História Yellow Flicker Beat - Capítulo 28


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Categorias One Piece
Personagens Edward Newgate (Barba Branca), Personagens Originais, Portgas D. Ace
Tags One Piece
Visualizações 60
Palavras 4.811
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Fluffy, Luta, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 28 - Quiet wind


Fanfic / Fanfiction Yellow Flicker Beat - Capítulo 28 - Quiet wind

-Sora, já são quase meia noite, não pode ficar aqui pelo resto da noite.-Izo tentava argumentar, porém Sora estava mergulhada demais naquele livro para o responder. Ela estava começando a entender o que se passava no mundo da trilogia que Vista havia lhe dado, não podia desviar seus olhos, nem tinha intenção de o fazer- Já chega, sua bitolada! Isso não é um pedido, todos já estão lá fora, você vem comigo.-ele tomou o livro da mão da garota e ergueu o braço-

-Izo, me devolva isso!-ela estendeu o braço e esbravejou, se esticando para tentar alcançar o livro na mão dele, porém a diferença de alturas a impedia de sequer chegar perto de alcançar. Se aproveitando que Sora estava distraída com sua própria raiva, Izo a puxou pela cintura e jogou o corpo dela para cima de seu ombro, carregando-a para fora do quarto- Me solte, eu não quero ir.-ela chutou o ar deliberadamente, sem sucesso em atingi-lo. Izo deixou o livro sobre a cama de Sora e fechou a porta, o que a fez bufar com raiva, finalmente desistindo de relutar para voltar aos seus livros- Certo, eu já estou aqui fora, não tem motivo para continuar me carregando, me coloque no chão.-Sora viu a coluna dele encurvar para frente e sentiu seus pés tocarem o chão, finalmente voltando a ter o controle sobre para onde ir e vir. Seus olhos varreram a proa do navio com curiosidade, vendo todas aquelas pessoas comendo, rindo e bebendo. De repente, estava acoada de estar perto de todas aquelas pessoas, quis se esconder novamente, era uma sensação que não costumava a abalar, já que quase sempre estava cercada e sua saída óbvia era atacar a multidão, mas daquela vez, era diferente, a diferença deu medo-

-Está tudo bem?-Izo passou o braço pelos ombros dela, mantendo-a no lugar e mirando Sora de forma preocupada-

-Acho que ver tantas pessoas aglomeradas, me traz lembranças ruins. Mas está tudo bem, não precisa se preocupar, não vou sair correndo para me esconder no quarto. Dessa vez, eu tenho alguém comigo, torna mesmo as piores lembranças, menos assustadoras.

-É bom que não faça isso, é difícil para mim falar sobre essas coisas e você sabe disso, mas eu...estou um pouco feliz de poder passar o dia de hoje com você.-ele olhou para o lado e cruzou os braços- Não que tenha algo de especial no dia ou em estar com você.

-Então você tem sentimentos?-ela provocou- Eu jamais esperaria algo tão baixo de alguém como você.-Sora estalou a língua contra o céu da boca três vezes e abriu os olhos, vendo como Izo parecia contrariado, ver como ele conseguia ser mais orgulhoso do que Ace ou ela própria, a fazia querer dar risada- Está tudo bem.-ela riu e esbarrou o cotovelo nele- Eu amo você também.-Izo arregalou os olhos e os desviou na direção de Sora, impressionado com o que tinha escutado. Eram palavras sérias demais para saírem com tanta naturalidade dos lábios dela-

-Sora!-Karin se aproximou, seus longos cabelos negros estavam soltos, seus seios eram cobertos por um simples biquíni negro, que deixava a tatuagem, no mesmo lugar que Marco tinha a dele e de iguais proporções, à mostra. Uma jaqueta azul cobria seus ombros e se alongava até seus pulsos e o shorts de igual cor, ia bem acima da metade de sua coxa, fazendo dela, como sempre era em suas roupas normais, a pessoa que mais atraía a atenção naquele navio, depois de Barba Branca. Ela entregou um caneco na mão de Sora, que o segurou e tomou o primeiro gole logo em seguida- Pensei que não ia mais te ver por hoje, mas você não me escapa, vai comer até eu dizer que está bom.-Sora deu risada e suspirou-

