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História Yah, Donghyuck! - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Ainda tenho a cara de pau de aparecer por aqui, rs

Olá, como estão?
Espero que estejam saudáveis e sem ressentimentos pela minha demora...
Bom, essa história é mais uma da coleção de oneshots do nct. Demorei horrores para conseguir terminar ela, mas fiz com bastante carinho para vocês ♥ então aproveitem a leitura!

• na fanfic, sua relação com o personagem não está ligada a parentesco sanguíneo
• sendo assim, não tem incesto! (muito menos qualquer ato ou insinuação sexual)
• fanfic (ainda) não revisada

Nos vemos nas notas finais!

Capítulo 1 - .único - não mexa no meu diário!


Fanfic / Fanfiction Yah, Donghyuck! - Capítulo 1 - .único - não mexa no meu diário!

Lee Donghyuck lia com certa arteirice as palavras escritas naquele caderninho azul de estampa floral. Seus pés descalços balançavam sobre o braço do sofá, enquanto mordia o lábio inferior para não acabar soltando uma risada alta demais. O garoto de feições ingênuas — que de ingenuidade não possuía nada — mal se aguentava de ansiedade para poder ler todo o conteúdo mantido entre as páginas coloridas. Sentia até mesmo seu coração acelerar, às vezes, com a sensação da adrenalina percorrendo suas veias por estar fazendo algo que, definitivamente, não deveria.

Virou mais uma folha e pôde ouvir um barulho alto soar da entrada do apartamento. Seus olhos astutos desviaram do caderno em mãos somente para enxergar a figura de uma garota passar como um vulto pela sala de estar e subir correndo as escadas para o segundo piso.

— Yah, você quer desabar o prédio inteiro pisando duro desse jeito?! — Hyuck gritou de onde estava, já com a intenção de irritar a garota que acabara de chegar, afinal, isso era o melhor que o garoto sabia fazer.

— Vai à merda, Hyuck. Hoje eu não estou com saco pra te aturar — ele recebeu em resposta, o som um pouco mais abafado devido à distância.

O garoto apenas riu daquilo, voltando sua atenção ao caderno. Continuou lendo, mas, agora, com sua atenção dividida. Enquanto você revirava o quarto atrás do seu precioso diário, o qual ninguém (absolutamente ninguém!) poderia saber da existência, o Lee contava mentalmente os segundos, sem deixar de mostrar seu sorriso maquiavélico. Permaneceu dessa maneira até ouvir o sinal que precisava para saber que o momento de se esconder havia chegado; um grito estridente que vinha do segundo andar.

— YAH, DONGHYUCK!

Passos pesados vieram de cima. Quando você chegou ao pé do mezanino e avistou o pestinha do Lee com o seu diário, ah!, não se aguentou. O rosto logo ficou vermelho de puro ódio e a partir daquele momento já não tinha mais consciência e muito menos domínio próprio sobre suas atitudes. Tudo o que você pensava, era: EU VOU TE MATAR, LEE DONGHYUCK!

Com os olhos flamejando em fúria, você apertou as mãos em punho e partiu a descer as escadas, sem desviar o olhar da figura mais alta do rapaz.

— Você tá morto! — rosnou em sua direção. Haechan, por sua vez, apenas se pôs em pé sobre o couro macio do sofá e lhe lançou um sorriso presunçoso, erguendo o caderninho até a altura dos olhos. — Solta agora mesmo esse maldito diário, Lee! Se você ousar em ler ele eu juro que te mato!

Ele limpou a garganta, pigarreando. O diário foi aberto em uma página aleatória.

Hoje senti como se meu coração fosse sair pela boca. Jeno se ofereceu para me ajudar na matéria de física, mas em nenhum momento eu consegui me concentrar nas suas explicações. — Donghyuck lia cada palavra com entusiasmo, encenando diversas expressões e se contendo para não gargalhar em deboche. Seu olhar fora ligeiramente desviado para encontrar a fisionomia incrédula de sua prima, a qual permanecia sem reação ao ouvi-lo pronunciar os seus pensamentos mais íntimos, os quais deveriam ser um segredo irrevogável para qualquer outra pessoa e nunca deveriam sair daquele diário. — Droga! Por que tenho que estar tão apaixonada?

