História Yellow Flicker Beat - Capítulo 22


Escrita por:

Postado
Categorias One Piece
Personagens Edward Newgate (Barba Branca), Personagens Originais, Portgas D. Ace
Tags One Piece
Visualizações 45
Palavras 4.289
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Fluffy, Luta, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 22 - Impact


Fanfic / Fanfiction Yellow Flicker Beat - Capítulo 22 - Impact

-Ace?-ele desviou seu olhar da porta assim que escutou a voz de Sora o chamando, ela estava sendo acompanhada por outros dois homens, os mesmos que haviam o segurado contra a maca algumas horas antes para que as enfermeiras pudessem limpar seu machucado- O que você está fazendo aqui?

-Acredito que se nós dois estamos aqui, o pai também te chamou, certo?-ela acenou positivamente- Mas que merda, eu não tive tempo o suficiente para pensar em algo.

-Pensar no que?-Sora franziu o cenho- Espera, não está pensando em mentir para aliviar as coisas para mim, está? Porque se estiver, não faça!-ela disse com a expressão fechada e rapidamente olhou para baixo- Eu mereço qualquer punição que o pai decida me dar, eu ataquei um companheiro...não, é ainda pior, ataquei um comandante que nem mesmo se defendeu.

-Mas que idiota, vai continuar insistindo nessa história de que não me defendi? Você não quebrou sua mão à toa.

-Não finja que não entendeu.-ela ergueu o olhar e deu de ombros- Você poderia ter lutado de volta e se recusou a fazê-lo, você deveria ter feito, eu merecia que fizesse.-Sora se aproximou repentinamente e levou sua mão direita ao rosto dele, Ace sentiu seu corpo automaticamente dar um passo para trás com o susto e suas bochechas arderem ao ver o olhar culpado dela sobre o curativo- Como você está?-ela deslizou o polegar pelo rosto dele, o acariciando de forma suave e gentil. Ace desviou seus olhos para baixo e encolheu os ombros de forma envergonhada-

-Você não precisa se preocupar, foi só um pouco de pele e sangue, deve cicatrizar logo.-seu olhar parou sobre a mão engessada dela e a segurou- Marco me contou sobre como você quebrou a mão inteira.-ela deu risada do exagero, obviamente vindo da parte de Ace, Marco não iria dizer algo assim, mesmo se ela tivesse perdido a mão-

-Ora, não seja mórbido, eu não quebrei a mão inteira, foram três ossos de três dedos. Sabe quais ossos são os metacarpais?-ele acenou de forma negativa e Sora soltou o rosto dele, levando sua mão até a dele, segurando-a com as duas e usando os polegares para apertar as costas da mão dele- Quando usamos os punhos para socar alguém, os ossos metacarpais são os que ferem, mas também os que recebem todo o impacto.-ela fez movimentos circulares com os polegares sobre os tais ossos ligados aos dedos indicador e médio dele- Arina, uma das enfermeiras que supervisiona o pai, foi quem diagnosticou que um dos meus ossos está em pedaços, ela queria que eu fizesse uma cirurgia e ainda usasse essa algema maldita por três meses, consegue acreditar nisso?-ela disse de forma tão incrédula, que Ace quase quis rir de como ela negligenciava as ordens médicas- Então, a fiz marcar a cirurgia para amanhã, por isso, não fique doente, não vai haver médicos para te atender.

-Precisa de tantos médicos assim para realizar essa tal cirurgia?-ele franziu o cenho e Sora riu-

-Não, mas toda cirurgia é arriscada e você sabe como sou. Um poço de negatividade! Já estou dizendo adeus para todos aqueles que conheci e por quem prezo nesse navio.

-Mas que coisa.-ele sorriu de canto e tomou a mão de Sora para si- Quem está exagerando agora? Não seja tão chata com as ordens médicas, não quero te ver cheia de problemas depois, então se precisar ficar três meses com gesso na mão, eu vou te ajudar no que precisar, certo?

