História Wolves - Padackles - Capítulo 24


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Categorias Jared Padalecki, Jensen Ackles
Personagens Jared Padalecki, Jensen Ackles, Personagens Originais
Tags Abo, Alfa, Dean Winchester, Jared Padalecki, Jensen Ackles, Ômega, Pack, Padackles, Sam Winchester, Samanddean, Supernatural, Universo Alternativo, Wincest
Visualizações 550
Palavras 5.516
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Fluffy, Lemon, LGBT, Luta, Magia, Romance e Novela, Sci-Fi, Slash, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olarrr pessoas!
Como passaram essa semana?
Esse capitulo ta menos frenético que os anteriores, pois é assim que os habitantes desse universo se sentem depois de todas essas baixas :(
Espero que gostem
Boa leitura!!
PS: O CAPITULO FOI REPOSTADO PORQUE EU ACABEI ESQUECENDO DE UM DETALHE IMPORTANTÍSSIMO E QUE PRECISA ESTAR NELE.
Obrigado amiga por me lembrar dele kkk @J2Ever

Capítulo 24 - All dogs go to heaven


 O ponteiro do relógio marcava cinco da tarde enquanto os dois lobos ainda dormiam abraçados na grande cama de casal do quarto principal. Um dia outra cama já estivera naquele lugar, a cama onde Gerald e Sharon conceberam Jared e tiveram inúmeras outras noites de amor, mas quando o novo alfa assumiu o comando do pack, depois da morte de seu pai, ele mandou a trocar por uma nova.

A cama era um objeto de muito valor para Jared, ali era o único lugar onde ele conseguia dormir e descansar de verdade. Aquela em que dormia com seu ômega tinha sido feita sob medida, pois sua altura exagerada fazia com que seus pés ficassem para fora do colchão em camas convencionais.

Aquela cama já havia sido palco de muitas experiencias. Algumas vezes apenas sexo, um sexo rápido e feito apenas pelo prazer, que não deixaria lembranças na mente de nenhum dos envolvidos. Outras vezes o leito tinha sido usado para o que Jared achou que fosse o amor por um breve período da sua vida.

Mas então o grande momento tinha chegado. A cama finalmente fora usada para o amor de verdade; para o mais puro e belo sentimento que um ser podia sentir por outro. Foi naquela cama que há poucas horas os dois lobos tinham reafirmado seu amor através da carne, deixando marcas que nunca seriam esquecidas.

O cheiro doce do cio de Jensen ainda impregnava o quarto, cheiro este que as paredes pensaram que nunca mais sentiriam, mas lá estavam elas, absorvendo todo aquele aroma especial novamente.

Jensen abriu os olhos e sentiu o braço pesado e quente do alfa sobre o seu peito, mantendo-o perto e seguro, mas ao mesmo tempo usando da segurança que seu ômega o proporcionava.

Por apenas um minuto o loiro sentiu-se perdido sobre o local onde estava, mas ao olhar para baixo e ver sua cintura marcada pelos dígitos de Jared e a leve ardência no ânus, ele lembrou-se do que havia acontecido.

O sexo que fizeram fora o mais amoroso e carinhoso da sua vida, ele lembrava de cada segundo, cada sensação que tinha sentido. Tanto quando tinha penetrado Jared, quanto quando fora penetrado. A segunda opção estava ainda mais vivida na sua memória. O calor intenso que sentiu em todo o seu corpo, a viscosidade na sua entrada e o cheiro intenso de cio o faziam ter ideias ridículas que não tinham como ser verdade.

Jensen não tinha mais útero, como ele poderia ter entrado no cio novamente? Devia estar enganado, com certeza estava enganado. O que tinha acontecido na verdade era que Jared estava tão excitado que lubrificou os dois.

O ômega se forçava a acreditar naquilo, pois, por mais que parecesse idiota, era o mais plausível e menos assustador.

Virou-se de lado e soltou um pequeno gemido, sentindo algo morno escorrer pelas suas coxas e encarando o alfa adormecido. Levantou o braço e tocou-lhe a bochecha, acariciando a pele cuidadosamente para não acordar o mais novo e sorrindo como um idiota. O amor que sentia por aquele homem não podia ser expresso em palavras, era tanto que seu peito doía só de pensar em qualquer mal que pudesse atingi-lo.

Jared suspirou mais forte e se remexeu na cama, passando o braço pela cintura de Jensen e puxando-o para mais perto, apertando seus corpos com força, como se estivesse com medo de que o loiro fosse fugir dali.

