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História Wonderland casino - Capítulo 1


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Notas do Autor


Eu estou dando mim nesse projeto e principalmente dei tudo de mim nesse capítulo, então se tem alguém lendo isto, por favor vote e comente sua opinião, irá me ajudar imensamente.
Boa leitura! Espero que gostem.

Capítulo 1 - Welcome to Wonderland


 

Welcome to wonderland
Las Vegas, 13/05/22
19:19 P.M


A música alta capturou seus ouvidos, a visão fora rapidamente tomada por luzes fortes em tons psicodélicos, porém relaxantes de vermelho nos estofados, mesas e chão, as decorações avermelhadas juntamente com o marrom das paredes deixavam tudo mais aconchegante, assim como os luxuosos lustres em amarelo queimado, aumentando ainda mais a sensação de aconchego mútuo, principalmente para o novo cliente que acabava de adentrar pelas portas pesadas, sendo recebido por um mundo inteiro dentro das paredes reforçadas, um mundo perfeito, totalmente destuante da realidade.

Um mundo perfeito visivelmente, mas podre debaixo dos panos.

Os passos eufóricos eram perdidos tanto quanto seu dono, um rapaz com olhos arregalados que parecia encantado com toda a beleza que era capturada ao seu redor, algo que nunca viu além dos filmes, mas que não fugia muito do padrão estrangeiro e continuava lhe deixando de boca aberta por ser tão aparentemente maravilhoso como sonhou ser. Mas assim como este parecia animado, também se encontrava assustado, era o dia em que estava completando sua maior idade, não era totalmente dependente e o dinheiro contido no bolso da calça não era seu, estava ali verdadeiramente como uma criança, empolgado em demasia, porém também com medo que fosse descoberto pelos pais. Tão ingênuo.

 

Um figurante sem nome, insignificante no meio de tantos homens ricos e poderosos, que jogavam todo seu dinheiro como água corrente em uma cachoeira, sendo influenciados bem acima de seus narizes, entretanto sendo orgulhosos e convencidos demais para perceber isto. O rapaz ainda se situava no local, andando entre as máquinas sem fazer muita ideia de como boa parte delas funcionavam. Realmente só estava ali por imaginar que merecia, por pensar que já era de maior e agora poderia fazer coisas de adulto, mas a cada vez que ouvia os gritos eufóricos de um ganhador, cada vez que via aquelas bebidas coloridas estranhas e homens estranhos falando coisas que não compreendia, se sentia mais como um gatinho assustado, querendo correr para fora dali, direto para os braços de sua mãe. Pobre garoro.

 

O motivo de tanto medo era sua situação; estava ali escondido de seus pais, com o dinheiro deles, em um local cheio de homens e mulheres em maioria bem mais velhos, bebendo coisas que nunca ouviu falar na vida, próximos demais e alguns com corpos colados enquanto jogavam sem despudor algum. Estava assutado com o tanto de pessoas ali, quase se encolhendo entre duas máquinas caça níquel, desejando sumir.

 

Longe dali, encostados no balcão americano acoplado ao bar, dois rapazes já eram avisados do garotinho medroso, seus olhos felinos estavam fixos na figura que parecia assustada demais para estar ali no meio de tanta gente. Um riso amargo saiu dos lábios cheios do homem de fios castanhos, a bebida escolhida desceu com um único gole, antes de dar um leve aceno para o barman, murmurando algo quase inaudível apenas para os que lhe pudiam ouvir, assim levantando do banco acolchoado, vestindo sua melhor simpatia ao caminhar na direção do garoto perdido.

 

O dono dos olhos arregalados logo capturou a figura que caminhava até si, um homem de meia estatura aparentemente mais maduro, tinha os fios castanhos e um mullet curto de cor mais clara, quase um cinza, seu rosto era memorável, com um olhar desafiador e maxilar marcado, além das roupas caras que marcavam bem seu belo corpo. Ele parecia enigmático na visão medrosa, mas visto sua situação, todos os rostos eram.

