guerra e ele lideraria as frentes de batalha — falou, a voz suave soando profunda e cheia de significado, de tal forma que eu podia visualizar tudo que dizia. — Este ômega seria tão poderoso que não precisaria cortar a garganta de nenhum inimigo durante a batalha. Que todos cairiam aos seus pés e se curvariam a ele assim que estivessem em sua presença.

Prendi a respiração atordoado com suas palavras. Era assustador a maneira como ele falava convicto, como se tivesse visto tudo isso acontecer com os próprios olhos.

— E pensa que sou eu? — neguei mais uma vez, totalmente incrédulo. — Não poderia… — impossível.

Heechul sorriu pequeno e se aproximou ainda mais de mim e eu não recuei desta vez, mantendo nossos olhares conectados e carregados de significados que eu não compreendia. 

— Ela me disse que eu conseguiria reconhecer esse ômega quando o visse — continuou, sussurrando como se temesse ser ouvido. — Que ele carregaria as milhares de estrelas de nossos ancestrais em seus olhos profundos e queimariam minha pele como as chamas dos Espíritos. — Segurou minha outra mão e estremeci ao notar como sua palma estava quente. — E que possuiria uma marca em seus lábios ácidos — sentenciou, erguendo a destra tocando a pinta abaixo de meus lábios.

Soltei a respiração que sequer notei estar prendendo, sentindo meu coração disparar apavorado com a possibilidade de esse desconhecido saber sobre o veneno. Ou estaria se referindo ao meu modo de falar com os demais alfas? 

— Ela também disse que você teria uma cicatriz na bochecha — ele deslizou a mão pela região, um pouco confuso. — Mas, não há nada… — sussurrou, porque de fato, eu não tinha uma cicatriz. — Por isso não vou segui-lo agora, irei esperar o momento em que você estiver marcado e pronto para isso… E quando me chamar, lhe darei meu exército.

— Ex-Exército?

— Pareço apenas um nobre rico — ele sorriu presunçoso, se afastando de mim. — Contudo, durante todos estes anos me preparei para poder ser-lhe útil de verdade.

— A troco de quê fará isso? — perguntei. Porque tanta bondade assim não existia, não nesses tempos. — Quanto terei que lhe pagar?

Heechul, entretanto apenas me observou com o mesmo estranho afeto desde que colocou os olhos em mim, como se me conhecesse há muito mais tempo.

— Você já me pagou, no dia em que nasceu.

Abri a boca para lhe dizer algo, mas não me veio nada na cabeça. São informações demais para absorver.

Heechul se afastou um pouco e olhou para Taehyung de relance, o mesmo parece muito incomodado com nossa aproximação e desviei o olhar para meus sapatos.

— Seu alfa… Também terá que ajudá-lo. — diz tranquilo.

— Ajudá-lo?

— Sim… — murmurou, pensativo. — A manter o controle. 

Pisco confuso e antes que possa lhe perguntar o que suas palavras significam, Heechul pega minha mão novamente e a beija, colocando sutilmente um anel prateado com um diamante nela.

— Se precisar, diga que irei me casar com você, o brasão de minha família está gravado nele — diz e o encaro ainda mais atônito. — Farei o que quiser que eu faça, jovem mestre — curvou-se mais uma vez, afastando-se logo em seguida, não me dando a chance de lhe fazer mais perguntas.

Suspiro e guardo o anel com cuidado, notando minha ómoni se aproximar com um sorriso satisfeito a julgar por sua expressão. 

— Vocês se deram bem? — perguntou, me seguindo até a carruagem. 

— Sim… Ele, hum… Aceitou nos fazer uma visita quando puder e… Vamos trocar algumas cartas — minto, porque não parece certo lhe dizer o que escutei, ela enlouqueceria. 

— Perfeito! Continue assim e logo teremos um problema a menos — sorriu e retribui falso, suspirando aliviado quando ela se virou e foi embora.

Ao menos ela não tocaria mais no assunto de pretendentes se pensasse que estou tentando algo com Heechul. Eu precisava de um pouco de paz.

Me viro e entro na carruagem, sentindo o olhar de Taehyung pesar sobre mim, afinal ele viu o que Heechul fez e certamente entendeu tudo errado, além de escutar o que disse à minha ómoni.

O encaro de volta, sentindo meu coração comprimir quando o Kim sequer sustenta o olhar, fechando a porta da carruagem, se afastando sem dizer nada.


×


Já se passaram algumas horas desde que deixamos Ídea, viajando em um ritmo constante com os guardas seguindo as estritas ordens do vice-general para nos manter em segurança, este que não dirigiu seu olhar a mim uma única vez sequer desde que saímos da aldeia.

Fiquei grande parte da viagem em silêncio, apenas o observando da janela da carruagem, descobrindo novas manias e hábitos que nunca teria notado se não estivesse tão concentrado no mesmo.

Taehyung é incrivelmente meticuloso, desde sua forma de cavalgar com as costas eretas e os olhos selvagens afiados fixos em tudo ao seu redor, com os instintos mais aguçados do que realmente aparenta, a seu rigoroso padrão de viagem, sempre se afastando para checar o caminho ou ordenando que alguns guardas vasculhem a floresta a cada hora, retornando para contar tudo a meu abeoji.

Fico imaginando o quão culpado ele deve estar se sentindo com tudo que aconteceu e os homens que perdeu, a julgar por sua expressão aborrecida como no dia em que um beta da patrulha morreu em um dos ataques. O Kim era responsável pelos soldados que estão conosco e mesmo sendo minha culpa o motivo dos ataques, ele deve pensar que é sua por seus homens não sobreviverem e tal fato só faz eu me odiar mais por ter escrito aquela maldita carta.

Ao anoitecer, o alfa e alguns de seus homens rondam o local escolhido para acamparmos antes de permitir que as tendas sejam montadas, assumindo sua forma lupina logo em seguida, mantendo-se parado em frente à entrada do acampamento, em alerta, certificando-se de que nenhum mísero ruído lhe escape.

Queria falar com ele, me sentar ao lado do imenso lobo negro e relaxar com sua simples presença. Mas não podia, tinha que manter distância e evitar que essa bagunça em meu peito aumente ainda mais. Seria melhor para nós dois.

Então saio da tenda onde acabei de me banhar e entro na que costumo dividir com Yoongi Hyung e minha irmã.

 — Onde está Somi? — questiono ao notar sua ausência, o beta está sentado de pernas cruzadas sobre os cobertores, escrevendo alguma coisa com uma caneta tinteiro que lhe dei de aniversário, ano passado.

— Tomando banho — respondeu, sem desviar o olhar do papel. — Ou comendo. Ela disse que faria os dois.

— Entendi… — me sento na sua frente, abraçando meus joelhos, apoiando o queixo enquanto o observo em silêncio, esperando que termine o que está escrevendo, mas sua feição concentrada indica que provavelmente é outra de suas histórias secretas. — Hyung… — chamo baixinho, sentindo minhas bochechas esquentarem antes mesmo de dizer o que estou pensando. — Você já beijou?

Yoongi para de escrever e ergue o olhar de repente, não mais concentrado em sua escrita.

— Já… — murmura cauteloso, avaliando minha reação. Sei o que está fazendo, tentando entender onde quero chegar com essa pergunta. — Mas, meu primeiro beijo não foi muito bom, foi com uma beta e eu nem estava interessado nela, mas meus irmãos estavam zombando de mim porque não tinha beijado ainda, então o fiz — explicou com uma careta. — Eles costumavam me influenciar muito na época.

— Eu me lembro disso — comento, arrancando uma risadinha dele.

— Os outros também não foram muito bons — continuou, largando o papel ao seu lado, se virando para mim com um sorriso presunçoso. — Mas é claro que eu não sabia disso, não até conhecer o dono do meu primeiro beijo de verdade.

Mordi os lábios curioso, me arrastando para mais perto dele.

— Como assim, de verdade, Hyung?

O Min riu baixinho, as bochechas adquirindo um tom rosado e se aproximou ainda mais de mim e logo soube que seria mais um de nossos segredos.

— Foi um alfa e ele sabia muito bem como usar a língua — sussurrou e estremeci animado só de pensar em como seria a sensação.

— Então, um beijo de verdade é quando tem língua? — ele concordou. — E se não tiver?

— É apenas um beijo, mas não é tão bom — respondeu, sorrindo pequeno. — Um dia você vai entender o que eu quero dizer, a diferença entre um simples selinho e um verdadeiro beijo.

Neguei com a cabeça, sentindo meu peito comprimir entristecido.

— Não vou saber, Hyung… Nunca — digo e noto quando seu sorriso se desfaz, lembrando-se de minha condição.

— Tenha fé, Ggukie-ah — murmurou, embora sua íris não demonstre um pingo de esperança como suas palavras. — Você é um garoto bom e os Espíritos irão reconhecer isso.

Dei de ombros, desviando o olhar do seu, me lembrando de como queria ter sido beijado por Taehyung ontem à noite, como gostaria de sentir seus lábios junto dos meus e a maciez que poderiam ter… O gosto… Tudo.

— E esse alfa, quem é? — mudo de assunto, não querendo voltar a lembrar do Kim. Quanto mais eu dizia que precisava me conter, mais meu coração fazia questão de acelerar apenas ao pensar nele.

— Oh… Ele morreu há dois anos, na guerra — falou sem graça e arregalei os olhos, pego desprevenido.

