1. Spirit Fanfics >
  2. You - Amor Doce >
  3. Oportunidade

História You - Amor Doce - Capítulo 5


Escrita por:


Notas do Autor


voltei p ficar e o lys também hahahah

Capítulo 5 - Oportunidade


Fanfic / Fanfiction You - Amor Doce - Capítulo 5 - Oportunidade

"Me mostre um pedaço do seu coração, um pedaço do seu amor

Estou te chamando para se envolver, se envolver, se envolver

A maneira como nós nos tocamos nunca é suficiente

Estou te chamando para se envolver, se envolver, se envolver."

— Piece Of Your Heart — Meduza.

A segunda-feira começou extremamente deprimente. Você chegou cedo dessa vez — mais cedo até do que a maioria dos alunos — e parecia tão diferente da garota de uma semana atrás; seus cabelos estavam amarrados em um coque frouxo no alto da cabeça — um emaranhado de fogo desgrenhado — seu andar estava errado — lento demais, desanimado demais — e seus olhos — sempre tão brilhantes — estavam opacos, tristes, sob uma camada de grosseiras olheiras. Você ainda não havia se recuperado do fim de semana, eu sabia. Mas não sabia que havia sido tão ruim assim, Spencer.

Domingo você trocou e-mails com sua mãe, contando o incidente do celular — mentiu dizendo que havia derrubado na privada, e, meu Deus, você precisa urgentemente aprender a mentir! — e eu me mantive lendo tudo. Você não queria que ela lhe desse um novo, mas, ainda assim, a quantia em sua conta bancária havia sido depositada e, a contragosto e sem estar em posição de recusar, você aceitou. Ter uma mãe com tanto dinheiro te incomoda e você não gosta da ideia de receber as coisas assim. Não. Você gosta de conquistar, gosta de merecer as coisas. Assim como eu.

Suas redes sociais permaneceram intocadas e apesar do seu apego com Dobby — o apelido carinhoso do seu celular —, você não parecia querer contato com a internet ou fazer tanta questão de um smartphone novo assim, o que foi no mínimo suspeito já que você não passava dois minutos com o celular na mão sem tweetar alguma coisa. Eu me peguei imaginando as coisas que te falaram naquele beco... Isso deve ter te acuado, no mínimo. Ou algo realmente desagradável deveria ter acontecido no fim de semana — além do incidente degradante do sábado. Não tenho como saber agora, mas vai chegar o momento em que você vai me contar tudo, eu sei disso. E eu vou estar segurando a sua mão pequena entre meus dedos enquanto escuto.

Você também trocou e-mails com Viktor, e sei que vocês combinaram de se encontrar. Ignorei o ímpeto de segui-los com muito custo; eu não queria passar ainda mais dos limites, não tão cedo, pelo menos. Eu sabia que estava rumando para um caminho sem volta mas queria adiar o processo, afinal já havia seguido você no dia anterior, meio que por acaso, mas planejar o ato era um novo patamar. Seria a prova de que minha compulsão estava escapando do meu controle. Então eu fiquei em casa, escrevi um poema sobre você, e esperei pacientemente até algum de vocês mandar mais um e-mail. E, o e-mail de Viktor, mais uma vez se desculpando — ele se desculpa demais — por seu "descontrole" — eu não fazia ideia do que isso significava — enviado horas depois do encontro foi totalmente ignorado por você. Acho que é um sinal. As coisas não estão boas entre vocês.

— Bom dia, senhorita Spencer. — me pego dizendo quando você cruza a minha classe.

Seus olhos entram em foco e você ergue a cabeça, surpresa que alguém tivesse notado sua presença. Então abre o menor dos sorrisos e murmura um "bom dia" baixíssimo, ao que esconde os seus dedinhos no bolso canguru do moletom. E droga. Você está de tênis mais uma vez.

Eu quero tanto te abraçar.

Suas meias são de unicórnio e sua caminhada é tortuosa. Eu acompanho com o olhar seu trajeto até a última carteira da fila da parede, aonde você se esconde junto com sua tristeza. A pulseira em seu pulso chacoalha estupidamente durante o percurso, mas é quando eu vejo uma marca pequena e arroxeada sob sua pele, em seu pulso. Um hematoma.

Como foi que você ganhou isso?

— A cabeça de cenoura parece estar cabisbaixa, não acha?

— Hã?

Olho para o lado e vejo Castiel. Não havia notado que ele havia chegado. Isso me faz lembrar que tenho coisas a perguntar a ele. Sobre você.

— Não percebi... Eu estava distraído — dou de ombros, desviando o olhar da sua direção e o voltando para Castiel.

