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História Wonderwall | Jikook - Capítulo 4


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Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 4 - Tudo tem consequências.


Fanfic / Fanfiction Wonderwall | Jikook - Capítulo 4 - Tudo tem consequências.

Jimin podia estar cometendo o maior erro de toda a vida dele? De fato, sim. Fazer besteira todo mundo faz. Isso é certo. E Park quis pelo menos uma vez saber o que era a sensação de, literalmente, fazer besteira. 


Chutar o balde, jogar a merda no ventilador, agir por impulso, etc. Por isso ele estava dentro de um carro, de carona, com a prima que mais odiava e as amigas escandalosas dela, ao som de My Humps, do Black Eyed Peas.


— Essa música nunca fica ruim! — disse a de cabelo roxo.


— É como se a gente estivesse no ensino médio. — Chaeyoung deu um sorrisinho. 


A ruiva completou:


— Nós éramos tipo as meninas malvadas, igual aquele filme com a Lindsay Lohan!


E todas caíam aos risos, que eram insuportáveis para a audição de Jimin. Ele estava no meio daquelas garotas afobadas, enquanto cantavam uma música pop de mil anos atrás. Detalhe; aos berros. Não tinha nada mais patético do que um bando de patricinhas ouvindo música popular norte americana. Jimin bufou, murchando os lábios.


— Ei, priminho.  Dando uns passeios na lua de novo? — a garota chamou, rindo quando Jimin focou a atenção em si, com a maior cara de lerdo. 


A ruiva cobriu os lábios com a mão, rindo em deboche.


— Você tem sorte de ser o primo dela. 


Chaeyoung concordou, esnobe.


— Tem mesmo.


— Vocês definitivamente não se parecem. E quase assustador que pertençam a mesma família.


Chaeyoung concordou de forma ímpia. 


— É isso o que eu sempre digo! — a de cabelo roxo deu um toque com as mãos em ambas a garotas, como o grupinho arrogante que eram.


Jimin engoliu seco, se afundando no estofado do assento, quase fundindo suas moléculas de massa corporal com o mesmo.


— Mas, mudando de assunto, — Chaeyoung se virou totalmente para Jimin, enquanto as outras duas mexiam nos celulares — Eu realmente fiquei surpresa quando você veio pedir a minha ajuda. Sério. Ainda mais para ir em uma festa. Comigo. O que foi que deu em você? Crise da meia idade?


Jimin se remexeu, desconfortável.


— Eu tenho dezoito anos. 


— O que não condiz com a maneira que você se comporta. Parece um idoso solitário. 


Park revirou os olhos pela milésima vez naquela noite. Não iria nem perder tempo rebatendo aquela onda de ofensas. Já estava acostumado. E ele tinha que arcar com as próprias ações, oras. Não foi Jimin que escolheu pedir ajuda para a prima, mesmo sabendo o tipo de pessoa que ela era? Todos nós cometemos erros. Mas devemos arcar com as consequências deles. Aquela seria a lição de moral da noite, Park já estava pressentindo.


— Você fala cada coisa, Chae. — a ruiva riu, bobona.


Chaeyoung apenas deu de ombros.


— Galera! Olha só o que o Jay postou!


De imediato todas a garotas pularam por cima de Jimin, praticamente enfiando a cara dentro do celular.


— Ele é muito gostoso. Meu Deus. — a de cabelo roxo argumentou, mordendo os lábios.


— Muito. — disse a ruiva.


— Muito mesmo. — repetiu a líder do trio, Chaeyoung, ao que seus olhos brilhavam.


Jimin ficou confuso. Ele já havia escutado aquele nome antes. Só não conseguia se lembrar, mas o som do nome era muito familiar. Muito mesmo. Por isso, o dourado começou a buscar memórias que o arremetessem aquelas palavras, até que uma fez sentido;


" Son Chaeyoung, que imenso desprazer em revê-la. Jungkook disse, debochado, mas com uma expressão muito séria. Ele parecia ter mudado da água para o vinho, em questão de minutos.


Eu digo o mesmo, Jay.''


