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História Wonderwall | Jikook - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Não é só uma troca de olhares.


- I've been meaning to tell you... - Jimin cantarolava a música Hungry Eyes, que tocava de fundo na festa, enquanto batucava os dedinhos no balcão de mármore, distraído.


Engasgado. Era assim que Park Jimin se sentia depois da troca de olhares com o rapaz do palco. Havia um conjunto de sentimentos e sensações entalados em sua garganta, fazendo suas mãos soarem como nunca. E não era atoa. Para Jimin, o moreno do palco era o responsável por tais sensações. Ele já havia visto caras, bonitos, mas não daquele jeito. Já havia escutado vozes bonitas, mas não daquele jeito. Park sentia-se desconfortável com esses tipos de pensamentos. Era estranho para ele sentir tudo aquilo por um... Homem.


- I look at you and I fantasize - uma voz melodiosa também cantou a música, dando continuidade na mesma.


O estômago de Jimin se afundou como uma embarcação em alto mar naquele momento. O loiro se virou lentamente, para ver se aquela voz era mesmo de quem estava pensando ou se era apenas sua mente lhe pregando peças. E como sempre, Jimin estava errado. 


O tal Jungkook estava ali, bem do outro lado do balcão, ao vivo e em cores, o observando - provavelmente há uns bons minutos. Ele vestia um blazer preto, com uma blusa de gola alta, também preta. A pele dele não podia ser vista claramente por causa das roupas que o tampavam, mas ele parecia ser bem bronzeado. O homem tinha uma certa aparência aristocrática, como se exalasse nobreza.


 A áurea forte e confiante que o rodeava, deixava um ar marcante, intenso. E aquilo só contribuiu para que Jimin se desesperasse ainda mais. Jungkook poderia ser considerado irresistível. Lindo. O rosto dele era simétrico e poderoso, com linhas bem acentuadas que desciam do maxilar até o pescoço, o deixando muito bem marcado. Jeon estava parado numa posição descontraída, sorrindo. 


Sim,sorrindo


E não era um sorriso qualquer. Era um sorriso charmoso e sensual, que deixava os dentes avantajados da frente a mostra. Aquela expressão era cheia de segundas intenções. Só que Jimin era ingênuo demais para perceber. 


- Eu... Olá? - Jimin, completamente pálido, tentou ao menos dizer algo. 


O moreno alto e bonito em sua frente apenas gargalhou, jogando a cabeça pra trás, fazendo com que o coração de Jimin batesse mais rápido.


- Pelo visto alguém aqui conhece as antigonas. Interessante. - arqueou as sobrancelhas grossas, charmoso, fitando Jimin com aquele olhar galanteador. 


- É do meu filme favorito, se chama... 


- Dirty Dancing. Um clássico. - o moreno completou, enquanto limpava uma taça de cristal, deixando as veias da parte inferior de seu braço muito aparentes, e algumas tatuagens também. - São interesses notáveis para um garoto tão jovem. 


E eram. Se a madrinha de Jimin estivesse viva e presente ali naquele exato momento, sem sombra de dúvidas concordaria com Jungkook. A senhora Min Jee entendia Jimin de uma maneira que ninguém mais conseguia. Segundo ela, Jimin era diferente dos outros garotos da família. A madrinha conseguia perceber a delicadeza e o sagrado feminino em Jimin, até mesmo quando criança, que o fazia ser diferente, sensível e autêntico. Ele realmente era uma peça rara para a madrinha, e para qualquer um que enxergasse sua verdadeira beleza interior.


- Obrigada... Hum... Bem, eu não sou tão jovem assim. - Jimin riu de nervoso, encarando aqueles olhos grandes e negros de Jungkook por um segundo, que o olhava como se ele fosse a coisa mais interessante do mundo. 


- Ah, não? - Jungkook o olhou de cima a baixo, de maneira intensa - Quantos anos você tem?


- Acabei de completar dezoito. - Jimin respondeu, olhando para as mãos gordinhas e suadas de nervosismo, com o coração as mil batidas.


Jeon o reparou. Aqueles cabelos loiros eram muito atraentes, na visão do mesmo. Atraentes demais. Seriam eles naturais? O interior de Jeon se desesperava em perguntar. E o rosto... O rosto daquele garoto tinha algo especial, o que intrigava o interior de Jeon, que acabou manifestando um pensamento em voz alta:


- Muito delicado. - Jungkook confessou, sincero.


Jungkook não havia ficado interessado em Jimin, seu objetivo era só dar uns amassos nele apenas para cumprir uma aposta, e só. Jeon definitivamente não queria que as coisas tomassem outro rumo. 


Mas nem sempre o que queremos é o que realmente queremos.


Já Jimin, sentia o estômago revirar e as orelhas pegarem fogo. Ele ficava vermelho com qualquer coisa. Park não conseguia olhar pra cima. Não sabia se era por medo de encontrar o olhar do rapaz a sua frente ou por estar com vergonha dele. Não podia evitar, ele realmente não sabia como agir na frente de pessoas, no geral.


- Qual é o seu nome? Me esqueci de perguntar. São muitas... distrações. 


O loiro não entendeu muito bem de que distrações ele falava. 


- Jimin, - respondeu rápido, de lábios entreabertos e engolindo seco - Park Jimin.


- Belo nome. - disse, limpando um copo no balcão de trás e se virando para Jimin novamente, dando seu melhor sorriso, que deixava os dentes avantajados da frente a mostra - Sou Jeon, Jeon Jungkook.


Os dentes da frente dele parecem de um coelhinho. Na verdade, só os dentes mesmo, porque esse rapaz não tem nada de coelho fofo. 


- É um prazer conhecê-lo, Jeon Jungkook.


Jungkook encarou os lábios de Park.


- O prazer é todo meu. - Jungkook respondeu.


Jimin pigarreou, o que atraiu a atenção de Jungkook para seus olhos, que estavam descaradamente nervosos. Já não sabendo mais o que falar e desconcertado pelo olhar que havia recebido no pescoço, Jimin soltou a primeira coisa que veio na cabeça;


- Você gosta de queijo?


