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História Ya'aburnee - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Familia


Fanfic / Fanfiction Ya'aburnee - Capítulo 3 - Familia

- E ai? já tá pronta?

- Ainda não, espera mais um pouco...

- Mais do que eu já esperei? A gente só precisa resolver uns bagulho e mete o pé, não vamo num baile não.

- Já tô indo, meu Deus, espera uns minutos porque eu sempre espero você.

- Mas tu tá abusada mesmo, né garota? 

- Pronto, satisfeita?

- Podia ter adiantado meu lado mas...- A pequena se aproxima e dá uma cabeçada em Maria. - AÍ AÍ... Oxe garota viro bode agora pra ataca na base do chifre?

- QUEM VOCÊ CHAMOU DE BODE SUA CABRITA VELHA?

- É O QUE??? - Ela sai correndo e rindo para fora de casa.

Clara é uma menina pequena de dez anos, com cabelos loiros, pele clara e de personalidade forte. Aprendeu com sua irmã mais velha, Maria, a como se virar e não levar desaforo para casa. 

Maria se esforçava ao máximo para criar Clara. Todos do bairro se solidarizavam com elas, uma menina no começo da vida adulta tendo que criar uma criança que foi abandonada ainda pequena pelo pai... Era algo bonito para se observar. O relacionamento delas era bem acalorado, sempre tinham algumas discussões, mas o amor entre as duas estava no ar, qualquer uma que as visse perceberia o quanto se gostavam. 

Apesar do animo acalorado das duas, Clara sempre foi uma menina obediente e relativamente calma. Ela foi muito amada por sua mãe, que morreu por conta de um tumor no cérebro, deixando a menina aos cuidados de seu pai. Ele tinha uma divida muito grande com Maria, era alcoólatra, agressivo e tratava a pequena muito mal, por isso, Maria disse que se ele a desse para ela só precisaria pagar 1/3 do valor total de sua divida, e assim foi feito. Muitos quando ouviam essa história ficavam aterrorizados e pensavam que quando Clara descobrisse odiaria a mulher para o resto de sua vida, mas ela sabia de tudo e achava isso formidável. Maria não tinha nenhuma obrigação de cuidar dela, não a conhecia, não era da família e mesmo assim abriu mão do seu dinheiro por um ser que poderia apenas dar trabalho, para ela isso foi a atitude mais nobre que já viu, por isso passava os seus dias sendo grata a Maria por ter te dado uma nova vida e a esperança de um bom futuro. 

- Você não acha que está indo muito rápido?

- Eu iria mais devagar se você não tivesse me atrasado tanto...

- EU SÓ DEMOREI 5 MINUTOS A MAIS!

- Parece que os seus cinco minutos não são os meus cinco minutos.

- É...a idade faz isso com as pessoas...

- Garota você não me provoca não senão eu te deixo aqui na estrada pro homem do saco te leva.

- Isso não cola mais faz uns 3 anos, hein, maior papo de gente velha hahahahahaha

- POIS ENTÃO EU DESÇO E TE DOU UMA PISA! QUER APOSTAR PRA VER AMOSTRA GRATIS DE CURUPIRA?

- Nossa, você tá muito estr... CUIDADO!!!! - Maria olha para frente bem a tempo de frear antes de caírem num buraco enorme na estrada.

- MIL ANOS PODEM PASSAR E AINDA VAI TE BURACO DENTRO DE BURACO NESSAS RODOVIAS, PELO AMOR DE DEUS!

- Que bom que você tem uma ótima copiloto que avisa sobre os perigos que você não vê, neh?

- Hm, um pouco convencida mas tá certa. Parece que ele apareceu do nada, não tinha reparado nele antes. 

- Não é pra menos, ele tá depois de uma lombada alta, parece que foi feito como armadilha.

- Mas armadilha pra que? Não tem nada aqui perto para alguém se esconder e te surpreender.

- Talvez tivesse antes e eles se mudaram. 

- .... Bom, vamos dar a volta e continuar, ainda tem um longo caminho pela frente até o centro. 

- Calma ai mulher, vai me derrubar.

---

Maria estava indo com Clara para o Centro da cidade resolver alguns assuntos urgentes, cobrar algumas pessoas, pagar outras, receber algumas mercadorias e afins. Ela era uma traficante conhecida pela policia, mas sempre conseguia se safar. Por conta de sempre estarem a sua procura tinha que evitar coisas que a deixassem em evidencia, sendo assim, aprendeu diversas matérias para poder ensinar Clara em casa, para não correr o risco da policia pegar a menina ou de estarem longe uma da outra caso precisassem fugir. No começo isso era extremamente divertido para a pequena, sempre ficar em casa, não precisar acordar muito cedo para estudar, ter alguém que ela admirava por conseguir explicar bem todas as matérias, mas com o passar do tempo ela observou que apenas ela ficava em casa, o que se tornou um pouco frustrante.

