História WWCT — Suga; JiMin; JungKook - Capítulo 14


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Bangtan Boys, Bts, Drama, Jeon Jungkook, Jimin, Jin, Jung Hoseok, Jungkook, Kim Namjoon, Kim Seokjin, Kim Taehyung, Min Yoongi, Park Jimin, Rap Monster, Romance, Suga
Visualizações 445
Palavras 6.169
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Bishoujo, Bishounen, Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, seres vivos! ♡ Eu tenho algo importante para esclarecer. Sejam pacientes comigo e leiam tudo, ok?

Geralmente, quando o nome de um idol é adicionado ao título da Fanfic, significa que a protagonista (no caso, Sookin) irá ficar — ou pelo menos se envolver — com esse idol. Aqui é um pouco diferente.

No título de WWCT temos o nome de três idols. O que NÃO necessariamente quer dizer que haverá um triângulo amoroso entre eles e a protagonista (até porque seria um quadrado amoroso... Parei). Pode ser que, sim, tenha o triângulo — quadrado — amoroso. Mas pode ser que não.

Os nomes significam que, dentre os sete meninos, esses três serão os que mais aparecerão ao longo da história. Portanto, Sookin pode ficar com um dos três (ou os três, ( ͡° ͜ʖ ͡°)), assim como pode ficar com Hoseok, Namjoon, etc., ou com nenhum deles. Compreendem?

Uma outra coisa. Eu percebi que andam shippando muito um único casal. E sobre isso, eu só queria dizer que procurem evitar shippar tão rápido. Ainda tem MUITA coisa para acontecer e nem tudo o que parece, realmente é. O que quero dizer é, procurem visualizar todas as possibilidades de ships. Afinal de contas, TUDO pode acontecer.

Obrigado por lerem até aqui. O capítulo foi uma delícia de escrever, mas deu trabalho pelo tamanho. Espero que gostem! LEIAM AS NOTAS FINAIS ♡'

Capítulo 14 - Reflection


Após minha conversa com YoonGi — se aquilo puder ser considerada uma —, empenhei-me em evitá-lo de todas as formas possíveis. Sua postura está sendo de fato maçante. Minha vida já não é fácil e ele parece ter prazer em piorar as coisas. Juro pelo que há de mais sagrado, estou prestes a mandá-lo ir se foder!

 

A apresentação dos garotos em Yokohama ocorreu satisfatoriamente, como de praxe. Viajamos na madrugada e agora estamos de volta ao dormitório. Fomos dispensados de quaisquer compromissos por esse fim de semana. Isto é, hoje e amanhã. Segunda-feira a competição terá sua estreia e com ela será iniciada a rotina de filmagens.

 

— Os meninos estão nos esperando. Vamos? — chamou NamSeon, eu assenti.

 

Amarrei o cabelo num coque alto e dirigi-me até a sala de estar, junto a ela e KyungGi. Todos os garotos estavam lá; alguns esparramados pelo chão, outros pelos sofás. Nos encararam logo que adentramos o cômodo e, consequentemente, senti algo similar àquela sensação embaraçosa de quando se passa no meio de um grupo de homens.

 

Mesmo que esteja familiarizada com eles, ser foco da atenção de sete garotos não é algo que eu possa me habituar — ainda mais quando estes são meus ídolos. Também não é como se os garotos nos olhassem de forma maliciosa, muito pelo contrário, eles sempre agem respeitosamente e eu aprecio isso.

 

— Aí estão elas. Vamos começar a divisão. — disse SeokJin, levantando-se do sofá. Ele parecia empolgado, diferente da maioria.

 

— Eu e a noona vamos cuidar das roupas. — anunciou TaeHyung, direcionando uma piscadela de camaradagem à KyungGi.

 

Com os dois dias vagos os garotos decidiram realizar uma faxina no dormitório e, convenhamos, estava mais do que na hora. Divergente à primeira vez que estive aqui, o atual quadro do apartamento não é um dos melhores. Há tanta parafernália entulhada nos cômodos que se tornou difícil andar pela casa.

 

Questiono-me como está a situação dos quartos deles.

 

— Você, responsável pelas roupas? — contrariou NamJoon. — Até eu sou mais indicado para essa função do que você. — concluiu, esbanjando um riso presunçoso.

 

— NÃO! — gritaram os meninos em uníssono e o líder fingiu ressentimento.

 

— Então você e JungKook-ssi acompanham as meninas nessa tarefa. — sugeriu YoonGi à TaeHyung. Os dois concordaram.

 

Até onde me foi informado, quando os meninos reservam o dia para limpar o dormitório também o usam para lavar suas roupas. KyungGi e EunJi* se ofereceram para lavar as roupas das meninas dessa vez.

 

— Eu vou arrumar o quarto dos hyungs. — declarou NamJoon, esboçando um sorriso radiante no rosto. O restante dos garotos lançou murmúrios em objeção, alegando que seria uma divisão injusta já que o quarto dos mais velhos é o mais limpo entre todos.

 

— Acho melhor continuarmos com as divisões antigas. — articulou SeokJin — Forme uma dupla com JiMin-ssi e vocês dois limpam os seus quartos.

 

NamJoon suspirou, frustrado. Todos começaram a rir enquanto JiMin buscava animar-lhe com palavras de incentivo, porém, sem deixar de debochar do seu hyung.

 

— MinSuga-ssi vai cuidar do nosso quarto e… — SeokJin percorreu a sala com os olhos e depositou-os sobre mim. Nesse momento eu soube que ele pretendia me encarregar de limpar o quarto junto à YoonGi.

 

— Eu posso ficar com a sala! — me ofereci antes que Jin pudesse me designar para fazer dupla com Suga. Ele assentiu.

