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História You Belong With Me - SuperCorp - Capítulo 9


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Notas do Autor


Hey supers, tudo bem?
Hoje não tem muito papo kkk mas queria agradecer aos 61 favs, vocês são uns amores e o capítulo de hoje é o meu presente pra vocês. Eu não vou sugerir as músicas hoje, pq usei inúmeras músicas na hora de escrever, já que o capítulo é bem denso devido aos acontecimentos que são abordados hoje, entre eles o preconceito sofrido por quem é "diferente".
Ah, um beijo pro pessoal que me perguntou do Slasher, deixa nos comentários o que vocês acharam.
Desculpem qualquer erro de português
Bjs

Capítulo 9 - Chapter Nine: Mudanças


Lena já havia passado pelo luto antes. Acabara de chegar do sepultamento do pai. Não era a primeira vez e também não seria a última. Não conseguia lembrar muito bem o que sentiu quando sua mãe morreu, era tão pequena que não entendia o que estava acontecendo. Mas agora era diferente, estava a par de toda a situação, seu pai havia morrido e era como se alguém tivesse arrancado uma parte sua e sentia como se um buraco fosse aberto em seu peito.

Respirou profundamente e se deixou cair sobre a cadeira de mogno, passou as mãos nos cabelos e fechou os olhos por alguns instantes. Lembrou de quando foi adotada, não sabia o motivo de terem adotado ela, mas conseguia ver nitidamente quando seu pai compareceu ao orfanato e lhe deu uma barra de chocolate. Lionel era praticamente um santo, um bom homem e um bom pai, foi o melhor pai que poderia ter e o considerava como seu pai biológico. Ouviu o barulho da porta de correr e seguido pelas passadas firmes de seu irmão, ela o conhecia tão bem, era o que pensava.

- Lembro de quando o papai trouxe você pra casa - sentou diante dela e furou o velho tabuleiro de xadrez há gerações na família - E você me venceu.

Encararam o velho tabuleiro de xadrez sobre a mesa e foi impossível para Lena não recordar as vezes que os irmãos Luthor jogaram partidas sob o olhar admirado do pai. Lionel era um bom homem na concepção de Lena, ele era um pai atencioso com ela e quase sempre a deixava acompanhá-lo em viagens de negócios. Foi assim que conheceu uma boa parte do mundo.

- Às vezes penso que você me deixou ganhar - riu baixo e fitou o irmão.

- Por que você não acredita no seu potencial? - Lex entrelaçou os dedos das mãos sobre a mesa e fitou a irmã caçula - Papai acreditava.

- Ele era o único que acreditava nisso - bufou.

Lex não era o melhor dos irmãos, mas amava Lena ao seu modo torto. Enxergava nela qualidades que ele nunca possuiria, a bondade, e por mais que Lex considerasse isso algo patético, uma pequena parte sua admirava isso em Lena.

- Eu acredito em você - foi sincero.

Lena levantou subitamente da cadeira ao ouvir a fala do irmão, não queria ser digna de pena, principalmente do irmão. Lex se aproximou dela e pousou a mão em seu ombro fitando seus olhos verdes, seria sincero com a jovem Luthor.

 - Somos irmãos, Lena, se deu conta disso? - respirou fundo

 – Lex...

 - Temos que ser fortes! Fortes pra que nada no mundo possa nos atingir, você entende isso? - a morena fez um gesto positivo com a cabeça. - Os irmãos se protegem, Lena.

Lena sentiu as lágrimas desceram por seu rosto e num gesto que Lex não esperava se agarrou ao irmão em um abraço que deixou o mais velho sem jeito no começo, mas retribuiu o abraço. Não podia deixar que Lena soubesse da verdade ou ela jamais o perdoaria, respirou fundo.

- Papai tinha planejado uma viagem à Europa pra você - Lex disse se afastando e entregando um lenço de bolso para a morena.

- Mas e a faculdade? - perguntou sem entender.

- Você fica por alguns meses lá, aproveita e conhece algumas instituições e quando voltar podemos enviar suas cartas de recomendação às faculdades que escolher - sorriu.

- Parece uma boa ideia - sorriu fraco - Eu vou pro meu quarto.

