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História Wonderwall | Jikook - Capítulo 6


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Capítulo 6 - Questão de segundos.


— Por que eu tenho a impressão que as músicas mais inconvenientes, sempre tocam na hora que eu estou mais fodido?


I'm Not In Love, de 10cc, era o som que ressoava naquele momento, enquanto um jovem homem alto e frustrado tomava a segunda dose de vodka, sentando em um banquinho giratório do pequeno bar cheio de luzes coloridas em pisca-pisca. 


— Falando sozinho? — Namjoon perguntou de longe.


Jungkook não fez nem questão de se virar, observando o amigo se sentar ao lado pela visão periférica e pedir uma dose de soju.


— Tem alguma coisa afetando o meu cérebro. — disse Jungkook, bufando, com os cotovelos apoiados na bancada.


— Hum. — o Kim fez uma cara pensativa, que deu lugar a uma sarcástica logo depois — Essa coisa se chama... Jimin?


Jungkook balançou a cabeça de lado, revirando os olhos.


— Cadê o Yoongi? 


— Você não respondeu a minha pergunta.


Jungkook parou por um breve segundo e então suspirou. 


— Sim, ele é que está me afetando. — ele precisava desabafar e Namjoon era o melhor amigo que tinha.


— Você todo boladão por causa de uma pessoa que mal conhece, quem diria. — deu um risinho e tomou a um gole da garrafa de soju, engolindo com dificuldade, tossindo um pouco depois — Contou a verdade?


Jungkook negou com a cabeça, torcendo os lábios.


— Esse é o problema, eu simplesmente não consegui mandar a real. Agi como a porra de um covarde. — jogou os cabelos para trás, fechando os olhos, irritado consigo mesmo 


— Jeon, se você não tomar uma atitude, esse problema vai virar uma bola de neve. — Namjoon aconselhou, com um tom formal. Quando ele chamava Jungkook daquele jeito era porque estava falando muito sério.


— Sei disso. O pior de tudo isso é que eu fui um otário com o Park. — trincou o maxilar, virando o líquido ardente de uma vez só na garganta, que o garçom tinha acabado de entregar.


— Como assim assim? — perguntou, arqueando uma sobrancelha.


— É que... — expirou, confuso com os próprios sentimentos — Não costumo me sentir mal por nada, você sabe. Mas com ele é diferente. Tem algo muito esquisito naquele garoto que me intriga, me deixa irritado.


— Você sente que é diferente porque se aproveitou da inocência dele?


— Talvez. — admitiu, desconfortável, cutucando a bochecha com a língua.


— Certeza?


Jungkook parou para pensar um momento. A única pessoa que ele conseguia se abrir era o Kim, não tinha por que esconder o que pensava dele.


— Eu me sinto culpado. — passou a língua pelos lábios — Muito culpado.


Namjoon concordou, cético, dizendo:


— Então o problema não é ele, e sim, você


Foi como um tapa na cara. 


As palavras de Kim Namjoon eram sempre certeiras, curtas e grossas.


Ele podia estar certo. As vezes culpamos as pessoas quando nós somos o verdadeiro problema.


— Como assim? — Jungkook fez um vinco com as sobrancelhas.


— Você mesmo me disse mais cedo que se sentia atraído pelo garoto, mas que não era nada demais. Agora, de novo, você me fala que tem algo de muito esquisito nele, que te irrita. Contraditório, estou certo? — perguntou, se ajeitando na cadeira.


— Sim, você está. — Jungkook concordou.


— Então, meu amigo — se aproximou, encarando-o de maneira madura e analisadora —, o que eu posso te dizer é que o problema não é o Jimin. O problema é você que está confuso consigo mesmo e as próprias emoções. 


Jungkook riu sem humor, colocando os olhos em outro lugar, refletindo por alto. Aquilo não tinha fundamento. Tudo bem, ele estava reconhecendo que tinha errado e tratado Jimin da maneira errada. A atitude que ele tinha tido ia além de ser um bad boy ou um cara sem emoções. 


Fora cruel, insensível. Jeon reconhecia aquilo agora. Mas confuso? Por causa de um menino que conhecia a somente algumas horas? Namjoon devia achar que aquilo era algum tipo de romance clichê, usando aquela analogia.


— Por que eu estaria confuso com os meus sentimentos, que são as coisas que eu mais tenho certeza? Pior, por uma pessoa que eu conheço há apenas algumas horas? — Jeon indagou, incrédulo, com as sobrancelhas unidas em descontentamento.


— Ele te fez algum mal? Foi idiota?


— Não. Eu sou o babaca da história. — Jungkook respondeu, sem muita emoção.


— Então, o que houve com a atração que você sentia por ele?


— Fala sério, Joon, pare de falar como se eu estivesse apaixonado. — jogou a cabeça para trás, rindo, mas Namjoon não abandonou a pose de pseudo psicólogo — Não importa o que aconteceu com a atração que eu — fez aspas com os dedos grossos — ''sentia''. Ele é só um garoto. 


— De novo com essas história de que ele é só um garoto e você um cara experiente de vinte e quatro anos? 


— É a realidade.


— Não foi o que você me disse mais cedo. Toda hora suas palavras se contradizem, Jungkook.


— Menos. — bufou Jeon.


— Cara, eu te conheço há anos. Você é o meu melhor amigo. Sei muito bem que por trás dessa fachada de bad boy tem um coração enorme, de ouro. Você é a maior manteiga, Jungkook. Nem venha tentar negar que o garoto mexe sim com você. Não importa se vocês dois se conhecem a pouco tempo ou não, algumas coisas simplesmente são inevitáveis. Aceite.


— Quanta manipulação, ugh. — Jungkook resmungou incomodado, revirando os olhos —  Isso não faz de mim sentimental ou sensível, o que eu não sou, mas o Jimin é um garoto lindo e eu me senti atraído para um caralho por ele. Ele me deixa vulnerável de um jeito esquisito e isso me assusta para caramba. Satisfeito?


Namjoon deu um sorriso convencido, pois via o que o amigo não conseguia enxergar.


Ainda.


— Só você pode responder essa pergunta, Chapolin Colorado. — sorriu, convencido.


— Ele é super tímido e bobinho, se eu chegasse nele da maneira que normalmente faço... Tsc, com certeza ele iria correr como um coelhinho assustado. — Jungkook soou de maneira pensativa, negando a cabeça de leve.


Uma batida intensa dos anos noventa começou a tocar, e as vozes começaram a ficar mais altas no ambiente, no entanto, Jungkook só ignorou, reparando a falta de resposta de Namjoon.


Ele encarava algo atrás de Jeon, com uma expressão surpresa.


 — O que foi? — perguntou, confuso. O Kim arqueou as sobrancelhas.


— É... — riu, incrédulo, ainda com os olhos longe — Tem certeza mesmo de que aquele garoto na pista de dança é o mesmo Jimin tímido de quem você está falando?


Jeon virou a cabeça para a direção que ele estava olhando na mesma hora, procurando com o olhar a o tema daquela conversa, que Namjoon tanto olhava, e quando seus olhos caíram na pista de dança, ele ficou chocado.


Jungkook não acreditava no que estava vendo.


Por aquela ele, definitivamente, não esperava.


Então, ele ficou de costas para a bancada, apoiando as costas de jeito largado na mesma, com as pernas abertas daquela maneira masculina, cruzando os braços fortes e delineados. Ele semicerrou os olhos, trincando o queixo marcado, estufando o peito largo recheado por um sentimento desconhecido, observando aquele corpinho pequeno cheio de ritmo dançando. As sobrancelhas grossas de Jungkook formaram um vinco na testa, perplexo.


Park dançava muito bem. Não tinha nada de amador nele. Era flexível, soltinho e em certos movimentos o corpo dele ficava mais marcado pela calça, fazendo com que Jeon babasse naquela bunda durinha. O físico de Jimin, mesmo por debaixo daquelas roupas, aos olhos de quem entendia do assunto, era de alguém que fazia exercícios físicos. Ou seja, só de bater os olhos, Jungkook soube que ele não era de ficar parado.