Seus olhos se esbugalharam em direção ao garoto, ainda incrédula pela ousadia do outro em burlar sua privacidade e, por cima, se divertir descaradamente em cima dos seus sentimentos. Todos naquela casa sabiam que o seu diário era restritamente proibido, onde ninguém, em hipótese alguma, poderia pensar em citá-lo, ou tocá-lo, muito menos lê-lo!

Está sendo cada vez mais difícil conviver com esses sentimentos, querido diário. Eu deveria me confessar a ele?.

As passadas duras em direção ao garoto fizeram-no alertar sobre sua aproximação cada vez mais curta. Ciente do perigo que estava correndo (e buscando, desde o início), Donghyuck fechou o caderninho azul e passou a regressar alguns passos, fugindo à medida que você ia até ele. Contudo, o medo ou adrenalina não impediram que o coreano lhe lançasse um sorriso atrevido, desafiando-a silenciosamente.

— Então, priminha, você acha que o Jeno iria gostar de saber sobre esse diário? — balançou o objeto no ar, arqueando as sobrancelhas enquanto te provocava.

Você sentia seu coração palpitar cada vez mais forte, dominado totalmente pelo ódio extremo em ver àquilo; seu diário nas mãos de outra pessoa, nas mãos de Lee Donghyuck, sendo usado como forma de provocação. E não duvidaria que daqui a pouco também estará sendo usado como chantagem.

Novamente fechou os punhos com força, tentando controlar suas emoções e não permitir que o descontrole lhe dome de vez. Pois, caso isso acontecesse, muito possivelmente você acabaria sendo condenada à prisão perpétua por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

— Eu juro, Hyuck... — respirou fundo, mordendo o lábio. — Juro pela minha racionalidade que, caso você não me devolva esse maldito diário agora mesmo, eu acabo com a tua raça. Vou fazer picadinho de você e extingui-lo da face da Terra, onde ninguém jamais irá ouvir falar num Lee Donghyuck novamente. Tá me ouvindo?

A risada destoante do garoto veio como forma de resposta.

— Já ouviu aquele ditado, cão que ladra não morde?

O canto esquerdo dos seus lábios pintados com gloss se esticou num sorriso débil. Embora você houvesse adquirido uma capacidade admirável em conseguir ignorar toda e qualquer provocação infantil que sempre — ênfase! — partia do garoto, pois, de fato, Donghyuck nascera com o dom inexplicável de irritar a qualquer um, hoje, em específico, você não teria o mesmo autocontrole como das outras vezes e muito menos conseguiria deixar passar o ocorrido. Apesar de muitas pessoas lhe qualificarem como uma garota calma e compreensiva, muitas vezes vinculando seu nome a atitudes honrosas, às vezes, seu eu interior entrava em discordância e sob um dilema dualista, pois Lee Donghyuck conseguia extinguir toda essência de bondade que um dia prevaleceu em si. E esta era uma dessas vezes.

— Ah, é? Então vamos ver se realmente esse ditado funciona na prática — num piscar de olhos você já estava correndo rapidamente em direção ao rapaz que, pego desprevenido pela sua reação súbita, atrapalhou-se ao tentar fugir de suas mãos.

Os pés descalços do Lee se entralharam um contra o outro ao tê-los afundados no couro do sofá, levando-o ao desiquilíbrio e retardando suas possíveis chances de escapar dali com vida. Xingou-se baixinho ao erguer o rosto e encontrá-la já tão próximo de si, e, consequentemente, constatar com infelicidade que havia se ferrado dessa vez. Donghyuck era conhecido por sua estultice, fora sempre muito esperto, e, não diferente de como agia nas outras vezes, ele também havia traçado com antecedência um plano de fuga que, em suas palavras, seria infalível. Contudo, ele não tinha contado com as chances de algo — como seus pés se enroscarem — dar errado e seus planos irem completamente por água abaixo.