A morena deixou Lex sozinho na sala novamente, sentou diante do velho tabuleiro observação as peças sobre o mesmo, ouvia-se apenas o crepitar do fogo na lareira. Nada poderia atrapalhar seus planos agora e era só uma questão de tempo para conseguir o que queria. O mundo precisava de correção e de uma mão forte que guiasse a humanidade, se Lionel tivesse concordado com ele, não precisaria ter morrido. Mas seu pai era um velho fraco e ameaçou afastar o filho da presidência da Luthor Corp, foi quando Lex precisou tomar uma atitude drástica. Olhou para o rei sobre o tabuleiro e o derrubou com um pequeno gesto de mão.

– Xeque Mate – encarou a peça com desprezo.

 

[****]

Kara estava deitada no gramado ao lado de Alex, a manhã estava ensolarada com um céu límpido. Esse clima as lembrava muito de Midvale. Conversavam sobre seus respectivos “relacionamentos”. Alex estava namorando uma garota chamada Meg que ela conhecera na faculdade, a ruiva contava animada para Kara que parecia se divertir com a história da irmã mais velha.

 – E você? – perguntou rindo

 – Eu o quê?

 – Parece mais animada, feliz – riu ao ver a irmã corada. – Tudo isso é por conta da Lena?

 – É tão evidente assim? – perguntou rindo de nervoso.

– Olha... – tentou segurar o riso mas foi em vão. – Você fica toda boba quando ela aparece, precisa ver a sua cara de babona

 – Eu não fico com cara de babona – falou chateada. – Mas eu adoro cada momento que passamos juntas. Ela me faz sentir a menina mais especial do planeta.

Era a mais pura verdade. Lena conseguia em poucos gestos fazer com que Kara se sentisse única no mundo apenas com um simples olhar ou pequeno gesto de Lena, ou até mesmo um beijo. Quando Lena apareceu na vida de Kara, com seu cabelo preto e seu sorriso perfeito, foi chegando perto de mais e em três ou quatro dias tudo estava tão perfeito que a loira não conseguia lembrar de qualquer problema que pudesse ter. Só pensava em ver a morena novamente.

 – E como estão as coisas? Ela já te pediu em namoro?

– N-não – respondeu tímida – Você acha que ela namoraria comigo?

 – Tenho toda a certeza – sorriu – Vocês formam um casal bonitinho.

 – Você acha?

 Lembrou da conversa que havia tido mais cedo com Lena. Quase disse “eu te amo”, na verdade falou tão baixo que teve total certeza de que a morena não tinha ouvido. Estava apaixonada por Lena, era a verdade inegável. Lena demostrava sentir-se da mesma forma, sorriu ao lembrar do dia em que foram ao litoral, quando sentiu a mão de Lena contra a sua, cataram conchinhas na areia e por fim trocaram alguns beijos sob a sombra de uma árvore. Adorava sentir o sabor dos lábios da morena contra os seus.

 – Kara? – Alex a chamou despertando de seus devaneios.

– U-uh – sorriu tímida – desculpa, eu acabei me distraindo.

– Sei bem a distração – riu – Falando sério, você já falou com ela depois do velório do Luthor pai?

 – Sim, ela parecia bem triste – fitou o céu – Falou que ia ficar um pouco em casa e descansar, estava com um pouco de dor de cabeça, acho que por causa do machucado na cabeça.

 – Mamãe chamou ela para jantar conosco hoje – Alex disse – Mas ela apenas agradeceu e falou que queria ficar um pouco sozinha.

– Eu sei como ela se sente – respirou fundo – Você só quer se esconder bem fundo em um buraco, ficar sozinha... Você se sente perdido, com medo...

 – Eu espero nunca passar por isso – falou pensando em como não aguentaria se perdesse alguém que amasse.

 – Lena tem o jeito durão dela, mas no fundo é doce e gentil – falou rindo.

 

[****]

1 SEMANA DEPOIS

RESIDÊNCIA DOS DANVERS

Kara estava ansiosa pelo retorno letivo na próxima semana, assim poderia ver Winn, quase não se viram nas férias. Ele tinha ido até Metrópolis passar o natal com a avó e só tinham se falado por mensagens e ligações.

WhatsApp On

Kara: Falo com você depois.

Kara: Preciso encontrar com uma pessoa. Bjs

Winn: Namorado?

Winn: Ou namorada?

Kara: Namorada? ��

Winn: Tipo a garota do shopping

Kara: De onde você tirou isso?

Winn: Ela tava super a fim de você

Kara: Lena é minha amiga, Winn!

Winn: Mas ela tem a maior cara de lésbica kkk

Kara: E se ela for? Qual o problema?

