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História Xiao Zhan precisa de um namorado! - Capítulo 3


Escrita por: e yizhan


Notas do Autor


ja notaram que sou péssima com os títulos pra essa fanfic?????// mas juro que o conteúdo ta top

eu gostaria muito de agradecer a todos por cada comentário no capítulo passado! é sempre chocante pra mim ver os resultados que essa fanfic me da e receber tanta coisa positiva. seja aqui, no wattpad ou até no twitter. sou muito grata mesmo!

também queria agradecer pela paciência! eu demoro com a atualização pq sou bem enroladinha, mas juro que sempre volto! não vou largar essa fanfic, ela é muito meu xodó pra isso 💗💞
sei que que atualizações com espaços longos de tempo as vezes desanima, mas juro que estou dando o meu melhor!

enfim, vamos ao capítulo!

Capítulo 3 - O ponto


Os biscoitos eram bons no fim das contas.

Yibo não gostava de doce, de verdade. Açúcar lhe causava enjoo e apenas o cheiro de coisas como chocolate era o suficiente para que ele desejasse enfiar sal puro na boca para se sentir melhor.

No entanto, os biscoitos de Liao Xue Qiu eram bons.

O chocolate amargo combinava bem com o paladar de Wang. Ainda não gostava de doce, isso era fato, mas poderia se dar muito bem com aquele sabor uma vez ou outra ao longo de sua vida.

A maior prova de que poderia se dar bem com aqueles biscoitos era sua situação atual. Após sair da casa de Liao e após ouvir a frase estranha e complicada de entender de Zhan, tudo que Wang pode fazer foi se afogar em biscoitos caseiros.

E quando é dito "afogar", é no sentido quase literal da palavra, onde ele poderia mesmo ficar sem ar de tanto comer.

Sentado no sofá da sala escura apenas com a televisão ligada em um canal de variedades qualquer, Wang tentava decidir se era mesmo uma boa ideia comer aqueles cinco últimos biscoitos ou se devia guardar para um momento posterior.

Ainda assim, era difícil pensar com cautela em seu atual estado. Mesmo que aquilo sobre "comer ou não comer" fosse muito idiota e banal.

Em momentos comuns, seria perfeitamente capaz de decidir se devia ou não parar. Porém, aquele não era um momento comum.

Já estava tarde, e — como ele já havia imaginado que aconteceria — não conseguia acalmar seus pensamentos.

Yibo tinha total consciência que se desse de cara com aquele sorriso bonitinho, ficaria com Xiao Zhan na cabeça novamente. Tinha um fraco por sorrisos doces, principalmente quando o sorriso vinha acompanhando por todo um rosto esbelto e agradável.

Mas Wang, definitivamente, não sabia que ficaria com ele na cabeça após ouvir um “nos conhecer melhor”.

Aquilo não estava nos planos.

Nunca passou pela cabeça de Yibo que ele diria algo desse tipo de um modo tão misterioso. Nunca poderia imaginar que o outro daria algum sinal de interesse depois de agir feito um bicho do mato ao se esconder no quarto.

Então, ouvir aquilo estava longe de ser uma das opções viáveis na cabeça de Yibo. 

Já havia até mesmo se acostumado com a ideia de que o neto de Liao Xue Qiu seria apenas mais uma atração relâmpago, movida e fundada apenas pela boa aparência do rapaz.

Então, mudando todas as peças do tabuleiro, Xiao Zhan bagunça o rumo do jogo com apenas uma simples e idiota frase.

Por que diria aquilo? Era um sinal de que ele possuía interesse? O que queria dizer?

Sem nem notar, já havia colocado dois biscoitos dentro da boca de uma só vez, pronto para colocar o terceiro enquanto perdia o foco na televisão em sua frente.

Ao perceber seu ato de descontrole, Wang suspirou e mastigou devagar o que já tinha na boca, devolvendo o terceiro biscoito para o pote.

Quando desviou os olhos da televisão, notou que Bao, que se manteve deitado ao lado do novo dono desde que esse chegou em casa, o encarava com certa curiosidade. Embora não devesse satisfação para o cachorro — o animal nem nem mesmo seria capaz de entender —, Wang sorriu amarelo antes de colocar o pote tentador bem distante de si.

