História Wolfsschanze - Capítulo 1


Escrita por: e byunhips

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Sehun, Suho
Tags Baekhun, Baekhyun, Exo!mafia, Hunbaek, Mv!au, Sebaek, Sehun
Visualizações 46
Palavras 4.058
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Lemon, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Estou um pouco nervosa, admito. Oi, andy aqui, novamente!

Então, essa história é um pouquinho mais complexa do que eu estou acostumada. E talvez, só talvez, tenha umas coisas nela que me deixaram em choque eu imagino que vá deixá-los em choque também.

Tem um pouco de universo sobrenatural aqui. Não vi restrições quanto a isso no plot, então decidi testar. Por que não?
Obrigado à seoqi, que doou o plot e me deu um norte e tanto nessa coisa toda, deem muito amor a ela pelo esforço e pela escrita ;)

E obrigado à ifrost pela capa, você é incrível e, sem bajulação, eu não teria conseguido sem você <3
Bom, galera, eu acho que é isso. Boa leitura!

Capítulo 1 - Foxface em queda súbita


Os lobos são famosos assassinos naturais, mas sua força não reside na capacidade de ataque, e sim em uma grande habilidade de dividir tarefas e usar técnicas semelhantes às humanas para derrotar seus inimigos.”


 

Califórnia, Estados Unidos

Caravan’s, Hotel & Cassino


 

A comoção começou antes mesmo de as luzes do giroflex refratarem nos vidros escuros.

O comboio do S.W.A.T abria caminho entre as ruas, as sirenes soando enlouquecidamente, os outros motoristas na pista de quatro faixas se organizando em fileiras para deixá-los passar. Os carros pararam em frente às portas do cassino, os agentes descendo em uníssono, as botas pesadas fazendo barulho contra o chão de pedra, as armas carregadas com munição suficiente para massacrar uma cidade pequena com os canos apontados para baixo, evitando as pessoas que corriam para fora, atordoadas.

Muita gente tinha envolvimento indireto com as atividades ilegais do cassino, políticos, celebridades e até alguns membros do FBI. Os Crips eram inteligentes, mantendo contato com pessoas que pudessem fazer seu negócio movimentar no automático. Eles também eram protegidos contra muitas investidas da NSA, a agência de Segurança Nacional, mas vez ou outra cometiam deslizes, e aquele era um desses raros momentos.

Henry Wammy, da 5ª Divisão californiana e agente em treinamento, mas que fora colocado no comando por algum superior maluco, tomou a frente, desviando das pessoas desesperadas correndo para fora do cassino aos montes, enquanto seus homens fechavam o cerco, empurrando os mais curiosos — e corajosos — para longe.

Todo mundo queria saber o que estava acontecendo ali, e, para alguns dos enxeridos, sua segurança pessoal podia ser deixada de lado, desde que tivessem conhecimento sobre a situação, para fazer fofoca no dia seguinte.

“Ora, ora.” Henry ergueu a cabeça ao ouvir a voz conhecida e inegavelmente irritante. “Invadindo minha casa de novo? Onde está a educação de vocês? Se queriam convites, era só pedir com jeitinho.”

O delegado revirou os olhos, ignorando o homem mais baixo para seguir até a sala escura no canto. Era preciso passar por um corredor mal iluminado e estreito, para então alcançar a porta. Aquele deveria ser um depósito, antigamente, mas, naquele momento, estava vazio de qualquer coisa que normalmente poderia ser encontrada em depósitos.

A perícia já circulava pelo local, usando luminol e post-its amarelos para moldar a cena, deixando-a mais ou menos preparada para a presença de Wammy.

Ao passar pela porta, o delegado imediatamente afrouxou a gravata, suspirando ao dar de cara com o corpo.

Havia uma cadeira, os quatro pés apoiados sobre uma poça espessa de sangue seco. O rapaz estava sentado sobre ela, a cabeça tombada para trás, o pescoço em um ângulo esquisito. Havia uma arma na mão esquerda, o relógio de pulso tiquetaqueando de forma sombria em meio ao silêncio.

