História Won - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jungkook, Personagens Originais
Tags Bts, Hopemin, Hoseok, Jeongguk, J-hope, Jihope, Jimin, Jungkook
Visualizações 21
Palavras 3.824
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Seinen, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Eu não sei se você gosta de ler ouvindo música, mas eu fiquei ouvindo três em especial para escrever, se quiser ouvir também:

My I - Seventeen
Move - Taemin
House Of Cards - BTS

E não foi betado, então boa sorte lendo.

Capítulo 1 - Único; You


Fanfic / Fanfiction Won - Capítulo 1 - Único; You

- Park Jimin

As pessoas da primeira fileira até o camarote número 3 possuíam visão e audição perfeita da música que era executada no palco principal, no qual eu podia ver a estrela do lugar Jung Hoseok, meu hyung e amigo, dançando. A visão era tentadoramente bela e emocionante, os movimentos tão singulares e perfeitamente bem executados conseguem prender a atenção de qualquer expectador.

As coreografias parecem ser moldadas em cima dos passos dele, a música parece se mover conforme o corpo dele precisa e nunca o contrário, a beleza dos pequenos gestos e a emoção que é passada não pode ser descrita em palavras, apenas sentida. Ninguém apresenta a dança com tanta perfeição quanto o meu hyung.

 – Hyung – gritei do alto do terceiro camarote, torcendo para que fosse audível. Felizmente ele olhou – Está incrível aqui também.

 – Você não precisava fazer isso, sabia? – A respostada é tão gritada quanto a minha, mas eu sinto a animação presente e a risada que queria escapar – Obrigado.

Fui descendo as escadas e observando a dança enquanto a música continuava a ecoar pelo local, as expressões estavam ainda mais bonitas conforme me aproximava. Observá-lo dançar é com certeza um dos meus maiores prazeres, só não gosto quando a garota dança junto, ela não tem a mesma capacidade e não fica tão bonito quanto deveria. Ninguém consegue entregar as mesmas emoções na dança.

 – Fique incrível hoje à noite, hyung, eu subi muitas escadas por você – sua risada ecoou pelo palco, se misturando a música, a transformando na melhor música que aquele palco já experimentou.

 – Certo, agora venha cá, vou repassar só mais uma e vamos descansar um pouco – eu ri e me aproximei um pouco mais. – Quer dançar a última parte comigo?

Nesse instante travei e o encarei perplexo. Como eu poderia acompanhá-lo numa dança?

 – Você está louco, hyung? – Eu apenas ri de maneira nervosa. O melhor dançarino de todo aquele lugar querendo que um dançarino comum o acompanhasse.

 – Eu já te vi dançando, Jimin, anda, vem logo – ele me chamou através de gestos e apenas pude me aproximar – Você já me viu dançar essa coreografia tantas vezes que é possível que a saiba melhor do que eu.

Ri mais uma vez, ainda nervoso com aquilo tudo. Apesar de amar dançar eu não me achava bom o suficiente para dançar com ele, só apenas mais um dentre os outros que era ofuscado pelo brilho que ele irradiava.

 – Eu vou tentar – murmurei e torci para não levar uma bronca.

Acompanhar os movimentos dele era até simples, a intensidade era diferente, a beleza e suavidade também, mas, de alguma forma, estava conseguindo acompanhá-lo. Ele era a estrela maior e eu um aprendiz. Só queria ficar próximo a ele, nunca roubar seus holofotes. Me contentava em dançar ao fundo ou na fileira atrás dele, desde que pudesse ver o seu brilho.

Os sorrisos de encorajamento que recebi durante a dança foram me dando mais confiança e fomos dançando de maneira mais relaxada, mais de uma vez, ele me fez dançar três vezes a coreografia completa, só paramos quando ouvimos palmas e nós viramos para ver quem estava aplaudindo, e era ela. A garota que queria os holofotes.