— Não me olhe assim — disse com uma pequena careta. — Foi o último, de verdade. 

O cachorro inclinou a cabeça para o lado. Daquele jeito, podia facilmente esboçar uma expressão confusa caso fosse uma pessoa. 

Bao era mesmo um cão esperto. 

Em um só impulso, Yibo se colocou de pé. Acariciou Bao no topo da cabeça e conferiu a pata machucada antes de tomar rumo para a cozinha. 

Optou por não guarda o pote, já que faria questão de devolvê-lo para a dona logo pela manhã antes do trabalho. Sabia que, se escondesse no armário, acabaria esquecendo por lá.

E Yibo não queria ter em sua casa algo que o lembrasse Liao Xue Qiu e, consequentemente, Xiao Zhan. Não enquanto estava tão confuso.

Foi com o pensamento de "devolver mesmo que isso signifique ter que acordá-la às seis e meia da manhã" que o rapaz foi para cama.

- - -

Foi complicado pegar no sono naquela madrugada. Ainda estava intrigado demais com a frase que, na cabeça de Yibo, era muito ambígua. Novamente, mais uma noite sem dormir por culpa de alguém que nem conhecia, mas, mesmo assim, possuía certo interesse.

Não era como se Xiao Zhan tivesse aparecido em um cavalo branco para despertar sentimentos desconhecidos no frio Wang Yibo. 

Aquela estava longe de ser a primeira vez que alguém bonito ficou infernizando seus pensamentos. Yibo também não era tão frio como aparentava, sinceramente, era bem quente sentimentalmente.

A verdade era que Wang sempre foi uma pessoa que se encantava com rostos bonitos. Gostava até de dizer que pessoas bonitas se atraem mais naturalmente por outras pessoas bonitas.

Não era como se fosse alguém volúvel com uma paixão em cada esquina, apenas já havia experimentado diversas vezes as famosas borboletas no estômago — mesmo que de formas bem passageiras e de diferentes intensidades.

Contudo, era mesmo frustrante não ter controle de seus pensamentos com alguém que apenas sabia o nome e conhecia o sorriso. Afinal, quando tirava essas duas coisas, ele não sabia absolutamente nada sobre o outro.

Não sabia se ele era um cara legal, como sua avó, ou se havia puxado algum chato da família. Não sabia se a personalidade dele fazia o seu tipo. Não sabia nada além da boa aparência.

E, mesmo assim, se sentia envolvido e curioso.

A pior parte era: as chances de quebrar a cara ao idealizar um Xiao Zhan perfeito que não existia eram enormes e perigosas demais.

Yibo realmente pensou em bater na porta da mulher às seis e meia da manhã como havia planejado antes. Até mesmo estava com o pequeno pote na mão, parado bem de frente para o delicado portão.

Apesar disso, não teve coragem para bater.

Parecia errado tirar uma pessoa mais velha da cama apenas por capricho ou por uma estranha vingança. Não foi culpa dela a dificuldade de Yibo para dormir. Pelo menos não foi totalmente culpada dela. 

Havia de fato colocado Xiao na vida dele, mas nunca forçou que Wang ficasse com o mesmo  na cabeça. Talvez nem planejava que o tiro seria tão certeiro assim.

De qualquer forma, atrapalhar o sono de alguém parecia um prazer momentâneo demais. Ainda mais quando esse alguém era uma pessoa legal. Sabia que se arrependeria mais cedo ou mais tarde.

No fim — após quase dois minutos inteiros parado em frente ao portão —, Yibo apenas deu dois passos para trás, desistindo de incomodar Liao Xue Qiu. Voltou a guardar o pote em sua mochila, ciente da sua falta de tempo para voltar em casa e guardar o objeto.

Voltou a caminhar em direção ao ponto de ônibus, mas parou brevemente ao sentir o próprio celular vibrar no bolso. Ao julgar pelo horário, sabia exatamente quem seria a única pessoa possível para ligar tão cedo.