Novamente, um piscar de olhos.

Um som surdo soou quando os dois corpos se chocaram com brutalidade e ambos seguiram em direção ao assoalho. Haviam caído por detrás do sofá, destrambelhados, você tendo a sorte de cair por cima do corpo maior do Lee cujo impacto da queda foi amortecido e não lhe trouxe dano algum. Sorte essa que não teve o mesmo.

Fora audível o gemido sôfrego de dor que escapou do rapaz e vagueou pela sala ampla de estar. Haechan mal conseguia distinguir qual dor estaria sentindo naquele momento; se seria o impacto da colisão de ambos, o choque contra o chão, ou o corpo nada leve acima do seu. Quem sabe, a junção deles todos?

 

•xXx•

Depois do fatídico episódio protagonizado entre os dois na sala de estar, você precisou seguir com um Donghyuck choroso até o atendimento de emergência do hospital mais próximo da residência onde moravam. O motivo? Luxação esterno clavicular. Em outras palavras, com a queda e seu peso sobre o corpo do rapaz, Donghyuck acabou levando a pior ao deslocar a clavícula esquerda.

— A-ai! Vai com calma aí — o Lee resmungou manhoso, acompanhando suas mãos e cada movimento cuidadoso que fazia ao ajudá-lo a recolar a tipoia no braço com a clavícula lesionada.

— Se você parasse de se mexer tanto talvez eu conseguisse terminar isso sem te machucar, imbecil — você diz num tom zangado, estressando-se com a apelação/chantagem emocional que Donghyuck encenava. Entretanto, mesmo ciente do ardil fingimento do outro, você não se sentia no direito de refutá-lo ou negar-lhe algo. Na verdade, sentia-se minimamente culpada por tê-lo causado esse desastroso infortúnio.

Yah... Você não pode me xingar, docinho — era como ele te chamava certas vezes, quando seu humor ácido tinha ele como alvo. Efetivamente, esse lado mais recalcado seu só dava às caras quando era necessário ralhar o garoto, por isso, apenas ele o conhecia e adorava te provocar até que perdesse as estribeiras. — Está esquecendo que foi você quem fez isso comigo?

Você bufou, revirando os olhos.

— Que cinismo barato, Hyuck. Também está esquecendo o porquê de eu ter feito o que fiz?

Ambos trocaram um olhar desafiador, sem, necessariamente, se importar em dar continuidade à discussão. Presumindo que as alfinetadas perdurariam caso dessem corda ao assunto inacabado, os dois internamente se contentaram ali, não buscando mais cutucar com a vara curta a onça um do outro.

Agora em silêncio, você terminava de ajudá-lo a se ajeitar mais confortavelmente na cama hospitalar, amaciando os travesseiros nas costas do garoto e regulando o nível do umidificador, posto na mesa ao lado. Como de praxe, Donghyuck observava tudo atentamente para em seguida opinar desgostoso. Vez ou outra soltava resmungos sobre algo, por mais banal que fosse. Depois de certo tempo apenas ouvindo as reclamações do maior, você se deu conta do que ele estava tentando fazer consigo. E, pior, que ele estava conseguindo.

— Vem cá. Por acaso você está esperando por algum pedido de desculpas minhas? Que eu aja com arrependimento e acabe fazendo as tuas vontades? É isso, Hyuck?

Cerrou o cenho, afundando seu olhar nas orbes castanhas do rapaz. Donghyuck sentiu-se fisgado e preso na rede imaginária que a prima havia-o jogado, não sabendo corretamente em como se sair impune daquelas perguntas. Não com exatamente aquelas palavras e não totalmente com as mesmas intenções, mas o que Hyuck queria, você estava bem perto de descobrir. Na verdade, o garoto só desejava ter um pouco mais da sua atenção, um pouco mais de tempo ao seu lado já que agora você aparentemente só sabia reservar seu tempo livre para as aulas extras que fazia todos os dias depois da aula com Jeno, deixando-o totalmente de lado ou como segunda opção.