Jungkook o encarou por um breve momento, franzindo as sobrancelhas.


De fato, a capacidade de Jimin em mudar de um assunto pra outro, tão rapidamente, não era nada discreta. Mas ele não podia evitar, aquele homem era tão diferente de tudo que estava acostumado. Tão bonito e tão... Instigante. Sua curiosidade estava a mil. Queria fazer várias perguntas. 


Já o motivo daquilo tudo, Jungkook, apenas soltou uma gargalhada alta e gostosa, fazendo os pelos do corpo de Jimin se arrepiarem e com que ele se arrependesse da pergunta idiota, mas então, Jeon o surpreendeu;


- Quem não gosta de queijo? 


Jimin suspirou, aliviado, dando um sorriso fofo em seguida.


Talvez quem tenha intolerância à lactose. 


Era difícil distinguir qual dos dois havia dado aquela

resposta mentalmente.


- De onde você é? - o loirinho perguntou e Jungkook pareceu ficar sério por um instante. 


Parecia que Jimin havia entrado em um terreno desconhecido, não muito seguro. E então, Jungkook apenas suavizou a expressão, respondendo, enigmático; 


- Sou de muitos lugares. 


- Muitos lugares? 


- Sim. - limpou as mãos no pano branco, que estava dentro do bolso preto de seu avental amarrado na cintura, cruzando os braços e molhando os lábios com a língua, pela terceira vez desde que os dois haviam começado a conversar. Mas daquela vez ele estava mais cauteloso, como se aquele assunto o incomodasse. - Não gosto de me rotular a um local... específico. 


- Ah... - para tirar aquele clima, Jimin fez outra pergunta - O que é isso no seu pescoço? 


- Essa cordinha? - o moreno arqueou as sobrancelhas e Jimin fez que sim com a cabeça. Logo, Jungkook puxou o colar para fora da camisa, deixando o símbolo pequeno e branco em aparência aos olhos curiosos de Park. - Se chama Yin Yang. 


- O que significa? 


- Posso tentar explicar. - enquanto falava, Jungkook pegou a singela peça pintada de branco com uma bolinha preta no meio, que estava em seu colar, acariciando a com os dedos longos e grossos. - O Yin e Yang representam equilíbrio dinâmico da flutuação cíclica incessante que sustenta o ritmo fundamental do universo. Yin é o feminino e Yang é o masculino. A metade a qual eu uso se chama Yang, ela é branca, e a outra metade, Yin, é preta. Com essas duas energias em equilíbrio, se tem a combinação perfeita. São duas partes completamente diferentes, mas, que se completam. Segundo essa ideia, cada ser, objeto ou pensamento possui um complemento do qual depende para a sua existência. Na minha concepção, este seria uma alma gêmea.


- Nooossa! Que legal. - Jimin proferiu, com um ar impressionado. Seus olhos brilhavam em curiosidade. A maneira qual Jungkook explicava, deixava tudo muito mais interessante. - E de onde surgiu isso tudo?


- Filosofia chinesa. - Jungkook respondeu, simples.


Jimin estava amando o papo daquele homem tatuado e inteligente. Caia cada vez mais na lábia do mesmo, não percebendo no que estava se metendo.


- Se são duas partes, porque você usa só uma? - Jimin perguntou. 


Jeon apenas arregalou os olhos de leve, sendo pego desprevenido por aquela pergunta, logo em seguida cerrando os olhos, explorando a feição daquele baixinho curioso.


Garoto esperto.


- Acho que já chega de perguntas. - disse, fazendo Jimin ficar muito corado. Este apenas engoliu seco, percebendo a burrada que havia feito. 


A conversa estava indo tão bem! Por que tinha que fazer mais uma de suas perguntas estúpidas? Céus, tinha se empolgado demais. Ele esperava não parecer um sem noção na frente de Jungkook. E na visão do citado, felizmente, não parecia. 


Jeon conseguia ver a sinceridade através dos olhos de Jimin. Não que precisasse conhecê-lo há anos para tal. Jeon só tinha anos de experiência com pessoas, sabia lê-las muito bem. E Jimin era quase transparente. 


- Eu disse algo ruim? - Jimin perguntou, confuso e envergonhado. Suas orelhas pegavam fogo, sem contar o estômago, que só afundava cada vez mais.


- Aceita beber alguma coisa? Eu te recomento um suco de morango, com bastante açúcar, para ver se você fica mais calmo. - o moreno ofereceu.


Jimin franziu as sobrancelhas. 


- O que? - proferiu, sentindo sensações estranhas no estômago, tendo todo o corpo em alerta e a garganta seca, como se não bebesse água há dias. 


- Falando em morango, quando você fica vermelho, se parece com um. 


Quase automaticamente, a reação natural que Jungkook falava entrou em ação, se alastrando pelas bochechas enormes de Jimin. O mesmo negou com a cabeça, tapando-as com as mãozinhas pequenas, muito nervoso. A cena era fodidamente fofa.


- Com todo o respeito, mas você não imagina como é prazeroso ver uma coisa dessas... - mordeu os lábios, encarando o pescoço do loiro.


- Eu... Não... - Jimin pigarreou, sua mente entrando em pane, esquecendo-se de como pronunciar uma frase decente. O que aquele homem estava dizendo? Céus! - Qual é o seu problema? Não tem nada de prazer... - parou por um segundo e respirou fundo - prazeroso, em alguém com vergonha. 


O Park finalizou, olhando paras as mãos, que suavam e tremiam. Aquele era um dos grandes problemas de Jimin, ser ansioso demais, em todas as situações. Mas naquela em especial, estava conseguindo se controlar, aos poucos. Por mais difícil que fosse. Prontamente, Jungkook sorriu com aquela afobação toda.


Por um momento, Jeon quase esqueceu do motivo inicial para estar ali, flertando com Jimin. E aquilo não podia acontecer de maneira alguma, ele tinha que ter objetivo, não podia simplesmente cair nos encantos daquela criatura amável. Jungkook tinha que seguir a aposta, da maneira que deveria ser, e só, nada mais do que aquilo.