 

ㅡ Está perdido, garoto?


A pessoa a quem estava sendo referida a frase acabou se assustando, seu corpo foi levemente impulsionado para trás com um sobressalto. O dono dos fios castanhos e olhar penetrante teve vontade de rir, mas se manteve sério, minimamente simpático para não assustar o garoto, já sabia bem como agir em uma situação como aquela.

ㅡ N-não.

Ele claramente estava, o que deu ao homem mais vontade de rir da tamanhos ingenuidade, ele não era o único, mas nenhum deles podiam comentar no momento, estavam ocupados demais com seus respetivos trabalhos.

"Seja bom com ele, Choi"
"Mostre a ele o que é o nosso lugar"

Pôde ouvir uma voz doce acompanhado de um tom mais grave, e tudo que fez foi soltar um "tsc" discreto, arrumando a postura impecável.

ㅡ Eu estava ali e te vi, gostei de você.. quer jogar?

Aquela frase parecia perigosa, sugestiva demais aos ouvidos do garoto, que pareceu corar com a discreta confissão que o outro lhe observava. Se sentiu totalmente envergonhado e não pôde deixar de aceitar a breve proposta. O Choi achou que fora até fácil demais, apenas conseguia pensar; garoto ingênuo.

 

Ali estava ele, o manipulador realizando sua função com perfeição.

 

O homem dono de um mullet curto era especialista em apostas e jogos de azar, sempre estava um passo a frente de todos, conseguia prever jogadas e girar tudo ao seu favor com tremenda facilidade. Seu conhecimento sobre os jogos ía além de tudo, sempre havia uma regra desconhecida que lhe dava o doce sabor da Vitória. Ali não estava sendo diferente com suas manipulações, estava até relativamente fácil pois o garoto não tinha experiência ou conhecimento algum, o que facilitava ao homem, que não precisava planejar muito para ter todo o dinheiro em mãos, inclusive, já conseguindo levar todo o custo do garoto burrinho em poucas partidas, que sempre vinham ao seu favor.

 

ㅡ Oh, que pena, parece que ganhei outra vez.

 

Sua expressão era neutra, mas o canto dos lábios estavam levemente puxados para cima, a sombra de um sorriso ladino pela vitória já consentida. Teve o prazer de puxar o dinheiro em sua direção, observando com prazer a expressão desolada do garoto, como se perdesse algo a mais que algumas notas.

 

ㅡ Não se acanhe, você ainda tem bebidas de graça e pode sacar para comprar mais fichas, recomendo que faça isso.

 

O tom de deboche sugestivo quase não conseguiu ser escondido na voz do homem, que recebeu uma advertência por isso e apenas deu os ombros como se não fosse nada. Logo aos seus ouvidos chegava uma mensagem interessante, seu olhar fora rapidamente desviado para algumas mesas ao lado, capturou todos aqueles homens apostando quantias altas sobre o balcão de madeira onde se iniciaria uma rodada na Roleta, um brilho diferente se acendeu nos olhos castanhos e seu dono sorriu, mesmo com as covinhas que lhe deveria deixar fofo, fora assustador para o garoto.

 

ㅡ Já volto, garoto.

 

Sua voz soou diferente, ele rapidamente arrumou as roupas finas e rumou para longe, onde iria arrancar mais dinheiro de milionários desavisados. Sua abordagem lá era diferente, o corpo se curvava graciosamente e a sombra de outro sorriso apareceu quando parecia discutir os valor em jogo, divulgando os seus próprios de modo quase inocente. Um bom manipulador, de fato.