-Certo, não vou te irritar mais, ou você vai me chutar para fora do Moby Dick, só para me salvar depois.-Karin a abraçou de lado e deu risada-

-É verdade, você me conhece bem.-desviando seu olhar para o lado contrário, os olhos de Sora começaram a procurar por Ace no meio de todas aquelas pessoas. Ela podia reconhecer aquele chapéu laranja e aquele sorriso de canto, a metros de distância. Mas ela encontrou algo mais que lhe chamou a atenção, o sorriso nos lábios dele, fez com que ela se sentisse bem, mesmo o homem mais forte do mundo tinha reações tão naturais, ao ver felicidade nos olhos das pessoas com quem se importava. Ela sabia que ele era ocupado demais e que todo aquele barulho deveria incomodar, mas ele não parecia nervoso, indo de encontro com qualquer reação esperada, ele estava sorrindo de forma fraternal e parecia feliz-

-Com licença.-ela disse para Izo e Karin, se movendo entre as pessoas, afim de se aproximar da porta de onde ele observava- Pai!-Sora disse, chamando a atenção dos olhos amendoados de Barba Branca e colocou as mãos para trás do corpo- Desculpe por estarmos atrapalhando tão tarde. Sabe como eles são, quando acontece uma festa.

-Não estão atrapalhando em nada, eu só tenho mais algumas coisas a fazer e então, voltarei aos meus aposentos, apesar de não parecer, não escuto barulho quando estou naquele lugar.-Sora o mirou curiosa- É bom para um pai, ver os filhos felizes e se divertindo.

-Eu sei que o senhor tem várias outras coisas para resolver, mas...deveria vir beber com a gente, tenho certeza de que faria todos nós ainda mais felizes.-ela olhou para baixo e sorriu- Pelo menos, me deixaria muito feliz.

-Não iria ser tão natural, você e alguns outros tripulantes, ainda se acanham com a minha presença.-Sora corou e franziu o cenho, não podia mentir, ela realmente se tornava mais formal ao redor de Barba Branca, mas não sabia como agir de outra forma, com alguém por quem tinha tanto respeito- Não quero estragar isso para vocês, além disso, já passei um pouco da idade para festejar dessa forma, não tenho mais a mesma energia.

-O que?-ela cruzou os braços e ergueu as sobrancelhas- Não diga essas coisas, eu lutei com você, sei o quão longe consegue ir e que não chegou nem perto se alcançar seu limite.

-Você ainda se lembra bem disso, algumas pessoas iriam preferir se esquecer.-ela olhou para baixo e Barba Branca sorriu, ali morava uma grande diferença entre os dois, Sora usava seu passado para aprender com os erros, enquanto Ace preferia se esquecer dos erros que o desagradavam, dando seu melhor para não repetir, o tornava mais positivo e confiante do que Sora- Minhas energias são todas para momentos como esse, nos quais precise lutar, sinto muito por precisar ser dessa forma.

-Entendo.-ela olhou para baixo- Pai...você pode me perdoar, por te fazer uma pergunta? Eu não quero ser indiscreta e nem me preocupar à toa, mas depois do que aconteceu com a Hana, a única pessoa que tem o direito de ocupar o posto de mais importante na minha vida...é você.-Barba Branca franziu o cenho, era uma escolha inconsequente e cruel consigo mesma, colocar alguém tão mais forte do que ela, em uma posição como aquela, sabendo que não poderia proteger a pessoa que tinha este posto mais uma vez- Então eu preciso pedir algo importante, muito importante e muito egoísta.-ela manteve a cabeça baixa- Pode me prometer que não vai morrer?-ele soltou um suspiro, machucava o coração não poder prometer algo do tipo, ele não iria morrer facilmente, mas seres humanos eram fadados àquilo, a única certeza que tinha enquanto respirava, era a morte-

-Não posso prometer algo assim.