Ele agradeceu aos Deuses por ter tido a visão privilegiada daquele corpo escondido, a calça dele se apertava só de imaginar como seria sem nada, totalmente nu.


O rapaz deu um sorriso contido de sugestividade.


Namjoon pigarreou.


— O que você estava dizendo mesmo? — o Kim pigarreou de maneira forçada, soando sarcástico com a pergunta em seguida — Ah, me lembrei. Ele é só um garoto bobo, não é, Jungkook?


O citado bufou, revirando os olhos.


— Cala a boca. — respondeu e riu de leve em seguida, se dando por vencido.


Ele não parava de encarar, estava hipnotizado pela maneira que Jimin dançava. Quando iria imaginar que um garoto aparentemente tão recluso fosse ter aquele gingado? Jungkook estava impressionado, de uma maneira boa. Talvez ele precisasse daquele choque e quem sabe perceber que Jimin não era somente um zero á esquerda. Park tinha uma personalidade, um tcham, eles só estavam escondidos.


Talvez Jimin não fosse só um garotinho.


Talvez ele fosse muito mais.


Jungkook estava começando a se interessar em descobrir o que mais aquele loirinho escondia. Só precisava de um empurrãozinho. E novamente, com um sutil talvez, só talvez, ele estivesse disposto a saber. Ou quem sabe até...


Ajudá-lo a descobrir.




Alguns minutos antes.


— Você bebe? Eu recomendaria uma bela dose de soju. — ofereceu, enquanto acompanhava o loiro até o lugar que Chungha chamava de ''só para os legais''.


Jimin negou, sem falar nada, observando a garota de cabelos longos e negros deitar a cabeça um pouquinho de lado, com um bico nos lábios pintados por uma cor forte de preto.


— Tudo bem. Se você animar, eu peço uma dose mais levinha pra nós dois. Essa sua tristeza vai, pft — deu um pulinho engraçado, fazendo um gesto com a mão e Jimin reprimiu um riso —, sumir que nem fumaça!


— Não sei se álcool é a solução para os meus problemas. — disse Jimin, meiguinho. 


— Ah, nós podemos arrumar outro jeito! — Chungha se animou, virando de frente para o garoto, que era bem mais baixo — Você gosta de dançar?


— Olha... — Jimin suspirou, com uma expressão pensativa.


Jimin não gostava de dançar.


Ele amava.


Os pequenos shows no quarto do garoto ou as apresentações, ao som dos maiores hits da Beyoncé, eram a prova, mas só ele sabia.


— Curto um pouquinho sim. 


— Aí, que maravilha. Tá vendo só? — Chungha o puxou, ficando de frente para o mesmo — Vai se preparando, porque hoje a gente vai rebolar a bunda até o chão!


Jimin riu baixo, adorando a animação dela.


— Aliciando menores mais uma vez, Chung? — uma voz grave e masculina perguntou, fazendo com que os dois o olhassem ao mesmo tempo. Chunga bufou, se aproximando do cara alto, deixando Jimin uns centímetros para trás. 


— Larga do meu pé, Chad. Não sou drama pra você ficar me acompanhando não, beleza? — falou de maneira irritada. Mesmo que ela estivesse o xingando, ainda assim, era muito fofa.


— Eu sou o seu irmão de consideração. Exijo respeito. — disse o rapaz loiro, levantando o dedo indicador, numa falsa pose de autoridade e com uma cara forçada de ódio. Chungha revirou os olhos, não aguentando segurar o riso.  


Jimin não parava de encará-lo e era de se compreender.


Chad era muito, muito bonito.


Estava parado atrás dos dois irmãos, com uma carinha impressionada. Quase como se ele estivesse vendo uma pessoa branca pela primeira vez na vida. Ele era como o tal Harry Styles que havia conhecido mais cedo, assemelhando-se por causa dos traços ocidentais, e principalmente, os olhos claros. Era exótico e chamativo, aos olhos inocentes de Jimin.


Chad era extremamente alto, corpulento, com uma aparência jovial. Com certeza devia estar na casa dos vinte. Tinha o cabelo de tamanho médio, loiro, que ia até a nuca e usava uma roupa despojada; camiseta com estampa de mandala, calça jeans rasgada nos joelhos, coturnos pretos e um colar mais apertado no pescoço. O vestuário dele era mais tranquilo, não menos bonito, como o de uma pessoa que gosta de andar de skate, diferente do extravagante de todos naquela festa. Ele era mais relaxado.


— Quem é esse? — Chad perguntou, risonho, obviamente percebendo a olhada descarada que estava recebendo do baixinho com um rostinho que ele julgava de bebê.


— Hm? — a garota perguntou, confusa, se virando para trás, então, se deu conta — Ah! Ele é o meu novo amigo. Vem cá, douradinho! — chamou-o com as mãos e o coração do loiro se acelerou, nervoso. 


— Douradinho? — Chad perguntou, colocando uma mexa do cabelo loiro atrás da orelha, sorrindo.


Jimin se aproximou de maneira retraída, abraçando o braço esquerdo com uma mão, engolindo seco e olhando para baixo. Até que uma mão grande e veiuda se estendeu no ar, o fazendo levantar a cabeça imediatamente, encarando o sorriso largo e branquinho do rapaz a frente. Era de derreter o coração.


— Olá. Sou o Chad. — ele era tão carismático, parecia um ator de filme adolescente ou um modelo de creme dental. Jimin se sentiu ainda mais retraído, com as bochechas pegando fogo. — Não precisa ter vergonha. Eu juro que não mordo.


Jimin o encarou, vendo as pupilas azuis dele brilharem em encorajamento. Então pigarreou, levantando a mãozinha e apertando a áspera e quente de Chad, levemente.


— Mão macia. — disse Chad, vendo as bochechas do outro corarem ainda mais. Ele adorou. — Qual é o seu nome, baixinho?


— Park Jimin. — falou num respirar, não conseguindo sustentar o olhar dos mirantes cor de céu claro.


— Oh. É um prazer enorme conhecê-lo. — plantou um beijo casto nas costas da mão pequena do mesmo, a soltando de maneira suave logo depois — Pelo visto a minha irmã já te fisgou, como ela faz com todo mundo.


— Ei! Não fale assim. — Chungha bateu os pés, fazendo um biquinho nos lábios — Eu só gosto de ajudar as pessoas, tá? 


— Por que esse garoto lindo precisaria da sua ajuda? — perguntou Chad, semicerrando os olhos. 


Jimin só faltava desmaiar com aquele elogio, mas estava tão receoso, não queria que Chungha contasse o que de fato, tinha acontecido.


A garota encarou o loiro, vendo um tom de reprovação nos olhos dele.


— Ele estava perdido. Só isso. — desconversou, puxando Jimin pelo braço e encaixando as mãos magras nas do mesmo. — Caramba! E não é que as suas mãos são macias mesmo? 


Jimin sorriu, encabulado.


— Obrigado.


— Por nada, douradinho. — apertou as bochechinhas do mesmo, fazendo uma carinha forçadamente fofa. Chungha queria morder aquelas bochechas grandes e macias, que nem fazia com seu irmãozinho mais novo — Chad, você vem?


— Eu estava indo embora. — encarou Chungha e depois Jimin, que arregalou os olhos de leve — Mas decidi ficar. 


Jimin não tinha entendido muito bem a subjetividade daquela sentença, então só deu de ombros de maneira leve, ainda se sentindo observando pelos olhos azuis de do rapaz. Era desconcertante.


— Sua presença será um imenso desprazer. — a menina sorriu de maneira falsamente seca e Chad somente revirou os olhos, rindo.


— Por que você não para de ser uma cuzona e admite que me ama?


— Vai sonhando. — jogou o cabelo por trás dos ombros, numa carinha esnobe, puxando Jimin e indo de encontro a um grupo de pessoas que riam alto, sentados em um sofá de veludo branco, bem próximo de onde o DJ estava. Chad então, somente suspirou, calmo com água de piscina, seguindo aqueles dois.


