História Workaholic - Capítulo 11


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Categorias Naruto
Personagens Himawari Uzumaki, Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Minato "Yondaime" Namikaze, Naruto Uzumaki, Sakura Haruno
Tags Age Gap, Hinata, Naruhina, Naruto, Romance, Workaholic
Visualizações 185
Palavras 4.713
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Lemon, Literatura Feminina, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá, meus amores, tudo bem?
Pois bem, eu queria me desculpar pela demora na postagem. Já tenho muitos capítulos adiantados, mas algumas coisas aconteceram e eu passei os últimos dias (até um mês ou dois) pensando se eu deveria continuar a escrever, se estava fazendo a coisa certa e se servia para isso. Acabei faltando com vocês e sinto muito (vou responder aos comentários devagar do capítulo anterior).
Estou melhor, ainda não voltei a escrever 100%, nem sei se estou fazendo a coisa certa (ser escritora é meu sonho desde que me entendo por gente), mas não vou largar Workaholic aqui e nem vocês, por isso, aproveitem o capítulo.

Boa leitura.

Capítulo 11 - Capítulo Onze


1ª aula.

A terça-feira começou exatamente como deveria, mas Naruto não viu o tempo passar. Sempre que podia, Ino ia até a casa do tio para perturbar o primo, que estava ocupado demais estudando para dar atenção a ela. Durante todo o dia foi assim e, a noite, quando ela pensou que talvez fosse ter uma companhia para jantar, já que o marido ainda estava na Espanha, Naruto estava saindo quando ela chegou.

— Aonde você vai?

— Sair.

A resposta vaga dele não a deixou nada feliz, e Ino voltou para a própria casa reclamando, por mensagens, sobre como o primo não se importava com ela entre outros dramas. Contudo, as mensagens chegavam ao celular do jovem e eram ignoradas, já que o aparelho estava esquecido no bolso da calça dele, no silencioso.

O ateliê estava vazio quando chegou, apenas uma vozinha infantil podia ser ouvida. Naruto abriu a porta, pedindo licença, antes de tomar cuidado de fechar a porta atrás dele. Himawari correu para recebê-lo, contente. Naruto tinha decidido ir sozinho, porque Kiba continuava a encará-lo como se fosse um monstro no lugar do herdeiro.

— Boa noite, Hinata. — Murmurou quando conseguiu fazer a menininha soltar sua perna e voltar para o que fazia: um desenho com tintas guache.

— Boa noite.

A estilista silenciosamente ergueu os olhos, observando-o por alguns segundos antes de apontar para a cadeira ao lado da dela. Muito séria, ela aceitou os livros com anotações que ele lhe ofereceu antes de ocupar a cadeira apontada.

— E, então, o que tem feito?

A pergunta teria soado muito casual se ela não estivesse examinando o caderno que ele usava para anotações e como um breve diário. Ela queria saber sobre o que ele vinha fazendo a respeito dos estudos. Naruto não tinha muito tempo, apenas mais três semanas, mas ele vinha se esforçando muito no hotel e, por mais incrível que parecesse, vinha tendo resultados malucos e surpreendentes.

— Além de ler os livros, eu vou ao hotel todos os dias e fico lá durante a tarde. — Respondeu rápido, pegando um dos livros para mostrar algumas anotações. — Vê? Fiquei surpreso com a teoria na prática e, no começo, pareceu impossível, sabe? Você viu o estado daquele lugar... — Ele suspirou, como se isso fosse o suficiente para ela entender o que estava acontecendo de errado.

— E como está aquele lugar?

Hinata propositalmente repetiu as palavras escolhidas por ele. Ela não era nenhuma professora, mas tinha feito um curso de especialização em administração de empresas recentemente, já que planejava abrir a loja de roupas da própria grife, então, acreditava que podia ajudá-lo pelo menos com o básico. No entanto, se Naruto não estivesse disposto a colocar a mão na massa, nada daria certo.