-Sei que não.-ela fechou os olhos- Nem você pode controlar isso, não é?-Sora secou rapidamente as duas lágrimas que lhe desabodeceram, escorregando por seu rosto e sorriu- Me desculpa, não sei o motivo de ter entrado nesse assunto. Eu sou um pouco mórbida às vezes, não me dê atenção. Deveria voltar para o seu trabalho, já o atrapalhei por tempo o suficiente.

-Você não atrapalha, não precisa se precoupar.-Sora observou quando ele deu um passo para trás a fechou a porta, imediatamente ela pôde fechar seus olhos com força, voltando ao que parecia ser seu castigo eterno. Ainda era fraca, muito fraca. Enquanto isso, do lado de dentro, Barba Branca buscava alguma resposta que pudesse aliviar minimamente, o pesar no coração de sua filha, ela era provavelmente a mais fatalista deles, competindo com Marco. Precisava se preocupar com ela e toda aquela negatividade que a cercava- Eu quase me esqueci.-ele voltou a abrir a porta- Tenha um feliz aniversário Sora.

-O que?-ela ergueu o olhar e sentiu as bochechas queimarem, foram emoções conflitantes, seu coração pulsou em uma intensidade muito diferente da angústia que a atingira no momento anterior- Não...não precisa se preocupar com isso.-ela sacudiu as mãos na frente do corpo, desesperada que seu pai levasse aquela informação, como algo relevante. Ele era gentil o suficiente para fazê-lo- Não ocupe a mente com algo tão irrelevante, tem mais com o que se preocupar.

-Como eu não iria me importar com o aniversário de uma das minhas filhas?-ele abriu um leve sorriso- Cresceu muito desde que pisou pela primeira vez nesse navio, tenho orgulho da pessoa que é e confio na pessoa que ainda irá se tornar, filha.-Sora sentiu o coração pular de felicidade dentro do peito, aquelas palavras causaram a melhor sensação de alegria que ela poderia ter, não estava acostumada a escutar coisas assim-

-Obrigada.-ela colocou as mãos do lado esquerdo do peito e o observou adentrar o cômodo novamente- Muito obrigada.-ela engoliu a saliva com dificuldade, era uma mistura estranha de sentimentos. Para alguém que passou a vida inteira preocupada, ver o causador daquela preocupação tentando conforta-la, era algo muito novo-

-Não adianta nada.-ela desviou o olhar e encontrou Izo afastado, mas ainda próximo ao local aonde ela se encontrava parada, mesmo algum tempo depois de Barba Branca já ter deixado a conversa- Todos nos esforçamos para te dar o melhor presente que podíamos. Mas o velho, com algumas palavras, conseguiu atingir um patamar que não conseguiríamos alcançar, nem com o máximo de nossos esforços, não estou certo?

-Sim.-Izo sorriu de canto ao escutar aquela palavra sair espontânea e sincera dos lábios de Sora- Não!-ela disse, desesperada- Não foi isso que eu quis dizer!-ela parecia em choque, após perceber a palavra que havia deixado sua boca- Todos os presentes foram incríveis, eu amei todos eles, sem preferências.

-Não, eu não te culpo e acho que ninguém o faria, ouvir de alguém que admira tanto, que essa pessoa tem orgulho de você, deve ter sido impagável.-ele deu de ombros- Toda a minha intenção era que você ficasse feliz, mesmo que eu não fosse a melhor parte do seu dia. Acho que isso é o que significa amar alguém, não é?

