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História You are my Apricity -Catradora- - Capítulo 16


Escrita por: AmyBelle

Capítulo 16 - Lutos


Adora's


- Pronto, os dois já estão no sétimo sono e acredito que nem precisaremos acordar no meio da madrugada. - Vivian senta do meu lado no sofá. - Oque você tá vendo?

- Noticiário. Hoje teve algum protesto com relação aos garis. Eu não entendi direito porque acabei de entrar nesse canal. - Dou de ombros e desligo a televisão, me virando para a mulher do meu lado.

Era hora de finalmente por os pingos nos i's.

- Então.. - Ela começa sem querer olhar para mim. - Oque você quer?

- Vivian, vamos ser sinceras aqui, tudo bem? Sem fazer show e sem manipulações, fechado?

- Tá bom. Eu começo.

Concordo com a cabeça e me ajeito cruzando minhas pernas.

- Como eu já te falei, eu sempre te amei. Desde a primeira vez que eu te vi, eu simplesmente me apaixonei. Na época que eu te pedi em casamento e você depois quis terminar comigo, eu só ameacei a tirar o seu emprego e tudo mais, porque eu estava desesperada e com muito medo de te perder. - A mesma seca uma lágrima solitária e continua. - Agora eu sei que fiz errado. Não deveria ter praticamente te obrigado a se casar comigo. Isso só piorou nossa relação, que eu acho que na verdade nunca existiu mesmo...

- Olha, eu realmente não sei oque eu posso te falar. A verdade mesmo, é que eu nunca consegui gostar ou até mesmo amar você. - Reviro meus olhos, odiando ter de falar sobre isso com alguém. - Eu sei que parece muito besta e infantil da minha parte, mas eu nunca consegui superar uma pessoa, que até hoje continua tomando conta do meu coração. É, bem clichê e meloso, eu sei. Mas essa é a verdade. - Termino sentindo meu rosto queimar de vergonha.

Eu deveria ter dito isso para ela?

Ou foi demais?

Ela não precisava saber disso, né?

- Por que você já não me disse isso desde o início? - Vivian me olha confusa. - Tu já falou várias e várias coisas, mas nunca que você ainda guardava sentimentos por outra pessoa. Adora, sério. Por que tudo tem que ser tão complicado contigo?

- Desculpa! Eu não sabia como chegar para você e falar "o negócio é o seguinte, eu ainda amo a minha ex e não consigo largar minha cabeça de pensar nela. Não vai rolar.".

- Você acabou de dizer isso. - Ela cruza os braços.

- Tá, mesmo se eu tivesse dito isso no começo, você continuaria forçando a barra? Porque eu acredito que sim. - Faço uma cara de deboche e levo um tapa na canela. - AH! Agressão física!

- Não. Eu não forçaria. - A mesma diz com um tom sério. - Se tem algo que eu levo muito em conta, é o coração e o amor das pessoas com quem eu me relaciono. Se eu soubesse que você já amava alguém, eu partiria fora. Mas como eu pensei que você não amasse nem gostasse de alguém, eu pensei que talvez conseguiria fazer você se apaixonar por mim.

É, eu sou uma anta.

- Ok, entendido. Sou uma tonta por ter escondido isso de você. - Dou um tapa em mim mesma e logo me arrependendo por ter acertado minha aliança na testa. - AAAH!

- Tá e agora? Já sabemos que isso nunca vai dar certo. - Escuto a mulher falar enquanto eu massageava meu novo galo.

- Bom, agora que você finalmente entendeu e sentou para me ouvir, depois de dois anos casadas, podemos chegar na parte onde resolvemos tudo. Certo?

- Que é nos separar? Mas assim? Do nada?

- Não é do nada. Já está nisso desde o começo, só agora que conseguimos chegar nessa fase.

- Mas.. Eu não... Posso tirar um tempo para processar isso? Antes de chegarmos a dar início em qualquer divórcio? Se não eu acho que vou surtar.

Olho surpresa para Vivian, que olhava para um ponto fixo da mesa de centro enquanto mexia deus dedos freneticamente.

Não achava que seria tão fácil conversar sobre isso com ela.

Tipo, é um negócio sério, divórcio.

Não é um assunto que se espere que vá correr tudo calmo e na paz. Muito pelo contrário.

Eu pensava que ela iria surtar de novo e começar e jogar qualquer coisa em cima de mim para que eu ficasse.

Aparentemente eu estava enganada.