-Mas que irônico, você fala igualzinho ao Marco.-ela deu de ombros e Ace subiu seu olhar rapidamente, soltando a mão de Sora por impulso- Eu não vou fazer nada de idiota como tirar o gesso antes do tempo, ok?-ela olhou para o lado e estreitou os olhos, duvidando de si mesma- Provavelmente...não, talvez...bem, vamos saber depois de três meses, certo?

-O Marco também se propôs a ajudar?-por algum motivo, aquela ideia lhe causou incômodo, talvez por saber que ela pediria ajuda a Marco antes de sequer cogita-lo, já que haviam tantos fatores o favorecendo como a proximidade e os sentimentos de Sora-

-Sim, ele disse que se eu precisasse de ajuda, ele seria minha mão esquerda, assim como sou o braço direito dele.-Sora riu e encolheu os ombros- Ele é péssimo com piadas, talvez pior do que eu.

-Bem, parece que eu me atrasei, não é?-ele deu de ombros- Seu comandante já tomou a dianteira da situação, não tem motivo para que você aceite a minha ajuda. Não existe uma terceira roda.

-Novamente, o cúmulo do exagero.-Sora disse com um sorriso aberto nos lábios- Você nunca viu um triciclo na vida, viu?-ele acenou de forma negativa e Sora cruzou os braços- Pois saiba que triciclos tem três rodas e funcionam perfeitamente bem.

-O que?-ele arregalou os olhos de forma impressionada- Três rodas? Isso parece completamente estranho. Não pode ser, você está inventando.

-É verdade!-ela disse animada demais para pensar em suas próprias palavras- Tem um monte deles na ilha de onde vim, se um dia a visitarmos, eu vou...-Sora tropeçou em suas próprias palavras até engasgar, se calando rapidamente-

-Sora, eu...-ele ergueu a mão, tentando leva-la na direção da garota, que ergueu a sua própria, batendo as costas de sua mão contra a dele, forçando um afastamento repentino. Rapidamente, ela ergueu a cabeça e sorriu-

-Bem, devem haver triciclos em algum outro lugar e quando eu achar, vou rir enquanto você tenta entender um.

-Mas que coisa, vocês dois.-Marco disse assim que abriu a porta do quarto de Barba Branca, fechando-a atrás de si logo em seguida- Todo esse estardalhaço para decidir como iremos resolver essa situação problemática e aí estão os dois, conversando e rindo como se nada tivesse acontecido.-Sora desviou seu olhar sorridente na direção de Marco-

-Ei, comandante Marco!-Sora o chamou de forma tão agitada quanto havia feito antes, como se ignorasse o fato de que havia mencionado sua ilha extinta segundos antes- Você já viu um triciclo?

-Aqueles veículos anti anatômicos com três rodas?-Marco tombou a cabeça para o lado- Sim, eu já vi em alguns lugares.

-O que? Então você não estava inventando?-Ace coçou a cabeça e franziu o cenho- Parece completamente ineficiente na minha mente.

-Não querendo atrapalhar a conversa estranha sobre triciclos de vocês dois, mas o pai tomou uma decisão.-ele desviou seu olhar preocupado na direção de Sora- Sinto muito, mas ele realmente não parece feliz.

-Ah...-Sora abaixou o olhar de forma conformada no mesmo momento em que escutou aquilo- É mesmo? Entendo, ele tem todo o direito de ficar com raiva.

-Eu ainda acho que eu deveria decidir se a Sora deve ou não ser punida, afinal, eu fui quem sentiu o punho dela contra o meu rosto e...

-Não.-Sora ergueu a voz para interrompe-lo- O meu comandante é o Marco e ele deve decidir junto ao Barba Branca aquilo que deve ser feito, eles foram os homens que escolhi seguir. Ninguém além deles deve decidir que tipo de punição eu mereço, ainda mais você Ace-san, que está envolvido na situação. Normalmente seria pelo fato de que você me daria uma punição severa demais, mas no caso, você está sendo gentil demais com alguém que descontou tanta raiva no seu rosto.