— E quando não está? — ele dá um meio sorriso, mas não me olha em momento algum. As sobrancelhas dele estão franzidas e ele segue te encarando.  — De qualquer modo, ela está diferente, mais...

—Quieta?

— É, é...

— Realmente não percebi. Eu estava escrevendo... — indico o bloco de notas em cima de minha classe — Enfim...Vocês já estão próximos?—  solto, com o tom mais displicente que consigo.

Os olhos dele enfim se encontram com os meus e Castiel parece escolher bem as palavras antes de abrir a boca, decidindo o quanto revelaria, provavelmente.

— Um pouco. Ela tem um gosto musical interessante.

— Oh sim. E o que você achou dela, de modo geral?

Ele esboça um sorriso, os dedos desenhando um círculo invisível na carteira.

— Ela é gente boa e tem senso de humor. — o sorriso aumenta gradativamente — É raro hoje em dia. E o sotaque é bonitinho.

"Bonitinho", Castiel? Nunca sequer havia escutado ele falar algo no diminutivo antes! Como se o sotaque fosse a única coisa bonita em você... Castiel sabe que você é especial, senão não estaria tão incomodado com seu isolamento. Isso me faz sentir coisas desagradáveis. Respiro fundo.

— De fato. Mas não só ele, certamente... — digo em tom de divagação, na intenção de arrancar alguma reação dele; quero saber se ele se incomoda com a possibilidade de eu estar interessado em você, ter alguma noção.

Castiel morde a isca.

— Ah. Você tá interessado, é? Isso sim é algo inédito. Nem sabia que ela fazia seu tipo. — ele ri mas soa mais como um engasgo, e eu me pego pensando: realmente o incomoda? — Honestamente, nem sabia que você tinha um. Mas ela é gostosa, sim... — diz com displicência. — Se é isso que você quer dizer.

Reprimo uma careta.

— Oh, claro. — me limito a responder, incomodado pela escolha de palavras dele. É claro que você é gostosa, eu tenho olhos. Mas ele precisava verbalizar? — E quando foi que vocês conversaram?

— Essa sexta passada o idiota do Nathaniel pediu para ela me entregar uma folha de ausência. Um covarde, de fato. — ele bufa, e então lhe dá uma olhada pouco discreta, e um sorriso sacana começa a surgir no rosto dele  — Ela ficou toda corada e xingou bastante. Foi engraçado. No fim acabei assinando para o boboca deixá-la em paz.

Ri fraco.

— Imagino a situação. Fiquei surpreso de você ter assinado a folha.

— É, é... Eu também fiquei. Depois da nossa conversa eu fiz menção de falar com o maldito monitor, mais tarde. Mas ela estava na escola, a garotinha... Havia esquecido sua mochila e voltou para buscar, uma Miss Lysandre — ele riu — Em todo caso, ela percebeu minhas intenções e disse algo bobo como "a cada vez que vocês discutem, um canguru morre na Austrália." Aí, enfim... Acabamos conversando e eu a acompanhei até seu apartamento. Ela é emancipada, aliás. Me mostrou alguns de seus discos e nós bebemos um tal chá inglês. Foi bacana.

Senti meu coração se afundar no peito. Dói. Muito. Perceber que, por mais que ele lhe conhecesse tão pouco, já tivesse memórias com você; mais memórias do que eu tenho. Que ele já tivesse compartilhado momentos, risos, músicas... Que ele já soubesse aonde você mora, já tivesse estado lá. Já tivesse bebido o seu chá... Eu sei que estou ficando para trás, mas não quero me precipitar. Você é a novata e obviamente o centro das atenções, não é como se houvessem muitas oportunidades de te encontrar sozinha. Mas, em contra-partida, eu quero tomar alguma atitude. Preciso. E preciso de uma oportunidade.

O mal estar em minha face deve ter ficado evidente, mas Castiel não teve tempo de me perguntar nada, porque logo o professor adentrou a sala já lotada.

Meu cérebro parecia estar explodindo, meu coração apertado... Tampouco o questionei sobre praticamente afirmar que não havia estado mal na sexta passada, já que ele havia dito, ali mesmo, com todas as palavras — e até mais — que havia estado com você. E aparentemente todo mundo conseguia estar com você. Por que eu não consigo?

Rosalya já fala com você. Nathaniel já lhe pede favores. Castiel já vai na sua casa! Já vi Ambre e você conversando no corredor próximo ao banheiro das moças o que, devo admitir, foi muito suspeito — ela definitivamente não estava lhe ofendendo ou atacando. Íris não ficou para trás, obviamente. Melody, tampouco. Mas eu enxergava através da máscara de simpatia; o comportamento dela soava mais como um "mantenha os amigos perto, e os inimigos mais perto ainda" do que um "gosto de você, quero ser sua amiga". Ela definitivamente não gosta da intimidade com que você conversa com Nathaniel; eu mesmo fiquei incomodado que, logo no primeiro dia, você já estivesse conversando tão calorosamente assim. Mas eu entendo, até certo ponto. Você é como um sol. E o sol não mantém seu calor só para si. Não. Ele o irradia. Você o irradia. E é normal. Natural.