Winn: Sei lá. Mas é estranho.

Winn: Você também é lésbica?

Kara: Claro que não!

Winn: Então o por quê de vc sair com ela?

WhatsApp Off

Kara não respondeu a última mensagem de Winn, estava chateada com a maneira que ele havia tratado Lena. Lena era a pessoa mais gentil que ela conhecia e merecia ser tratada com respeito. Se sentou no sofá da sala e ficou pensando no que Winn havia perguntado Você também é lésbica? Ficou pensando em como disse não, isso não era totalmente verdade. Estava ficando com Lena e até trocaram alguns beijos mais quentes, Kara gostava da maneira que seu corpo reagia aos toques de Lena, era uma sensação boa e gostosa

. – Lena, que surpresa boa – Jeremiah disse ao abrir a porta e se deparar com a morena.

 – Sr. Danvers, não sabia que estava em National City – riu

 – Estou tirando uma férias do laboratório – rii e deu passagem para Lena entrar – Entre por favor.

 – Obrigada! – olhou para Kara e sorriu.

– Eu lamento o que aconteceu com seu pai, mas fico feliz que você não tenha se ferido. – a jovem agradeceu as palavras de Jeremiah com um aceno de cabeça.

– Eu queria pedir sua permissão para levar a Kara pra passear. – disse cautelosa.

Aquele sorriso que fazia o cérebro de Kara derreter. Jeremiah e Eliza já tinham conversado sobre Lena e seus modos britânicos com relação à eles. Jeremiah foi quem mais apoiou Alex quando ela contou a família sobre sua sexualidade, e estava pronto para fazer o mesmo com Kara.

 – Com uma condição – assumiu um tom sério.

– Qual? – perguntou franzindo o cenho.

– Que pare de me chamar de Sr. Danvers – riu – Você é da família, Lena, pode me chamar de Jeremiah.

 – Certo... Jeremiah – balançou a cabeça.

– Ah, depois eu gostaria de conversar um assunto com você – falou pousando a mão no ombro de Lena – Não é nada grave

 - Claro.

Após se despedirem de Jeremiah e entrarem no carro, Kara se sentiu a vontade e depositou um beijo casto nos lábios de Lena que deu uma risada baixa. A morena inclinou a cabeça para o lado e fitou Kara, nunca cansaria de olhar para a loira.

 – O que foi? – perguntou mexendo nos óculos tímida.

– Só vou ganhar um beijo? – fez beicinho.

– Para! – riu – Não faz beicinho

Kara umedeceu os lábios e fitou os olhos verdes que ela mais adorava no mundo inteiro. A morena se aproximou roçando seus narizes, sorriu quando Lena tocou seus lábios com os dela, fechou os olhos aproveitando o contato das bocas que se encaixavam perfeitamente bem. Levou sua mão para o rosto de Lena e estremeceu quando a morena pediu passagem com a língua cedeu para o contato mais profundo. As mãos de Lena puxaram Kara para mais perto, suas línguas duelavam de maneira sensual, com a língua da mais jovem explorando a boca da mais velha quando o ar faltou, a morena se afastou deixando uma leve mordida no lábio inferior da loira.

– Onde você aprendeu a beijar desse jeito? – riu.

– Eu tenho praticado – falou convencida – E tenho uma ótima professora.

Riram e após afivelaram os cintos de segurança, Lena deu partida no Audi em direção ao parque onde podiam ficar mais a vontade, sentar na grama e conversar sobre os mais diversos assuntos.

Kara e Lena caminhavam de mãos dadas pelo parque enquanto conversavam sobre os projetos de Lena e a faculdade. Tudo estava tão perfeito que parecia um conto de fadas, mas tudo que é bom dura pouco. Kara percebeu alguma olhares preconceituosos de alguns garotos que cochichavam entre si, não devia, mas acabou sentindo vergonha de estar de mãos dadas com Lena. Acabou desvencilhando do toque de Lena contra a sua mão, a morena estranhou a atitude de Kara.

– Algum problema? – perguntou preocupada.

– Nada, é só a minha que está suada – mentiu para Lena.

Caminharam mais um pouco com Kara monossilábica, alheia ao que Lena falava. Era verdade, Kara não conseguiu esquecer o olhar daqueles garotos, a sensação de vergonha estava a corroendo por dentro. Por que olharam para ela daquele jeito? Era errado andar de mãos dadas com Lena em público? Talvez fosse.