— Ó, você não vai acreditar! — Exclamou Naruto antes de começar a narrar todo o trabalho braçal que vinha fazendo e comentar, discretamente, como era difícil comandar uma equipe, mesmo pequena como a que tinha. E a conversa acabou se estendendo para leves comparações entre as equipes do hotel e do ateliê.

2ª aula

Na quarta-feira à noite, o encontro começou da mesma forma, só que, dessa vez, ambos focaram em terminar de estudar os conceitos base da administração. Não era fácil, Naruto não era a pessoal mais estudiosa e atenta do mundo, mas para a surpresa de Hinata ele se mostrava esforçado e dedicado. A estilista podia entendê-lo, já que uma grande herança estava em jogo.

No entanto, o foco dele tinha quase o mesmo limite do foco de Himawari.

— Vamos pedir janta? — Perguntou o herdeiro, bocejando pela quarta vez desde que tinham pegado o livro de Adam Smith para revisar. — Algo bem forte, para eu acordar. Tipo vodka.

— O que é vodka?

A pergunta veio de Himawari, que encarava o jovem com curiosidade. Hinata lançou um olhar de reprovação para Naruto, que engoliu em seco. Ele tinha se esquecido de que a menina estava ali com eles.

— Ã... — Ele hesitou, olhando para a estilista em um leve pedido de ajuda.

Contudo, a mulher não pretendia facilitar para ele: — É, Naruto, o que é vodka? — Ela repetiu a pergunta da filha.

Convenientemente, Himawari saiu do sofá que ocupava e foi se sentar na cadeira em frente a Naruto, os olhos azuis brilhando com a curiosidade crescente. O herdeiro encarou Hinata novamente, mas a estilista apenas abriu um leve sorriso, claramente se negando a ajudá-lo. Ele se sentiu traído.

— É um... — Ele hesitou de novo, sem saber o que dizer para uma menina de quatro anos. Naruto não sabia qual era a melhor saída, mentir e acabar logo com aquilo ou dizer a verdade e ter que responder muitas outras perguntas. — É uma bebida de adultos, que é extremamente amarga e ruim.

Himawari arregalou os olhos, surpresa pela resposta. Hinata também se surpreendeu com a sinceridade dele, mas algo brilhou nos olhos de Naruto e ela queria saber até onde ele teria coragem de ir com aquilo.

— E por que é que você quer beber? — Perguntou a menininha, confusa.

— Porque me ajuda a pensar. — Respondeu simples, mas dessa vez Hinata soube que era uma mentira. — É como o remédio mais amargo do mundo e eu odeio tomar, mas preciso dele para conseguir estudar.

Ele fez uma leve careta de tristeza e Himawari caiu no continho que ele tinha inventado, avisando para ele não tomar o remédio se não gostasse e saiu da mesa, voltando para seu lugar favorito no sofá. Quando Naruto voltou a olhar para Hinata, havia julgamento nos olhos perolados da mulher.

— O quê? — Ele perguntou usando o mesmo tom inocente que ela usara antes e ela balançou a cabeça em negação. — Você queria que eu dissesse para a sua filha que bebo para me divertir e que, mesmo sendo amargo, é a melhor coisa do mundo?

— Você é impossível. — Ditou Hinata, revirando os olhos antes de voltar a abrir o livro. — Aqui, não terminamos ainda.

Ela teve que segurar um risinho ao ver a expressão desesperada dele ao notar que não havia acabado a sessão de estudos torturante. Havia algo de engraçado e curioso em como, sempre que eles estavam estudando, Naruto fazia uma expressão emburrada e infantil, mas não desistia. Ela ainda não sabia o porquê dele não sentar e conversa com o pai dele, mas não parecia correto se meter naquele assunto.

Ela preferiu ser um pouco mais paciente.