- Claro... Vai dormir agora? - Me levanto do sofá sem tirar meus olhos da mesma que não se mexia.

- Eu vou daqui a pouco. Pode ir para o quarto, eu acho que vou dormir no quarto de visitas. - Ela finalmente me encara.

Seu rosto não emitia nenhuma expressão. Simplesmente neutra.

Aquilo não era algo muito bom.

- Certeza? Você pode ficar no quarto, deixa que eu fico no quarto de hóspedes. O colchão de lá é muito duro.

- Não precisa. Tá tudo bem.

Balanço a cabeça e vou em direção às escadas, rumo ao quarto para dormir.

.

Catra's


- Ei, prima? - Kiara aparece na porta do quarto. - Eu e a vovó vinhemos ver se está tudo bem...

- Entra. - Digo abaixando a tela do meu notebook.

A menor abre a porta por completo e entra, logo fechando a porta atrás de si.

- E aí? Como estão as coisas por aqui? - Ela senta na minha cama.

- Silenciosas..

- Sim... Você e o Melog já voltaram a conversar?

- Não. Ele não quer nem ouvir meu nome. - Respondo encostando minha cabeça na mesa.

- Eu tenho certeza que isso vai passar. Estamos todos sofrendo com isso, ele só está magoado demais para entrar em contato agora.

Dou um leve riso ao ouvir minha priminha falando.

Kiara sempre foi muito inteligente e sempre soube dizer as coisas certas nos momentos corretos.

Porém, aquela frase só fez meu coração doer ainda mais.

- Pode ser..

- Catra, a vovó pediu para te perguntar se... Tem certeza que você não quer vir morar conosco? Tanto ela quanto eu estamos muito preocupadas contigo aqui sozinha.

- Não precisa, eu tô bem. Sério.

- Não precisa mentir para mim, eu sei que você não tá bem. Ninguém está, por que fica tentando se fazer de forte? Isso só piora as coisas.

- Kiara, eu não vou sair daqui. Ok?

- Mas e se você... - Ela hesita em continuar a frase.

Eu já sabendo do que se tratava, sinto minha raiva subir e levanto da cadeira com brutalidade, fazendo o objeto bater com força na madeira da mesa.

- E se eu oque? Hein? E se eu tentar me matar? É isso? É por isso que vocês estão aqui? - Grito com todo o ódio para cima da garota. - Estão com medo de eu me entupir de remédio até terminar enterrada do lado dos meus pais? Hã? Fala!

- Catra..- Eu não-

- Medo de eu me atirar da janela? Medo de eu me cortar até a morte?  - Continuo gritando enquanto caminhava para perto da minha prima. - É isso?

- Ei, Catra! - Minha vó aparece escancarando a porta, me olhando apavorada. - Oque é que está acontecendo aqui?!

Escuto um choro baixo vindo da minha direita e ao olhar, vejo Kiara me encarando assustada enquanto chorava com os ouvidos tampados.

Minha vó vai caminhando até a garota e a puxa de cima da minha cama.

- Querida, me espere lá embaixo, tá bem? Eu já desço.

A pequena acena que sim com a cabeça e sai do quarto, me deixando sozinha com a mais velha.

- Vó... Desculpa- Eu não queria falar isso. Eu só me-

- Chega. É sempre a mesma coisa. "Eu me descontrolei", "não quis dizer isso". Catra, se você quiser continuar vendo sua prima, aconselho que pare de ser covarde e entre em contato com o doutor Joseph.

Arregalo meus olhos ao ouvir aquilo.

- Como a senhora..-

- Oque? Pensou que eu fosse ingênua o suficiente para acreditar que você realmente estava indo para as consultas? Eu ando conversando com ele, você nunca se quer tentou entrar em contato.

Cruzo meus braços em frustração e volto a me sentar na cadeira.

- E continuo sem vontade alguma. Ele não vai me ajudar. Ele só vai falar aquelas baboseiras clichês que todos dizem. "Sinto muito pela sua perda.", "Vai ficar tudo bem.", "Eles estão em um lugar melhor agora.". E isso eu já venho escutado a dois meses.

- Da para ver que você não tem noção alguma do que é o trabalho dele. Mas eu também não vou ficar de forçando a nada. - A velha vai indo na direção da porta. - Faz oque achar melhor. Só nunca mais pense em chegar perto da Kiara para gritar absurdos no ouvido dela, entendeu? Lembre-se que ela também está em luto. Você não é a única.

Ela sai de lá.

E agora eu estava novamente sozinha.

De novo.



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