- Então, Jimin. - prestes a mudar de assunto, Jeon se apoiou pelos cotovelos no balcão, numa distância considerável de Jimin, deixando as veias grossas do antebraço tatuado marcadas e a mostra - Quando o meu turno acabar, eu vou para uma festa que vai rolar no antigo prédio da polícia. Perto de Incheon. Se chama Neon Fest. - sorriu de lado, charmoso - Gostaria de me acompanhar?


O coração de Park se acelerou com a pergunta, com a possibilidade de interesse de Jeon e com o convite inesperado. Jimin nunca tinha sequer chegado na porta de uma festa de verdade. E com a força que ainda restava em sua voz, Jimin quase respondeu, mas antes, uma voz esganiçada e aguda o interrompeu;


- Ora, ora. Olha só o que temos aqui. O líder do RedLovers tentando seduzir o meu priminho? - Chaeyoung perguntou, chegando por trás e atraindo a atenção de Jungkook. 


Abaixando a cabeça, Jimin só quis desaparecer e enfiar a cabeça em um buraco, de preferência bem profundo, e sumir lá dentro. Para sempre. Por que Chaeyoung tinha que intrometer naquele momento? Justo naquele?


- Chaeyoung, agora não... - Jimin disse, fazendo um gesto com as mãos, muito constrangedodone irritado, vendo a prima se sentar ao seu lado, essa que não tirava por um segundo o olhar em Jungkook. 


- Son Chaeyoung, que imenso desprazer em revê-la. - Jungkook disse, debochado, mas com uma expressão muito séria. Ele parecia ter mudado da água para o vinho, em questão de segundos. 


- Eu digo o mesmo, Jay. - Chaeyoung respondeu no mesmo tom, olhando Jungkook de cima a baixo, mordendo os lábios cor de sangue. - Trabalhando para pagar as contas?


O moreno arqueou a sobrancelha esquerda, a encarando com paciência.


- Pelo menos as minhas contas eu pago, diferente de você, que depende do papaizinho para comprar um rolo de papel higiênico. - Jungkook debochou, muito sarcástico, mas sem deixar o sorriso sarcástico sair do rosto.


Chaeyoung adorou a reação, arqueando uma sobrancelha e olhando Jungkook de cima abaixo, tomando um gole da taça de vinho que estava ali, numa bandeja verde musgo.


A cabecinha de Jimin estava uma bagunça depois de presenciar toda aquela cena. Porque ela tinha chamado Jungkook de Jay? E por que ele tinha dito "revê-la''? Eles se conheciam? Aquilo só podia ser um pesadelo na vida real. Jimin encarava aquela troca de farpas pelo olhar os dois confuso e um pouco... Incomodado. Antes a atenção de Jungkook estava voltada para si, e agora era direcionada para sua prima. Porém, reunindo forças, Jimin tomou coragem para perguntar;


- Vocês são... amigos? - Jimin perguntou, engolindo seco, com os lábios entreabertos. 


Jungkook desviou a atenção da garota para Park, vendo que a feição dele estava murcha e sem vida. Diferente de antes, quando ele estava tímido e vermelho. Não que Jungkook se importasse, só tinha reparado mesmo.


- Olha, Jimin, até que eu queria ser amiga desse aí, sabe. Mas ele é marrento demais. É impossível conversar com ele. Esse cara não é nem um pouco simpático. - a prima respondeu, se servindo mais vinho, logo em seguida o bebendo, olhando intensamente para Jungkook, este que apenas revirou os olhos. 


Jimin franziu as sobrancelhas. 


Jungkook não simpático? Park não concordava nem um pouco. 


Desde que eles haviam começando a conversar, Jeon tinha sido uma das pessoas mais interessantes e conversadas que Jimin havia conhecido. E ele não conversava com muita gente. Mas tinha certeza absoluta que Jungkook podia ser qualquer outra coisa, menos chato.


- Quantos elogios para a minha pessoa. Eu seria um péssimo cavalheiro se não a cortejasse também. - Jungkook encarou a garota dissimulada, que apenas deu um sorriso forçado, batendo os pés com saltos altos freneticamente no chão. - Pensando bem, cheguei a conclusão de que patricinha superficial seria o adereço perfeito para você, Chaeyoung.


Os dois realmente não se suportavam, era mais do que visível. E Jungkook não iria abaixar a cabeça para uma garota imbecil como aquela, estava pouco se fodendo se estava em seu ambiente de trabalho, onde ela era a cliente e ele o empregado. Que o despedissem.


A frente de Jungkook, visível era algo que Jimin não estava. 


Estava lá, parado com cara de tacho, olhando para qualquer ponto que não fosse os dois que discutam. 


Chaeyoung parecia ser mil vezes mais interessante, na concepção de Jimin, visto que Jungkook só tinha olhos para ela. Ele nem tinha mais tocado no assunto da festa. Jimin se sentia como uma fantasma, sendo ofuscado pelo brilho da prima. Park estava quase sufocando. Jungkook nem sequer tinha mudado de assunto para voltar a conversar consigo. Aquilo era constrangedor para caramba, e Jimin só ficava cada vez mais acanhado. 


Até que, parecendo perceber a situação do primo, Chaeyoung perguntou;


- Estou atrapalhando algo? - ela fitou os dois, alternando o olhar ora em Jimin ora em Jungkook - E se eu escutei bem, por que você estava chamando o Jimin para uma festa, Jungkook? 


Jimin engoliu seco, levantando a cabeça e olhando para a prima, desesperado. Ela não podia sequer imaginar o que estava acontecendo entre ele e Jungkook. Com a boca grande que Chaeyoung tinha, ela iria contar uma história ridícula e inventada para os pais de Jimin, e o mesmo iria ficar o resto da vida de castigo, só por apenas ter dito mais de duas palavras para um estranho.