Eles se aproximaram de um grupo de pessoas, ouvindo uma conversa que já havia começado:


— Não tem nada nesse mundo que a cachaça não resolva.


— Você só pensa em bebida, Lilian. Por Deus!


— Cala a boca, Hoseok. E eu já disse um milhão de vezes pra você parar de me chamar de Lilian. Odeio esse nome. — revidou a garota de cabelos cor de rosa — De todos nós aqui, você é o que mais enche o cu de pinga, então nem vem falar que só eu penso em bebida.


— Na verdade, prefiro encher o cu outra coisa, se é que você me entende, Lilian. — Jung sorriu, balançando as sobrancelhas de maneira maliciosa. 


Lily revirou os olhos, irritada por ele tê-la chamado de novo pelo nome que abominava.


— Fala sério. Alguns segundos de conversa e vocês já fazem virar putaria. — disse Seokjin.


— Eu não, ele! — a garota de cabelos rosas apontou para Hosek, que deu de ombros, convencido.


— Pessoal, pessoal! — Chungha chamou a todos, animada, enquanto puxava Jimin como um boneco pelas mão — Trago boas novas!


Hoseok se virou, com os olhos semicerrados.


— Desde quando você fala ''boas novas'', Chungha? Engoliu algum dicionário? — perguntou o rapaz.


— Parece vocabulário de burguês. — Lilly disse, enojada, enquanto bebia um gole da garrafa de soju.


— Chad, senta aí, cara. — chamou Seokjin, observando o loiro se aproximar e dar um soquinho na mão do mesmo antes de sentar naquele sofá grande e espumoso.


Chungha suspirou, colocando as mãos na cintura e soltando as mãos de Jimin, que se escondeu atrás da mesma, quase que automaticamente.


— Eu comecei a ler Jane Austen, para a informação de vocês. Aprendi muitas palavras novas! — fez um bico com os lábios, e todos riram, achando engraçado, menos Jimin, que estava levemente em pânico — Nada disso vem ao caso agora, pois, eu quero apresentar alguém!


Lily franziu o cenho.


— Por acaso esse alguém é o ser que está escondido atrás de você? — perguntou, soltando um riso anasalado.


Hoseok se inclinou um pouco o pescoço para olhar, curioso.


— Não precisa ter medo da gente, pessoa atrás da Chungha. O único de nós potencialmente perigoso é o Jin. — disse Hope, jogando os cabelos vermelhos para trás.


— O que? — Seok perguntou, enfastiado.


— Você já esfaqueou uma pessoa com uma faca de plástico, hyung. —  falou Hosek, com uma careta intimidada.


— Foi em defesa pessoal. E não foi exatamente esfaquear, eu só enfiei a faca no olho dele. — Jin argumentou, na defensiva.


— Ta. Ainda assim, você é perigoso. — concluiu Hoseok.


Chungha respirou fundo, pigarreando, chamando a atenção de todos:


— Galera, esse é o Jimin. Ele vai ficar com a gente essa noite. — se afastou do garoto, fazendo com que ele não tivesse mais um corpo para se esconder.


O rosto de Park ganhou a cor vermelha quase que instantaneamente, vendo todos aqueles olhos direcionados para si. Ele engoliu seco.


— Oi. E... — ficou sem jeito, não sabendo ao certo o que falar, observando Hoseok e Lily, que o encaravam de maneira sinuosa —  E aí, p-parceiros? Qual é a boa?


Um silêncio constrangedor se fez, eles o encaravam como se ele fosse a pessoa mais esquisita do mundo. O coração de Jimin gelou por um momento, até que em seguida, todos começaram a gargalhar de maneira escandalosa, quebrando o clima tenso e fazendo o loirinho se acalmar.


Aigo! — disse Hosek, sorrindo largo, se aproximando de Jimin e apertando as bochechas gordinhas do mesmo de maneira invasiva, fazendo com que Jimin se sentisse um pouquinho desconfortável.


— Para de assustar o garoto, Hope. — pediu Chad, puxando o mesmo para longe de Jimin. Hoseok continuava com aquela cara de quem estava tendo um ataque de fofura, mesmo que não apertasse mais as bochechas do Park.


Jimin torceu as mãozinhas, se sentindo um pouquinho menos nervoso.


— Curti o cabelo — elogiou Lily — É natural?


— Sim. — respondeu Jimin, quando percebeu que ela se referia a ele, lisonjeado.


— Demais. — a de cabelos rosas sorriu, simpática.


Jimin se sentiu muito bem. As pessoas estavam elogiando o cabelo dele mais do que o normal naquela noite, o que era uma das grandes inseguranças da vida do garoto.


— E aí, fofinho? — Seokjin deu um tapinha de leve no ombro fino do mesmo, fazendo Jimin pular um pouquinho para o lado — Sou o Seokjin. Mas você pode me chamar de Jinnie-hyung.


— Te chamar de hyung? Vai com calma aí, salaminho. — Hoseok interveio, fazendo Lily rir em deboche.


— Que foi? — perguntou Jin, com aquela cara de quem já estava acostumado com as opiniões sinceras do amigo.


— Conhece o menino há tipo, uns dois segundos, e já vai pedindo pra ele te chamar de hyung? Ele pode ficar constrangido. — disse Hoseok, arqueando uma sobrancelha.


— Curti a vibe dele. — respondeu o mais velho de todos ali, dando de ombros e sorrindo gentil para Jimin. — Pode me chamar assim, se você quiser.


Jimin deu um sorriso mais aberto.


— Tudo bem, Jin-hyung. 


— Ah! Que fofo! — Jin não se aguentou, prestes a apertar a bochecha do mesmo.


— Tá bom, tá bom, já chega. — interviu Chad, colocando um braço a frente de Jimin e afastando Seok com o outro. — Deixem ele respirar.


— Ele é tããão bonitinho! Parece um patinho fofo, nho, nho. — Hoseok fez um bico com os lábios, com uma careta estranha, pinçando os dedos longos no ar. 


Jimin estava assustado, mas não de uma maneira ruim.


— Senta perto de mim, você vai estar seguro. — Chad puxou Park de leve pelo ombro.


Jimin se sentou no sofá apertadinho, colando o lado do corpo ao do grande de Chad, os joelhos se tocando. O garoto acabou se sentindo como numa lata de sardinha, confortado pelo o cheiro forte do rapaz ao lado, que parecia algo amadeirado, entrando pelas narinas pequenininhas, um pouco vermelhas na ponta pelo calor.


— Obrigado. — agradeceu o menino, a voz suave como uma pluma.


— Por nada, baixinho. — o de olhos azuis deu uma piscada furtiva, sorrindo charmoso.


Jimin não soube ao certo o que sentiu com aquela atitude, teve em mente que ele era muito bonito, e ficava cada vez mais agindo daquela maneira. Park não estava nervoso com aquelas atitudes ou algo do tipo, somente admirado por esta-las recebendo daquele rapaz tão envolvente.


— Então, Jimin, do que você gosta de fazer? — Lily perguntou, jogando os pés por cima dos joelhos de Hoseok, que estava do lado dela.


Jimin arregalou os olhos por um instante, com os lábios entreabertos. Encarou Chungha, como se pedisse ajuda. Ela o formentou com uma menção da cabeça e um sorrisinho fino de lábios.


— Bom, depende. — disse o loirinho, numa carinha pensativa.


— Fala aí. Não precisa ter vergonha da gente. — Seokjin deu forças.


— É, fica tranquilo. Eu falo merda noventa por cento do tempo. — Hoseok também o encorajou.


Jimin parou para pensar um pouquinho, refletindo. Eles tinham sido tão legais até o momento, estavam sendo. Park se sentia misteriosamente confortável com aqueles estranhos, de uma maneira que nunca havia se sentindo com ninguém antes. 


