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História Wonderland - Capítulo 1


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Notas do Autor


AVISO!

Quando as falas forem destacadas com aspas significa que o personagem está falando em libras.

EX: "Você está bem?"- Movimenta suas mãos com uma expressão preocupada.

Boa leitura!

Capítulo 1 - Prólogo.


Fanfic / Fanfiction Wonderland - Capítulo 1 - Prólogo.

 

Rússia, Suzdal, 2011.

 

Eu amava andar de carro, talvez nem tanto igual amava o balé, mas amava. Gostava de olhar pela janela e ver as coisas passando como borrões do lado de fora, as vezes eu ficava até um pouco tonta de tanto que olhava para o outro lado, era tão legal. Eu contava os carros vermelhos que apareciam na rua e tentava adivinhar o nome das pessoas que passavam na rua.

Mas hoje estava sendo diferente. Mamãe estava brava. Mas eu não sabia o porque.

Eu conseguia ver em suas expressões o quão incomodada ela estava e seus dedos não paravam de se mexer nem por um segundo. Será que ela e o papai haviam brigado de novo? E por quê ela sempre virava para mim e me olhava com uma carinha triste? 

Será que o doutor do hospital azul falou alguma coisa que ela não gostou? Ou ela não gostou da minha nova dança que mostrei hoje cedo para ela na cozinha?

- Mamãe?- A chamei e ela se virou pra mim no banco da frente, papai me olhava pelo espelho que ficava no alto do carro- Tá tudo bem?

- Sim, meu amor- Sua voz estava muito baixa, eu quase não conseguia a ouvir. 

Vi que papai tinha dito alguma coisa, mas não havia escutado. Olhei para mamãe confusa e vi seus olhos encherem de água. Ela iria chorar?

- Mamãe?- Me estiquei para tocar seu rosto, mas o cinto da canderinha me segurou. Eu não gostava de ver ela triste.

Agora eles estavam conversando. Mas mamãe parecia estar com raiva, sua voz estava alta. Eu não gostava de coisas altas, o barulho me deixava assustada.

- Como você consegue ficar tão calmo, Andrew!?- Ela falava alto, mas parecia que estava tão distante.

Aquilo era estranho. Mas segundo o doutor era normal, mamãe diz que fazia parte do meu crescimento. 

-O quê eu posso fazer, Samantha!?- Assustei. A voz do papai era grave e o barulho me dava medo- Não tem nada que eu possa fazer ou que você possa, temos que lidar com isso!

-Papai...- Murmurei assustada. Por quê ele falava daquela maneira? Eu não gostava daquele barulho, ele era mal.

Agora eles mexiam as bocas. Mas eu não conseguia entender. Era algum segredo? Será que eles estavam fazendo uma surpresa de aniversário para mim? Eu gostava de surpresas e muito mais do meu aniversário, mas eu não sabia quando ele era. 

Eu não gostava de datas. Qual a necessidade delas? Por quê apenas não vivemos o tempo conforme ela vai passando? A vida as vezes era tão confusa.

 

��

 

Inglaterra, Londres, 2014.

 

Inglês era uma língua muito difícil. Eu já não aguentava mais olhar para a tela brilhante do computador e escrever em meu pequeno caderno azul milhares de frases. Eu não havia aprendido absolutamente nada da língua do novo país que agora era meu novo lar, já fazia cinco meses desde a mudança e não havia progredindo em nada na minha adaptação.

Era difícil, já que eu não podia ouvir nada para poder aprender, compreender ou me adaptar a toda aquela mudança repentina que houve em minha vida.

Eu estava com meus doze anos e já havia perdido noventa e cinco por cento da minha audição, quanto mais o tempo passava mais os números subiam e eu tinha que me contentar com aquilo, de um jeito ou de outro.

Eu queria voltar pra casa. A minha verdadeira casa. Eu odiava aquele lugar...

Vi uma luz forte invadir o meu quarto e me virei para a porta vendo meu pai parado na mesma. Voltei minha atenção para o computador em cima da mesa e o desliguei, ficar ali por mais tempo não iria adiantar em mais nada.

Olhei de volta para meu pai e o vi se aproximar de mim, reparei que havia algo em sua mão mas não pude identificar o que era. Ele estava com um sorriso no rosto, mas não era aqueles sorrisos falsos que ele costumava dar apenas para me agradar, ele parecia realmente estar feliz. Mas por quê?

"O quê é isso?"- Perguntei confusa apontando para sua mão.

Seu sorriso se alargou e estranhei tudo aquilo.

Ele fez um gesto com sua mão livre para que o fechasse meus olhos e assim fiz, confusa mas fiz. O que ele iria fazer?

Senti algo se encaixando em minha orelha, recuei um pouco por conta do susto mas papai me segurou, ainda ajeitando aquilo em minha orelha.

Não pode ser...

-Abra os olhos filha- Ouvi uma voz feminina dizer com suavidade.

Eu ouvi uma voz.

Eu ouvi uma voz que não ouvia a anos, eu ouvi a mamãe.

Abri os olhos em choque olhando para as duas pessoas a minha frente assustada. Ruídos. Eu sempre ouvia eles, mas agora era diferente. Muito diferente.

-Consegue me ouvir?- A voz dela mais uma vez ecoa de maneira calma. Balancei minha cabeça e a vi se aproximar do meu corpo, me aconcheguei em seus braços permitindo que algumas lágrimas saíssem de meus olhos.

- Como?- Perguntei a olhando.

Eu havia escutado a minha voz. Então ela era desse jeito? 

- Não tínhamos certeza que iria funcionar- Meu pai diz também se aproximando. Saudades daquela voz.

- Eu preciso contar pra Lola!- Digo eufórica fazendo ambos rirem da minha reação- A professora de Balé também! Ela vai ficar tão feliz.

Eu estou escutando, eu posso escutar as coisas e principalmente, vou poder escutar as músicas enquanto danço. 

Eu estava realizada.



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