Suspirando, atendeu pelo fone pronto para ouvir a voz sempre alta de Cho Seung-youn.

Preciso de um favor! — Foi a primeira coisa que o outro disse, fazendo com que Wang parasse de andar, como se o amigo pudesse vê-lo fazendo sua melhor expressão de indignação.

— Bom dia ‘pra você também. — Voltou a andar, negando com a cabeça.

Realmente preciso de um favor urgente.

— E o que eu ganho com isso? — Yibo segurou as duas alças da mochila, sem nem notar que estava começando a diminuir a velocidade de seus passos conforme se interessava pelo assunto.

Nada…?

— Então a resposta é não. Tchau. — Estava pronto para desligar, mas Seung-youn gritando seu nome de forma afobada fez com que ele desistisse. 

Você me deve. Está na hora de pagar.

— Devo? — Arqueou a sobrancelha, pronto para rir incrédulo.

Bastante! — Aumentou o tom de voz. — Lembra quando fiz aquele favor no ensino médio? Que fiquei de guarda no banheiro enquanto você e o H-

— Não me lembre disso! — O ponto de ônibus já estava perto o bastante para que Wang apertasse o passo a fim de chegar logo.

E teve a vez que te dei cobertura quando você fugiu! Ah, e não posso esquecer da vez em que fiz três relatórios do seu trabalho.

— Já entendi… — disse baixo, enquanto encostava o ombro de modo preguiçoso na coluna de sustentação da pequena cobertura do ponto.

Sabe qual é a melhor parte desse último? — Sua voz estava falsamente baixa e doce, com um leve tom de risada. — Eu nem trabalho no mesmo lugar que você! — gritou, bufando logo em seguida. — Então você me deve isso. Me deve um favor.

— O que quer que eu faça por você?

E teve aque- — Se interrompeu. — Espera, está aceitando?

— Uh-huh.

Foi mais fácil do que imaginei… Enfim! Preciso viajar por causa do trabalho e vou ficar uma semana fora, o que vai me impedir de ajudar com as aulas de dança onde sou instrutor voluntário.

— Naquele lugar onde metade das alunas só vão ‘pra pedir seu número? — perguntou, enquanto apertava os olhos tentando descobrir se seu ônibus estava se aproximando.

Isso! — Riu. — Não acredito que lembra… 

— E eu não acredito que está me pedindo um favor assim. Sabe que isso não faz o meu estilo. — Yibo apenas bufou, virando a cabeça para o outro lado, encarando algumas das pessoas que ali estavam.

Você aceitou fazer um favor!

— Eu não sabia que-

Yibo perdeu a fala quando seus olhos pararam um uma pessoa que acenou para ele com um sorriso nos lábios. Por dois segundos, seu corpo paralisou e Wang apenas conseguiu piscar três vezes enquanto tentava decidir se aquele Xiao Zhan sentado no ponto de ônibus era real ou apenas uma miragem idiota.

Não sabia o quê? — Cho Seung-youn gritou, impaciente.

Pelo o que soube por Liao Xue Qiu, eles haviam se mudado há pouco tempo, mas ele nunca teve o azar — ou sorte — de encontrar com Zhan no ponto de ônibus. 

Nunca mesmo. Se lembraria com clareza, já que realmente estava acostumado a esperar pelo ônibus com as mesmas pessoas de sempre.

Além disso, não esqueceria um rosto bonito.

Nunca passou pela cabeça de Yibo que em algum momento aquele encontro poderia acontecer. 

Quando Zhan parou de acenar, mas continuou sorrindo sem nem quebrar o contato visual, Yibo soube que ele era real. Isso só serviu para que Wang ficasse minimamente nervoso naquela nova situação que ele não sabia se poderia lidar.

Sua primeira ação foi desviar o olhar, virando a cabeça bruscamente para o outro lado enquanto Seung-youn gritava seu nome repetidas vezes no outro lado da chamada.

— Eu aceito. Te ligo depois.