Ele nunca tivera amigos, não sabia muito bem como funcionava, mas naquele momento, ele quis se soltar, a energia deles era tão boa, não via porque não o fazer. Mesmo que não conversasse com ninguém além da empregada, normalmente.


— Bom... — tossiu um pouco, falando de maneira meiga — No meu tempo livre eu vario entre Biologia e o estudo de energias não poluentes consideradas radioativas. Também gosto de estudar a teoria das espécies, do Darwin. 


Jimin tossiu, se perdendo nas palavras e torcendo um biquinho fofo no rosto, retomando;


— Há um tempo atrás eu estava desenvolvendo uma tese com base na Relatividade, só que preciso qualificar os meus termos científicos de maneira mais acadêmica, eles não são muito bons. Então, hum, é. Acho que é isso que eu faço no meu tempo livre. — sorriu, satisfeito.



Hoseok piscava de maneira exagerada, todos na verdade, encaravam Jimin daquela maneira, como se ele tivesse acabado de falar em outra língua. Era um silêncio constrangedor, quase engraçado.


Quando o garoto em questão percebeu, imediatamente fez uma cara assustada a medida que engolia seco, observando os que o olhavam com um vinco nas sobrancelhas, se sentindo a pessoa mais esquisita do mundo. Ninguém entendia absolutamente nada do que ele estava falando.


— Darwin? É alguma comida? — perguntou Hoseok, confuso.


— Relatividade? — Chad também indagou.


Jimin tentou pensar em outra coisa, com a mãozinha do queixo. Pelo visto ninguém ali era apaixonado pela ciência como ele.


É claro que iriam se assustar com toda aquele papo de nerd


Então, ele tentou amenizar as coisas:


— Eu fiz ballet clássico por oito anos e... Agora estou tendo aulas de hip hop, todos os dias da semana. — sorriu nervoso, esperando a aprovação daquelas pessoas, que fizeram uma cara de compreensão no mesmo instante, mais leves.


— Está treinando pra ser um idol? — perguntou Chungha.


— Não. — negou o garoto, doce.


— Agora você está falando a minha língua! — Hoseok de animou, sorrindo largo. Todos balançavam as cabeças de forma positiva, como se estivessem curtindo o momento — Tá olhando para o rei do b-boying e do street dance, xuxu!


— É mesmo. O Hope dança hip hop desde que eu me entendo por gente. — acrescentou Jin.


— Sério? — Jimin perguntou, fascinado.


— Seríssimo. — Hoseok confirmou e se aproximou de Jimin, fazendo uma reverência engraçada e exagerada para o mesmo, como um príncipe faz para um princesa nos filmes, mas não da maneira romântica — Me concede essa dança, mademoiselle?


Jimin sorriu doce, animado, ainda que um pouco relutante.


— E-Eu...


O loiro mal teve tempo para responder e já estava sendo levado para a pista de dança.


— Abram a roda porque que o rei tá chegando, minha gente! — ele gritou, fazendo com que todos prestassem atenção, puxando Jimin pelas mãos, que mal teve tempo para se decidir.


— Espera! — tentou pedir, mas Hoseok continuava o puxando, e a pista estava cada vez mais perto — Chungha, me ajuda!


— Vai lá e aproveita! Se solta, douradinho! — a garota encorajou de longe, dando um sorriso de força. 


Jimin soltou um guincho de desespero. Se arrependeu na mesma hora de ter estado ali, começando a ficar muito ansioso. Ele odiava o público, detestava ser o centro das atenções. E agora estava no meio da pista de dança, com todas aquelas pessoas altas e bonitas, o encarando como se ele tivesse feito algo terrível. Havia começado a tocar Hypnotize, do The Notorious B.I.G.


— Deem espaço. Aumenta esse som, DJ! — agora parados no meio da pista, Hoseok se alongou — Vamos lá, mostra o que você sabe!


Jimin engoliu seco, começando a hiperventilar, se abraçando. Uma roda de pessoas o observava, esperando alguma atitude. Ele não sabia o que fazer, estava totalmente travado. Mas agora não havia saída, não com Hoseok.


— E-Eu não me alonguei. — Jimin sussurrou, mas era óbvio que todos iriam escutar.


— Não importa. Vai lá, se solta. — sorriu, cruzando os braços.


Jimin respirou fundo, com os olhos arregalados. Ele podia sair correndo mas seria muito sem graça. Era só uma dança, afinal de contas.


A única opção que o loiro tinha era... Se soltar. 


Não pode ser tão ruim assim.


 — Anda logo, boneco de posto! — alguém na multidão gritou.


— Esse garoto mal deve saber quem é o Snoop Dogg. — outra pessoa também disse.


Park sentiu uma pontinha de irritação.


Que se dane.


Jimin fechou os olhos e respirou fundo, sentindo a batida da música.


Quando os abriu, tinha incorporado a persona do dançarino que raramente deixava florescer ao público. Confiante e poderoso. Era como se estivesse dançando sozinho em seu quarto. Fazia movimentos de popping, ondinhas com o corpo que mostravam o quanto ele não era duro, passos complexos que mostravam que com certeza ele não era só um amador. 


Os passos de Park eram bastante femininos, com uma leveza de um dançarino clássico, o que é a identidade de cada um, visto que todo artista tem uma maneira diferente de se expressar. E a dele era única, dava uma sutileza aos passos duros e fortes do hip hop. Pra fechar com chave de ouro, o loiro deixou uma rebolada até o chão, finalizada por um twerk de costas para Hoseok, que estava mais do que chocado. Depois o parou de costas, finalizando o show, com as mãos na cintura, muito ofegante.


Ele tinha dado um show.


Todos estavam chocados.


Jimin quase se arrependeu por um momento, mas não o fez quando todos começaram o aplaudir, histéricos. Gritos, assobios, falas como ''você arrasou!'' eram direcionadas a ele, que sorria largo, se sentindo um pouco tímido, por não estar acostumado com toda aquela atenção Ele estava um pouquinho tímido com toda aquela atenção, o ambiente estava afobado e as faces deles extremamente vermelhas. Mas nada importava, porque Jimin estava se sentindo...


Feliz.


Como nunca antes.


— Ele acabou com você, Hoseok! — alguma pessoa disse.


— Quero ver superar essa! 


Hoseok estava mesmo chocado. Ele não esperava que Jimin fosse tão bom como dançarino. Não esperava mesmo. Ele somente deu um sorriso chocado, se animando. Era intimidante todo aquele talento do loiro.


— Pelo visto o bebê não é bebê. — Hoseok deu uma olhada no garoto de cima abaixo, dando um sorriso confiante quando Super Freak, de Rick James tinha começado a tocar — Agora é a minha vez de mostrar porque eu não sou o rei da dança atoa. Segura minha coroa aqui, rapidinho.


Jimin jogou a cabeça de lado, rindo e achando graça. 


Hoseok alongou a cabeça por alguns segundos e deu início a série de movimentos ao som da música. Ele realmente era bom. Muito bom. Os movimentos dele, mais masculinos e fortes que os de Jimin, mostravam que o hip hop realmente estava no sangue, não era só papo furado.


Ele era bem mais encorpado do que Jimin, por causa da experiência. Carismático e interativo, Hope começou a dançar ao redor do loiro, não de maneira intimidante, uma cômica. Não era uma competição, ele só queria se divertir, fazer o garoto se sentir mais tranquilo. O clima era maravilhoso e a energia dele eletrizante. A música só contribuiu ainda mais.


Quando Hoseok ofereceu a mão para Jimin, Girls Just Want To Have Fun, da Cyndi Lauper tinha começado a tocar, fazendo todos na pista se misturarem de vez, a medida que pulavam, naquele clima divertido, jovial e vibrante. Tudo que Jimin nunca tinha experimentado.


— Eu amo essa música! — o loiro gritou, pois a música estava tão alta, que era impossível conversar no tom normal. 


Cyndi Lauper é a minha diva! — Hoseok gritou de volta, pegando a mãozinha de Jimin e o girando, os dois pulando ao som da melodia.