-Está tudo bem, você já se desculpou.-ele deu de ombros- Além do que, eu disse tudo aquilo que você não queria escutar, te provoquei até o último segundo para que fizesse algo do tipo, estava pronto para arcar com as consequências.

-Você quase soa como um adulto quando fala desse jeito.-Sora riu e olhou para baixo- Mas ainda assim, a minha punição deve vir deles como as pessoas a quem mais devo respeito nesse navio.

-Você quem quase soa como uma adulta quando diz coisas do tipo.-Marco disse com um olhar e meio sorriso preocupados, pela expressão dele, já era de se entender, qualquer que fosse o castigo de Sora, seria exemplar- Bem, vamos entrar, certo?-o olhar de ambos parou sobre Sora, que acenou positivamente logo após um longo suspiro. Seu estômago revirou com o nervosismo e ela sentiu a garganta ficar repentinamente seca, suas mãos estavam suadas e sua respiração havia fugido do automático, o que a forçava a se focar para fazer aquilo. A porta do quarto se abriu, ela deixou que Ace entrasse na sua frente e se dirigiu para dentro do mesmo logo em seguida, ouvindo Marco fecha-la atrás de si-

-Pai, os dois já estão aqui.-Sora não ousou levantar os olhos, mas ainda conseguiu vê-lo colocar a garrafa de saquê sobre o criado mudo ao lado da cama. Os movimentos dele nunca haviam lhe causado tanta ansiedade e medo, nem quando estava em um surto de adrenalina à beira da morte. A pior possibilidade lhe martelava na cabeça, ser expulsa da tripulação era seu pior pesadelo, perder a única coisa de preciosa que tinha, peder sua família, perder seu pai-

-Você causou alguns problemas para o Ace, estou certo?-sem exitar, Sora acenou positivamente- Marco falou sobre o quão arrependida está por tê-lo feito, ele estava só tentando protege-la ou você realmente se arrepende?

-Eu...-Sora juntou as mãos na frente do corpo e franziu o cenho- Eu jamais quis ferir o comandante Ace, eu me arrependo e sinto muito por ter perdido o controle como fiz naquele momento.

-Por mais que você me soe sincera, não posso deixa-la impune após ter agredido um superior, por ter agredido um companheiro. Está disposta a aceitar qualquer punição?-Sora acenou positivamente e Barba Branca estreitou seus olhos- Até mesmo se eu lhe disser que não a quero mais no navio?-o coração de Sora parou por alguns segundos, ela travou completamente, mesmo sabendo que deveria responde-lo, seu corpo não respondia, as lágrimas lhe correram pela face em grande quantidade, suas mãos se separaram e se fecharam em punho, tremendo de desespero no ar- Me responda!-a voz dele soou grave e exigente em seus ouvidos, ela sentiu uma sensação quente de desespero lhe subir da boca do estômago até a garganta e aquela sensação permitiu que duas únicas palavras lhe saíssem pela boca-

-Sim senhor.-Sora levou sua mão direita para frente dos lábios, tentando impedir um soluço que insistia em querer fugir. Marco tinha os olhos arregalados em pânico, ele sabia que Barba Branca pretendia puni-la de forma severa, mas expulsão? O mundo começou a se mover mais lentamente conforme seu cérebro tentava arduamente trabalhar naquela situação, pensar em algo que pudesse contorna-la. Porém com o nervosismo, a necessidade de nicotina se fez presente e seus pensamentos nublaram, unindo aquele desespero a um ainda maior, tudo o que ele pôde fazer foi morder o lábio inferior com força-

-Pai, eu devo pedir para que seja razoável e...-ele tentou argumentar em uma última medida desesperada, mesmo sabendo da ordem que havia lhe sido dada. Não deveria interferir-

-Eu pensei que tivesse lhe dito para não tentar intervir nessa situação, Marco.-ele abaixou o olhar e fez força contra seu maxilar, não podia desrespeitar seu pai, mesmo com toda a sua compressão e amor, ele ainda era seu capitão, mas sabia o quão injusto era expulsar Sora da tripulação por uma briga rasa como aquela- Um pai deve fazer escolhas difíceis de tempo em tempo, porém...

