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História Yes, Miss? - Short fic 2Yeon - Capítulo 4


Escrita por:


Notas do Autor


Apreciem a história, nos vemos nos comentários, onde espero ansiosamente por críticas construtivas e demonstrações de carinho!

Capítulo 4 - Second cup of tea


O ambiente ao meu redor era um campo verdejante e iluminado, folhagens sibilavam a rodear-me por uma bonita e calma melodia. Vestia a mesma camisola branca e perfeitamente límpida de noites anteriores, então ergui as mãos enquanto tentava compreender o que se passava, ou por qual motivo estava sempre a sonhar com a mesma roupa. Então, como se gotejasse sangue do céu, minhas palmas foram cobertas por um viscoso líquido avermelhado, escorrendo por entre meus dedos impiedosamente. Desesperada, meu olhar percorreu ao redor, notando agora uma presença familiar e encontrei Ellina. Vestia a mesma camisola que estava a usar, mas então a alheia começou a rasgar-se e o campo tornou-se escuro, em um desconstruir de todas as coisas acalmantes anteriores. A planície deu lugar a um penhasco e assustada corri até a garota, a qual hesitou frente aos meus passos. Em seus olhos, notei lágrimas e novamente sua imagem segurava firme uma rosa, não mais sem espinhos - os quais feriam os dedos da mesma. Seu choro tornou-se audível e ensurdecedor, sentia-me faltar o ar por tamanha confusão, pois nada encontrava em mente para conseguir livrá-la daquele sofrimento. 

- Você me abandonou, Nayeon. - Sua voz era rouca e impiedosa e sua expressão denotava um desgosto incalculável. - Eu disse que lhe amava e você foi embora. - Um grito enfurecido escapava por seus lábios e a rosa quebrou-se entre seus dedos. 

Tentei mover-me e encontrei dificuldades, como se pesasse um número insuportável. Com a respiração acelerada, entreabri os lábios em um esforço imensurável para dizer algo, mas me faltou voz. O que meus olhos constataram a seguir foi o voluntário jogar-se da russa, lançando seu corpo do último pedaço de terra que a mantinha segura de uma queda terrível e, enquanto esta cedia metros abaixo, pude confundir seu sussurrar com uma última e desesperada declaração amorosa. Meu olhar voltou-se para minhas mãos e delas pareciam brotar ainda mais sangue, a sujar e levar embora o invejável branco da veste, tornando tudo ao redor em um perfeito cenário criminoso. 

Me levantei a gritar assustada, trazendo minhas mãos à frente do corpo e suspirando aliviada ao notar que encontravam-se limpas. Tentei acalmar a respiração, notando a escuridão que tomava o cômodo estranhamente frio. Novamente estava a suar por demais, utilizando-me do mesmo deslizar de mãos para tentar secar-me, alcançando o celular em seguida para olhar as horas. Passava um pouco das quatro da manhã então apenas soltei o corpo sobre o colchão novamente, a fitar o teto. Suspirei e virei o corpo incansavelmente até encontrar, por fim, uma posição confortável e reprimi todo e qualquer flash de memória do pesadelo anterior. Me pus a pensar em coisas boas, na tentativa miserável e covarde de não enfrentar o que mais me afligia naquele instante. Por descuido, encontrei-me a pensar por mais tempo que o esperado na morena de cabelos curtos, mas isso inusitadamente me fez sorrir e então adormeci.

•••

Havia conversado com meu avô acerca da possibilidade de uma futura alteração na estética do jardim, o qual estranhou meu questionamento pois nunca havia me incomodado com tal detalhe. Expliquei a ele que ansiava por alguma mudança e que aquilo me deixaria feliz, sob ordens médicas de evitar o que me entristecesse, o velho aceitou. Disse-me também que o jardineiro particular de nossa família encontrava-se incapaz de acompanhar-me por estar a aproveitar as férias com sua família, então levaria alguns dias até satisfazer o meu desejo. Impaciente por esperar, disse-lhe que convidaria JeongYeon para me ajudar e que não havia problemas, pois desejava aprender sobre jardinagem o que, apesar de estranhar minha suspeita autonomia, aceitou. 

- Ah, ela tem feito um bom trabalho nestas duas semanas! - O homem a frente direcionou seu olhar para a janela, como se estudasse o erro encontrado pela neta no jardim à frente. Com as mãos unidas atrás de seu corpo, sorriu satisfeito com a reflexão feita. - Irei providenciar que entreguem-nos algumas mudas de margaridas!

Ergui uma das sobrancelhas, tentando não transparecer gostar por demais da companhia citada. 

- Sim, não posso negar que tem sido uma experiência interessante possuir um mordomo. - Contive um sorriso discreto, concluindo o assunto com meu avô ao agradecê-lo e me retirei de seu escritório de modo a evitar mais observações perigosas que facilmente me entregariam. 