Aquelas pessoas dançaram, por longos minutos. Como se não houvesse amanhã. Jimin tinha finalmente se soltado, mesmo que não totalmente, e estava amando a experiência. Por alguns segundos, a sensação no peito dele era incrível, algo agitado, colorido. A sensação de ser jovem, de ser livre


Ele pulou por longos minutos, jogando a cabeça para lá e pra cá. Nada o prendia, as preocupações estavam longe e ele só queria se divertir. Pela primeira vez pode saber o que era ser um alguém normal de dezoito anos. Soube o que era a alegria genuína, a expressão de não ligar. 


— Eu estou morrendo de sede, vou pegar um drink. Não sai daqui! — Hoseok avisou, sussurrando no ouvido do loiro, por causa da música alta. Jimin concordou com a cabeça, simples.


Uma plantinha havia sido plantada na mente de Jimin aquele dia, e ela com certeza cresceria mais e mais. Até que ele estivesse totalmente liberto. No entanto, como sempre há um porém, algumas coisas ainda precisavam ser plantadas. Ele não estava de todo salvo. 


Havia vários empecilhos atormentando a mente do garoto. Ele sabia que teria problemas por ter simplesmente saído sem a permissão do Pai. Consequências severas. Mas Jimin não queria pensar naquilo. Ele estava literalmente na Terra do Nunca certo? Um refúgio. Não tinha porque se preocupar. 


Pelo menos ele achava que não.


Uma música mais lenta havia começado a tocar, que Jimin reconhecia como Hunting High and Low, do a-ha. Ele olhou ao redor, vendo as pessoas se juntarem em casais. Jimin mordeu os lábios, se sentindo excluído por não ter ninguém com que dançar, visto que Hoseok ainda não tinha voltado. O loiro suspirou, cabisbaixo.


— Oi.


Jimin pulou para trás, se assustando e soltando um gritinho.


— Caramba, que susto! Você... — se virou para o dono da voz, a garganta se fechando ao se deparar com quem era — J-Jungkook?


O citado sorriu de lado, charmoso. O coração de Park quase parou e os olhos dele se arregalaram em pânico, quando viu quem era. Jungkook. De repente, os lábios cheios do mesmo se secaram, como se ele não bebessem água há dias. O motivo por ele estar ali, o mesmo motivo que tinha o feito se sentir péssimo consigo mesmo, agora estava de volta, e todos o recebiam de bom grado.


— Porque ficou surpreso? — perguntou, cruzando os braços, flexionando os bíceps grande e duros, com aquela de pose de tremer as pernas de qualquer um.


Jimin se retraiu na mesma hora, toda a confiança de antes indo para o ralo em questão de segundos. Ele não sabia porque, mas ficava extremamente tímido quando estava com Jungkook. Era muito estranho, sufocante.


Ele me deixa vulnerável.


Pensou o garoto.


— N-Não estou surpreso. — desviou os olhos, mirando em algo que não fosse aquele homem grande e imponente. Jimin engoliu um bolo enorme de saliva, as mãozinhas começando a suar. 


Jungkook riu anasalado.


— Não tenho nada contra me olharem nos olhos, sabe. — Jeon procurou o olhar do menino acanhado, com os mirantes grandes e pretos, intensos, a voz grave soando de maneira gentil.


Jimin sentiu o estômago afundar, as orelhas ardendo. 


Ele queria sair de perto de Jungkook o mais rápido possível.


— Preciso encontrar o meu amigo. Até mais. — disse de maneira abafada, se virando em direção ao grupo de Chungha que conversavam distraídos, convencido a ignorar Jungkook e deixar todas aquelas sensações de lado, tentando fugir.


O que não foi possível, pois Jungkook o puxou de leve pelas mãos, que Jimin relutou em dar, mesmo que fosse de uma maneira suave, com aqueles dedos grandes e repletos de anéis de Jungkook. O loiro sentiu um frio enorme na barriga. Com isso, o ato fez o ele se virar quase que de maneira inevitável, batendo de leve contra contra o abdômen firme do mesmo, num baque duro. Jeon ainda o segurava de leve, o encarando por cima, com a feição calorosa. 


Jimin sentia que iria desmaiar, o peito parecia que ia explodir e o estômago se revirava num frio diferente de ansiedade. Só queria sair dali e fugir do toque quente do homem. O loiro ainda não o encarava, não podia. Jungkook tombou a cabeça de lado, afastando uma mecha loira dos olhos de Park, o toque macio e brando, observando as bochechas do mesmo mudarem para um tom forte de vermelho. Tudo tinha só se intensificado ainda mais. O loirinho mal conseguia pensar depois daquela ação do inesperada mais velho, ficando todo nervoso. Só conseguia se fechar cada vez mais numa bolha.


— Por que está desviando o olhar? — Jungkook perguntou, com o pescoço inclinado para baixo, pela diferença enorme de altura dos dois.


— Eu... Me solta. — o garoto não sabia ao certo porque queria distância, ele só se sentia ansioso, nervoso demais. Sensações que ele ainda não entendia. 


Jungkook o soltou na mesma hora, Jimin não precisou pedir duas vezes.


O de cabelos pretos pigarreou, observando o menino se abraçar, olhando para baixo, com o rostinho encabulado, agora numa distância mais segura do mais alto.


— Olha, eu entendo você querer me evitar. Não te culpo. — Jungkook começou, tentando a todo momento atrair o olhar de Jimin para si, o que não foi efetivo — Espero que você me perdoe pelo meu comportamento estúpido. Eu deveria ter te tratado de uma maneira mais gentil. Afinal, fui eu que te convidei pra essa festa.


Jimin ouvia atento, caladinho.


— Pode me odiar, eu mereço, sou um canalha, um....


— Eu não te odeio. — o loiro confessou, baixinho, de maneira meiga.


Jungkook sorriu, satisfeito.


— Obrigado. Fico feliz em ouvir isso. — lambeu os lábios lentamente, intrigado, observando aquele garoto encolhido de faces rosadas. 


Jimin ainda não o encarava. 


Então, num impulso, Jungkook se aproximou, levantando a mão grande e veiuda, prestes a tocar de leve o queixo de Jimin, e talvez, ele o olhasse. Jungkook estava ficando incomodado. Por que era tão difícil encará-lo de volta? Ele não entendia. Antes que pudesse completar o movimento, algo o interrompeu;


Jay! — Hoseok disse de maneira espalhafatosa, e Jungkook recolheu a mão rapidamente num instante, se virando para o mesmo.


— Hoseok. — respondeu, dando um sorriso sem dentes para o mesmo.


— Estou indo encontrar o pessoal agora, tá afim de ir? Só vou procurar um garoto loiro, ele... — Hoseok olho além dos ombros do moreno e lá estava ele, como um filhotinho perdido — Menino! Você ficou no mesmo lugar que eu disse. Chega para cá. Vou te apresentar o cara mais gostoso dessa boate.


Jimin o fez, encarando as mãozinhos agora contorcidas, ao lado de Hope, que tinha uma expressão larga de júbilo.


— Jungkook, esse é o... 


— Já nos conhecemos. — o moreno respondeu, sem render muito, desviando os olhos para Jimin. 


Daquela vez, o loiro não desviou, ele olhou de volta.


Jimin piscou rápido, com os lábios entreabertos e a respiração acelerada. 


Os olhos deles se encontraram e um brilho diferente iluminou os mirantes escuros de Jungkook, quando teve o olhar que queria direcionado para si, aqueles olhos felinos e pequenos, que reluziam pureza. Jeon não tinha enxergado aquele detalhe antes. Jimin, por outro lado, pode reparar o quanto aquele homem era belo. O olhar intenso dele, mais ainda. Eles ficaram se encarando por vários segundos daquele jeito mudo, era como se Hoseok nem estivesse ali. 


— Estou interrompendo alguma coisa? — Jung disse, fazendo com que os dois o fitassem na mesma hora, confusos e com os olhos arregalados.