 

— E eu posso ficar com SookIn-ssi! — retrucou HoSeok. Os murmúrios que antes eram direcionados à NamJoon, agora tinham Hobi como alvo.

 

— Restaram a cozinha e o banheiro para nós dois. — proferiu SeokJin, lançando um olhar cúmplice para NamSeon. As palavras de KyungGi foram automaticamente reproduzidas em minha mente. Jin e NamSeon, será?!

 

— Posso trocar com HoSeok-hyung? — indagou JiMin, esboçando um sorriso ladino. Hobi o lançou um olhar fulminante e eu ri nasalado.

 

— Você não vai fugir de mim, ChimChim. — disse NamJoon e o abraçou por trás, debochando de JiMin. O menor comprimiu os lábios, esmorecido. Todos gargalharam.

 

— Por que eu sou o único a ficar sozinho? — reclamou YoonGi e me fitou de soslaio. Apenas o ignorei.

 

— Se preferir pode se juntar à JiMin-ssi e NamJoon-ssi, daí vocês arrumam os três quartos. — solucionou Jin. Os dois mencionados demonstraram euforia com a ideia, afinal de contas, seria uma ajuda a mais.

 

— Ora, o que está dizendo? Ninguém aqui está reclamando! Eu posso facilmente limpar o quarto sozinho. — corrigiu YoonGi, reparando que a segunda opção era pior que a primeira. SeokJin revirou os olhos.

 

— Eu e a noona cuidamos da cozinha e banheiro. SookIn-ssi e Hobi-ssi são os responsáveis pela sala e corredor. YoonGi-ssi vai limpar o nosso quarto. Tae-ssi e JungKook-ssi estão encarregados pelas roupas. Enquanto os outros dois quartos ficam por conta de JiMin-ssi e RapMon-ssi. — disse, por fim. E então cada um foi realizar sua respectiva função.

 

NamSeon me contou que quando há faxina no dormitório os meninos não incluem as assistentes na divisão de tarefas, uma vez que a bagunça é feita por eles. Sendo assim, as garotas apenas limpam o nosso quarto — lugar onde passam a maior parte do tempo —, lavam as próprias roupas e fazem compras no supermercado.

 

Ela sempre os ajuda na limpeza e eu, obviamente, não ficaria de fora.

 

Hobi e eu decidimos começar apanhando os inúmeros pares de sapatos amontoados na sala e no corredor. Enquanto eu segurava um enorme saco preto, ele colocava todos os sapatos dentro para depois levá-los aos seus locais de origem. De acordo com o mesmo, apenas ele poderia pegar os sapatos pois não arriscaria que eu sentisse algum tipo de mau cheiro.

 

Jung HoSeok e seu modo cavalheiro.

 

Com todos os pares recolhidos, abri a grande e única janela da sala. Devido às corriqueiras viagens o apartamento permanece trancado na maior parte do tempo, o que acarreta no impregnado cheiro de mofo. Retiramos as cortinas e só então notei a poeira por trás delas. Haviam até teias de aranha. Me pergunto o que mais há escondido nesse amontoado de coisas.

 

Passamos a ouvir músicas como forma de entretenimento e, ora limpávamos, ora dançávamos. Danças improvisadas e bizarras. Algumas vezes outros meninos apareciam na sala e juntavam-se às danças exóticas. Porém logo eram chamados de volta ao trabalho.

 

O apartamento estava mais sujo do que eu pensava e, mesmo assim, nunca foi tão divertido limpar uma casa. Hobi e seu maravilhoso espírito transformam as coisas em algo melhor do que realmente são.

 

Após muita dança e algazarra, arranjamos coragem para enfrentar as prateleiras abarrotadas. Ele decidia o que guardar e o que jogar no lixo, enquanto mostrava-me e contava histórias sobre os objetos. Alguns dados por fãs, outros pelas suas famílias.

 

Considero bela a forma como HoSeok lida com a vida. Ele de fato transmite esperança para qualquer um. Tenho certeza que assim como todo mundo, passa por momentos difíceis e, ainda assim, sempre busca espalhar alegria. A atmosfera que o rodeia é incrível e contagiante. Queria eu possuir metade da sua positividade. Só vejo o pior lado das coisas enquanto Hobi enxerga possibilidades em tudo o que vê.

 

Não me importaria de passar o resto dos meus dias ao lado de alguém assim. Ou melhor, ao lado de HoSeok.

 

Tudo ia bem, estava hipnotizada com a perfeição do garoto à minha frente. Infelizmente na minha vida momentos bons não duram por muito tempo. Enquanto observava suas ações, enfiei a mão no fundo da prateleira em busca de um livro jogado ali e senti algo rechonchudo. Encontrava-me tão enfeitiçada que demorei segundos para assimilar aquela sensação.

 

Olhei na direção da minha mão e senti o corpo inteiro enrijecer. Sem pensar duas vezes, corri e subi em cima do sofá. Tentei conter meus gritos, mas não pude.

 

— O quê? — perguntou HoSeok, alheio à situação.

 

— UM RATO! — bradei, indicando o local que tinha visto o bicho asqueroso.

 

Seu olhar seguiu para onde eu apontava e de repente seus olhos esbugalharam. Ele disparou e lançou gritos enquanto subia no mesmo sofá que eu. Encarei a mão que tinha tocado o animal e meus olhos marejaram. Eu tinha pego um rato!

 

Não demorou muito para que os outros aparecessem no corredor. Eles nos encaravam e nós procurávamos nos recompor.

 

— O que aconteceu?! — perguntou NamSeon e HoSeok apenas apontou para a prateleira. O rato provavelmente não estava mais lá, o que me deixou em estado de alerta.