 – Você quer um sorvete? – a morena ofereceu sabendo que Kara adorava qualquer coisa comestível.

– Não, não estou com fome – falou simples e seguiu andando em silêncio.

– O que você tem? – perguntou novamente – Foram aqueles garotos, né? Kara o mundo está cheio de pessoas preconceituosas, mas...

– Pra você é fácil falar! – falou chateada – Eu nunca passei por isso antes, Lena. – recuou antes que a morena pudesse tocar seu rosto – Não me toca em público, isso é errado. – disse brava.

– Kara, a gente não fez nada de errado – disse franzindo o cenho. – Eles estão errados com o pensamento medieval deles.

– Lena, não! – falou ríspida.

 

[****]

Lena caminhou ao lado de Kara sobre a areia branca e fofa, a loira parecia menos tensa do que no dia anterior no parque, estavam de mãos dadas e conversaram algumas coisas banais do dia a dia. A noite estava perfeita com um céu estrelado, assim poderiam observar as estrelas com mais tranquilidade. Seria uma noite perfeita, tocou a caixinha de veludo preta no bolso do short de alfaiataria, havia escolhido um anel de compromisso discreto. Era a primeira vez que pediria alguém em namoro, alguém que realmente gostava e queria que fosse algo inesquecível.

 – Eu gosto desse lugar – afastou uma mecha de cabelo do rosto – Ouvir o barulho das ondas...

 – É meu lugar preferido no mundo – sorriu

 – Sério? – perguntou incrédula – Você deve ter viajado o mundo todo.

 – Não todo – riu – Meu pai me levava à Europa, às vezes viajávamos no Expresso Oriente.

– Expresso Oriente? – sorriu tímida – Já ouvi falar, mas não lembro muito bem. – É um trem, baby – sorriu para a loira – Ele percorre Boulogne-sur-Mer – Calais – Veneza, via Paris, Innsbruck e Viena, e faz algumas vezes extensão a Istambul.

 – Ah, parece muito interessante. – falou animada.

– Meu pai me levou para uma viagem de trem no meu aniversário de dez anos – pareceu recordar alguma coisa.

 – Você era muito ligada ao seu, né? – Kara perguntou.

 – Meu pai me adotou quando eu ainda era criança, se não fosse por ele sabe Deus por onde eu estaria hoje – suspirou – Ele e o meu irmão sempre acreditaram em mim

 – Me acalma vir aqui.

Pararam um pouco e tiraram o mar beijando a areia, a morena levou as mãos para o rosto da jovem Danvers e afagou as bochechas coradas da loira com os polegares, Kara sabia o que viria a seguir, entreabriu os lábios e fechou os olhos se permitindo sentir os lábios macios contra os seus. Selaram os lábios em um beijo calmo porém intenso, Kara sentiu o coração acelerar ao sentir o toque delicado de Lena sobre sua pele.  Cedeu as carícias suaves em sua pele esquecendo os comentários de Winn ou os olhares crítico daquelas pessoas no parque.

– Como faz isso – perguntou ainda de olhos fechados.

– O que? – perguntou deixando um beijo delicado no pescoço da loira.

 – Me faz sentir desse jeito – fitou a morena que mantinha um brilho intenso em seus olhos – Desejada. Amada. Quando você me beija é como se o mundo desaparecesse junto com todos os problemas.

– Por que é como eu me sinto, Kara – falou sincera – Você é tudo o que eu preciso e o que eu quero de verdade.

Lena pediu a ajuda de Sam Árias e de Sara Lance para planejar a noite romântica, apesar das divergências nas ideias as duas conseguiram preparar uma boa surpresa. Sara sugeriu que Lena levasse a Danvers à praia, assim poderiam observar as estrelas e trocar alguns amassos na areia, mas Sam pensou que seria interessante a morena levar Kara para jantar e assim poderia pedir a garota em namoro. No fim das contas as três concordaram em um encontro na praia com um pequeno jantarzinho. Sam comprou tudo o que Lena havia pedido e Sara ainda deu seu toque particular naquilo.

– Você fez tudo isso sozinha? – perguntou surpresa ao ver a surpresa de Lena.

– Mais ou menos – coçou a nuca – Esse meu lado romântico é novo até mesmo pra mim – riu.

 – Eu adoro esse lado fofo – sentou sobre a canga de praia e Lena sentou ao seu lado.