- Você... - Jungkook iria responder e argumentar, mas antes que pudesse o fazer, Jimin o cortou;


- É que eu tinha perguntado se ele conhecia alguma festa aqui por perto! Estou precisando sair, sabe. - com uma desculpa esfarrapada, Jimin respondeu, espalhafatoso e ofegante, temendo que a prima não acreditasse na resposta.


- Ah, claro. Você, Park Jimin, querendo sair? - não acreditando naquela balela, Chaeyoung riu sem humor, encarando Jimin com as sobrancelhas arqueadas.


- Sim! É que... Bem, eu... O Jungkook só me chamou por educação mesmo, por que eu tinha perguntado para ele antes e tudo... mais. Não é, Jungkook? - Jimin respondeu, nervoso. Ele era o pior em mentir e dar desculpas. 


Jungkook o observou por um momento, confuso. 


Até que concordou com a cabeça, pegando a isca e entrando na onda;


- É sim. Foi exatamente o que aconteceu. - Jungkook afirmou, molhando os lábios, encarando a face desesperada de Jimin, o vendo relaxar por um instante. Logo depois deu seu melhor sorriso falso, se virando para Chaeyoung, que ainda estava desconfiada.


Park Jimin iria ter um ataque. Era oficial.


O coração dele batia muito rápido, e sua cabeça girava como se estivesse em um brinquedo radical. Jungkook o estava fazendo sentir sensações que até então eram desconhecidas, somente com palavras e com o olhar. 


Com um simples olhar. 


Jimin sentia coisas no estômago, queria vomitar, mas não se sentia enjoado. E não se sentia mal. Seria aquilo as famosas borboletas no estômago? Só lia sobre aquilo em livros... Não imaginava que a sensação fosse tão esquisita e... boa. Tudo ao mesmo tempo, como um risco borrado e sem direção.


- E... - Chaeyoung encarou os dois ao mesmo tempo, suavizando a expressão. - Tá. Vou fingir que acredito nessa história. 


Ufa.


Jimin quase se ajoelhou e agradeceu aos céus, alívio não chegava nem perto do que o loiro sentia por Chaeyoung ter caído. Ou pelo menos pareceu cair.


- Aliás, eu tive uma ideia ótima. - Chaeyoung proferiu, misteriosa, dando um sorriso convencido para Jungkook. - Que tal irmos juntos nessa tal festa, Jimin?


Ah, não.


- Oi? - Jimin perguntou, rindo de nervoso. 


- É isso mesmo que você escutou. Eu vou com você. Ou melhor, você vai comigo, né. - Chaeyoung riu, vendo Jimin engolir seco e dar um tapa na testa, como se não esperasse por aquela. - Ih, relaxa aí, garoto. Vai ser legal. Pelo menos você vai sair daquele inferninho que chama de casa. Sua primeira festa de verdade, Jiminzinho! Olha só que coisa legal!


Claro, seria ótimo. 


Uma passagem só de ida para o inferno.


- Primeira festa? - Jungkook perguntou, com um vinco entre as sobrancelhas, alternando o olhar entre Chaeyoung e Jimin.


- Sim, oras. - a garota respondeu, como se fosse óbvio. Até que olhou para Jimin, que roía as unhas, olhando para as pernas com o rosto em vermelho vivo. - Espera aí. Você acha que o Jimin é esse tipo de pessoa que vai em festas como um jovem normal?


Jungkook deu de ombros e concordou, simples.


- Mas é claro.  - Jungkook respondeu, não entendendo o que estava implícito na fala de Chaeyoung.


- Puta merda. - a prima riu alto, tampando a boca com as mãos que tinham as unhas pintadas de preto. Jimin estava em alerta, não conseguindo olhar para Jungkook. - Jungkook, querido, deixa eu te explicar uma coisa; Jimin nem chegou a sair de casa sozinho ainda. Ele é a pessoa mais anti social e estranha que eu conheço. Vive na sombra dos pais. Acho que ele nunca sequer beij...


- Cala a boca! - Jimin explodiu, fazendo um punho nas mãos, gritando com a prima, esta que se assustou com o atitude repentina de Park. Jimin não iria aguentar aquela humilhação calado, ainda mais perto de alguém que mal conhecia. O loiro não queria parecer uma criança da frente de Jungkook, muito menos ser feito de chacota. Era demais. - Por que você tem que ser sempre tão idiota, Chaeyoung? Ninguém te chamou aqui! Vai embora! 


Jimin estava com uma feição brava e vermelha, de pura irritação, algo que Chaeyoung nunca tinha visto até então. Jungkook apenas o fitou, vendo que o lábio inferior de Jimin tremia, e que o rosto dele estava mais vermelho do que quando ele ficava com vergonha. Mas de uma forma diferente, quase sensual.


Jungkook sorriu. 


- Não grita comigo! Seu... Seu... - a garota estava com muita raiva, e quando se virou e viu que Jungkook olhava Jimin com interesse, apenas se intoxicou mais com aquele sentimento. Algo estranho tinha crescido dentro de si mesma quando viu aquele olhar por parte de Jungkook, direcionando a alguém tão sem sal e estranho como o seu primo, Jimin. O mundo só podia estar acabando! Chaeyoung apenas respirou fundo e usou do seu pior veneno. - Se você não for a essa festa comigo, eu juro que vou contar tudo para o seu pai.


Não.


Mil vezes não.


Jimin pensou, desesperado. 


E isso que acontece toda vez que eu abro a boca. 


- Chaeyoung, você não pode fazer isso comigo, por favor!


- Sim, Jimin, eu posso. E eu vou fazer, se você não seguir direitinho tudo o que eu mandar, você vai se ver com o seu pai. E você sabe como ele é. Não vai sair barato para você. Quem mandou gritar comigo e bancar o respondão? Esqueceu que eu sou mais velha que você? 


Por um momento, Jungkook que observava aquilo tudo incrédulo, sentiu pena de Jimin.