-Não.-a voz de Ace soou pela primeira vez desde que havia entrado no quarto, chamando a atenção de Barba Branca, que era o único além do mesmo que ainda mantinha o olhar erguido- Pai, não pode expulsar a Sora da tripulação quando fui eu quem fiz isso comigo mesmo.-ele cruzou os braços e fechou os olhos- Ela não seria capaz de me ferir dessa forma, afinal, eu sou comandante da segunda divisão, ela é só uma tripulante da primeira.

-Não minta para mim Ace.-ele cruzou os braços rapidamente- Mentir para o seu pai é um pecado pelo qual não está disposto a pagar. Todos a bordo do Moby Dick sabem sobre o que aconteceu, não posso deixar que isso passe impune.

-Então me dê outra opção, além da desesperada.-Ace disse com os punhos fechados- Por favor, entenda que expulsar a Sora da tripulação não é justo, abandonar um de seus filhos que faria de tudo para defende-lo...não é justo! Por isso, reconsidere. Ela não merece ser punida dessa forma por um erro tão pequeno.-o olhar de Barba Branca caiu sobre Sora, que continuava imóvel enquanto as lágrimas lhe percorriam a face e caíam direto sobre o chão, ela não emitia nem mesmo um som além do provocado por sua respiração pesada e ofegante, parecia se recusar a incomodar, quebrava o coração de qualquer pai ver uma filha tão machucada por suas palavras-

-Essa é uma cena que nunca imaginei que veria.-Ace deviou seus olhos, sem entender- Você, Ace. Se impondo pela Sora.-o capitão do Moby Dick cruzou seus braços e acenou de forma negativa- Vocês fazem mesmo uma tempestade em um copo d'água. Em primeiro lugar, eu nunca disse que a atitude da Sora seria punida com expulsão.-os olhos dos três subiram incrédulos na direção dele- Eu só queria saber o quão arrependida ela estava do erro que cometeu. Como você mesmo afirmou, ela é minha filha, não vou deixa-la para trás.

-O que?-Ace perguntou confuso- Pai, não diga coisas tão sérias que possam assustar a Sora dessa forma, veja como a deixou.-Ace a mirou pelo canto dos olhos, constatando que ela ainda estava de cabeça baixa-

-Vocês interpretaram errado, foi uma pergunta e não uma afirmação.-ele voltou seu olhar na direção de Sora- Porém, eu ainda não terminei aquilo que estava dizendo antes de ser interrompido.-ele disse ao se lembrar das palavras que tinha em mente- Sora, eu pedi para que fossem pacíficos um com o outro, mas você falhou, estou desapontado.

-Eu sinto muito.-ela disse com a voz chorosa, mas pigarreou logo em seguida, tentando limpar a garganta. Foi inútil, sua voz se manteve no mesmo tom- Eu perdi a cabeça e acabei ferindo um companheiro, ferindo um dos seus filhos e eu entendo o quão difícil seja para o senhor, até mesmo estar se privado de me expulsar do navio por esse mesmo filho insistente.-Sora soluçou- Me desculpe, por favor.

-Mas que cabeça dura, eu já lhe disse que não tinha intenção alguma de expulsa-la do navio, vocês quem interpretaram errado.-mesmo com as palavras dele, o corpo de Sora ainda estava rígido devido ao choque que havia sido cogitar sua vida longe daquela tripulação- A sua punição será dada em forma de uma ordem individual que se encaixa no seu nível de habilidade e gravidade da situação em que se envolveu, mas falaremos sobre isso quando Ace estiver ciente de sua parcela de culpa em toda a situação.