Desligou rápido, nem um pouco interessado na resposta do amigo. Pode ver, de longe, seu ônibus se aproximando de modo veloz, aliviando cada músculo do corpo do rapaz. 

Se sentindo seguro por saber que logo sairia daquela situação, ele voltou a olhar para o lado onde Zhan estava, pronto para acenar e mostrar alguma educação herdada de sua mãe. 

Ao se virar…

Droga…

Zhan ainda olhava para Yibo, com aquele sorriso de quem vê um velho amigo.

Enfim Wang tomou uma ação, acenando com um fino sorriso sem graça nos lábios, agradecendo por já ser capaz de ouvir o seu ônibus se aproximando. No entanto, o pânico voltou.

Voltou no momento que Xiao Zhan se levantou, deixando claro que aquele ainda não era o fim.

A pior parte era que Zhan deixou que todos entrassem em sua frente, aguardando por Yibo até o último momento. Agindo como se realmente estivesse encontrando um querido amigo na rua.

— Que surpresa te encontrar. — Foi a primeira coisa que ele disse, voltando a sorrir.

— Eu digo o mesmo. — Franziu os lábios, abaixando o olhar enquanto subia no ônibus.

Com toda certeza estava surpreso. Xiao não sabia o quanto ele estava surpreso.

Não era novidade que o transporte estaria com todos os lugares vagos naquele horário. Porém, era uma surpresa notar que, com tantos pontos para ficar de pé, Zhan escolheu justamente ficar ao lado de Wang.

Parado, bem ao lado dele, tudo que Yibo conseguia pensar se resumia em: que perfume é esse? A fragrância era forte e não era necessário estar muito perto para capturar o aroma amadeirado.

Nas duas vezes que o viu antes, não conseguiu sentir aquele cheiro.

Talvez fosse pela distância, já que nunca ficou tão perto. Ou talvez fosse o horário, já que, com  toda certeza, Zhan havia acabado de se perfumar e tudo ainda estava bem fresco em sua pele.

A pior parte era que aquele cheiro era bom. Bom e perigoso, já que coisas boas nunca viam de homens cheirosos. 

Yibo nem sequer teve coragem ou tempo para pegar o celular e dar play em alguma música aleatória. E, por mais chocante que fosse, ficou por sete minutos inteiro sem ouvir absolutamente nada além da própria pulsação, enquanto se embriagava no aroma atraente.

Ele odiava viajar sem música. Céus, como odiava. Mas nem sequer teve tempo para pensar em seu ódio, simplesmente estava nervoso demais.

Seus olhos — sempre que era possível —, iam de encontro para o homem ao lado. Nas três espiadas discretas que deu, tudo que pode ver foi o olhar de Xiao Zhan focado em encarar a janela com toda a sua atenção.

E ele ficava bonito com aquele olhar sério de quem estava resolvendo um cálculo matemático complexo.

Droga! Yibo devia falar alguma coisa? Seria estranho se fizesse isso? Se tomasse a iniciativa para puxar assunto? Era o que Zhan queria, certo? Conhecê-lo melhor. 

Mas, céus, seria tão estranho se ele fizesse isso. Nem sequer sabia como começar um assunto com estranhos. 

Principalmente estranhos bonitos que não saiam de sua cabeça.

Wang então bufou, desistindo até mesmo de tentar olhar para o outro após quase dez minutos naquilo de não saber como agir.

Não ia esquentar muito a cabeça. No fim, era só mais um cara, certo? Por que ficar nervoso? 

Ele então focou o olhar no celular enquanto procurava alguma música. Porém, antes de dar play, foi interrompido pela voz suave ao seu lado.

— Gostou dos biscoitos?

Ergueu a cabeça ao ouvir a pergunta, levando alguns segundos para processar que estava sendo direcionada para si. Em seguida, voltou a guardar o celular antes de olhar para Xiao de frente e de perto, pela primeira vez desde que a viagem começou.

Na verdade, pela primeira vez desde que lhe conheceu.

Zhan era minimamente mais alto, com o rosto fino e maçãs da face bem marcadas e bonitas. De perto, conseguia ser ainda mais bonito, principalmente quando se notava a pequena e charmosa pinta próximo aos lábios e todas as outras espalhadas pelo seu rosto de forma adorável.