 

— Alguém tira esse rato daqui pelo amor de Deus! — manifestei-me num tom de voz embargado.

 

JiMin alegou que ia pegar uma vassoura para espantar o bicho e, antes que alguém pudesse lhe dizer que havia uma ali na sala, ele já tinha se trancado no quarto. NamJoon e YoonGi se entreolharam com cara de paisagem e sorrateiramente retornaram aos seus lugares de origem.

 

Posto que TaeHyung e JungKook ainda estavam na lavanderia do prédio, restaram apenas NamSeon e SeokJin. Ela o encarou como se dissesse: “sobrou para você”, e Jin revirou os olhos.

 

Aish… Esses garotos dão uma de másculo na frente das fãs, mas fogem de um simples rato. — murmurou.

 

Jin iniciou sua busca pelo maldito bicho. E, somente após certo trabalho e com a ajuda de uma resistente NamSeon, ele conseguiu capturar o rato. Por fim, pediram comida para o almoço e depois continuamos a limpeza.

 

Já era final de tarde quando eu e HoSeok concluímos nossa tarefa. Ele rumou para seu quarto afirmando que necessitava de um bom banho, eu não estava em melhor situação. O corpo suado, o cabelo desgrenhado e a fadiga impregnada. Apenas sentei no chão, questionando-me se as garotas já haviam se banhado ou eu precisaria aguardar pela liberação do banheiro.

 

Não demorou muito até que ele aparecesse na sala. Sem o uso de palavras YoonGi sentou no chão, ao meu lado. Parecia cansado também. Evitei olhá-lo o máximo que pude e não disse nada. Quem sabe assim percebesse que eu não o queria por perto e me deixasse em paz.

 

Mas é claro que isso não aconteceu.

 

— Por que está me evitando? — indagou, sua voz parecia mais grave que o normal. Pensei em negar, no entanto, não funcionaria com ele. Então decidi usar sua pergunta contra si mesmo.

 

— Por que se importa? — rebati. O loiro arqueou uma sobrancelha.

 

— Eu não me importo. — replicou, simplista. Meses atrás isso teria me magoado. Atualmente? Não.

 

— Então por que está aqui? — interpelei, tentando expressar a mesma insensibilidade que ele. YoonGi depositou um olhar trucidante sobre mim. Eu estava cansada demais para me sentir intimidada.

 

Alguns segundos passaram em total silêncio, até YoonGi o romper outra vez:

 

— Está abusando da minha boa vontade. — murmurou e eu ri amargamente.

 

Isso é sério?! Não posso acreditar que ele teve a audácia de me falar isso. Caramba, será que alguma vez na vida YoonGi deixará a arrogância de lado? Eu estava cansada fisicamente, e principalmente, eu estava esgotada da sua estupidez.

 

— E você já vem abusando da minha faz um bom tempo. — disse e levantei, retirando-me do cômodo. Se continuasse ali iria xingá-lo de todos os palavrões existentes e até inventar uns novos.

 

Dirigi-me ao quarto e felizmente as meninas já haviam se banhado. Tomei um banho prolongado buscando esvaziar a mente, como se a água corrente pudesse levar embora toda a tristeza. Talvez eu nem precise dizer que foi uma completa falha. Com o fim do banho, resolvi guardar as roupas lavadas por KyungGi e reparei que minha mala também precisava de uma organização.

 

Já passavam das 19 horas quando terminei de arrumar meus pertences e, ainda que estivesse cansada, decidi ir na sala. Quem sabe os meninos estivessem fazendo algo interessante, eu não perderia a oportunidade de me juntar a eles.

 

Adentrei a sala, não havia ninguém. Provavelmente estavam cansados demais para qualquer coisa. Sendo assim, recostei-me ao sofá e coloquei o fone de ouvido.

 

 

 

 

 

 

[…]

 

 

 

 

 

 

Abri os olhos, alguém estava me cutucando. Era NamJoon. Olhei ao redor do cômodo, JiMin, TaeHyung e SeokJin conversavam sobre algo que eu não pude ouvir devido a música alta. Retirei os fones do ouvido e o líder sentou ao meu lado.

 

— O que está ouvindo? — indagou, e eu agradeci mentalmente pela minha decisão de parar de ouvir K-Pop.

 

— MPB. — repliquei, coçando os olhos. Estava tão cansada que adormeci na sala.

 

— MPB? — repetiu minha resposta, confuso. Ri nasalado enquanto me endireitava no acolchoado sofá.

 

— Sim. Aqui vocês têm o K-Pop, no Brasil temos o MPB. — esclareci. Ele pareceu se interessar.

 

— Oh! Então é uma sigla para… ‘Music Pop of Brazil’? — sugeriu e logo franziu o cenho, percebendo que tinha falado algo sem sentido.

 

Aigoo, Kim NamJoon. Por que tão fofo?

 

— Está mais para ‘Música Popular Brasileira’ — o corrigi e ele entoou um prolongado “Ahh”. Depois me encarou como se não soubesse mais o que falar.

 

— Quer ouvir comigo? — questionei, NamJoon assentiu de imediato.

 

Coloquei algumas músicas para ele ouvir. Que por sua vez gostava de umas e nem tanto de outras. Lhe mostrei também as traduções, ele parecia aprovar. Afinal de contas, quem não se encanta ouvindo MPB? Além de ser um dos meus gêneros musicais favoritos, ainda traz consigo um pedacinho do Brasil.

 

— Como se chama essa cantora? — perguntou, compenetrado na melodia.

 

— Zizi Possi. — repliquei. Ele tentou repetir o nome e após umas tentativas de alguma forma conseguiu. Esse garoto é mesmo um gênio.

