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História Ya no és Niña - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Mi amigo Juan


Fanfic / Fanfiction Ya no és Niña - Capítulo 2 - Mi amigo Juan

Medellín - 20 anos antes


Lembro que tínhamos acabado de nos mudar para Medellín. Eu estava um pouco triste por não poder mais ver alguns amigos da Venezuela, então saí andando pelas ruas e parei numa praça onde algumas crianças brincavam. Sentei num banco e fiquei balançando as pernas, pensando em como minha vida ia mudar dali pra frente: um novo país, uma nova escola, novas pessoas e a saudade. No meio dos pensamentos, sinto um impacto na minha cabeça e ouço risadas

– Ai! – levantei a cabeça e vi a bola rolando pra longe

– Perdóname, eu e meus amigos estávamos brincando e um deles jogou a bola de mal jeito. Se machucou? - disse ele se aproximando com uma expressão preocupada. Não deu pra deixar de notar a beleza daquele garoto

– Não, está tudo bem – disse esboçando um sorriso

– Menos mal. Qual és tu nombre?

– Me chamam de Nina y tu?

– Me llamo Juan – sorriu – Quer brincar com a gente? Tá faltando alguém no time da Sophia

– Agradeço, mas tenho que voltar pra casa. Um outro dia quem sabe

– Vou cobrar! – disse e saiu correndo pra perto dos amigos. Levantei do banco e fui pra casa.

Chegando em casa, Mamá tinha feito um lanche pra comermos. No meio da refeição, a campainha tocou e ela foi atender. Ouvi a voz de uma mulher e curiosa fui ver quem era. A visita era elegante, trazia um bolo de chocolate nas mãos e tinha alguém ao seu lado. Qual foi minha surpresa ao ver ele novamente

– Nina!

– Oi Juan – acenei timidamente me agarrando a saia da minha mãe

– Parece que as crianças já se conhecem – disse a mulher elegante e ela e minha mãe riram. Eles entraram, lancharam conosco e enquanto os adultos conversavam, eu e Juan conversávamos no jardim

– Quantos anos tem?

– Tenho 6 y tu?

– Tenho 8, sou mais velho – disse com cara de vitorioso

– Isso não quer dizer nada – disse dando de ombros

– Quer dizer que eu que tenho que te proteger dos valentões da escola

– Eles são muitos? – disse já temerosa

– São só dois, mas eu os coloco pra correr

– Tudo bem então

Flashback off

– Juan sempre foi muito protetor, desde criança. Ele prometeu me proteger dos valentões na escola e cumpriu. Toda vez que vinha um querendo roubar o meu lanche, lá estava ele, pronto pra me defender

– Uau. Esse lado de Arias eu não conhecia – disse Ricky totalmente surpreso

– Ele era como um irmão mais velho que eu não tive

– Se vocês eram tão próximos, o que aconteceu pra ele nem te reconhecer aqui?

– É algo complicado. Juan me magoou profundamente

– Foi algo muito grave?

– Um pouco. Eu não era uma adolescente muito dentro dos padrões, sabe? Eu gostava, e ainda gosto, muito de estudar, de adquirir conhecimento, mas naquela época eu não era muito ligada a moda e nem era muito vaidosa

– Entendi. Você era uma nerd feia 

– Ricky! – dei um tapa de leve nele que riu

– Desculpe, não deu pra não brincar com essa, mas o que aconteceu?

– Então...

Flashback on 

– Vámonos, Nina! Vamos nos atrasar – gritou Juan na porta da minha casa, buzinando sua moto

– Já vou! Calma – desci as escadas correndo e ajeitando meu macacão e tropecei derrubando os livros. Juan riu e saiu da moto pra me ajudar

– Sempre desastrada, Niña Nina – juntou meus livros e colocou no bagageiro da moto – Vámonos, senão perdemos a primeira aula – Subimos na moto e partimos rumo ao nosso colégio. Era nosso último ano, já que Juan repetira 2 vezes, mas ele estava engajado a não se perder nas matérias novamente. Queria ser cantor, mas sua mãe só deixaria se ele se formasse como um dos primeiros da turma.

Chegamos no colégio, tiramos os capacetes e Juan me deu os livros do bagageiro 

– Gracias, Juan. Te vejo na aula de matemática?

– Estarei lá – sorrimos e fizemos nosso toquinho. Nisso chega Rebeka, namorada de Juan. Rebeka era a típica garota popular: linda, loira e rica. Me olhou de cima a baixo e direcionou seu olhar azul para Juan

– Hola sueño – e deu um beijo babado nele. Desnecessário 

– Hola cariño – disse envergonhado 

– Guilhermo nos chamou para a festa dele. Os pais dele estão viajando e a casa vai ser nossa. Vamos!

– Não posso, hoje vou estudar com Nina – ela voltou seu olhar mortal pra mim e soltou

– Estude sozinha. Não consegue? Juan precisar socializar, conhecer pessoas do ciclo dele

– Você quem sabe, Juan, lembre-se de seu sonho – e saí andando para minha primeira aula.