 

O garoto se viu novamente sozinho, agora desesperado por não saber como explicaria o sumiço de tanto dinheiro em sua casa assim tão de repente. Engoliu um seco, afastando a gola da camisa esportiva surrada que estava em seu corpo, estava fodido. Sua mente trabalhava tentando arrumar desculpas, enquanto seus pés de moviam no automático em direção ao local em que sabia ter a liberdade para relaxar ao menos um pouco. Não fora surpresa para si quando estava em frente ao bar, observando o estofado acolchoado e as bebidas servidas a vontade, assim como as prateleiras bem decoradas ao fundo. Um homem lhe observava antes mesmo que percebesse, ele estava usando roupas clássicas para sua profissão, um terno básico sem blazer e gravata oscilando entre o preto e branco, seus fios eram loiros platinados e ele tinha um belo sorriso como observado pelo garoto. Se movia rapidamente para lá e cá, preparando drinks e trocando conversas leves com os clientes, seu sorriso quase nunca morria, era quase hipnotizante o modo como o fazia, umedecendo os lábios a todo momento, ato que fazia qualquer olhar fixar nas belas linhas que logo voltavam a se curvar em um sorriso brilhante. Ele era instigante e belo, totalmente atraente, e pelo modo como agia, o homem tinha plena consciência disto, usando tal inflamação totalmente ao próprio favor.

 

Ao perceber que estava olhando demais o barman e ver que este retribuia constantemente o olhar, as bochechas do pobre garoto ganharam um tom leve de vermelho. Desviou o olhar e se timidamente se aproximou mais, observando como aquela parte específica em todo o cassino estava cheia, mas não julgava, a maioria deveria estar ali unicamente para ver o platinado bonito, pedindo por uma bebida pois era a oportunidade dada para conversar com o belo homem de sorriso apaixonante.

 

Se sentou no banco altamente confortável e capturou com o olhar as diversas bebidas expostas, vendo suas cores variadas e observando que não fazia ideia do nome ou sabor de nenhuma delas. Conseguia ouvir alguns nomes por pedidos de pessoas ao seu redor, mas não sabia o que continha naqueles copos estranhos.

 

ㅡ O que deseja?

 

Ouviu uma voz melodiosa em sua direção, rapidamente saiu de seu mundinho particular e olhou diretamente nos olhos do homem bonito que lhe serviria, este lhe direcionou um de seus belos sorrisos, tal ato simples fora capaz de consumir o garoto por dentro, o levando novamente até o espaço.

 

ㅡ A especialidade da casa

 

Tentou parecer formal ao se debruçar sobre o balcão e repetir a fala que sempre ouvia de seu pai quando saíam, entretanto a cana ficou um tanto cômica para quaisquer que a visse, principalmente para o dono de fios platinados, que soltou um risinho e se virou para preparar um drink especialmente para o garoto. Enquanto este encolhia o corpo diante tantos olhares que finalmente pareciam reparar a figura invisível, aparentemente muito novo e inferior aos demais, por não parecer possuir ter tanto dinheiro quanto os milionários, os quais eram mais frequentes clientes do local. E apesar de não ter tanto dinheiro quanto os que compartilhava o ambiente consigo, todos tinham algo em comum, eram extremamente patéticos.


Logo o platinado voltava, com um pequeno copo de vidro em mãos e um sorriso largo na expressão. O garoto capturou o amontoado oco de vidro, observando o líquido esverdeado balançar quando era posto no balcão de madeira fina. Franziu o cenho ao encarar o drink, que mais parecia limonada em um copo destinado a coquetel para parecer de alta classe. Cheirou por cima de tal mistura duvidosa, não conseguindo identificar por ter tanta coisa dentro de um mesmo copo.

ㅡ Margarita clássica. É mexicana.

Ouviu a voz bonita minimamente familiar, levantando o rosto confuso. E lá estava o maldito sorriso estampado no rosto do homem, que estava bem próximo ao garoto. Próximo demais.

ㅡ Sua bebida, se chama Margarita e é originária do México, por mais que tenha ficado muito famosa por aqui. Clássica pois tem várias misturas dela, e essa foi a primeira.