— Desculpe, Hyung… Sinto muito…

— Eu também — ele sorriu. — Não éramos íntimos, se é o que pensa, só o beijei duas vezes, mas ainda assim, gostava de sua companhia. Uma pena que você nunca o conheceu.

— Eu gostaria de o ter conhecido — digo, porque agora sabia que nem todos os alfas eram ruins, haviam bons alfas como Taehyung, divertidos como Jackson e enigmáticos como Heechul.

Conseguia sentir o anel que ele me deu no bolso de meu pijama, assim como o bilhete que escondi em meu casaco. Precisava contar a Yoongi o que ele me disse, mas seria melhor fazê-lo em casa, sem chances de outras pessoas escutarem e eu ainda precisava assimilar tudo que me foi dito.

— Agora me diga, por que me perguntou se já beijei antes? — Yoongi questionou, me olhando curioso como sempre fazia quando queria arrancar alguma confissão de mim.

Me encolhi ainda mais, molhando os lábios com a língua, sentindo meu rosto e meu corpo esquentar ao pensar em Taehyung e no quão próximos ficamos…

“Pare! Está fazendo de novo!”, digo a mim, mesmo em pensamento.

— Taehyung… Ficamos sozinhos na floresta quando a festa acabou — digo baixinho, temendo que qualquer outra pessoa nos escute e mantenho os olhos fixos no cobertor colorido de Somi, incapaz de encarar Yoongi, tamanha vergonha. — Ele queria me beijar… Mas não deixei… Eu queria muito Hyung, mas não podia… — confesso, me sentindo mais leve por finalmente poder dizer isso em voz alta para alguém, embora só me deixasse mais triste.

O beta suspira audível e se aproxima ainda mais de mim, me abraçando desengonçado e pisco atordoado, sentindo algumas lágrimas se formarem em meus olhos e deslizarem por minha bochecha em silêncio.

Não sabia que precisava tanto de um abraço até sentir Yoongi me envolver em seus braços, fazendo o cheiro fraco de maçã verde que ele tem me deixar um pouco mais calmo.

— Eu sinto muito, Ggukie-ah — diz, a voz soando rouca e compadecida. — Mas, se vocês dois se gostam mesmo, então beijar não é tão importante assim, há muito mais coisas valiosas que podem existir entre duas pessoas do que um beijo…

Nego com a cabeça.

— A gente não… Eu não gosto dele — minto, e é ainda pior notar que minhas palavras não passam de uma mentira. — Não podemos gostar um do outro, Hyung… Vou me casar com um nobre alfa um dia, tudo isso… Será um incômodo se continuar existindo, tornará toda essa situação ainda mais difícil…

Yoongi se afasta um pouco, secando minhas lágrimas com a ponta dos dedos enquanto fungo baixinho, perplexo por estar chorando dessa forma.

“Se não gosto dele, então por que está doendo tanto?”

Talvez seja porque é a primeira vez que chego perto de conseguir algo que sempre quis, que tive a oportunidade de sentir alguma coisa de verdade e, então, mais uma vez o destino arrancou isso de mim como se eu não fosse merecedor de nada que pudesse me trazer felicidade.

E provavelmente não sou mesmo. Não cumpro minhas obrigações, desobedeço minha ómoni e sou uma aberração com um veneno dentro do corpo. Como alguém como eu poderia merecer qualquer coisa semelhante ao amor de outra pessoa? Eu não merecia.

— Vocês podem tentar mesmo assim — Yoongi diz sério e franzo as sobrancelhas confuso. — Taehyung é o vice-general e Jungwo tem grande apreço por ele, se você disser ao seu abeoji que quer isso, ele pode permitir, ele é sempre muito compreensível com você.

— Ser o vice-general não é o bastante Hyung, não para minha ómoni e não para ajudar nossa aldeia nesta guerra — digo, não me atrevendo a ter qualquer mísera esperança.

— Não tem que ser bom para Jieun, tem que ser bom para você, será o seu noivo e não o dela! — o beta bufou irritado.

— Não posso — nego novamente. Haviam muitas coisas em jogo, maiores que um sentimento que eu sequer compreendia e que estava crescendo agora. Além de que eu sequer sabia se Taehyung sentia o mesmo que eu, provavelmente não.

— Não podes? — Yoongi riu cético, cruzando os braços sobre o peito. — Você podia participar dos recrutas? — questionou e neguei. — E o que você fez?

— Passei no teste e desafiei meus pais para continuar…

— E você não podia usar espadas direito, e o que fez?

— Encontrei uma arma melhor…

— E quanto aqueles alfas vinham visitá-lo e Jieun dizia que você não podia ser você mesmo ou recusá-los? — insistiu, erguendo as sobrancelhas desafiador e mordi os lábios, desviando o olhar do seu.

— Eu neguei todos eles…

— É… Você tem razão — suspirou vencido — Você não pode tentar nada com Taehyung e tudo isso será um incômodo — disse sério e o fitei perplexo. — Afinal provavelmente não gosta mesmo dele, não o bastante para fazer o que fez com as outras coisas que “não podia fazer”. — sentenciou.

Ouvir tudo isso só me faz sentir ainda mais triste, porque se ele estava me dizendo isso é porque realmente não vale a pena, é tudo muito novo e eu posso só estar confundindo meus sentimentos e-

Yoongi, no entanto começou a rir, limpando uma lágrima dos olhos, me dando outro abraço apertado.

— Não era isso que você queria ouvir, não é? — questiona debochado. — Mas, eu não vou dizer que você já está gostando do Taehyung e que deveria tentar alguma coisa… É uma resposta óbvia demais pra nós dois. — me lançou uma piscadela.

Oh…"

— Não serei um bom líder se fizer tudo que quero e não o que devo — digo aflito.

— Há um tempo atrás você me disse que seria um bom líder, do seu jeito, e ainda pode, só precisa se esforçar um pouco mais.

— Mas… Depois da carta e os ataques… E Taehyung… É tudo muito confuso, Hyung — comento, encarando suas orbes cor de mel, esperando que mais uma vez me diga algo inteligente e que resolva todos os meus problemas. — Não sei o que fazer.

— Faça o que precisar fazer, Ggukie-ah — respondeu, afastando as franjas de meus olhos com um sorriso terno. — Mas, também faça o que quiser fazer. Não negue as investidas do Taehyung se você o desejar e também não fuja de suas obrigações… Só… Deixa rolar.

— Isso só vai nos machucar. Quando ele quis me beijar e eu me afastei ele ficou tão magoado, Hyung — conto, me lembrando de como seus olhos perderam o brilho escarlate naquele momento.

— Bom… Se ele realmente gosta de você vai ter que aprender a respeitar suas limitações — respondeu e concordei com a cabeça — Ou você pode contar a verdade pra ele.

Arfei assustado e neguei depressa. Não podia fazer isso, de jeito nenhum!

— Não quero que Taehyung comece a me olhar como os outros, como uma aberração.

— Ele não faria isso, Ggukie-ah, o vice-general parece ser uma boa pessoa…

— Como posso saber? Se eu lhe contasse e ele descobrisse que não posso lhe satisfazer como todos os outros alfas querem?

Yoongi revira os olhos e me dá um peteleco na testa, me fazendo grunhir dolorido.

— Você precisa parar de comparar ele aos outros alfas, se esqueceu? — ralhou e fiz um bico emburrado e constrangido com seu sermão. — Olhe para ele apenas como o Taehyung e não como o alfa que é diferente dos outros.

Balanço a cabeça em compreensão. Ele tinha razão, se eu continuasse fazendo isso só estaria agindo como os demais fazem comigo, me comparando e dizendo que sou um ômega diferente dos outros. Cada pessoa tinha sua própria essência e personalidade, não podia continuar julgando-os como se fossem uma única paleta de cor.

Desviamos nossa atenção para fora da tenda ao escutar passos e avistamos o imenso lobo negro, caminhando lentamente ao redor do acampamento, os olhos vermelhos e intensos fixos nas árvores que nos cercam, patrulhando o local.

Yoongi sorri de canto, deitando-se para descansar e o acompanho, sem desviar o olhar do alfa.

A vida é bem parecida com uma música — murmurou e me virei para encará-lo, sabendo que estava recitando mais uma de suas frases carregadas de significados. — No começo há mistérios, e no final, confirmação. Mas é no meio que reside a emoção e faz com que a coisa toda valha a pena¹. 

— É sua? — questiono, compreendendo o que quer dizer com ela.

O beta, no entanto nega, afundando a cabeça no travesseiro, sonolento.

— É de um escritor estrangeiro que eu gosto… — murmurou, fechando os olhos.

— Obrigado, Hyung — digo baixinho, deixando que durma.

Se eu permitir que Taehyung se aproxime e esses sentimentos cresçam... Talvez seja um grande desastre ou… Valha a pena, como uma música…

Suspiro e abraço o travesseiro, olhando uma última vez para o lobo negro um pouco distante de nossa tenda, decidindo seguir o conselho de meu Hyung e arriscar, só um pouquinho… 

Mas se precisar me casar mesmo, então o farei, porque o que estou começando a sentir por Taehyung não é forte o bastante para me impedir de cumprir meu dever. Eu sou o futuro líder, afinal.


Ω


[1741 d.e]

Junho, vigésima oitava lua do mês, verão


Nossa viagem continuou tranquila no segundo dia, sem interferências ou ameaças externas. 