— Ei, Hima, que tal pedirmos comida chinesa hoje? — Quando a menininha gritou contente, a estilista pode ouvir um suspiro aliviado escapando pelos lábios de Naruto.

3ª aula.

Quando acordou na quinta-feira, Hinata teve a melhor surpresa possível, sua costureira chefe estava melhor e pronta para voltar a trabalhar. A estilista não teve medo de pedir para que ela aparecesse já naquela mesma tarde, porque a mulher estivera afastada pela semana mais corrida dentro do ateliê. Foi com um abraço que Hinata recebeu a mulher mais velha, que poderia até mesmo ser sua mãe, e pediu chorosa para que ela assumisse os detalhes finais do vestido de dama de honra de Himawari.

O vestido do jantar de Michelle já estava pronto e perfeito, agora, só faltavam o terno de Thomas e alguns detalhes mais trabalhosos do vestido de casamento. E ela teria a tranquilidade de uma tarde inteira para focar nisso e, como era só para o casamento, que aconteceria em três semanas, estava tudo dentro do prazo. Hinata suspirou aliviada antes de pegar o tecido do terno para começar.

 

— Tchau, minha querida. — Despediu-se a costureira chefe antes de deixar um leve beijo na bochecha  da concentrada estilista. — Nos vemos amanhã.

— Até amanhã, Sarah!

Ainda concentrada, Hinata não ouviu quando a mulher saiu, já que estava em seu escritório. Sarah, por outro lado, pretendia sair rápido, mas acabou dando de cara com Naruto, que se preparava para tocar a campainha. Obviamente, ambos não se conheciam, e a costureira se preparava para dizer que o ateliê estava fechado e que não havia mais ninguém quando Himawari, que vinha sendo trazida para o local pela babá, apareceu e correu para abraçar as pernas de Naruto.

— Ã... Posso entrar? — Ele pediu, sem dar muitas explicações.

Ele podia ter falado pouco, mas se fosse Sakura ali, ela com certeza notaria que o tom de voz dele estava mais ameno e, com certeza, bem mais educado do que da primeira vez em que aparecera no ateliê.

Oiê, Sarah! — Disse Himawari com a vozinha infantil enquanto a mulher dava espaço para os dois. — Xau, Sarah!

Não tinha como não se alegrar com a menina, mas a costureira ainda foi embora com a pulga atrás da orelha. Era claro que ela reconhecera o herdeiro da hotelaria Namikaze, mas ela não fazia ideia do que ele estava fazendo ali. No entanto, ela não estava no lugar dela de perguntar sobre as intimidades de sua chefe, só desejava que ela não estivesse me metendo em uma roubada perigosa.

— Mamãe, chegamos!

No momento em que Himawari "gritou", Hinata saiu do escritório dela carregando um saco preto fechado. Ela tinha um sorriso tão tranquilo em seu rosto que Naruto se distraiu por alguns segundos até que a estilista se abaixou para pegar Himawari.

— Trouxe sua janta. — Avisou Hinata para a menina, que soltou uma risada contente. — Vá lá dentro comer e deitar um pouco.

‘Tá bom, mamãe. — Concordou a menina. — Xau, Naruto!

— Tchau, Himawari.

Ele acenou para a pequena, que sorriu e correu para o lado de dentro, deixando os dois adultos sozinhos no salão de costura. O silêncio se alongou mais do que o normal, quando ele esperava que Hinata o enchesse de perguntas sobre o que ele tinha feito durante o dia. Dessa vez, no entanto, ela estava concentrada no saco preto.

— Hinata? — Chamou confuso. — Tudo bem?

— Claro! — Ela respondeu em um tom energético, bastante animado, deixando-o um pouco mexido. Naruto não estava acostumado a lidar com os sorrisos de Hinata, que eram inteiramente dedicados à Himawari ou às roupas que criava. — Venha até aqui, pare nessa marca, por favor, e tire seu casaco.