- Bom, nós vamos correr para fazer tudo antes do meio dia, falaram que terá uma blitz na br131 e não podemos nos arriscar porque lá não tem rota de fuga, beleza?

- Okay... Maria, eu... pensei que talvez.... ãn.... é que....

- Fala menina, não temos o dia todo!

- Eu quero ir andar sozinha dessa vez! - Ela fala e solta um longo suspiro como se estivesse segurando o folego por um longo tempo.

- Ãhn.... ééé... nossa.... isso foi repentino, eu... eu não sei se é uma boa ideia, Clara, o centro está muito cheio e se...

- Eu vou saber me virar. Se algo acontecer é só ligar pro número proibido, deixar entrar na caixa postal, falar o código, dizer onde eu tô e esperar. Caso esteja com fome é só sacar algum dinheiro com a digital e comprar apenas o necessário.

- Hm, okay, você sabe as regras, mas ainda assim...

- Eu nunca vou saber me cuidar se você não deixar que eu me cuide, Maria. Se eu posso te acompanhar quando você vai cobrar e bater em alguém, receber droga ou pagar algum capanga seu, eu também posso me virar por algumas horas no centro!!!

- Tá bom, tá bom, calma. Fala baixo. - A mulher pensa um pouco antes de voltar a falar. - Okay, você pode ir, mas me encontra aqui ás 10 horas em ponto.

- OBRIGADAAA!!!!!! - Clara diz e abraça Maria. - Você é a melhor irmã do mundo!

CLARA POV

Sempre fui muito agradecida por Maria ter cuidado de mim todo esse tempo, mas... eu já não quero mais ficar trancada em casa saindo apenas quando ela está presente. Quero viver, conversar, fazer novas amizades, ter amigas quem convidar para passear, falar com alguém além dela... Quero uma vida normal! Sei que ela se esforçou muito para me criar sozinha e tudo o que faz é para o meu bem, mas nem tudo que é para o bem faz bem de verdade. 

O primeiro passo parta uma vida normal é ter uma educação normal, por isso hoje decidi ir procurar alguma escola para estudar. Não posso conversar com nenhum coordenador por causa da minha idade, o que eu acho uma idiotice, sou mais inteligente que muitos adultos por ai, se não fosse por mim a Maria estaria perdida, sou autodidata e muito focada, mas isso não conta muito quando se tem 10 anos. Enfim, pegarei alguns panfletos e quem sabe se falar com entusiasmo sobre alguma delas eu não consigo persuadi-la a me matricular.

MARIA POV

Muito estranha essa atitude da Clara querer sair sozinha agora, geralmente ela sempre foi bem tímida e sempre me seguia como um cachorrinho... Que bom que ela está se desenvolvendo melhor, quem sabe assim ela não consegue fazer alguma amizade nova e começa a se desapegar mais de mim... É um pouco rude pensar isso, mas... Se algo me acontecer, pelo menos sei que ela saberá se virar sozinha... E não vai sentir tanto a minha falta...

- E então? O prazo que te dei acabou. Cadê o dinheiro da minha mercadoria?

- Olha Maria, te disse que não ia dar e não deu. Tu pode me dar um prazo a mais e sabe muito bem disso, é só bater um papo com o Batuta e tá tudo certo.

- Bater um papo com o batuta? HAHAHAHAHAHAHA Mas tu acha que eu vendo o que? Cheiro verde? Tu uso e agora vai paga, não tem papo nem meio papo. 

- Bom... Eu tentei conversar, mas já que você não tá aberta a negociar... - Dois amigos dele começam a se aproximar de onde nós estávamos. - Acho que vamos ter que resolver de outra maneira.

- Que maneira? Comigo metendo o pé nessa tua bunda mole e socando esses dois frango? Tu me pede pra te encontra aqui no museu por medo da tua esposa descobrir seu vicio, mas não tem medo de eu arrebenta você, essa dupla fantástica ai e metade dessas obras que tu tem que guardar? HAHAHAHA conta outra vai...

- CHEGA!! VOCÊ VAI TER O QUE MERECE PUTA SUJA! - Ele tenta me dar um soco, mas eu desvio e lhe dou um chute. Seus amigos vem pra cima de mim mas não rápido o suficiente, com alguns golpes acabado com os dois.

- A próxima vez que você tentar dar uma sova em alguém pra não paga mercadoria pelo menos se certifique de estar em forma.. eu não ando sozinha atoa... Uhn que nojo... Precisava mesmo ter sangrado no meu sapato? 

