História YOU - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Festa, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Capítulo 2


Ainda não me explicou o que faz no meu quarto. -Grito

- Nunca te vi aqui pelo campus antes, é nova na UCLA? -Diz ao desviar do assunto em uma naturalidade absurda

- Isso não interessa, não estamos falando de mim. Ainda não me respondeu. -Digo de forma impaciente, soando mais rude do que gostaria

- Relaxa, ja estou de saida. -Deu de ombros sem nem ao menos me olhar, ele andava de um lado a outro do quarto, mexendo nas coisas e vez ou outra olhando pela janela.

- O que ta fazendo?? Será que da pra parar de mexer nas coisas?? -Questiono ao ve-lo mexer em minha gaveta de calcinhas, pegando na mão uma preta de renda fina que nunca usei antes por não ter ocasião.

Nossos olhares se encontraram e após esse nosso primeiro e pequeno contato visual, percebi o quanto seus olhos eram claros. Sua íris era de um castanho-esverdeado, lembrando muito avelã. Ele deu um sorriso malicioso, mostrando os dentes perfeitamente brancos e alinhados, piscando para mim. Eu não sei o que aquilo significava mas tomei a calcinha de sua mão antes mesmo que ele pudesse abrir a boca para dizer.

- Vai embora. -Mando assim que ele fecha a gaveta.

Ele não estava a me dar a minima, não parecia nem mesmo estar me ouvindo. Ele passou para o lado de Kate, começando a mexer em suas coisas mas logo sendo detido por mim. Ele parou na minha frente, me fitando enquanto eu cruzava meus braços e lançava a ele minha melhor cara de mal. Algo parecia estar lhe divertindo, mas seus olhos me pareciam sombrios e de repente era ele que me soava mal.

Ele cheirava a cigarro e menta, com uma grande tatuagem lhe cobrindo o lado direito do pescoço. Eu não conseguia dizer o que era mas não quis ficar olhando muito porque isso poderia dar a ele motivos para achar que eu pudesse estar interessada. Não sei porque, essa ideia me deixou estranhamente nervosa.

- Sai. -Digo um tanto quanto irritada e mandona.

Eu sei que não deveria estar ali pondo a cara com um desconhecido que era mais alto e bem mais forte do que eu, eu estava sozinha com ele e ele podia muito bem fazer algo comigo, qualquer coisa. Mas a ousasia e a coragem falaram mais alto no momento, eu não tinha medo dele. E também, ele não poderia fazer nada comigo ali porque 1; Kate chegaria a qualquer momento, mesmo que ele tentasse ou fizesse, ela poderia chegar e presenciar. Seria minha testemunha. 2; Eu poderia gritar e, considerando que a porta não estava trancada e ele estava em um prédio cercado por dormitórios femininos, não demoraria muito até alguem vir ver o que estava acontecendo e flagra-lo no quarto. E 3; porque se eu sobrevisse o denunciaria, e caso não, independente de ser o crime perfeito ou não, alguém o veria por esse predio ou saindo dele. Suas digitais estão por todo o quarto e ele seria facilmente identificado e teria de ser preso. Estava tudo sobre controle.

- Ou então o quê?? -Perguntou em um tom de voz baixo e intimidante, dando um passo a frente, suprindo a pequena distancia que ainda tinha entre nós.

O encarei, pensando no que dizer. Eu estava para abrir minha boca e ameaçar gritar para alguém, quando a porta do quarto foi aberta e Kate paralisou ao pé da porta. Sua expressão era de perplexidade total e as palavras que vieram a seguir deixaram claro que isso não era algo positivo.

- O que esse garoto ta fazendo aqui?? - Disse alto, entrando como um furacão no quarto e vindo em nossa direção.

- Ele invadiu o quarto. -Respondo logo

-Pensei ter ouvido você me chamar querida. Realmente não precisava de mim?? -Perguntou ele sinico ao me fitar. Eu conheci esse cara a menos de 20 minutos e ele ja estava me irritando.