Foi a primeira vez que notou o sinal nos lábios, que chamava bastante a atenção de Wang. Mesmo depois de ver o outro sorrir tantas vezes, ainda existiam novidades que Yibo tinha medo de querer tanto ver.

Também foi a primeira vez que analisou os lábios do outro sem a menor cerimônia, gravando cada detalhe mesmo sem querer, não sentindo vergonha em fitar por tanto tempo a boca daquele em sua frente.

Yibo não soube por quanto tempo prendeu o ar enquanto analisava o rosto de seu vizinho sem dizer uma só palavra, mas soube que foi bastante tempo no momento que Zhan franziu as sobrancelhas e tombou a cabeça para o lado, se mostrando confuso.

Em um pensamento rápido para não parecer — ainda mais — estranho, Wang apenas retirou um de seus fones e ofereceu seu melhor sorriso simpático digno de um Oscar.

— Falou comigo? — perguntou, ainda sorrindo com simpatia enquanto fingia não surtar por dentro.

Sua mente estava uma bagunça! Havia recebido informações novas demais e, após notar a existência da pinta tão charmosa e atraente nos lábios, seus olhos quase não conseguiam evitar deixar de olhá-la com admiração.

— Sim. — Sorriu. — Desculpe atrapalhar sua viagem. 

— Não está.

Yibo direcionou sua atenção dos lábios para os olhos, constatando que ele ficava mesmo uma graça quando sorria e seus olhos quase sumiam por ficarem tão pequenos.

Céus, aquele homem parecia uma poesia que Yibo merecia ler.

Wang então sorriu, não por educação, nervoso ou gentileza. Sorriu por achar que o que estava diante de seus olhos era algo belíssimo.

— Perguntei sobre os biscoitos. Você gostou?

— Estavam ótimos. — Foi a resposta curta que ofereceu. — Não costumo gostar de doces, mas acho que meu paladar se deu bem com os dotes culinários de Liao Xue Qiu — complementou sorrindo, deixando claro que estava mesmo aberto para um diálogo.

Ainda se sentia extremamente nervoso. Suas pernas até pareciam bambas naquele momento. Porém, após ver o sorriso dele tão de perto, com tantos detalhes, não se sentia mais capaz de agir de modo indiferente.

E mesmo que Xiao Zhan não tivesse o menor interesse em Yibo da forma que Liao Xue Qiu desejava, para Wang era mais que claro que, ao menos um pouco, Xiao desejava mesmo conhecer mais um pouco dele.

E Yibo queria ver mais de Zhan.

— Você não gosta de doce? — Seu semblante havia mudado, um pouco curioso e quase preocupado.

— Acho enjoativo. — Riu, sem graça, abaixando o olhar. — Mas os da sua avó são realmente bons. 

Yibo ergueu o olhar para o rapaz, flagrando em cheio o momento em que Xiao sorria com os lábios cerrados enquanto assentia com a cabeça de um modo distante. Wang estava pronto para perguntar o que havia acontecido, mas o outro foi mais rápido. 

— Posso te contar um segredo? — perguntou baixo, quase sussurrando. — Mas você não pode contar para NáiNái

— Segredo? 

Wang ainda sorria de modo quase bobo, já não sendo capaz de controlar os lábios. Na verdade, quase não conseguia sentir se estava sorrindo ou não, como se fosse natural deixar os lábios curvados para cima enquanto trocava algumas palavras com o estranho ao seu lado.

— Eu não devia contar porque sei exatamente o que ela disse quando te entregou os biscoitos, mas não posso permitir que ela fique com os meus créditos.

— Seus créditos?

— Os biscoitos… Eu os fiz. — Zhan não sorria quando confessou, mas seus olhos transbordavam algum tipo de divertimento. — E não podia deixar passar um elogio desses sobre a minha receita original, deu trabalho encontrar aquele sabor. — Enfim, sorriu. Não era preciso muito para saber que aquele sorriso transbordava algum tipo de orgulho pessoal. — Mas ela não mentiu quando disse que pensou em você. Ela realmente separou alguns para você.