Inicialmente, essa sutil troca de companhia não passou desapercebido pelo ego e carência singular do Lee, afinal, vocês dois eram uma dupla infalível, sempre foram; mesmo com a implicância do Hyuck, eram vocês dois contra o mundo, em constantes descobertas e aventuras. Ok! Talvez fossem em dadas ocasiões como Tom e Jerry, porém em outras, também conseguiam ser como queijo e goiabada. Fosse por isso e por amá-la tanto que Donghyuck jamais deixaria que alguém a roubasse de si, tão fácil e descaradamente, mesmo esse alguém sendo um dos seus melhores amigos de infância.

Ei, Hyuck! — alguns estalos em frente ao rosto paralisado do rapaz o fez despertar do devaneio inconsciente, causando-lhe certa letargia ao voltar à realidade. — Se perdeu no tempo, por acaso?

As pálpebras piscaram vezes seguidas, ligeiras, novamente focalizando o seu semblante curioso, cuja resposta ainda aguardava ouvir.

— A-ah... Acho que eu me desliguei por alguns segundos. Desculpa, docinho — ao ouvi-lo, você soltou um bafejar cansado e logo se ergueu do lado do garoto, dando a entender que estava prestes a ir embora. — E-espera, aonde vai?

O tom vacilante do acastanhado fizera com que você parasse a meio caminho da porta, impedindo-a de prosseguir adiante sem antes lhe prestar uma resposta que justificasse sua reação.

— À varanda. Preciso respirar um pouco de ar fresco.

E partiu a passos largos e ligeiros para fora do quarto, deixando para trás um Lee Donghyuck abismado e momentaneamente ressentido.

[...]

Minutos se passaram. Talvez uns quinze, ou menos, mas não mais que isso. Porém, para Donghyuck que estava inquieto pela solidão proposital, esses minutos estavam sendo infernais e cuja lentidão se tornava torturante.

De tempos em tempos virava-se em direção à porta, aguardando pela volta demorada da garota que deveria estar ali com ele. Porém, nada. Nem indícios de que você voltaria logo. A tipoia começara lhe encodar, a roupa de paciente também dava-o coceira em certas regiões do corpo. Batucava os dedos, assoviava uma melodia qualquer, remexia-se sobre o colchão, mas nada era capaz de tirar o tédio que culminava dentro de si.

Havia mandado uma mensagem no grupo que compartilhava com os amigos depois de receber atendimento no pronto-socorro, os avisando acerca de suas atuais condições e como viera parar aqui. O grupo se agitou por um tempo mas a conversa logo cessou. Agora, Donghyuck observava novamente o chat aberto esperando que sua mensagem enviada há pouquíssimos minutos recebesse atenção. Esperou uns dois minutos, ainda atento ao celular. Três minutos e vinte e sete vírgula sete segundos depois e absolutamente nada! Nenhuma visualização, nem sinal de vida de qualquer um dos garotos. Onde diabos aqueles infelizes haviam se enfiado para não lhe responderam na hora? Pensava Donghyuck com raiva.

Grunhiu em desgosto e, depois de xingar alguns nomes baixos, abandonou o celular por algum lugar do colchão e jogou-se de costas sobre os travesseiros, não deixando de resmungar nunca.

— Você não muda mesmo.

A risada que veio em seguida revelou a identidade da segunda pessoa presente no recinto antes mesmo de Donghyuck ser capaz de vê-lo parado à porta de correr do quarto. Não havia ouvido nenhum barulho que indicasse sua chegada, por isso, realmente foi pego de surpresa com a visita inesperada do amigo.

— O que está fazendo aqui? — o acamado lançou a pergunta meio intrigado, não acreditando totalmente na fidelidade do outro. Não a ponto de trazê-lo até o hospital às oito e trinta e quatro de uma sexta-feira à noite.

O olhar atravessado de Donghyuck passou a normalidade quando o outro, Lee Jeno, deu ligeiramente de ombros, sorrindo em seguida.

— É tão difícil de acreditar que eu apenas vim visitar um amigo que está mal no hospital?