Eles mal se conheciam, mas Jeon conseguiu perceber o quanto Park se deixava levar, o quanto ele era bobo por deixar as pessoas gritarem com ele daquele jeito. Ele era muito jovem e parecia ser extremamente bem mandando. A prima claramente se aproveita disso, e Jungkook só conseguia sentir nojo da mesma por tal. Mas a contradição era; Quem era ele, para julgar Chaeyoung? Há momentos atrás não era Jungkook que planejava seduzir o garoto que ele achava tão injustiçado?


- Meu aviso está dado. Eu te aguardo na mesa da nossa família. - Chaeyoung soou fria e seca, saindo de cena. 


Jimin estava impotente.


Não tinha o que fazer, qualquer protesto por parte de si seria motivo para Chaeyoung contar tudo para o seu pai. E Jimin sabia muito bem que ela contava. Ele não queria ficar de castigo, muito menos queria que algo pior o acontecesse... Estava tudo tão bem, tão maravilhoso. Ele tinha conhecido aquele homem lindo, confiante, sensual, intenso... Ele tinha até o chamado para sair! Algo que Jimin jamais imaginaria. 


Alguém como Jungkook saindo com ele? Era impossível, não acontecia no mundo real. E o loirinho triste apenas suspirou, cabisbaixo, prometendo a si mesma guardar pelo resto da vida aquele momento que tinha passado com Jungkook, algo que raramente acontecia em sua vida. Iria revirar em seu cérebro antes de dormir todas aquelas memórias; os olhares, as palavras, o rosto de Jungkook... Nunca iria esquecer. 


- Foi um prazer conhecê-lo, Jungkook. Adeus. - Jimin se despediu e levantou o punho, o deixando parado no ar, na espera de um aperto de mão. 


O que não aconteceu. 


- Vai mesmo deixar aquela garota te manipular? - perguntou o moreno, trincando o maxilar. 


Jimin ficou de lábios entreabertos, sem saber o que dizer exatamente. 


- Eu pensei que você fosse mais inteligente, Jimin. 


Jungkook o olhou intensamente, como se pudesse ler a alma de Jimin. Era algo mais intimidador, como se Jeon o desafiasse.


Ouch.


- Não estou... - engoliu seco - te entendendo. - o garoto baixo e irritado respondeu, com um vinco nas sobrancelhas.


- Não entendeu? Serei mais claro; - percebendo que o garoto tinha ficado um pouco magoado, o moreno se aproximou dele, pensando nas palavras certas para amenizar o que disse, apoiando os cotovelos no balcão e apoiando o queixo nas mãos, fazendo Park arregalar o olhos e engolir seco. - Você é um desastre esperando para acontecer, bebê tigre


- Não sou não!


O moreno cerrou os olhos, encarando Jimin tortuosamente, de cima abaixo, parando por tempo demais no pescoço branquinho e cheio de pintinhas do mesmo, quase se perdendo ali. Mas Jeon se recompôs, voltando ao foco inicial da conversa.


- Sim, você é. - Jungkook retrucou, sorrindo de lado, em uma voz séria e debochada.


Jimin estava muito indignado com todas aquelas comparações. Aquilo era ridículo! Ele tinha tomado outro rumo com a conversa, usando aqueles termos ridículos. Os pensamentos de Park eram um grande circo cheio de novas atrações descontroladas e desorganizadas.


- Você... Você... - o loirinho tentava encontrar uma palavra certa para ofender Jeon, o que era quase impossível. Jungkook apenas o observava, com a sobrancelha arqueada, adorando o efeito que havia causado no garoto - Você é um bestalhão! 


- Pegou pesado. Are baba! - o moreno pôs a mão no peito, falsamente, verbalizando uma língua estrangeira, como se estivesse ofendido. E em seguida, caiu numa gargalhada alta e gostosa, fazendo Jimin se arrepiar.


Tudo bem, Jimin era péssimo em ofensas. 


Ele não sabia como xingar. Sua lista de palavrões inclui expressões como ''merda'', ''catapimbas'' e ''carambolas''. Elas não eram as mais sujas do mundo, muito menos machucariam alguém moralmente. Jimin parecia uma criança de doze anos aprendendo a xingar. Era esquisito, mas meigo. 


Jungkook, que o observava até então, parou para refletir.


Naquela altura do campeonato, Jungkook queria muito mais do que meros amassos com Jimin. A diferença de idade deles era grande e Jungkook não era do tipo que não se importava com idade. Para ele era somente uma noite e nada mais. Na real, Jeon era um homem muito sexual, ardente. Seu desejo por Park estava quase pedindo para berrar. Park 


Jimin era o fetiche dos sonhos, e ali, com aquelas faces coradas, o corpo encolhido exalando receptividade, os lábios cheios e o pescoço longo e branco a mostra, era uma tentação. Uma tentação que Jungkook estava custando a resistir. Mas ele tinha que resistir.


Jungkook era um homem, oras. Tinha seus desejos. Só conseguia ver a pessoas que ficava de forma sexual e nada mais. Jimin era apenas um garoto. Um garoto que não fazia ideia do quão delicioso era aos olhos de homens sexualmente ativos como Jungkook. Ele enxergava Jimin como uma aventura sexual em potencial. 


Mas algo não estava certo.


- Voltando ao nosso assunto anterior... Você necessita tacar um belo dane-se para o que aquela garota disse. Ela é louca. - disse o moreno, tentando se controlar, sério e sutilmente incomodado. - E se ela fizer alguma merda, defenda-se. Use sua voz. Se imponha, gracinha.


O citado arregalou os olhos, afetado pela sinceridade de Jungkook. Ele não estava sendo intrometido, apenas tentava ajudar Jimin. Mas este, sabia que as coisas não funcionavam assim. Mesmo que nunca tivesse usado a própria voz.


- Jungkook, eu fico grato pela sua preocupação. De verdade. - Jimin engoliu um bolo enorme de saliva, tossindo em seguida, de nervoso - Mas as coisas não funcionam desse jeito para mim. Se eu sequer levantasse a voz para alguém da minha família... Bom, você viu o que aconteceu quando eu levantei. 


- A questão aqui não é essa. - o moreno analisava Jimin criteriosamente, como se o estudasse. - Um pouco de rebeldia às vezes é necessário. 