 

— Eu amo essa música! — afirmei, assim que começou a tocar ‘O Silêncio das Estelas’. Ele gostou da música, mas não tanto quanto eu.

 

— Espera um pouco. — pedi, procurando a canção. — Algo me diz que você vai gostar dessa.

 

‘Toda Forma de Amor’ começou a tocar e eu passei a dançar com os braços, me envolvendo no ritmo da música. NamJoon prontamente me acompanhou. No refrão já estávamos eufóricos, ele dançava com os ombros e a cintura de uma maneira exótica. Eu não estava em uma situação melhor.

 

— Nossa, é realmente muito boa. — proferiu, olhando a tradução.

 

— Sabia que ia gostar. — enunciei, vitoriosa. Então percebi uma fotografia do Lulu Santos ao lado da letra. — Ele é tão lindo. — comentei num suspiro.

 

— Ele até tem um charme incomum. Mas é um hyung muito velho para você, não acha? — disse NamJoon, fazendo uma careta. Eu gargalhei.

 

— Não, não. — sacudi os braços em negação. — Sou apenas uma fã. — esclareci. Ele pareceu aliviado.

 

Sobrecarreguei-o com outras canções e ficamos ali conversando a respeito de diferentes músicas. Ele possui um vasto conhecimento sobre o assunto, fato cujo me deixou ainda mais envolvida. Conversamos, brincamos, dançamos e gargalhamos, foi um momento maravilhosamente bom.

 

NamJoon me ofereceu o que eu mais precisava: diversão.

 

Sua companhia é tão boa. Ele conseguiu arrancar muitas risadas de mim. Ainda que seja o líder e precise representar o grupo na maior parte do tempo, Kim NamJoon tem um lado tímido e surpreendentemente fofo. No fim das contas, é só mais uma criança que cresceu demais.

 

Olhamos as horas, pouco mais de 21. Percorri os olhos pela sala, só então notando que estávamos sozinhos. Todos foram dormir e nós havíamos continuado ali, alheios ao que acontecia ao nosso redor.

 

Quis continuar na companhia de NamJoon, não me importaria se aquele momento fosse eternizado. Entretanto, a realidade é algo do qual não se pode escapar. Decidimos ir dormir, desejamos boa noite e então cada um rumou para o seu respectivo quarto.

 

Me estirei na cama e sorri. Apesar dos pesares, o dia tinha sido maravilhoso.

 

 

 

 

 

 

[…]

 

 

 

 

 

 

Despertei assustada sentindo um peso extra em cima de mim. O que era aquilo? Abri os olhos com certa dificuldade e me deparei com KyungGi praguejando. Ela tentava deitar do meu lado. Olhei ao redor do quarto, as meninas permaneciam dormindo. A julgar pela escassa claridade, ainda era muito cedo.

 

— O que está fazendo? — sussurrei. Não queria acordar ninguém.

 

— Merda, bati a cabeça na porra desse beliche. — murmurou, ao mesmo tempo que massageava sua testa. — Não sei como consegue dormir na parte de baixo.

 

— Na verdade, eu prefiro. — repliquei, concedendo espaço para KyungGi deitar. Ela se espremeu até acomodar-se no lado recostado à parede. — Por que está aqui?

 

— EunJi-unnie está roncando demais. Perdi a noite inteira de sono! — queixou e eu ri nasalado. As duas dividem um beliche. — Aigoo, justo hoje que é o nosso último dia livre… Ainda bem que ela vai embora. — articulou, diminuindo o tom de voz na frase final.

 

— O que? EunJi-unnie vai embora? — indaguei. Por que eu sempre sou a última a saber das coisas?

 

— Jesus, em que mundo você vive?

 

Também não sei. Gostaria de saber.

 

— Pelo menos sabe que ela namora, certo? — complementou e eu maneei a cabeça, concordando. — Bom, a unnie não é mais uma mocinha… Ela e o namorado decidiram se casar e, por causa do contrato, não podia simplesmente largar o emprego. Então, depois de negociações, reduziram o prazo do contrato para 4 meses. E agora ela está cantarolando pelos cantos já que esse prazo acaba em 1 semana.

 

Suspirei. EunJi jamais me contaria algo assim. Ela nem fala comigo.

 

— E JiMin? — perguntei, curiosa. EunJi é sua assistente. Ele provavelmente sentirá falta dela, imaginá-lo triste me incomoda.

 

— Virá uma novata cuidar dele. — afirmou, eu murmurei um “Hum”. — Agora chega de conversa. Eu não estava brincando quando disse que não dormi a noite inteira. — concluiu KyungGi, virando para o outro lado da cama.

 

— E você acha mesmo que vamos conseguir dormir juntas numa cama de solteiro?

 

— Qualquer coisa é melhor do que continuar lá. — retrucou KyungGi, apontando o seu beliche ainda de costas para mim. — E eu também preciso repor meu sono de beleza. — ri, debochando da menor.

 

— Pode ficar com a cama inteira, vossa alteza. — levantei do beliche e ela volveu o corpo na minha direção, encarando-me.

 

— Não vai voltar a dormir? — balancei a cabeça em negação.

 

— Uma certa unnie tirou o meu sono. — resmunguei, KyungGi riu nasalado.

 

Olhei as horas, eram 6 da manhã. Fiz minha higiene matinal e rumei até a sala, dando de cara com uma das cenas mais graciosas do mundo:

 

Kim TaeHyung estirado no sofá numa posição nitidamente desconfortável, todavia, sua expressão era de conforto. O cabelo castanho lhe cobria parte dos olhos; sua boca entreaberta parecia a coisa mais fofa do mundo. Inusitadamente quis enfiar o dedo em sua boca. Não de uma forma maliciosa, apenas tenho vontades estranhas.