 – Wah, Jimin-ssi, você melhorou muito – o sorriso dela me embrulhava o estômago. Mas forcei um sorriso para parecer simpático, o hyung gostava dela. – Hoseok oppa, você está ensinando muito bem a ele. Ainda bem que não é uma dança de casal ou eu ficaria com ciúmes.

Ele riu, ela riu e eu forcei mais um sorriso enquanto apertava a barra da camiseta até os nós dos meus dedos ficarem brancos, a garota conseguia aflorar os piores sentimentos dentro de mim. Eu não a suportava, a simples existência dela me tornava uma pessoa amarga. Se por um lado eu admirava e amava o Hoseok hyung, odiava a garota, tudo nela me deixava irado, porém nunca me rebelei contra ela, não podia.

 – Hoseok oppa, está na hora de vocês pararem e descansarem um pouco, em poucas horas é a apresentação e você precisa aparecer incrível – a garota falava isso e me irritava, o hyung era incrível em todos os momentos, não tinha como apenas parecer.

Ele concordou e o ajudei a recolher as coisas e ir para dentro do camarim, ela falava bobagens para ele que ria, eu apenas caminhava em silêncio. Não conseguia fingir emoções muito positivas perante ela, era impossível, tudo me deixava em alerta quando a via por perto, o estado de nervoso era difícil de controlar.

Os deixei no camarim e fui para os chuveiros, logo seria a apresentação e precisava ficar pronto para a parte em grupo, sabia toda a coreografia de cor e só ia apresentá-la tranquilamente. Os outros dançarinos estavam começando a chegar e a fazer barulho no lugar, a parte boa disso é que tiravam a minha atenção daqueles dois.

Nessa noite a apresentação consistiria nas apresentações em grupo e então finalmente o solo magistral do Hoseok hyung, por mais que as duplas depois do primeiro grupo fossem boas o solo era o mais emocionante. A garota agora estava aos risos com uma dupla, eles dançariam juntos e mostrar o duelo pelo amor dela, pff, como se alguém a quisesse.

Eu a vi olhar para mim e sorrir, tentei devolver um sorriso, mas talvez tenha saído uma careta já que o sorriso dela se alargou. Apenas sai daquela área e fui atrás de paz. Ficar naqueles lugares e esbarrar com as pessoas que me irritavam não era a melhor maneira de ficar tranquilo.

 

X

 

 – O que tá fazendo aqui fora sozinho, Jimin? – Jeongguk apareceu de algum canto estranho e me encarou. – Fugindo de quem?

 – Eu sou seu hyung garoto, me chame de hyung – o repreendi e ignorei sua pergunta.

 – Tá fazendo o que aqui fora, Jimin? – Ele simplesmente ignorou minha bronca e continuou a falar de qualquer jeito. – Medinho da apresentação?

O sorriso do garoto cresceu quando disse isso, me atormentar parecia um prazer imenso para ele. Ignorei a risada que viria a seguir e respondi qualquer coisa.

 – Estava cansado de ficar lá dentro, muito cheio – dei de ombros e permaneci recostado a parede.

 – Você ficou chateado de não ter pego o lugar no triângulo amoroso? – O garoto se sentou ali do meu lado e decidiu tagarelar. Você sabe quem parecia torcer por você, se não fosse aquele seu escorregão certeza que seria escolhido.

 – Para de falar besteiras, Jeongguk – dei uma risada para disfarçar, cair no meio de um teste não era a melhor coisa do mundo, mas agradeço ter acontecido. Eu não conseguiria dançar com ela. – Se eu perdi o lugar no triângulo é porque eu não estava preparado ainda.

 – Eu vi os dois conversando outro dia, Hoseok hyung queria que você tivesse passado, ele disse que você merecia mais – era triste saber que o hyung ficou decepcionado com o meu teste. – Mas disse que talvez você pegue papéis melhores no futuro, que ia te ajudar e tudo.

 – Hoseok hyung é uma boa pessoa, mas não sou tão bom quanto ele – deixei o ar escapar e antes que eu pudesse falar mais alguma coisa ouvimos um chamado, estava na hora de nos ajeitarmos para a apresentação.

