História Wolves - Capítulo 8


Escrita por: e KiwiSweet

Postado
Categorias Louis Tomlinson, Niall Horan, Selena Gomez, Zayn Malik
Personagens Louis Tomlinson, Niall Horan, Selena Gomez, Zayn Malik
Tags Ação, Drama, Mistério, Policial, Suspense
Visualizações 8
Palavras 4.908
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


❃GENTEEEE, OLHA SÓ QUEM VOLTOU! Sério, senti tantas saudades de vocês. Estou extremamente feliz em voltar aqui, principalmente com o tão esperado e prometido capítulo 7. Levei longos e sofridos dois meses para concluí-lo. Mas olha só, finalmente consegui.
❃Entretanto, não voltarei com uma atualização frequente. Quero dizer, apesar de ter chegado aqui com mais um capítulo, eu ainda não faço ideia de quando irei regularizar as atualizações. Não comecei o capítulo 8, e sei que levarei uma eternidade para concluir. Então, provavelmente levarei mais uns dois meses para chegar com mais um capítulo.
❃Estou muito feliz e grata pelos últimos comentários. Não tive tempo de respondê-los, mas saibam que amei cada palavra que vocês deixaram aqui. Sério, amo tanto vocês.
❃Gente, obrigada por tudo.
❃Preparem-se para as polêmicas!
❃BOA LEITURA Xx

Capítulo 8 - Seven


Fanfic / Fanfiction Wolves - Capítulo 8 - Seven

 

Seven

“Minha cabeça parecia querer explodir, a medida em que meus pulmões queimavam. Contudo, eu não estava disposta a largar-lhe. Muito menos interromper aquele beijo, mesmo que tal ato estivesse a me dilacerar. Eu queria lhe sentir, lhe devorar. Mas ao mesmo tempo, eu queria lhe espancar por não conseguir entender o que eu tanto sentia por si. Céus, meu peito ardia com aquele sentimento. Eu sentia que era errado. Entretanto, eu queria permanecer naquele louco erro.”

 

Prédio Horizon

Apartamento 42

15h:21min AM

 

 

Abri os meus olhos vagarosamente, enquanto lentamente eu despertava do sono mais confortável que eu tive em semanas. Não existia mais todo aquele peso sob os meus ombros, ou a preocupação em exercer a minha função em meu trabalho. Existia apenas a Susan Ruston, e as lembranças de uma noite completamente extraordinária.

Eu posso estar parecendo meio boba, principalmente pelo sorriso parvo em meus lábios, mas é inevitável não entrar em estado de transe quando recordo da noite maravilhosa que eu tive com o Caleb. Apesar da chuva intensa, e o fato de estarmos presos em seu carro, em meio a uma tempestade, não fomos impedidos de saciar os nossos desejos mais íntimos.

E céus! Por mim eu repetiria aquele momento infinitamente.

Era impressionante a maneira na qual as coisas entre nós parecia correr rápido demais. E isto até poderia ser algo que me comprometesse, ou me fizesse quebrar a cara mais a frente. Entretanto, eu não poderia negar o quão eu já estava entregue aos desejos que o Caleb parecia ser capaz de me ofertar.

Parece que, desde quando nossas mãos se tocaram pela primeira vez naquele pub, nós estávamos ligados por algum imã invisível que não nos permitia nunca se afastar. E mesmo que não existisse nenhum imã invisível, de qualquer forma eu arranjaria uma desculpa para encontrar o Caleb mais uma vez.

A noite anterior, além de servir para nos unir por meio de uma transa extremamente satisfatória e que me lavara as alturas, também serviu para perceber o quanto o Caleb era o tipo de homem que eu buscava. Existia algo nele que me cativava de uma forma inexplicável. Caleb, apesar de me contar bastante detalhes de sua vida, garantindo-me que nele não havia nada de criminoso, ainda portava algo de misterioso em si.

E esse misto seu de cavalheiro e extrovertido, que contrastava com o seu lado sério e misterioso, era o estopim para que eu inevitavelmente nutrisse sentimentos por si.