“Tragam Suho.” Henry disse, acenando com a mão para os homens armados parados na porta.

Eles foram rápidos e, em pouco tempo, o líder dos Crips estava na sala, uma expressão de surpresa mascarada de seriedade em seu rosto. Ele moveu os lábios, franzindo-os antes de abrir a boca para falar.

“Ah… Nosso Lay.” Suas sobrancelhas franziram. “Que trágico. Tirando a própria vida… Isso não é natural para nós.”

Henry cruzou os braços.

“Posso imaginar.” Resmungou, observando Suho sair de onde estava e ir até o rapaz, olhando para ele com uma expressão verdadeiramente incômoda, as sobrancelhas tão próximas que formavam um vinco em sua testa. “Alguma ideia do que tenha acontecido?”

O líder dos Crips se abaixou ao lado do cadáver, inspecionando mais atentamente a posição do corpo.

“Ele se matou. Não é óbvio?” Seu tom soava um tanto quanto impaciente.

Wammy ergueu a sobrancelha ao observá-lo.

Quando chegou ali, imaginou que havia sido um ataque. Os Crips não tinham fama de violentos, não era o método deles de agir, mas era o de outras gangues menores da região, como os Folk Nation, por exemplo, inimigos declarados dos Crips. Esperava que fosse mais um caso em que eles rasgavam a garganta de seus adversários, mas definitivamente não imaginava um suicídio. Ainda mais de um crip.

As alcateias viviam criando problema umas com as outras, Henry sabia disso, assim como sabia quão difícil era fazer dois alfas largarem um osso. Eles normalmente eram muito determinados em tudo o que faziam; determinados, arrogantes e talvez um pouco violentos demais. Era cada vez mais comum ver membros de gangues com o corpo dilacerado nas ruas, expostos como um lembrete de eles ainda eram criaturas selvagens, que atacariam sem hesitar.

Analisando a cena com mais atenção, Henry acabou semicerrando os olhos, intercalando olhares suspeitos entre o cadáver e Kim Junmyeon.

“Você consegue imaginar um motivo para ele ter se matado?” Questionou, vendo a expressão do líder fechar por um milésimo de segundo, tornando-se sombria, antes que ele erguesse o rosto e o encarasse da mesma maneira séria de antes.

“Não.”

Henry assentiu.

“Que bom.” Disse, fazendo sinal para seus colegas se mobilizarem. “Porque não foi suicídio.”

O barulho da porta fechando alertou Suho, cujos olhos cintilaram na direção dos agentes, antes de se voltarem para o delegado outra vez.

“Como é?”

Wammy se aproximou do cadáver, ciente de que havia deixado o líder dos Crips com as orelhas em pé e que isso traria mais problemas. Ele tinha um apreço inegável pela arte de atrapalhar a vida dos outros, e não seria diferente naquela investigação, ainda mais quando se passava dentro do cassino em que eles atuavam.

O delegado esticou a mão, pegando no pulso do rapaz chinês. Havia entrado ali já com as luvas de látex calçadas, sem correr risco de contaminar a cena do crime. Ele tirou a arma da mão do rapaz com cuidado — os dedos estavam rígidos por conta da coagulação do sangue, o que indicava que o óbito ocorrera horas antes —, entregando-a para um de seus homens, antes de puxar a manga do rapaz para cima, expondo o braço.

“Ele é destro.” Afirmou, inspecionando o corpo para ver se haviam mais detalhes óbvios. Suho ergueu a sobrancelha para a frase do oficial, que deu de ombros ao voltar-se para ele outra vez. “Destros usam relógio no pulso esquerdo. Ele é destro.”

Suho franziu os lábios novamente, observando o delegado atentamente.