-Se é assim.-ela sorriu e deu de ombros- Eu tenho que dizer, eu realmente pensei que seria horrível se soubessem sobre o dia de hoje, não queria que as pessoas se preocupassem, não queria que sentissem pena de mim. Acho que eu ainda não conheço vocês tão bem, quanto deveria.-a risada dela soou baixa- Vocês fizeram um dia horrível, parecer incrível.

-Eu não entendo.-Izo franziu o cenho e olhou para baixo- Por que todo esse problema com aniversários?

-Não, o problema não são os aniversários, é o meu aniversário.-Sora deu de ombros e olhou para o chão, sentindo o coração apertar ao falar sobre o assunto- Deve ter relação com o fato de que também é o dia em que a minha mãe morreu.-Izo não acreditou no que ouviu, ficou alguns segundos olhando para Sora, se perguntando se realmente tinha escutado aquilo. Sentiu o ar faltar em seus pulmões e tomou fôlego, arregalando os olhos e dando um passo para frente logo em seguida-

-Me desculpa.-ele a segurou pelos ombros e abaixou a cabeça- Eu não queria ser insensível, me desculpa Sora, eu passei dias te lembrando sobre isso.-Sora sorriu e segurou as mãos dele-

-Não, não é como se eu fosse me esquecer. Você não precisa se preocupar, você não sabia, teve a melhor das intenções e ao contrário do que pensa, me fez muito bem. Ver todos se importando e se lembrando de momentos que passaram comigo, me fez sentir muito amada e querida. Eu nunca tive um aniversário como esse, obrigada por fazer esse dia horrível, se tornar um dos melhores da minha vida.-Sora o envolveu rapidamente entre os braços e riu- Você é o melhor companheiro que eu poderia querer, obrigada por tudo.

-Não diga coisas assim, só me faz sentir mais culpado, eu não deveria ter insistido tanto, você tinha seus próprios motivos e eu deveria ter respeitado, mesmo sem saber quais eram.

-Não seja tão cruel consigo mesmo, você não é o culpado de eu ter um passado tão ruim. Sinceramente, você e a Karin se preocupam demais comigo.

-Você tem uma lista longa de pessoas que se preocupam demais com você.-ambos Sora e Izo desviaram seus olhares para trás, vendo o comandante da segunda divisão, sobre a borda do navio- Estou muito atrasado?-Sora sorriu e ergueu uma das sobrancelhas, cruzando os braços logo em seguida-

-Não, você chegou bem em cima da hora.-ele pulou da borda e caminhou até Sora, abrindo um sorriso de canto um tanto provocante na direção dela, sem nem mesmo desviar os olhos para notar a presença de Izo. Ace contornou o lado esquerdo do rosto dela com a mão, segurando seu queixo para que Sora o mirasse nos olhos-

-Você está finalmente ficando mais velha, não é?-ele deslizou o polegar pouco acima do queixo dela, tão perto dos lábios de Sora, que podia sentir que escorregar, por menor que fosse a distância, o traria a sensação cálida e macia deles- Feliz aniversário, Sora.-a atmosfera entre os dois se tornou rapidamente pesada, Izo franziu o cenho, surpreso, esperando o momento em que Ace iria curvar a coluna e beijar Sora. Ele assistiu o momento se quebrar rapidamente e a tensão desaparecer-

-Obrigada.-ela segurou a mão dele contra seu rosto e sorriu-

-Bem...-Izo deu de ombros e sentiu as bochechas corarem- Eu deveria voltar para a Karin e o Jozu, não quero atrapalhar o resto da noite de vocês.

-Atrapalhar?-Ace desviou seus olhos na direção dele- Não, eu já estou indo para lá, acha mesmo que eu iria perder uma boca livre?