— Então… — Piscou algumas vezes, apontando com o indicador para o rapaz. — Foi você quem fez?

Chocado? — Arregalou os olhos. — Não tenho cara de quem pode fazer biscoitos gostosos?

— Não é isso! — exclamou afobadamente.

Estava chocado, de fato. Não por achar que Xiao Zhan não era capaz de fazer bons biscoitos. Estava chocado pois não conseguia acreditar com o quanto parecia insano seu paladar combinar tão bem logo com algo feito pelo neto de Liao.

Era mais chocante ainda quando aquilo parecia mais algum plano dela. E era um plano dentro do plano, já que Wang sabia muito bem o motivo para ela ter lhe dado um pote e exigido que ele devolvesse logo.

— É só que sua avó é muito, muito mesmo, sacana.

— Eu sei. — Deu de ombros, sorrindo. — Mas não conta ‘pra ela. Pode ser o nosso segredo?

O queixo de Yibo caiu, deixando sua boca entreaberta por alguns instantes enquanto tentava, desesperadamente, manter normalidade em sua postura e atos.

Zhan estava fazendo um jogo com ele, era a única explicação plausível. 

Embora Wang fosse mesmo esperto quando a situação era entender o que os outros queriam, com Xiao Zhan, alguma coisa parecia diferente

Não conseguia entender o que ele queria. E, acima de tudo, não queria entender nada errado ou criar algum tipo de expectativa. Não era uma regra que precisavam flertar só por causa da sexualidade, Xiao poderia querer apenas um amigo na vizinhança nova. 

No entanto, Yibo ainda não sabia se poderia se contentar apenas com amizade ou se gostaria de algo mais.

A segunda opção ficava, a cada segundo que se passava, mais agradável na cabeça de Wang.

— Minha boca é um túmulo. — Enfim deu uma resposta, sorrindo nervoso. — Ah… — exclamou, tirando a mochila das costas e abrindo o zíper. — Você pode entregar ‘pra ela?

— Não — disse, antes mesmo que Wang tivesse de pegar no pote. — Você sabe que isso é um artifício ‘pra você ser obrigado a voltar. Não vou estragar os planos dela, ela gosta de você.

Por um momento, Yibo se sentiu tentado a perguntar: “somente ela gosta?" e “você está de acordo com esse plano?”. Mas optou por se manter calado, voltando a fechar a mochila e preferindo não parecer uma pessoa desesperada.

— Certo. — Afirmou com a cabeça, jogando a mochila novamente nas costas. — Então acho que vou ter que voltar.

Vamos estar esperando. — O sorriso de Zhan foi largo e bonito.

Yibo abriu a boca três vezes, cortando-se antes mesmo de falar. Novamente, uma frase ambígua capaz de levá-lo a loucura.

Ele queria fazer a pergunta que poderia sanar todas as dúvidas em sua cabeça, mas ainda sentia que poderia ser estranho se assim fizesse. Porém, ele nunca foi um homem que fazia as coisas de modo correto e planejado.

— O que quis dizer com aquilo sobre “nos conhecer melhor”? — A pergunta foi feita, arrancando de Xiao Zhan uma expressão estática.

— Ora… — Riu, desviando o olhar para os próprios pés. Wang contou exatos quatro segundos antes que ele voltasse a olhá-lo. 

Mas Yibo não teve tempo para deixá-lo dar a resposta.

Quando o ônibus parou e Wang olhou para o lado de fora da janela, deu um pulo ao notar que já havia chegado no seu ponto. Tudo que ele pode fazer foi correr.

— Droga… Até! — Foi tudo que disse antes de sair do ônibus e não ser mais capaz de ver Zhan.

Correr sem nem mesmo dar alguma resposta coerente. 

Quando já estava na calçada, a única certeza que teve foi de que estava ainda mais confuso do que da última vez que encontrou com Xiao Zhan.