 

Os cabelos estavam ajeitados num penteado estranho e a maquiagem bem marcada. A roupa bem justa e a camisa levemente aberta. Me alonguei um pouco e me juntei ao grupo que se apresentaria comigo e vi os dois conversando mais um pouco, antes de se virarem para mim e me desejarem sorte, eu a ignorei e foquei em sorrir para o meu hyung, a força que ele me enviava era o bastante. Em pouco instantes subi ao palco.

O palco era onde eu podia extravasar toda as minhas frustrações, a dança me permitia liberar tudo o que tinha em mim. Quando precisava passar amor e felicidade pensava no Hoseok hyung e quando a raiva se fazia necessária só conseguia pensar nas emoções que a garota me causava, eles eram os meus extremos e a minha força para dançar. Nessa noite eu precisava ser o amor e o ódio, então me lembrei de momentos e deixei os movimentos fluírem conforme a música tocava. Liberando todas as emoções.

Assisti todas as apresentações enquanto aguardava o solo, vi o triângulo e a dança emocionante que os garotos realizavam tentando mostrar a garota todo seu amor, era bonito de ver. Tentei me imaginar ali dançando junto a eles, mas não conseguia me imaginar sendo nenhum deles, nem ela. A dança estava sendo perfeitamente executada e aplaudi verdadeiramente no final. Até ela sorriu para mim depois.

Quando o solo finalmente chegou não consegui ver nada além dos passos perfeitamente executados, os movimentos das mãos e as expressões emocionadas. As sensações que eram transmitidas sendo captadas e me deixando deslumbrado. Era inebriante acompanhar cada segundo da apresentação, meu peito inflava de orgulho ao ver Hoseok hyung dançar.

Algumas lágrimas pareciam querer escapar enquanto o momento mais triste da música era executado, a suavidade e a agressividade das emoções chocavam, enquanto observava o solo ser executado com tanta maestria. Ninguém conseguiria ser tão bom dançando quanto ele. Me permiti sorrir e segurei as lágrimas para que ele pudesse ver apenas meu orgulho estampado e não elas, não queria um rosto molhado para elogiá-lo.

Quando o espetáculo terminou e pudemos finalmente nos elogiar no fim da apresentação fui me direcionar ao hyung, mas antes que eu o fizesse a garota o fez, se jogando nos braços dele como se pertencesse aquele local, revirando meu estômago de tal modo que dei meia volta e desisti de falar com ele, não podia elogiar meu hyung verdadeiramente com sentimentos rudes como aqueles habitando em mim.

Retirei a maquiagem e tomei uma ducha rápida, vesti as roupas e fui esperar Jeongguk aparecer para irmos embora, morávamos na mesma direção então era até melhor irmos juntos. Eu nunca soube aonde ele se escondia antes de irmos embora, ele apenas desaparecia e depois voltava desalinhado, preferia não saber também. Certas coisas são melhores não se saber ou ver.

Senti uma mão tocar o meu ombro e vi Hoseok hyung me olhando cabisbaixo.

 – O que houve, hyung? – Ver o rosto dele triste me deixava abalado, doía em mim as emoções que ele sentia. – Precisa de algo?

 – Eu não fui bem, Jimin? – Talvez o hyung tenha sentido falta dos meus elogios no fim da apresentação, não pude segurar o sorriso que se formou com tal pensamento – Quando achei que você falaria comigo você deu as costas e foi para o vestiário. Fiz algo de errado? Eu tentei dar meu melhor, mas as vez...

Abracei o hyung e o susto o fez se calar, apenas aproveitar o abraço que lhe era dado. Pus um pouco de cada emoção que senti durante sua dança naquele abraço, ele podia sentir meu amor, minha dor e a minha raiva, além do meu orgulho por ter presenciado toda a beleza dos movimentos de perto.

 – Foi a dança mais emocionante que já presenciei na vida, hyung – não o soltei e ele apenas retribuiu o abraço – espero que possa sentir todo o meu orgulho nesse abraço. Estava tão lindo que quase chorei, mas não pude ir abraçá-lo antes, desculpe.

