História YoonJin: In Love in october - Capítulo 1


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Notas do Autor


já faz muito tempo, não é? creio que devo justificar a ausência no spirit por meses. bom, primeiramente queria me desculpar pelo motivo de deixar vocês na espera de uma atualização, confesso que não estava bem e ainda não estou, é um processo lento para que tudo possa voltar ao seu eixo. a insegurança e insatisfação com cada coisa que eu escrevia era imensa, eu tentei mudar meu modo de escrever, o roteiro que programei para a estória seguir, os acontecimentos de tudo, quem sabe assim eu pare de me cobrar tanto.

o motivo pelo qual decidi voltar da estaca 0 e planejar tudo de uma forma diferente, era para tirar um pouco do peso da minha consciência em relação a "ser melhor". por mais que pareça exagerado, desde setembro eu escrevo esse mesmo capítulo, não desisti, não me dei por vencida, mesmo que talvez não esteja bom ou do jeito que eu queria, mas não queria deixar o tempo que me dediquei a isso fosse em vão.

então, não quero que perca seu tempo aqui nas notas iniciais, aproveitem a história:)

⚠ este capítulo não fora revisado de forma paciente, pode conter erros ortográficos, por favor, me avise. ⚠

Capítulo 1 - OO. Prólogo


Fanfic / Fanfiction YoonJin: In Love in october - Capítulo 1 - OO. Prólogo

Min Yoongi 
Boston, Massachusetts
18 de fevereiro de 1985

A noite de inverno caiu no exato momento em que Min Yoongi deixou o café. Caminhando pelas ruas de Boston, ele enrolou o cachecol em torno do pescoço para se proteger do frio. Sentia-se bem depois de depois de finalmente ter falado com alguém, pois tornou aquilo real. A revelação de seu segredo de longa data aliviou a pressão, permitindo-lhe relaxar um pouco. Enfim, Yoongi acreditou que tudo daria certo.


Em seu apartamento, despreocupado após o tempo passado no Café Millie, ele abriu a porta lateral com o cotovelo e a trancou atrás de si, girando a chave na fechadura vinte e quatro vezes. Em seguida, na antessala tirou o cachecol e se livrou do casaco pesado, colocando e tirando do cabideiro dezesseis vezes. Ligou o alarme e se dirigiu ao banheiro. Ali, colocou-se sob um longo banho de água quente e deixou o estresse para trás.


A confissão no café foi um teste. Prático. No último ano, Yoongi guardara muitos segredos — e aquele era o maior e o mais insensato de todos. Os outros

podiam ser atribuídos à juventude, à inexperiência. No entanto, esconder essa última parte de sua existência era pura imaturidade, explicada apenas pelo medo e pela ingenuidade. O alívio que sentiu ao enfim contar para alguém confirmou sua decisão. 


Exausto por causa da pós-graduação em letras e do ritmo frenético de sua vida, ficava fácil imaginar-se indo para debaixo das cobertas e dormindo até de manhã. No entanto, Yoongi viera para Boston para cumprir seu dever. Para entrar nos eixos novamente. Dormir não era uma opção, portanto. Assim, ele levou dez minutos para secar os cabelos, vestir um conjunto de agasalho esportivo confortável e meias grossas de lã. Na bancada da cozinha, ligou o iPod, abriu o livro, ajeitou as anotações e o laptop, e começou a estudar.


No entanto, naquele momento, após estudar teoria da literatura durante uma hora, Yoongi escutou: uma pancada ou vibração na porta. Min reduziu o volume do iPod e apurou a audição. Meio minuto de silêncio se passou, e então um golpe estridente no outro lado da parede. Três batidas sonoras que o assustaram. Ele consultou o relógio e se espantou — ela só deveria chegar no dia seguinte. A menos que quisesse fazer uma surpresa, o que costumava acontecer. 


Mas há dias, desde que o apartamento ao lado fora ocupado após uma longa data desocupado, um novo morador não parecia entender a ideia de que não era somente ele que morava naquele prédio e, sim, diversas outras pessoas que habitavam naquele mesmo ambiente queria silêncio e mais respeito, coisas que Min acreditava que o seu vizinho não sabia o significado.