Naruto fez o que o que ela pediu, retirando o casaco de qualquer jeito no processo. Essa era uma mania que Hinata nunca tinha superado e vivia brigando levemente com ele, dando ordens leves para que ele cuidasse melhor de suas roupas.

— Então, me conte: como está o hotel, o que fez hoje? — Ela continuou enquanto tirava um blazer bonito e preto, ainda com costuras aparecendo.

— Bem, a equipe aumentou e o local está quase todo limpo. — Ele respondeu, erguendo os braços e deixando que Hinata tirasse suas medidas mais uma vez. — Nós estamos perto de estar prontos para receber os primeiros hóspedes e o senhor Stevens está muito feliz com isso.

A indicação da felicidade alheia não escapou aos ouvidos de Hinata, mesmo que ela estivesse focada em ajeitar o blazer ao redor dos ombros de Naruto. O herdeiro não estava tão animado, por mais que ele estivesse colhendo frutos de seu esforço.

— É? E a equipe, como está indo? — Ela inquiriu.

Os olhos e mãos dela caíram para a cintura dele, envolvendo-o com a fita métrica para pegar as medidas que precisava para fazer a calça social. Naruto engoliu levemente em seco. Ele normalmente não se sentia desconfortável perto de Hinata, já que ela tinha aquela aura serena que o ajudava a se acalmar, mas aquela proximidade o estava afetando e ele nem mesmo entendia o que estava acontecendo.

— Estão bem. Todos gostam uns dos outros, mas... — Naruto hesitou, obrigando Hinata, que havia se ajoelhado para medir o comprimento de sua perna, a olhar para cima. Os olhos perolados confusos colaram nos olhos azuis. Ele engoliu em seco, a posição dela o deixando extremamente consciente. — Mas um casal, a cozinheira e seu parceiro, que é garçom, estavam tendo alguns problemas.

— Você resolveu? — Questionou Hinata, preocupada.

— É claro! — Ele respondeu indignado. — Eu resolvi e eles estão bem, tudo funcionando muito bem. Quem você acha que eu sou?

Naruto pareceu ofendido, como uma criança, o que fez Hinata rir e se erguer. Por breves segundos, o herdeiro não pode deixar de observar o rosto pequeno e arredondado da mulher, mas ela não manteve a distância curta ou pareceu se importar com isso, apenas se afastou e escorregou para o lado.

— Vamos para a parte das finanças, então? — Ela perguntou e, colocando a cabeça no lugar, Naruto a seguiu para a cadeira. — Você precisa saber disso para poder receber seus primeiros clientes.

4ª aula.

Na sexta-feira, a aula começou mais tarde que o normal, porque Hinata precisou buscar Himawari na escola, já que a babá estava de folga. Com isso, Naruto teve mais tempo livre do que o normal e acabou parando, sem pensar muito sobre isso, em uma floricultura que havia perto do ateliê.

A quantidade insana de opções que havia dentro do local era um alívio para os olhos cansados do herdeiro.

 Naruto se lembrava da mãe e do amor dela por flores, como ela gostava de ter a casa toda enfeitada por qualquer tipo de cor e aroma que os diversos tipos de flores possuíam. Andando entre as pétalas coloridas, uma pequena flor colorida chamou sua atenção, porque, além de não a conhecer, era extremamente bonita.

— Com licença —, murmurou ao tocar levemente no ombro do vendedor —, que flor é essa?

— Essa é uma flux.

Naruto nunca tinha ouvido falar naquela flor, e analisou com curiosidade as pétalas rosadas com o interior branquinho. Vendo o interesse do cliente, o vendedor voltou a falar com o herdeiro.

— Essa flor tem apenas um significado, não importando sua cor. — Dizia o vendedor, esperando fazer aquela venda. Naruto, por outro lado, estava mais interessado na cor. Parecia algo que uma menininha gostaria. — Harmonia. Muitas mulheres as acham ótimas.

