História Yes, Captain - Capítulo 9


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Suspense, Violência
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 9 - Capítulo 9


 As horas foram passando e a noite chegou, os filhos de Clint eram a personificação exata de cansaço e exaustão, admito não estar em uma situação muito diferente. Meu corpo implorava por algumas boas horas de sono, aquelas duas pestinhas são um verdadeiro desafio a ser encarado, não entendo como os pais conseguem aguenta-los.

 Felizmente, consegui tomar banho antes da hora do jantar, a senhora Barton caprichou na refeição, a mesa estava bastante farta e recheada. No entanto, a sala não era grande o suficiente para acomodar tantas pessoas, o clima quente também não tornava o ambiente ventilado e agradável, por isso montei meu prato e caminhei até a varanda.

 Sentei logo nos primeiros degraus da escada e suspirei admirando a bela paisagem, o vento calmo assegurava uma temperatura mais amena e suportável. Pequenos vagalumes brilhavam pelo ar e tornavam o cenário ainda mais mágico, comecei a comer em silêncio e degustar os sabores, foi quando ouvi passos pesados e meio hesitantes se aproximando.


- Emily? - Era a voz de Steve, o que aumentou minha curiosidade e receio.


- Pois não, capitão? - Girei parte do corpo e apoiei as costas contra a estrutura da escada.


- Eu poderia... - Apontou para o espaço vazio ao meu lado e compreendi a situação.


- Sim, claro, fique a vontade - Concordei e voltei a comer.


 Steve parecia envergonhado e sem jeito, seu rosto adquiriu uma coloração avermelhada e seus movimentos eram desengonçados. Ele se acomodou ao meu lado e notei que também segurava um prato com comida, o tempo foi passando e os únicos sons ouvidos eram o tinir dos talheres contra o porcelanato, ao contrário das outras vezes, o silêncio foi ameno e tranquilo.

 Ainda não entendi essa mudança repentina e abrupta de comportamento, eu poderia facilmente entrar em sua mente e obter as respostas, mas isso seria desrespeitoso. Terminamos de comer e permanecemos na mesma posição, o homem por trás do uniforme de capitão América parecia enfrentar em uma espécie de conflito interno.

 Consegui perceber diferentes nuances de vozes vindos do interior da casa, os pensamentos e os sentimentos eram diferentes em cada um dos vingadores. Havia receio, raiva, frustração e, principalmente, medo, os irmãos Maximoff conseguiram a incrível proeza de desestabilizar uma equipe inteira, isso em apenas 1 encontro.


- Acha que vamos conseguir? Quer dizer, nós podemos falhar e condenar o mundo - Quebrei o silêncio e isso pareceu surpreendê-lo, não posso julga-lo, temos um convívio estranho.


- Vamos conseguir, afinal é isso que nós fazemos - Afirmou com firmeza, mas seus olhos não transmitiam a mesma certeza que suas palavras.


- Espero que tenha razão, Rogers - Suspirei me preparando para levantar, porém senti algo segurar meu pulso - Algum problema? - Perguntei lutando contra o desejo de usar meus poderes.


- Eu quero pedir desculpas, desde que nos conhecemos as minhas atitudes não foram as melhores - Ele afastou sua mão da minha - Espero que você possa me perdoar algum dia, senhorita Foster - Pediu sem olhar em minha direção.


 Fiquei congelada e perplexa com o que acabou de acontecer, isso é surreal demais para parecer verdade, continuei buscando o rosto de Steve, mas não obtive sucesso. Suas palavras se repetiam em minha mente e por um momento ponderei nossa situação, querendo ou não, ambos somos culpados. Rogers realmente foi bastante desagradável e intimidador, mas eu não fui um exemplo de boa vontade ou gentileza.

 As provocações constantes vinham dos dois lados, as brigas aconteciam desde o nosso primeiro encontro, ainda consigo lembrar de sua expressão contrariada durante o ataque de Nova York. Aceitar participar da equipe vingadores também não contribuiu muito, ainda mais com o fato de que passamos a morar debaixo do mesmo teto, infelizmente não havia nada a ser feito quanto a Isso.


- Nós dois erramos, admito não ter sido muito amigável, eu usaria o termo irritante - Confessei e voltei a sentar ao seu lado.


- Então, amigos? - Steve sorriu esperançoso e seu rosto se iluminou.


 Ele sempre foi bonito desse jeito?


- Sim, podemos ser amigos - Concordei após alguns segundos cogitando a hipótese - Melhor entrarmos, soube que teremos torta de maçã com sorvete para a sobremesa - Confidencializei e juntos entramos na casa.



(...)



  00:27


 O marcador do relógio marcava esse horário e eu continuo acordada, o barulho alto do ronco de Tony é algo impossível de ser ignorado e acredite, eu tentei ao máximo Perdi as contas de quantas vezes me remechi desconfortável, tenho a sensação de estar deitada ao lado de um javali doente, talvez prestes a dar seu último suspiro de vida e morrer.

 Percebi que não serei capaz de dormir, então levantei e calcei os tênis jogados no assoalho do quarto ao lado de minha cama, felizmente, o ranger da madeira não foi tão alto. Não foi necessário muito tempo até estar do lado de fora da casa, a porta da frente estava trancada, mas graças ao treinamento com Natasha fui capaz de abri-la sem dificuldade.

 Caminhei sem destino certo pelo terreno da propriedade, o cheiro das flores e das árvores parecia ainda mais acentuado nesse horário, mais puro e intenso. A escuridão da noite foi quebrada quando utilizei meus poderes, centenas de fios luminosos esverdeados dançavam ao meu redor, em uma espécie de dança sincronizada.