Ao fechar a porta, encontrei-me solitária naquele corredor, tendo em vista que ainda não era horário de JeonYeon chegar. Suspirei, como quem demonstrava aborrecimento pela ausência de alguém, e rumei novamente meu quarto, onde esperaria ansiosa pela companhia e diria a ela as boas notícias. 

Às oito horas em ponto, saltei da poltrona em que estava a matar o tempo para esperar inquieta à porta. Indo e voltando, sem nunca me afastar da entrada, permaneci a ansiar pelas batidas matinais - que acordaram-me na semana passada e retiraram-me de um desconfortável pesadelo. Desistindo da atitude, questionei-me se deveria encontrá-la logo em sua chegada, então abri a porta e, surpreendentemente, deparei-me com seu rosto, igualmente perplexo, a me observar. Que timing, Nayeon. Ri um tanto nervosa, alisando o vestido que estava a usar em uma falha tentativa de desfazer-me do clima embaraçoso. 

- Bom dia, senhorita Lim! - Um sorriso cobriu os lábios femininos, lendo em seu tom de voz uma alegria compartilhada. 

- Isso mesmo, Jeongie, bom dia! - Disse animada, segurando em seu braço e a puxando para dentro do quarto, parecendo mais saltitante que o costume ao destacar o "bom". 

Pasma, JeongYeon pareceu forçar um sorriso confuso ao me encontrar daquela forma pela manhã, tendo em vista o esperado: uma Nayeon a dormir sob sedosos cobertores rosados. Apressei-me em segurar seus ombros de modo íntimo, lembrando do que havia aprendido em terras estrangeiras. Quando tratamos alguém sutilmente de modo mais íntimo, essa intimidade se tornará mútua - e desejava me aproximar ainda mais da mulher que me arrancava tanto interesse. 

- Conversei com meu avô esta manhã sobre a mudança no jardim... Lembra? - A questionei sobre a coversa da semana anterior, apontando para a sacada. Ao que assentiu, prossegui. - Pois bem, ele nos conseguirá algumas mudas e poderemos plantá-las! 

Desviando o olhar, quieta, manteve-se a assimilar o que havia dito e o que desejava alcançar com aquele diálogo. Sorrindo, ela tornou a me olhar ao que concluiu, demonstrando uma animação ainda maior. Trocamos um sorriso e disse-lhe que emprestaria uma de minhas roupas de modo que não sujasse seu uniforme.

JeongYeon trocou-se no banheiro e retornou vestindo uma larga camisa vermelha e um short jeans azul, ambas as peças pouco usados por mim, mas que não me importaria de sujá-las. Sobre a poltrona, segui a fitá-la por longos segundos enquanto identificava na alheia uma explicação para o palpitar em meu coração. Havia bonitos detalhes nela que, por tê-la sempre ao meu lado, não esquecia. A forma como sorria tímida ao que a agradecia, o jeito com que mexia em sua unhas de modo ansioso e aflito enquanto esperava por alguma reação minha frente aos seus feitos, ou até a forma como estava constantemente a ajeitar a faixa branca que compunha seu uniforme a prender seus fios. Um riso soprado escapou por meus lábios e novamente encontrei uma atônica JeongYeon a me olhar, confusa. Com uma palma inesperada, ri inquieta na tentativa de desviar o foco da segunda atitude embaraçosa do dia e caminhamos até o jardim. 

Vestimos uma luva e começamos o árduo trabalho de desfazermo-nos das rosas. Pensei naquele dia como uma terapia, arrancaria com as rosas angústias de meu coração. Ao puxar cada raíz da avermelhada planta, sentia um pouco de culpa ir embora e, apesar de alguns flashes do pesadelo desta manhã pairar em minha mente, o enfrentei. Suspirei ao observar o amontoado da odiada flor ao lado, crescendo ao que JeongYeon jogou mais algumas raízes, e senti um misto de satisfação, voltando um olhar em agradecimento à maior. Agradeci a ela pela ajuda, mas meu coração também desejava agradecer pela companhia das últimas duas semanas, pela doçura, pelos chás e por estar ali, ao meu lado, me ajudando a superar um de meus maiores erros - apesar de não possuir conhecimento disso. 

Parecendo igualmente cansada, decidimos fazer uma pausa, então a garota sentou-se entre as rosas murchas e as que ainda seriam retiradas. A cena a seguir foi o terceiro e último embaraço do dia, acreditava que cenas clichês e irreais como aquela aconteciam apenas em filmes e histórias consideradas por mim bobas e enfadonhas - até então, mas ao que abri os olhos, após a queda, encontrei-me jogada sobre o corpo da mais nova. Minha respiração imediatamente falhou e senti meu coração trair-me ao acelerar os batimentos. Minhas bochechas encontravam-se rubras, certamente, pois o calor que emanava delas poderia fazer alguém acreditar que estava febril. 