Explicou ao ver a face confusa e sorriu, afastando-se enquanto o garoto levava o líquido desconhecido para dentro de seu corpo. Sua face se contorcia com a mistura de tequila e limão invadindo rapidamente o paladar, ocasionando um amargor forte nos lábios finos do garoto, que rapidamente os limpou com a manga da camiseta que vestia. Como conseguiam gostar disto? Pensou rapidamente consigo mesmo e distanciou o copo com desgosto, levantando o olhar apenas para em sua infelicidade, capturar a cena a frente; o Barman conversava casualmente com um homem de aparente poder, seus corpos estavam perto demais um do outro e o de fios platinados tinha os lábios próximos demais aos do segundo homem, quase tocando ambos ao que conversavam. Algo dito fez um sorriso se abrir em sua face e logo se distanciou para preparar não só um, mas vários drinks. O garoto se sentiu extremamente confuso ao observar tal cena, mas de certo modo a inveja lhe invadiu mais que a confusão, por mais que não entendesse o início de tal sentimento. Apesar de estar chegando na maior idade, era ingênuo como nunca, talvez por isso necessitasse tanto de uma confirmação própria em ser um adulto. Em sua mente rondavam coisas diversas, pensamentos como os de injustiça, que deveriam ser seus lábios próximos ao do homem bonito e não de um rico qualquer. O garoto sentiu uma raiva inexplicável, mas suficientemente forte ao ponto de dar a ordem as suas pernas, para saírem dali o mais rápido possível.

E enquanto tudo acontecia no salão principal, com apostas, bebidas e muito dinheiro rolando; em uma sala afastada com visão privilegiada para todo o cassino, homens muito bem vestidos com seus ternos caros e jóias exageradas conversavam, tentando entrar em um acordo sobre um negócio que deveria ser fechado, não ultrapassando aquela noite.

Três figuras estavam enfileiradas próximos a porta; um homem alto de fios negros muito bem penteados em uma franja longa, com uma expressão impassível e olhar atento em todo o redor; um homem de baixa estatura com fios azuis em sua maior parte raspada, com um sorriso confiante estampando na face e um copo de Whisky em mãos, ele exalava confiança e imponência até mesmo diante todos os outros milionários presentes; já o terceiro rapaz estava sério, seus fios castanhos também eram bem arrumados e sua expressão exalava dureza assim como uma calmaria admirável, ele também parecia atento a tudo e todos, exalando a impressão de alguém que detectaria até uma respiração diferente no ambiente. Dentre os três, o mais baixo estava no meio, como se os outros dois fossem uma espécie extremamente confiável de guarda-costas, e de fato eram, mas não do modo convencional.

O de fios azuis tomou mais um gole agradável de sua bebida e a deixou sob a mesa de madeira, apoiando ambas as mãos ali para então levantar o olhar para seus negociantes, que pareciam não gostar do rumo de uma conversa já a tempos iniciada, o dono se divertia secretamente com isto.

ㅡ Estamos querendo expandir mais nosso negócio, senhores. Seu hotel parece ótimo para o que estamos planejando fazer. Nós ganhamos clientes e vocês hóspedes, todo mundo sairá ganhando.

Seu tom era simpático assim como o sorriso em seus lábios desenhados, disposto a convence-los com o possível.

ㅡ O Wonderland está crescendo cada vez mais e tem uma ótima reputação, não gostariam de estar associados com um dos melhores cassinos de Las Vegas? O lucro viria como água..

Fingiu divagar em sua última fala, mas a ouvidos atentos era claro o tom sugestivo da frase, que atrairia ouvidos por tocar na palavra mágica; dinheiro. Pois afinal, ali para os homens presentes, aquela era a única importância, se teriam lucro ou não no final de tudo.

Um pigarro foi ouvido do outro lado da sala, levando os três pares de olhos atentos a observarem um dos sócios que arrumava elegantemente suas roupas mesmo sem haver necessidade para isto. Ele continha uma expressão indecifrável no rosto e olhava diretamente nos olhos do dono do cassino, que não se intimidava com a tentativa.