 Amanhã iremos dar início ao plano de contenção contra Ultron e os gêmeos Maximoff, não tenho noção do que pode acontecer, mas não será algo bonito. Estou muito curiosa em relação a Wanda, seria maravilhoso encontrar outra pessoa como eu, alguém com as mesmas habilidades e que consiga compreender as dificuldades que isso implica.

 Ser capaz de ler pensamentos e sentir emoções é algo desesperador, na maioria das vezes é confuso e muito assustador, ainda mais quando existem várias pessoas em um mesmo local. Será que ela tem controle sobre seu dom? Talvez consigamos trazê-los para nosso lado, isso seria uma aquisição e tanto para os vingadores.


- Também não consegue dormir? - Pulei assustada ao ouvir a voz cansada do Dr. Banner.


- Sim, Stark consegue roncar como um porco - Respondi rindo e sendo acompanhada - E qual sua justificativa? - Perguntei não escondendo minha curiosidade.


- Sonho ruim, na verdade, lembranças ruins - Afirmou um pouco desconfortável - A garota aprimorada mexeu com nossas cabeças - Ele ajeitou os óculos de maneira adorável.


- Foi tão ruim assim? - Questionei e Bruce apenas concordou com a cabeça - Quer ajuda? Eu posso garantir que você durma tranquilamente, faço isso com Stark o tempo inteiro - Movi os dedos que brilhavam em tons de verde.


- Isso vai doer? - Sua expressão era única e não contive um sorriso divertido.


- Não, é mais como uma sensação refrescante - Assegurei e ele pareceu mais relaxada - Podemos, doutor? - Me posicionei e Bruce também. 


 O homem fechou os olhos e tentou ficar inerte, tranquilo e relaxado, minhas mãos assumiram o característico brilho verde e as levei até os dois lados de sua cabeça. Seus pensamentos eram um emaranhado confuso e sem nexo, muitas informações e cenas ocorrendo juntas e de forma simultânea, foi um pouco trabalhoso organiza-los e conseguir implantar imagens positivas, alegres e suaves.


- Caramba, isso é tão relaxante, Emily - Sussurrou extasiado, foi bom vê-lo mais tranquilo.


- É bom saber, Dr. Banner - Ri e logo me afastei, o trabalho estava feito - Volte para dentro e tente dormir, tenho certeza de que irá conseguir - Afirmei sabendo que não teria a mesma sorte.


- Obrigada, sei que não somos realmente muito próximos, mas fico feliz em tê-la como companheira de trabalho, você se tornou o coração pulsante dessa equipe - Bruce sorriu envergonhado - Você está sempre disposta a ajudar, é um privilégio saber que podemos contar com sua ajuda, independente da situação - Ele sorriu e pela primeira vez não soube o que responder.


 Senhor, o que eu devo fazer?


 Bruce compreendeu meu impasse e apenas se virou e retornou para dentro da casa, ainda sim pude ouvir sua risada e distinguir suas emoções com facilidade. Era uma mistura entre alívio, carinho e alegria, eu por outro lado continuava congelada no mesmo lugar, porém a realidade voltou com força total. Se Banner estava enfrentando dificuldades para dormir, é bem provável que os outros também estejam, é matemática básica.

 Todos eles enfrentaram a mesma situação, sendo expostos cruelmente as suas piores memórias e vivências pessoais, esse é o tipo mais desumano de tortura. Dei meia volta e parei em frente a casa, novamente utilizando meus poderes, fechei os olhos enquanto a magia acontecia, eles conseguiram adormecer, mas estavam sofrendo e agonizando.

 Os minutos foram passando e pareciam se arrastar bem devagar, a motivação é saber que minha segunda família precisa de ajuda e sou capaz de realizar essa tarefa. Um por um, eles foram se acalmando e suas mentes replicaram cenários cheios de amor e paz, logo meu trabalho estava concluído e restou apenas um leve cansaço.


- Impressionante, devo admitir - Gelei ao ouvir a voz de Fury.


 Esse povo não dormi, não?


- Não foi nada demais, diretor - Respondi sentando nos pequenos degraus da escola.


- Porque não está dormindo? - Perguntou se sentando ao meu lado - Vocês todos terão um dia cheio amanhã - Complementou.


- Meu parceiro de quarto não é nada silencioso - Reapondi começando a sentir as consequências de não fornecer as devidas horas de sono que meu corpo exigia.


- Entendo, pode ficar com minha cama, você é essencial na missão de conter Ultron e os gêmeos, preciso que esteja 100% descansada - Respondeu e sua postura não deixou brechas para negociação.


- Muito obrigada, senhor - Sorri realmente grata, ele não é tão ruim quanto aparenta.


- Lembre-se, senhorita Foster, ninguém precisa ser forte o tempo inteiro, um pouco de apoio é imprescindível - Disse Nick, um pouco misterioso.


- O que isso significa? - Perguntei parada próxima a porta.


- Venho observando-a com certa frequência e percebi sua tendência a ajudar todos ao seu redor, mas você nunca admite precisar de apoio - Engoli seco diante dessas palavras - Steve parece muito preocupado com seu bem estar, apenas não permita que sua teimosia se sobressaia - Terminou e começou a se distanciar.


 O que acabou de acontecer.


 Balancei a cabeça e tentei ignorar qualquer outro pensamento, eu necessito de boas horas de sono e não pretendo perder mais nem 1 segundo. Entrei na casa e tranquei a porta, subi a escada rapidamente e entrei na primeira porta do corredor, é o quarto que Fury dividiu com o capitão América, apenas deitei na cama e fechei os olhos, não demorou muito para que a escuridão se tornasse predominante.



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