Isso explica o fato de que mesmo Castiel, que sabe tão pouco sobre você, percebesse que você estava mais quieta. Não tinha como não reparar! Claro, sempre haviam os mais observadores mas, de qualquer forma, a mudança de comportamento era visível. A mudança de vestimentas, a linguagem corporal: basicamente tudo.

Mas, assim como a segunda-feira foi deprimente, ela também trouxe a primeira oportunidade de conversar com você. Me aproximar. Dizer um: ei, eu estou aqui. E essa oportunidade chegou, literalmente, correndo pelo corredor, em forma de cachorro.

Foi entre o terceiro ou quarto período que eu o vi. Totó — o cachorro da diretora — parecia se divertir com a ideia de sair livremente por aí. De fato, eu tinha certa pena dele. O cuidado excessivo que ele recebia da senhora Shermansky o privava de se divertir como um cachorro normal. Deviam ser realmente raras as vezes em que ela o soltava, porque eu nunca o vi passar tão rápido assim. Tão livre.

Mas o que me surpreendeu, de fato, fora ver que alguém — alguém em específico — vinha logo atrás. Você.

O coque havia se desfeito e seus cabelos caiam como ondas de lava quente pelos ombros e costas; as bochechas estavam ainda mais rosadas, se é que isso era possível, e os lábios entreabertos soltavam o ar com certa dificuldade, como se você tivesse corrido uma maratona. Você havia se livrado do moletom, que agora se encontrava amarrado em sua cintura fina, e a blusa que você vestia por baixo era branca e lisa, ligeiramente curta e, se você se esticasse um pouco, eu conseguiria ver sua barriga. Me distraí por meio segundo, esperando um movimento... O tecido moveu-se levemente, mas não chegou a revelar sua pele pálida e suave.

Você parou, as mãos apoiadas no joelho, a pulseira incoveniente sempre chacoalhando, o braço agora todo exposto. O hematoma roxo em seu braço agora estava totalmente visível, contornando a circunferência; havia cinco dedos bem demarcados como se alguém tivesse te puxado bruscamente, com demasiada força. Quem fez isso? O cara do beco? O Viktor?

Você ergue o olhar e me encara. Um sorriso tímido surgiu em seus lábios de morango.

— Ah, Lysandre! — você exclama gloriosamente, meu nome vira poesia. Então você joga os cabelos para o lado, os dentes faiscando sob a máscara de alegria enquanto instintivamente esconde o braço machucado — Você viu o Totó por aqui?

— O cachorro da senhora Shermansky? — questiono retoricamente, embriagado pelo seu perfume que sempre preenchia o menor dos espaços.

— Sim, ele mesmo. A diretora me viu parada no meu armário e praticamente gritou para que eu o pegasse se não quisesse ter maiores problemas! — você riu fraco, descontraída. — Não é o convencional para se fazer em uma escola mas até que é divertido.

— De fato, não é. A nossa diretora é realmente muito apegada ao seu cachorro — aceno com a cabeça, feliz pelo simples fato de estarmos conversando. — Ele quase nunca sai daquela sala, sempre preso na coleira... É de se esperar que busque fugir de vez em quando.

— Mesmo? — você faz uma careta fofa e cruza os braços abaixo dos seios, e eu evito encarar — Talvez eu devesse deixá-lo livre mais um pouco... Acho que ele merece.

Minhas sobrancelhas se erguem automaticamente em surpresa.

— Você vai se encrencar.

— Ah, tudo bem. — seus ombros se encolhem um pouco — Eu estava pensando em ir para casa, mesmo. Vou me encrencar de qualquer jeito.

— Está se sentindo mal?

— Não! — você responde automaticamente, seus olhos claros presos nos meus. Um arrepio subiu pela minha espinha. Você é magnética, e então diz de repente: — Sim...

— Quer que eu leve você à enfermaria?

Seus lábios reprimem um sorriso.

— Quem me dera fosse tão simples assim... Mas obrigada.

— Não por isso. Problemas com o coração, então? — solto antes que eu consiga evitar e seus olhos se arregalam — Desculpe se pareço intrometido. Você me deixa curioso.

Suas bochechas parecem ainda mais coradas, e eu percebo que minha face está quente também. Merda. O que eu estou dizendo?