Ambas deitaram lado a lado na areia observando algumas constelações. Kara queria ficar ali para sempre com Lena, ali podiam andar de mãos dadas sem que ninguém as reprovasse, ali Kara podia beijar Lena sem medo de ouvir algum comentário homofóbico. Suspirou. A loira virou de lado e fitou Lena que mantinha uma expressão relaxada no rosto, levou sua mão ao rosto da morena o virou delicadamente para ela e se aproximando capturou os lábios de Lena em um beijo tímido, quase um selinho.

– Você quer namorar comigo? – perguntou a morena tocando a mão de Kara.

A pergunta pegou a loira em cheio a deixando atordoada. Faltou o ar. Queria ter dito “sim”, mas o que diriam dela quando soubessem que ela namorava uma garota? Lembrou da pergunta de Winn. Você é gay? Não sabia a resposta para a pergunta, se disse que não estaria mentindo, havia ficado com Lena nas últimas semanas, adorava a sensação dos toques e olhares da morena e isso não a fazia 100% hétero. Entretanto sempre se sentiu atraída por outros garotos e isso significava que ela não era 100% gay. Estava confusa de mais para entender o que estava acontecendo consigo, mas não queria ser vista como a “estranha”. A “diferente”. Não estava pronta para namorar com a morena.

  – Não, Lena – disse puxando a mão.

Lena franziu o cenho ainda perplexa com a resposta da loira, foi como levar um soco no estômago. Kara sempre deu indícios de que gostava de Lena. A morena não esperava aquela reação de Kara, a loira parecia empolgada com a ideia de irem a praia e parecia ter adorado a surpresa que Lena preparou.

 – Kara... – tentou argumentar alguma coisa.

 – Me desculpa, eu não posso – falou com a voz trêmula. – Eu quero ir pra casa!

 

[****]

 

O trajeto de volta foi silencioso, Kara passou a maior parte do tempo vendo o céu estrelado pela janela do carro, Lena por sua vez queria entender o que havia feito de errado, buscou na memória mas não encontrou nada de errado. Respirou fundo e tentou se concentrar no caminho de volta. Não conseguiu evitar e olhou de soslaio para a jovem Danvers que parecia absorta em seus próprios pensamentos. Tudo o que Kara precisava era de um tempo pra processar tudo aquilo que estava acontecendo consigo e precisava tomar uma decisão séria com relação a Lena, sentiu uma lágrima cair por seu rosto.

- Chegamos – a morena disse ao parar diante da residência dos Danvers e retirando o cinto de segurança. – Você podia pelo menos me dizer o motivo, eu achei que gostava de mim!

– Eu gosto de você! – fitou Lena e bufou – Caramba, eu só... Eu não quero ser vista como uma aberração, como a esquisita sapatão.

 – Isso tem a ver com o que seu amigo perguntou? – riu sem humor. – Eu já passei por isso antes e não liguei.

– Tem tudo a ver com isso! Caramba, Lena, você não se importou mas eu sim – disse com raiva – Você viu a cara daquelas pessoas quando estávamos de mãos dadas?

 – Preconceito sempre vai existir, Kara, eu já te disse isso – suspirou – mas não é por causa disso que eu vou deixar de andar de mãos dadas com você. Ou beijar você em público...

 – Eu nem sei se eu sou gay, tá legal?! – falou mais alto – Nós nos beijamos algumas vezes, e daí? Não significa nada. – respirou fundo.

Lena sentiu o coração partir com as palavras de Kara, havia se enganado então. Fitou os olhos azuis de Kara e bufou, não parecia a mesma Kara alegre de antes, a loira parecia brava com Lena como se a culpasse por algo e no fundo Kara culpava a morena por toda a confusão dentro de si.

– Pra mim significou – falou apertando o volante.

– Você queria todas as vezes que nos beijamos. – a morena falou.

– Mas não sei se ainda quero – bufou – Acho que te beijei por curiosidade.

Kara soltou o cinto de segurança e abriu a porta do veículo mas antes de sair fitou Lena que tinha os olhos verdes marejados, não resistiu e selou seus lábios por uma última vez seu sabor favorito, a mesma sensação de medo e desejo. Lena a puxou para mais perto a medida que Kara levou suas mãos de encontro aos fios escuros do cabelo de Lena. Os lábios se encaixavam perfeitamente uns nos outros, naquele instante a pequena Danvers não pensou em nada, apenas se permitiu sentir os toques de Lena em sua pele. Aprofundaram o beijo enquanto Kara desceu as mãos para nuca da morena queria sentir o perfume que a deixava inebriada, a morena desceu os lábios pelo pescoço alvo da mais nova que fechou os olhos rendida aos beijos,  então se afastou da morena subitamente.