-É o cúmulo do romantismo.-ele rolou os olhos e bateu com a mão contra o rosto- Eu estou voltando, boa sorte com este sem noção, Sora.-os dois observaram Izo caminhando de volta para a proa e se entre olharam logo em seguida-

-Sobre o que o Izo estava falando?-Sora perguntou confusa e Ace suspirou-

-Não faço ideia, só ignore ele.-percebendo que uma das mãos dele ainda estava para trás, Sora franziu o cenho e tombou a cabeça sobre a mão dele, o mirando curiosa-

-O que você está escondendo?-Ace riu e deu de ombros-

-É o seu presente. Soube que você não estava muito animada com a ideia de sabermos sobre o seu aniversário, então não é exatamente um presente, é só algo que eu queria te mostrar.-tirando o jarro de trás de si, ele o moveu para frente do corpo. Os olhos de Sora se desviaram para baixo, de onde os pequenos pontos de luz chamavam sua atenção ao cintilar, ela abriu os lábios, buscando pelo ar que lhe faltou nos pulmões. A lembrança de suas mãos entrelaçadas veio à memória e arrancou um sorriso impressionado e bobo dos lábios dela-

-Vagalumes!-ela colocou ambas as mãos no jarro e trouxe o mesmo para si, afim de conseguir reconhecer cada ou qualquer distinção entre o brilho deles. Ela sentiu o coração aquecer e desviou o olhar na direção de Ace, que parecia chamar a atenção de seus olhos com mais intensidade, do que os vagalumes-

-Foi difícil conseguir o suficiente. Levou tempo para conseguir voltar, pensei que não fosse chegar e te encontrar a tempo.

-Era o que queria perguntar. Eles não deveriam ser difíceis de capturar? Como conseguiu tantos?-vê-la tão impressionada com algo tão simples, o fez sentir o coração pulsar com mais força. Se lembrou da primeira vez que pegou vagalumes para Luffy, na época ele não tinha vantagem sobre eles, eram poucos os que conseguiu colocar dentro do jarro e ele ainda assim, parecia tão impressionado quanto Sora parecia naquele momento. Aquilo o fez constatar que os dois pareciam se admirar com seus atos facilmente, em igual proporção-

-Sabe a história sobre vagalumes serem atraídos pela luz?-ele olhou para baixo e sorriu- Bem, está ao lado de alguém que é literalmente o fogo. Ainda assim, eu tive um ou outro contratempo, vou confessar que precisei da ajuda do Marco para chegar na ilha e para segurar o jarro.

-Eles são lindos. Ainda mais do que eu conseguia imaginar.-Ace segurou as mãos dela sobre o jarro e franziu o cenho, partia seu coração saber que precisava estragar aquela felicidade-

-Só tem um problema com esse presente. Não vai durar por muito tempo, precisa abrir a tampa para que eles possam voar de volta para a ilha, ou eles vão acabar morrendo.

-O que? Já?-Sora puxou o jarro para si, movendo suas mãos para longe das mãos de Ace- Mas eu acabei de vê-los, eu só...queria ficar com eles mais um pouco.

-Eu sei, mas o tempo de vida dos vagalumes é curto, não vai deixar que eles morram dentro de um jarro, vai?-ele perguntou, conhecia Sora bem o suficiente para saber que ela não iria responder algo diferente, mas por um segundo, ela lhe pareceu tão apegada, que ele sentiu medo da resposta que iria receber. Sora olhou para baixo e acenou de forma negativa, fazendo com que ele sorrisse, não precisava duvidar dela, era o tipo de pessoa que se machucava antes de fazer mal a qualquer coisa ou a qualquer um- Então precisa deixar que eles voem.

-Mas eles são um dos meus presentes favoritos.-Sora desviou seu olhar de forma desconfortável- Eu sei que soa infantil, mas eu não quero deixar eles irem embora. Ainda não.