Entretanto, enquanto observava Taehyung pela janela de minha carruagem, grato pelo silêncio de Somi, que estava lendo um dos livros de flores medicinais, e Yoongi, que voltou a escrever, me dando oportunidade de pensar mais a respeito de tudo que vem acontecendo, percebi uma coisa no alfa:

Ele estava cansado. Ou melhor, exausto. E havia algo mais, eu sabia disso, bastava olhar para seu semblante aéreo, diferente do dia anterior e sua postura curvada junto dos fios escuros de cabelo colados à testa repleta de suor. E nem estava calor. 

Era ainda mais estranho o fato de eu me sentir imensamente incomodado com isso, como se também sentisse sua exaustão só de olhá-lo, contendo meu lobo interior que queria a todo custo cuidar do alfa.

Me endireito no assento da carruagem em alerta quando vejo o mesmo agarrar as rédeas do cavalo com força, como se temesse que seu corpo caísse e logo notei que poderia estar doente. Afinal, pegou chuva em demasia para fazer a cobertura pro aniversário de Somi, além de estar patrulhando a tanto tempo que sequer o vi descansar.

Precisávamos parar e acampar, mas o sol ainda estava se pondo e se eu lhe dissesse isso, o Kim provavelmente negaria. Taehyung era orgulhoso demais.

Mas, se o que Yoongi diz sobre ele se preocupar comigo fosse verdade, então talvez…

— Vice-general — o chamo, suspirando aliviado quando ele aproxima o cavalo da carruagem, sem desviar o olhar da estrada de terra. — Deveríamos acampar agora.

— Faremos isso quando o sol se pôr, jovem mestre — responde indiferente, ainda sem me encarar e inflo as bochechas aborrecido.

"Olhe para mim, seu idiota!"

Respiro fundo. Preciso convencê-lo a parar logo para que possa descansar, mas sem que ele saiba disso. Sua expressão cansada e fraca é o suficiente para me deixar aflito.

— Lobinho… — sussurro, contendo um sorrisinho vitorioso quando ele estremece e me olha de canto.

"Finalmente", penso.

— Eu estou me sentindo muito enjoado — minto, fazendo a melhor carinha de cansaço que posso e Taehyung me olha de verdade, avaliando minha expressão preocupado. — Já viajamos muito, essa carruagem balança demais... Vamos acampar, por favor, não estou me sentindo bem… — continuo, um pouco manhoso.

O Kim pisca confuso com minha atitude, as sobrancelhas se unindo incrédulo, afinal não era de meu feitio agir dessa forma e chegava a ser engraçado me escutar dizendo isso. 

— Tem certeza? — ele pergunta e concordo com a cabeça depressa. — Tudo bem, vou procurar um bom lugar, aguenta só mais um pouquinho, sim? — pede suavemente, e percebo como estava com saudades de escutar sua voz aveludada. 

— Tá bom… — abro um sorriso agradecido, observando-o se afastar para avisar os demais guardas, percebendo como Taehyung parece gostar que eu lhe dê liberdade para cuidar de mim, afinal ele ainda é um alfa e seus instintos sempre zelam pelo cuidado e proteção de um ômega.

O que é infelizmente uma pena, porque quem vai receber cuidados é ele, não eu!

Me encosto e pigarreio ao notar os olhos espertos de Yoongi em mim e mesmo sem precisar dizer nada, nós dois rimos cúmplices. 

Não demora muito para a carruagem parar e Taehyung anunciar que iremos acampar, reunindo-se com o comandante Minho para conversar sobre a patrulha. Diante disso, aproveito sua distração e desço correndo, procurando Ahri e as servas.

— MiCha — chamo e a mesma se vira confusa, junto de SunHee e Ahri. — Preciso da ajuda de vocês… — digo baixinho e as três se reúnem ao meu redor, atentas. — O vice-general está doente, depois daquela chuva que pegou…

— Oh, pobrezinho — minha ama diz e concordo.

— Então montem uma tenda só para ele um pouco afastada das demais — peço. — E façam alguma sopa e… 

— Não se preocupe, sei o que fazer — Ahri responde com um sorriso pequeno. — O jovem mestre vai cuidar dele? — questiona curiosa e sei que mesmo estando afastada de mim esses dias está sabendo de tudo graças a MiCha e SunHee.

— V-Vou — digo sem graça e as três dão uma risadinha. — Parem com isso, só montem a tenda logo, está bem? 

— Ele pode ficar com essa — Ahri diz depressa. — É a nossa, vamos colocar mais afastada e montamos a nossa depois 

— Ah, certo. Já volto — agradeço e me afasto, procurando pelo alfa com os olhos.

O encontro ainda conversando com o comandante Minho e Yoongi, a expressão cansada ainda mais evidente e apresso o passo, arregalando os olhos quando o Kim cambaleia e quase desmaia nos braços de seu companheiro. 

— Vice-general! — o beta exclama surpreso, segurando-o. — Você está bem?

— E-Eu… Hum…

Me coloco ao seu lado e envolvo sua cintura com um braço, deixando que ele jogue o próprio em torno de meus ombros.

— Comandante Minho, ele está doente — digo, sentindo a pele do Kim quente contra a minha. — Cuide da patrulha esta noite, vou levar o vice-general até uma tenda para que possa descansar. — ordeno e ele concorda, se curvando antes de sair. 

Yoongi me ajuda a segurar Taehyung e caminhamos lentamente até a tenda mais afastada do acampamento, ajudando-o a entrar e se sentar. O alfa abre os lábios surpreso após avaliar o lugar já arrumado, me encarando como se esperasse por alguma explicação e lhe lanço um sorriso presunçoso.

— Você me enganou, gracinha — murmura fraco e mordo o lábio inferior, contendo uma risadinha.

O Kim se deita com cuidado, mantendo o corpo um pouco inclinado depois que ajeito os travesseiros, parecendo um pouco constrangido por receber tanta atenção.

— Tragam algo para ele comer, um pano e água — peço e Ahri concorda rapidamente.

— Bem… Eu já vou indo — Yoongi tosse forçado, atraindo nossa atenção para si. — Ficarei de olho na tenda para que ninguém veja vocês dois e tire conclusões precipitadas — contínua e concordo com a cabeça, lhe agradecendo com o olhar.

— Nós também já vamos — MiCha se apressa em dizer e logo entendo o que estão planejando. — Caso perguntem diremos que está se banhando, jovem mestre.

— Certo — ri baixinho, agradecendo sua ajuda, fechando a entrada da tenda quando todos saíram, ficando apenas Taehyung e eu.

— Você planejou tudo mesmo, hein — o Kim comenta, sorrindo envergonhado e retribuo, me sentindo da mesma forma.

Me aproximo dele e toco sua testa, comprovando minhas suspeitas ao sentir o quão quente ele está.

— Está com febre — digo preocupado, deslizando a mão por seu rosto suado. — Foi por causa da chuva que pegou.

— Bem… Que bom que você não se molhou também — ele comenta e reviro os olhos.

— De nada adianta cuidar de mim se não cuidar de si mesmo — respondo aborrecido. O quão inconsequente ele estava sendo? Trabalhando mais do que seu corpo aguenta e adoecendo dessa forma? Idiota! — Não pode fazer essas coisas de novo, precisa descansar, se alimentar direito e-

— Está preocupado comigo, gracinha? — ele provoca e sinto o meu rosto esquentar.

— É a segunda vez que o encontro nessas condições, seu alfa sem noção! — retruco, me afastando. — Se continuar assim não vai durar muito tempo. 

Taehyung não diz nada, apenas me encara de volta em silêncio, absorvendo minhas palavras.

— Se te preocupa, não vou mais fazer isso — diz por fim, a voz rouca soando sincera e sinto meu coração se acalmar um pouco.

— Eu… Hum… Ótimo. — desvio o olhar. — Acho melhor você tirar a roupa… Qu-Quer dizer, tudo não, só a camiseta, está quente e… — engulo em seco, envergonhado.

Taehyung ri baixinho e concorda, se sentando sobre os joelhos e volto a encará-lo, prendendo a respiração quando ele começa a desabotoar seu casaco e então o retira, seguido da camisa de seda branca simples, os olhos castanhos fixos nos meus, enquanto os dedos longos deslizam para seu cinto e ele o retira junto da bolsinha que está presa a ele, com uma pequena adaga.

Devido ao suor, sua pele bronzeada parece ainda mais atraente, analiso seu peitoral malhado lentamente seguido das clavículas marcadas e desço o olhar para sua barriga lisa e pouco marcada. Ele tem uma cicatriz em formato de 'xis' na cintura do lado esquerdo e sinto meus dedos formigarem com a vontade de tocá-las.

Respiro fundo, um pouco atordoado e cerro os punhos quando sinto o cheiro forte de cacau e grama molhada me atingir, deixando meu ômega louco de desejo e assim, eu preciso me esforçar mais do que o habitual para contê-lo por estar sem os medicamentos.

— Você quem parece doente — Taehyung brinca e pisco desperto, sentindo minhas bochechas esquentarem ainda mais. 

— Eu-

Por sorte Ahri aparece, me entregando a água e o pano que pedi, dizendo que logo trariam algo para comer e concordei agradecido.

Molho o pano na água e torço, tentando me manter focado naquilo e não nos olhos curiosos de Taehyung.

— Deite-se, vice-general — digo e ele me obedece, então coloco o pano molhado em sua testa. — Eu posso… Ver se está com febre? — pergunto, indicando seu pescoço, pedindo permissão para tocá-lo. 