“Não foi suicídio.” Henry concluiu, por fim, se afastando do corpo. “Foi assassinato.”


 

x x x


 

A perícia já havia levado o corpo de Yixing embora, mas alguns dos agentes do S.W.A.T continuavam nos arredores do cassino, procurando por qualquer atividade suspeita no limite de perímetro em que a investigação corria.

Suho agradeceu pela área de jogos ser quase trezentos metros longe daquela parte das instalações, porque, apesar de o S.W.A.T estar na casa, os negócios não paravam; em algum lugar atrás daquelas portas duplas havia membros participando fervorosamente de disputas acirradas, ou fazendo apostas com valores exorbitantes que ultrapassavam a quantidade normal de zeros.

E os Crips estavam ali, em parte, reunidos no escritório do líder, que já estava quase mostrando as garras de puro nervosismo.

“Chanyeol?” Chamou, a voz controlada. O Park era seu braço direito, a pessoa mais próxima e um dos membros mais antigos da alcateia. Era nele que Junmyeon confiava cegamente; o único. O rapaz de cabelos vermelhos ergueu a cabeça, atento. “O que eu te disse pra fazer?”

“Não venha jogar a culpa para cima de mim, Suho.” Resmungou, girando na cadeira de rodinhas, voltando-se completamente para seu líder. Apesar de serem muito próximos, os dois também viviam em pé de guerra, pelas personalidades conflitantes. “Eu fiz o que você disse, assassinei o garoto, e só. Minha obrigação não ia além disso, a culpa é sua.”

Junmyeon semicerrou os olhos, apoiando as mãos na mesa de carvalho e olhar para o Park em silêncio.

“Eles estão na nossa cola por sua causa.” Afirmou, a voz calma, apesar do estresse pressionando-o. “Porque você não fez seu trabalho direito. Eu disse pra encobrir os rastros. Que rastros você encobriu? Os seus?”

Ele revirou os olhos.

“O cheiro é forte, você sabe disso, querido.”

“Que se foda! Era para você ter feito direito, e agora todo mundo aqui corre o risco de ir pra cadeia porque você é incompetente!” Àquele ponto, o líder dos Crips já havia contornado a mesa, parando a centímetros do Park. A raiva dele era quase palpável.

Um clique se fez presente em meio ao silêncio repentino do cômodo.

“Junmyeon.” Uma voz conhecida chamou. “Não estamos num bom momento para criar confusão. Se afaste dele.”

Oh Sehun.

Ele era o mais novo na gangue, ainda não havia conquistado seu lugar fixo na alcateia, e era, provavelmente, o mais justo dos homens ali, carregando sua honra para com os companheiros como uma bandeira. E por mais que Junmyeon passasse noventa por cento do tempo pensando em estraçalhar a garganta do moleque, no fim das contas era ele quem balanceava as coisas e mantinha as relações tão estáveis quanto possível.

O líder obedeceu. Não por haver uma arma encostada em sua cabeça, mas porque sabia que avançar em Chanyeol não resolveria nada. O Park também aparentava estar com as orelhas em pé, os olhos semicerrados na direção de Sehun, que voltou a sentar na cadeira assim que Suho se afastou, voltando para seu lugar.

A reunião prosseguiu em silêncio, mas o clima continuava estranho entre os Crips.

Desde que a S.W.A.T deixara o local eles estavam estranhos.

Talvez porque, finalmente, tinham consciência de que havia um traidor entre eles.


 

x x x


 

“Eu fico cada vez mais impressionado com sua capacidade de enganar os outros, Junmyeon.” Chanyeol comentou, limpando a graxa das mãos em um pano esfarrapado. Eles estavam na garagem, Chanyeol mexendo no motor porque era só o que ele sabia fazer, e Junmyeon entretido com seus próprios devaneios. “Acho que é um talento oculto. Tipo ilusionismo.”

“Quem você acha que foi?”

Chanyeol suspirou.

“Eu não faço ideia.”