Principalmente quando ele sugeriu na noite anterior, que déssemos uma chance para nós dois. Não que ele estivesse a me pedir em namoro, o que seria algo bem inconveniente. Mas seria uma oportunidade de nos conhecermos melhor, e quem sabe, engatarmos em algo mais sério.

E somente a ideia de que finalmente eu estava pronta para superar os fantasmas do passado, e ter encontrado a pessoa ideal para entrar em uma outra fase em minha vida, me fez sentir uma felicidade extrema. Parece que finalmente as coisas em minha vida pessoal estavam começando a dar certo.

Sentindo-me ótima ao despertar, e com uma sensação prazerosa e imensa a preencher meu peito, peguei o meu celular em meu criado mudo, e espantei-me com o fato de já passar das três horas da tarde. Em dias de trabalho, eu teria enlouquecido por acordar tão tarde, e já pensaria no pior. Entretanto, mesmo que ter sido excluída da investigação do sequestro do Ryan tenha sido algo que me magoara profundamente, não ter que arcar com essa responsabilidade veio a calhar nesse momento.

Mesmo que a preocupação em saber se o Ryan estava bem pesava em meu peito.

Com os meus pensamentos não somente no Ryan, mas em todos os outros casos de desaparecimento que infelizmente ainda não foram solucionados nos últimos meses, segui para uma sala secreta em meu apartamento. Lá, eu deixava guardados todos os arquivos pertencentes aos inquéritos que ainda não foram solucionados. Eu os guardava, na esperança de ainda salvar as pessoas desaparecidas, e trazer a paz de volta às famílias que sofriam com os sequestros.

Então, tomada pelo aperto em meu peito, decidi dar uma organizada em minha sala secreta, e quem sabe, acabar analisando algum arquivo. Eu não queria de maneira alguma me sentir ociosa, e nem acabar me sentindo culpada por deixar aqueles casos para trás.

Fui até a área de serviço, onde havia um armário falso ao lado da máquina de lavar roupas. Eu sempre o trancava com um cadeado, para que ninguém mais pudesse ter acesso à sala escondida atrás daquele armário. Entretanto, assim que me deparei com as portas do armário aberta, revelando-me a porta da sala secreta destrancada, meu sangue praticamente sumiu de minhas veias.

Alguém havia entrado e pegado os meus arquivos.

Tomada pelo desespero, e pela esperança de que nada dentro daquela sala houvesse sido roubado, irrompi dentro do ambiente, tendo em meu campo de visão alguém que nunca imaginei que invadiria o meu apartamento, e mexeria em algo tão secreto e confidencial.

Até pensei que tudo aquilo poderia fazer parte de um sonho muito realista. Mas quando ele notou que foi flagrado por mim, e que seus olhos cresceram espantosos em minha direção, eu percebi que realmente ele foi capaz de cometer tal ato.

Nolan Hayes segurava firmemente alguns papeis em suas mãos, e assim que eu os reconheci, não pude ficar nem mais um segundo calada:

-O que diabos você está fazendo? Como descobriu a existência deste lugar, e como ousa mexer em algo tão confidencial? Nolan, por acaso você é louco?

Aproximei-me de si, com o intuito de arrancar aqueles papeis de sua mão. Entretanto, Nolan deu dois passos para trás, e falou enquanto possuía uma carranca em seu rosto:

-Eu vim limpar a minha imagem. Ninguém pode saber que eu já fui um dos suspeitos pelo assassinato de alguém.

Respirei fundo, surpresa e irritada demais com o comportamento esquisito do Nolan. Ele ficara completamente louco desde a morte de Josh, mesmo que o responsável pelo assassinato já tenha sido identificado e preso. Era difícil acreditar o quanto esse caso o afetava. Pior ainda, era saber que ele descobrira a existência daquela sala, o que existia nela, e como encontrar as chaves que davam acesso aquele lugar.