O estômago do garoto congelou. Jay era o apelido de Jungkook. O codinome que tanto intrigou Jimin quando eles se conheceram. Agora tudo fazia sentido. Mas Park tinha que confirmar. Podia ser um outro cara com o mesmo apelido. Era muita coincidência. 


— Ei, meninas, posso dar uma olhada? — pediu, com a voz um pouco trêmula. 


As três levantaram a cabeça e se entreolharam. Parecia que não haviam o ouvido direito. 


— O que você disse? 


— Eu posso ver a foto desse... Jay? — pediu Jimin, com um sorrisinho nervoso. 


A loira fez um vinco nas sobrancelhas e um silêncio constrangedor se estabeleceu no carro. Até o motorista havia olhado pelo retrovisor. 


Park franziu o cenho. 


— O que foi? 


Chaeyoung ficou o encarando de maneira estranha. Nisso, a de cabelos roxos entregou o celular para Jimin, e na mesma hora, quando bateu os olhos na tela, o coração do mesmo quase parou.




Era ele.


Jimin começou a respirar com dificuldade, suas mãos suavam muito e seu estômago com um fio rançoso de adrenalina. Uma sensação muito esquisita. 


Havia se esquecido por alguns momentos da razão por qual estava indo aquela festa. E ele apareceu justamente na foto. Como um lembrete. Um lembrete muito bem vestido, por sinal.


— Você é gay? — todas perguntaram, em uníssono. 


Como uma descida na montanha russa Jimin voltou a atenção para terra. 


— Do que vocês estão falando? — devolveu o celular, rindo amarelo enquanto as garotas ainda o encaravam. 


— Você gosta de garotos? 


— Sentar na salsicha? 


— Lamber um picolé? — a ruiva perguntou, com a cabeça de lado. 


Jimin gargalhou alto, muito constrangido. 


— É claro que não! Eu sou hétero. — engasgou com a própria saliva, se recuperando segundos depois e dando um sorriso simples, mas forçado. Ele realmente acreditava no que estava dizendo, não fingia — Muito hétero, na verdade. Peitos, vaginas, menstruação... Essas coisas todas. 


Chaeyoung riu baixo e a amiga se pronunciou;


— Olha, está tudo bem. Eu não sou homofóbica. É o meu sonho de criança ter um amigo gay! 


Jimin gesticulou de maneira negativa.


— Eu não sou gay. 


— Então porque você estava olhando pra foto do Jungkook como se estivesse pronto pra sentar nele? — Chaeyoung perguntou, assertiva. 


A boca de Park secou e ele abanou o ar com as mãos, nervoso. 


— Nada disso. Eu só... 


— Por acaso você está indo nessa festa por causa dele? — Chaeyoung era muito esperta. Foi   na mosca. 


Jimin negou imediatamente. Ela não podia descobrir o plano tão fácil assim. 


— Mas é claro que não! Eu jamais faria isso. Ele não me interessa. — encenou um falso nojo — Eu quero curtir. Mesmo. Ser um adolescente normal por pelo menos uma noite. Beber, dançar. Tudo isso. Já estou cansado da minha vida monótona e superficial, então nada melhor que...


— Tá, tá, chega! Eu já entendi! — Chaeyoung se convenceu, se jogando no estofado do banco, acompanhada pelas amigas, uma delas que aumentava o rádio, que agora tocava Rehab, Rihanna — Só não inventa de tomar um porre, porque eu não vou dar uma de babá do  bem e cuidar de você. Não se mete em encrenca e finge que não me conhece. 


Jimin concordou, com uma expressão contorcida. 


— Claro. 


Após as garotas prestarem atenção em outra coisa, Jimin tomou coragem e mandou uma mensagem de texto para Jungkook. Ele se perguntava porque não havia mandando antes. Distração poderia ser uma possível explicação. E o karaokê ambulante que as garotas faziam dentro do carro, com certeza contava bastante.


  Mensagem de: Park Jimin


Olá. 


Boa noite!


Eu pensei bem e a minha resposta é sim.


Aqui é o Jimin, se lembra?