Jimin se deu conta e ficou mais vermelho ainda. Se é que era possível. 


Tinha ficado preso no olhar de Jungkook por vários segundos. Tinha sido estranho. Ele não se sentiu desconfortável, só... Era impossível desviar.


— O pessoal deve estar esperando a gente. Você vem, Jay? — Hoseok desconversou. Ele não era bobo, percebeu o clima entre aqueles dois. E não queria ficar de vela nem ferrando.


Jungkook pigarreou, dando uma coçadinha no pescoço.


— Claro. — respondeu, coerente.


Os três andaram em direção ao grupo que ria entre si, sentados num canto isolado da pista de dança, agoram bebendo garrafas de cerveja. Todos se surpreenderam quando perceberam a aproximação e viram que estava chegando atrás de Jimin.


— Jay! — Seokjin verbalizou de maneira animada.


— Jin. Como vai? — perguntou a voz grave de Jungkook.


— Ainda sem usar honoríficos? Você não tem jeito mesmo! — disse Lily, abraçando o mesmo de lado, que não retribuiu e continuou na pose dura.


Jimin queria fugir.


Tinha que sair dali o mais rápido possível.


O coraçãozinho do menino se acelerava mais a cada segundo.


— Ah, olha só quem voltou. Lembrou da existência dos seus amigos, Jay? — perguntou Chungha, com um olhar desconfiado — Achei que os famosinhos que nem você não se misturassem mais com o resto das pessoas.


— Eu não sou famosinho. — Jungkook revirou os olhos.


— Só um famosinho nega que não é famosinho! — Hope colocou as mãos nos bolsos da calça, numa pose encurtada.


— Que milagre é esse de você dar ideia para nós em uma festa? — perguntou Jin. 


Jungkook deu de ombros, já sentado na poltrona verde, de frente a Jimin que se sentava ao lado de Chad, abraçando os próprios ombros com as mãos.


— Eu só quis dar um olá. — Jeon disse simples, virando os olhos para o garoto encolhido no sofá a frente.


Jimin, que olhava para o próprio colo, tinha o rosto coberto pela franja loira enorme e reluzente, protegendo-se dos olhos enormes e intensos de Jungkook, que o analisavam de maneira sorrateira uma hora ou outra. Aqueles malditos olhos deixavam qualquer um intimidado.


— Vai mesmo cantar hoje, Jay?


Jimin sabia que estava sendo observado, ele podia sentir. Mas não teria coragem de olhar de volta. E o nervosismo só aumentava, porque ele não sabia o que fazer, só queria fugir dali. Por que Jungkook simplesmente não esquecia da existência dele? 


— Vou sim. Eu e o meu violão. — Jungkook sorriu.


— Ah! Mal posso esperar para ver. Você canta tão bem. Fico surpreendida toda vez. — Lily elogiou, dando um soquinho no ombro grande do moreno.


— Eu acho que a minha voz dá pro gasto. — ele disse, modesto.


— Qualquer um pode cantar bem se fizer aulas de canto. — Chad disse, apático. Não via graça nenhuma em Jungkook e na banda punk dele.


— Falando em coisas surpreendentes, o que foi aquilo na pista de dança, Jimin? — Chungha perguntou, fazendo com que todos encarassem o loirinho. Principalmente Jungkook.


O garoto levantou a cabeça na mesma hora, todos esperavam que ele desse uma resposta. Mas ele não conseguiu, apenas voltou a contorcer as mãos no colo.


— Fala sério, o que aconteceu com o garoto confiante da pista? — Seokjin perguntou.


Jimin se sentiu triste.


Era verdade. Em questão de segundos toda a confiança dele tinha sumido.


Por que? Ele não sabia.


— Parem de pressionar o douradinho. O importante é que ele foi lá e arrasou. Não é, Jungkook? — a garota perguntou, sarcástica. 


Jungkook ficou confuso, a observando com uma expressão de falsa indiferença.


— Não sei do que você está falando. — Jungkook balançou a cabeça de lado, amolecendo o lábio inferior e tombando a cabeça de lado, confuso.


Chungha riu em deboche.


— Você está me dizendo que não viu o Jimin rebolar a bunda, literalmente, no meio da boate? — ela cutucou. Não caia naquela. Só não entendia por que Jungkook estava mentindo.


— Não. Fiquei o tempo todo ocupado. — ele disse, simples.


As bochechas de Jimin esquentaram ainda mais. Ele se sentiu uma bola de fogo, prestes a explodir.


— Sinceramente... — a garota o encarou de maneira entediada, negando com a cabeça de leve — É cada uma que me aparece.


Jungkook deu de ombros, revirando os olhos.


— Jay, o DJ está te chamando. Lá no palco, ó. — Chad avisou, fazendo menção com a cabeça.


Jungkook se virou, comunicando-se com o mesmo de longe.


— Tenho que ir.  — se levantou, ajeitando a calça apertada nas coxas grossas, encarando Jimin novamente, na esperança de receber outro em troca, o que não foi o caso — Vejo vocês mais tarde. — deu uma piscadinha, sorrindo meio importunado, seguindo em rumo a pista colorida.


Jimin sentiu um alívio instantâneo quando Jungkook não estava mais perto. Todos os músculos do corpo amoleceram, que antes estavam duros como pedras. E Chad percebeu, obviamente. Era muito observador.


— O que rolou entre vocês dois? — o rapaz perguntou baixo, para que só Jimin escutasse.


Park virou o rosto para ele, com uma careta confusa, engolindo duro.


— Como assim?


— Você e o Jay. — tomou um gole da garrafa de cerveja, os olhos azuis podendo o ler, de tão transparente que era — Foi só o cara chegar que você voltou ao modo garoto tímido.


Jimin gaguejou, não sabendo ao certo o que falar.


— Nós não temos nada. Eu conheci ele hoje. — disse, na defensiva.


— Então porque ele te deixa tão tenso? — Chad inclinou o queixo para o lado.


Jimin não podia negar. Era tão aparente que até Chad, que ele mal conhecia, pode perceber. Jungkook o deixava muito tenso, de uma maneira muito descontrolada e confusa.


— Eu... — o garoto suspirou, derrotado — Eu não sei. 


Chad semicerrou os olhos, tomando outro gole da garrafa de cerveja.


— Hum. — encarou o garoto que olhava para um ponto qualquer, confuso, passando a língua nos dentes — Quer um concelho? Não se envolva com ele.


Jimin levantou a cabeça.


— O que?



Não se envolva com o Jay. — passou os braços por trás do banco, deixando-o atrás das costas de Jimin — Um garoto como você não deveria se envolver com caras do tipo dele, que não prestam e só ligam pra sexo.


O estômago de Jimin congelou e as faces dele ficaram rubras.


— Você não está entendendo. Eu não curto... Essa onda. Mas não tenho nada contra. — disse de maneira sussurrada.


Chad ficou confuso.


— Então por que o Jungkook te encarou daquele jeito? — perguntou, com a estética de um sorriso ao redor dos lábios.


Jimin ficou ainda mais confuso;


— Eu realmente não estou entendendo do que você está falando. 


Chad parou por um segundo, analisando o rostinho confuso daquele garoto. Pelo visto, ele estava certo, ele era mesmo bastante inocente no quesito de relações sociais. Era fofo, mas também, estranho para um garoto de dezoito anos. Chad tomou outro gole da garrafa de cerveja, abanando o ar com as mãos.


— Deixa pra lá. — deu um sorriso sem dentes, apertando a bochecha gordinha do garoto, que ficou vermelho com o ato.


Jimin suspirou, um pouco irritado. Cruzou os braços, com um bico nos lábios. Por que eu tenho a impressão de que eles estão me tratando como criança? Que saco.


Antes que o garoto pudesse se afundar mais nos pensamentos, alguém começou a cutucar o microfone no meio da pista de dança, e Jimin soube na hora o que estava prestes a começar. O coração dele acelerou.