 – Hey, hey Jimin, não chore, calma – quando ele disse isso que percebi que algumas lágrimas molhavam meu rosto e um pouco do seu ombro – Obrigado, sério, fico feliz de saber que o meu dongsaeng favorito gostou de me ver dançando, mas não chore. Por favor.

 – Desculpe por isso, eu só queria dizer que foi lindo – sorri e ele retribuiu.

 – Obrigado, Jimin, sua opinião é muito importante para mim.

Antes que entrássemos numa conversa Jeongguk apareceu e como sempre desalinhado, preferia não saber mesmo por onde ele andava e nem com quem andava. Nos despedimos do hyung e fui sorridente para casa, Jeongguk não parecia se importar com isso. Foi um caminho tranquilo.

 

X

 

Um belo dia eu tive uma resposta clara a todos os meus sentimentos pelo hyung, foi tão explícito que fiquei chocado. Jeongguk me pegou o observando enquanto dançava e disse.

 – Se você é tão apaixonado por ele, porque não se declara? – E assim como chegou saiu, ele não disse nada a ninguém e também não me disse mais nada. Não houve perguntas e nem mais conversas a respeito, apenas as suas palavras ecoando dia após dia em minha mente.

A dança apaixonada e os movimentos perfeitos ainda me hipnotizavam, talvez até mais do que antes, a garota continuava a me incomodar, tudo nela. E ela parecia mais e mais interessada em aparecer em momentos que eu queria ficar a sós com ele. Eu precisava me livrar dela, não importava como.

O jeito como puxava papo comigo, os sorrisos e o jeito de se aproximar, eu apenas a repelia e só a via insistir. Então resolvi aceitar uma investida sua, apenas uma. Ela queria ficar dançando no palco depois que os outros fossem embora, eu tive que recusar porque o espaço era fechado e Jeongguk jamais me esperaria para ir embora, então aceitei ir a alguma sala aleatória juntos.

Comecei a dançar com ela duas vezes por semana em alguma academia não tão longe de onde eu pegava o metrô para casa, era perto para nós dois e longe o bastante do teatro. Hoseok hyung parecia feliz em saber que eu dançava com ela as vezes, feliz por eu dar uma chance a garota. Entendia essas palavras dele, mas preferia que elas nunca fizessem sentido algum. Eu não queria entendê-las. NUNCA.

 

X

 

Era a oitava semana que treinávamos juntos, ela dançava bem e até conseguíamos dançar juntos, mas forçar minhas emoções perto dela era difícil, mas eu me controlava, era para um bem maior. Me livrar dela. Então fui o mais sociável e gentil que pude e me aproximei o suficiente para saber como fazer isso. Ela me atrapalhava.

Buscava conhecer mais sobre a sua rotina e sobre ela, horários que chegava e saia, os hábitos e o que gostava de comer e quais os caminhos costumava pegar, fui o mais gentil que conseguia, quem me visse imaginaria que estava tentando um convívio mais pacífico; mas era impossível, a garota não despertava emoções positivas em mim.

A garota se arrumava enquanto desligava o som, assim que vi que ela estava quase pronta pus um casaco e aguardei uns dois minutos enquanto ela ajeitava os cabelos. Repassei tudo o que precisava ser feito.

 – Vamos? – Sorri quando ela disse e fui acompanhando-a para fora. – Você parece mais feliz hoje, Jimin-ssi. Aconteceu algo bom?

 – Não ainda, mas acho que em breve vai acontecer – respondi e o sorriso se manteve firme meus lábios. E a garota sorriu também, então seguimos pelas ruas.

Parecia que a noite realmente estava disposta a colaborar comigo e algumas gotas caiam antes da chuva realmente acontecer, resolvemos correr um pouco para nos abrigarmos e a garota segurou na minha mão me puxando para uma rua mais deserta e um pouco afastada de onde estávamos. Nunca imaginaria ela me levando para um beco.