ㅡ Quanto ganhamos com isso?

O de fios azuis sorriu largo, como se a pergunta fosse algo extremamente entusiasmante para si. Logo arrumou a postura imponente, para então poder retribuir o olhar, diretamente nos olhos escuros do homem, distante de si apenas pela mesa de madeira posicionada no meio do cômodo espaçoso.

ㅡ Muito dinheiro. Os hóspedes são todos seus, não iremos pedir por esse tipo de custo.

Umedeceu os lábios e moveu as mãos com leveza, indicando o desdém diante da situação levada a pauta, mas ele sabia, e os dois homens ao seu lado também sabiam, toda sua equipe sabia.

Mas claro, ninguém diria.

Os homens em sua frente mostravam claro interesse diante da tentadora e tão única proposta, pensar no dinheiro fazia com que sorrisos surgissem discretamente, mostrando aos três que seus objetivos eram sujos e suas prioridades completamente fúteis, poderiam não demonstrar, mas o líder conhecia suficientemente seus homens para saber que, naquele momento, desprezaram as pessoas presentes logo a frente tanto quanto si próprio desprezava.

Tinham seus princípios não tão corretos, entretanto isto não os impediam de ter total desgosto por pessoas como aquelas.

ㅡ É uma proposta tentadora, mas não podemos aceitar. Sujaria a imagem dos hotéis Laguna estar associado com jogos de azar. Não é bem visto por homens como nós.

Apesar de toda a demonstração de satisfação com a proposta, a resposta fora totalmente o contrário do aguardado por todos na sala. O de fios azuis não demonstrou decepção, apenas sorriu com toda sua simpatia. Mas por dentro ele ria, como se ouvisse a melhor piada em anos. Não é bem visto por homens como nós. A frase se repetiu em sua mente, ecoando juntamente com seu riso totalmente debochado. Podia ver a mais pura hipocrisia de um cliente frequente, que tinha idéia do conhecimento de sua frequência no cassino, mas continuava a ser hipócrita na maior cara de pau. Não iria amputar uma parte do corpo ao negar a vontade de ter o dono do Wonderland como sócio, não mataria falar que não gostavam de si como pessoa, mas era natural para homens como eles, mentir em suas frases, sere cínico já estava no costume ao ponto de ser natural e sair sem o consentimento de sua mente para sua boca. O líder apenas continuou sorrindo, balançando a cabeça levemente em um aceno que concordava.

ㅡ Tudo bem, se essa é sua decisão final, aceitamos.

Recolheu o próprio corpo e umedeceu os lábios, o copo de vidro outra vez estava em suas mãos, sendo guiado até a boca onde o líquido foi ingerido, um modo de fazer o amargor em sua boca ser da bebida, não do desgosto.

ㅡ Espero que possamos acertar os negócios algum dia. Seonghwa, pode acompanha-los até fora, por favor?

O de fios negros em sua vez, apenas assentiu com respeito, ignorando as últimas frases falsas como "Claro" ou "Veremos isto em breve" para caminhar até a porta grande, esperando os homens bem vestidos para acompanha-los em silêncio por um curto percurso até a saída do cassino. Alguns poderiam chama-lo de estranho, de mal educado ou até de orgulhoso por não trocar palavras com os outros em momentos como aquele, entretanto a figura alta estava se poupando de comentários vazios, aprendeu ao longo do tempo que certas coisas não valiam a pena nem por simpatia, e conversar com alguém que não fosse sua família era uma dessas coisas.