Jensen esqueceu do mundo do lado de fora e se permitiu ficar naquela redoma de amor e felicidade por mais algum tempo, admirando seu alfa e deixando seu instinto se inflar daqueles sentimentos.

Alguns minutos mais tarde Jared abriu os olhos, piscando algumas vezes para se acostumar com a luz que ainda vinha pela janela e permitia que ele visse as orbes esmeraldinas o escarando de um jeito engraçado, com uma admiração que o moreno adorava sentir vinda de Jensen.

— Está aí a quanto tempo? – Perguntou a voz rouca.

— Não mais que cinco ou dez minutos. Não contei. – Jensen respondeu sorrindo.

— E porque não me chamou? Preciso levantar e voltar ao trabalho. – Jared disse, fazendo menção de se levantar, mas sendo impedido pelo mais velho.

— Fica aqui só mais um pouquinho.

O alfa pensou em argumentar e dizer que precisava continuar seu trabalho, que já tinha ficado tempo demais em casa, que era a pessoa que mais deveria ajudar, pois era responsável por todas aquelas pessoas; por todas as vidas que se perderam. Jared precisava consolar a todos que necessitassem, tinha que estar disponível para todos da sua alcateia, mas ao ver os olhos inocentes e brilhantes, acompanhados dos grandes cílios loiros e as sardas destacadas pela luz alaranjada do fim de tarde, suas palavras se perderam na mente.

— Tudo bem...

Jensen se esticou e deu um selinho nos lábios do alfa, sendo retribuído e intensificado e em poucos segundos suas línguas já travavam uma batalha de dominância.

Quando o ar fez falta, ambos foram obrigados a se afastar, mas o fizeram só o suficiente para tomar folego. Os lobos tinham seus lábios um tom mais escuros e inchados, marcas deixadas pelo beijo faminto.

— O que aconteceu há algumas horas... é o que eu acho que aconteceu?

— O que você acha que aconteceu? – Indagou Jensen, mesmo sabendo do que a pergunta se tratava. Seu coração acelerou algumas batidas enquanto a resposta não vinha.

— Você... entrou mesmo no cio? – O alfa questionou, descendo seus dedos pela curva das costas do ômega e então apertando a sua bunda, acariciando a pele com cuidado.

— Não! Você sabe que é impossível. Como eu poderia ter cio sem útero? – Jensen respondeu rápido, como se a demora fosse confirmar algo. — Também tive essa impressão, mas acho que nos enganamos. Você devia estar muito excitado e acabou entrando no seu cio.

Jared mordeu o lábio e suspirou, ainda sentia no ar o cheiro doce do ômega, aroma que era muito diferente do seu. O feromônio do alfa também estava presente no ar, entretanto era sobreposto pelo de Jensen.

— É... talvez... – O moreno concordou a contragosto. Nenhum dos dois acreditava naquela teoria, mas não estavam no momento para pensar sobre aquele assunto. Mais tarde pensariam sobre aquilo.

— Está com dor? – Jensen segurou a mão do mais alto e olhou para os curativos nas pontas dos dedos, estranhando o fato deles ainda não terem se curado.

— Um pouquinho...

— Porque não cicatrizou?

— Não sei, o médico também não, mas acha que pode ter a ver com isso ter sido feito pelas garras do lobo.

— Você já tinha feito isso antes? Digo, colocar as garras para fora no corpo humano?

Jared negou com a cabeça.

— Nem sabia que era possível.

O silencio tomou conta do quarto, enquanto os dois apreciavam o calor e a companhia que um passava para o outro.

Algum tempo depois Jared se levantou e foi para o banheiro, precisava de um banho para tirar o grude do sexo, mas foi acompanhado por Jensen. O banho foi tomado sem segundas intenções, apenas dois companheiros ensaboando e ajudando um ao outro. No final, ainda secaram-se juntos.

 — Você precisa comer alguma coisa. Vou fazer algo para nós comermos, aí podemos ir para o hospital ver como eles estão.

— Não, preciso ir agora, Jen. Já se passou muito tempo comigo aqui dentro dessa casa, não posso ficar longe do meu povo nesse momento...

— Você estando lá ou aqui não vai fazê-los se curar, Jay. Se não se alimentar vai acabar precisando de uma cama de hospital também. Eu vou fazer um macarrão rapidinho.

Jared pensou um pouco e decidiu que o loiro estava certo, ficando na casa por mais meia hora, o tempo necessário para Jensen preparar o macarrão e ambos comerem as pressas.