Yoongi não estava afim estressar-se, porém, queria apenas sossego enquanto revia a matéria que precisava. Abaixou o volume do iPod, que tocava um clássico da época, e assim, decidiu chamar a atenção de quem tivesse na varanda, caso contrário teria que ocorrer ao síndico.


─ Eu ficaria agradecido se vocês tivessem um pouco mais de noção e fizesse menos barulho! ─ gritou em frustração ao garoto loiro da varanda ao lado, que fez um sinal em demonstração de silêncio para quem estivesse com ele no apartamento.


Yoongi voltou até a sala e deitou-se no sofá antigo. Ficou confuso com o que viu. Nessa confusão, seus pensamentos se perderam. Sentiu um frio na barriga e um arrepio na espinha. Com a mente pouco clara, nenhum pensamento se sobressaiu para fazê-lo refletir. Lágrimas brotaram nos olhos e, ao mesmo tempo, um soluço se manifestou.


Muitas pessoas costumam sentir um frio na barriga ou um arrepio na espinha ao recordar da infância assim que toca em um brinquedo que sempre quis ter ou algum que realmente fez parte. Muitas vezes são lembranças boas, as quais adoram se aprofundar e se emocionam quando sente aquilo tocar profundamente. Mas a velha pasta sanfonada preta — que nunca percebera que esteve na mesa central da sala, ou nem sabia da existência dela —, onde era guardada mini livros feitos com folhas de ofício e coloridos com giz de cera, poemas sem sentido, desenhos "sem pé nem cabeça", todos assinados com "min yunki" no canto da folha, por algum motivo fez com que a sensação de "borboletas no estômago" fosse presente em Yoongi de alguma forma ruim.


Yoongi decidiu afastar todos os pensamentos negativos presentes, e focar agora na sua "liberdade" que na infância não teve, pegou a pasta e a guardou dentro do armário, sem abrir e nem folhear o objeto de lembranças. Lavou suas mãos vinte e quatro vezes ─ estava contaminada? Sim. ─ e assim logo iria ir se deitar para dormir, aliás eram dez e quarenta da noite, isso significava que realmente não poderia estar acordado depois das dez e cinquenta e dois.


Min correu até a antessala e verificou se o alarme, estava convertido em uma luz verde. Em seguida, destrancou a porta e girou a maçaneta e trancou-a novamente, repetindo o processo dezesseis vezes.

Assim que desligou a luz, espantou-se quando ele forçou a entrada e, projetou-se na direção da antessala. Mais surpreendente ainda foi a agressão.


Dez e quarenta e seis da noite.


O pânico esvaziou a mente de Yoongi. Naquele momento, todas as ideias e imagens que tinham estado ali até alguns segundos atrás desapareceram, dando lugar aos seus instintos mais primitivos. Min Yoongi passou a lutar por sua vida.


A agressão prosseguiu na cozinha, com Yoongi agarrando e chutando qualquer coisa que fosse capaz de ajudá-lo. Depois de o livro e o laptop  caírem no chão, ele procurou tracionar os pés com meias de lã nos ladrilhos frios. Enquanto o adversário o puxava pelo recinto, agitava as pernas freneticamente.


 Foi quando desferiu um pontapé enfurecido contra a cristaleira, despedaçando toda a louça e espalhando os cacos pelo piso. Com o caos na cozinha ainda instalado, incluindo tigelas rolando e banquetas se chocando, Yoongi conseguiu pisar no tapete da sala, o que lhe deu força e tração. Ele tirou proveito disso para buscar se libertar do domínio do oponente, mas sua resistência só aumentou a fúria dele, que passou a puxar a sua cabeça para trás com força, arrancando uma mecha de cabelos e fazendo-a cair de uma vez. Ao pousar, Yoongi bateu a cabeça contra a estrutura de madeira do sofá. Então, o outro se arremessou sobre ele.