Contudo, o herdeiro não estava mais ouvindo o vendedor, seu foco na flor ao lado. O crisântemo era uma flor belíssima, elegante e resistente, a cor amarela forte o fez lembrar imediatamente de Hinata. Sem hesitar, e interrompendo o vendedor, que não parara de falar, Naruto pediu para que ele preparasse dois pequenos e discretos buquês, um de fluxs e outro de crisântemos.

 

Quando ele saiu da floricultura, carregando os dois presentes, Hnata tinha acabado de estacionar seu carro e estava retirando as coisas de Himawari de dentro do veículo enquanto a menina esperava pacientemente ao lado dela. Com cuidado, Naruto se aproximou das duas e foi recebido por Himawari, que sorriu e correu até ele como tinha se acostumado a fazer.

— Naruto! — Exclamou a menininha, feliz. Contudo, ela parou surpresa no meio do caminho ao vê-lo se abaixar para recebê-la. Naruto nunca tinha feito isso antes e acabou por atrair olhares curiosos até mesmo de Hinata.

— Oi, Himawari. — Ele disse com um sorriso fácil. — Tenho algo para você, me mostre suas mãos.

Naruto normalmente era muito direto e dificilmente enrolava com algo que não fossem os estudos. Hinata observou curiosa enquanto, sem hesitar, a menina estendeu os bracinhos gordinhos para Naruto. Devagar, ele tirou uma das mãos das costas e entregou um lindo buquê de flux para a garota, que arregalou os olhos surpresa ao receber o presente.

— Você me disse uma vez que era uma menina grande —, explicou Naruti ao vê-la abraçar o buquê —, então, comprei um presente de meninas grandes para você.

Curiosamente, até para Hinata, Naruto se dava super bem com Himawari e tinha o costume de brincar com a garota quando estava descansando dos estudos. Uma vez, ele tinha até mesmo brincado de bonecas para deixar a menor feliz. Para quem dizia não gostar de crianças, o herdeiro tinha criado um belo vínculo fofo com a menina.

— Mamãe, podemos coloca no meu quarto? — Perguntou Himawari depois de murmurar um leve obrigado e correr para perto da mãe. — Por favor?

— Claro, meu amor. — Hinata concordou com um sorriso. — Vá lá para dentro, vamos colocar elas em um vaso.

Himawari sorriu ainda mais, olhando animada para as flores rosadas em seus braços. Ela correu para o lado de dentro, sem olhar para trás, e Hinata colocou a mochila de Himawari nas costas, voltando sua atenção para Naruto. Um sorriso divertido brincava em seus lábios.

— Você sabe mesmo como ganhar uma garota, não? — Perguntou com diversão, sem qualquer tom de malícia na voz.

— Tem coisas nas quais sou muito bom. — Ele se gabou, usando o mesmo tom divertido.

— Ótimo, mas ainda precisamos deixar você bom em administrar hotéis. — Disse Hinata, arrancando um leve suspiro dele. — Vamos entrar, temos mais uma noite repleta de estudos para sua diversão.

Também sem hesitar, Hinata seguiu para a porta, mas parou ao ver que ele hesitava. Naruto parecia um pouco desconcertado e ainda mantinha um de seus braços nas costas.

— Naruto, está tudo bem? — A estilista perguntou preocupada.

Diferente de Himawari, que com certeza aceitaria o presente, ele não sabia bem o porquê de ter comprado o buquê para Hinata. Era claro que queria agradecer o trabalho que ela estava tendo, mas também não queria que ela entendesse nada de errado nas intenções dele.

— Está. — Ele respondeu depois de poucos segundos, caminhando com passos largos até ela e mostrando o buquê que escondia. — Posso guardar isso aqui um pouco? Comprei em um impulso e não posso deixar que elas morram.