-Isso não é sobre os vagalumes, é?-Ace esticou o braço, chegando sua mão perto o suficiente dela, afim de tocar seu ombro, mas desistiu no meio do caminho, abaixando a mão e o olhar simultaneamente. Um frio repentino lhe correu pela espinha. Tinha tanto medo da rejeição, de os olhos de Sora o mirando como se fosse repugnante e nojento, tinha tanto medo, que sufocou nele na menor possibilidade de toca-la-

-Ace.-era raro ela chamar por seu nome puro, sem formas de tratamento. Fez com que ele subisse o olhar rapidamente, para encontrar aqueles cabelos azuis, voando a favor do vento gelado da noite- Você ainda vai estar aqui, quando eles forem embora, não vai?-foi como um estalo dentro de si, Ace entendeu a ligação que ela fazia entre ele e os vagalumes. Ele não queria ter aquele tipo de sensação, lutou contra, mas foi impossível não se sentir importante ao ver Sora receosa com a possibilidade tola de perde-lo-

-Do que está falando?-ele sorriu abertamente- Eu já estou aqui.-ele viu a mão de Sora subir até a tampa do jarro e expirou o ar de seus pulmões, mesmo sentindo aquele frio apavorante tomando conta de seu corpo pouco a pouco, ele ainda soprou as palavras para fora de seus lábios- Eu sempre vou estar aqui com você.-aquelas palavras pareceram impulsiona-la a abrir a tampa e virar o jarro para o lado, colocando os insetos na direção da luz que provinha da ilha, para onde eles voaram, formando uma nuvem luminosa, que partia de volta para seu local de origem-

-Me desculpe por ser tão apegada.-a voz dela soou baixa- Obrigada por se lembrar de mim, obrigada por se lembrar dos momentos que passou do meu lado, eles significam muito para mim.

-Não diga besteira.-ela olhou para trás com um sorriso, um daqueles que roubavam o ar dos pulmões de Ace. A partir do peito, seu corpo voltou a esquentar, talvez todo aquele frio amedrontador não fizesse sentido, já que bastava um sorriso daqueles para o fazer sentir quente novamente- Nós deveríamos voltar, devem estar procurando por você.

-Certo.-Sora segurou a mão dele- Vamos, a Karin vai querer brigar comigo, preciso de uma distração que a irrite mais do que o fato de eu não sentir muita fome.

-Agora faz sentido, você querer que eu vá junto.-ele disse e deu uma risada sem muita graça, seguindo atrás de Sora-

-Claro, não é como se eu quisesse passar o resto da noite do seu lado.-Ace sentiu as bochechas corarem e olhou para baixo, tentando processar as palavras de Sora e o fato de que elas haviam sido dirigidas de forma irônica para ele-

As horas se passaram e com elas, a comemoração acabou. O sereno frio da noite, expulsara a maior parte dos remanescentes, que ainda lutavam contra o horário e o fim da música colocou um ponto final na festa, todos os tripulantes já se abrigavam dentro de seus quartos. Tendo como exceção, poucos casos, como Sora, que havia deixado Izo em seu quarto e fazia o caminho de volta para chegar ao seu próprio, caminhando pelo local aonde havia passado tantas horas de pé. Ela conseguia sentir seu corpo exausto a puxando para baixo, ainda assim, ela tirou um momento para observar uma pessoa que roncava alto e dormia estirada no chão do navio, como se fosse a ação mais confortável do mundo. Observando um pouco melhor, ela reconheceu o rosto e aquelas sardas inconfundíveis que lhe pintavam as bochechas. Batendo com a palma de sua mão contra o rosto, Sora bufou, sem acreditar que ele podia ser tão irresponsável. Quase sentiu vontade de abandona-lo a própria sorte, para que Barba Branca desse uma bronca nele pela manhã, por ser tão irresponsável, mas imediatamente, seus pés fizeram-na caminhar na direção dele e se ajoelhar ao seu lado, o sacudindo para que acordasse.