- - -

O expediente foi tranquilo, como sempre. Wang Yibo não tinha o que reclamar em relação ao trabalho. Sempre conseguia sair no horário certo sem problema algum. Naquela terça, não foi diferente. 

Já estava no ponto no horário de sempre, conferindo suas mensagens enquanto esperava pelo ônibus. 

E, como se pudesse adivinhar o momento em que Yibo estava com o celular na mão e disponível para conversa, Cho Seung-youn surgiu na barra de notificações.

 

“Vai mesmo me substituir?”

 

Já havia até esquecido aquele assunto. Isso fez com que ele revirasse os olhos, bufando logo em seguida.

 

“Precisa mesmo? Não é voluntário? Não fará mal se faltar”

 

“Claro que fará. Estamos com muitos alunos, já está complicado com quatro instrutores, imagina só com três?? Sem contar que sempre quis pedir um favor pra você e essa é a minha chance perfeita.”

 

“Certo… Então farei esse favor. Mas apenas esse favor, não me peça mais nada.”

 

“Vai valer a pena… Já pedi para que filmem você pra posteridade”

 

Yibo arregalou os olhos, abrindo a boca enquanto se mostrava indignado diante na última mensagem.

 

“Vou te mandar mais informações sobre o horário depois. Amo você, leon”

 

Ele não respondeu, apenas guardou o celular quando notou o ônibus se aproximando. Ao colocar o primeiro pé para dentro do veículo, uma pequena interrogação se formou em seu cérebro.

Quais eram as chances de Xiao Zhan estar naquele ônibus, voltando do trabalho no mesmo horário que Wang?

O corpo inteiro travou, ao ponto dele precisar ser cutucado por um rapaz para voltar a realidade. Enquanto passava seu cartão, fazia questão de olhar apenas para o chão, se sentindo nervoso demais com a possibilidade de encontrar com ele mais uma vez.

Sentia-se ainda mais confuso do que na segunda, já que esteve a um passo de ter a resposta, mas perdeu a chance de sanar cada uma de suas dúvidas.

Se encontrasse com Zhan naquele instante, não sabia como poderia lidar com seu próprio nervosismo. Seria melhor retomar o assunto ou fingir que nunca fez aquela pergunta?

Tomando coragem, Yibo enfim ergueu os olhos, pronto para encarar qualquer coisa.

Ou quase qualquer coisa.

Não estava preparado para encarar um ambiente onde Xiao Zhan não estava. Com o ônibus quase vazio, nenhum daqueles rostos lhe era conhecido. 

A decepção por não ter ele ali, por não ter que ficar nervoso ao lado dele mesmo esse sendo o melhor cenário para si, foi a prova definitiva para Yibo.

Estava ferrado.

Redondamente ferrado por não conseguir tirar mais Xiao Zhan de sua cabeça.


Notas Finais


como sempre, agradecimentos mais que especiais a @Hayafuru pela revisão! sempre MARAVILHOSA que me deixa muito feliz com cada comentário ao fim do capítulo. obrigada por fazer parte desse projeto ❤️

vocês: izi malia, ela fez biscoito pro yibo
realidade: roubou os biscoitos do xiao zhan pra um plano infalível.
ai ai esse liao xue qiu....
gostaria de dizer que a fanfic agora está no wattpad, então, se verem ela pór lá, fiquem tranquiles pq sou eu mesma postando por lá!
gostaria de dizer aqui que a fanfic vai ficar maior do que eu planeava. no começo, pensei algo entre quatro ou cinco capítulos. mas ai me empolguei k
não digo que será uma long com mais de 20 capítulos, mas com certeza vai ser maior do que uma short de quatro. vamos de luta e gay panic!
inclusive, por conta dessa minha decisão de aumentar a história, capítulos com mais de 4k será mais comuns. eu realmente gosto muito de fazer capítulos acima dessa marca.
mas, caso seja um problema ou cansativo coisas mais longas, podem me avisar, blz?

eu ainda to bem boiola com esse capítulo, então não tenho muito o que dizer aqui além de: Xiao Zhan, entre na minha casa e coma o ** de toda a minha família.

muito obrigada, novamente por tudo 💗💞


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