Deixei que a sua pele tocasse a minha e ignorei a vontade de repelir o seu toque e a segui, não demorou muito e pude notar que ela queria falar e iria se aproveitar daquele beco para isso. Puxei o ar algumas vezes fingindo recuperar o folego, mas era apenas a maneira de manter o controle.

 – Jimin-ssi, você tem algum relacionamento? – A garota começou a me questionar enquanto ficávamos frente a frente.

 – Não, não tenho – respondi e esperei as próximas perguntas, eu sabia que viriam. Eu não queria ouvir as palavras dela, mas o faria, era por um bem maior.

O sorriso dela se alargou e então começou a se mover de um lado para o outro, parecia feliz com a minha resposta. Sorri para ela, esperei que as palavras viessem e o rosto dela foi ficando rubro, logo me deu as costas e começou a falar.

 – Posso falar assim? Me sinto envergonhada de falar isso olhando para você, Jimin-ssi é muito sério comigo – eu dei uma risada, pareceu o suficiente para que ela desandasse a falar.

Eu não ouvi suas palavras.

Eu não ouvia os sons que ela murmurava enquanto segredava o seu “amor” por mim, apenas pus as luvas que deixei no bolso do casaco. A chuva e a sua vergonha ao se declarar era a distração perfeita. Eu sabia os caminhos que ela tomava, os horários e até como gostava do café, sabia que ela me olhava demais e do porquê olhava, eu sentia cada vez mais ódio ao perceber seu olhar em mim. Mas naquele momento todo o conhecimento que eu possuía a seu respeito era bem-vindo.

Pus as luvas e puxei o ar uma vez e pus um sorriso no rosto para observar seu rosto mais uma vez. A satisfação que esse momento me traria era tamanha que achei que não caberia mais em mim. O belo sorriso de Hoseok hyung apareceu em minha mente e quando a garota se virou a puxei para perto.

Seus olhos estavam úmidos e um sorriso adornava o rosto, ao sentir minhas mãos próximas a si ela se entregou. Toquei seu rosto com a mão direita, fazendo um caminho até os seus lábios, passei o polegar no lábio inferior e tocamos nossos lábios com calma. Parecia que o corpo dela ansiava tanto por tocar o meu e apenas permiti que isso acontecesse.

Por mais que as sensações amargas revirassem meu estômago aprofundei suavemente nosso contato. Deixei sua língua tocar a minha, forcei uma tranquilidade.

As mãos delas se agarravam a meu casaco me puxando para perto, pude apenas posicionar as mãos em suas costas até seus ombros, afastando-a gentilmente de mim. Então as subi para sua nuca, a garota sorria feliz. Logo as posicionei em seu pescoço e foi a minha vez de sorrir. Passei meu polegar suavemente ali e então pressionei.

A garota assustou e tentou se desvencilhar, somente coloquei mais força, o sorriso dela logo foi se transformando numa cara de pânico e suas mãos que antes me prendia junto a si agora me repeliam. Nesse momento ela parecia sentir por mim todo os sentimentos que eu nutria ao tocá-la. Ela se debatia, queria gritar e tudo o que fazia era me empurrar.

A água da chuva fazia com que as mãos dela escapassem ao entrar em contato com o tecido, seus olhos prendiam os meus, a felicidade que eu sentia ao ver a vida se esvaindo ali era surreal. A felicidade de saber que ela me deixaria em paz, que não teria mais que aguentar os seus olhos me buscando nos lugares. Não teria mais a necessidade de ser cordial.

Apertei até sentir o corpo ficar mole em minhas mãos, nunca me vi como uma pessoa forte, mas a garota não era forte e a eu necessitava me livrar dela; então o fiz. Segurei por mais alguns minutos e soltei o corpo no chão. O som que fez ao se chocar com o concreto e água foi um tanto diferente. A coloquei em algum lugar que não atrapalhasse muito a movimentação e observei por alguns minutos. Estava demorando um pouco mais do que gostaria, mas o propósito era bom.