Não quero que pense que estou me aproveitando ou algo assim. 

— Pode me tocar onde quiser, gracinha — o Kim responde, sorrindo atrevido e semicerro os olhos para ele, fingindo estar irritado.

Toco seu pescoço e não gosto de notar o quão quente ele está. Sua febre pode piorar… Pego o pano de sua testa e o molho na água fria de novo, torcendo e colocando de volta na região. “Ao menos está suando muito, é um bom sinal…”

— Por que está fazendo isso? — questiona minutos mais tarde, quebrando o silêncio confortável que havia entre nós dois.

— Você sempre cuida de todos — digo, tocando sua bochecha. Ainda está muito quente. — Nos protege… Precisamos de você bem nesta viagem.

Não é em todo verdade, mas não consigo verbalizar o real motivo de estar fazendo isso. 

— Eu entendo — ele diz baixinho. — Mas por que você está fazendo isso? — insiste e o encaro de volta. — Qualquer servo poderia estar aqui. Mas estou com o futuro líder de Bane nessa tenda pequena, cuidando de mim. — insiste e desvio o olhar do seu.

Eu sei o que ele está pensando, seus olhos são tão expressivos que não é difícil notar que há um pouco de esperança neles.

— Porque eu não quero que outra pessoa faça isso — respondo sincero. 

Ele merecia isso, mesmo que não fosse capaz de dizer tudo que se passa na minha cabeça afinal,estou tão confuso que eu mesmo não sei o que está acontecendo. Mas podia ao menos lhe dizer essa verdade. 

Não queria imaginar outra pessoa aqui cuidando dele, vendo-o despido dessa forma, escutando sua voz rouca e recebendo seus sorrisos quadrados e envergonhados. 

— Por quê? — insiste teimoso e o encaro irritado. — Sei que não poderemos tentar nada, que você me dispensou, porque não sou nobre e-

— Ah, cale-se! — bufo. — Você sabe que eu não me importo com isso.

— Mas sua mãe, sim — comenta entristecido.

— Eu sei… — respondo baixinho, igualmente chateado. — Desculpe…

— Me desculpe também… Se fosse nobre ou…

Balanço a cabeça, negando, sentindo minha garganta queimar por conter as lágrimas. É ainda pior olhar para ele e ouvir isso.

— Eu queria — sussurro, desviando o olhar para minhas mãos. — Lá na árvore… Mas, você não podia fazer aquilo.

"Ele precisa entender suas limitações", Yoongi dissera. Então tinha que deixar isso claro, para que ele entendesse que não haveria opção, se o que meu Hyung disse for verdade e se Taehyung gostasse de mim, ao menos um pouco, então terá que gostar sem poder me beijar.

Taehyung franziu o cenho, confuso.

— O que isso quer dizer? Você precisa, sei lá, se manter… Puro? — questionou e neguei com a cabeça, envergonhado. 

— Nós apenas não podemos. — repito. 

Não vou contar sobre o veneno, de jeito nenhum, meu abeoji ficaria furioso se o fizesse, poucos sabiam e tínhamos que continuar assim.

Volto minha atenção para o Kim quando o vejo se sentar, retirando o pano da testa, se virando em minha direção, e sinto meu coração acelerar quando ele ergue a mão e toca minha bochecha, deslizando-a por meu pescoço lentamente, os olhos escuros fixos nos meus enquanto leva a mão até meu ombro e então acaricia meu braço totalmente arrepiado. 

— Eu posso tocá-lo assim? — pergunta em um sussurro, a voz grave soando ainda mais rouca e arquejo afetado, sentindo meu corpo amolecer com seu toque.

— Pode… — respondo.

Taehyung sorri de canto e puxa minha mão levemente.

— Fique um pouco mais perto de mim, gracinha — pede e me aproximo receoso.

Ele segura minha mão com carinho, o dedo acariciando a palma e desvia o olhar para a mesma, enquanto toca meu dedo anelar pensativo.

— Enquanto você não se casar… Eu posso continuar tentando?

— Tentando o quê? — prefiro ter certeza. Não quero imaginar tudo errado.

Taehyung ri envergonhado, mordendo o lábio inferior e volta a me encarar, ainda acariciando minha mão.

— Tentando cuidar de você… — responde sincero e sinto meu coração pular uma batida — E tratá-lo como realmente merece se tratado.

Sequer percebo que estou sorrindo quando o escuto dizer isso, porque sempre pareceu impossível existir alguém disposto a fazer isso por mim, mas ali estava ele, com seus olhos castanhos expressivos, me olhando como se fosse a pessoa mais importante do mundo.

E eu queria isso, queria me sentir importante para alguém, só um pouquinho.

— Você pode… — falo sem jeito, beliscando minha perna discretamente, temendo estar sonhando acordado. — Mas, isso pode nos machucar…

Se mesmo aqui, e agora sentia meu coração doer com a ideia de não estar com ele, seria ainda pior se esse sentimento crescesse. 

— Estou acostumado a me machucar — ele brinca, cutucando minha cintura, tentando me distrair.

— Mas eu não quero ser um desses machucados — ergo o olhar, aflito.

— Tarde demais, gracinha.

Não digo nada, apenas retribuo seu olhar, sentindo meu corpo esquentar com a forma como suas íris parecem me consumir mesmo sem fazer nada. Tudo nele é tão intenso que me encontro sem fôlego.

— Eu ainda não posso beijar você, não é? — pergunta em um sussurro, desviando o olhar para minha boca e nego. — Tudo bem… Eu aguento…

— Desculpe — pisco tentando conter as lágrimas. — Ainda assim, você ainda pode desistir e investir em outro ômega. Um com menos problemas que eu e que permita que você faça essas coisas. — sua expressão endurece, mas continuo falando. — Um ômega que seja bom o bastante pra você, porque eu não sou, e nós mal nos conhecemos direito, você pode não gostar de mim de verdade, pode só estar perdendo tempo.

Haviam tantas coisas que me tornava dispensável, que não entendia porque ele ainda queria alguma coisa. O que eu poderia lhe oferecer além de minha presença irritante? 

— Pare com isso — Taehyung rosnou baixinho, afastando o toque de minha mão e quando fiz menção de continuar falando, o Kim segurou minha nuca, me obrigando a olhá-lo nos olhos, que nesse momento brilhavam em tons escarlate, enfurecido. — Você é bom o bastante pra mim, mas tem que ser, acima de tudo, bom o bastante para si mesmo.

Abro os lábios estupefato, mas não digo nada, temendo deixar o alfa ainda mais irritado se lhe dizer o que estou pensando. 

Notando minha hesitação ele se afasta e se vira para pegar algo em sua bolsinha então noto a pomada que lhe dei ali dentro, junto de uma adaga pequena e… Um pétala.

— Eu achei — ele me entrega a pétala vermelha e manchada e me lembro da flor que me deu e está guardada em um de meus baús. — Tome.

— Fica com ela — recuso a pétala, porque não me importo em estar faltando, suas intenções ao me cortejar naquele dia que foram importantes. — Quando você me deu a flor eu pensei que éramos parecidos, sabe… — ri envergonhado. Provavelmente estava dizendo bobagens. — Então fiquei com ele, será como se… Tivesse uma parte minha com você.

"Pelos Espíritos, com certeza ele me acharia estúpido!"

— Vou guardar como um amuleto então — ele sorriu quadrado, contente com minha resposta e senti meu coração se aquecer com seu ato.  

— Até murchar — brinco, arrancando outra risadinha dele.

— Vou guardar mesmo assim.

— E quando virar pó? — provoquei, erguendo as sobrancelhas desafiador e Taehyung piscou pensativo, colocando a mão no queixo, teatral.

— Irei plantar e esperar florescer uma nova, então.

— Não acho que isso seja possível — gargalhei, imaginando-o plantando uma pétala murcha como uma criancinha sonhadora.

— Só vou saber se tentar — retrucou, me lançando uma piscadela e revirei os olhos, mordendo o lábio inferior, contendo outro riso.

Antes que eu pudesse dizer algo SunHee e MiCha erguem o pano e entram na pequena tenda, me entregando um pouco de sopa.

— Senhora Jeon estava procurando-o, jovem mestre — MiCha diz. — Nós dissemos a ela que estava se banhando com a ajuda de Ahri, mas ela pode voltar a procurá-lo.

— Ah… Entendi, já estou indo, obrigado — sorrio agradecido e elas se curvam, saindo da tenda, baixando o tecido que impede que me vejam com Taehyung. 

— Elas realmente gostam de você, parecem um mini esquadrão — Taehyung comenta e concordo animado.

— Melhor que o seu — provoco e ele me mostra a língua, divertido.

— Então está mesmo cuidando de mim escondido da senhora Jeon… — murmura, pegando a vasilha de sopa. — Gostei, é divertido ter esse tipo de segredo.

Pego o pano já seco e molho de novo, torcendo, me ocupando em fazer outra coisa enquanto ele come, ignorando seus pedidos bobos para que lhe dê a comida na boca. 

Um silêncio confortável prevalece enquanto ele come e sei que há alguma coisa incomodando-o, porém não digo nada e espero que fale.

— Aquele alfa… Heechul — pigarreia e noto como está sem graça. — Parece que se deram bem.

"Oh."

— Ele é um pretendente — respondo depressa. — Apenas isso.