— Vai vir comigo?

— Sim, quero ajudar lá. Sam precisa voltar para casa descansar, acho que ela não saiu de lá desde a manhã.

— Tem razão. Eu vou dar uma olhada nos feridos e depois chamar o Chad e o JJ para decidirmos quando vamos fazer o ritual. Só sobrou nós quatro do pequeno conselho...

Jensen suspirou e passou a mão pelo cabelo, olhando para o chão e depois voltando a olhar para Jared.

— Essas pessoas também se tornaram minha família, sabe...

Jared respirou fundo e decidiu que não teria outro momento para contar a Jensen sobre o começo da batalha, quando eles tiveram que lutar contra os lobos dourados. O alfa queria adiar aquele momento o máximo que pudesse, mas sabia que se o fizesse só causaria mais dor no loiro.

— Jen eu... você precisa saber do que aconteceu no início da batalha. – Jared olhou para o mais velho e uma culpa recaiu sobre o seu ser. Mesmo que ele não tivesse outra opção, ter feito aquilo de algum jeito levou uma parte sua embora. Um pedacinho da sua humanidade.

Jensen franziu a testa, nem podendo imaginar o que o moreno queria lhe dizer; sem ideia da dor que sentiria.

— Estou ouvindo.

— Eles formaram uma estratégia, Jen, não sei se imaginaram que tentaríamos poupar os Tuskeguies ou o que, mas aquele uivo no começo nos atraiu para a entrada da alcateia, onde pensamos que encontraríamos os nightshifters, mas, na verdade... Era uma armadilha. Só tinham lobos dourados lá. Não teve outro jeito, eu... eu não queria que fosse assim, mas… – Jared limpou a garganta, sentindo seu peito apertar com o semblante do loiro diante da sua revelação. — Eu sinto muito... muito mesmo.

Jensen sentiu suas pernas ficarem bambas de repente e ele precisou se segurar na bancada para não cair.

Durante toda a noite o ômega não tinha visto nenhum conterrâneo e por esse motivo imaginou que eles não tivessem acompanhado os nightshifters, que estivessem seguros longe daquela guerra, mas esteve enganado o tempo todo. Eles já haviam sido mortos antes mesmo do massacre começar.

Toda a sua raça agora estava extinta, seu irmão, seu melhor amigo... todos que conhecia.

— Me perdoa por isso, Jensen, se tivesse tido outro jeito... qualquer outro jeito... – Jared tentou se desculpar, apesar de não ter nenhuma culpa, ele sentia que precisava.

Jensen ouviu o alfa chamando-o, mas sua mente não conseguiu interpretar as palavras que ele disse. Tudo estava andando mais devagar e tinha um tom meio esbranquiçado. O loiro sentia que estava à beira de um colapso. Puxou o ar para dentro dos pulmões depois de vários segundos sem conseguir respirar e a garganta ardeu, como se estivesse totalmente fechada e fosse forçada a se abrir.

Jared queria ajudar e consolar seu companheiro, mas não sabia como. Aquela noticia era realmente chocante e assustadora; saber que todo o seu povo tinha sido dizimado era sufocante.

— Eu preciso... eu tenho que ir até lá... ­– Disse Jensen com a voz fraca e quebrada.

— Não, por favor, não vai. Não é uma coisa bonita para você ver, a coiss foi feia. Não precisa se lembrar deles assim. – Jared disse com um certo desespero na voz, se aproximando de Jensen e o deixando contra a bancada e o seu corpo, a centímetros de colar seus troncos.

Jensen queria discutir, dizer que tinha que ir até lá para confirmar se seu melhor amigo e seu irmão estavam realmente mortos, mas de repente a vontade de sanar seu questionamento não pareceu mais tão agradável. O loiro se lembrava de como os corpos estavam em Tuskegee no primeiro ataque, aquela cena fora horrível e ele com certeza não gostaria de repeti-la.

O ômega olhou para cima e encarou Jared nos olhos, sentindo-se tão pequeno quanto uma criança assustada e indefesa. O alfa colou seus corpos e abraçou Jensen com força, deixando ele descansar a cabeça no seu peitoral e derramar as lágrimas silenciosas que precisava.

***

No hospital a situação começava a ficar crítica, coisas básicas já estavam faltando e não havia atendimento suficiente para tantas pessoas.

Os médicos, enfermeiros e ajudantes voluntários não paravam um só minuto, andando de um lado para o outro, pelos quartos e corredores, conferindo uma bandagem aqui e alguns pontos ali.