- O quê?? Não! -Nego

- Conhece ele?? - Peguntou Kate, tão irritada quanto eu.

- Sinto que a vida toda! -Sorriu o invasor

- Isso é mentira. -Nego outra vez, o fuzilando com os olhos uma ultima vez antes de voltar minha atenção para Kate.

-Quero que dê o fora daqui. -Disse ela a gritar, apontando para ele a porta.

Ele deu de ombros, deslizando os dedos por entre seus fios platinados, bagunçando o cabelo.

- Foi um prazer conhece-las meninas. Fiquei... Encantado!

Assim que ele saiu Kate bateu a porta. Ela estava irritada e isso dava para ver de longe. Fiquei em silêncio por alguns minutos e assim que a mesma se sentou na cama ela percebeu meu constrangimento

-Desculpe. E eu não o conheço, ele invadiu o quarto e... -Comecei, deixando as palavras sairem sem controle

- Esta tudo bem. -Disse, mais calma do que aparentava. Talvez ela só não estivesse querendo descontar esse estresse em mim.

- Mesmo? Ainda assim desculpe.

- Ele não mexeu em nada né. -Perguntou preocupada, parecendo notar algo fora do lugar

- Mexeu. Quer dizer, tentou eu... Eu o detive.

Ela suspirou aliviada apesar de seus olhos demonstrarem preocupação.

- Obrigado Tracy. Acho que de todo modo o que importa é estsr bem. Ele não tentou nada?

- Não. Não tentou. Quando ele entrou eu havia acabado de... Ain droga !!! -Digo ao me lembrar, olhando para ela- Me diga que também esta com fome.

Kate e eu terminamos a pizza mais do que satisfeitas. Achei que o momento da pizza era ideal para conhecer ela melhor

- Então, o que faz aqui na UCLA? De curso. -Pergunto ao pegar mais um pedaço de pizza após terminar meu primeiro

- Letras. Pensei em Enfermagem ou Teatro mas... -Ela balançou a cabeça negativamente, forçando-me um sorriso- Deus, meu pai morreria. -Respondeu por fim, pegando uma azeitona

- Seu pai? Achei que Pais sempre quisessem a felicidade de seus filhos.

Ela deu de ombros, parecendo pensar sobre aquilo

- E ele quer é só que... Bom, venho de uma familia um pouco exigente. Meu pai é um médico brilhante e renomado que agora esta ajudando na siria e, minha irmã é com certeza é o orgulho dele. Ela é advogada mas atualmente trabalha como diretora em uma empresa de cosméticos. E meu namorado... Chef de cozinha e dono de um dos melhores restaurantes de NY. Inclusive esta para abrir outro em PARIS .

- Uau.

- É. Sabe eu sinto que todos eles tem seu talento em carreiras incriveis e que dão orgulho a sua linhagem mas para meu pai, eu pensar tão pequeno assim é... -Ela procura as palavras, com o pensamento distante

- Uma vergonha. -Concluo para ela, terminando minha pizza.

- É. Imagina a surpresa para eles saberem que viria para UCLA, uma universidade ótima porém publica, quando todos eles se formaram em HARVARD e Stanford. Era de se esperar que eu também quisesse isso né.

- E por quê veio para cá?

- Minha mãe estudou aqui. Ela também fez letras e cursou enfermagem, mas no fim acabou virando aeromoça. Ela e meu pai se conheceram durante um vôo para Londres.

- Quando entrei no quarto a ultima coisa que pensei é que fazia letras. Imaginei uma super modelo da UCLA -Brinco, tentando desbiar o assunto e parecendo ver um agradecimento silencioso em seus olhos

- Bem é o que faço. Mas eu quero ser mais que um rostinho bonito estampando revistas pelo o mundo. Quero que vejam em mim mais do que beleza. Afinal, você precisa ter algo a mais para oferecer depois de vinte minutos de conversa. -Falou limpando as mãos ao terminar, dando um leve sorriso- Mas e você, o que vai fazer aqui na UCLA?

- Também pensei em letras ou Enfermagem mas acabei indo para a Psicologia.