-Sim, eu compreendo o meu erro e peço desculpas por isso.-Ace disse de forma mais despreocupada do que ela conseguia processar, claramente alheio de qualquer parcela de culpa que quisessem lhe jogar-

-Está disposto a fazer de tudo para reparar seu erro?-ele deu de ombros e Barba Branca cruzou os braços, era difícil lidar com ele quando achava que estava certo- Até mesmo deixar a tripulação?

-Não, eu não estou disposto a passar por isso.-a forma irredutível como Ace expressava as palavras, fez Sora erguer seu olhar na direção de Barba Branca e enxugar as lágrimas rapidamente antes de se dirigir a ele-

-Eu sinto muito pelo quão certo de que não cometeu erro algum ele pode parecer no momento, eu juro que ele compreende que forçar alguém ao limite é algo cruel e doloroso, mas se o comandante cometeu esse erro, foi com a única intenção de me ajudar, ele não teve intenções ruins em momento algum, então seja compreensivo com ele, por favor.-os olhos negros Ace a fitaram de forma curiosa, Sora estava o defendendo? O sentimento deixado foi controverso, a dúvida do motivo e a alegria incontível de saber que ela se importava, fizeram um sorriso lhe correr no canto dos lábios-

-Bem, parece que mesmo se eu tivesse a intenção de ser severo com um de vocês dois, o outro não deixaria.-ele deu uma risada fraca e sem motivo, fazendo Sora franzir o cenho, confusa- Parece que essa situação foi útil para algo, vocês dois finalmente estão pensando no outro como companheiro e não como inimigo. No fim, isso é tudo o que realmente importa e a única razão de eu ter dito ao Marco para que não interferisse.-Marco suspirou aliviado ao escutar aquilo, não poder defender Sora foi difícil, já que por ser sua subordinada, ele a conhecia tão bem e sabia o quão importante a tripulação era para ela- Estou satisfeito com o desenvolvimento de vocês dois nesse ponto, então você pode voltar ao seu quarto Ace, não tenho mais nada a tratar com você por hoje.

-Eu pensei que fosse dizer algo sobre a penalidade da Sora.-ele franziu o cenho, confuso-

-Sim, eu irei. Mas isso é uma questão confidencial que só diz respeito a primeira divisão, como superior dela, Marco é o único que precisa estar aqui para que eu possa confiar algo a Sora, então não há mais assuntos que sejam de seu interesse nessa reunião.-Sora desviou seu olhar na direção dele de forma preocupada, conhecendo-o do jeito que o conhecia, era fácil dizer que aquela resolução não havia o deixado feliz-

-Compreendo.-ele coçou a nuca e sorriu- Não vou mais atrapalhar, tenha uma boa noite pai, Marco...-ele levou a mão até o topo da cabeça de Sora e afagou seus cabelos- Para você também Aoi-chan.