Não gastou seu tempo com despedidas desnecessárias, assim que despachou os antigos negociantes, virou de costas e adentrou novamente no local lotado, mas não antes de ouvir palavras não muito amigáveis sobre si. Com isto se virou para olhar ao lado de fora, onde os homens de terno entravam em um carro importado e sumiam de sua vista. Não se importou muito, aquilo não lhes afetaria e seu lider não se importava com seu jeito pois sabia os motivos de ser assim, deixando o homem de fios negros sem preocupações alguma sobre o que acabara de acontecer e a impressão que deixou, afinal, não era obrigado a aturar pessoas que claramente não havia gostado. Preferia assim, então não precisaria tê-los como sócios para ser obrigado a ver seus rostos sujos sempre que fosse na planejada filial, já que sua posição de braço direito do dono lhe daria o dever de sempre estar presente no local.

Fora uma salvação para si.

O Wonderland e seus membros eram influentes o suficiente para não se deixar abalar por críticas bobas dos homes que possivelmente inventaram mentiras por pura maldade, além disto, Hongjoong nunca deixaria ser abalado por algo tão fútil quanto isto, conhecendo seu líder, lhe era certeza.

Caminhou calmamente dentre os viciados em jogos de azar, observando aquelas pessoas que perdiam a noção do tempo por tanto vício nas máquinas automáticas e apostas dobradas. Mas estava feliz com isto, significava que fizeram um bom trabalho não pondo janelas ou relógios no prédio, era esta a intenção, faze-los se perder em seus vícios para ceder cada vez mais seu dinheiro, ao ponto que só pensassem nas maravilhas que o cassino oferecia e não quisessem sair mais dali.

Poderia dizer que seu sucesso era a desgraça dos pobres viciados.

Milionários sem vida, tsc.

Pois o vazio preenchido preguiçosamente pelos jogos não podia ser chamado de vida, todas aquelas pessoas viam as maravilhas dali de dentro e achavam estar vivendo, entretanto não poderiam estar mais errados.

Pobres tolos, não seria o Park que os mostraria o caminho correto.

Umedeceu os lábios grossos como uma mania compartilhada do grupo e apressou os passos até a sala onde antes estava seu líder, entretanto não o achou ali, já que a porta da sala para negócios estava devidamente trancada. Imaginando onde teria ido, soltou a maçaneta e se pôs a caminhar para o lado oposto, onde ficava a parte "debaixo dos panos" do Wonderland, designada apenas a eles.

Eles.

 

ㅡ Ele está vindo.

 

Uma voz baixa e calma anunciou sem tirar os olhos das grandes telas espalhadas em sua frente, e diferentemente dos outros presentes na sala, o dono do tom sereno não usava roupas finas ou tinha os fios bem penteados, não. O rapaz abusava de um moletom largo e um short básico, com uma armação redonda em sua face, deixando a mesma fofa por já ser delicada. Seus fios em tom claro de castanho estavam levemente bagunçados e formavam uma espécie de cumbuca na cabeça do rapaz, que parecia se esforçar para ser um estereótipo de nerd da mídia pop.

 

Logo a porta foi aberta como antes anunciado, mostrando a fugura alta de fios negros que logo adentrou no local, fechando rapidamente a divisória atrás de si.

 

ㅡ Estavamos te esperando.

 

Anunciou o de fios azuis que, como o mais alto presumiu, estava realmente ali. Seu líder se ergueu, largando a mesa os papéis juntamente a caneta que antes utilizava.

 

ㅡ O que aconteceu?

 

Se aproximou do dono, se pondo em frente ao mesmo. Ao seu lado havia como sempre a figura de fios castanhos escuros, entretanto sua face já havia se acalmado, afinal eram só eles, não haviam mais possíveis sócios ameaçadores para lançar olhares desgostos, então o mais novo do bando mexia tranquilamente em seu celular, se mantendo ao lado do lider por puro costume adquirido ao longo do tempo.

 

ㅡ Não gostei de como aqueles sócios nos trataram, você viu o jeito que eles olhavam para nós e como nos respondiam? O Laguna nem é tão influente para agirem daquele modo.