- Corajosa, nem todos querem entender o outro.

- É, é uma tarefa dificil mas nobre, empática eu diria.

- E por quê escolheu esse curso?

- Eu não sei bem... Eu sempre quis conhecer as pessoas, entende-las, faze-las saber lidar melhor com seus problemas e consigo mesmas. Sempre fui muito boa em ouvir, gosto disso.

Kate sorriu ao assentir, fechando a caixa da pizza. Depois disso ela ainda foi tomar seu banho e conversamos mais um pouco em nossas camas até o sono vir. Ela me contou sobre seu namorado, como se conheceram, e como era a família dele. Ela disse que ambos tinham planos para o futuro, planejavam se casar e ter filhos, e ele fazia questão que ela fosse morar com ele em Nova York assim que se unissem.

Também me contou mais sobre sua irmã, Bella, e disse que assim como ela, ela também foi modelo e fez alguns trabalhos quando mais nova. Sua irmã era três anos mais velha que ela, e de inicio pretendia seguir na carreira da moda, mas após sua tia falecer Bella acabou ficando sob o comando da empresa de cosméticos. Sua tia não tinha filhos e Kate e Bella era tudo que ela tinha de mais próximo a isso, então deixou a empresa para as duas. Como Kate não se interessava muito, deixou a irmã no controle e ela tem feito tudo com muito êxito. Ela falava de um jeito que mostrava muito orgulho da irmã, seus olhos brilhavam e o sorriso de felicidade por seu sucesso era nitido. Em nenhum momento fez parecer que sua irmã se arrependeu daquilo, de ter deixado de lado sua carreira na moda ou como advogada, ela apenas dizia que sua irmã era feliz e brilhante. Falando, fazia parecer que sua irmã nasceu para aquilo, com um destino e um talento nato para o mundo dos negócios. Contou que achava sua irmã uma mulher muito forte e que um dia queria ser como ela, ou ao menos que seu pai a visse assim.

Tambem falei um pouco de mim, da minha vida e da minha familia. Como era nossa rotina na Carolina do Sul e como eu sentia saudades dos meus antigos amigos. Ela também nunca teve um cachorro assim como eu, e me pareceu muito comovida e empática quando lhe contei sobre a adoção. Contei a ela os lugares que tirei para conhecer da Universidade e ela me disse que logo ao amanhecer me levaria para conhecer LA. Por fim acabamos pegando no sono e acho que nunca dormi tão bem e pesado como nessa noite.

A luz do dia já invadia o quarto e acordei um tanto quanto desnorteada de inicio. Ouvi uma cantarolia pelo quarto e ao olhar, muito sonolenta, Kate se arrumava em frente ao espelho. Ela usava um conjunto branco composto por uma calça pantalona e uma blusa cropped de mangas curtas. Seus cabelos estavam soltos, as pontas estavam emaranhadas mas me pareciam espantosamente bonitos ate mesmo assim. Eles tinham um tom de dourado mas iam ficando cada vez mais claros nas pontas, mesclando os tons de loiros nos fios, deixando muito natural.

Continuei deitada preguiçosamente na cama, pensando se ela estava se arrumando dessa forma para sairmos. Ela passava algum tipo de creme no rosto, espalhando-o bem até sumir, logo borrifando algum tipo de spray nele. E antes de perceber que eu ja estava acordada, o que queria adiar ao máximo, a vi ajeitando as sobrancelhas e passando um pouco de Rimel e gloss.

Ela sorriu, cedo demais para meu raciocinio, e se aproximou.

-Olha, a bela adormecida acordou.

- Que horas são? -Pergunto ao bocejar e me espreguiçar

- Hora de acordar. Se quiser aproveitar o dia, é hora de ir se arrumar

Coço os olhos, levantando um tanto quanto relutante da cama ao ver a hora pelo meu celular. Era 08:00 horas e os banheiros já me pareciam cheios. Tomei um rapido banho e escolhi uma das primeiras peças que vi na minha frente, um shorts Jeans e uma camiseta dos The Rolling Stones. Prendi meus cabelos em um rabo de cavalo bem preso e calcei meus tenis mais novos. Fingi não notar o olhar critico de Kate em minha roupa e pedi seu Gloss emprestado. Ela me emprestou, dando outra olhada em mim mas sendo gentil demais para não comentar. De repente me peguei tentando adivinhar o que ela devia estar pensando sobre minhas roupas.