Dizem que a paixão é uma doença. Ela altera seus pensamentos, causando uma desordem psiquiátrica preocupante para a ciência. Conseguia compreender pois o sentimento pesa, o suor escorre, a essência derrama e o gemido ecoa. E qualquer lugar do mundo parece ser insuficientemente grande para um sentimento só. E meu corpo, naquele instante, parecia pequeno demais para suportar o que estava a crescer em meu peito. Mas antes que pudesse fazer algo a respeito, mãos macias a segurarem meu rosto me surpreenderam, e o que sucedeu-se após foi algo que preencheria minhas noites como o remédio perfeito para insônia e pesadelos. 

Os lábios alheios encontraram os meus em um beijo, fazendo-me calmamente fechar os olhos, permitindo meu corpo derreter-se nos quentes braços que me seguravam. Como o chá, era doce. Um movimento macio foi feito e falhei em conter um pequeno sorriso, correspondendo ao contato sem pressa. Um arrepio percorreu meu corpo, acompanhado por um calafrio em meu ventre, sentindo-me ligeiramente tonta. Quebramos aquele ósculo em conjunto, pondo-me a fitar as castanhas orbes a frente. A hesitação anterior agora dava lugar a uma disfarçada satisfação, enquanto seus lábios, ligeiramente avermelhados, pareciam calmos. Me levantei, sem jeito, desculpando-me pelo peso aguentado anteriormente, mas a garota apenas sentou-se a me observar e riu, confidenciando a ela seus pensamentos. Seu olhar demorou-se em meu joelho e então sua expressão calma deu lugar a um desassossego. 

- Senhorita Lim, acho que precisamos ir pra dentro cuidar do seu machucado. - Levantando-se às pressas, a preocupação em seu tom de voz era claro. 

Observei melhor o arranhado em meu joelho e notei que o local sangrava, mas que não precisava da pressa presenciada ali então apenas ri. Mas, como se os céus castigassem, uma gota de chuva caiu sobre a terra, erguendo meu olhar para cima, notando uma grande e escura nuvem a precipitar. 

- Bom, agora tenho certeza! - Ouvi a garota dizer em tom jocoso. 

Antes de a seguir até a coberta sala da casa, franzi o cenho enquanto a repreendi por continuar a me chamar de "senhorita Lim", lhe dando um breve empurrão em seu ombro, arrancando-nos um riso conjunto.

Ah, era infinitamente inverno e Nayeon encontrava-se adoecida por amor, enquanto JeongYeon era a única a conhecer o sincero ritmo acelerado das batidas de seu coração.

••• 

Havia um incômodo curativo em meu joelho agora, sentada à poltrona, fitando a tempestade que fazia fora de minha janela. Com um moletom azul emprestado por mim, JeongYeon adentrou o cômodo cuidadosamente com a mesma xícara rosa da última vez. Abaixou-se à minha frente e me entregou o recipiente, explicando ser chá de camomila e que o mesmo ajudava na cicatrização, então apontou para o meu joelho ferido. Agradeci e recebi a bebida quente em mãos, tomando um gole em um suspiro satisfeito. Sorri para mim mesma, sentindo o adocicar curar-me instantaneamente e prometi silenciosamente não devolver rudemente o feito como da última vez em que ela preparara algo em ajuda. 

- Vamos ter que deixar as rosas pra outro dia... - A voz feminina preencheu o ambiente com pesar, notando que talvez a chuva não parasse tão cedo. 

Assenti e disse-lhe que havia sido uma experiência ótima, então levei a mão à boca de modo apressado por notar a ambiguidade presente na fala. Com um riso, a garota riu e assentiu, deixando-me curiosa sobre o que estava a confirmar. Conversamos por mais algumas horas enquanto a chuva não cessava e a permitisse ir embora. Descobri que cursava moda então trocamos algumas opiniões e contei-lhe sobre a Itália, tendo Milão como a capital do assunto. Senti que naquela noite, criamos uma intimidade única e, apesar de não termos conversado sobre o ocorrido no jardim, nossos olhos transbordavam um deleite desmedido, além de um novato sentimento de ternura recíproco. 

Ao vê-la dar as costas e afastar-se em uma despedida quando a tempestade acalmou, abaixei a xícara sobre o colo, semicerrando o olhar em direção a um ponto qualquer. Raciocinei melhor a situação e conclui que se desejasse dar vazão ao sentimento, eu deveria ao menos superar meu erro passado. 

Fitei o recipiente vazio em minhas mãos agora e sorri, pois o chá de camomila foi o segundo passo para me apaixonar por aquela mulher. O primeiro me acalmou após um pesadelo, já a segundo, incentivou-me a cicatrizar minhas feridas, fossem elas físicas ou sentimentais. Com um assentir decidido, peguei o celular e procurei por meus contatos bloqueados. Ligaria para Ellina e me desculparia por meus erros.


Notas Finais


Oi, meus moranguinhos! Cheguei com mais um capítulo e espero que possam gostar desse também. Estou pensando em algumas coisinhas interessantes para o próximo, então espero que possam animar-se com a nossa futura terceira xícara de chá sz


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