Jimin sentiu um frio na barriga encarando o celular. Guardou-o no bolso, limpando as mãos suadas na calça.  Enquanto as meninas ao lado riam alto de alguma coisa, Jimin estava isolado em um canto, ao lado da janela. 


Suas expectativas eram gigantes. E ele esperava que tudo desse certo. Afinal, aquela seria a primeira noitada em seus dezoito anos. O primeiro encontro, também. Se pudesse chamar daquela maneira. Nessa situação, Jimin se sentia aflito. Muito aflito. 


Já Jungkook, estava em seu apartamento no subúrbio, totalmente contrariado após ler a mensagem que tinha recebido e ver quem era o autor dela.


— Eu devia começar a pensar mais nas minhas atitudes. — o moreno jogou o telefone de lado, jogando a cabeça para trás.


— Quê?


— Foi um erro ter concordado com essa aposta estúpida. 


— Que aposta, caralho?


— A porcaria aposta que vocês dois inventaram no trabalho hoje mais cedo! — o moreno irritado berrou, bufando logo em seguida, pegando o celular e mostrando a foto de Jimin. — Com esse garoto, do evento dos macarongos. Lembra? Acabei de receber uma mensagem de um dos filhos desses caras. Não achei que ele fosse me chamar. 


Yoongi ficou boquiaberto, vendo Namjoon engolir seco.


— Droga. — disse Min, soltando um barulho frustrado pela boca.


Jungkook bufou como um touro bravo, pela terceira vez.


— Pois é, que droga, não é? E adivinha de quem é a culpa? Adivinha de quem é a porra da culpa?


— Sua. A gente pode ter dado a idéia, mas quem topou foi você. Você podia muito bem ter negado! — Namjoon se defendeu e Jungkook fechou a cara, cerrando os punhos.


Jeon respirou fundo, contando até dez. Era muito estourado, ficava estressado por qualquer coisa.


— E outra, cara, a gente não achou que você fosse levar essa história a sério. A brincadeira era só naquele momento, uma aposta boba. — Min tentou explicar, observando Jungkook tentar controlar os nervos, sentando no sofá verde musgo.


Jungkook riu com desgosto.


— Não é só uma aposta boba. Eu literalmente tô fodido. — apontou para o próprio peitoral — Eu, não vocês.


Namjoon riu sem entender, perguntando;


— Fodido por causa do quê?


Jungkook comprimiu os lábios, trincando o maxilar. 


— Qual é o problema? — Yoongi perguntou, com as sobrancelhas arqueadas.


— O garoto é o problema. — Jeon confessou e expirou, negando com a cabeça. 


Yoongi e Namjoon se entreolharam, confusos.


— O que foi que você fez? — Yoongi perguntou, apreensivo.


— Eu não fiz nada e nem vou. Sabe quantos anos ele tem? Dezoito! É praticamente uma criança. Eu posso ser o que for, mas jamais um pedófilo. — Jungkook estava lutando por dentro.


— Então porque você chamou o moleque para ir numa festa de adultos, com drogas e putaria, lá no cu do Judas? — Yoongi falava como se fosse óbvio, entediado. — Pelo amor de Deus, Jungkook. Você não só se contradiz o tempo todo como também ficou lá, no maior papo com o garoto. E agora me vem com essa.


— Eu sei, cacete. — o moreno fez um sinal de rendição com as mãos — Eu agi por impulso, tá bom?


— Nada de novo. — Yoongi revirou os olhos, saindo do sofá que se encontrava no meio do apartamento que os três dividiam, indo em direção ao banheiro. — Não tenho tempo para os seus dramas. Eu vou me arrumar. Tchau.


E Yoongi saiu de cena, deixando Jungkook e Namjoon sozinhos na sala.


— O que você vai fazer mediante a isso tudo, cara? 


Jungkook apertou a carninha inferior da orelha com seu dedo indicador e polegar. 


— Vou mandar a real e ser sincero com o pirralho. É isso o que homens de verdade fazem.


— Certo. Mas não rolou pelo menos uma atração entre vocês? — perguntou Namjoon.