 

Me ajoelhei ao seu lado e cogitei permanecer ali observando-o dormir por um tempo. Entretanto, diante da posição que ele estava, presumi que acordaria com uma bela tensão muscular e a última coisa que eu queria era vê-lo sentir qualquer dor.

 

Oppa? — chamei, cutucando-o delicadamente. — Oppa, acorde. — aumentei o tom de voz, mas não tive resposta. — Oppa! — TaeHyung chacoalhou a cabeça e coçou os olhos, abrindo-os.

 

— SookIn-ah? — articulou após um bocejo espreguiçado. — Ele parecia atordoado e com razão. Sei bem como é ser acordado e perceber que dormia na sala.

 

— Por que está dormindo aqui? — demorou alguns segundos para me responder, tentando lembrar do motivo.

 

— Pus as roupas limpas dos meninos em cima da minha cama e quando fui dormir não soube onde colocá-las, então decidi dormir na sala. — explicou, como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo.

 

— Não trouxe nem uma coberta? — ainda que eu seja mais nova, naquele momento me senti como sua mãe ou algo do tipo. TaeHyung parecia um bebê.

 

Um bebê que flerta como ninguém nas horas vagas.

 

— Estava calor. — explicou, eu sorri graciosamente.

 

— Já volto, está bem? — ele assentiu e eu deixei o cômodo.

 

Sabia que não era certo entrar no quarto dos meninos. Eles estavam dormindo, seria como invadir suas privacidades. Ou pior ainda, poderiam estar acordados, talvez se trocando… As possibilidades eram infinitas. Contudo, eu não deixaria TaeHyung dormindo desconfortavelmente no sofá, ainda mais no seu último dia livre. Ele precisa de descanso.

 

Permaneci frente à porta do quarto analisando qual opção era pior. Entrar sem avisar e flagrar algo inoportuno. Ou bater na porta correndo o risco de acordar os garotos, os quais também precisam de descanso?

 

Lembrei da última vez que abri uma porta sem bater… Aigoo! Chacoalhei a cabeça, buscando espantar esse pensamento. É completamente nula a possibilidade de que algum dos dois estejam fazendo algo obsceno. Afinal de contas, eles só poderiam realizar algo entre si.

 

Ri mentalmente, ao mesmo tempo que me recriminava pelo descabido raciocínio. Então decidi entrar sem avisar.

 

Sorrateiramente abri a porta do quarto. HoSeok estava totalmente coberto, nem o seu rosto fui capaz de enxergar. Soube que era ele apenas quando olhei para o outro lado e encontrei JiMin que, divergente à Hobi, estava mostrando muito…

 

Ainda que o cobertor cobrisse parte do seu corpo, era nítido que JiMin não usava uma camisa. Seus braços desnudos protegiam o tórax e, devido a pressão feita neles, seus músculos estavam mais evidentes. Além disso, havia uma veia saltada na extensão do seu braço.

 

Chacoalhei a cabeça mais uma vez. O que há comigo hoje? Quantos pensamentos impuros! Encarei a cama desocupada e, como TaeHyung tinha dito, estava repleta de roupas limpas. O que eu vou fazer? Não podia mandá-lo dormir no quarto das meninas, assim como não o deixaria dormindo na sala.

 

Iniciei minha busca por qualquer coisa que servisse para guardar temporariamente as roupas e, felizmente, encontrei uma caixa grande. Sem delongas, depositei todas as peças ali, procurando não as amassar. Empurrei a caixa até o recanto de uma das paredes brancas e disparei em direção à sala.

 

Praticamente arrastei TaeHyung até seu quarto. Ele deitou na cama pronunciando algumas palavras incoerentes e eu o cobri da melhor maneira que pude. Por fim, me retirei do cômodo, mas não sem antes conferir o sono profundo dos outros dois. Talvez eu esteja passando tempo demais com NamSeon.

 

Voltei para a sala e decidi que o ligaria. Estava com saudades e mesmo que ele estivesse dormindo iria acordá-lo. Me acomodei na poltrona e disquei seu número. No terceiro toque, ele atendeu. O que me espantou já que KwanJoo tem o sono pesado.

 

— Um bom dia para você, namorada que me liga às 6 da manhã. — aish, não importa o horário ou o momento, KwanJoo está sempre disposto a me provocar.

 

— Aonde você está? — perguntei, ignorando seu azucrinante bom humor.

 

Pensei que estivesse dormindo, no entanto, ouvi algumas vozes do outro lado da linha. Ou KwanJoo não estava em casa, ou noite passada tinha realizado uma orgia em seu apartamento.

 

— Passeando com meus velhos. — explicou e então eu ouvi alguém do outro lado da linha. “Está falando com SookIn-ssi?” pude reconhecer a voz, era sua mãe. — Espera um pouquinho.

 

— Está bem. — permaneci lhe aguardando. Para ser sincera, nem lembrava que seus pais ainda estavam em Seul.

 

— Pronto. — replicou, após longos segundos. — Meus progenitores mandaram um abraço e a minha mãe disse que quer vê-la antes de viajar.

 

— Ah, KwanJoo… — fui cortada pela sua alarmante risada. Imbecil.

 

— Fica tranquila, eu disse que você está viajando. — assegurou, senti uma onda de alívio me atingir. Nunca mais passaria por algo parecido com aquela noite.

 

— À propósito, cheguei em Seul ontem. — comentei, esperando que ele me enchesse de reclamações por não lhe dar notícias antes.

 

— Fiquei sabendo. — replicou, simplista. O que? Talvez eu tenha ouvido errado.

 

— Como?

 

— Sua amiga me contou. — disse. Franzi o cenho, não tenho muitas amigas. De fato, as únicas que posso considerar assim são KyungGi e NamSeon.