- Como assim? 


- Rebeldia, baby. - respondeu o moreno, contendo uma risadinha diante da ingenuidade de Park, passando a língua nos dentes brancos e lustrosos, como quem sabia do que estava falando - Talvez você seja certinho demais para entender, mas às vezes precisamos burlar as regras para conseguirmos o que queremos.


De fato, Jimin realmente não entendia aquele novo conceito. Fazer tudo dentro do que era mandando não era mais seguro e moral? Ele tinha sido ensinado que jamais deveria se desrespeitar um padrão ou uma regra. Era perigoso e irresponsável. O loiro, sempre que necessitava de algo, pedia para os pais. E quando eles recusaram, ele se calava, se conformando. Isso acontecia em todas as áreas da vida de Jimin, ele sempre se calava. 


- A rebeldia é uma virtude natural do ser humano. Em alguns ela se aflora naturalmente, em outras, apenas permanece adormecida, necessitando de algo para a acordar. 


Ele soava um tanto sério, confiante e desafiador, o fazendo ficar ainda mais de tirar o fôlego. 


- Não acredito que eu tenha alguma... Virtude. Não sei o que isso realmente significa. - o loiro mordeu o lábio inferior, fazendo um gesto fofo com o nariz. 


- Está tudo bem, lindo. Todos nós temos virtudes, apenas nos resta autoconhecimento para identificá las. E acredite em mim, você é virtuoso. Todos nós somos, mas... Está quase escrito na sua testa que você já atingiu o limite de virtudes. - quando Jimin levantou o olhar, Jungkook o encarou de volta e sorriu, gentil - Me diga, o que mais gosta em si mesmo? 


Jimin virou a cabeça uma pouco de lado, piscando rápido. E antes que pudesse responder, alguém pigarreou atrás de si;


- Park Jimin! - a voz firme e rude soou de longe, como um alerta. 


Merda.


Pai.


- Pode me dizer o que está havendo aqui? - ao se virar, Jimin deu de cara com a feição nada boa do Sr. Park, bravo como um leão, pronto a proteger seu filhote. 


- Papai... 


- Este homem estava o assediando? - o pai insinuou, apontando com o queixo para Jungkook, que estava sem entender. 


Jimin quis enfiar a própria cabeça em um buraco naquele momento. Chaeyoung e agora ele. Estava tudo bom demais para ser verdade, estava até demorando para seu pai chegar e arruinar tudo. 


- Falando comigo, parceiro? - Jungkook soou um tanto rude, encarando aquele homem de cabelos negros com um vinco formado nas sobrancelhas, com o queixo tensionado.


Aquilo era quase cômico, para Jeon. Chegava ao ridículo. Até parece que Jungkook iria se cagar de medo com aquela cara rabugenta. Nem o capeta assustava Jungkook, quem diria um velho inútil.


- Sim, com você mesmo! E não se refira a mim como "parceiro", seu favelado! - o Jeon soltou um riso sem humor, olhando para as unhas, tentando se controlar para não quebrar a cara daquele filho da puta ali mesmo. - Por que você estava conversando com o meu filho? Acha tem esse direito? - o Sr. Park puxou Jimin com força para trás de si, olhando Jungkook de uma maneira desconfiada.


Jungkook riu, cutucando a língua na bochecha, pela parte interior da boca. 


Ele começou a contar mentalmente, para o seu lado violento não vir a tona.


- Escuta aqui, cara. Escuta bem. - após colocar o copo em que limpava no devido lugar, Jungkook se recompôs e apontou o dedo para a face do pai de Park, irado - Eu não sou a merda do seu empregado e muito menos seu amiguinho para você achar que pode me tratar desse jeito. - Jungkook argumentou, contendo seu lado feroz. - Eu e o Jimin estávamos apenas conversando, como dois seres humanos normais. Você achou ruim? Beleza. Mas, se você usar o meu nome de novo para me ofender, eu juro que vou fazer questão de sair daqui de trás e quebrar a porra da sua cara. 


Jimin arregalou os olhos, de lábios entreabertos, com a respiração descompassada.


Pelo que Jimin se lembrava, ninguém nunca havia respondido seu pai daquela maneira.


Nunca


- Seu... Seu insolente! - o pai ficou afetado pela ameaça, mas não menos cheio de ódio, fazendo Jungkook revirar os olhos - Você sabe quem eu sou?


- Eu quem deveria perguntar. Você sabe quem eu sou? - o moreno respondeu com astúcia, de queixo empinado, franzindo as sobrancelhas ao olhar para Jimin, que o encarava sem reação. Mas se recompondo, Jungkook deu um sorriso sádico, como se estivesse adorando argumentar contra aquele saco de lixo ambulante. 


- Garoto, você não sabe com quem estava falando e muito menos o que está dizendo! Vamos, Jimin, diga a ele quem eu sou!


Jimin congelou. Sua garganta começou a arder como fogo. Aquele momento estava sendo horrível. Porque aquele tipo de coisa sempre acontecia consigo? Jungkook somente o olhava com um vinco entre as sobrancelhas, esperando uma reação a tudo aquilo por parte de Jimin. E então, Jeon se manisfestou; 


- Deixe-o fora disso!


- O que disse? - o pai de Jimin soou incrédulo, como se não acreditasse no que estava ouvindo. 


- Eu disse para você deixar o seu filho fora disso, velhote. Ele não é um otário como você e não merece todo esse vexame. - Jeon encarou Jimin, que não o olhava, e estava com as faces em chamas. 


Ele provavelmente estava assustado, e aquilo fez Jungkook se sentir péssimo. Jeon não gostava de ver ninguém assustado. Ele mesmo sabia o quanto aquele sentimento era ruim.


- Quem você pensa que é para me mandar o que fazer? Eu juro que...


- Papai, por favor, já chega! Ele não fez nada demais, não me feriu de nenhuma forma. Ele foi gentil, me tratou bem. - o loiro choramingava, desesperado. Jimin, que se abraçou, não conseguia encarar Jungkook. Estava com a face muito vermelha e a vergonha que o consumia quase o engolia de vez. - Vamos embora, por favor. Eu não estou me sentindo bem. 