-Certo, obrigada.-Sora disse com as bochechas coradas- Vá de uma vez, você precisa descansar.-ela cruzou os braços, um pouco desconfiada da reação tranquila que ele havia tido, então ao vê-lo saindo porta afora de bom grado, ela soltou um suspiro aliviado. Ace sabia que poderia ter questionado, já que era um dos envolvidos na situação, mas se era uma questão confidencial que dizia respeito até mesmo para Marco só por ser o superior responsável por Sora, ele não via problema algum em ficar alheio àquela situação. Os olhos negros dele pararam sobre o reflexo do céu na água, se dando conta do quão tarde estava pela posição da lua no céu e constatando que a adrenalina do dia estava finalmente esvaindo. Ace passou algum tempo se lembrando da conversa que havia tido com Sora sobre o sol e a lua, sentiu vontade de rir ao constatar novamente o quão criativa ela era, se perguntou se era capaz de criar alguma coisa do tipo, mas mesmo se esforçando ao máximo, sua mente continuava insistindo no toque de suas mãos, uma contra a outra, aquilo o levou a se lembrar do toque dela em seu rosto após ver o curativo sobre o machucado que ela mesma havia lhe causado, era irônico que um sorriso idiota tivesse tomado conta de seus lábios? Ele mesmo tinha noção de que sim, afinal, ela havia sido seriamente violenta e talvez, se não tivesse utilizado o haki, ela tivesse afundado sua maçã do rosto, ou virado seu cérebro do avesso. Mas lembrar do quão quebrada ela parecia segundos depois lhe amolecia o coração lentamente, as lágrimas que começavam a cair em conjunto aos braços dela que o apertavam contra si foram de um alívio que ele não conseguia descrever, por mais que quisesse. Talvez seu pai estivesse certo, por pior que aquela situação tivesse sido, ela levou a muitas progressões em seu relacionamento com Sora. Ele corou ao pensar naquilo, se sentiu mal ao cogitar a menor possibilidade de estar impondo seus sentimentos para ela, porém como se quisesse infligir dor em si mesmo, ele levou seu pensamento de volta ao olhar de Sora sobre Marco, foi o suficiente para lhe dar certeza, se estivesse forçando-a, aquele olhar não deveria existir. Suas mãos foram na direção de seu rosto, se movendo na tentativa falha de remover a ansiedade de sua mente, odiava o fato de sentir ciúmes de alguém, ainda mais por Sora nem mesmo ter certeza de seus próprios sentimentos. Ace não se achava no direito de sentir ciúmes, mas era uma resposta que ele podia controlar, mas não deixar de sentir. O fato de Marco ser a pessoa por quem ela tinha prováveis sentimentos o deixava aliviado e ressentido ao mesmo tempo, ele era um homem incrível, com habilidades fortes o suficiente para protege-la se fosse necessário, com uma índole e caráter admiráveis, sendo um dos homens que Ace mais respeitava e admirava no mundo, além do fato incontestável do quão gentil e compreensivo ele era, um homem de tantas qualidades que nunca iria partir o coração dela, era perfeito para que ele não precisasse se preocupar com os sentimentos de Sora. Porém aquela certeza era o exato motivo de seu ressentimento pelos próprios sentimentos, se Marco era mesmo tão ideal para ela, como Ace poderia ter a menor chance quando ela tinha exatamente o que queria ao seu alcance? Talvez ele não quisesse ter uma chance, era ridículo pensar que poderia ter uma chance, ela nunca olharia para ele, não tinha motivos para olhar, não para alguém como Ace, não como ele queria, tudo o que conseguia arrancar dela era simpatia e pena. Ele bateu com as mãos na borda do navio e bufou, por isso odiava o céu noturno, até mesmo seu reflexo arrancava pensamentos demais dele. Ao virar de costas afim de caminhar de volta para seu quarto, Ace ouviu a porta se abrir e da mesma, Sora e Marco saíram, ele constatou que finalmente a penalidade havia sido compartilhada e caminhou na direção dos dois, porém assim que deu os dois primeiros passos, seu corpo congelou ao ver Marco segurar o braço de Sora-

-Deixe eu me desculpar.-ele olhou para baixo- Eu sei que deveria ter sido mais incisivo quando o pai falou sobre te expulsar da tripulação, você é uma parte importante da primeira divisão, meu braço direito para qualquer momento, uma das pessoas com quem me importo nesse navio, mas ainda assim, eu me omiti do meu dever como seu superior, deveria ter tido a mesma força que o Ace teve naquele momento.

-Não seja tão duro consigo mesmo.-Sora olhou para baixo- Você não fez nada de errado, estava certo em não retrucar aquilo que o pai disse, você tentou intervir quando ele já havia lhe dito para não fazer, cogitou dosobedece-lo para me ajudar. Então obrigada, você é incrível comandante Marco.-ela fechou os olhos e um sorriso alegre se abriu em seus lábios- Ele foi mesmo inacreditável, não é? Nem sei dizer quanto estou devendo a ele pelo dia de hoje, mas se quer saber, estou grata por ser o Ace a quem devo algo, ele sabe ser altruísta...provavelmente nunca vai me cobrar por isso, mesmo que devesse.