 

— Que amiga?

 

— KyungGi-ssi. — espera um pouco, desde quando KwanJoo virou monossilábico? E o mais importante: desde quando ele conhece a unnie?

 

— Não sabia que se conheciam. — comentei como quem não quer nada.

 

— Faz uma semana que nos conhecemos na empresa. — explicou. Pude jurar que ele segurava o riso.

 

— Hum. — proferi. Mais uma para sua enorme lista.

 

Se fosse outra garota pediria que ele se afastasse. Entretanto, eu conheço muito bem KyungGi. Ela, assim como KwanJoo, foge de compromissos mas não dispensa uma boa diversão.

 

— O que foi? Está com ciúme? — alfinetou, comecei a rir.

 

— Só se for dela, idiota. — rebati sua provocação e ele bufou, frustrado.

 

Ah, KwanJoo. Seu joguinho não funciona comigo.

 

 

 

 

 

 

[…]

 

 

 

 

 

 

— Jin-oppa. — lancei, assim que o vi adentrar a cozinha. Mecanicamente cobri a boca com as mãos, só então reparando o que havia falado. — Jin. — corrigi. Encarei-o sem jeito, ele riu.

 

— SookIn-ssi, pode me chamar de oppa. — afirmou, aproximando-se de mim. — Aliás, você deve. Afinal de contas eu sou o seu oppa.

 

Um arrepio percorreu minha espinha com sua última frase. Será que ouvi direito? Ele disse “Eu sou O SEU oppa”? Aigoo! Abaixei a cabeça, não queria que SeokJin visse o meu rosto. A julgar pelo ardor em minhas bochechas eu estava completamente corada. Suspirei, tentando me recompor e o fitei.

 

— Vão almoçar fora? Digo, você e os meninos. — indaguei, voltando ao assunto inicial e questionando-me se meu rosto ainda estava ruborizado. Espero que não.

 

— Na verdade, eu pensei em cozinhar. Precisamos desse tempo em casa. — respondeu e eu assenti. — Por que a pergunta?

 

— Eu pensei em fazer uma sobremesa brasileira para o almoço. — sugeri. Jin pareceu interessado.

 

Queria fazer um prato mais composto, porém, devido minha incrível habilidade de estragar tudo o que toco, uma simples sobremesa me pareceu a melhor opção. Além disso, não encontraria certos ingredientes por aqui.

 

— Você cozinha bem? — perguntou num tom brincalhão.

 

— Eu sou um pouco atrapalhada na cozinha, mas até consigo fazer algumas coisas.

 

Sempre quis cozinhar algo de origem brasileira para os meninos, no entanto, nunca tive oportunidade. Devido às corriqueiras viagens, nunca comemos em casa.

 

— Por mim está tudo bem. — disse, esboçando um sorriso tão genuinamente lindo que senti dificuldade em respirar.

 

— Precisarei da sua ajuda. — ainda que fosse apenas uma sobremesa, ele poderia evitar que eu fizesse algo errado. Ajuda nunca é demais.

 

— Por onde começamos? — articulou, dobrando as mangas da camisa.

 

 

 

 

 

 

[…]

 

 

 

 

 

 

SeokJin me ajudou com a sobremesa e eu na preparação do almoço. Ele é realmente bom na cozinha e possui bom senso. Nunca foi tão bom cozinhar.

 

O mais velho pediu que eu regulasse o nível do fogo. E eu, como o natural desastre que sou, verifiquei a panela primeiro. O óleo borbulhava e só aí lembrei de abaixar o fogo. Aproximei as mãos do fogão e, antes que pudesse fazer qualquer coisa, o óleo quente salpicou meus braços.

 

Num movimento abrupto, desliguei o fogo e gemi. Meus pulsos estavam queimados.

 

Ele me alcançou e segurou-me os braços. Inclinou a cabeça e aproximou os lábios de meus pulsos, assoprando os locais já avermelhados para diminuir a dor. Nesse exato momento NamSeon adentrou a cozinha. Olhei para ela e depois para a posição que me encontrava com Jin. Automaticamente lembrei o que KyungGi havia contado.

 

Claro, não estávamos fazendo nada. Contudo, quem entrasse na cozinha poderia mal interpretar-nos. E se ela nutrisse sentimentos por ele e tirasse conclusões precipitadas? Oh, céus. NamSeon foi a primeira a me aceitar aqui. E se ela pensar algo errado e se zangar comigo? Ou pior, e se isso a magoar?

 

Droga, eu não faço nada certo.

 

Desvencilhei-me das mãos de SeokJin e a encarei.

 

— Nossa, acabei de lembrar que meu amigo disse que me ligaria. Preciso pegar o celular! — exclamei, retirando-me apressadamente do cômodo. Eu sei, foi um péssimo pretexto. Mas não estava em condições de pensar em algo melhor. E nem me importava. Só queria sair dali.

 

Passei pela sala, todos os meninos estavam lá ou a maioria. Não prestei atenção. Saber onde eles estavam era a menor de minhas preocupações naquele momento. Apenas abri a porta de entrada e deixei o apartamento, tentando soar o mais normal possível. Não é novidade dizer que não consegui.

 

Caminhei até a escadaria do prédio e me sentei no meio de um dos lances de escada. Recostei a cabeça na parte e comecei a me recriminar. Por que sempre tenho que me enfiar em situações constrangedoras? Será que isso nunca vai mudar? Estou cansada disso. Estou cansada de tantas coisas… Tudo o que faço é com boas intenções, mas sempre acabo em maus lençóis.

 

Espero que KyungGi esteja errado sobre NamSeon e SeokJin.