— Hahaha, tudo bem! — você morde o lábio, notando meu desconforto por ter falado demais. Então suspira: — Está tão óbvio assim?

— Só um pouquinho. — separo o indicador do polegar o máximo que consigo e você ri genuinamente.

— Um pouquinho muito, então.

— Exatamente.

Os passos no corredor quebram nosso contato visual, e ambos olhamos na direção de onde eles vem. Instintivamente pego sua mão e, ignorando a sensação de ardor que sinto, a puxo em direção ao corredor da escadaria. Você não fala nada, mas ainda sim gesticulo com o dedo para que não emita som. Nosso olhares se cruzam por mais um instante e as batidas de nossos corações estão em sincronia. Seu corpo está pressionado a parede. E pressionado ao meu.

Por um momento tudo o que consigo perceber é o calor que você emite... O perfume que você exala. Se eu me abaixasse conseguiria afundar meu rosto em seu pescoço e me perder entre as mechas quentes do seu cabelo. Mas não posso. E os passos tornam a soar alto.

Mas eu conheço esse som. É familiar demais. São as botas da Rosalya. Oh, não... Como eu não me lembrei disso? Havia prometido que ia me sentar com eles hoje, na cantina. Ela deve estar me procurando. Solto um suspiro.

— O que foi? — você murmura, tentando enxergar por cima do meu ombro, mas não consegue. Não é alta o bastante. Eu contenho um sorriso e o azul no seu olhar me engole. — Quem está vindo aí?

— Rosa.

— Ah, então não é um problema, né? Ela é legal.

— Sim, ela é... — aceno com a cabeça, e nossas vozes não passam dos sussurros — Mas ela está me procurando para almoçar com eles. E eu não quero ir.

— Ah. Certo.

Você não me questiona. Você é incrível. E permanecemos assim por mais dois minutos, nossos corpos colados, seus seios contra meu peito, sua mão ainda na minha, e seus olhos sempre nos meus. Será que você consegue ouvir o quão alto meu coração bate?

Mas não dura muito. Logo os passos se afastam e seus dedos pequenos e macios deslizam dos meus, meu corpo abre espaço para você passar, seu calor me abandona e você ri envergonhada. E eu sei que poderia fritar um ovo na minha cara agora, de tão quente que ela está.

— Missão cumprida, então. — você suspira, risonha. Seus olhos parecem ligeiramente mais brilhantes do que mais cedo e e você ainda é a Spencer da semana passada. A minha Spencer. Sua essência segue aí.

— Uma entre várias, senhorita mata-aula.

— Ei! — você empurra meu ombro, brincalhona. — Mas sobre o Totó, acho que não vai fazer mal deixá-lo um pouco solto, não é? O portão é fechado com maçaneta, ele não vai sair da propriedade da escola.

— Você tem razão. Mas... — olho para a escadaria — Acho que não vai ser preciso procurar. Quem é vivo sempre aparece.

Totó estava no topo, a língua inquieta e uma expressão sorridente na face. O rabo não parava no lugar, mais contente do que nunca. Quando foi que ele subiu que nós não o vimos?

— Totó!

O cachorro correu em sua direção como se sua vida dependesse disso. E você, prontamente se ajoelhou, o esperando com os braços abertos. Para quem via de fora parecia que vocês eram cão e dona.

— Bom menino! — você diz, rindo ao que ele lambe sua bochecha com urgência. Então se levanta e o pega no colo, seus cabelos estão bagunçados e sua expressão vai de dúvida para certeza, como se estivesse medindo pós e contras de uma questão importante. Então diz com tom de desafio: — Você vem?

— Quê?

— Com a gente, claro. — você dá de ombros e Totó late em minha direção, excitado. Instintivamente olho para os lados, preocupado com a possibilidade de alguém nos ouvir. Mas as chances são poucas, já que praticamente toda a escola está na cantina. Se você vai matar a aula, a hora é de fato agora. — Acho que não vai fazer mal levar esse dog para dar uma volta por aí, para variar. Não acha?

Sem pensar nem por mais um segundo, eu agarro a oportunidade tal como você está agarra o Totó, e digo simples, monossílabo a única resposta correta para o seu sorriso ardente:

— Acho.


Notas Finais


eu tava montando a cronologia das coisas que vão acontecer na ordem certinha e mano, eh muita coisa. sério. quem estiver lendo isso aqui vai ter que ser muito paciente mesmo pq se essa fic ficar do jeito que eu quero e tô planejando, vão ser 50+ capítulos, talvez bem mais q isso pq tem tanta coisa q vai acontecer e tanta bost* q só jesus na causa AKSKSKKSKSKS enfim, boa noite e desculpa por postar "tarde"


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...