-Ele com certeza fez muito por você hoje, mesmo que eu não entenda tão bem quanto você.-Marco deu de ombros- Estou feliz que vocês dois estejam se dando bem, ele é uma pessoa muito importante para mim e para a tripulação, então me deixa feliz saber que está finalmente conseguindo lidar com ele.-até mesmo naquilo, Ace pensou, ele conseguia ser tão melhor até naquilo. Não havia ironia ou ciúmes em suas palavras, Marco realmente quis dizer aquilo, da forma mais honesta possível-

-Ele tem sido uma pessoa muito importante para mim e o estimo profundamente, talvez seja um dos motivos pelos quais me manter próxima é tão difícil.-Sora deu de ombros- Acontece o mesmo com você comandante, com Haruta, com Izo, com o pai...tenho medo de me permitir apegar ao fato de estarem sempre por perto e um dia, algo acontecer com vocês.

-Mas que medo bobo.-ele disse com um sorriso convencido- Nós somos a tripulação do Barba Branca, o maior pirata do mundo. Não tem nada que você precise temer.-Marco puxou uma cartela de cigarros de dentro do bolso, colocou um entre os lábios, o acendeu com um esqueiro e tragou a fumaça para seus pulmões- Finalmente...eu estive esperando quase por uma hora inteira.

-Você deveria parar de fumar, se aceita um conselho.-Sora olhou para baixo e sorriu de canto- Talvez você e o Ace-san sejam mesmo muito parecidos em como tentam me tranquilizar, mas ao mesmo tempo, muito diferentes na forma como fazem isso. Ele me disse para confiar na força de meus companheiros, me faz pensar que ele também consegue ver que existem desafios e tempos difíceis pelos quais podemos passar, mas que todos os nossos companheiros são fortes o suficiente para supera-los. Já você, tenta me dizer que não existe o que temer, tenta me despreocupar fazendo tudo parecer banal, me diz que não existe nada para temer. Eu não acredito nisso comandante e muito menos você, até mesmo a pessoa mais forte do mundo precisa se preocupar. Ele tenta me tranquilizar, enquanto me trata como igual, você me vê diferente. Menor, talvez. Ele me encheu de esperança e confiança, quando paro para pensar bem, exatamente o que ele disse que faria.-ela encolheu seus ombros- Eu confio nele sem precedentes e ele é tão digno dessa confiança.-Sora deu de ombros- Enquanto você me diz que não existe nada para temer, por quê não existe nada que possa ir de frente com a tripulação do Barba Branca, isso me enche de insegurança, de incertezas, por algum motivo, faz muito tempo que eu não consigo acreditar nisso. Talvez seja por eu ser tão pessimista, mas eu sei que corremos perigo, sei o quão frágil é a vida humana, mesmo a mais resistente delas.-Sora colocou a mão sobre a boca do estômago ao sentir o desespero lhe apertar o mesmo- Hoje eu estive mais perto de perde-los do que jamais estive...eu fiquei tão assustada! Nada mais iria fazer sentido, nada.-Marco franziu o cenho ao escutar aquelas palavras em tom de choro e envolveu seus braços ao redor de Sora, ele sentiu o corpo dela se aconchegar em seu abraço e grudou seus lábios na testa dela, depositando um beijo no local-

-Está tudo bem, eu sei que ficou assustada, mas está tudo bem agora, afinal você não vai a lugar nenhum, nós não vamos a lugar algum. Somos uma família, o Moby Dick é o nosso lar, vamos continuar juntos, entendeu?-ela acenou positivamente e Marco sorriu- Bom. Então, pare de chorar.

-Certo, eu sinto muito.


Notas Finais


Me desculpem por terça, eu estou em semana de provas e não tive tempo de postar por estar estudando. 😕
ps: antes das madames shipparem sora e marco, se lembrem que o ace estava ali, escutando e vendo tudo! logo depois de se depreciar e achar q ninguém nunca poderia olhar para ele como ele olha para a sora 👀


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...