 

Ouvi passos na escada e imaginei ser de algum morador desconhecido. Não me importei em olhar. Continuei ali, imóvel, como se isso pudesse me tornar invisível. No entanto, o som dos passos foi rompido quando o indivíduo chegou onde eu estava. A pessoa sentou ao meu lado e assim eu soube que era alguém conhecido.

 

Olhei desanimadamente para o lado e deparei-me com ele. Park JiMin.

 

— Atrapalho? — perguntou, com um sorriso fraco. Balancei a cabeça, negando. — Finalmente te encontrei sozinha.

 

— Moramos com mais 12 pessoas, oppa. Digamos que é meio difícil encontrar alguém sozinho. — brinquei, mas ele não riu. JiMin estava chateado…?

 

— Você sabe do que estou falando. — replicou, inalterável. Franzi o cenho. O que queria dizer com isso?

 

— Não, não sei. — afirmei. Ele suspirou, atenuando sua expressão.

 

— É que você está sempre com algum dos meninos. — disse e, por algum motivo, eu não respondi nada. — Desculpa se estou me intrometendo em um assunto que não é meu… mas o que aconteceu aquela noite continua se repetindo na minha mente. — JiMin parecia tenso.

 

— Que noite? — questionei, me fazendo de desentendida. Sabia exatamente do que ele estava falando.

 

— A noite que saiu. — suspirei e dirigi meu olhar à um ponto qualquer da escada. — Você disse que estava prestando um favor para o seu amigo… ShinHyuk-hyung era esse amigo?

 

— Não. — soei um pouco rígida. Não por causa da pergunta de JiMin e sim porque a ideia de ter qualquer envolvimento com aquele homem me deixava desconfortável.

 

JiMin não disse nada. Decidi prosseguir, não queria parecer grosseira.

 

— Por que está me perguntando isso? — o encarei, ele suspirou pesadamente. Nunca tinha o visto assim.

 

— Eu não sei o que aconteceu naquela noite. Tentei evitar o assunto já que não me diz respeito, mas você saiu tão desconcertada daquele carro, SookIn-ah… Não importa o quanto tente, não posso ignorar isso. — admitiu, pegando-me de surpresa.

 

— No começo eu achei que era coisa da minha cabeça e não tinha nada de errado. Entretanto, por algum motivo, me vi pensando nos acontecimentos daquela noite e algumas peças se encaixaram. Você é importante para mim e me incomoda pensar que algo ruim possa te acontecer.

 

JiMin fez uma breve pausa. Meus olhos estavam lacrimejando, mas eu persisti em segurar as lágrimas.

 

— O que quero dizer é, se precisar conversar, seja sobre aquela noite ou qualquer outra coisa. Eu estou aqui por você, huh?

 

Pronto. A última frase foi o suficiente para me fazer desmoronar, cair aos prantos. Não consegui mais segurar as lágrimas que persistiam em inundar meu rosto. A verdade é que, mesmo vivendo um sonho, também estou vivendo um pesadelo.

 

Meus pais me abandonaram. Estou longe das pessoas mais importantes para mim: KwanJoo e vovó. Sou tratada como leprosa pelas garotas que dividem um quarto comigo. YoonGi parece não cansar de me machucar. Esconder ser fã dos garotos é como abrir mão da melhor parte de mim. Choi ShinHyuk. As mentiras que preciso inventar para manter o emprego.

 

Tudo isso está me sufocando por dentro, como um veneno que mata aos poucos. E eu não tenho ninguém para conversar sobre isso. Nem mesmo KwanJoo.

 

Ninguém parou para perguntar como eu realmente me sinto. KyungGi e NamSeon são gentis comigo, mas não passa disso. Não posso comentar com KwanJoo sobre seu tio e, sempre que o assunto são os sete meninos, acabamos brigando. YoonGi sabe tudo, ou quase tudo. Mas nunca se ofereceu para me ouvir. Já JiMin, mesmo não sabendo de nada, ou quase nada, estava ali por mim.

 

Inesperadamente JiMin envolveu meu corpo com seus braços. No começo foi um abraço desajeitado, um tanto embaraçado. Nunca tinha o abraçado antes; nunca abracei nenhum deles. Porém, não demorou muito até que ele me puxasse para mais perto. Me aconcheguei no seu peito.

 

Permanecemos naquela posição por alguns bons minutos. Continuei chorando em seus braços. JiMin não dizia nada, respeitando o meu espaço, e eu o agradeci mentalmente por isso. Ele apenas me envolvia em seus braços e afagava meu cabelo. A sensação era tão boa. Eu poderia adormecer ali.

 

Quando me senti melhor, desvencilhei-me de seus braços. Mesmo que quisesse continuar o abraço, não abusaria da sua boa vontade. Ele segurou um dos meus braços e me encarou, franzindo o cenho.

 

— O que é isto? — perguntou. Segui seu olhar até meus pulsos, reparando as marcas avermelhadas. Sabia que havia queimado, sentia doendo, mas não imaginava que estava assim.

 

— Não foi nada. — o assegurei, já não doía tanto. — Só me queimei.

 

— Eu já venho. — afirmou, e subiu as escadas.

 

Não demorou muito para que JiMin retornasse.

 

— Perguntei aos hyungs o que era bom para queimadura e a noona disse água fria. — confessou, eu ri nasalado. — Vamos voltar, você precisa lavar isso. — ele pegou na minha mão, puxando-me. Hesitei.

 

Oppa, eu não quero voltar… Não agora. — ainda que meus pulsos tivessem incomodando, não tinha ânimo de falar sobre queimaduras ou de qualquer outra coisa.

 

— Não se preocupe. — JiMin sorriu e voltou a sentar ao meu lado. — Eu vou ficar com você.