Jungkook fechou a cara, olhando para os discos espalhados na mesa de centro, sem emitir uma sequer emoção.


— Qual é, ele não era bonitinho? — Namjoon fez uma cara engraçada, cutucando Jungkook com o cotovelo, o incentivando a dizer a verdade.


— Como eu disse, é um pirralho.


— Não é para tanto. Você está exagerando. Se você está afim de alguém, a idade não importa. Dentro dos limites, é claro. E o garoto está fora dos limites, legalmente ele já é um adulto.


Jungkook suspirou, massageando as têmporas.


— Isso não vem ao caso, Namjoon. Eu vou colocar um fim nessa história hoje a noite. Preciso ser honesto. Não deveria tê-lo chamado para conversar, muito menos para sair. Vou explicar que foi tudo um erro. Melhor ter uma decepção agora do que um coração partido no futuro.


— Jungkook, vocês se conheceram ontem. Parece que trocaram votos e planejaram a lua de mel da maneira que você fala. — Namjoon revirou os olhos.


— Você se esqueceu do fato de que eu tenho muita experiência com pessoas, no geral? — Jungkook o encarou, com os olhos grandes esbugalhados e balançou a cabeça para os lados, bagunçando os cabelos — Só não quero ser um covarde com o Jimin, entende? Ele é só um menino. Provavelmente, cheio de fantasias. E além do mais, eu não curto essa onda do garoto certinho conhecer o badboy e virar aquela melosidade adolescente de livro romântico.


Namjoon riu.


— O nome dele é Jimin?


— Sim.


— Interessante. — o Kim disse, simples, acendendo um cigarro — Ele é daqueles playboyzinhos mimados?


A expressão de Jeon se suavizou.


— Até que não. No pouco que conversamos, ele foi normal. Um pouco tímido, também. — Jungkook quis sorrir, mas se conteve, com expressão mais individual. 


— Ah, é?


Jungkook apoiou os cotovelos nos joelhos, concordando com a cabela de maneira rápida, flexionando as coxas grossas e saradas por debaixo da calça apertada de couro.


— Eu achei a coisa mais fofa do mundo quando ele disse que a festa de hoje seria a primeira da vida dele. 


Namjoon quase se engasgou. 


— Você o achou fofo?


O moreno negou sisudamente, se ajeitando na poltrona de algodão.


— Não, Joon. Eu só achei fofo o fato dele nunca ter ido em uma festa. Nada demais. O garoto em si não tem nada de fofo. Ele é bem esquisito, na verdade. — Jungkook soltou as palavras com um tom frio, dando de ombros.


Kim o encarou, franzindo as sobrancelhas. Havia algo ali, algo muito diferente. Não chegava a ser paixão ou amor, obviamente. Jungkook nunca se apaixonava. Mas ao julgar pela quantidade de anos que Namjoon conhecia o moreno, ele conseguiu enxergar algo que Jungkook estava vendo. Algo invisível e muito sutil.


— Cara? Tudo bem? — Jungkook chamou, abanando as mãos em frente ao rosto hipnotizado do Kim. 


O citado saiu dos devaneios, não mencionando sua reflexão.


— Tudo. — Namjoon se virou completamente, revirando os olhos para a sobrancelha arqueada de Jungkook — Porque você não tira proveito dessa noite ao invés de acabar com tudo? Vocês são jovens, deixa o drama para quando chegar na casa dos trinta, que nem eu.


Jungkook fez cara feia.


— Você é muito insistente. 


— Cala a boca e me escuta. — Namjoon se ajeitou no sofá, pronto para dar seus sermões que sempre faziam toda a diferença. Ele era muito bom com conselhos. — Você ficou afim dele, não ficou?


O moreno fez uma expressão séria, passando a língua nos lábios.


— Sim. — deu de ombros, ficando numa pose mais largada, colocando as mãos na virilha por cima da calça — Ainda assim, não quer dizer nada. Eu fico afim de várias pessoas diferentes. Por dia.


— É óbvio que quer dizer algo. Você mesmo disse que fica afim de pessoas, e esse Jimin é uma delas. 