Suho devolveu o suspiro, contornando o carro até estar em pé ao lado do Park, que tirou os olhos do que fazia para observá-lo por uns segundos.

“Eu não gosto da ideia de alguém de dentro fazendo fofoca.” O mais baixo reclamou, em um tom áspero. “O S.W.A.T não veio aqui à toa, alguém chamou por eles, e eu quero saber quem foi. Parece que estamos lidando com um pária.”

Chanyeol soltou a trava, deixando o capô do carro cair de volta para o lugar, e se virou para Junmyeon com uma expressão de desdém. “Você fica meio assustador quando tá putinho.”

Junmyeon suspirou.

“Que seja. Arrumou o carro?” Questionou, intercalando olhares entre o ruivo e o veículo.

“Fiz o que pude.” O líder avaliou a expressão no rosto de Chanyeol por alguns instantes, balançando a cabeça em concordância logo em seguida, acenando para que ele entrasse no carro. “Para onde nós vamos?”

Junmyeon bateu a porta depois de ocupar o banco do carona, fazendo uma careta de desgosto para a pergunta.

“Mirage.”


 

+


 

O bar de beira de estrada era ponto de encontro para todo tipo de gente, desde motoqueiros e caminhoneiros a gangues e máfias. O pessoal mais “tranquilo” ficava no andar de cima, na lanchonete, ocupando cadeiras e mesas e bebendo até cair no chão ou alguém começar uma briga. E as gangues se reuniam no porão, em uma sala privativa com uma mesa de carvalho e seis cadeiras.

Estavam ali agora, esperando pacientemente que o outro rapaz no cômodo tivesse vontade de falar alguma coisa.

Chen era um blood há tanto tempo quanto Chanyeol era um crip, mas o garoto era mais novo, mais insolente e… mais competente. Era o negociador dos Bloods, persistente como o Diabo, e, se não fosse só história, capaz de convencer qualquer um a fazer o que ele quisesse. Chen usava técnicas de persuasão tão sutis que, quando você percebia, já havia concordado com tudo e vendido sua alma para ele. Fácil assim.

Não era surpreendente que tivessem escolhido justo aquele membro para representá-los.

Sem dizer nada, Junmyeon estendeu a mão para cumprimentá-lo. O blood encarou o braço do Kim mais velho, antes de olhar para Chanyeol e então para a porta.

“Ok, o que vocês querem? Não tenho muito tempo.”

Suho recolheu a mão, colocando os braços atrás das costas. Chanyeol o viu cerrar os punhos, com raiva pela atitude do garoto. Chen também era meio metido, nada muito surpreendente. Mas, pelo menos, ele sabia fazer seu trabalho para se gabar por conta disso. Não era o tipo que buscava créditos no que os outros faziam.

“Eu pensei muito seriamente e… acho que deveríamos nos unir.” Junmyeon ponderou.

Chanyeol mudou o peso de um pé para o outro, observando a expressão sombria de Chen transformar-se em curiosidade, e depois desdém. Ele começou a rir, se apoiando na mesa atrás de si, onde havia uma xícara de café e um saquinho de açúcar. O garoto ria tanto que os ombros sacudiam. O Park e o Kim mais velho não sabiam qual era a graça daquilo tudo, mas nenhum dos dois queria perguntar, então esperaram até que o blood terminasse com a crise de histeria.

“Ah, Suho, você veio até aqui pra me dizer isso? Essa era a sua coisa superimportante? Achei que queria negociar de verdade…”

“Eu quero.” Junmyeon interrompeu, se movendo um passo na direção do blood, enquanto Chanyeol fazia o mesmo, mas na direção da porta, fechando-a. “Ouça, criança: há um informante fazendo fofoca por aí, e eu preciso acabar com isso antes que chegue a um patamar em que eu já não possa fazer mais nada. E eu tenho a ligeira impressão de que o fofoqueiro é um blood.”