— Sim, é sim. Sou bastante incrédulo quanto às suas ações caridosas, Jeno-ya — ajeitou-se novamente sobre o colchão, encontrando uma posição confortável que lhe desse uma visão completa do visitante noturno. — E o que é isso que trouxe? É pra mim?

Com mais alguns passos despreocupados Jeno encurtou a distância entre os dois. Pôs o pacote sem embrulho acima da cama, quase ao pé de Hyuck, e bafejou baixo, descrente.

— E eu que sou interesseiro, né? — arrastou o pacote, finalmente entregando-o ao garoto curioso de tipoia. Donghyuck mal esperou o pacote chegar corretamente até suas mãos para logo passar a desempacotá-lo, abrindo a caixa média com a mão boa e espiando o conteúdo guardado lá dentro. Eram garrafas pequenas, seis ao total. — Pelo menos eu fui o único dos seus amigos que se dispôs a vir ver como você estava. Ainda te trouxe sucos nutritivos com sabores variados de frutas tropicais para que você tenha uma boa recuperação...

O Lee havia tirado de dentro do pacote o suco sabor pêssego. Girou a garrafa nas mãos enquanto inspecionava o rótulo e depois acenou com a cabeça, aprovando o presente ganhado.

— Você não fez mais do que sua obrigação.

Devolveu o vidro para dentro do pacote e voltou-se ao outro garoto, encontrando uma carranca desgostosa ao invés do semblante jovial e costumeiro de Jeno.

— Ingrato.

— Interesseiro.

— Quer que eu leve de volta os sucos? — a ameaça veio junto a um arquear desafiador de sobrancelhas loiras. O efeito foi imediato e Jeno sorriu com isso. Sem contestá-lo, Donghyuck somente puxou para si o pacote de sucos e pôs um bico nos lábios, aceitando se manter calado como prova de rendição. — Bom garoto.

Observando em volta, pelos arredores do quarto hospitalar, Jeno então passou a caminhar sem rota pelo recinto. Averiguava sem muito interesse as paredes claras, os aparelhos desligados e alguns poucos objetos decorativos que por ali havia.

— Onde está a ____?

Hyuck olhou-o de esguelha, meio desconfiado, demorando-se para respondê-lo.

— Saiu pra tomar ar — e ponto, nada mais disse. Ele queria ver até onde seu amigo prosseguiria com as perguntas que se referiam a garota. Não muito tempo atrás, Donghyuck havia notado uma certa mudança em Jeno. Era sutil (por mais inacreditável que isso soasse), mas Lee Jeno estava conseguindo não dar tão na cara assim sobre ter bons sentimentos guardados pela estrangeira.

— Ah, sim... — silêncio. O garoto de cabelos descoloridos parou frente a uma prateleira vazia, fingindo interesse, antes de limpar a garganta com um pigarro seco. — E você... sabe... realmente leu o diário dela?

Com olhos desviados para o lado, Jeno espiou o Hyuck movimentar os ombros, um gesto curto e de pouco caso.

— Apenas algumas páginas — ele suspirou, um suspiro fino e profundo. — Você precisava ter visto a cara dela quando me viu segurando aquele caderno. Juro que nunca na minha vida vi a ____ tão vermelha de raiva quanto naquele momento. Ela tinha os olhos esbugalhados, furiosos, o maxilar trincado e eu podia enxergar perfeitamente a veia de sua testa saltar para fora. Wah! Foi uma experiência bizarra e única, também. Até senti um pouco de medo, talvez um arrependimentozinho, mas logo passou — soltou uma risada ao se lembrar. — Ai, ai... Mas, no fim, acabou valendo a pena descobrir alguns daqueles segredos.

Astutamente, Donghyuck desviou seu olhar para focá-lo no amigo. Estava curioso em saber qual seria seu próximo questionamento. Jeno estava sob sua mira, um passo em falso e ele confirmaria todas as suas suspeitas.