Jeon bufou e parou para pensar um pouco. Não iria mentir para si mesmo. Era um homem, oras. Com muitas necessidades. E amava beijar. O problema é que ele não só beijava as pessoas. Jungkook não ia com calma. Ele gostava de uma outra coisa, bem mais prazerosa, em sua concepção. 


Era por isso que tinha chamado Jimin, porque queria aquilo. Só aquilo e mais nada. Como fazia com todo mundo. Todavia, algo acabou o fazendo se arrepender e a voz da consciência falou mais alto, o fazendo mudar de ideia.


O moreno se levantou, pegando a chave da moto em cima da mesa de centro.


— Não vai rolar. Fim de papo. — toou sério e convicto, vendo Namjoon dar de ombros, tragando o cigarro de maneira mais forte.


— Jungkook, pense bem.


— Encontro com você mais tarde. — cortou a fala do mais velho, pegando a jaqueta jeans do cabideiro, destrancando a porta da entrada e saindo do apartamento, batendo a porta com uma certa quantidade de força, nada de muito espalhafatoso.


Namjoon fez uma cara de tédio, encarando a porta.


— Ah, me poupe. — Namjoon bufou — Vai ser cabeça dura assim na puta que pariu. — apagou o cigarro no cinzeiro em direção ao guarda roupas, resmungando.


Do lado de fora, Jungkook andava pelo estacionamento, a procura de sua moto. O tempo estava frio, a paleta de cores cinza, sem vida. Uma brisa leve balançou os cabelos do moreno, ao que ele se vestia com a jaqueta de paete vermelho. 


Os postes de luz começavam a se acender, visto que o céu estava começando a escurecer. Ao chegar de vez em sua moto, modelo Bonnelive Bobber, Jeon colocou a chave na ignição, e antes que a ligasse, um click se fez em sua mente. Não tinha respondido a mensagem de Jimin.  


Então, suspirou, enfiando a mão no bolso em busca do celular, pronto para mandar uma mensagem bem curta e grossa em resposta ao garoto. Felizmente, algo o impediu. Jungkook sem querer tinha clicado na foto de perfil do mesmo;




O moreno se desarmou na hora. 


Todo o plano de mandar uma mensagem rude e direta tinha ido por água abaixo. Aquela carinha conseguiu fazer a sua consciência gritar, outra vez. Mas ainda assim Jungkook o ignorou, guardando o telefone no bolso e ligando a moto de vez, montando na mesmo de maneira ágil, iniciando a partida. 


Se ele não parasse com aquela moleza, nunca iria conseguir ser direto com Jimin pessoalmente. Jungkook não era nem um pouco sentimental, só tinha sentido pena do garoto. Algo que qualquer um teria. Ele tinha que ser duro ou o contrário, seria iludir Jimin. Ele não ligava se agisse de maneira fria, só queria acabar com aquilo, aquele sentimento de culpa. E se havia uma coisa que Jungkook sabia ser bom, era cruel.


Ser muito cruel.




— Nós chegamos. — a ruiva avisou e Jimin que antes estava com as bochechas apoiadas nas mãos, entediado, sentiu um frio enorme alastrar por toda a barriga. 


Ao sair do carro, o vento frio passou cortando pelos cabelos dourados de Park, pinicando as bochechas e fazendo com que suas veias se contraíssem instantaneamente. Estava congelando. O céu já estava escuro e a região era praticamente abandonada. 


Não tinha nada além do carro, Jimin e as garotas. Eles agora estavam no juntos, na parte de concreto daquela extensão, esperando que Chaeyoung voltasse do carro com o casaco que a mesma havia esquecido. O loiro logo se arrependeu por não ter pego um quando teve a chance.


Naquele curto intervalo, Jimin pode ter um vislumbre do que estava por vir. Ao se virar para frente, sentindo um vento gelado do lado esquerdo penetrar-lhe todo corpo, ele pode estudar de vez aquele lugar estranho. Não parecia um salão de festas convencional, como os que estava acostumado. 