Chen inclinou a cabeça.

“E por que você acha isso?” Os olhos dele cintilavam, curiosos.

“Porque senti cheiro de escória no meu cassino.” Junmyeon esclareceu. “Algum de vocês estava lá, e eu quero saber quem foi, porque não tenho tempo pra farejar um por um até saber em que garganta enfiar as garras.”

As sobrancelhas do garoto blood se ergueram. O sorriso sarcástico continuava lá, transformando a expressão dele.

“Eu acho que você não faz ideia do motivo real de estar aqui.” Ele disse, por fim. “Acho que você quer tirar informações de mim, mas veio conversar com a pessoa errada, querido. Eu não sou idiota, e estou afirmando que não foi um dos nossos, você sabe que não. Então vê se não enche meu saco e para de agir como se eu não fosse te sacar. Conheço você, Junmyeon, seus truques não servem para mim.”

Chanyeol continuou em silêncio, parado em frente da porta para impedir a saída do membro dos Bloods. Daquele ângulo, ele não podia ver o rosto de Suho, mas pelos punhos cerrados e a postura rígida, cogitou que ele estava consideravelmente irritado. Ele era um homem inteligente, mas talvez tivesse se precipitado um pouco em sua decisão.

“Agora, se me dão licença, tenho que fechar negócio com pessoas que sabem o que querem.” Chen se encaminhou para a saída, encarando Chanyeol com uma expressão exigente.

Ele se moveu para sair da sala, e o Park observou seu líder se encolher de raiva. Apesar de não conhecer muito bem, sabia que Junmyeon também tinha suas táticas de persuasão. Eles ficavam num jogo de encaradas em que um tentava adivinhar o próximo passo do outro, prever seus movimentos e então capturá-lo como uma presa no fim. Era divertido, Suho gostava disso.

Mas ele aparentemente não esperava que Chen também fosse um bom jogador.

“O que nós vamos fazer?”

Suho respirou fundo, buscando se acalmar enquanto, lentamente, se voltava para o Park.

“Reúna a alcateia.” Murmurou. “Vamos começar por eles e ver onde isso termina. Se dermos sorte, o fofoqueiro estará no meio.”

Chanyeol assentiu, sacando o celular. O primeiro contato que ele abriu foi o de Sehun.

“E o filhotinho?”

Junmyeon deu de ombros, subindo as escadas para sair do porão e sendo observado por Chanyeol, que continuava parado no mesmo lugar.

“Chame ele também. É dia de caçada.”


 

x x x


 

A área de festas do Caravan’s era reservada somente aos membros, sócios e convidados VIP do cassino, com as entradas sendo vigiadas por guardas de quase dois metros de altura, que encaravam qualquer pessoa passando ali perto como uma ameaça.

Eles eram mais úteis para amedrontar os curiosos que para defender Junmyeon e sua gangue. Se o S.W.A.T aparecesse ali novamente, seriam os primeiros a correr. Mas, naquele momento, estava tudo em ordem.

“Boa noite, caros amigos.” O líder dos Crips estava em pé num palco centralizado, atraindo a atenção de todos os seus companheiros no grande salão. “Vocês foram convocados aqui porque, como já devem saber, há um pária entre nós. Foxface foi assassinado, mas o S.W.A.T chegou aqui em questão de minutos, e isso é muito suspeito. Alguém, dentro do cassino, chamou por eles.” Nesse momento, cliques foram ouvidos, e Suho conseguia enxergar até mesmo o laser de um fuzil mirando em sua testa. “Não disse que foram vocês, conheço meus homens.” As armas foram abaixadas, de forma hesitante. “Eu senti cheiro de blood no meu cassino. Ou seja, havia alguém da escória transitando por aqui. E eu tenho bons motivos para acreditar que…”

“Bons motivos?” Alguém interrompeu. As luzes azuis que cobriam o local se centralizaram, movendo-se na direção do som até focalizar Do Kyungsoo, em pé no camarote, acompanhado de seus colegas de gangue. “Que bons motivos, Suho?”