Samantha sentia suas pernas feitas de chumbo. A beta nem sabia como ainda se mantinha acordada com o cansaço que estava sentindo, mas ao olhar para aqueles rostos desesperados, a mulher arrumava forças do seu interior para ajuda-los.

Quando Jared chegou e disse que Jensen queria ficar no seu lugar, Sam quase chorou de alegria por poder descansar um pouco. Tentou convencer dona Elisabeth a voltar para casa junto com ela, mas a senhora insistiu que precisava ficar ali orando pelas vítimas.

Mesmo com o choque que tinha recebido pouco tempo antes de sair de casa, Jensen decidiu que queria ir ajudar de qualquer forma. A pior coisa para ele naquele momento seria ficar sozinho, achava que poderia enlouquecer dentro de uma casa vazia. Ajudar os feridos quem sabe acalentasse seu peito.

Sua mente lembrava-o de toda a vida na alcateia, das amizades que tinha, das pessoas que gostava e principalmente de Steve e Jeffrey. Apesar dos dois irmãos nem sempre terem a mesma sintonia e opiniões, eles se amavam muito.

Jensen ajudou a trocar curativos e distribuir comprimidos para dor, pois eram as únicas coisas que sabia fazer em um hospital, entretanto era uma das funções que mais se necessitava no momento.

Antes que Jared saísse da unidade de saúde, foi informado sobre os baixos estoques de gaze, esparadrapo, soro e analgésicos. O moreno precisava conseguir mais daqueles produtos, já que eram essenciais, porém o dinheiro estava curto para a compra deles. Mais um problema para a sua enorme lista.

***

Antes que seguissem de volta para a base, o rei ordenou que fossem até onde os coiotes os esperavam. Precisava ter uma conversa com a líder deles e garantir o futuro apoio, bem como explicar o porquê decidiram pela retirada estratégica.

— Nós estávamos em desvantagem, os lobos negros são muito mais poderosos do que eu poderia imaginar. Não devia tê-los subestimado. Se eu tivesse mandado vocês atacarem juntos conosco, provavelmente seriamos todos dizimados. — Disse o rei para a mulher. Ambos estavam sozinhos na floresta, em uma parte afastada de suas respectivas multidões.

— Nós poderíamos ter ganho. Eu estava observando e vi o quanto eles já estavam derrotados, você foi equivocado ao bater em retirada. Podemos voltar para lá agora mesmo, é só você...

O Stech olhou a mulher com desprezo, parecendo muito maior do que realmente era com o semblante perverso que seu rosto tomou. O loiro platinado deu dois passos em direção a ruiva e a agarrou pelo pescoço, levantando-a do chão sem a menor dificuldade.

— Não me desafie, coiote nojento. Se eu disse que o melhor era isso, então o melhor é isso. Já lutei muito mais guerras do que você pode contar, então não ouse querer pensar que sabe mais do que eu sobre estratégia. – Disse o nightshifter com uma raiva contida, soltando a mulher logo em seguida, que caiu no chão puxando o ar para os pulmões desesperadamente.

A coiote levou as mãos ao pescoço e massageou a área que fora quase esmagada pelo rei, sentindo dor ao respirar.

— Me desculpe, não quis te contrariar, meu rei.

Heikemy balançou a cabeça de forma irônica e mandou que ela se levantasse. A outra informação foi para que ela se mantivesse quieta na sua matilha até segundas ordens, pois aquela batalha podia ter sido perdida, mas a guerra estava longe de acabar.

Quando chegaram a base, fumaça branca saía pelas poucas janelas que o local possuía e manchas negras de labaredas consumiam as paredes pelo lado de fora.

O cheiro de queimado no local era insuportável e o calor que ainda emanava lá de dentro só poderia querer dizer uma coisa: Um incêndio havia acontecido ali.

Os nightshifters entraram pela porta principal e olharam abismados para as paredes enegrecidas por conta da fumaça. Grande parte do local era feito de madeira e algumas paredes inteiras tinham ruído. O rei juntou as sobrancelhas, olhando para todos os lados para tentar entender o que tinha ocorrido lá.

Fez uma rápida varredura no local em busca dos lobos dourados prisioneiros e Monrei, mas não encontrou nenhum deles, concluindo que só podiam ter conspirado juntos. Ou, quem sabe, os lobos haviam dado um jeito de fugir, colocar fogo em tudo e, depois disso, Monrei também fugira para evitar seu destino certo: a morte.