Saimos em direcão ao estacionamento e assim que chegamos ao seu carro precisei me recompor, sentindo um pouco de receio até mesmo de entrar e sentar em seu banco. O carro era uma Mercedes branca e me peguei questionando quantos desses sua familia devia ter na garagem. Ela não parecia nem mesmo empolgada com o carro que dirigia, acho que ja estava acostumada a dirigir esses tipos de automóveis. Automóvel esse que eu nunca teria, nem trabalhando por anos, e que muito menos conseguiria pagar para ter.

   Nosso dia foi tranquilo. Conheci Hollywood, onde uma das maiores atrações da cidade se localiza, a calçada da fama. Eu confesso que me senti um pouco boba em andar olhando para o chão mas era encantador ver tantos nomes de tantas lendas da musica, teatro, dos cinemas e televisão ali. Kate fez questão de registrar cada um de nossos momentos em seu celular, tirando uma foto minha apontando para a estrela de Michael Jackson. Ao longo de 2 quilometros da Hollywood Boulevard e mais de 700 metros da Vine Street se encontram mais de 2500 estrelas no chão. Continuando na Hollywood Boulevard tem o Chinese Theater, um cinema lendário com o formato de um templo chinês. Do lado de fora dele é onde ficaram gravados no cimento os pés e as mãos das maiores estrelas do cinema americano, juntamente a seus autógrafos.  

   O Dolby Theatre é o teatro onde ocorre anualmente a cerimônia do Oscar. O teatro, por incrivel que pareça, fica dentro de um Shopping Center e foi indispensável não fazermos um Tour lá dentro. Os tours saem de 30 em 30 minutos e nos levam a diferentes áreas do teatro, nos bastidores, nas cadeiras reservadas a determinados artistas, além de mostrar um exemplar original do Oscar. Do lado de fora o Hollywood & Highland Center, o tal shopping que abriga o teatro do Oscar, reune bons restaurantes e uma arquitetura bem megalomaníaca, remetendo a épicas produções onde crianças se refrescam no verão. Kate e eu paramos para almoçar e batemos um bom papo sobre a universidade e nossas vidas. Ela pareceu surpresa quando contei a ela que desde que cheguei a LA, era a primeira vez que fazia um tour assim pela cidade.

   Após o almoço descansamos um pouco, tomamos um sorvete e Kate não parava de tomar agua. Fizemos uma rapida parada no Paramount Studios, o unico estúdio dos grandes que ainda esta localizado  bairro de Hollywood. Foi o mais completo levando em conta a história do cinema e das produções hollywoodianas, com tours mais sérios e comprometidos com a indústria cinematográfica, mas é proibido fotografar em seu interior. Conheci também o La Brea Tar Pits, uma das atrações turisticas mais interessantes de LA. La Brea Tar Pits é um sitio arqueológico. Um conjunto de poços de piche que brotaram da terra ha milhares de anos atrás e que, no decorrer da historia, prenderam e fossilizaram animais e plantas da era do gelo. Ossadas de mamutes, antílopes e alguns outros animais já extintos podem ser vistos no George C. Page Museum, que fica no mesmo terreno dos poços do piche. Arqueólogos em constante trabalho são vistos recuperando novos fósseis em laboratórios dentro do museu. Interessantíssimo.