 

Soltou um "tsc" em negação e olhou diretamente nos olhos do mais alto e também mais velho que si, apesar de comandar tudo aquilo, nunca perderia o respeito pelo membro mais velho que inclusive havia o ajudando a montar todo aquele império, seria infinitamente grato ao Park, pois metade do que tinham não existiria sem ele.

 

ㅡ O que pretende fazer?

 

Observou a figura menor se levantar de seu acento, caminhando lentamente pela sala, como se ligasse seu raciocínio.

 

ㅡ Pedi para o Yeosang rastrea-los, talvez façamos uma visitinha.

 

Sorriu meigo como uma criança, mas o de fios negros já imaginava suas intenções não tão inocentes como a aparência e com isto apenas assentiu sem comentar mais nada. O silêncio pairou por um momento, até ouvirem um murmúrio vindo do rapaz no computador.

 

ㅡ Está tendo confusão lá no salão, o garoto que estava com o San e Wooyoung está no meio.

 

Parou no meio da frase como se acompanhasse o entendimento de toda a cena, mas continuou com um olhar não muito alegre de seu líder, que parecia deveras incomodado com o infortúnio da nova situação. O mais novo da sala rapidamente ergueu o olhar do aparelho celular para entender o que ocorria, observando assim alguns seguranças que tentavam se aproximar para apaziguar o local. Tolos.. nunca eram tão eficazes, teria de resolver aquilo.

 

ㅡ ..Estão falando muitas coisas ao mesmo tempo, não da pra ouvir o motivo.

 

O castanho no computador prosseguiu e virou-se na cadeira, mostrando aos três a imagem passada pelas câmeras de segurança, abrindo em maior tela a que passava toda a confusão se formando, com várias pessoas tumultuada e o garoto no meio de tudo. O de fios azuis soltou um suspirou e massageou as têmporas, encarando a cena com pesar, aquilo lhe daria dores de cabeça, os comentários saídos após a confusão não seriam nada bons.

 

ㅡ Vocês podem olhar isso para mim?

 

O líder se virou para os dois homens sempre em seu encalço, ambos retribuiam o olhar e concordaram sem reclamar. O mais novo da sala já previa aquilo, pios sempre seria a si resolver a parte bruta, enquanto os mais velhos resolviam a parte da lábia, tal qual não era sua especialidade, definitivamente. Após breves segundos da confirmação sobre a tarefa, o moreno se levantou de sua cadeira, rapidamente saindo da sala, acompanhado ao de fios negros. Deixando por fim o líder e o informante sozinhos, acompanhando tudo pelas câmeras de segurança.

 

ㅡ Yunho e Mingi ainda não voltaram?

 

O líder questionou ao rapaz que tinha o olhar vidrado na câmeras, observando o desenrolar não muito bom da cena. No meio do tumulto, o segurança de fios castanhos usava sua força para chegar ao centro do problema, separando o foco da confusão; um milionário genérico e o garoto medroso, a cena inicial não fazia sentido algum.

 

ㅡ Ainda não, quer que eu os contate?

 

Perguntou sem tirar os olhos da tela, pois apesar de respeito ao seu lider, precisava entender o que estava acontecendo no salão. O segurança agora tinha o garoto contido em mãos, enquanto todos observavam tudo e um senhor o acusava de tentar roubar seu dinheiro sem que ninguém percebesse. O caos já era formado, agora o segundo no comando usava sua voz grave pouco utilizada para acalmar todos, enquanto o segurança arrastava o garoto amedrontado prédio a dentro.

 

ㅡ Não precisa, eu farei.

 

Após falar isto, se afastou do foco infeliz das câmeras e pegou o aparelho celular deixado sob a mesa, ao tê-lo em mãos, desbloqueou com rapidez, abrindo sua agenda que um dos primeiros contatos já era seu desejado. O discou e aguardou.

 

Longe dali um telefone tocou, este foi tirado do bolso das vestimentas com deveras rapidez e igualmente rapidamente atendido, os sons iniciais ouvidos na linha eram de gemidos dolorosos, alguns sons altos, como o atrito de duas peles constante e murmúrios, mas logo a voz de alguém se fazia presente na linha.