– Eu não quero mais ver você – disse com os olhos marejados.

– Kara..

Kara teve vontade de olhar para trás e precisou se segurar para não o fazer, se fizesse esse simples gesto voltaria correndo até Lena. Uma parte sua queria muito ter aceitado o pedido da morena, mas outra parte sua a dominava. O medo do preconceito, o modo como as pessoas passariam a vê-la. Ela não aguentaria passar por tudo aquilo, se sentia uma covarde. Respirou fundo. Enxugou as lágrimas e entrou em casa sob o olhar decepcionado de Lena.

 

[****]

 

1 MÊS DEPOIS

A morena terminou de arrumar a mala, não levaria muita coisa, compraria roupas por lá e aproveitaria para repaginar seu guarda roupa. Uma viagem à Europa parecia ser uma boa ideia, tentou se animar, não funcionou. Estava realmente gostando de Kara. Olhou para a foto das duas em seu celular e sentiu o coração acelerar, uma lágrima escorreu por seu rosto e logo a enxugou, moveu a foto para a lixeira do telefone e bloqueou a tela.

– Toc, toc – a loira surgiu na porta – Então você ia sair de fininho sem me avisar? – Sara um sorriso para a morena e fechou a porta atrás de si.

– Ouvi dizer que Paris é ótima essa época do ano – brincou – E você não deveria estar em Starling?

– Deveria – riu e sentou na poltrona e fitou Lena pensativa – Oliver me chamou para ir ao Queen’s Gambit e eu estou pensando em aceitar.

 – Oliver Queen é um galinha e também é namorado da sua irmã – a morena sentou na beira da cama.

– A Laurel não vai saber – umedeceu os lábios.

- Sara...

- Qual é, Lena? O que poderia dar errado? - perguntou rindo. – E além do mais é só uma viagem daqui algumas semanas. Vai demorar um pouquinho, mais eu queria te contar.

 – Você não toma jeito, não é? – jogou uma almofada na loira sardenta.

A loira encarou a morena e viu que ela parecia chateada. Fazia um mês desde que Kara “terminou” com Lena e a morena continuava cabisbaixa e chateada.

– E você e a Kara? Ela não voltou atrás? – perguntou abraçando a almofada.

– Eu vou respeitar a decisão dela – bufou – Ela disse que não significou nada. – falou cabisbaixa.

 – Você deveria tentar falar com ela. - Sara sugeriu e sorriu complacente.

- Melhor não - encarou a loira e baixou o olhar - Eu preciso de tempo também, pra digerir tudo o que tem acontecido - olhou para o porta retrato com uma foto sua e do pai. - Não só a situação com a Kara, mas também preciso pensar.

- Eu estarei aqui – sorriu.

 

RESIDÊNCIA DOS DANVERS

Kara abraçou o urso de pelúcia que Lena havia lhe dado no seu primeiro encontro, encarava uma fotografia sua e de Lena que estava em suas mãos, sentiu as lágrimas percorrerem o rosto e molharem a fotografia. Fazia um mês que não via Lena, mas coisas pioraram quando soube por Eliza que Lena faria uma viagem à Europa e embarcaria ainda hoje.

 – Kara? – Eliza chamou ao bater na porta do quarto.

 – Entra – falou limpando o rosto.

– Como você está? – perguntou envolvendo a filha caçula em um abraço.

– Por que amar alguém dói tanto? – perguntou baixinho.

 – Sabe querida, a dor faz parte da vida – afagou os cabelos de Kara – Ela nós ajuda a ser mais fortes, é preciso tirar uma lição positiva de tudo de ruim que aconteceu conosco.

– Eu queria ter a coragem da Alex, enfrentar as pessoas... – bufou – Mas eu tenho tanto medo do que vão pensar.

– Se preocupe em ser feliz, filha. – sorriu – Lena, realmente gosta de você. Talvez vocês precisem amadurecer um pouco, essa viagem é uma boa oportunidade de vocês pensarem em tudo o que aconteceu – umedeceu os lábios – Acho que é uma hora pra você pensar em como se sente com relação à Lena.

 – Ela ficou magoada comigo – murmurou.

– Dê tempo à ela – disse ponderada.