-Nolan, mas isto não justifica o seu ato em invadir o meu apartamento, e fuçar um lugar que você sequer deveria saber que existe. Por que tanto medo em relação a esse assassinato? Todos já sabem que você não tem nada haver com isso.

Nolan soltou uma risada descrente, enquanto eu me desesperava ao imaginar a proporção das consequências que eu levaria, caso minha superior descobrisse que alguém teve contato com arquivos tão confidenciais. Olhando-me com certa fúria, Nolan falou mostrando-me a sua ficha feita pela delegada:

-Sabe estes papéis? Eles são sim capazes de destruir toda a minha vida. Susan, você sabe que eu tenho um futuro promissor. E não quero arriscá-lo com a informação que estes papéis entregam sobre mim. Não importa o fato de eu ser inocente, quando o meu nome esteve envolvido nesse assassinato.

Por partes, eu entendia o desespero do Nolan em tentar apagar aquela informação. Ele era filho dos donos da maior revista da Irlanda. A clúdach tinha uma enorme importância tanto para a família do Nolan, quanto para ele mesmo. A empresa que é considerada uma das mais ricas em seu país, logo passaria para as suas mãos. Sem contar com o fato de que o Nolan também estava a trabalhar em sua carreira musical. Logo, a informação de que ele foi interrogado como suspeito de um assassinato, poderia dificultar os seus objetivos, e fechar-lhe algumas portas.

Entretanto, nada disso seria capaz de justificar o seu comportamento insano. Na verdade, o Nolan obcecado em se livrar de qualquer coisa que pudesse vim a lhe prejudicar, estava me tirando do sério. Porque garantir o seu futuro promissor, não significava que ele poderia invadir o meu apartamento na hora que quisesse, e mexer em algo que não lhe dizia respeito.

Então, tomada pela raiva em ver o quão o Nolan passara dos limites, eu falei sem pensar nem um pouco nas consequências de minhas palavras:

-Se não quiser ter o seu futuro prejudicado, então não esconda uma arma em sua gaveta.

Nolan olhou para mim espantado, e ao mesmo tempo descrente, enquanto eu me repreendia por ter soltado aquele comentário em um momento tão inconveniente. Revelar que eu possuía conhecimento sobre o revolver escondido em suas gavetas, poderia piorar ainda mais a situação que já era comprometedora. Mas agora que eu sabia o tamanho desespero do Nolan com aquele assassinato, e o quão isso me deixou de orelha em pé, eu necessitava ainda mais saber os motivos que levara o Nolan a portar uma arma.

-Me diz, Nolan! Por que diabos você tem uma arma em sua casa?

O fato de eu possuir conhecimento sobre o seu segredo, junto com a minha insistência em saber os seus motivos para obter um objeto desses, pareceu irritá-lo. Pois logo Nolan fez uma carranca enorme em minha direção, e vociferou totalmente descontrolado:

-Eu tenho uma arma em meu apartamento, para me proteger. Susan, eu não quero viver a sua sombra, muito menos ter que ser protegido por você. Se você pelo menos parasse de se preocupar apenas consigo mesma, e soubesse o quanto eu sou perseguido por ser melhor amigo da maior detetive de North River. Sou perseguido em todos os lugares. Na faculdade, nas ruas, nas festas, em qualquer lugar que eu vá. Não é somente o Jason que pega no meu pé. Existe um grupo de pessoas que me perseguem por eu apenas ser seu amigo. E isso me assusta tanto. Tenho medo de invadirem a minha casa, e fazerem algo de ruim comigo. Por isso o motivo de ter uma arma escondida. Mas você, que nunca para de pensar em si mesma, provavelmente associou a arma em minha gaveta, ao assassinato de Josh. O seu erro é esse, sempre julgar e desconfiar dos outros, sem nunca buscar um diálogo. Foi isso que você fez com o Kesley, não é mesmo?