Heikemy não deixaria aquilo sem punição. Caçaria Monrei por toda a terra se precisasse, mas iria encontrar aquele maldito traidor, porém, no momento, precisava pensar em outro lugar para descansarem. A antiga base estava inabitável, aquele lugar corria o risco de desabar a qualquer momento.

Foi então que a ideia surgiu em sua mente. Já que tinham derrotado os lobos dourados, tecnicamente, suas antigas terras agora lhe pertenciam e o Stech faria bom proveito delas.

Informou aos seus seguidores onde seria a sua nova casa e então rumaram em direção a floresta Tuskegee.

***

Joe segurou o pano úmido na cabeça do jovem e sorriu triste ao vê-lo dormir plenamente. Depois que o tirou de baixo dos outros corpos, correu com Luc floresta a dentro desesperado por ajuda, mas tudo que encontrou foi uma cabana pertencente a Shawnee. Jared havia espalhado diversas daquelas pela extensão das suas terras para momentos de emergência como aquele.

No armário da cabana haviam comidas não perecíveis e dois kits de primeiros socorros. Joe usou todos os itens dos kits para fechar os cortes profundos espalhados pelas costas do garoto, medicando-o com alguns anti-inflamatórios e analgésicos.

Apesar de ter conseguido dormir, o beta ainda sentia muita dor e seu corpo tinha começado a reagir com uma forte febre há algumas horas. O que realmente precisava era de um médico, mas o mais velho temia que ele não aguentasse chegar ao hospital. O melhor seria esperar que Luc melhorasse um pouco, reestabelecesse a quantidade normal de sangue no corpo e ai sim Joe levaria ele para o hospital.

A cada minuto que passava ao lado daquele garoto, o alfa sentia que o amor no seu peito crescia mais. Nunca tinha sido apegado a ninguém – na verdade, Joe nem lembrava qual a última vez que estivera em um relacionamento sério. Talvez ele nunca tenha estado –, mas o sentimento que estava brotando no seu peito fazia ele querer agarrar o jovem e nunca mais soltá-lo.

Joe torceu o pano no pequeno pote que tinha encontrado na pia e umedeceu-o novamente, secando as gotas de suor que começavam a escorrer pelo pescoço do mais novo.

O alfa faria qualquer coisa para manter Luc à salvo, precisava manter ele vivo; sentia que não podia mais viver sem aquele garoto arrogante e mal-educado que adorava tirá-lo do sério, entretanto tinha um coração enorme e um carisma surreal.

***

A reunião foi rápida, todos concordaram em realizar o ritual na mesma noite, já que aquela era a primeira noite de lua cheia em alguns dias. As boas energias da deusa poderiam trazer um pouco de alivio para os corações desesperados das famílias que perderam seus entes queridos.

Todos os corpos já haviam sido reconhecidos e no fim da tarde os lobos dourados deixados na entrada da alcateia foram trazidos para o mesmo local onde as vítimas do massacre seriam cremadas. Aquilo também tinha sido decidido durante a rápida reunião; os Tuskeeguies que perderam suas vidas na batalha mereciam um funeral digno e Jensen aprovara a ideia sugerida por Chad.

Jared ligou para um alfa conhecido no Sul solicitando um empréstimo e conseguiu uma boa quantia, já que as duas alcateias eram aliadas, fazendo o pedido dos produtos que o hospital necessitava logo em seguida.

Jensen ocupava sua cabeça trabalhando sem parar, pois não queria pensar na desgraça do seu povo. Primeiro, crianças haviam sido mortas de formas brutais e agora todos estavam mortos, inclusive seu irmão e Steve. O loiro sentia seu coração doer como nunca tinha doído antes, era algo tão forte que ele sabia que nunca seria esquecido.

A extinção daquela enorme alcateia demonstrava o tamanho do poder dos monstros, pois, a pouco tempo atrás, Tuskegee figurava entre as duas maiores potências do país.

Depois de trocar mais curativo e cobrir a ferida com antisséptico, Jensen decidiu que teria que contar ao seu pai sobre o massacre do seu povo. O loiro não tinha forças para lidar com aquilo, mas o alfa precisava saber.

Procurou-o pela área de onde ficava o seu quarto, pois o lobo dourado não queria ficar parado e tinha alguns conhecimentos em enfermagem, o suficiente para conseguir dar alguns pontos em ferimentos mais superficiais.