 

ㅡ Sim senhor?

 

A voz do outro lado soou após poucos segundos em silêncio, o dono do tom simpático era alto, tinha seus fios loiros e vestia uma roupa casual consistente em apenas uma camiseta lisa e calças jeans que estava suja de sangue, seu corpo estava apoiado despreocupadamente em uma parede enquanto supervisionava uma cena prazerosa não tão longe de si.

 

ㅡ Onde vocês estão? Já terminaram o serviço?


A voz soou agitada, então o loiro presumiu que algo havia acontecido no cassino, apenas não sabia o que era para deixar seu líder tão desfocado, já que este sempre era deveras neutro.

ㅡ Ainda estamos no lugar, deixei o Mingi se divertir um pouco. Você me parece agitado, os sócios aceitaram a proposta?

 

Soou casualmente, tombando a cabeça para o lado para observar o rapaz alto de fios avermelhados que se divertia socando o rosto de um homem já ao caído chão, as roupas do rapaz de mesma estatura que o loiro estavam igualmente sujas, e em seu rosto marcado havia um sorriso que chegava a ser macabro.

 

ㅡ Terminem logo isso e voltem para cá, preciso de vocês aqui. Quando chegarem falo melhor sobre.

 

Soltou um "tsc" com a boca pela falta se informações e empurrou a língua contra a própria bochecha, concordando antes de ter a ligação encerrada. O loiro olhou para o aparelho com curiosidade na face amigável, então com sua curiosidade guardada, recolheu o aparelho e impulsionou o próprio corpo para que caminhasse até a figura de fios vermelhos minimamente menor que si, tocou o ombro do homem, fazendo este lhe olhar. Quase automaticamente sua feição mudou, se transformando em algo mais calmo quando lançou o olhar para o loiro, o dono dos olhos pequenos e nariz fino parecia mais sereno, o loiro então sorriu para si.l

ㅡ Precisamos encerrar, Hongjoong nos quer presente.

 

Após isso a feição do ruivo tornou-se como um filhotinho abandonado, o loiro riu com a cena fofa, acariciando a bochecha do homem.

 

ㅡ Pode terminar, ele é todo seu.

 

Tudo que a outra figura vez foi sorrir, seu punho se fechou e mais uma vez desceu com violência contra o rosto já irreconhecível em hematomas e sangue, apenas tendo o gostinho de sua diversão encerrada. Então pegou a arma esquecida ao lado do corpo, a figura alta de ergueu já mirando seu alvo, seu dedo pressionou o gatilho sem hesitação e um tiro ecoou no local abandonado e vazio, agora definitivamente aquele homem estava totalmente irreconhecível e desfigurado.

 

ㅡ Vamos então, quero saber o que temos a fazer.

 

Sorriu como uma criança e o loiro retribuiu sem ao menos perceber. Tirou um lenço já preparado do bolso e se aproximou do ruivo para limpar o líquido viscoso em suas mãos, deixando o pedaço de tecido manchado de vermelho, vivido assim como os fios de seu portador. A figura maior entre os dois guardou seu pequeno lenço de volta no bolso da calça após o fim da pequena tarefa e estendeu a mão, o ruivo a pegou sem questionar, e casualmente ambos saíram dali, de mãos dadas, andando calmamente até o veículo preto estacionado não muito longe dali.

 

Eles.. tinham um relacionamento estranho. Se completavam como uma família e eram um só como almas corrompidas entrelaçadas umas nas outras. Isto era o Wonderland. Homens que em situações críticas se encontraram e construíram um império juntos, mesmo que precisassem passar por meios ilegais para isto. A ambição fora maior que o senso comum de oito pessoas diferentes, indicando que todos tinham pensamentos iguais, todos estavam corrompidos, todos eram cruéis e tudo bem com isto.

 

Eles eram o Wonderland.

 



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