Eu não soube muito bem reagir a suas palavras. Aliás, Nolan jogou em minha face inúmeras informações que agora me deixava confusa e em um misto de sentimentos que faziam a minha mente girar. Eu não fazia a mínima ideia de que o Nolan poderia estar sendo perseguido. E por minha causa. Eu não imaginava que a nossa amizade pudesse lhe trazer essas consequências. E quase me culpei por realmente nunca ter-lhe ouvido.

De fato, eu sempre procurava o Nolan para desabafar, lamentar o quão as coisas em minha vida andavam caóticas, e pedir favores que as vezes poderiam ser incabíveis. Fazendo assim, com que o Nolan nunca tivesse chance de me contar o que acontecia em sua vida, de uma forma mais detalhada.

E saber que, como sempre, eu nunca parava para ouvir o que se passava com as outras pessoas, fazendo-as tomarem decisões drásticas e por fim terem sérias consequências, me fez sentir-me extremamente culpada. Mesmo que a atitude do Nolan ainda me deixasse irritada e sem um resquício sequer de paciência.

Contudo, antes que eu pudesse sequer dar o braço a torcer, e não o penaliza-se por sua invasão em meu apartamento, Nolan falou algo que fora como um soco em meu estômago.

-Já que estamos a falar a verdade, então tome essa aqui: fui eu quem revelou para o Kesley a sua localização, e o fez vir até North River para reatar as coisas contigo.

Assim que as suas palavras me atingiram, senti como se eu houvesse sido jogada em um abismo. Nunca imaginei que o Nolan um dia, seria capaz de fazer algo tão cruel comigo. Ele sabia o quão o Kesley ainda me afetava de uma forma negativa, o quanto eu ainda não havia o superado, e o quanto as coisas entre nós não foram bem resolvidas.

Então por que trazer o Kesley de volta para a minha vida?

-Por que você fez isso? Qual o seu objetivo com essa palhaçada?

Nolan soltara uma risada malevolente, enquanto me encarava com certa fúria. Era inacreditável que o até então meu melhor amigo, houvesse feito coisas nas quais me desapontara profundamente. E mesmo que a sua revelação tenha feito com que eu perdesse o chão, as suas palavras seguintes me quebraram em inúmeros pedaços.

-Fiz isso para arruinar a sua vida. Eu estava cansado de ser a sua sombra, de ser apenas o seu melhor amigo, e ter que aguentar as suas rejeições sempre que eu lhe demonstrava os meus sentimentos. Cansei de ser usado por você, Susan. Porque é isso que eu sempre servi para você. Um objeto. Susan, você sempre me usou para alcançar os seus objetivos, e para desabafar quando precisava. Nunca se importastes com o que eu sentia. Era sempre você em primeiro lugar. Então, para tirar o seu cavalinho da chuva, resolvi trazer o Kesley de volta como uma forma de lhe desestabilizar, já que eu não conseguia fazer isso sozinho.

Nolan terminou a sua fala totalmente ofegante, enquanto eu também ofegava, mas de dor, desespero, e decepção. Eu estava tão surpresa e magoada com aquela confissão, que eu sequer conseguia respirar ou pensar direito. Tamanha traição que viera por parte do Nolan, era o mesmo que receber um tiro certeiro em meu peito. Meus pensamentos estavam turvos, assim como a minha visão devido às lágrimas de desapontamento.

Meu melhor amigo, naquele momento, conseguiu me desestabilizar. Ele havia alcançado o seu objetivo.

Incapaz de dizer qualquer palavra, eu apenas o observei a sair de maneira abrupta da pequena sala secreta, deixando-me ali sozinha. Então, somente naquele momento, eu pude ter a completa certeza de que a confiança não era algo que poderia ser usada à toa. E que durante muito tempo, eu a havia usado justamente com as pessoas erradas.