— Pai... tem um minuto? – Jensen chamou o mais velho assim que o encontrou ajudando um enfermeiro a colocar um homem que tinha sua perna enfaixada da maca para a cama.

— Claro, só espere um pouco.

Jensen ficou do lado de fora do quarto, no corredor mais vazio que tinha visto desde que chegara ali. Apenas três macas estavam espalhadas pela sua extensão.

Alan saiu do quarto pouco tempo depois, recebendo um agradecimento do enfermeiro, que sumiu na primeira entrada.

— Você precisa saber de uma coisa...

Jensen começou, parando três vezes antes de conseguir finalmente contar o triste destino dos lobos dourados que atacavam do lado dos nightshifters contra a sua vontade.

Alan precisou se apoiar na parede quando o filho terminou de lhe contar. Aquilo significava que seu filho mais velho também havia sido morto. Tudo começou a rodar e Alan viu o mundo ficar preto.

Quando voltou a abrir os olhos, Jensen estava ao seu lado, com um semblante desesperado que afirmava que não tinha sido um pesadelo. Sua alcateia havia sido extinta.

— Jensen... – O mais velho sussurrou com um nó na garganta, segurando as lágrimas. Não queria chorar na frente do filho, mas quando ele avançou para si e o abraçou com força, nenhum dos dois homens aguentou.

Jensen e Alan deixaram toda a sua dor sair do peito, agora só tinham um ao outro.

***

Os dois alfas andaram pelas ruas sem acreditar na magnitude da destruição que viam. O primeiro local  foram foi Tuskegee. Pensavam que talvez os outros tinham conseguido fugir e voltado para casa. Na verdade, aquela hipótese era tão rasa que mal conseguiam acreditar e se provou errada assim que os dois pisaram no seu território.

No dia em que foram levados não puderam ver muita coisa, as marcas que o ataque tinha deixado, mas agora, em plena luz do dia, o tamanho do ataque era assustador. Algumas casas tinham sido incendiadas e, na praça, os corpos das vítimas tinham sido cremadas.

Jeffrey e Steve ficaram confusos sobre o motivo da cremação dos corpos, uma vez que as próprias criaturas as tinham matado.

— Quem sabe não foram eles, talvez foram outras pessoas. – Steve sugeriu.

— É mais provável do que eles terem se dado ao trabalho de dar um fim digno aos corpos. – Jeffrey suspirou e passou a mão pela testa, desviando o olhar para o chão e sentindo sua garganta ficar apertada. — Nós... nós precisamos ir até Shawnee e pedir ajuda. Quem sabe eles possam fazer alguma coisa, nos ajudar a encontrar os outros ou... sei lá...

Steve concordou e ambos foram para suas casas tomar banho e trocar as roupas sujas e fedidas usadas por vários dias.

Depois de prontos os lobos dourados seguiram para Shawnee, Jared com certeza os ajudaria depois de saber de toda a história.

***

Já passava das oito da noite quando as pessoas começaram a se reunir ao redor da grande fogueira sagrada feita sobre a pedra de mármore branco no local destinado aos rituais de passagem pós vida.

Os corpos tinham sido devidamente preparados com óleos bentos e faixas, inclusive os corpos dos lobos dourados.

Dona Elisabeth tinha sido convidada para falar algumas palavras. Sendo a mais velha da alcateia, também era a mais sábia e mais respeitada. Alan, o alfa dos lobos dourados, também fora convidado para tomar a palavra, mas ele se recusou. O homem tinha um semblante tão quebrado e vazio que chegava a dar pena.

Jared se posicionou na frente dos seus lobos e fez o gesto de respeito aos mortos, curvando-se na direção onde estavam postados e colocando o antebraço na barriga.

— O que aconteceu aqui foi uma barbaria, um verdadeiro massacre. Nós não começamos nenhum conflito, tudo se deveu pela simples e pura maldade. Os monstros que nos atacaram eram julgados extintos ou até mesmo lendas até poucos dias atrás, mas eles existem. – Jared parou para tomar folego, olhando nos rostos assustados de cada um e sentindo-se ainda mais responsável por eles. — E devem ser temidos, pois são criaturas perversas e traiçoeiras que já viveram mais do qualquer um aqui presente. Eles bateram em retirada, mas isso não significa que acabou. Nossos entes queridos que perderam suas vidas não o fizeram atoa, eles serão vingados e mais nenhuma gota de sangue de lobo negro será derramado pelas mãos dos monstros.