— Eu deveria fazer a patrulha — Taehyung muda de assunto de repente, claramente desconfortável com um assunto que ele mesmo começou.

— Comandante Minho está cuidando disso, apenas descanse — falo e ele se deita depois que indico o travesseiro, sério.

Ficamos mais alguns minutos em silêncio, com Taehyung acariciando a palma de minha mão distraído, fazendo eu sentir um frio no estômago a cada toque seu e tento disfarçar da melhor forma que posso enquanto troco o pano em sua testa de tempos em tempos, sabendo que ele está ouvindo meu coração acelerado com seus sentidos de alfa. Mas felizmente não diz nada para me constranger.

— Você ainda está com febre — comento aborrecido. Sua temperatura sequer abaixou e isso é preocupante. 

— Eu me sinto quente — ele responde, sorrindo de canto. — Gosto de ter você aqui cuidando de mim, quero ficar doente mais vezes — brinca mas lhe dou um tapa no braço e ele gargalha.

— Francamente — reviro os olhos. — Por que você é assim? — reclamo.

— Você é forte e mandão, eu gosto disso — responde com um sorrisinho malicioso.

— Aigoo… — exclamo e me viro, torcendo o pano e colocando em sua testa. — Vou pedir um chá ou-

— Não precisa! — ele segura meu pulso. — Fica aqui comigo… Eu vou ficar bem se… Você me der um beijinho.

— Achei que tivesse entendido que não posso fazer isso — cruzo os braços impaciente.

Não sabia que ele ficava tão insistente quando doente, nunca mais irei cuidar dele! 

— Eu sei, gracinha… — ele pisca falsamente inocente. — Mas, e na bochecha, pode? — sorri esperançoso.

— Aish…Não mesmo! — nego com a cabeça, desviando o olhar.

Isso é mais piegas que os poemas de Yoongi Hyung!

— Sabe… Dizem que quando um alfa recebe um beijo afetuoso de seu ômega, ele é curado — mente descaradamente e semicerro os olhos, incrédulo.

— Eu não sou o seu ômega — o lembro e ele dá de ombros.

— Um alfa pode sonhar, não pode?

Sinto meu coração disparar ansioso só de me imaginar fazendo isso e desvio o olhar do seu, temendo que alguém entre e nos veja.

— Desculpe, gracinha. Se não quiser não prec- — ele se cala no momento em que por impulso eu me aproximo e beijo sua bochecha, me afastando depressa logo em seguida, cobrindo o rosto envergonhado.

— Aigoo, nunca mais farei isso! — digo, inflando as bochechas emburrado quando o escuto rir.

— Já me sinto melhor, meu-hum... Gracinha — ele gagueja e o olho curioso.

— Melhor eu ir embora — me endireito. Se continuar aqui minha ómoni pode nos encontrar ou acabarei cedendo novamente.

— Ah, não vai não — ele pede manhoso e cubro os lábios contendo uma risada. É tão estranho ver um alfa fazendo isso. — Fica só mais um pouquinho.

— Você é um alfa grudento, sabia? — digo, tirando o pano de sua testa, molhando de novo e torcendo antes de colocar de volta na região.

— É porque eu gosto de ficar com você… — ele sussurra mansinho, cutucando minha cintura e solto um riso soprado.

— Tá legal, dez minutos.

— Trinta!

— É muito! — lhe dou um tapinha. — Quinze.

— Fechado.

— E como eu vou contar?

— Eu tenho um relógio de bolso — ele indica e o pego, olhando a hora e o devolvo.

Continuamos em silêncio, porque é confortável dessa forma e me arrisco a tocar os fios de seu cabelo como venho desejando em segredo há um tempo, acariciando a região enquanto espero o momento certo para molhar o pano de novo. Seu rosto está com uma expressão melhor e ele já não parece tão quente.

— Sua mãe é um lobo negro como você? — pergunto, brincando com uma mecha de seu cabelo, enrolando no dedo, e ele abre os olhos. 

— Não, ninguém da minha família é, apenas eu.

— Eles são raros…

— Eu sei — suspira e percebo que esse é um assunto delicado para si. — Teve uma época que pensei que ela não fosse minha mãe, porque meus irmãos são alfas lúpus com pelagem castanha como as dela e do meu pai, mas apenas eu sou um lobo negro e puro? Isso me deixava muito inseguro. — explicou. — Mas, uma de nossas vizinhas, uma fofoqueira, mas nem um pouco mentirosa, me disse que assistiu ao meu parto. Então parei de pensar nisso.

— E seus avós?

— Também não são como eu — ele sorri quando afasto a franja de seus olhos e volto a brincar com seu cabelo. É macio e imagino se tem cheirinho de chocolate ou algo assim. 

— Por que você não é um lúpus? 

— Eu não sei, sou filho de dois alfas, as chances de eu nascer lúpus deveriam ser grandes, mas — ele suspira, sem saber como me responder. — Minnie me disse que é bobagem pensar nisso, que os Espíritos tem um propósito para tudo e que eu não ser lúpus é uma decisão deles.

Isso me faz pensar como ele não sabe que Jimin é o Sábio dos Montes… Se o Park lhe diz coisas como essas, eu suspeitaria.

— Os Espíritos são complicados — comento, pensando no veneno.

— Eu sei — ele responde indiferente. — Isso não importa mais.

Deslizo os dedos por entre seus fios bagunçados, gostando da sensação mais do que imaginei. Poderia me acostumar com isso…

— Agora… Seu lobo, ele é incrível — fala com um brilho nos olhos. — É maior que a maioria dos ômegas que já vi — continua. — Mas é um pouco fraco, você precisa aprender a lutar em sua forma lupina!

— Você vai me ensinar? — questiono empolgado e ele concorda igualmente entusiasmado. 

— Claro! Faz parte dos treinos, ensinarei todos vocês! 

— Espero melhorar então.

— Você vai — ele sorri quadrado e ergue a mão, acariciando meu rosto e estremeço. — É um dos meus melhores recrutas.

— Não minta!

— Não estou! — ele revira os olhos. — Você tem muito potencial, gracinha.

O encaro desconfiado e me afasto.

— Eu preciso ir, minha ómoni pode aparecer.

— Mas o tempo não acabou! — protesta e lhe mostro a língua, pegando o relógio e então percebo que o ponteiro não está se movendo.

— Está quebrado, trapaceiro! — jogo o objeto nele fazendo Taehyung rir alto. — Não faça barulho! — lhe dou um tapa.

— Você que está gritando comigo, gracinha — ele responde desafiador e quando tento lhe empurrar sou pego de surpresa por suas mãos ágeis que seguram meu pulso e me puxam para perto de si. O alfa se coloca em cima de mim, com um sorriso vitorioso e sinto o ar escapar de meus pulmões.

— Me solta — falo e ele afasta as mãos das minhas.

— Não pode baixar a guarda, grac- — mas sou mais rápido e inverto as posições, ficando por cima, segurando seus pulsos com uma força medida e sinto um calafrio no estômago quando seu sorriso brincalhão é substituído por um carregado de malícia.

— É por isso que eu gosto de você… — o Kim sussurra, sorrindo largo enquanto a maldita língua desliza entre os dentes e arregalo os olhos, surpreso com sua fala.

O alfa aproveita minha reação e se livra de minhas mãos, ficando por cima de mim novamente, inclinando-se em minha direção ousado e sinto meu coração pular uma batida, acelerado.

— Você quer que eu pare? — Taehyung sussurra cauteloso, próximo o bastante para seu hálito quente acariciar meus lábios e nego com a cabeça, prendendo a respiração por instinto quando ele se curva para mais perto, as mãos ao lado de minha cabeça e um dos joelhos entre minhas pernas. 

Ele toca meu rosto suavemente e sinto meu corpo esquentar e minha pele formigar por onde seus dedos passam, arfando quando ele os desliza até o meu pescoço, fazendo os pelos de minha nuca eriçar. 

— Eu posso tocá-lo dessa forma? — pergunta baixinho, a boca colada ao lóbulo de minha orelha, me fazendo contorcer debaixo do seu corpo, ansioso.

— Po-Pode… — respondo em um suspiro.

Taehyung ri soprado contra meu pescoço, o cheiro de cacau ainda mais intenso devido nossa proximidade e mordo os lábios aflito quando sinto um leve selar na região.

— Droga… Faça logo!

— Fazer o quê, gracinha? — ele ri, deslizando os lábios até meu maxilar e respiro fundo.

Pelos Espíritos, meu ômega estava desesperado por mais dele, qualquer coisa, mas apenas proximidade não era o suficiente e não sei quanto tempo eu conseguiria contê-lo, ainda era novidade para mim, todas essas sensações…

— Se não vai fazer nada, saia! — digo irritado e ele afasta os lábios da minha bochecha e me encara com um sorriso atrevido. — O que foi?

— Você fica lindo assim, irritadinho — diz e antes que possa mandá-lo pro inferno ele beija minha pálpebra e estremeço. — Tão lindo…

— Vice-general… — o encaro aborrecido. 

Não gosto de me sentir tão entregue a ele, é assustador a maneira como Taehyung parece saber todos os lugares que deve me tocar. 

— Não precisa me chamar assim, gracinha — me lembra e arfo quando ele segura minha cintura.

— Alfa… — sussurro e meu corpo parece entrar em combustão quando seus olhos adquirem um brilho escarlate, completamente afetado pelo que acabei de dizer.