— Hm... Então você os leu... — o suspiro veio logo após as palavras murmuradas. Jeno deixou de lado seu falso interesse pela estante vazia para voltar-se de frente para o Lee, qual facilmente notara os dedos inquietos do outro, que cutucavam o cantinho das unhas. Os lábios finos do loiro insinuaram uma pequena projeção de fala, contudo, ao ponderar mais conscientemente, Jeno optou em manter-se calado.

— Não está curioso pra saber do que eu estou falando?

Jeno hesitou.

— Não acho que a ____ gostaria que eu soubesse. Esse diário parece ser importante pra ela.

Donghyuck sentiu-se mudo. Após uns poucos segundos processando a resposta do mais velho, o canto da sua boca repuxou-se num sorriso entendido.

— Uau... Você é inacreditável! — riu, chamando a atenção do loiro. — No final das contas, você realmente veio pra visitar seu amigo que tá internado no hospital ou isso tudo não passa de uma boa desculpa pra ver como a ____ está?

Os olhos negros de Jeno projetaram-se para a frente, surpreso ao ouvir a acusação velada do outro.

— O-o quê?

— Você tá mais preocupado em saber como a ____ está se sentindo depois do que eu fiz com ela, do que comigo. É isso, não é? — Donghyuck adquirira um semblante sério, escondendo o amargor e o sentimento de impotência.

Ele nada poderia fazer em relação a você e Jeno, ao que ambos sentiam um pelo outro. Não era a este ponto em que queria chegar. Mas ainda, dentro de si, prevalecia a desconfortável ideia de que isso afastaria os três amigos. Que te afastaria dele.

E Jeno, no entanto, sentia-se num estado de descrença.

— Do que você tá falando, Haechan? Eu vim por sua causa e-

— Não precisa mentir pra mim, Jeno! — o Lee alterou-se, calando o mais velho. — Por que você e a ____ continuam mentindo um para o outro, huh? Continuam escondendo as coisas de mim!

— Donghyuck!

Ambos os garotos se assustaram com o chamado, desviando-se daquela discussão somente para encontrarem a figura pequena da garota. Encontrava-se parada em frente a porta, observando os dois rapazes. Você havia chegado ao quarto no exato momento em que Donghyuck começara a discussão, sendo capaz de presenciar o que se passara ali.

— Chega, por favor — você o pediu, suplicante, como se estivesse cansada de vê-lo agindo assim. Fechou os olhos e respirou fundo, pois precisava controlar seus hormônios para lidar da melhor maneira aquela situação. Quando os abriu novamente, notou que recebia em troca o olhar displicente do primo.

— Olha, ____, me desculpa por isso — você desviou sua atenção para Jeno quando este começou a se pronunciar. O maior parecia agitado e ansioso com tudo que ocorrera. — Eu realmente não queria causar esse desconforto.

Você o ouviu atentamente, indo até ele com passos calmos. Próximos um do outro, você lhe lançou um sorriso velado, ao mesmo tempo que se sentia afetada por sua presença.

— Você poderia nos deixar à sós, por um momento? — pediu com ternura, conseguindo sustentar uma troca de olhares.

Lee Jeno consentiu, movimentando a cabeça.

— Claro — retribuiu o sorriso. — Volto em outra hora.

Antes de iniciar sua saída, Jeno olhou uma última vez para o amigo, hesitando se deveria ou não dizer alguma coisa. Ele não gostaria de ir embora estando ainda sob o peso daquela discussão, ou talvez, deixando para trás uma ferida aberta no melhor amigo. Magoar o mais novo jamais foi sua intenção. Mas, ao notar que Donghyuck não lhe cederia uma oportunidade de fala ou justificativa — mesmo sem compreender o que exatamente ele precisa se justificar —, se forçou em deixá-los à sós, rumando para fora do quarto.

Você acompanhou o trajeto do maior e suspirou longo quando se viu novamente sozinha com Haechan. Este, que encarava as próprias mãos acima do colo.

Encheu os pulmões de ar e finalmente falou, o encarando:

— Você quer que a gente seja sincero contigo, certo? Então comece por você sendo sincero, Hyuck, e me diz por que está agindo assim.