A dor era lancinante. A visão de Yoongi ficou embaçada, e a audição, comprometida. Foi quando ele enfiou as mãos frias sob a calça do agasalho

esportivo dele. Nesse momento, Yoongi recobrou a plena atenção. Apesar de estar imobilizado sob o peso do corpo dele, ele o esmurrou e o arranhou ao ponto de deslocar alguns dedos e de as unhas ficarem cobertas de pele e sangue.


Ao sentir a blusa ser rasgada, Yoongi soltou um grito agudo, estridente, que durou apenas alguns segundos, pois as mãos dele logo apertaram seu pescoço, sufocando-o. Ele arfou, buscando ar, mas sem sucesso. Embora seu corpo não conseguisse mais reagir aos apelos aterrorizados de sua mente, Yoongi ainda resistia, nunca perdendo o contato visual com o agressor. Até que sua visão se

desvaneceu como sua voz.


Ferido e sangrando, Yoongi ficou ali, desfalecido, acordando cada vez que ele a maltratava em ondas coléricas, violentas. A impressão foi de que se passou uma eternidade antes de o homem decidir abandoná-lo. Antes de ele escapar pela porta corrediça de vidro da varanda, largando-o e deixando que o ar frio da noite penetrasse pelo recinto e atingisse o seu corpo quase desfalecido.


Ele sentia as pálpebras pesadas. Naquele momento, tudo o que Yoongi conseguia ver era a luz branca emitida pela lâmpada no batente, um brilho contra a escuridão da noite. Ele permanecia imóvel, incapaz de piscar ou desviar o olhar. Era estranho, mas a paralisia não o incomodava. As lágrimas rolaram pelo rosto e gotejaram silenciosamente no piso. O pior tinha passado. A dor desaparecera. Yoongi não se era agredido por si mesmo, e a imagem involuntária desaparecera de sua cabeça. Finalmente, livrara-se. 


No chão, com as pernas estendidas e os braços como dois galhos de árvore quebrados ligados às suas laterais, ele encarava a porta escancarada. O farol distante, com sua luz brilhante orientando os barcos perdidos na noite, pois morava próximo a praia, era tudo que ele percebia. Era vida, e Yoongi se agarrou à sua imagem oscilante.


Yoongi ligou a luz novamente, se encontrando sozinho, como deveria, e a casa em perfeito estado, sem cristaleira quebrada, tampouco sangue respingado no chão. Quando menos percebeu, estava chorando compulsivamente, engasgado com o próprio choro, mal conseguia respirar. A ansiedade era presente.


Um, dois três, quatro [...] vinte e cinco.


Ligou e desligou o interruptor vinte e cinco vezes, até que a imagem de seu corpo morto se fosse. Horrorizado com aquilo, optou esquecer tudo, seguiu o caminho até seu quarto, sentou em sua cama, colocou a pantufas alinhadas para que assim que se levantasse no dia seguinte, não precisasse pisar no chão, por fim, finalmente se deitou, deixando o abajur ligado.


"Eu desliguei o gás da cozinha?"


Notas Finais


(trecho da agressão do livro "A garota do lago")

okay, possa ser que esse capítulo te deixou confuse, vamos para a explicação e assim termos um momento de epifania.

ter transtorno compulsivo-obsessivo (TOC) não signigica apenas se incomodar com sujeira ou desorganização, é muito mais do que isso. eu quis retratar uma crise em que o protagonista, o Yoongi, se agarra a uma imagem involuntária. ele se encontra sendo agredido por sua alguém desconhecido.

se interessar e entender sobre o TOC, recomendo ler esse artigo: https://www.vittude.com/blog/toc-transtorno-obsessivo-compulsivo-sinais-sintomas-e-tratamentos/amp/

lembrando que necessariamente, nem todos os portadores do transtorno possuem os sintomas citados.

se quiserem, sei lá, me encontrar em outras plataformas que não seja no spirit, tenho uma conta aesthetic/pessoal parada a (@mygclubie)

obrigada se chegou até aqui ♡


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