História X9 - Ela sabia no que estava se metendo - Capítulo 2


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Categorias Naruto
Personagens Neji Hyuuga, TenTen Mitsashi
Tags Drama, Favela, Naruto, Nejiten, Policial, Tenji, Tragedia
Visualizações 58
Palavras 2.136
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência
Avisos: Drogas, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Não tô acreditando que eu voltei com essa fic ~rindo de desespero~.
Sério, pra galera que favoritou, comentou, colocou na biblioteca ou até só leu e queria mais, me perdoem a demora. Como eu disse foi o primeiro semestre da faculdade e eu quase surtei mas agora vai! ~ou assim espero~
Não vou falar muito porque quem veio aqui veio pra ler a história não pra me ver enrolando.

Ah eu recomendo, se vocês não lembrarem é claro, que vocês dêem uma lidinha no capitulo anterior pra refrescar a memória dos rumos da história.
Amo vocês e aproveitem ❤

Capítulo 2 - X9 - Parte 2


Fanfic / Fanfiction X9 - Ela sabia no que estava se metendo - Capítulo 2 - X9 - Parte 2

Quando o choque inicial começou a se dissipar e o enorme montante de adrenalina correndo por suas veias fez efeito, Tenten se colocou em ação. Primeiro olhou ao redor a procura de movimentação ou alguém que visse o que ela estava fazendo e acabou não encontrando ninguém, só o corpo de um dos traficantes mais perigosos da área, conhecido apenas como Shio; a Mitsashi descobrira da pior maneira - ainda lembrava dos gritos de "geme meu nome vadia" - que aquele não era o nome dele. Ela não estava triste por terem acabado com aquele infeliz.

Olhando para a outra direção, no sentido da subida do morro, viu uma viela não muito longe. Ela não podia deixar ninguém desconfiar de que havia um policial por perto ou, com certeza, em breve estariam colocando sua casa abaixo, literalmente. Aquela entrada escura seria perfeita pra esconder o que realmente tinha acontecido. Tenten correu pra dentro de sua oficina e buscou alguns panos o mais rápido que pode. De volta à calçada, se abaixou ao lado do homem e tentou avaliar qual de seus ferimentos estava em pior estado: o da perna parecia sangrar mais, talvez formasse uma poça vermelha no chão em pouco tempo. Para se certificar de que isso não acontecesse, ela ergueu o membro e posicionou um dos tecidos por baixo, justamente para absorver o sangue escorrido. O que estava prestes a fazer com certeza não era a melhor das ideias, mas era sua única opção no momento: desamarrou o coturno do policial, arrancou-o de seu pé e aproximou da coxa. O tiritar dos dedos refletia o total estado de medo e nervosismo da mulher no momento em que posicionou as mãos ao redor do ferimento e num impulso, pressionou o músculo com toda a força que conseguia reunir.

- AAARRRGH - Tenten levou um susto ao ouvir o urro de dor do policial, fazendo-a perceber que ele não estava totalmente desacordado como tinha imaginado.

Ela sentia náuseas vendo aquela cena, mas tinha que ser forte pois tinha uma vida em suas mãos. Sabia que não, mas tinha a sensação que a carne estava pulsando, quase saindo pra fora, igual seu coração parecia que ia fazer a cada martelada que dava contra as costelas dela. Sentiu uma fisgada em suas entranhas e o estômago todo revirar; pela primeira vez agradeceu por não ter conseguido almoçar - a visão de todo aquele sangue, aquela explosão vermelho viva, somado ao cheiro forte e metálico fazia a garganta arder com o ácido que subia pelo esôfago - se houvesse alguma coisa na barriga teria colocado para fora.

Agora vinha a parte mais esquisita. Fechou os olhos reunindo toda a coragem que conseguia e fez o que tinha que ser feito. A sensação do líquido espesso e quente entre os dedos não lhe era tão estranha quanto achou que seria, na verdade a fez lembrar de seus últimos momentos com Lee. Mais uma vez segurou o coturno e espalhou - com as próprias mãos - o máximo de sangue que conseguiu pela sola do calçado, depois se afastou alguns passos de sua casa e o bateu no chão, marcando o asfalto com uma pegada, repetindo o processo com muita pressa mais umas duas vezes até chegar a entrada da bendita viela. Lá ela simplesmente jogou o sapato longe fazendo parecer que o dono tinha se esgueirado por ali para fugir.

Voltou para junto do oficial e se sentiu uma idiota. Todo mundo sabia que a primeira coisa a se fazer em casos de ferimentos como aquele era um torniquete para evitar que qualquer infecção se espalhasse pela corrente sanguínea e que o ferido perdesse muito sangue. Rasgou um de seus tecidos e fez uma faixa grossa com a qual envolveu a perna acima do corte aplicando bastante pressão e amarrou com um nó simples. Por fim passou os braços por baixo dos ombros do homem e o ergueu minimamente, da maneira que deu, e começou a arrastá-lo para dentro de sua casa. "Você não podia ser mais leve?" foi seu primeiro pensamento, mas depois, num flash, ouviu um eco no fundo da cabeça perguntando por que estava se arriscando tanto por um desconhecido - que ela nem sabia se sobreviveria; poderia estar colocando sua família em perigo por causa dele. "Isso não importa nesse momento, Tenten!" foi a resposta que obteve, vinda provavelmente de seu estúpido coração que insistia em ser solícito com todos.