-Ace!-ela chamou, mas ele continuava roncando- Acorde, precisa ir para o seu quarto, vai ficar doente se dormir aqui fora!-ela segurou o rosto dele e deu um tapa fraco- Estou falando com você.-ele mumurou algo incompreensível, reclamando por ela o estar acordando-

-O que você quer? Como você é chata.-ele a puxou para cima de si pelo braço, deitando Sora sobre seu peitoral e abraçando-a- Pronto, vamos dormir agora.-Sora sentiu as bochechas queimarem e arregalou os olhos, ele a segurava como um bicho de pelúcia-

-Me solta, Ace! Não sou seu urso de pelúcia, você precisa se levantar!-ela se debateu de tal forma que Ace abriu os olhos e a empurrou contra o chão, prendendo o corpo de Sora contra o dele- Ace...-a voz dela ficou trêmula e incerta, o nome dele saiu devagar, enquanto ela tentava gaguejar algo mais-

-Quem é você? Eu não lembro de te conhecer do navio.-ela sentiu o dedo de Ace contra seus lábios- É da Marinha? Ou está aqui para tentar algo contra o meu pai? De qualquer forma, eu vou precisar te matar, então não faça muito barulho.

-Do que você está falando?-Sora o segurou pelo pulso, porém ele rapidamente inverteu o jogo e prendeu ambos os pulsos de Sora contra o chão- Ace, eu não gosto dessa brincadeira, me solta.-Sora se manteve parada por alguns segundos e os olhos dele começaram a cair de sono, fazendo com que ele desabasse seu corpo sobre o dela- Está me machucando.-ela o empurrou, porém Ace se segurou em sua cintura e deitou a cabeça em seus seios, abrindo um leve sorriso-

-Está confortável.-Sora sentiu o rosto inteiro queimando com vergonha, ela imediatamente o empurrou e usou as pernas para se afastar- Agora está frio, aonde eu estou?-ele tentou erguer a cabeça e desistiu no meio do caminho- Por que o céu está girando?-ele deu risada e estendeu a mão para cima-

-Você precisa voltar para o seu quarto, não pode ficar aqui.

-Quarto?-ele cruzou os braços, como uma criança mimada- Não, eu gosto daqui, quero ficar aqui.

-Pare de discutir comigo, eu estou fazendo isso pelo seu bem, entendeu?-ela disse, sem paciência-

-Quem é você para mandar em mim? Não é minha mãe e nem a Aoi-chan, não vou deixar que me diga o que fazer.

-Não sou?-ela suspirou- Certo, você está bêbado e não sabe o que está dizendo, então eu vou relevar.-Sora se levantou e o puxou pelas mãos- Pare de fazer força para baixo, como você é teimoso!-ela o soltou e Ace, que estava com a coluna erguida, caiu de volta com as costas no chão e bateu a cabeça no mesmo- Ah meu Deus, Ace-san!-ela se abaixou ao lado dele- Está tudo bem?

-Parece que alguém não consegue me levantar.-ele zombou e deu risada-

-Eu pensei que tivesse se machucado.-ela emaranhou os dedos pelos fios negros dele e procurou por sangue ou alguma elevação preocupante pela parte de trás da cabeça dele, mas ele parecia bem- Ainda bem, pensei que tinha te machucado.-Sora aspirou o ar, aliviada e abaixou a cabeça-

-Ei, você não precisa se sentir tão culpada.-ele disse com o cenho franzido- Eu vou me levantar, olha só, vou dormir no meu quarto como você pediu! Não precisa se preocupar comigo.-Sora o mirou, seria cômico, se não fosse trágico, ele não tinha firmeza nas mãos para se manter sentado, quanto mais nos pés para se manter erguido- Ou precisa.

-Vamos, eu vou te ajudar.-Sora passou o braço dele por cima de seus ombros e sem resistência, ergue-lo se provava bem mais fácil. Com Ace cambaleando para o lado, ela precisava ter equilíbrio em dobro, para voltar até a ala de quartos masculina-

-Eu quero ir para o outro lado.-ele apontou- Quero ver a Sora.