Amélia analisou as flores com curiosidade, mas concordou com facilidade antes de convidá-lo para o ateliê de novo. No fim, Naruto desistiu de entregar o buquê para Hinata e não se sentiu muito feliz com isso, mas ele não achava ter uma boa desculpa para fazê-lo.

5ª aula.

Faltando um dia apenas para o jantar de casamento de Ino, o senhor Namikaze estava ficando maluco, como se ele mesmo fosse o pai da garota, o quê não era o caso. No entanto, por não perturbar a sobrinha, Minato acabava ficando ainda mais em cima de Naruto, que fazia o que podia para evitar o pai.

— Você vai fazer o que eu quero, está ouvindo? — Gritava o senhor Namikaze da porta da residência da família enquanto Naruto fugia do pai pela entrada da frente. — Você não vai conseguir e vai ter que se casar! Naruto, aonde pensa que está indo?

Depois de muito tempo ouvindo, o herdeiro se obrigou a pegar a moto, que deixava estacionada, do lado de dentro da garagem para fugir o mais rápido possível das garras malucas de seu pai. Naruto, decididamente, não precisava lidar com o patriarca naquele momento. Ele não acreditava que precisasse de alguém que duvidava dele quando estava lutando tanto.

Ainda na residência dos Namikaze, Minato voltou correndo para o lado de dentro, bufando e gritando para as paredes que aquilo era uma loucura e que Naruti não tinha o direito de fazer aquilo com ele. O patriarca correu para seu escritório, irritado por não saber o que o filho andava fazendo e com quem, e pegou o telefone fixo, discando rapidamente o número da única pessoa a qual podia pedir esse tipo de favor.

***

O barulho da moto de 600c assustou Hinata, que estava concentrada fazendo os últimos ajustes no vestido de Ino. A noiva fora até o ateliê durante a tarde e estava extremamente animada para a festa, não conseguindo parar de falar sobre os detalhes e como o noivo era romântico e perfeito.

Nunca, durante a amizade delas, Hinata achara que veria Ino tão apaixonada.

Assim, quando ouvi a moto, a mulher teve que se levantar para ver o que estava acontecendo e se surpreendeu ao ver Naruto parado em frente a loja, retirando o capacete e parecendo extremamente agitado.

— Naruto? — Chamou preocupada.

Não era normal ver Naruto tão transtornado durante as aulas, na verdade, não era normal nunca vê-lo transtornado. Quando se encontravam, coisa que vinha acontecendo há quatro noites seguidas e que durava várias horas, ele se mostrava alguém tranquilo, brincalhão. Toda a educação e frieza para com pessoas desconhecidas tinha sumido e deixado apenas um jovem de vinte e cinco anos que parecia ser muito mais relaxado do que o jovem bem cuidado e arrumado, altivo, que as revistas mostravam. No entanto, se havia algo de diferente entre os dois, e Hinata tinha notado isso, era que o rosto dele era extremamente expressivo. Dessa vez, as sobrancelhas retraídas, os lábios crispados e os olhos nublados indicavam grande irritação e cansaço.

— Você está bem?

Quando Hinata insistiu, Naruto ergueu os olhos na direção dela, mesmo que não parecesse estar vendo-a ali. Durante toda aquela semana, ele tinha focado completamente em estudar e em ir para o hotel trabalhar, além disso, tinha que aguentar os comentários do pai todos os dias e a insistência dele em saber o que andava fazendo. Os únicos momentos de descontração eram quando, durante os descansos nas horas de estudo no ateliê, ele podia brincar com Himawari ou ficar ouvindo Hinata murmurar para si mesma sobre roupas de desenhos.

Era maluquice, mas sentia conforto nessas pequenas coisas.

Eles tinham concordado que, naquela sexta-feira, iriam dar um tempo, que Naruto podia descansar, sair, fazer o que quisesse, já que vinha se dedicando tanto e tendo tantos resultados em tão pouco tempo. Contudo, assim que passou da hora da aula e o senhor Namikaze entrou furioso no quarto de estudos da mansão deles, Naruto desistiu de ficar em casa.