Os olhos amendoados do garoto se nivelaram ao seu.

— Certo... acho que agora é uma ótima hora para sermos sinceros um com o outro — havia um certo fio de incerteza em sua voz, entretanto, Donghyuck estava disposto em prosseguir. — A verdade é que eu estou com medo... — apesar de hesitante, sua voz firme não falhou. O garoto queria transmitir suas palavras com sinceridade e total consciência. — Tenho medo de ficar pra trás e ser esquecido por você. Tenho medo de que essa distância que aos poucos vem sendo formado entre nós se torne maior. Sabe, por mais absurdo que isso possa soar, eu continuo sentindo medo...

Um riso frouxo, fraco e sum humor tomou os lábios cheios do garoto, os quais cujos olhos esquadrinhavam, atenciosamente, quaisquer reações que pudessem vir de você. E mesmo temeroso, Donghyuck não tentou fugir da prisão que era o seu olhar sobre ele.

— Juro que tentei, pela primeira vez na vida, ser maduro quanto ao que você sentia. — prosseguiu ele, vendo que você nada diria. — Mas, como deve ter notado, eu não tive muito sucesso... Eu apenas te via cada vez mais longe, ____, e eu ficando cada vez mais anônimo pra você. Isso me machucou e... uma mistura horrível de sentimentos me tomou quando finalmente percebi que eu poderia te perder pra outra pessoa. Eu... realmente sinto muito por ainda parecer tão imaturo, mesmo sabendo que você tem total liberdade pra seguir com suas próprias decisões.

Você o ouviu atentamente, sendo atingida por cada uma de suas palavras confessadas. Mas, assim como Donghyuck, você também não queria fugir. Não havia percebido, até aquele momento, o quanto suas ações não se referiam somente a você mesma, mas também poderiam atingir outras pessoas, as quais você tanto prezava pelo cuidado. Quando se deparou estar apaixonada, jamais passara por sua mente que esse sentimento poderia machucar alguém. Então, meio absorta entre seus difusos pensamentos, compreendeu que, na verdade, não era o sentimento de paixão que machucava, mas sim as atitudes e comportamentos que você tomava por impulso daquele estado emocional. Da mesma forma que você buscou estar mais próxima de quem gostava para satisfazer uma necessidade emocional, o mesmo ocorreu com o Lee que, motivado por alguns sentimentos, o levou a fazer o que fez.

Você então suspirou fundo depois de minutos em silêncio.

— Agiu como um idiota por estar com ciúmes? — sua voz saiu baixa, mas audível o suficiente para que Donghyuck a ouvisse.

Ele precisamente fechou os olhos quando um grunhido soou de sua garganta, contradito, no entanto, ele logo voltou a abri-los e encará-la.

— Você desconsiderou todo o meu discurso pra só focar nesse detalhe mínimo?

O vislumbre de um sorriso arteiro desabrochou em seus lábios. Cruzou os braços abaixo dos seios e se aproximou uns dois passos, ficando próxima o suficiente para intimidá-lo.

— Não desconsiderei o que disse. Mas, por outro lado, não te ouvi negar minha pergunta. Então você admite que está com ciúmes, Lee Donghyuck?

Os olhos amendoados do rapaz se desviaram do seu pela primeira vez naquela noite. Donghyuck odiava ter que admitir que você estava certa, porém, suas maçãs do rosto tonalizadas por uma coloração mais rosada não permitiu que ele se contradissesse. Havia caído no jogo da garota, outra vez.

Tomado pela vergonha de ter sido desmascarado, Donghyuck disparou a falar:

— Aish, você tá certa, ____, eu estou sim com ciúmes de você e do Jeno. Mas não é só isso, ok. Puts, meu amigo e minha prima quase irmã se gostam e ainda assim escondem isso de mim? Como podem continuar fingindo quando todos já sacaram o lance de vocês dois?

Yah, Donghyuck.