Suspirou aliviada quando conseguiu deixar o corpo no chão da cozinha pois já começava a ouvir o som dos gritos dos traficantes algumas ruas abaixo fazendo questão de avisar aos outros toda vez que achavam mais uma pessoa - viva ou morta. A ansiedade e o desespero a fizeram esquecer dos panos que havia deixado para trás na calçada, porém por sorte ela os viu quando ia fechar a porta. Saiu correndo e recolheu todos só que, assim que levantou, reparou na arma que o policial carregava - estava praticamente embaixo de sua janela e aquilo ela definitivamente não levaria para dentro. Pegou o objeto e numa carreira, subiu até a viela e novamente jogou o pertence lá, voltando depressa para dentro da "segurança" de sua casa. Fechou todas as trancas que sua porta tinha e arrastou o sofá para que também bloqueasse a entrada. "Agora vai ficar tudo bem."

Mas é claro que ainda não. No segundo em que concluiu o pensamento olhou de volta para o moreno no chão e viu que o sangue continuava escorrendo de ambos os ferimentos. Chamar uma ambulância pra socorrê-lo estava fora de cogitação, antes mesmo que ela chegasse os donos do morro matariam os dois. Além do mais ela nem tinha sinal de celular mesmo. O tom de pele dele estava ainda mais pálido que quando ela o encontrara, se isso era possível. Chegou bem perto para retirar as luvas e viu que as pontas dos dedos começavam a arroxear. Olhando através do rasgo do colete observou a outra ferida, que por sorte não parecia muito funda a ponto de rasgar algum orgão mas não poderia ficar ali aberta até apodrecer. Voltando a atenção para o corte na perna percebeu algo que não tinha visto quando pressionou o músculo da primeira vez: um brilho metálico minúsculo indicava que a bala ainda estava alojada ali. Tenten tentou enfiar o dedo para puxar e mais uma vez quase vomitou. Esforço à toa. Parecia que o projétil só tinha afundado mais na carne.

- A PINÇA! - "Por que eu não pensei nisso antes?!"

Na infância Tenten adorava brincar de médica, até que cresceu e se tocou que aquela vida de sangue, doenças e cirurgias não era pra ela. No final se tornou costureira devido a todas as circunstâncias.

Só que ela nunca tinha reparado no quanto os instrumentos médicos eram bizarramente similares aos matérias de costura. Talvez fosse por isso que ela sempre gostou de ser costureira. No quartinho reservado pro trabalho Tenten foi buscar suas agulhas, linha, tesoura e a pinça da máquina de overloque. Nunca achou que fosse usá-lá com esse fim. Antes de começar o "procedimento" ela lavou bem as mãos e esterilizou as coisas com álcool - não era o ideal, claro, mas estava correndo contra o tempo, o policial não aguentaria até que ela fervesse a água e lavasse tudo. Puxou um balde com um pouco de água para perto do corpo e embebeu um tecido ali, depois com muito cuidado para não piorar a situação, cortou a calça do policial e limpou ao redor do machucado.

- Me desculpa, isso vai doer muito...

Precisava esterilizar o corte antes de fechar para não correr o risco de infecção. De uma vez, virou a garrafinha de álcool em cima e deixou que entrasse no local. O som assustador que ouviu saindo da garganta do outro foi indescritível. Era tão alto que a morena ficou com receio de serem descobertos mas antes de realmente se ater a essa possibilidade o som diminuiu e o grito praticamente sumiu. Era possível ouvir apenas um fio de voz. Ele estava quase desmaiando de dor.

- NÃO! NÃO! ACORDA PELO AMOR DE DEUS! - ela começou a dar tapinhas na bochecha dele que já estava com alguns hematomas - Você tem que ficar acordado.

Ela molhou a mão no balde e jogou água no rosto dele até que viu os olhos abrirem minimamente e ouviu alguns gemidos. "Talvez se eu conversar ele fique consciente."

- Qual seu nome? - olhou a identificação na farda - Hyuuga né?! Oficial Hyuuga. Olha eu preciso que você fique acordado, você tá me ouvindo? Foca na minha voz e fica acordado. É o único jeito de eu saber se eu tô fazendo isso certo ou se você tá morrendo.

Foi então que lhe ocorreu. Qualquer erro dela e ele poderia morrer. Ela não era médica, não fazia ideia do que estava fazendo e podia matá-lo. "De qualquer jeito ele vai morrer se eu não fizer nada."