Mas não era como se ele realmente tivesse para onde ir. E, por isso, acabou parando no ateliê, sem realmente pensar muito sobre isso.

— Podemos estudar? — Perguntou repentino, surpreendendo Hinata. — Não consegui ficar em casa sem fazer nada e estava preocupado com o hotel, já que os primeiros hóspedes chegaram. — Explicou dando de ombros antes de descer da moto. — Claro, espero não estar atrapalhando.

Era uma mentira clara como a água do mar do Caribe, mas não era como se Hinata tivesse alguma coisa mais para fazer. Tendo terminado os vestidos de Ino e como Himawari estava com a babá naquela noite, a estilista pretendia só ficar até tarde trabalhando e desenhando novas peças.

— Não está, pode entrar. — Ela respondeu oferecendo um sorriso calmo a ele, que aceitou o convite e foi para o lado de dentro.

 

Normalmente, as conversas deles envolviam o hotel, o ateliê, funcionários, mas Naruto soltava apenas comentários aleatórios enquanto bebericava sua xícara de café. Isso estava deixando Hinata louca. Ela gostava de rotinas por um motivo e o herdeiro não estava ajudando nesse sentido. Ele estava obviamente mal e a deixava preocupada, por algum motivo estranho.

— Quando vai me contar o que aconteceu? — Perguntou Hinata casualmente, atraindo os olhos azuis sobre si, confusos. Ela nunca havia reparado, mas eles eram extremamente claros, mas estavam opacos. — Oras, não me olhe assim. Está na sua cara que algo aconteceu. Não foi você quem disse que iria “se esbaldar” hoje?

Ela tentou fazer uma imitação falha da voz dele. Hinata não era a melhor das comediantes e dificilmente contava piadas ou fazia gracinhas, por isso Naruto arregalou levemente os olhos, surpreso pela atitude dela, antes de rir baixinho.

— O que foi isso? — Ele perguntou negando com a cabeça.

— Foi você falando.

— Isso não teve nada a ver comigo.

A resposta simples dela fez com que ele soasse um pouco ofendido, como sempre soava quando Hinata  duvidada da capacidade dele ou o encarava como se estivesse falando com uma criança, mas os olhos azuis já não estavam mais tão vazios e isso aliviou um pouco do peso nos ombros de Hinata.

— Okay, então, por que não foi se esbaldar? — Perguntou, curiosa.

Ela nunca o julgava e isso fazia com que Naruto se sentisse extremamente confortável com ela. Mais do que estava costumado a ficar na companhia de outras pessoas. Ele casualmente colocou os antebraços sobre a mesa, suspirando enquanto pensava em como responder.

— Eu até ia... Mas o senhor Stevens me ligou e eu acabei tendo que atender ao chamado dele, sabe? — Explicou baixo, parecendo desanimado. Hinata vinha notando isso no decorrer dos dias. A felicidade de ter conquistado algo não fazia parte de Naruto. — Então, perdi algumas horas e, quando voltei para casa, meu pai estava lá.

Ele parou como se aquilo fizesse todo o sentido do mundo, mas ao notar o olhar inquisidor de Hinata, soube que era melhor continuar com sua explicação antes que ela acabasse usando aquele tom condescendente de sempre.

— Ele está ficando louco com o casamento de minha prima. — Ele continuou com a voz aumentando aos poucos e adquirindo um tom indignado, as mãos fechando-se em punhos tão firmes que os nós de seus dedos ficaram brancos. — Acha que eu estou perdendo tempo em não o obedecer e me casar de uma vez. Vive com palavras... pesadas e duras, tentando me desencorajar, e me pressiona para acabar de uma vez com isso. Ele acha errado que eu esteja sendo tão teimoso e que minha prima, que é mais velha que eu, vá se casar antes de mim.