Era um prédio abandonado, enorme. O garoto não se lembrava daquele lugar, visto que as estruturas dele aparentavam ser bastante antigas, com tijolos desgastados e janelas quebradas. Parecia aqueles filmes de terror. Se não fosse por um som abafado de música vindo de dentro das estruturas daquele lugar, Jimin jamais iria achar que uma festa estaria acontecendo lá dentro. 


De repente, luzes. 


Luzes coloridas. 


Os olhos do garoto estavam esbugalhados, brilhando. Talvez Jimin estivesse errado e aquela noite poderia ser incrível. A melhor da vida dele. O loiro só conseguia se sentir fascinado pelas diversas luzes coloridas que escapuliam do meio do prédio, e de dentro dele, uma batida repetitiva ficou mais alta ficou antes, ainda abafada.


— Bem vindo ao mundo dos humanos. — Chaeyoung encarou o primo, ele que se assustou, dando um pulinho de leve pela aparição repentina da mesma, o tirando bruscamente dos pensamentos. 


— Essa noite vai ser épica! 


— Vamos logo, galera. Está fazendo muito frio aqui fora. Lá dentro deve estar quente. Pegando fogo, eu espero. — a loira disse. 


— Vamos. — todas seguiram a porta grande e enferrujada que provavelmente seria a entrada, menos Chaeyoung, que parou ao ver Jimin não se mover. — Está fazendo o que parado aí, com essa cara de E.T?


— Eu... — deu um olhar desesperado — Bem, hm, estou esperando uma pessoa. 


— O que? Quem? — riu sem humor — Jimin, tudo bem que eu não gosto de você. Mas aqui fora deve estar um nove graus celsius! Você perdeu a noção? Espera essa pessoa lá dentro! 


Jimin fez uma careta confusa. 


— Desde quando você se importa comigo? 


Chaeyoung ficou com os lábios entreabertos, estática por alguns momentos. Mas então, mudou de expressão, concordando com a cabeça.


— Tem razão. Eu não me importo. — ajeitou o casaco de veludo nos ombros, voltando a postura esnobe de sempre — Morra congelado então, idiota.


Jimin permaneceu encarando a prima andar tranquilamente, de nariz empinado. Só me faltava essa, agora ela quer me dar ordens? Essa noite ninguém vai me dizer o que fazer! Pensou, bufando e enfiando as mãos dentro dos bolsos. Estava muito frio mesmo. Ao abrir a boca saia ate o vapor que saia da boca virava fumaça. 


O dourado se perguntava a onde estaria Jungkook. 


Aquele lugar estava deserto. Só tinha a estrada, e o prédio, mais nada. E não dava pra ver direto também, já que estava de noite e ali mal tinha iluminação, a não ser pelas luzes coloridas, que ainda assim fracamente iluminavam onde Jimin estava. Park pegou o celular, ansioso, vendo que a mensagem que tinha enviando para Jungkook não tinha nem sido respondida. O coração dele se apertou. 


Será que aconteceu alguma coisa? Espero que o Jungkook esteja bem. É melhor eu esperá-lo aqui. Ele foi tão gentil em me chamar. 


O que o garoto não tinha visto, era que o dono de seus pensamentos estava chegando bem atrás dele, numa coincidência improvável matematicamente. Era tão distraído que nem sequer se virou para ver da onde aquele barulho de moto estava vindo. 


Ao que Jungkook estacionou a moto perto de um lugar qualquer, ficou confuso ao ver um vulto incomum, perto da frente do prédio. Ele desligou a moto lentamente, observando aquela penumbra no meio do nada, de longe. Era não difícil não olhar, visto que claramente havia alguém plantado ali, como um assombração. Ninguém passava naquele região e ficava dando sopa para o mal azar. 


Será que eu estou vendo um fantasma? Jungkook deu alguns tapinhas do rosto, piscando para ver com mais clareza. Quem era aquele ser tremendo que nem vara verde no meio do breu? Tinha que descobrir. O moreno começou a caminhar em direção do mesmo.


— Ei, você. — chamou, vendo o corpo da coisa parar de tremer de imediato — Eu não recomendaria ficar aqui fora a essa hora da noite. 