Por fim ela começou. Primeiro pôs a pinça dentro do buraco - ela não queria olhar mas era o único jeito - e procurou pela bala. Quando a encontrou agarrou de um jeito que conseguisse puxá-la por inteiro, sem deixar que nenhum pedaço ficasse para trás.  Depois de feito isso ela pegou uma agulha comprida e passou uma linha fina de lã pelo buraco. Sabia que não deveria usar a de poliéster porque o corpo jamais absorveria plástico. Um pouco desnorteada passou a agulha através da pele pela primeira vez na vida. Nem mesmo ouviu o choro do policial a cada laçada. "Se acalme Tenten, é igual costura normal...só que com gente." Pensamentos estranhos passavam pela cabeça da Mitsashi mas ela só se prendeu ao fato de parecer que estava costurando couro. Aquilo fez a situação soar menos bizarra. Ela não sabia bem que tipo de ponto os médicos usavam mas usou o mais forte que conhecia, mas ainda sim que fosse permitir a movimentação simples sem estourar. Quando terminou de fechar o corte tremia bem menos que quando começou. Pretendia repetir o mesmo processo no corte do abdômen, mas depois que abriu o colete e limpou ao redor do machucado, fez questão de ter certeza que o Hyuuga estava acordado e colocar um pano em sua boca para abafar os gritos que viriam na esterilização. Feito isso ela prosseguiu até que tivesse finalizado ali também - o que só ocorreu ao anoitecer. Apenas quando ela acabou percebeu que estava chorando. Mas não sabia desde quando.

- Conseguimos Hyuuga...- suspirou cansada - Conseguimos, ouviu... por favor fique vivo, está bem? Eu não posso ter feito tudo isso à toa.

Riu sozinha da piada sem graça enquanto limpava o sangue que secara na bochecha do moreno, vindo de um pequeno corte na boca. Provavelmente ele tinha lutado antes de ser atingido. Limpou mais algumas partes do corpo dele e ao fim viu que ele tinha dormido. Ela checou os sinais vitais para confirmar se ele não tinha... O que importa é que no momento ele estava bem. 

Tenten levou o colchão de sua cama até a sala e com muito esforço conseguiu tirá-lo do chão e colocá-lo nele sem abrir as costuras. Voltando para a cozinha olhou o chão ensanguentado e conteve as lembranças que insistiam em voltar. Fez uma rápida limpeza no cômodo e lavou seus materiais de trabalho. Se sentia exausta e ia se deitar no sofá para descansar mas antes ministrou um remédio antitérmico ao "paciente" que parecia um pouco febril.

~∆~

Tenten estava voltando da padaria.

Já fazia quase um dia e meio desde o ocorrido. Desde então o policial nem abrira os olhos. Ela estava preocupada com ele já que não comia nem bebia a tanto tempo mas achou melhor ele descansar e se recuperar. Além disso, era o tempo necessário para a poeira baixar. 

As pessoas já haviam voltado a sua vida normal. Escolas funcionando e estabelecimentos abertos. Menos ela, é claro. A placa de FECHADO continuava colada em sua porta e ficaria lá até que toda a situação fosse resolvida. "Espero que ele acorde logo".

Destrancou a porta e abriu apenas o suficiente para passar sem que ninguém pudesse ver lá dentro. Só que quando entrou percebeu que o colchão estava vazio. Mas ela não foi rápida o bastante na hora de procurar.

Já ele foi.  A diferença era o que ele tinha ido procurar.

- Quem é você? - sentiu o ar quente na nuca contrastando com a lâmina gelada pressionada contra a garganta - Que lugar é esse? Por que eu estava trancado aqui? Não sabia que os traficantes faziam reféns.

- Não f-fazem - disse prendendo a respiração com medo de sua faca da cozinha cortar seu pescoço.

- Ah não? Então vão fazer o que comigo? Me matar? - ele a segurou pelo cabelo e pressionou ainda mais o metal contra a pele - Muito cuidado com a resposta. Sua vida está nas minhas mãos.

Que irônico.


Notas Finais


Todos vivos e bem? Que bom!
Bom, agora umas coisas importantes: essa história foi planejada pra ser uma shortfic com quatro capítulos - dois já foram, só faltam dois e eu vou tentar ser bem mais rápida que da última vez, juro de dedinho.
Como eu estou no começo de semestre ainda não me atolei de trabalhos graças a minha falta de organização mas estou tentando mudar isso porque sim, eu tenho algumas longfics planejadas, e se continuar assim nunca vou conseguir postá-las.
Por fim queria agradecer as pessoinhas que comentaram na primeira parte, foi muito importante pra mim. E pra quem comentou e eu não respondi na hora (ou no mês...) me perdoem. Eu odeio o sistema de notificação do spirit e acabo não vendo, mas todo comentário é fundamental pra mim como autora.

Ah, e eu costuro, então realmente tem uns instrumentos bem parecidos, se alguém quiser dar uma pesquisada..
Isso é tudo pessoal, até o próximo capítulo ❤


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