Diferente dos gritos encorajadores ou das palmas entusiasmadas que sempre eram ouvidas depois de um discurso público do alfa, o que todos fizeram foi levantar suas mãos direitas para o céu, mantendo o dedão colado na palma e os outros quatro dedos eretos.

O sinal foi mantido por alguns minutos e então a anciã tomou a frente.

— Eu não sou conhecida por todos aqui, não sou não. Eu sou amiga do seu alfa, esse garoto que apareceu na minha porta sangrando e pedindo por ajuda a alguns anos atrás. – Dona Elisabeth gesticulava com as mãos enquanto falava de uma forma totalmente incoerente. — Hoje é um dia triste, muito triste. A maldade existe no mundo, oh como existe... e vocês foram vítimas dela. Essas pessoas que morreram nunca serão esquecidas e o sacrifício que tiveram que fazer foi o que salvou todos nós. – A senhora fez uma pausa, tomando folego para continuar a falar. — Eles estão em um lugar melhor agora, junto da Deusa, olhando pelas suas famílias que ficaram, protegendo vocês, sim, protegendo. Não chorem, meus amigos, tudo vai ficar bem. A deusa os protegerá... – Dona Elisabeth disse, olhando para todos os lobos negros.

As palavras da idosa, de alguma forma, faziam com que os lobos negros se sentissem mais seguros, certos de que o que ela falava era verdade.

A anciã saiu da frente da multidão e foi até Alan, chamando-o para um lado um pouco mais distante do resto das pessoas.

— Pobre homem... – Começou a senhora. — Tanta dor no seu coração, tanta. – Lamentou-se Dona Elisabeth, segurando as mãos de Alan. — Tudo vai melhorar, Alan Ackles. Acredite.

Alan baixou a cabeça e não disse nada, precisava respirar devagar para não deixar sua tristeza sair pelos olhos novamente.

Um pouco afastado do alfa Tuskeguie e da anciã, Jared e Jensen ainda estavam lado a lado, terminando a prece à deusa.

— É você quem tem que acender o fogo dos corpos? – Jensen perguntou baixinho para Jared depois do término da oração, olhando o monte de múmias enfileiradas e empilhadas. Viu quando Dona Elisabeth puxara seu pai para um canto, talvez a mulher conseguisse dar um pouco de conforto ao coração dele.

— Sim... Eu não gostaria, mas... devo. — Jared suspirou e então voltou para a frente da multidão.

No céu a lua brilhava num avermelhado muito peculiar, um tanto diferente do comum, com um tom muito mais parecido com sangue do o tradicional vermelho fosco. Parecia que ela refletia todo o sangue derramado nas terras de Shawnee.

Diferente da tradicional noite de lua de sangue, quando eles se transformavam e corriam juntos pela floresta, acabando perto da vila e os cios dos alfas e ômegas começando, naquela noite a energia da lua os mantinha com a esperança acesa.

O alfa pegou uma tocha e a acendeu no fogo sagrado, levantando para cima e depois se ajoelhando em uma só perna, enquanto sua cabeça ficava baixa. O ritual mandava que a oração de despedida fosse rezada antes da cremação.

Depois da prece ser feita, Jared levou o fogo até a pira e, com cuidado, tocou o fogo sobre o óleo que envolvia os corpos. O ritual só podia ser assistido por cinco minutos, depois todos deviam deixar o local, pois o cheiro de carne queimando era muito forte.

Jared e Jensen se abraçaram enquanto olhavam os lobos serem libertos para a vida espiritual, um dando apoio ao outro, mesmo que em silencio.

A maioria das pessoas assistia a cena em silencio, pois para aquele povo o ritual de passagem era muito precioso e digno e devia ser celebrado e não lamentado.

Depois que o tempo permitido acabou, as pessoas começaram a se dispersar e ali só sobraram Jared e Jensen.

— Vamos pra casa? – Perguntou o alfa com um sorriso apagado.

Jensen balançou a cabeça afirmativamente e ambos andaram de volta para a mansão em silêncio.

Sam havia preparado um jantar e já estava esquentando-o quando os dois lobos chegaram a cozinha.

— Obrigado por falar algumas palavras no ritual, Dona Elisabeth, significou muito para todos nós. – Disse Jared ao encontrar a anciã junto a Sam.

— Não precisa agradecer não, filho. – Respondeu a senhora sorrindo simpática. — Os monstros foram muito cruéis com esse povo, mas eu... Eu preciso alertar que não acabou, Jared. – Continuou a mulher com um peso na fala. Não queria ter que dar aquele mal presságio, entretanto tinha que avisar para que eles não ficassem com a guarda baixa, uma vez que partiria dali em breve.