   Fizemos uma ultima parada antes de voltarmos para a universidade. A Venice Beach, a praia mais famosa da cidade de Los Angeles. Confesso que andar por seu movimentado calçadão a beira mar e por seus icônicos Piers é bastante prazeroso. Pelo pouco que vi é uma otima pedida para quem quer relaxar e curtir um lado da cidade de bicicleta ou patins. Eu estava me sentindo muito mais exausta que no dia anterior quando chegamos ao quarto e tudo que eu queria agora era um banho e cama. Kate parecia ainda um pouco mais bem disposta que eu, seu rosto e corpo não demonstravam-me um unico indicio de cansaço. Acho que ela ja estava tão acostumada a andar por LA que para ela isso nem era um desafio mais. Ela se jogou na cama, relaxando seu corpo e em seguida pegou seus fones, fechando os olhos e pondo numa eletrônica qualquer, alta demais para conseguir escutar qualquer outro barulho ou voz que viesse de fora dos seus fones. Fui tomar meu banho e para minha sorte, e surpresa, o banheiro não estava tão cheio. Havia talvez duas ou três meninas apenas a baterem papo no banheiro enquanto se maquiavam e se arrumavam para sair, falando algo sobre um jogo na sexta-feira que vem.

      Tomei meu banho sem pressa, dessa vez relaxando e sentindo a agua cair sobre meu corpo e eliminar minha tensão, me permitindo e me dando o luxo de enrolar um pouco mais no chuveiro. Ao sair as garotas continuavam ali, agora a fofocarem, quase terminando sua produção. Me perguntei aonde elas iriam e se devia ser um lugar bom. Pelas roupas que usavam talvez não...

    Ao sair do banheiro enrolada na toalha e a segurar minhas roupas na mão, vi dois garotos no corredor a se aproximarem. Garotos?? No prédio das meninas??

- Ei gatinha. Vem aqui. -Disse um deles, um alto de pele mais escura.

- É, não vamos te machucar. Só queremos ver um pouquinho por baixo dessa toalha, deve ser uma delicia.

    Olho aquilo com repulsa, sentindo meu coração acelerar. Eles nem deviam estar aqui para começar mas estavam, e para piorar eu estava sozinha naquele corredor que pela primeira vez me parecia imenso e longo demais. Os ignorei, passando por eles de cabeca erguida e cara fechada, fingindo não ouvir seus comentários grotescos sobre como eu devia ser rosada e apertada.

  Um deles, com traços orientais e pele bronzeada, me alcançou e me segurou pelo braço, puxando-me para eles e assim fazendo com que minhas roupas caissem no chão. Os olho incredula, pensando em gritar e em como ninguém estava vendo aquilo. Alguem ia aparecer, tinha que aparecer. Talvez uma daquelas meninas?? Bem talvez se eu o chutasse no saco teria tempo de correr. Porém eram dois, um poderia conseguir me pegar e ai sim eu estaria encrencada. Droga!
 
   Os dois riam e pareciam bebados, seu halito era alcool puro. Tequila acho. Tentava me soltar, me mexendo compulsivamente contra ele, tentando afasta-los de mim. Quanto mais lutava e tentava me soltar mais eles riam, os braços do que me puxou agora me mantinham presa contra a parede, enquanto o mais alto se aproximava. Mesmo eu me mexendo tanto ele não mexia nem um unico musculo, era como se meus esforços de me soltar deles fossem inuteis e ate uma piada para eles. Eu queria gritar, precisava, mas eu não conseguia. Eu não encontrava força e nem voz, eu mau podia acreditar no que estava prestes a acontecer. Ali mesmo, no corredor da universidade que sempre foi meu sonho entrar.

    Fechei os olhos e virei o rosto quando um deles tentou me beijar, eu sabia o que estava por vir e estava a sentir nojo. Nojo deles, da situação, e até de mim mesma. De repente eu ouvi um barulho, e antes de abrir os olhos e ver um deles no chão, as mãos do que me seguravam já não estavam mais sobre mim.

    Abri meus olhos a tempo de ver o invasor do meu quarto a empurrar um deles contra o outro lado do corredor, enquanto o mais alto estava no chão a se recuperar de um soco que acabara de levar.