-Isso pode parecer uma coincidência estranha, mas acredite, eu não queria estar te vendo agora.-ela suspirou e Ace deu risada, fechando o indicador e o polegar contra o nariz dela-

-Mas eu não quero ver você, eu quero ver a Sora.-ele tombou para frente e Sora colocou a mão sobre o peitoral dele, impedindo que ele desabasse- Ela estava feliz com os vagalumes.-ao subir o rosto dele, Sora viu como ele estava sorrindo, parecendo genuinamente alegre com a ideia de tê-la deixado feliz- Ela estava sorrindo e os olhos dela estavam brilhando.-ele olhou para seu rosto, dando um sorriso debochado- Ela é linda, não é? Está tudo bem, você pode achar, todos acham. Mas eles são todos burros, ela é linda, mas é mandona, ela está sempre me dizendo o que fazer.-o sorriso dele ficou bobo- Ela é forte e gentil, ela me socou e doeu pra caralho, então ela começou a chorar depois e disse que sentia muito. Ela não deveria sentir, eu fui um imbecil, não bastasse ter feito mal para ela, ainda quebrei a mão dela. Sim, eles são burros.-ele disse, voltando ao assunto original- Ela é mais do que só uma mulher bonita, ela é...-Sora abaixou a cabeça e sentiu as bochechas queimarem mais uma vez, estava sendo uma noite difícil para seu rosto, que corava fácil e queimou violentamente com as palavras de um Ace, bêbado demais para se controlar. Eles alcançaram finalmente a porta do quarto, Sora colocou a mão dentro do bolso da bermuda dele e buscou a chave, abrindo a porta e caminhando para dentro, com ele ao seu lado- Do que eu estava falando?-Sora tirou o chapéu da cabeça dele e o colocou na borda da cama, deitando Ace na mesma logo em seguida-

-Sobre alguém, que você disse ser importante.-Sora cobriu o corpo dele com o lençol e sorriu de canto- Ela tem sorte de ter você por perto.

-Eu sou sortudo por ter ela por perto.-ele sorriu- Ela merece o melhor, mas ainda dá atenção para alguém como eu. Ela é importante, Aoi-chan, ela é...quero ficar perto dela, sempre. Quero dizer isso pra ela, quero contar isso pra ela.

-Ela sabe.-Sora acariciou o cabelo dele com uma mão e o rosto com a outra- Agora ela sabe, não precisa se preocupar.

-Você acha?-ele fechou os olhos e Sora afastou suas mãos dele, se levantando para ir embora, quando ele já parecia ter sido pego pelo sono- Você não vai me deixar aqui sozinho, vai?-Sora se virou para trás, vendo os olhos dele abertos e voltados em sua direção-

-Não, eu vou ficar até que você tenha dormido.-ela fechou a porta e se sentou ao lado da cama dele, deitando sua cabeça no travesseiro, consequentemente deixando seu rosto próximo o suficiente do dele, para acompanhar cada movimento- Mas você precisa dormir.

-Eu vou.-ele fechou os olhos- Já falei que você não precisa se preocupar comigo, Aoi-chan.-Sora franziu o cenho ao escutar as palavras dele, Ace sabia que era ela? Ou aquilo havia saído sem querer? Ela passou algum tempo tentando entender enquanto olhava para o rosto dele, mas acabou se perdendo. Entre os cílios e as sobrancelhas, entre a testa e os lábios, entre as sardas e o nariz, entre o queixo e o cabelo, ela se sentiu aquecida por dentro, seu coração se acalentou com a visão tão tranquila dele. Quis toca-lo por um instante, mas teve medo que pudesse acorda-lo, ele precisava dormir, parecia tão entorpecido pela bebida, que nem havia a reconhecido. Não podia toca-lo, então quis estar com ele. Naquela mesma posição desconfortável, ela fechou os olhos e em meio a brisa alcoólica que emanava dos lábios dele e suas bochechas ainda vermelhas, depois de tantos elogios, ela adormeceu de forma confortável. Se sentindo bem vinda aonde estava-



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