O líder dos Crips sorriu, desdenhoso, ao encarar o rival. Havia funcionado, no fim das contas. Eles estavam ali.

As armas foram apontadas uns para os outros, mas os líderes permaneceram apenas se encarando, um com os olhos semicerrados e o outro com falsa expressão de surpresa.

“Ora, ora.” Junmyeon começou, ajeitando a postura e levando as mãos às costas, os dedos já envolvendo o cabo gélido da arma apoiada contra sua coluna. “Já é a segunda vez que invadem minha casa em um tempo tão curto. O que os traz aqui?”

Kyungsoo puxou as mangas para trás, expondo os braços tatuados, e apoiou-se na proteção de metal do lugar, olhando para baixo com uma expressão divertida.

“Mande seus homens abaixarem as armas. Quero uma conversa pacífica.”

Junmyeon fez uma careta.

“Que pena.” Resmungou, sacando a pistola e mirando o líder rival. “Pacifismo não é para Crips.”

Antes que ele atirasse, porém, Sehun pegou a dica, sacando sua própria arma e mirando no lustre de cristal. A corda de cobre se partiu e a estrutura despencou no chão, fazendo os membros da gangue correrem para longe para evitar uma possível morte por esmagamento.

Disparos foram ouvidos, e, quando se deu conta, as luzes eram arroxeadas sobre tudo e todos, e Crips e Bloods se massacravam, alguns em suas formas animalescas, rasgando gargantas e pescoços.

Os Bloods haviam sumido de vista num segundo, se dividindo como uma matilha de farejadores e se espalhando pelo local para cobrir mais área. Não eram suficientes contra a quantidade de Crips no local, mas deram conta de alguns.

É claro que não era uma briga justa, todo mundo ali sabia disso, mas não eram eles quem faziam as regras da casa. Junmyeon havia armado para os Bloods. Como sempre, ele era o centro de tudo, um passo a frente em todas as coisas que lhe fosse permitido estar. E os Bloods haviam caído em sua rede, fato que colocava um sorriso travesso no rosto do líder.

A briga entre Bloods e Crips provavelmente nunca teria fim, Junmyeon sabia disso melhor que ninguém, e por isso precisou arruiná-los. Se precisassem de ajuda, abaixariam as orelhas em vez de se aproveitar do seu momento de vulnerabilidade. Era uma tática arriscada, porque eles podiam muito bem ter percebido, pelo quão óbvio aquilo tudo era, mas, pelo menos, funcionou.

No fim das contas, Junmyeon fazia jus a estar no topo.

O filhotinho dos Crips estava perdido em meio à multidão, não sabendo se atirava ou não. Alguns dos membros já evacuavam o local, se preocupando em retirar seus companheiros pouco a pouco, e Sehun ficou temeroso de atirar em alguém e não ser um inimigo. Ele tinha uma precisão ótima com a pistola, mas não enxergava no escuro, e o dimmer estava regulado para não permitir uma visão ampla do local. Sacar uma arma ali e atirar em alguém era como jogar facas com os olhos vendados.

O pior de tudo era que os cheiros se mesclavam, as gangues atacando umas às outras sem piedade alguma, e isso mascarava tudo, porque qualquer um deles poderia ser um crip ou um blood.

Isso martelava na cabeça de Sehun, que se focou em sair dali o mais rápido possível, em vez de se juntar ao conflito. Enxergou Chanyeol na multidão, levando um Suho com cortes no braço para fora. Começou a segui-los, correndo na direção das portas e, pela primeira vez, deixando seus companheiros para trás em alguma coisa.

Do lado de fora, o braço de Suho já cicatrizava, enquanto Chanyeol verificava algo no telefone. Pareciam bem tranquilos para pessoas recém-saídas de uma carnificina.