 

***

 

 

Olhei para o relógio de ponteiro na parede a poucos metros de mim. E devido a visão embaçada, precisei esforçar-me para então entender que já se passava das 19 horas. Sabendo que eu passara mais do que o tempo devido naquele local, e o quanto eu me descontrolei ao ponto de estar naquele estado, não pude evitar em levar a minha mão a testa, e praguejar o quão eu era estúpida. Meus olhos permaneciam inchados, enquanto minhas mãos trêmulas tinham dificuldade em pegar o último copo de cerveja que eu pretendia ingerir. Eu não fazia a mínima ideia da quantidade de bebida que eu havia consumido. Mas o meu desespero mortífero em encontrar um refúgio, ou um bálsamo que pudesse aliviar a decepção que o Nolan me causou, me fez beber cerveja como se fosse água.

Meu peito inchava e latejava, enquanto lembranças dos momentos bons entre eu e o Nolan me atormentavam. Nunca imaginei que eu poderia ser traída de tamanha maneira. Aliás, eu nunca imaginaria que isso pudesse acontecer comigo novamente. Parecia uma espécie de azar ou algo do tipo. Primeiro o Kesley, depois o Nolan. Quem seria o próximo. O Caleb?

Suspirei pesadamente, enquanto o meu rosto desfigurado pelo longo choro compulsivo espantava algumas pessoas. Também, quem imaginaria que a melhor detetive da cidade, estivesse embriagada em um dos bares pobres de um bairro qualquer, enquanto claramente sofria por algo que não dizia respeito a ninguém, mas se tornaria motivo de fofoca no dia seguinte?

Exausta por lamentar-me pela traição do Nolan, e não querendo culpar a mim por ter sido tão tola e não ter percebido o jogo descabido que comigo o Nolan estava a fazer, levantei-me cambaleante da mesa na qual eu me encontrava, joguei um punhado de dinheiro em direção ao garçom, e segui para fora do bar, sendo agredida pelo vento gélido.

Apesar da tamanha decepção, e o fato de que eu sequer sabia o que fazer em relação ao assunto, apenas me permiti fingir que nada havia acontecido. Eu já havia bebido demais e chorado demais para continuar me afogando em lamúrias. E mesmo que as recordações das palavras grossas do Nolan me atormentassem, eu estava disposta a fingir que eu sequer o conhecia.

Totalmente embriagada, e sem nenhum senso de direção, tentei a todo custo andar de volta para o meu apartamento, para enfim me isolar e talvez pensar no que seria o melhor a se fazer. Mas na verdade, eu somente queria matar o Nolan com as minhas próprias mãos. Fazê-lo pagar por ter quebrado o meu coração em inúmeros pedaços, e ter destruído toda a confiança que eu tanto depositava em si.

E foi com esses pensamentos, que acabei dando meia volta, com o intuito de seguir em direção ao prédio no qual o Nolan morava, mesmo sem ter a mínima noção do local onde eu me encontrava. Eu apenas queria que ele soubesse o quão havia alcançado o seu objetivo em me desestabilizar.

No entanto, antes que eu pudesse sequer lidar com as minhas pernas moles devido a embriaguez, senti alguém segurar o meu braço e me girar em sua direção. E quando me deparei com os seus olhos amendoados olhando-me de maneira preocupada, enquanto a sua mão a segurar-me de maneira firme causava arrepios em minha pele, logo senti vontade de chorar em seu ombro, e ao mesmo tempo cuspir em sua face.

Poderia ser efeito da bebida, mas eu o adorava e o odiava ao mesmo tempo.

Sacudindo-me um pouco, com o intuito de que eu prestasse atenção em si, Kesley falou preocupado:

-Susan, você está bêbada?

Desvencilhei-me de sua mão que ainda insistia em me segurar, e falei dando uma risada irônica, ao mesmo tempo em que me esforçava para manter-me em pé:

-Imagina! Estou sóbria o suficiente para manter-me bem longe de ti.

Logo tratei de lhe dar as costas, e fingir que eu não havia trombado com alguém na qual eu não estava preparada para lidar naquele momento. Se eu mal conseguia lidar com os meus últimos problemas, como eu conseguiria lidar com alguém que me causara problemas no passado?

Eu estava embriagada demais para suportar o Kesley e as suas investidas descabidas. E perante a minha embriaguez, e o meu emocional desestabilizado, ficar perto daquele homem somente me faria tomar atos na qual eu me arrependeria depois.