Hinata ficou surpresa por ele se abrir tão facilmente, mas havia algo em Naruto que gritava por uma oportunidade de fazer aquilo. Ela já tinha notado isso também. Viver de aparências devia fazer com que ele se fechasse em um mundinho de bebida, sexo e diversão para não deixar que os tabloides soubessem dos problemas que existiam dentro da casa dos Namikaze. Era melhor parecer um playboy feliz do que o filhinho perdido de um papai rico.

Ela podia não entender o que era viver de aparências ou como era a vida de um herdeiro rico, mas sabia muito bem como era ter um pai exigente e que achava que podia decidir tudo sozinho. Compreensiva, Hinata colocou sua mão direita sobre a esquerda de Naruto, atraindo novamente o olhar azul e desanimado para ela.

— Pais são algo complicado, não é? — Perguntou delicada, fazendo um leve carinho na mão dele. Naruto sentiu o corpo relaxar levemente ao ouvir a voz suave. Se havia algo que ele gostava muito em Hinata era como a voz dela não soava alta, aguda e irritante aos ouvidos dele. — Não se preocupe, você vai conseguir mostrar para ele que não precisa se casar para ser bem-sucedido.

Era estranho para Hinata estar consolando um homem em um assunto que, na grande maioria das vezes, era um problema feminino. Contudo, a falta de crença dos pais na capacidade de seus filhos era um problema que assombrava muitas pessoas, de todas as etnias e gêneros, não importando em qual lugar do mundo estivessem ou em qual situação social vivessem.

— Você não precisa se forçar a nada, Naruto, cada um tem seu tempo. — Hinata voltou a falar. — Mas se dedicar a algo que você não ama é perder o tempo que você tem.

Ela estava falando a verdade, Naruto podia ver nos olhos perolados a sinceridade e a forma ardente em como ela acreditava naquilo. E, ele não conseguiu evitar, ficou pensando se havia mais alguma coisa que podia deixar aqueles olhos brilhando ainda mais acesos com aquelas chamas dançantes. Devagar, Naruto moveu a mão sobre a dela até que as palmas deles se encontrassem. Hinata não recuou, não parecia ter motivos para isso, já que Naruto parecia focado no assunto.

— Eu não amo nada, Hinata. — Esclareceu simples, a pele macia da mão dela muito mais interessante do que conversar sobre trabalho. Ele pode sentir aos calos dos dedos dela, provavelmente causados pelas agulhas, mas não se importou nem um pouco.

Eles eram a prova de que ela sabia do que estava falando.

— Você pareceu bem afeiçoado a flores.

O comentário saiu leve, quase baixo demais para ele poder ouvir. E o cérebro de Naruto chegou a registrar o que ela estava dizendo, mas o interesse já havia sido perdido. Ao notar que os olhos azuis estavam focados nas mãos unidas, Hinata recuou levemente, um pouco surpresa com a intensidade discreta que via nos orbes cristalinos.

— Você se sente melhor? — Hinata perguntou tentando dissipar aquele ar denso que se formara entre os dois.

Ela puxou as duas mãos para o próprio colo, escondendo-as, mesmo que ainda sentisse o toque quente de Naruto na mão direita.

Ele hesitou por alguns segundos, pensativo, os olhos ainda baixos para a mesa. No entanto, isso durou pouco, já que ele ergueu o olhar já mais animado, os olhos acompanhando os lábios em um sorriso divertido, mas ainda assim parecendo vazio.

— Acho que estou pronto para ir me esbaldar. — Disse com um sorrisinho alegre, sem realmente alcançar o tom que ele usava. — Obrigada, Hinata. — Contudo, o agradecimento foi tão significativo que a deixou sem palavras.


Notas Finais


Bem, é esse o capítulo que tenho dessa vez... Não sei exatamente se posso pedir comentários, depois de tanto tempo, mas espero que tenham gostado de ler e se divertido. Pretendo voltar logo com mais.


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