“O que foi aquilo?”

“Eles vão parar em breve, se acalme.” Suho informou, batendo no ombro do filhotinho com um pouco de força de mais. “O cerco estava fechando e os Crips sempre atacam dessa forma. Que bom que saiu de lá, filhote.”

Sehun franziu as sobrancelhas, se perguntando que tipo de retardado havia se tornado seu líder, para ele achar que aquela chacina no salão de festas era algo trivial.

“Minseok vai cuidar disso, ele sempre coloca ordem em tudo.” Chanyeol avisou, acenando para que os outros dois lhe seguissem. “Vamos para a sala de reuniões. Quando isso acabar, os Crips nos encontrarão ali.”

“Por que você quis fazer isso, Junmyeon?” Sehun perguntou, subindo as escadas que levavam para a área onde os Crips se reuniam. “E nem tente desviar do assunto, porque eu sei que foi totalmente ideia sua.”

Suho riu, balançando a cabeça enquanto segurava a porta para o filhote passar.

“Olha, filhotinho.” O líder começou, ocupando sua cadeira na ponta da mesa. Os olhos do alfa cintilavam numa mistura de laranja e azul. Era muito sutil, mas Sehun conseguia enxergar com bastante clareza. “Há um fofoqueiro entre nós. E eu tenho certeza que ele é um blood. Hoje nós saberemos. Os Bloods vão se reunir para tomar uma decisão e, depois da chacina, eles vão precisar de apoio. É assim que nós atacaremos. Vamos fechar o cerco bem devagar, sem que eles possam perceber, e então não sobrará nada.”


 

x x x


 

No fim da noite, os Crips estavam de volta ao Mirage, dessa vez, acompanhados de Sehun.

O garoto era um filhote farejador, tinha talento para a coisa e Junmyeon apreciava isso. Provavelmente dava muita liberdade ao moleque, mas ele fazia as coisas do jeito certo, então não tinha tanto problema assim.

Chanyeol ocupou um dos bancos na mesa, apoiando os cotovelos no tampo vermelho e olhando para os Bloods reunidos ali, empoleirados como corvos, Do Kyungsoo no meio, carregando uma expressão séria no rosto.

“Você brinca com fogo, não é?” Resmungou ele, olhando diretamente para Junmyeon, que sorriu em resposta, trocando olhares com Sehun e Chanyeol. “Agora me diga: por que eu deveria cogitar uma aliança contigo?”

Se estivesse em sua forma animal, Sehun teria abaixado as orelhas, estranhando o tom áspero do líder dos Bloods. Ele nunca era muito receptivo, mas normalmente sabia disfarçar.

“Porque o S.W.A.T invadiu meu cassino, e agora que tem sangue de blood por toda parte, vão chegar até vocês.” A informação saiu de forma fluida, recitada por Junmyeon como uma coisa normal do cotidiano. O líder dos Bloods ergueu a cabeça, os lábios franzidos de irritação. Havia sido enganado. “Ah, que foi Kyungsoo? Seis anos e meio lidando comigo e ainda não sabe como eu brinco?”

O líder blood trocou olhares com Chen, que parecia alheio a qualquer assunto ali. Ele provavelmente estaria com problemas por causa de Suho, mas aquele não era o momento para se preocupar.

“Você me irrita profundamente.” O Do se pronunciou outra vez, olhando de Junmyeon para Chanyeol, alheio a Sehun. Normalmente não prestavam muita atenção no filhote, ele era quietinho e, supostamente, não representava muito perigo. Uma pena para os Bloods não o conhecerem. “Mas acho que não sou o único. Então… o que você, verdadeiramente, quer de mim, Suho?”

Junmyeon cruzou os braços sobre o peito, relaxando no estofado laranja.

“Eu já disse o que eu quero.” Informou, olhando diretamente para Jongdae. “Quero uma aliança.”


Notas Finais


Não acaba aqui, então... até a próxima!


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