— Eu imagino isso, mas por enquanto eles não vão fazer nada. Perderam tantos soldados quanto nós, estão fracos.

Quando Sam avisou que estava pronto, sentaram-se a mesa e comeram sem conversa. Cada um tinha pelo que lamentar naquela noite e tudo que precisavam era de um silêncio.

Mais tarde, depois da louça ser lavada e Jensen estar preparado para ir dormir, Dona Elisabeth chamou-o para um cômodo vazio e lhe deu um sorriso de um milhão de dólares.

— Parabéns, meu filho! – Disse a idosa alegremente.

Jensen franziu o cenho confuso, não fazendo a mínima ideia do que significava aquilo.

— Desculpe, mas... do que a senhora está falando?

Dona Elisabeth bateu a mão na própria testa, balançando a cabeça logo em seguida.

— Eu é quem me desculpo, esqueci que foi recente e você não tem como saber ainda, não tem não. Minha cabeça anda uma confusão, filho, acho que preciso voltar para a minha cabana logo...

Jensen achou a explicação da mulher ainda mais confusa, formando um nó na sua cabeça.

— Do que eu não tenho como saber?

Dona Elisabeth negou com a cabeça.

— Quando a hora chegar, eu sei que vai entender, garoto. Não procure respostas demais, não procure. – Pediu a senhora. — Apenas aceite o presente que a deusa lhe concebeu.

— Por acaso isso tem a ver com aquilo que a senhora fez comigo na capela?

— Boa noite, Jensen. Confie no destino, ele nunca erra.

Com aquela frase, Dona Elisabeth saiu do cômodo, indo para o seu quarto sem dar mais explicações e deixando um ômega com a cabeça ainda mais enrolada do que antes.

O loiro subiu para o seu quarto e Jared já estava na cama.

— Demorou... – O alfa puxou o cobertor que lhe cobria e revelou seu corpo coberto apenas pela cueca branca.

Jensen tirou as roupas que vestia e se deitou ao lado do moreno, sendo envolvido por braços carinhosos.

— O que foi? Tá com uma carinha esquisita.

— Dona Elisabeth me chamou para conversar e me deu mais um dos seus enigmas. – Contou o ômega.

— O que ela disse dessa vez? – Jared perguntou, beijando o pescoço do mais velho e acariciando seu peitoral.

— Primeiro ela me deu os parabéns e eu fiquei sem entender nada, então ela disse que eu ainda não tinha como saber do que eram aqueles parabéns porque tinha sido recente e quando a hora chegasse eu entenderia e deveria aceitar o presente que a deusa me concedeu.

Jared parou suas carícias e apoiou a cabeça num braço, ficando com o tronco meio levantado, encarando Jensen tão confuso quanto o próprio.

— Olha, não quero pensar sobre isso agora. Vamos dormir que amanhã vai ser um dia melhor.

O alfa balançou a cabeça em concordância e Jensen se acomodou no seu peito, ficando na parte de dentro da conchinha.

Eu te amo. – Sussurrou o moreno em pensamento depois de alguns minutos, quando sentiu que o loiro tinha dormido.

Eu te amo mais. – A resposta veio sonolenta depois de alguns segundos, surpreendendo o mais novo.

Eu duvido disso, não tem como alguém amar mais outro alguém do que eu te amo. — Justificou-se o alfa.

Jensen sorriu e entrelaçou seus dedos com os Jared.

Essa foi a coisa mais gay e mais linda que alguém já disse pra mim.

Jared não conseguiu – e nem quis – conter o sorriso que brotou nos seus lábios.

Se te amar faz de mim gay, então eu sou o homem mais gay do mundo.

Jensen sorriu ainda mais, virando-se e dando um beijo apaixonado nos lábios de Jared.

Eu não sei como vivi tanto tempo sem você...

Jensen levou a mão até a bochecha do alfa e acariciou a barba por fazer de três dias, fechando os olhos e somente aproveitando aquele sentimento tão bom que, de repente, tinha enchido o seu peito.

Os dois lobos dormiram com seus corações mais leves, cobertos pelo amor que suas almas compartilhavam.

Continua...

 


Notas Finais


Eaí, o que acharam?
COMENTEMMM
Desculpem pelo trocadilho de mal gosto do titulo e por esse esquecimento kkkkk
beijos e até semana que vem <3


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