— Olá, eu sou o Jay, vocalista do RedLovers, que vocês obviamente, conhecem muito bem. — a voz soou do microfone, todos na plateia riram, menos Jimin — Bom, hoje eu vou cantar uma versão acústica de uma música muito importante para mim, que me lembra alguém muito especial. Ela se chama Fake Plastic Trees, do Radiohead. — Jungkook terminou de afinar o violão, se preparando para cantar — Espero que gostem!


Jimin sentiu que estava prestes a ter um ataque de ansiedade. Ele não queria ouvi-lo cantar, não queria ver. Pois sabia que iria se vulnerabilizar todo e sentir as sensações estranhas de novo. Mas ele não pode evitar, pois agora, de onde estava sentado, podia ver claramente Jungkook, que colocou os dedos grandes na posição do primeiro acorde do violão.


E então, o primeiro acorde foi tocado, como a brisa harmoniosa que o barulho do vento faz nas árvores;


A green plastic watering can. For a fake Chinese rubber plant. In the fake plastic earth.


Jungkook tomou fôlego, ao que passava os dedos pelas cordas de maneira harmoniosa;


That she bought from a rubber man. In a town full of rubber plans. To get rid of itself.


Jimin sentiu aquilo de novo. Só que mais forte. O loiro tinha uma expressão belíssima de encanto e admiração, ao que observava o talento de Jungkook. A voz dele realmente tocava o coração, e a música era linda. 


It wears her out. It wears her out. It wears her out. It wears her out.


Jungkook tomou folêgo, fechando os olhos.


She lives with a broken man. A cracked polystyrene man. Who just crumbles and burns.


Quando eles os abriu, eles estavam focados em Jimin. 


He used to do surgery. For girls in the eighties. But gravity always wins.


Jungkook encarava Jimin, as sensações só se intensificavam.


And it wears him out.


Jimin estava hipnotizado. Os olhos do moreno e os dele brilhavam, se conectando.


It wears him out.


Ele sentiu algo diferente, que nunca tinha sentindo antes.


It wears him out.


E então, ele acordou. Assustado por sentir coisas que não sabia o que eram.


Wears him out.


Jimin entrou em desespero.


— Eu preciso sair daqui. — Jimin sussurrou para Chad, ofegante.


— O que? Como assim? — a rapaz perguntou, confusa.


— Não estou me sentindo bem. — se levantou afobado — Vou ao banheiro e já volto. 


Antes que ele fosse, Chad o puxou pela mão.


— Qualquer coisa você me fala, tá bom? Sei que nos conhecemos agora, mas eu realmente quero ser o seu amigo. Eu gostei de você, Jimin. A minha irmã também. — a garota falou, com uma face contorcida de sinceridade e preocupação.


— Obrigado. E eu também quero ser amigo de vocês. Mas eu realmente preciso ir. — o garoto sorriu, desconfortável e Chad o soltou, dando um olhar compreensivo.


Jimin começou a andar rápido, passando entre a multidão, esbarrando nas pessoas, até que encontrou uma porta que tinha um sinal luminoso que indicava que era o banheiro. Ele estava meio desesperado, asfixiado com toda aquela situação. Tudo por causa das sensações que ele sentia e não sabia lidar. Ele entrou no banheiro, fechando a porta na mesma hora, que abafou a música do lado de fora. Se aproximou do pequeno espelho ali presente, sujo de marcas de batom e nomes aleatórios. 


Jimin se encarou, tentando normalizar a respiração.


Ele precisava respirar, pelo menos por um segundo. Tudo aquilo estava-o sufocando. As emoções borbulhavam como nunca dentro dele. O garoto se aproximou da pia, abrindo a torneira e molhando o rosto com a água morna. Aquele lugar era ainda mais abafado do que a parte de fora, pelo tamanho minúsculo. Então, um barulho se fez na porta, de pessoas entrando. Park suspirou na mesma hora, se levantando e fechando a torneira que rangia. Esperava de coração que não fosse Jungkook.


Infelizmente, não era.


— Olhá só, achamos um passarinho perdido, Yungsoo. — uma voz maliciosa e masculina soou atrás de Jimin, que ao levantar a cabeça, se deparou com dois rapazes aparentemente mais velhos, atrás de si pelo reflexo do espelho.


— Hoje é o nosso dia de sorte. — o outro rapaz começou a rir, encarando as costas do loiro de cima abaixo, da maneira mais nojenta possível.


Jimin deu um sorriso sem muita emoção.


— Olá. — ele se virou, apoiado agora de costas contra pia fria de mármore branco, apertando as mãos na borda da mesma, de maneira ansiosa, abaixando a cabeça.


— Não seja tímido. — disse o homem, o outro somente sorria de uma maneira tenebrosa, atrás dele, tal que Jimin teve o desprazer de pôr os olhos por alguns segundos.


— Nós estávamos de olho em você, desde que chegou. — o mais baixo riu de forma estranha, passando os olhos por todo o corpo do loiro — Que oportunidade. Bem na hora.


— Pois é. — engoliu seco.


— Você é muito bonito. — o mais alto elogiou, mordendo os lábios.


— Obrigado. — Jimin corou em constrangimento, se sentindo desconfortável.


— Seus cabelos... Posso tocá-los? — o mais alto e de aparência bruta pediu.


Jimin ficou apreensivo, se encolhendo.


— Hum... Eu acho melhor não. — ele podia ser inocente, mas não idiota.


O famoso jamais confie em estranhos estava valendo naquela hora.


Aqueles homens eram muito estranhos, a energia era pesada e Park não estava se sentindo bem. Era como um estado de alerta começando a ter início. Um medo terrível se instalou na garganta de Jimin quando um dos homens de aproximou da porta, trancando a mesma, e como uma reação natural mediante ao perigo, Park procurou um meio de fuga. Ele não estava desesperado, mas sabia que algo não estava certo. Aqueles homens o cercavam de uma maneira opressora, muito estranhos.


— Bom, foi um prazer conhecer vocês. — falou com um frio enorme na barriga, passando as mãos na calça, movimento que foi observado pelos homens a frente, que ficaram encarando as coxas dos mesmo — Preciso ir, já passou da minha hora.


Jimin tomou atitude seguindo em direção a porta, sendo impedido pelo rapaz de cabeça raspada, batendo a testa no ombro do mesmo pela diferença de altura, que o empurrou para a pia na mesma hora, de maneira forte. Uma bile horrível subiu pela garganta de Park, a língua se amargando como se ele tivesse bebido chá de boldo. O mais alto riu.


— Nós mal fomos apresentados, passarinho. — pendeu a cabeça de lado, a voz tinha um calor angustiante, de dar arrepios — Acha mesmo que vou deixar uma coisinha tão preciosa como você escapar assim?


— Ele parece ser dos tímidos. — falou o de cabeça raspada.


— Me diga, passarinho, já chupou um pau alguma vez na vida? — o mais alto perguntou, fazendo o estômago de Jimin se embrulhar como nunca antes. Ele sentia que poderia vomitar a qualquer momento.


— Eu duvido muito. A cara de menino virgem dele é quase gritante. — eles se aproximaram de maneira assustadora, encurralando o garoto ainda mais, visto que era duas vezes o tamanho dele.


— É, eu acho que está na minha hora de ir. — Jimin riu de nervoso, tentando pela segunda vez sair dali, sendo empurrado para a pia novamente, de maneira mais bruta. A lombar dele doeu e o coração começou a disparar.


— Você vai ficar aqui, passarinho. — se aproximou do mesmo, sussurrando no ouvido do loiro — Faz tudo que a gente mandar e não vamos ter problemas, ok? 


Jimin sentiu a adrenalina subir. Ele quis chorar, estava muito, muito assustado. Uma angústia ardilosa de intensificou no peito dele. Aquela sensação era horrível. Mas era como se ele não tivesse forças para reagir. Estava em choque. Estava prestes a sofrer um assédio, mas o que passava pela cabeça dele naquele momento, era que iria morrer. Jimin não queria morrer daquele jeito, naquele banheiro imundo, com aquelas pessoas que ele nem sabia quem eram.