Ele te olhou meio duvidoso. Você tinha um sorriso preso nos lábios e isso causou efeito imediato no rapaz, qual se sentiu mais aliviado ao tirar o peso das costas de manter aquele “segredo” somente para si. O clima pesado de antes dissipou-se num piscar de olhos, como se nunca tivesse existido ali.

E, calmamente, você foi se acomodando ao lado do garoto e tomando espaço ao dividir a cama hospitalar. Deitou com a cabeça bem próxima do Lee, que logo a imitou tendo cuidado para não machucar o braço imobilizado. Ambos permaneceram imóveis naquela mesma posição, até que você cortasse o silêncio que perdurava.

— Desculpa se te fiz pensar que em algum momento eu deixaria você pra trás... — ao término da fala, o olhou. — Queria que você soubesse que eu jamais faria algo assim. Até porque você é barulhento demais para que eu te esquecesse.

Donghyuck riu.

— Posso ser ainda mais barulhento e irritante se você esquecer do que disse hoje.

— Não vou me atrever em duvidar.

— Ótimo, sempre soube que você fosse esperta. — caíram novamente em silêncio, com a respiração calma de ambos embalando a noite. — Também quero que me perdoe por ter agido como... como...

— Como um idiota? — ajudou a completar sua sentença, fazendo-o engilhar o nariz em desaprovação. No entanto, o Lee findou por aceitar aquela nomeação e admitindo. — hm... eu aceito suas desculpas se me prometer que nunca mais irá sequer pensar na hipótese de pegar outra vez o meu diário.

Ele olhou-a de esguelha, temeroso em se comprometer com tamanha responsabilidade. Você correspondeu àquele olhar pretencioso, sustentando-o fervorosamente até que este cedesse ao seu querer.

— Certo, certo, eu prometo. — bufou, fazendo-a sorrir vitoriosa. — Mas você também tem que ser mais legal comigo a partir de agora e não me trocar pelo charme de Lee Jeno.

— Ei, não acha esse um trato muito injusto, não? Eu já estou te perdoando pelo o que fez!

Não precisou vê-lo para saber que o garoto sorria da sua reação, afinal, pôde ouvi-lo quando este saiu facilmente de suas cordas vocais. Donghyuck aproveitou o pouco espaço para passar o braço bom por baixo do seu pescoço e trazê-la para mais perto, num abraço desajeitado. Você não se incomodou com a ação dele, pelo contrário, aproveitou da sensação de calor que emanava do corpo próximo ao seu e ao mesmo tempo relembrar das esquecidas vezes que passara a noite na companhia do garoto. Eram boas lembranças, as quais também lhe trouxeram saudades.

— Tudo bem, vou te dar outra proposta — você assentiu, permitindo que ele continuasse. — Assim que sair desse hospital a primeira coisa que você irá fazer, além de me perdoar, é ir atrás daquele loiro interesseiro que eu chamo de amigo para ser verdadeira com seus sentimentos.

Yah, Lee Donghyuck!

— Shii, ainda não terminei — te apertou um pouco mais no abraço e você parou para ouvi-lo. — Além disso, eu quero que você preste atenção em mim. Será que você pode fazer isso?

Simultaneamente seus olhares cúmplices se encontraram, como uma dança coreografada. E sorrindo largamente para ele, transmitindo carinho com aquela simples ação, você recostou a cabeça sobre o peito masculino e fechou os olhos para ouvir o ritmo acelerado dos seus batimentos cardíacos. Eram rimas descompassadas capazes de te embalar na noite.

 

E não precisou de mais nenhuma resposta verbalizada para que Lee Donghyuck tivesse a certeza de que ele jamais perderia o posto exclusivo que há em seu coração. Ele não precisa mais se preocupar em sentir medo. Você sempre daria a atenção que ele merece receber.


Notas Finais


eu sinto que sempre estrego os finais das minhas estórias, rsrs triste
PORÉM, espero de todo coração que vocês tenham apreciado a leitura. todo esforço que ponho em meus trabalhos são inspirados em cada um que se dispõe em lê-los e deixar resquícios de carinho em cada comentário. amo vocês ♥ e qualquer crítica construtiva é bem recebida, ok.


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