O elemento não respondeu. Estava parado como uma estátua. Jungkook suspirou, impaciente. 


— Não me ouviu? Esse lugar é perigoso. Onde estão os seus amigos? 


Nada.


— Porque você não me responde? Você é um espíri... — se virou. O moreno não pode nem terminar

a frase, e fez um vinco confundido com as sobrancelhas. Por aquela ele não esperava. — Park Jimin?


O garoto sorriu amarelo, tremendo muito. Estava com o nariz e as bochechas rosadas, por conta da baixa temperatura, e os lábios extremamente roxos. Com certeza não era um fantasma. Jungkook sentiu um certo alívio por dentro, não menos surpreso por ver o loiro ali, naquele estado. 


— Boa... Boa... — os queixos dele batiam — Boa noite. 


Jungkook não conseguia acreditar no que estava vendo. 


— Garoto, que susto! — o moreno o pegou pelos ombros, seus olhos negros estavam agitados — O que está fazendo aqui? Sozinho?


Jimin se abraçou, tentando sentir menos frio. Estava quase insuportável. 


— Eu esperava por você. — o moreno o encarou, com uma expressão descrente. Seus lábios estavam levemente arroxeados pelo frio, as bochechas também rosadas. 


Ele estava naquele lugar, naquele frio cortante só por causa dele? Para esperá-lo? Que tipo de garoto imbecil ele era? Jungkook não podia nem contar nos dedos os perigos que um lugar como aquele apresentavam pra um alguém como Park. Ele tinha sido muito ingênuo.


— Quer virar um bloco de gelo desagasalhado assim?— tirou a própria jaqueta, passando a pelos ombros alvos do mais baixo, que se arrepiou e agradeceu instantaneamente pelo contato quente da peça de roupa com a pele desnuda. Jungkook ajeitou a jaqueta no mesmo — Aqui fora não é seguro. Vamos para dentro. 


— Eu vim por sua causa. — o moreno respirou fundo. Ele tinha escutado Jimin muito bem, mas preferiu fingir que não. 


Cada hora que o loiro se pronunciava era menos um ponto na consciência de Jeon. Este que tocou o menino de leve nas costas, o guiando para a entrada do prédio. Jimin estava tornando as coisas muito difíceis, e Jeon não estava ali para ser amigável, mas sim, duro. 


Se ele continuasse agindo daquela maneira ingênua, esperando Jungkook sozinho no meio do nada, sem qualquer proteção ou segurança, falando aquelas coisas doces... Tudo se tornaria muito mais complicado.


— Não faça mais isso. Nem eu fico sozinho aqui fora. — não que o moreno se preocupasse, ele só estava o avisando. Ninguém merecia ser vítima de coisas ruins. Ainda mais um garoto tão bobo, aos olhos de Jungkook. 


— Me desculpe. Você não respondia, então achei melhor ficar aqui, esperando que aparecesse. — se contraiu ao toque do mais alto nas costas, com as bochechas escurecendo num de vermelho mais vivo. 


A consciência de Jeon estava começando a pesar por causa daquelas atitudes estupidamente irresponsáveis do menor. Tal que estava se sentindo péssimo em decorrência da quase hipotermia. O queixo dele batia de maneira incessante, e a respiração começava a ficar mais difícil. 


— Isso não é certo, Park. 


— Porque você.... Não... Não respondeu a minha... — puxou a blusa para mais perto, se é que era possível — Mensagem?


Subindo os degraus e parando no relevo quadrado das escadas, protegidos do sereno, Jeon se paralisou, fitando o loiro fundo nos olhos. Já era a hora de contar a verdade. Ser honesto. Tinha feito aquele pobre garoto passar por muita coisa. 


Jeon tinha o convidado para festa, e ele estava ali sozinho, morrendo de frio. Mais ninguém. O moreno podia contar a verdade e estragar a noite daquele menino indefeso, ou poderia mentir e fingir que queria estar com ele, o fazendo ter uma noite mais feliz. 


A mente de Jungkook estava nublada, ele precisava tomar uma decisão.


Notas Finais


twitter; JEONTUB


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