O Senhor Park encarou o filho por segundos que mais pareciam horas, arquitetando algo em sua cabeça problemática e doentia. Ele estava sendo abusivo, sabia disso. Talvez tivesse passado dos limites e se alterado demais. O que também sabia. Então, não abaixando a guarda, deu um último aviso para Jungkook;


- Se eu ver você perto do meu filho, seja há metros de distância dele, eu juro pelos céus, que você nunca mais vai ver a luz do dia. E isso não é uma ameaça, é só um aviso, porque o que eu falo, eu cumpro.


Jeon apenas riu em deboche, concordando falsamente. Só que Jimin não tinha percebido a versatilidade de sua reação.


- Cara, se eu fosse você, tomaria muito cuidado com as palavras. Acha mesmo que eu tenho medo de um burguesinho de merda como você? - o barman perguntou, no mesmo tom ameaçador que o homem a frente, na verdade, até mais que ele. Ninguém intimidava Jeon Jungkook, ninguém. - E pode ter certeza, eu não irei ficar perto do seu filho. Isso eu te garanto. 


As orelhas de Jimin se eriçaram ao ouvir a última frase. E como num baque, a realidade veio. E doeu, como doeu. Um sentimento estranho tomou conta de seu corpo pequeno, decepção e tristeza juntas, num grande bolo cinza e sem vida. As expectativas de Jimin tinham ido por água abaixo, e ele estava arrasado. Jungkook tinha dito que não iria ficar perto dele, e Jimin só queria berrar e perguntar o porquê, mas não conseguiu.


- Ótimo. Que assim seja. - o homem encarou Jungkook, com uma expressão de nojo, e então se virou para o filho, ajeitando o próprio terno e o chamando com a cabeça. - Vamos, Jimin. Não dirija uma sequer palavra a esse empregado. Irei te esperar no carro. 


Jimin concordou com a cabeça abaixada. Ao o Sr. Park sair, um clima estranho pairou entre Jimin e Jungkook, que há poucos minutos atrás estavam tão entretidos um com o outro. Nenhuma palavra foi dita naquele momento, muito menos uma simples troca de olhares. O coração de Jimin ansiava por algo, não sabia ao certo o que, mas ansiava. Todo aquele silêncio estava o incomodando. Por que Jungkook não dizia nada? Por que ele estava tão calado? Jimin queria saber, mas sequer tinha coragem de levantar o rosto e encará-lo e tirar conclusões mais plausíveis. 


Então, quando o loiro fez menção de sair, se levantando do banquinho giratório, totalmente desolado, algo aconteceu.


Um toque aconteceu.


Jungkook tomou iniciativa, como de seu feitio, dando um puxão duro, mas não menos sensual no pulso de Jimin, fazendo com que o corpo do mesmo batesse levemente de costas com o balcão, de costas para Jungkook, onde ficava clara a diferença de altura entre os dois, de dezessete centímetros. Com isso, a adrenalina percorria o corpo de Jimin como brasa quente, e aquela mão áspera e quente de Jungkook, apertando a sua, só contribuiu para que seu coração se acelerasse ainda mais. A tensão daquele momento fez com que Jimin corasse muito, muito forte. Seu estômago afundava como um navio em alto mar.


- Eu sei o que você está pensando. Só que, babe, não é o que parece. - o homem sussurrou no ouvido do loiro, o hálito quente roçando cartilagem do mesmo. O mais baixo podia sentir a voz grave vibrar em todo o seu corpo e o ar daquela boca calorosa arrepiar todos os pelos de sua nuca.


- Eu...


- Shhh, apenas me ouça. Quietinho. - o garoto respirou fundo, acompanhando a voz surrada e grossa de Jungkook em seu ouvido. - A festa começa meia noite, em ponto. É em um lugar bem longe e cheio de gangues, num prédio abandonado, então eu posso te levar e trazer de volta para casa, sem problema algum. É mais seguro. - o coração de Park estava batendo muito forte, e ele olhava para baixo tentando esconder sua expressão, que entregaria a qualquer um que estava quase desmaiando, por causa da adrelina que percorria suas veias como um carro velocista. - Eu sei que pode parecer algo arriscado para você. Mas pense comigo; a vida é feita de riscos. Essa é a sua primeira festa, então pode ter certeza eu vou estar ao seu lado o tempo todo, não vou deixar nada acontecer com você. Eu prometo. 


Jimin se sentia em um daqueles filmes de romance, onde o marginal seduz a garota inocente para o mal caminho. Ele já tinha visto histórias como aquelas várias vezes, e sempre terminava dando tudo errado. A garota inocente acabava grávida e de coração partido e o marginal fugia da cidade, com medo de compromisso. Um baita clichê. Será que seria daquela forma com Park? Ou seria melhor e menos trágico? Bom, só vivendo para saber.


Só escolhendo da maneira certa. 


- Você não precisa responder agora. Me dê uma resposta até às dez e meia. Aqui está o meu número. - o moreno colocou um papelzinho dobrado na mão de Jimin, que estava em forma de quadrado, virando Park de frente para si mesma hora, pela cintura, que estava com a face surpresa e confusa.


Era como se Jimin estivesse recebendo um convite para tudo que sempre havia abominado, pelo mal caminho em pessoa, de carne e osso. E digamos, que puta mal caminho. Era impossível recusar.


- Eu... Eu não sei, Jungkook. - o garoto engoliu seco, fazendo um bico e olhando para baixo. 


- Apenas faça o que eu te disse. - o moreno aconselhou, calmo e gentil, dando uma olhada do salão, vendo que algumas pessoas os encaravam. - Pense bem. - Jungkook puxou a mãozinha pequena e delicada em direção aos lábios, deixando um beijo pequeno nas costas dela, enquanto olhava profundamente nos olhos brilhantes e castanhos de Jimin. Um beijo que soava mais como uma promessa do que um Adeus. E Park se sentia nas nuvens, envolvido em toda aquela sedução efetiva de Jungkook. 