     O garoto o segurou pelo colarinho da blusa e esmurrou seu nariz, fazendo sair tanto sangue que duvidei vir apenas do nariz. Ao nocautear um, que soltou um grito agonizante de dor ao ter seu nariz acertado - E provavelmente quebrado, ele voltou ao que se levantava do chão e o arrastou pelo corredor, jogando-o novamente no chão e o chutando na barriga, de um modo que me fez encolher contra a parede.

    Ele ofegou ao terminar, passando as mãos pelo cabelo e os pondo para trás, com uma raiva nitida nos olhos. Sua expressão estava retorcida em uma amargura sombria e odiosa. Os dois rapazes se levantaram, saindo com certa dificuldade e apoiando-se um no outro para chegarem a saida do predio. Pingos de sangue estavam agora espalhados pelo chão do corredor, fazendo uma longa trilha até a saida.

   Em se virou para mim, me olhando como se me analisasse, e em seguida se abaixou, recolhendo minhas roupas do chão rapidamente e em seguida vindo ate mim. Ele me estendeu as roupas, comprimindo os lábios um no outro enquanto ainda tentava recompor sua respiração. Suas mãos tremiam mas não havia nele um único vestigio sequer de culpa ou arrependimento pelo que acabara de fazer.

- Você esta bem? -Perguntou em um um tom de voz baixo e rouco, soando preocupado ate certo ponto

- Sim.  -Vacilo na afirmação, gaguejando. Me senti uma tapada ao fazer isso

- Eles te machucaram?? Tocaram em você?

- Não, não fizeram nada e nem tiveram tempo pra isso, você chegou e... O que fazia aqui? -Pergunto ao interromper meu raciocinio

- O importante é que esta bem. Não acho que irão voltar aqui tão cedo e nem irão te encher novamente. -Desviou novamente o foco de si

  Apenas assinto, e antes que diga outra coisa, ou vá embora, noto que seu punho estava machicado. Talvez tenha machucado na hora que estava a esmurrar o garoto e não sentiu.

- Esta machucado. -Digo ao pegar em sua mão machucada, tentando examinar aquilo

- Não é nada demais. -Deu de ombros indiferente, tirando minha mão da sua de uma forma até rude. - Quer que eu lhe acompanhe ate o quarto?

- Não. -Solto meio zangada por sua atitude e incomodada com a ideia de o ter novamente no quarto e tão perto. Até porque tambem, duvido muito que Kate permitiria ou iria gostar disso.

   Ele franziu a testa, mantendo seus olhos fixos nos meus enquanto eu ainda me mantinha imovel encostada na parede do corredor, de repente me pegando olhando para seus lábios e os imaginando a me beijarem. Uma onda de calor percorreu todo meu corpo e tratei de logo afastar esse pensamento de mim.

  Ele usava uma camiseta preta lisa e com gola em V, deixando a mostra seus dois braços fechados em um embaralho de tatuagens. Eu não sei por onde elas começavam mas seus braços eram fortes e ele me parecia extremamente atraente sobre elas. Homens muito tatuados e fumantes nunca me atrairam muito mas também nunca aboli a ideia 100%.  Ele cheirava a cigarro e licor, com um perfume masculino que me lembrava muito sândalo.

- Vou nessa -Disse ao se endireitar, dando um passo para trás para que eu pudesse passar por ele e sair dali. Apertei minhas roupas mais contra meu corpo, suspirando com o quão mau educado e mau ele me parecia.

   Antes que ele fosse se virou uma ultima vez, deixando-me irritada demais para que eu pensasse em beija-lo novamente.
  
- A proxima vez que ver dois babacas no corredor, evita sair de toalha ruiva. -Comentou, dando-me as costas e saindo dali. Não tive forças nem mesmo para rebater aquilo.

   O que ele achava ou acha que aconteceu?? Adivinhei que eles estariam ali? Tive uma visão adiantada do futuro e mesmo assim resolvi sair seduzindo de toalha para chamar atencao deles e quase ser violentada no corredor da universidade?? Urghr ele só podia estar de brincadeira comigo. Aliás ja era a segunda vez que ele aparecia no meu caminho e eu nem mesma sei o que ele fazia aqui!



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