— Ah, porra… — ele xinga baixinho próximo ao meu ouvido e contenho um gemido quando morde levemente o lóbulo de minha orelha. — Não faz isso, gracinha…

— Isso o quê, lobinho? — abro um sorriso desafiador, mesmo que ele não possa me ver por estar ocupado demais beijando meu pescoço novamente. 

São selares castos, quase não tocam minha pele, mas é o bastante para eu me sentir amolecido.

— Eu não posso beijar você… — ele murmura, rente ao meu ouvido, deslizando as mãos de minha cintura para o meu braço. — Mas posso te fazer sentir bem de outras formas…. Você deixa? — pede e concordo freneticamente fazendo-o rir baixinho.

Taehyung beija minha bochecha e fecho os olhos, respirando fundo, tentando acalmar meus batimentos, mas quando me atrevo a abri-los novamente sinto toda minha sanidade se esvair no momento em que seus lábios tocam a pintinha abaixo do meus.

— Você é o ômega mais lindo que já vi… — sussurra quase inaudível, acariciando a maçã de meu rosto enquanto me observa maravilhado.

— Não deve ter visto muitos então — respondo constrangido. Não estou acostumado a ser elogiado.

— Pare de se diminuir — o Kim diz, ainda me observando com atenção. — Se soubesse o quão atraente é e usasse isso a seu favor… Teria todos nas palmas de suas mãos.

— Eu tenho você? — pergunto sem pensar, mas é tarde demais para voltar atrás.

— Desde o dia em que te vi debaixo daquela escada — confessa e arregalo os olhos surpreso com sua resposta. 

Não consigo acreditar, embora me lembre de como ele me olhou naquele dia, cheio de desejo. Mas não quis acreditar nisso, não quando minha ómoni sempre diz que ninguém me verá dessa forma. 

— Eu não me acho atraente — confesso tímido. Mas não tenho medo de dizer isso pra ele. — Não há nada em mim que eu goste.

Taehyung me observa claramente entristecido, como se ouvir tais coisas o machucasse muito.

— Deixa eu mostrar pra você então — murmura, colocando uma mecha rebelde atrás de minha orelha. — Eu gosto de como seu cabelo é levemente ondulado nas pontas… Gosto de como sua cintura é fina e encaixa perfeitamente em minhas mãos — segura a região e arfo baixinho. — E você não precisa de toda aquela merda pra deixá-la melhor. — me lembro de como rasgou minha cinta enfurecido. Taehyung continua me olhando profundamente, enquanto desliza a mão pelo meu braço e então o ombro. — Gosto de como é forte nos lugares certos… — e então beija a pintinha embaixo da minha boca, me fazendo estremecer ansioso, desejando mais. — E gosto de como você morde os lábios e seus dentinhos tocam a pintinha abaixo deles…

Entreabro os lábios completamente perplexo com suas palavras, sentindo meu corpo queimar em todos os lugares que ele tocou, além da estranha pontada no estômago.

— Tae…

— Eu gosto da sua voz e de como ela soa baixinha e manhosa quando eu faço isso… — ele morde o lóbulo de minha orelha e contenho um gemido arrastado, pego desprevenido. — E seus olhos… — ele volta a me encarar, sério, a íris com um leve brilho escarlate. — Eu não gosto deles, sou apaixonado por eles, pelo quão expressivos eles são…

Respiro fundo mais uma vez ao notar que estava prendendo a respiração e fecho os olhos quando ele se aproxima e beija uma de minhas pálpebras de novo.

— E seu cheiro… Gosto muito dele…

— Não é meu cheiro de verdade — me encolho chateado. — Você nunca sentiu.

— Eu não me importo — sorri pequeno, me avaliando com atenção, como se quisesse entender o motivo para eu estar assim. — Quando eu sentir, sei que vou gostar.

— Não vai — insisto, desviando o olhar. — É impossível você gostar. — Taehyung nega de novo, mas continuo: — Você só falou da minha aparência — comento.

“Como sempre, ômegas são vistos apenas dessa forma…

— Eu disse que contaria o que gosto em você, e não o que amo em você — responde e arregalo os olhos, voltando a encará-lo, incrédulo.

— É m-muito cedo pra isso — engulo em seco, sentindo meu coração disparar e estamos tão próximos que consigo sentir o seu também.

— Tem razão… — ele acaricia meu rosto docemente. — Por isso não direi agora… Espere um pouco mais, gracinha.

— Eu preciso mesmo ir agora… — mudo de assunto, desviando o olhar.

É demais pra mim no momento. E se ele só estiver brincando comigo? 

— Tudo bem — Taehyung se afasta e sai de cima de mim, me deixando com uma estranha sensação de vazio e saudades do calor de sua pele.

Me sento constrangido, incapaz de encará-lo novamente. Não esperava que isso fosse acontecer, que fosse ceder tão facilmente. Não que me arrependa, mas me assusta.

— Tenho certeza que amaria beijar você… — Taehyung sussurra e nego com a cabeça. Ele realmente não entende. — Se eu fosse um nobre…

— Não é isso — bufo irritado. Por que continua voltando para esse assunto? — Mesmo que… Mesmo que eu me casasse com você, não poderia me beijar, nunca.

Ele arregala os olhos e rosno frustrado comigo mesmo por falar demais, então me afasto dele.

— Não sou mais tão interessante agora, não é? — questiono amargo.

— Os boatos…

— Não são reais... Mas há um pouco de verdade neles — digo, notando como ele parece perdido em pensamentos, com diversas perguntas se passando em sua cabeça. — Eu vou embora agora.

Me viro, mas ele segura minha mão com delicadeza e volto a encará-lo.

— Beijá-lo deve ser ótimo… — diz, sorrindo pequeno. — Deve me levar ao céu e ao inferno ao mesmo tempo, tirar meu fôlego e arrepiar todos os pelos do meu corpo. — franzo o cenho, confuso com o que ele quer dizer. — Mas se não posso ter isso, por mim tudo bem. Estou satisfeito com o que puder me dar.

É ainda pior escutar isso e constatar o quão longe ele parece disposto a ir. Se me envolver com ele dessa maneira só acabaremos mais machucados. É melhor me casar com alguém que não gosto e viver bem por não poder fazer nada, do que colocá-lo nessa situação horrível, impedindo-o de fazer essas coisas.

Satisfeito com o que eu puder dar a ele? Não há nada que eu possa lhe oferecer além de frustrações e dúvidas. Como ele pode ficar satisfeito com tão pouco? 

— Eu vou embora.

— Gracinha…

— Não me chame mais assim, por favor — peço angustiado, sentindo meu olhos lacrimejar. — Eu queria seguir o conselho de Yoongi Hyung e escutar meu coração, mas não consigo fazer isso.

Taehyung me olha magoado e me sinto ainda pior, por ter lhe dado alguma esperança ou retribuído suas investidas.

— Jovem mestre — ele se curva educado, mudando completamente seu tom de voz e nunca odiei tanto meu título como nesse momento. — Eu agradeço pela visita e por, hum… Cuidar de mim.

Sinto um nó na garganta e pisco depressa tentando afastar as lágrimas, mas elas deslizam por minha bochecha mesmo assim e desvio o olhar para que ele não perceba.

— Descanse, vice-general — minha voz soa falha e entrecortada, então saio da tenda, correndo para longe. 

Me esquivo dos servos e guardas que estão trabalhando enquanto mantenho minha cabeça baixada e fungo baixinho, temendo que alguém note meu estado. Mais fofocas… É isso que aconteceria se me vissem sair da tenda do vice-general chorando.

Entro na minha tenda e vejo Yoongi sentado lendo algum livro com a capa bonita, ele está usando um óculos redondo de descanso, distraído o bastante com a leitura que sequer ergue o olhar quando me deito, os dedos finos brincando com a echarpe laranja em torno de seu pescoço. 

— O que aconteceu? — perguntou tranquilo e isso era uma das coisas que eu mais gostava nele. A maneira como se mantinha calmo e racional na maioria das situações e sequer notei quando parei de chorar. 

Simples assim, ele perguntava suavemente e as lágrimas iam embora, porque eu sabia que ele iria me escutar e me ajudar. Não tinha nada a temer. 

— Taehyung… Eu não consigo, Hyung — sequei a bochecha depressa. — Eu queria fazer o que me disse, queria tentar, mas… Vê-lo dizer aquelas coisas e saber que nunca serei capaz de retribuir de verdade me faz sentir péssimo. Qual o sentido de estar com alguém, receber tudo dela e não poder retribuir?

Yoongi não disse nada, apenas pendeu a cabeça para o lado como se estivesse refletindo sobre minhas palavras, então esperei.

— Qual o sentido de amar alguém esperando algo em troca? — retrucou, erguendo as sobrancelhas. — É assim que o amor soa para você?

— E-Eu…

Por quê estamos falando de amor? O que Taehyung e eu temos não é tão intenso assim.

— Eu não conheço o vice-general tão bem quanto você… — ele retirou o óculos do rosto e pressionou os dedos no nariz, na região onde o mesmo se encontrava, cansado. — Mas, ao que parece tiveram uma conversa… E ele parece disposto a estar com você, respeitando os seus… Limites?

— Sim…

— Então, qual o problema? Você quer alguém que o desrespeite? Que o force e o faça se sentir mal por não poder beijar?