Contudo, mais uma vez, parecia que o universo conspirava para que eu e meu ex namorado nos mantivéssemos próximos. Pois logo cambaleei para o lado, fazendo com que mais uma vez o Kesley me amparasse para que eu não fosse de encontro ao chão. E vendo aquele acontecimento como uma clara e evidente derrota, apenas permiti que o Kesley me guiasse para algum lugar que me protegesse do frio cruel que fazia naquela noite.

Em outra ocasião, eu teria relutado e deixado claro que o queria bem longe de mim. Mas eu não poderia negar que, naquele momento, o que eu mais queria era um abraço seu e palavras que me confortassem e aniquilassem a dor que o Nolan deixou em mim. Então, apenas deixei com que o homem ao meu lado me conduzisse para qualquer lugar que fosse capaz de acalentar toda a decepção e dor que eu sentia.

Não demorou muito para que entrássemos em uma rua estreita, mais parecida com um beco, e nos deparássemos com os fundos de uma lanchonete comum, e razoavelmente frequentada. E assim que notei o Kesley retirar umas chaves do bolso de sua calça jeans, e fazer menção para abrir a porta do depósito, segurei em seu braço e falei um tanto estupefata:

-O que você está fazendo?

-Entrando em minha casa, ué!

Kesley deu de ombros, enquanto tentei digerir a ideia de que o Kesley estava a se abrigar em um depósito. Eu sabia que ele não tinha tantas condições de alugar um apartamento bom, ou pelo menos imaginei que o Kesley arrumaria artimanhas para ganhar dinheiro fácil, e conseguir se estabilizar em North River. Mas nunca imaginei que o homem chegaria a tais condições.

Como se estivesse a ler os meus pensamentos, ouvi o Kesley falar, enquanto me conduzia a entrar em sua humilde casa:

-Cheguei a esta cidade sem nenhum tostão no bolso. E como eu estava, e ainda estou altamente determinado a alcançar os meus objetivos, decidi que tentaria me estabelecer aqui a qualquer custo. Então consegui um emprego nesta lanchonete, e após uma negociação, consegui este velho depósito e o transformei em moradia. Mas é algo temporário. Logo conseguirei juntar dinheiro suficiente para comprar uma casa. Não que eu esteja a reclamar do depósito, mas eu mereço um lugar um pouco mais confortável.

Kesley proferiu uma risada nervosa, provavelmente acanhado com a minha avaliação em relação ao depósito, e rapidamente sumiu em um cômodo improvisado. Soltei um longo suspiro, enquanto no fundo eu sentia um leve arrependimento em achar que provavelmente o Kesley era o demônio em pessoa.

Ele realmente poderia ter mudado. E eu queria acreditar nisto. Mas com as últimas e tamanhas decepções que me acometeram, principalmente por uma delas ter vindo do próprio Kesley, eu tinha imensa dificuldade em acreditar em si. Eu sequer conseguia acreditar que eu estava sozinha consigo em sua casa. Somente poderia ser a minha embriaguez que me permitia ainda a ficar naquele espaço.

Sentindo a tontura me abater, sentei-me no único e velho sofá na minúscula sala daquele depósito, e levei as mãos à cabeça, repreendendo-me por minhas últimas ações. Eu não deveria ter bebido tanto. Se eu houvesse mantido o controle sobre meus sentimentos, eu não me encontraria sob tais circunstâncias.

Agora, eu teria que lidar com o homem no cômodo ao lado, enquanto eu sequer sabia lidar com que o eu estava sentindo no momento.

Após alguns minutos tentando controlar a minha embriaguez, senti um leve aroma de chá ocupar todo o espaço daquele depósito, fazendo com que rapidamente eu me sentisse bem. Era incrível como um bom e reconfortante chá era capaz de aniquilar qualquer sensação ruim que estivesse a me acometer.