Chequei a pulsação e mexi em sua bolsa, peguei a garrafa de água e despejei em sua boca, precisava limpar rastros meus dali. Fechei a devolvi na mochila. Sorri ao notar que ali o meu problema ficaria, não teria mais ninguém para me atrapalhar com o hyung. Eu poderia finalmente seguir em paz. Me pus a andar e fui para o metro, retirei as luvas e pus na mochila, peguei meu celular e conectei os fones de ouvido. Caminhar até a estação em silêncio não era divertido e agora eu não precisava mais tagarelar sobre as coisas que aquela garota gostava.

 

X

 

 – Como você está, Jimin? Parece cansado – Hoseok hyung me questionava, era a quinta semana desde que a garota havia sido dada como morta. A preocupação dele comigo havia triplicado desde então. Eu havia sido o último a vê-la com vida, falado com a polícia e liberado após checarem meu álibi. Hoseok hyung queria me confortar.

 – Eu estou bem, hyung – dei de ombros e tentei parecer um pouco abalado, mas não era tão difícil, já que saber que ele havia chorado, as vezes ainda chorava, por aquela garota me deixava decepcionado. – Hyung, nós podemos falar após o ensaio.

 – Claro, Jimin – o sorriso dele ainda era brilhante, mas parecia levemente apagado desde aquilo, somente nesses momentos eu me sentia culpado. A culpa por ter reduzido o brilho da minha estrela. Do meu sol.

 

O hyung chorava junto a mim conforme falávamos do ocorrido, ela era uma boa amiga e bem, eu fiz parecer que éramos amigos também. Mas minhas lágrimas eram verdadeiras por saber que por mais que eu a tivesse tirado de perto de nós ela ainda estava em seus pensamentos e isso me doía. Meu corpo todo se arrepiava com a possibilidade do meu amado hyung ter sentimentos por aquela criatura, a maldita garota.

 – Você gostava dela também, Jimin? – Hoseok disse me pegando desprevenido, minha expressão de incredulidade não havia passado desapercebida. – Jimin?

 – Eu gosto de você, hyung – deixei que as palavras escapassem por entre meus lábios enquanto algumas lágrimas ainda caiam, então eu ri. Não havia nada que pudesse fazer.  – Eu sou apaixonado por você, hyung.

As palavras saiam com uma velocidade maior do que eu conseguiria controlar, então apenas as falava e abraçava meu próprio corpo. A ausência de respostas do meu amado era apenas a prova de que tudo que eu havia feito era em vão. Me senti sujo e usado, então levantei e descei as escadas correndo um pouco, corri até o vestiário, precisava me lavar dessas sensações. Precisava lavar a minha alma.

Corri e não ouvi um chamado se quer para voltar, apenas corri. A dor era excruciante.

 

A água quente servia para lavar meu corpo, minha mente e a minha alma. As gotas se misturavam as minhas lágrimas e isso era bom, mas não evitaria os olhos inchados. Patético Jimin. Parecia que a maldita garota estava se vingando por não ter ficado viva. Mesmo depois de morta ela ainda me atrapalhava.

Eu não ouvi quando a porta foi aberta e nem quando as roupas dele foram jogadas em algum canto daquele vestiário, apenas senti a minha cabine ser aberta e as minhas costas abraçadas. O aroma doce e o toque quente da sua pele me despertaram daquele transe. Eu temia que fosse a minha mente me pregando peças, o toquei para ter certeza que ele não era uma miragem, não pude conter um sorriso.

Hoseok hyung me beijou enquanto prensava meu corpo na parede, o corpo dele em contato com o meu parecia queimar.

 – Eu também gosto de você, dongsaeng – ele falou quando nossos se separaram. A distância era o suficiente para que eu pudesse ouvir e perto o bastante para capturar meus lábios em seguida.

E naquele vestiário apenas o som da água caindo em nossos corpos era audível. 


Notas Finais


E foi isso, até a próxima pessoal.
Obrigado por lerem.


Ainda quer me bater @minyoonkookie?


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