 

Ele segurou gentilmente meus braços outra vez e começou a assoprar os locais irritados, alegando que na falta de água o vento frio seria suficiente. Observei-o enquanto estava compenetrado em assoprar meu pulso, era como se minha melhora dependesse da sua concentração. Sorri.

 

JiMin realmente parece um anjo.

 

 

 

 

 

 

[…]

 

 

 

 

 

 

Após me banhar, deitei na cama e passei a refletir sobre os recentes acontecimentos. Especialmente os dois últimos dias. O tempo que passei com os garotos… Tudo. Não sei dizer como, mas eu me deixei fraquejar na frente de JiMin. E eu jamais fiz isso, nem mesmo com KwanJoo.

 

Talvez eu só estivesse frágil demais.

 

De qualquer forma, esses meninos são mais importantes para mim do que imaginava. Estou começando a conhecê-los como humanos; aos poucos desfazendo a imagem de ídolos. Após muitas considerações, descobri o que tinha de fazer. Me retirei do quarto e fui até sala. SeokJin estava lá. Perfeito.

 

Parei em frente ao quarto dos dois. Suspirei pesadamente e tamborilei meus dedos contra a porta. Por sorte, não demorou para me atender. YoonGi me encarou, expressando uma leve surpresa. E, devo admitir, também estou surpresa comigo mesma.

 

— Posso entrar? — perguntei. Com exceção à essa manhã, nunca entrei no quarto de nenhum dos garotos. Apenas em hotéis.

 

Ele abriu toda a porta e me deu passagem. Sem hesitar, adentrei o cômodo e sentei numa das camas — YoonGi não iria me oferecer assento. Não sabia qual cama era sua, podia estar sentada nela, mas isso não importava. Ele fechou a porta atrás de si e acomodou-se na outra cama, frente a mim. Inspirei, expirei.

 

— Eu vim pedir desculpas. — o loiro franziu o cenho, como se eu estivesse falando um absurdo. Talvez eu tivesse. — Desculpa, oppa.

 

Não. Ele nunca me pediu para chamá-lo assim. E eu não o fiz por engano.

 

— Prometo que me esforçarei em ser uma assistente melhor. Me perdoe por qualquer inconveniente que eu possa ter lhe envolvido. — YoonGi me mirava, pasmo. Era tão surpreendente eu me desculpar? — Estou sendo sincera, oppa. Espero que possamos ter uma boa relação como colegas de trabalho. E num futuro próximo, por que não amigos?

 

Está bem. Confesso que não sei de onde tirei tanta coragem, todavia, essa era minha carta na manga. Tinha que usá-la bem.

 

Ele abriu a boca algumas vezes, como se quisesse falar algo, porém se arrependia no último segundo. Continuei a fitá-lo, não desviaria o olhar uma vez sequer. Não havia motivos, eu estava sendo sincera.

 

— Por que está fazendo isso? — foi tudo o que respondeu. Aish, esse cara não é nada fácil.

 

— Prezo pelo meu trabalho, decidi que serei uma profissional melhor. E como disse tantas vezes, você é meu chefe. Que tipo de funcionária não se dá bem com o próprio chefe?

 

— Não há necessidade disso. Não farei nada para que seja demitida. — por que uma vez na sua vida você não facilita a minha, YoonGi?!

 

— Bom, eu já disse o que queria. — proferi, levantando da cama. Fixei meu olhar nele, encarando-o com uma autoconfiança que jamais tive antes. — Querendo ou não, ainda seremos amigos…oppa.

 

Volvi o corpo em direção à porta e, da mesma forma que entrei, saí. Disparei até o meu quarto e deitei na cama.

 

Depois de rever o quadro da minha atual situação, percebi que esses sete garotos — ou seis — estão se tornando a família que eu nunca tive. Vivi com meus pais durante 17 anos e nunca me senti tão bem como me sinto aqui.

 

Claro que, assim como tudo na vida, nesse emprego há prós e contras. Contudo, eu percebi que desaprendi viver sem a presença dos garotos. Eles agora são mais do que ídolos para mim. E eu não vou permitir que picuinhas com YoonGi me façam perder o que venho conquistando.

 

Ele garante que não me demitiria e eu acredito nele. Todavia, não é só YoonGi que tem autoridade para tal. Até quando nossas desavenças passarão despercebidas? Ele não tem nada a perder com essas brigas, eu tenho. Algum dos dois precisava recuar, então eu o fiz.

 

Não posso arriscar perder os meninos pelo meu orgulho idiota. Então decidi que não importa quantos desaforos precise engolir, eu aguentarei calada. Preciso desse emprego como jamais precisei de algo na vida, e não será a arrogância do loiro que destruirá o meu grande sonho.

 

Fechei os olhos e sorri. Talvez as coisas mudem a partir de agora. Talvez nós realmente possamos nos tornar amigos.


Notas Finais


EunJi* = assistente de JiMin

Eu estava pensando e percebi que vocês não sabem muito sobre a autora, no caso, eu. Na verdade, não sabem nada. Eu queria escrever uma pequena apresentação para que me conhecessem mais, porém sou péssima quando o assunto é falar de mim mesma. Então, aproveitando o clima de interação, se quiserem saber algo sobre mim perguntem nos comentários. Podem fazer qualquer tipo de pergunta. Responderei a todos! ♡'

O que falar dos meninos com medo de um rato? Seokjin, o herói KKKKKKKKKKK'

O que acharam dos momentos que Sookin teve com os meninos? Qual deles mais gostaram?

E sobre essa mudança de atitude? Sookin é determinada, mas será que ela e Yoongi realmente conseguirão se entender?

Até os comentários! Beijos ♡'


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