— Eu quero ele, Hyung… Mas não apenas toques… Eu quero mais do que isso e eu sei que ele também quer — respondo, angustiado. — Então não é melhor estar com alguém que não me faça desejar isso para evitar toda essa bagunça e deixá-lo livre para… Fazer essas coisas com um ômega que possa lhe dar o que eu não posso?

— E quem disse que você não pode ser o ômega que ele deseja? Se ele quer estar com você, Ggukie-ah, então é porque você é o ômega certo.

Por mais que Yoongi e Taehyung me dissessem isso, não conseguia acreditar. Eram pessoas demais, de repente, me dizendo que sou o ômega certo… Havia Heechul também, com sua estranha história sobre um ômega que vencerá os inimigos em uma batalha sem derramar sangue. Por que é que eu, um ômega que nunca foi visto e valorizado de repente se torna certo e essencial para alguém? Não fazia sentido. Era repentino demais. 

— Estou com medo Hyung… Eu… Realmente gosto dele e quando a hora chegar eu terei que me casar com outra pessoa, outro alfa… Porque esse é meu dever, sou o maldito jovem mestre, o futuro herdeiro que todos odeiam e não desejam como líder — me lembro das palavras de Minjae. — Tudo isso porque sou um ômega amaldiçoado, nem mesmo os Espíritos se importam comigo, Hyung! — quando percebo estou chorando novamente. — Que droga! Eu preciso dos medicamentos… — me viro e começo a vasculhar minha bolsinha em busca das ervas que minhas servas usam para a bebida medicinal. 

— Ggukie-ah… — Yoongi se aproxima cauteloso. — Esses medicamentos são ruins, seu lobo precisa fazer parte de você… Tem que aceitar isso…

— Mas eu não quero! Não quero ser um ômega! Parece que tudo é mais intenso e machuca muito mais! Não consigo controlá-lo, Hyung!

— Jeonggukie! — ele me puxa, as mãos frias segurando meu rosto, sua expressão antes serena repleta de seriedade. — Você é um ômega e não há nada de errado nisso, será um grande líder independente de seus genes e seu lobo vai ajudá-lo nisso mais do que imagina.

— Hy-Hyung…

— Permita-se sentir, Jeonggukie… — murmurou. — Você sempre guarda tudo pra si e lidou com isso até agora muito bem… Mas uma hora isso iria acontecer, toda essa pressão que colocam em você não vai acabar e se você impedir que sua parte lupina o ajude nisso, vai ser ainda mais difícil.

— E como poderia ajudar? Só me sinto mais sensível e fraco com ele tomando o controle, cedendo e-

— Um ômega não é fraco — ele disse e arregalo os olhos ao meu lembrar que costumo dizer a mesma coisa, mas aqui estou eu, me contradizendo. — Vocês são mais fortes do que imaginam e não falo de força física. Os ômegas e não apenas você, mas dezenas, vivem seguindo esses padrões absurdos, vivem se submetendo às injustiças e aceitando em silêncio ofensas sem merecerem isso. Ômegas suportam tudo isso e se mantém firmes! E com você não é diferente, afinal é o futuro líder e o ômega que há em você o ajudou a defender Somi dos ataques inimigos em Ídea, seu lobo o ajudou a conter o ataque do soldado que queria matar Hanseo liberando seu feromônio venenoso sem que você tivesse consciência.

— Is-Isso… 

Ele tinha razão, meus instintos lupinos me ajudaram em momentos que poderiam me matar, o ômega, mesmo inconsciente me ajudou a lidar com tudo isso. 

— Pare de negar quem você é, sinta orgulho por ser um ômega que vai liderar Bane e representar todos os outros!

— Eu sei disso, mas…

Yoongi bufou e se virou, pegando o livro que estava lendo e o olhei confuso, franzindo o cenho quando ele estalou a língua e se virou para mim, passando os olhos rapidamente pela página.

“Certa vez houve uma inundação numa imensa floresta.” — leu, depois de colocar os óculos novamente. — “O choro das nuvens que deveriam promover a vida dessa vez anunciou morte. Os grandes animais bateram em retirada fugindo do afogamento, deixando até os filhos para trás. Devastavam tudo o que estava à frente.” — permaneci em silêncio, escutando-o com atenção, embora não entendesse onde ele queria chegar com isso. — Os animais menores seguiam seus rastros. De repente uma pequena andorinha, toda ensopada, apareceu em contramão procurando a quem salvar.” — ele ergueu o olhar para mim e sorriu. As hienas viram a atitude da andorinha e ficaram admiradíssimas. Disseram: “Você é louca! O que poderá fazer com um corpo tão frágil?”. Os abutres bradaram: “Utópica! Veja se enxerga a sua pequenez!”. — ri baixinho quando ele tentou imitar a voz dos animais de maneira engraçada, como se estivesse contando uma história para uma criança. — Por onde a frágil andorinha passava, era ridicularizada. Mas, atenta, procurava alguém que pudesse resgatar. Suas asas batiam fatigadas, quando viu um filhote de beija-flor debatendo-se na água, quase se afogando. 

Apesar de nunca ter aprendido mergulhar, ela se atirou na água e com muito esforço pegou o diminuto pássaro pela asa esquerda. E bateu em retirada, carregando o filhote no bico.

Ao retornar, encontrou outras hienas, que não tardaram muito a declarar: “Maluca! Está querendo se heroína!”. Mas não parou; muito fatigada, só descansou após deixar o pequeno beija-flor em local seguro. Horas depois, encontrou as hienas embaixo de uma sombra. Fitando-as nos olhos, deu a sua resposta: “Só me sinto digna das minhas asas se eu as utilizar para fazer os outros voarem”.²

Finalizou e fechou o livro após marcá-lo com uma pena colorida, sorrindo de canto, como sempre fazia quando me deixava sem palavras. 

Engoli em seco, chocado com suas palavras, ou melhor, com a história, compreendendo o que ele queria me passar com ela.

Eu sou um ômega, filho do líder de Bane e futuro herdeiro e preciso me orgulhar disso invés de agir como se fosse apenas algo ruim, apenas obrigações, deixando que as palavras desmotivadoras dos demais me impeçam de fazer aquilo para qual estou destinado. Porque serei alguém muito valioso no futuro e cedo ou tarde terei que cumprir meu dever de zelar por meu povo, e o momento havia chegado, estava na hora de usar esse título devidamente e provar para eles o que eu venho tentando há anos.

Eu sou Jeon Jeongguk, o ômega filho do líder de Bane e não preciso de um alfa desconhecido para proteger o meu povo. Pelo menos, não de verdade.

— Obrigado, Yoongi Hyung! — O abracei forte, grato por sua ajuda. — Já sei o que fazer!

O beta riu baixinho e concordou, ajeitando o óculos no rosto.

Antes de sair da tenda me virei curioso.

— Quem escreveu isso dessa vez? — perguntei. — Juro que este livro eu vou ler!

Yoongi revirou os olhos e virou a capa bonita para que eu pudesse ver melhor e arregalei os olhos ao notar sua caligrafia bonita na borda.

— Fui eu — gabou-se. — E sabe em quem me inspirei para a andorinha? — questionou e senti meu coração se aquecer, já imaginando sua resposta. — Pois é… Eu lhe disse que você não nasceu para ser uma serpente, se lembra? — concordei com a cabeça.

— Eu nasci para voar…

— Mas nunca sozinho — completou e abri um sorriso largo. — Agora vai lá, andorinha, faça o que faz de melhor.

— Confusão? — zombei, lhe lançando uma piscadela.

Saio da tenda apressado, preciso falar com meu abeoji e-

— Jeongguk! — ouço Jungwo me chamar e me viro aliviado, correndo em sua direção. — Vá se banhar — fala sério e o olho confuso.

— Abeoji, eu preciso falar com o senhor para-

— Vá se banhar primeiro — grunhiu, aproximando-se um pouco mais. — Consigo sentir o cheiro dele impregnado em você.

— O quê?

Jungwo cruza os braços aborrecido e sinto minhas bochechas esquentarem em compreensão. 

Ele sabia.

— Ab-Abeoji…

— Faça o que eu falei — repetiu, olhando ao redor. — E venha a minha tenda depois, temos que conversar. — ditou, se afastando sem me dar oportunidade de explicar e estremeci assustado.

Procurei Ahri e lhe contei sobre Jungwo enquanto minha ama me ajudava a tirar o cheiro de Taehyung de mim. Sequer tinha notado, mas nossa aproximação na tenda fez com que ele me marcasse, mesmo que temporariamente e precisávamos tirar seu cheiro, caso contrário se alguém notasse, as fofocas seriam ainda piores.

"Jeongguk, o ômega sem honra", algo como isso poderia se tornar ainda pior dependendo de quem espalhasse…

Agradeci Ahri e fui até a tenda de meu abeoji, aliviado por não encontrar minha ómoni ali, seria melhor conversarmos sobre isso sem ela presente.

— Sente-se — o alfa ordenou, indicando uma almofada e o fiz. Sua tenda era a maior do acampamento, podíamos até ficar de pé. — Então… O que acha do vice-general? 

Mordi o lábio inferior ansioso. Sabia que podia lhe contar tudo, mas tinha outros planos no momento.

— Ele está me ajudando muito nos treinos… Tenho melhorado — respondi, desviando o olhar quando me fitou sério, cruzando os braços. — Ele é… Legal. 

— Apenas isso? — questionou, descrente. 