E assim que avistei o Kesley a adentrar a pequena sala, segurando uma xícara de chá e uma pequena vasilha com biscoitos, me senti totalmente abraçada pelas lembranças da época em que as coisas entre nós eram perfeitas.

Sempre quando eu encontrava-me sufocada por problemas, e agarrava-me a garrafas de vodka ou qualquer outra bebida alcóolica que me entorpecesse, Kesley sempre surgia com uma xícara de chá e biscoitos, e fazia com que qualquer dor que me atormentasse, se esvaísse rapidamente. Aquela simples ação, junto com a sua companhia e palavras reconfortantes, servia como um bálsamo para que todas as minhas preocupações me deixassem em paz.

Rindo ao notar o quão o Kesley ainda levava aquilo a sério, eu falei após observá-lo caminhar em minha direção, e sentar ao meu lado no sofá:

-Você ainda se lembra disto?

 Kesley olhou-me com um sorriso divertido, e falou a cruzar os braços:

-Claro! Eram os únicos momentos nas quais não brigávamos!

Soltamos uma gargalhada perante ao fato totalmente verídico, enquanto as memórias daquele tempo me serviam como um cobertor. Eu não lembrava o quão aquelas pequenas coisas eram capazes de afastar para longe qualquer tipo de fantasma que estivesse a me atormentar. E por um momento, me convenci de que era exatamente daquilo que eu estava a precisar esse tempo todo na qual andei sofrendo com as minhas tormentas.

Passando para mim a xícara de chá, e a vasilha com biscoitos, me permiti deliciar e me sentir abraçada, enquanto lentamente eu sentia uma certa paz interior. Poderia parecer estranho para qualquer pessoa, mas uma xícara de chá, biscoitos de chocolate, e a companhia do meu ex namorado, me serviram como um banho que lavou de mim qualquer desespero e tristeza.

Kesley fitou-me por um longo tempo, provavelmente tentando entender o que havia acontecido comigo, ou até mesmo por seu silêncio, tentar me convencer a falar algo. E não demorou muito para que eu acabasse desabafando consigo. Contei sobre a invasão do Nolan ao meu apartamento, sobre o seu plano em trazê-lo para North River, e a maneira na qual o meu melhor amigo tentou destruir o meu psicológico. Desabafei sobre tudo o que me atormentava, sentindo cada vez mais o aperto em meu peito sumir.

E aquilo somente me mostrara o quão eu vinha fazendo as coisas de maneira errada durante todo esse tempo. O quão me entupir de bebidas alcóolicas era mais um problema do que uma solução. E que ter afastado o Kesley de mim de forma tão abrupta, poderia ter sido um grande erro.

Mesmo que ele houvesse sido um criminoso.

Contudo, antes que pudesse aniquilar de vez qualquer receio em relação ao Kesley, pelo simples fato dele ter me acolhido e me feito sentir melhor, recordei de algo que poderia novamente condenar e entregar o quão o Kesley não havia mudado e continuava sendo o homem sem caráter que me decepcionou uma vez.

Então, levemente indignada, e um pouco esperançosa de que o meu julgamento na verdade fosse errôneo, eu falei de maneira acusatória:

-Espere ai, então você sabia de todo o plano ridículo que o Nolan havia tramado? Quer dizer, se você veio até North River por causa dele, então você sabia de tudo!

Levantei abruptamente do sofá, fazendo menção para ir embora. Pois, quanto mais eu pensava nas palavras que eu havia dito, mais se tornava convincente o fato do Kesley ter sido cumplice do Nolan. Quer dizer, por quais motivos o meu ex namorado viria até mim, se não fosse para compactuar com o plano do Nolan em arruinar a minha vida?

Antes que eu pudesse me retirar daquele depósito, Kesley segurou o meu braço, impossibilitando que eu me afastasse de si. E antes que eu pudesse reclamar do seu ato, o homem falou em súplica:

-Em primeiro lugar, eu sequer sabia que o Nolan tinha tamanhas intenções cruéis contigo. Quando ele entrou em contato comigo, o mesmo falou que na verdade queria a minha ajuda para tentar mudar um pouco a sua vida. Ele me relatou que você aparentava estar muito depressiva e sozinha, e que talvez com a minha presença, eu pudesse lhe ajudar a se sentir melhor ou algo do tipo. Nunca imaginei que isso seria uma desculpa para o Nolan arruinar a sua vida. E bem, eu não imaginava o quão eu tinha um efeito tão negativo em sua vida.