(...)

As duas primeiras aulas passaram e encontrei Juan, já sem seu chaveirinho, na aula de matemática que era a última.

– Tudo bem, Nina? – disse ele sentando do meu lado

– Sim – disse prestando atenção no que o professor dizia

– Sobre a Beka, me desculpa, ela…

– Tudo bem, Juan – interrompi – quando você começou a sair com ela eu imaginei que coisas como essa iriam acontecer. Até porque essa não é a primeira vez 

– Eu sei. Eu falo pra ela parar, você é minha amiga, minha irmã, ela tem que entender 

– Não se preocupa com isso. Eu me viro – olhei pra ele e pisquei o olho sorrindo. Ele retribuiu.

Fizemos anotações para estudarmos juntos mais tarde naquele dia, nos despedimos no fim da aula e eu fui pra casa. 

(...)

Recebi Juan em minha casa naquela noite, fizemos um lanche e fomos pro meu quarto estudar, meus pais confiavam nele e permitiam estudarmos juntos no quarto. 

– Se f(x) = 2x. X é par ou ímpar? 

– 3… - disse Juan distraído 

– Ham?

– Qual foi a pergunta? Desculpa 

– Tá tudo bem? 

– Tá sim, só tô um pouco pensativo 

– Aconteceu alguma coisa grave?

– Nina, diga com toda a sinceridade do mundo: você me vê mais que um amigo? – Naquela hora senti meu coração na garganta, meu corpo inteiro se arrepiou e a respiração ficou difícil. É claro que eu era apaixonada por Juan. Desde criança ele era meu protetor e meu melhor amigo. Me encantei por ele à primeira vista, me matava ver aquela Barbie de quinta categoria agarrada no pescoço dele como um adorno e sonhava sentir o gosto de sua boca

– De onde tirou isso, Juan?

– Só me responde. Me vê? Você consegue pensar em mim como, não sei, um namorado? – Fechei o livro com força 

– Acho que é hora de pararmos de estudar, não é? Tá tarde, você precisa ir pra casa 

– Primeiro me responde, Nina

– Pra que você quer saber disso? – disse já com os olhos marejados. Ele sentou mais perto de mim e olhou fundo nos meus olhos 

– Você diz uma coisa, mas seu corpo responde outra

– Não dá pra esconder…

– Faz o que deseja, Nina – e acariciou o meu rosto. Avancei e o beijei de uma vez, dando um selinho demorado e separamos nossos lábios lentamente ainda desfrutando daquela sensação. Juan segurou meu rosto com sua mão direita e iniciou um beijo calmo, porém intenso. Parecia um sonho se tornando realidade, meu melhor amigo e meu amor platônico tinha finalmente me notado. Eu poderia ficar ali horas e horas sentindo seu gosto e seus lábios macios tocando os meus. Nos deixamos levar e quando percebi, Juan já tinha me deitado e se encontrava em cima de mim.
Tirávamos nossas roupas sem perder o contato visual. Eu sabia que aquilo ia acontecer e só poderia ser com ele, então me entreguei e não pensei nas consequências, eu só queria curtir aquele momento. Ele foi extremamente cuidadoso e carinhoso comigo: perguntava mil vezes se eu estava bem, me beijava e acariciava meu corpo o tempo todo, dizia o quanto eu era linda e quando finalmente aconteceu, fizemos com nossos lábios e os corpos colados um no outro. As três palavras tão temidas queriam sair, mas as engoli, aquele não era o momento e eu tinha medo de não ser correspondida. Deitei ao seu peito, recebendo um carinho gostoso nas costas e um beijo demorado na cabeça 

– Eu espero que tenha sido bom e especial pra você – virei em direção ao seu rosto e sorri, ele manteve a expressão séria

– Foi perfeito e não poderia ser com uma pessoa melhor. Tinha que ser com você e mais ninguém – senti seu coração palpitar e ele me puxou pra um beijo, um selinho demorado, mas senti pesar no ato

– Amo-te, Nina. Nunca esqueça e nem duvide disso – Meus olhos marejaram e vários fogos e artifício explodiram dentro de mim. Ele me ama, ele sente o mesmo que eu! Isso é um sonho 

– Eu também te amo, Juan – e ali eu vi meu melhor amigo, que até então nunca tinha visto chorar, derramar uma lágrima e por mim. Ele me abraçou forte e beijou minha cabeça repetidas vezes. Ficamos alguns minutos desfrutando daquela sensação de estar nos braços um do outro e depois nos aprontamos para Juan ir embora. Ele deu boa noite aos meus pais e me deu um beijo na testa antes de pegar sua moto e partir. 

Foi a última vez que vi Juan sem querer matá-lo.


Notas Finais


Qual será a merda que Juan fez para magoar nossa Nina em? P


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