Jimin concordou com a cabeça, sem saber ao certo o que falar. Ele estava ofegante, com os olhos arregalados e os lábios entreabertos. Jungkook adorou aquela expressão genuína e cheia de energia, o pescoço vermelho cheio de pequenas veias pulsantes, os lábios carnudos molhados e entreabertos... Aquilo era a personificação de erótico para Jungkook. Jimin estava tão confuso. E então, ele se afastou de vez e fez um reverência nervosa para Jeon, que estava totalmente ao contrário de si; relaxado e confiante.


Saindo do local, Jimin deu um breve olhar de despedida para o moreno, na esperança que o mesmo retribuísse, mas ele estava ocupado demais dando uma piscada furtiva para a garçonete morena que entrava no bar. Jimin engoliu seco, não observando mais aquela cena, seguindo ao corredor.


Já no salão, Jungkook estava apoiado nos cotovelos. O mesmo estava pensativo, sorrindo. Ele almejava beijar todo aquele pescoço lindo, cheio de pintinhas. Céus, as calças do moreno se apertavam só de imaginar. Jimin realmente era o combo de tudo que ele adoraria ter entre quatro paredes. Com aquele cabelo loiro... Jungkook tinha um fraco por loiros. 


Nesse sentindo, a questão era só esperar para ver a reposta de Park, e Jungkook almejava muito, muito que ela fosse sim. Se aproveitaria ao máximo daquele garoto. 


E Park estava tão, tão confuso. Nunca tinha sentido aquilo em toda a sua vida. Era uma mistura de medo com coragem, adrenalina e impulso, vontade de vomitar e desmaiar... Parecia que ele tinha sido convidado para o assassinato do presidente, quando na verdade era só um encontro. O seu primeiro encontro. Bem, não sabia ao certo se podia chamar aquilo de encontro. Na verdade, Jimin não fazia ideia de como chamar. 


A medida que saia do prédio da festa, indo de encontro ao carro do pai parado no estacionamento, Jimin pensava; será que devo aceitar o convite de Jungkook? Cara, eu mal saio pra comprar pão. Sem contar que eu não sou uma pessoa muito sociável. Eram tantas as dúvidas, tantos os medos. A zona de conforto em que Jimin vivia era enorme, e ir em uma festa com um completo desconhecido, na parte mais perigosa da cidade, era o que ele mais precisava no momento, para começar a destruí-la. Mas algo o segurava, o medo dele, mais precisamente. O medo do novo, de se arriscar, de viver. Jimin tinha medo de viver. Ele sonhava desde o início da adolescência com uma oportunidade daquelas. Park achava que aquilo era só coisa de filme, até acontecer consigo. 


Ao entrar no elevador que levava para o estacionamento, Jimin ainda estava confuso, sem saber muito bem a que conclusão chegar. O mesmo deu de cara com a prima, que estava retocando o batom vermelho no espelho.


- Já está indo embora? - a garota perguntou, enquanto limpava com o dedo mindinho o canto dos lábios, que estava borrado de batom.


Jimin somente selecionou o último andar da parte inferior no painel de controle, suspirando em seguida. 


- Sim. - respondeu, simples. 


- Ah... - a prima guardou o batom no bolso, olhando para si própria no espelho e dando uma arrumadinha no cabelo, virando para frente, ficando ao lado de Jimin, com uma expressão arrogante. - Se você fosse ficar mais um pouquinho, eu poderia convencer meus amigos a te levarem na festa que o Jungkook falou. Que pena, né? Fica para a próxima.


O peito de Park se apertou, e ele tossiu, engolindo seco. 


- Você... vai? 


- Mas é claro! Você acha que eu iria perder uma oportunidade dessas? - Chaeyoung encarou Jimin de cima abaixo, em ouro deboche. Jimin somente apertou os olhos, incomodado. - Essa vai ser a festa do ano. E essa é a minha oportunidade para conseguir fisgar o Jungkook de vez. - sorriu enquanto enrolava um fio com os dedos, fazendo Jimin revirar os olhos - E você priminho, vai? 


- Eu não sei. - respondeu, suspirando. 


- Que coisa. - a garota fez uma falsa expressão de tristeza, dando um sorriso logo em seguida, usando seu pior veneno. - Imagina se o seu pai descobre, hm? Seria trágico. O garotinho do papai num lugar normal e cheio de gente que sabe o que é viver de verdade? Realmente, seria péssimo para você. 


Jimin não a encarou de volta, ele estava muito irritado, e não estava gostando das insinuações e do sarcasmo de Chaeyoung, então somente a ignorou. Nisso, um "pi" se fez no ambiente, dando a entender que o elevador tinha parado em um andar. 


- Bom, aqui é o meu andar, vou encontrar o pessoal. - ela disse, se afastando de Jimin, esperando as portas se abrirem. - Às vezes você tem que ficar nesse vibe mesmo. O Jungkook não tem nada haver com você, e muito menos o mundo em que nós vivemos. - ela disse, fazendo com que Jimin apertasse os punhos em irritação. Ela tinha conseguido mexer com a cabeça de Jimin, fazendo o se sentir inferior. - Ah, boa sorte com seus joguinhos de computador. E lá que você deve ficar. Até mais, Jiminzinho. 


A garota entrou pelas portas do elevador no andar que era o seu destino, deixando um Jimin humilhado e irritado para trás. Desolado, Jimin abriu o pequeno papel branco que tinha em mãos, vendo a caligrafia bruta em tinta preta dizer;


Me ligue quando se decidir, lindo.

Jeon Jungkook 

0381526484


Tudo tinha ficado mais claro. O garoto apertou o papel na mão direita, amassando-o. Ele estava ofegante, com o coraçãozinho disparado e as mãos suando. Algo diferente tinha acontecido, uma pequena faísca tinha acendido; 


Jimin havia tomado uma decisão.


Notas Finais


:0

twitter: JEONTUB


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