Com isso, Jimin, se espremendo no meio daqueles homens, correu em direção a porta. Antes que ele pudesse chegar na mesma, uma mão o puxou pelo cabelo de maneira agressiva, a dor do puxão deixando o couro cabeludo do garoto ardendo, fazendo com que ele desse costas com algo duro, que parecia um corpo. A mão tapou a boca dele, fazendo Jimin se desesperar ainda mais, que se debateu com toda a força que tinha, o que era inútil, visto a diferença de tamanho entre ele e o rapaz que o apertava.


— Pelo visto, nós vamos ter que fazer as coisas da maneira difícil. Uma pena. — o homem apertou ainda mais o braço ao redor da cintura de Jimin, que resmungava aturdido, abafado por ter a boca tapada. 


O homem empurrou Jimin contra o corpo do de cabeça raspada, que imediatamente pôs o loiro de joelhos, segurando os dois braços do mesmo atrás das costas com uma mão e a outra nos fios loiros de Park. Doía muito.


— M-Me deixe ir embora, por favor! E-Eu... — a voz dele estava embargada, e as lágrimas já começavam a se formar no canto dos olhos. 


Jimin sentia tanto medo.


Estava impotente, fraco. 


— Não posso fazer isso. — o homem alto riu em deboche, parando a frente do mesmo, começando a desafivelar o cinto.


Jimin arregalou os olhos. O coração dele disparou ainda mais e as lágrimas rolavam pelo rosto desesperado. Não podia ser. Aquilo não podia estar acontecendo, não com ele. Não tinha dor pior que ser forçado a fazer algo que você não quer.


Ele estava passando por aquilo, não sabia por que, mas estava. O estômago dele se revirou quando o homem colocou o membro para fora, se aproximando de seu rosto, que estava numa posição favorável, visto que Jimin estava ajoelhado a força. 


— Abra a boca. — pediu com autoridade.


Jimin negou, sentindo o gosto das próprias lágrimas. 


— Não! — gritou com ódio, virando o rosto para o lado, fechando os olhos e os apertando com força. 


— Se você não abrir a porra da boca agora, eu juro que vai se arrepender, seu virgenzinho de merda. — um grunhido de irritação se fez na garganta do de cabelos castanhos, que apertava o próprio membro insatisfeito.


— Ele deve estar assim por que é uma vadiazinha que nunca pagou um oral, Kwan. — o que segurava Jimin riu, puxando o cabelo do mesmo com mais força, obrigando-o a olhar para frente, Jimin gritou de dor.


— Pra tudo tem uma primeira vez. Vamos lá, eu não quero te machucar, passarinho. Abre a droga dessa boca. — se agachou, o olhando com maldade.


— Jamais! — Jimin disse com os lábios contorcidos, chorando desolado.


O homem deu um sorriso contido de ódio, amolecendo as mãos e dando um tapa estalado no rosto de Jimin. Fora muito forte, o rosto delicado dele tinha ficado extremamente vermelho. Aquela agressão podia ter machucado, mas nada doía mais do que aquilo tinha feito o garoto sentir; 


Humilhado.


Ridicularizado. 


Não havia nada que Jimin pudesse fazer. Ele se sentia sujo, impotente. Só conseguia chorar, agora soluçando.


— Yungsoo, levanta ele. Agora. — o homem se levantou, amolecendo as mãos no ar. Se aproximando e pegando Jimin pelo pescoço, o colocando de barriga contra a pia. — Espero que você aprenda essa lição, aprenda que jamais se deve negar um pedido.


Jimin se apavorou. Não sabia o que ele iria fazer.


Tudo congelou quando ele sentiu a própria calça ser puxada para baixo.


O garoto sentiu tanto medo, que não pode conter a tensão, a descarga de estresse que sentia por causa do momento era tão aguda, que Jimin acabou soltando um líquido quente, que escorria pelas pernas trêmulas do mesmo, como consequência.


— Cara, você fez o garoto se mijar! — o de cabeça raspada tapou a boca com as mãos, rindo.


— O que? — quando se deu conta, o homem tirou as mãos da calça que estavam quase na metade, mostrando boa parte da cueca de Jimin — Que nojo! Seu... — virou Jimin com força, o pegando pela gola da camiseta, os olhos furiosos encarando a cara inchada e molhada de Jimin. O corpo dele estava retraído como pedra — Seu moleque desgraçado! Você me paga!


CRASH!


Um estrondo enorme.


A porta tinha sido arrombada.


Jimin sentiu alívio se alastrar por todo o corpo. Algum anjo tinha vindo para o seu resgate, ele deduziu. Antes que pudesse ver quem era o responsável por tudo aquilo, foi soltado de maneira brusca, batendo a cabeça fortemente na quina da pia. A dor cruciante se alastrou por toda a cabeça do menino, que estava jogado de qualquer jeito no chão, agora com as vistas embaçadas pela dor. Jimin tocou a parte de trás da cabeça, esfregando os dedos e sentindo um líquido viscoso na pele. 


Sangue.


Ele tinha batida a cabeça tão forte, que agora estava sangrando.


— Desgraçados! — a voz raivosa berrou. Jimin saiba que não era de nenhum dos dois que tinham o abusado. Com certeza não. Aquela voz era de outra pessoa, que parecia muito irritada.


Jimin ouvia barulhos de soco e coisas sendo quebradas, não conseguia enxergar nada e começou a se sentir tonto, muito tonto. As coisas giravam e a vontade de vomitar tinha voltado. Park tentou se mexer e nada. Então fez o que o corpo conseguia, se deitando no chão, que também parecia se mover. Era horrível aquela sensação, a dor era tão grande que parecia ter sido anestesiada pelo calor do momento. Era muito para a cabeça de Jimin processar. Ele estava entrando em colapso, tudo tinha juntado.


Park! — a voz chamou, passos ficando cada vez mais pertos aos ouvidos de Park — Por favor, abra olhos! Por Deus, e se eu não tivesse chegado há tempo? — a voz estava cheia de desespero —  Me perdoe. Céus, isso é tudo culpa minha. Eu jamais deveria ter te deixado sozinho.


O loiro ficou confuso. Não entendia do que aquela pessoa falava. Era tudo muito embolado. Jimin fazia esforço para ficar com os olhos abertos. A cabeça do mesmo, antes no chão frio e sujo, tinha sido levemente levantada, sendo colocada sobre algo duramente macio, que fez a parte de traz da cabeça ferida doer. Park começou a resmungar baixinho, dolorido. O anjo protetor o ajeitou, ao que praguejava sobre algo, começando a falar de maneira aflita;


Eles não vão mais te fazer mal, eu estou aqui. Não sei o que fazer para concertar isso, não sei se você vai ficar bem, não sei se eles te fizeram coisas piores. Mas agora você está comigo, a salvo. — a voz grave e conhecida confortou o loiro de maneira preocupada, que começava a piscar preto.


Jimin só conseguia ouvir aquele timbre grave de longe, sabendo que o dono da mesma estava com o rosto por cima, que teve um efeito instantâneo de segurança no peito abalado de Park. Mesmo perto, Jimin sentiu que começava a ficar longe.


 — Não vou deixar nada acontecer com você, ninguém vai te machucar, nunca mais. Eu prometo com a minha vida. — a voz era masculina e disse de maneira convicta, com a respiração descompassada. 


Jimin queria muito ver o rosto dele, mas não conseguia, estava tudo borrado de preto e o corpo sem forças. Algo tocou lhe o rosto, algo macio e quente, fazendo um movimento repetitivo, quase como um carinho, a voz do causador do mesmo soando calorosa em seguida; 


Stai calmo. Tutto andrà bene.


Então, Jimin enfim desmaiou, nos braços de alguém que não sabia quem era. 


Alguém que tinha lhe salvado a vida.


Notas Finais


tadinho do nosso bebê. a vida realmente não é fácil.

twitter; JEONTUB

até o próximo!


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