— Eu gosto de estar com ele… — falei, brincando com a bainha da minha camiseta, me concentrando em qualquer coisa que não fosse os olhos afiados do alfa lúpus.

O ouço suspirar pesado, coçando a barba rala enquanto me observa pensativo.

— Eu sei que tem algo mais, filho… — diz e me encolho assustado. Jungwo é minha última esperança, não estou pronto para ouvi-lo negar e- — Gosto de Taehyung — continua e ergo o olhar surpreso. — Sua família é muito respeitável… A mãe dele ajudou seu avô uma vez e seu pai está liderando as linhas de batalha contra Aloysia nesse momento e estão vencendo… — reflete e sinto meu coração disparar, cheio de expectativas. — O Kim é muito inteligente, fazia parte do esquadrão de inteligência e por isso o mandei para lá… Mas, infelizmente não é-

— Bom com espadas… — o interrompi, sorrindo constrangido. — Eu soube disso…

Jungwo me avalia com atenção, concordando com a cabeça.

— Ainda assim… Eles não são nobres — comenta, sério. — Nossos aliados não aceitariam uma união facilmente… Além de se sentirem insultados por escolhermos um não nobre no lugar de um dos seus, nós também precisamos de recursos e poder nessa guerra. E os Kim's não podem nos oferecer isso. — concordei cabisbaixo.

Eu entendia o que ele queria dizer. 

— Ainda assim, nada disso importaria se você me dissesse que o quer… — murmurou e arregalei os olhos. — Não importaria se não estivéssemos em guerra… Mas estamos… Eu sou seu pai, mas também sou um líder.

Engoli em seco, tocado por suas palavras. Ao menos eu tinha sua aprovação, mesmo que não significasse nada na situação em que estamos, ainda era importante para mim saber que tinha sua aprovação.

— Eu entendo abeoji, não se preocupe — sorri pequeno e ele me olhou confuso. Provavelmente esperava protestos de minha parte, afinal eu venho sempre fazendo isso, negando meus deveres enquanto faço apenas o que desejo.

Mas o que me impedia de fazer ambos?

— Quando o momento chegar, farei o que precisa ser feito — respondi, retirando o anel que Heechul me deu do bolso para que ele pudesse ver e Jungwo arregalou os olhos, perplexo. — Um casamento não determina o rumo de uma guerra, abeoji… Mas um noivado como o de Somi garante aliados…

— O que está planejando? — ele se levantou, aproximando-se para ver o anel.

— Eu não preciso me casar abeoji, Somi só é noiva de Jaewon e temos Ídea ao nosso lado… — expliquei. — Heechul me deu isto e disse que posso falar que estou noivo, mesmo não estando…

— Por quê? — questionou desconfiado e dei de ombros.

— Nós viramos… Bons amigos — menti, mas não era o momento para lhe dizer o que escutei do alfa. 

— Então vai se tornar noivo de Heechul? — neguei.

— Nós diremos que estamos nos conhecendo e que o alfa tem minha afeição e grandes chances de se tornar meu noivo — continuei. — Não preciso de seus aliados no momento, só preciso de seu nome, para que possa ter liberdade de fazer o que venho planejando.

— E o que seria?

— Vou continuar treinando, me tornarei forte o suficiente para provar aos cidadãos de Bane que sou digno de ser o futuro líder deles. 

— E como fará isso? — ergueu as sobrancelhas cético, mas havia um brilho orgulhoso em seu olhar.

— Vencerei a competição entre os recrutas. Enquanto isso, as notícias de que os ajudei no ataque de Ídea irão se espalhar… Será questão de tempo até todos entenderem que sou bom o bastante e que não preciso de um alfa ao meu lado, de que Bane não precisa de um futuro líder casado para vencer esta guerra.

— E então romperá o noivado?

— Que noivado? — sorri inocente. — Eu só vou dizer a eles o que querem ouvir abeoji e depois que entenderem que sou mais que um simples ômega problemático, não irão se importar com quem eu caso ou deixo de me casar.

— Mas, pra isso… Você vai ter que ser realmente forte e se não conseguir?

— Eu vou — “eu preciso.”

Jungwo concorda, receoso.

— Tudo bem… Faça isso então — diz vencido. — E quanto ao vice-general…

— Abeoji! — me levantei constrangido. — Não temos nada!

— Ainda…

— Mas, não temos!

— E pretendem? Você sabe que com o… — gesticulou e soube que estava falando do veneno. — Não podem…

— Bom… Pelo menos não precisa se preocupar com isso — fiz um bico emburrado. — Nada de beijos, aliviado?

— Você nem imagina — sorriu largo e lhe dei um tapinha. — É sério, filho… Seja um pouco duro com ele — pediu, bagunçando meu cabelo. — Não quero perder meu garotinho agora.

— Você nunca vai me perder, abeoji — garanti, rindo quando ele me abraçou. — Eu prometo.

“E espero nunca perdê-lo também”, penso.


Ω

[1741 d.e]

Junho, vigésima nona lua do mês, verão



Estou sentado em um caixote, escrevendo um bilhete para Heechul, informando-o de que irei usar seu nome para mentir sobre um possível noivado e que se tal notícia chegar a seus ouvidos o mesmo terá que confirmar.

Os servos e guardas estão desmontando as tendas para que possamos partir, nesse ritmo e sem imprevistos chegaremos em Bane ao anoitecer.

Enrolo o pequeno bilhete e não assino, temendo que saibam que eu o escrevi caso caia em mãos erradas. Não irei cometer o mesmo erro.

Me levanto e vou até uma das gaiolas, esticando o braço para que um dos pássaros de meu abeoji suba e me afasto devagar, colocando o bilhete em sua pata, prendendo com cuidado.

— Ei, amiguinho… — acaricio sua cabeça, olhando-o com atenção, me certificando de que é mesmo o pássaro correto. — Sabe o que fazer! — ergo o braço e ele levanta vôo, afastando-se de mim.

Sorrio largo, aliviado por conseguir organizar meus pensamentos depois de tanta confusão e foi bom ter conhecido Heechul, sua ajuda seria muito valiosa.

Precisava falar com Taehyung agora, lhe explicar o que planejei e pedir sua ajuda para melhorar nos treinos, ou melhor, de sua mãe. Se tudo ocorrer como o esperado, não será um problema permitir que esse sentimento estranho cresça entre nós…

Busco o alfa com o olhar, vendo-o conversar com Minho e Jungwo, meu abeoji o encara com seriedade, como se após confirmar o que já suspeitava precisasse ser mais severo com o Kim e isso era fofo. 

— Me ajudem! Socorro! — franzi o cenho ao escutar alguém gritar e me virei, observando as árvores, com atenção. — Ei! Alguém, por favooor!

Era uma voz infantil e senti meu coração acelerar, compreendendo o quão assustado a criança poderia estar, me lembrando de quando Yoongi quase morreu em meus braços quando éramos crianças. 

Me aproximei cauteloso, olhando ao redor em busca da voz infantil, olhando para trás me certificando de que conseguia ver o acampamento. Não era seguro me afastar demais.

O garotinho estava caído no chão, chorando sem parar. Era um camponês, vestia roupas surradas e sujas, um lenço no cabelo comprido me fazendo quase confundi-lo com uma garotinha e seus pés estavam descalços.

— O-Oi… — disse baixinho, tocando seu ombro e o garotinho se virou, fungando assustado. — O que houve? 

— Uns homens malvados levaram meu appa — choramingou, se levantando desengonçado, apontando para algum lugar, mas não vi ninguém.

— Eu posso ajudá-lo — lhe ofereci a mão. — Chamarei os guardas para encontrar seu appa.

O garotinho sorriu largo e concordou com a cabeça freneticamente.

— Obrigado, jovem mestre! — disse e arregalei os olhos, desviando o olhar do acampamento para ele.

“Como ele sabia quem eu era?”

No entanto, antes que pudesse recuar senti braços fortes segurarem meus pulsos e uma mão imunda cobrir meus lábios, imobilizando-me.

O garotinho secou as falsas lágrimas e sorriu vitorioso, aproximando-se de mim, colocando um saco de tecido na minha cabeça.

Um cheiro forte dominou meus sentidos e não tive tempo de pensar em reagir, minhas pernas fraquejaram e desmaiei.




Notas Finais


¹ Nicholas Sparks - frase do Yoongi sobre "A Música" 

² Do livro O Vendedor de Sonhos, Augusto Cury , "livro que Yoongi diz estar escrevendo"



Me digam se gostaram, odiaram, qualquer coisa. To insegura demais.

A relação dos taekook vai ser bem lenta, o foco no momento é os sentimentos deles e o veneno, então espero que entendam e aguardem o momento certo pra cada situação.

E quanto as teorias, algumas? 

O que acharam do Heechul? E do plano do Jeongguk?

Gostaram do pequeno momento entre os taekook eles na cabana? Eu amei escrever com a música, sério. 

E o yoongi, eu amo ele demais :(

O próximo capitulo (narrado pelo tae) vai continuar de onde esse parou e vai ter cenas que já aconteceram aos olhos dele. Além de encerrar o primeiro arco dessa história.
(Arcos são tipo fases/etapas da história) 

Ele vai ser postado dia 10/07 ás 18:00, então agendem se quiserem... 

É isso... Nos vemos em breve. Muito obrigada por tudo mesmo, amo vocês.

Não esqueçam o purple heart, façam stream em ON e votem no soribada. 

~até a próxima🐯💜🐰


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