Kesley proferiu as últimas palavras de maneira melancólica e sofrida, fazendo-me sentir um aperto no peito. Pela maneira na qual eu descrevi o quão a ideia do Nolan em trazer o Kesley de volta para a minha vida seria um inferno, dava a entender que o meu ex namorado era o próprio demônio.

Mas eu sabia que ele não era.

Entretanto, devido as últimas decepções que me acometeram somente naquele dia, era difícil conseguir acreditar que o Kesley também era inocente em toda aquela história. Aliás, era difícil acreditar em si após tudo o que ele me fez no passado. Sei que posso estar a ser paranoica demais com algo que já passou. Todavia, esquecer ou ignorar era uma missão impossível.

Afastando o meu braço de seu toque, eu falei ainda aborrecida e desconfiada:

-Você está mentindo.

Desta vez, Kesley também levantou-se abruptamente do sofá, e falou mostrando-se completamente ofendido com a minha acusação:

-Por que diabos eu mentiria para você, Susan? Eu não fazia a mínima ideia que o objetivo do Nolan era te passar a perna. Eu realmente tinha boas intenções quando vim para cá, então você não pode me culpar pelo o que aconteceu, quando eu também fui vítima de tudo. Para ser sincero, eu apenas topei vim para esta cidade, porque eu queria de alguma forma me redimir por todas as coisas ruins que fiz a você, e tentar consertar toda a burrada que eu cometi. Mesmo sabendo que você nunca irá me perdoar.

Levei as mãos à cabeça, totalmente exausta com o discurso repetitivo do Kesley, e falei em um tom de voz alto:

-E por que você continua insistindo nisso?

Então, para a minha total surpresa, vi os olhos do Kesley marejarem rapidamente, enquanto ele engolia em seco, antes de dizer:

-Porque eu te amo, Susan. Eu não consigo evitar a porra deste sentimento que eu tenho por você. Desde quando cometi a pior burrada da minha vida, que eu venho tentando anular tudo o que eu sinto por você, mas é impossível. Nunca admirei tanto uma mulher em minha vida. Nunca venerei tanto alguém, e nunca amei tanto alguém. Susan, sei que você pode não acreditar no que eu digo, mas eu ainda te amo da mesma maneira que eu lhe amei quando as coisas entre nós eram perfeitas. É por este sentimento que eu vim até essa cidade, com o intuito de tentar me redimir. Porque eu ainda te amo.

Após as intensas e melancólicas palavras do Kesley, senti tudo ao meu redor girar. Eu não estava pronta para ouvir aquilo. Eu não estava pronta para ter a certeza de que o Kesley realmente ainda nutria os velhos e bons sentimentos em relação a mim. No fundo, eu queria que ele me odiasse, me infernizasse e fizesse de tudo para me destruir. Porque somente assim, eu não precisaria lidar com os sentimentos guardados durante todo esse tempo.

Meus pulmões doíam pela falta de ar, enquanto eu buscava qualquer palavra ou qualquer ação que pudesse responder a declaração feita por aquele homem.

E dentro de todas as ações que eu poderia tomar naquele momento, eu simplesmente o beijei.

 


Notas Finais


❃GENTEEEE O QUE FOI ISSOOO?
❃Gostaram do capítulo? Deixem as suas opiniões aqui. Amo ler tudo o que vocês escrevem. Isso é tão importante para mim e para o desenvolvimento da fanfic.
❃Quero agradecer mais uma vez por tamanho apoio. Vocês são as melhores leitoras do mundo!
❃Vejo vocês no comentário. Estou louca para matar as saudades de vocês. Amo-vos!
XoXo


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