- E... eu... ainda pos...so pagar... - Ele diz com dificuldade limpando o sangue que saia de sua boca.

- É... talvez você possa... Mas quem vai decidir isso é o batuta, meu papo contigo acabo hoje.

- Não, por favor não. Me dá até hoje a noite, eu prometo que darei um jeito de conseguir a grana...

- Ué, há cinco minutos atrás me falo que não tinha onde conseguir a grana e agora tem??

- Eu estava enganado, agora que pensei melhor talvez eu...

- Pois você pode pensar melhor com o Batuta, te dei tempo suficiente pra tu pensar melhor, mas parece que a tua mente só funciona na base do tranco... Então vo solta essa fita pra ele e vocês dois "pensam melhor" juntos... E de quebra ainda solto que esses teus amigos te ajudam a pensar também. - Saio do lugar enquanto os três ficam no chão tentando argumentar algo que não dei importância.

Bom, um já foi, agora só falta passar no fornecedor... Pagar essa remessa....Hmm, tinha menos coisas do que eu esperava. Talvez dê tempo de comprar alguma coisa ou fazer algo diferente por aqui antes de me encontrar com a Clara. 

CLARA POV

Bom, consegui passar em duas escolas. Não imaginei que elas seriam tão longe uma da outra. A ultima que devo passar é a Cordélia de Jesus, fica... Na alameda das Oliveiras... É perto do shopping popular... Acho que da tempo de passar por lá antes de encontrar a Maria. 

--- 

Bom, agora que já peguei os panfletos das três escolas, vou para o ponto de encontro esperar a Maria e pensar a melhor forma de falar para ela que eu quer...- Antes de terminar o que eu estava pensando acabo me chocando com alguém e caindo no chão.

- Ai ai ai, você não olha por onde anda nã... MARIA??? - O que ela está fazendo aqui?

- Você tá andando bem distraída.. No que estava pensando?

- Em nada, em nada!! - Digo nervosa enquanto pego os folhetos do chão, mas antes de recolher os outros ela os pega.

- Colégio Valentino de Carvalho, Escola Toca de Assis??? O que é tudo isso??- Ela diz analisando os papéis.

- Não é nada. Foi apenas um panfleteiro que me deu. - Digo enquanto tento pegar os papéis da mão dela.

- Um panfleteiro neh? E por que não jogou fora já que eles não são nada? - Ela me entrega os papéis e eu os guardo na bolsa.

- Porque... porque... porque eu gostei das imagens e pensei em fazer uma colagem com elas no meu caderno de recontes.

- Ah sim. - Ela diz me analisando. - Bom, eu acabei mais cedo o que tinha que fazer e comprei algumas coisas pra gente. O que acha de voltarmos para casa, eu presto contas com o batuta e depois fazemos algo divertido pelo morro mesmo?

- Queria ficar mais tempo por aqui...

- Eu também, mas daqui a pouco dá 10:30, não podemos correr riscos...

- Mas e se fôssemos bem rapidinho na praia? Você liga pro Batuta de lá e assim que der 10:30 nós saímos...

- Não sei...

- Vamos vai, eu vi que você colocou um biquíni por baixo da roupa, eu sei que você também planejava fazer isso, faz tanto tempo que não vamos.

- Okay, okay, você me venceu. - Ela sobe na moto e me puxa. - Mas será rápido, temos apenas 30 minutos.

- Okay!! - 

MARIA POV

- Alô? Batuta? É a Maria.

- Oh Maria, e aí? Tu não vai passar aqui não?

- Não vai dar parça, hoje vou passar um tempo com a Clara, ela parece... Um pouco estranha.

- Ih, esses caô de mulher não entendo não. E ai felipinho, Clarinha não criou nem aquele bigode de mulher ainda e já tá com uns bagulho estranho hahahaha

- Olha bem como tu fala dela.

- Calma ai minha princesa, pode deixa que nesse assunto eu não me meto mais... mas e aí, o que tu conseguiu fazer hoje?

- Seguinte, to com a mercadoria e já prestei conta desse e metade do próximo carregamento. Com o 27 não teve nada feito. Tento me encurrala com os parsa dele, o Carlos e Fernando. Dei pau deles mas deixei vivo pra tu cobra, eu não quero mais papo com ele não.

- Entendi Maria, curte ai teu dia com a pequena e depois nois se tromba.

- Daqui a pouco eu subo o morro, vou tomar um banho e passar na dona Janice pra comer, se quiser manda Felipe lá pra busca o teu que o meu eu do conta.

- Firmeza parceria. Até mais.

Foi um dia muito bom, fazia tempo que eu não ia á praia com a Clara, mas havia algo estranho. Ela estava se divertindo mas parecia um tanto quanto distante... O que será que aconteceu?



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