 

[****]

 

Vinícola Hunter Valley, 160km de Sydney

Sydney - AUSTRÁLIA

 Hunter Valley é uma ótima região para quem gosta de provar novos sabores, sentir novos aromas e, de quebra, ainda conhecer um pouco mais sobre os vinhos feitos do outro lado do mundo, principalmente a base de uvas como semillon, a mais famosa do vale, chardonnay, cuja primeira safra foi produzida em 1970, shiraz, cabernet sauvignon e verdelho. Lena não veio apenas pelos vinhos, mas também por Olívia, claro que precisaria de um bom motivo para dar a Lex, afinal disse ao irmão que iria à Europa e não a Oceania, era um pequeno detalhe que explicaria depois.

 A morena enfiou as mãos nos bolsos do casaco e caminhou pelo vinhedo Coterrill, enquanto Olivia explicava o processo de colheita e vinificação, a vinícola produzia o melhor Tinto da região, , sorriu com a maneira animada que a loira explicava todo o procedimento, o passeio terminou ao chegarem no galpão onde se guardavam as barricas de carvalho na qual fermentavam os vinhos. Lena umedeceu os lábios e os aproximou dos de Olivia suavemente, a loira por sua vez recebeu a carícia, levando suas mãos para a cintura da morena que aprofundou o beijo carregado de desejo.

 - Uau – a loira sorriu

– Desculpa, Olívia, eu não...

 – Não precisa se desculpar – uniu os lábios novamente em outro beijo ainda mais quente que anterior.

Após Lena cumprimentar os pais de Olívia, que fizeram questão que a morena ficasse hospedada em sua propriedade e jantassem com eles. A morena seguiu para o quarto de hóspedes, onde a governanta fez questão de preparar tudo ao gosto da jovem Luthor. Quando estava finalmente sozinha se livrou das roupas e foi tomar uma ducha para relaxar, ao fim do banho secou os cabelos e vestiu um pijama quentinho, apanhou um livro e passou a lê-lo sem muito interesse. Olhou para o celular sobre o criado mudo e teve muita vontade de enviar uma mensagem para a jovem Danvers, precisou de força de vontade para manter as mãos onde estavam antes. Entrelaçou os dedos das mãos e bufou. Não entendeu o motivo de ter beijado Olívia, talvez por ainda pensar em Kara. Se remexeu na cama e encarou o aparelho celular novamente, se mandasse uma mensagem e ela não respondesse? E se respondesse? Ainda gostava de Kara, mas e se ela não gostasse mais de Lena? Eram muitos “se’s” para uma simples mensagem.

– Que se foda! – levantou da cama e pegou o aparelho.

Antes que pudesse enviar qualquer mensagem para a loira, ouviu batidas na porta do seu quarto, provavelmente devia ser a governanta para ver se precisava de algo. Ao abrir a porta Lena se deparou com Olívia que possuía um olhar travesso. Lena deu passagem para que a loira entrasse em seu quarto e fechasse a porta atrás de si.

– Queria saber se precisa de alguma coisa? – perguntou mordendo o lábio inferior.

– Não, eu... – foi surpreendida por Olívia a beijando.

A morena correspondeu ao beijo levando suas mãos para a cintura da morena, Olívia pediu passagem com a língua tornando o beijo mais urgente e Lena cedeu deixando as mãos percorrerem em direção a bunda de Olívia e apertando o local fazendo a loira soltar um gemido baixinho, Lena levou as mãos em direção aos botões do sobretudo de Olívia que sorriu para a Luthor e ajudou a retirar o casaco ficando apenas com uma camisola de alcinhas que deixava exposta boa parte do colo, seus lábios desceram pelo pescoço deixando beijos e mordidas pelo caminho. Derrubou Olívia sobre sua cama e avançou contra ela de modo quase possessivo, baixou as alças do camisola de seda expondo os seios da loira que arfava sob os toques da morena, gemeu um pouco mais alto quando sentiu os lábios de Lena contra seu mamilo direito levou sua mão direita para a vasta cabeleireira da morena e com a esquerda fez questão de arranhar seu ombro esquerdo. Lena retirou a camiseta branca revelando os seios nus, voltou a beijar o pescoço de Olívia o marcando com alguns chupões.

 

[****]

 

- Você tá tão calada - falou subindo a ponta dos dedos pelas costas nua de Lena - Fiz alguma coisa de errado?

- Não - deslizou os dedos pelos rosto da loira. – Não fez nada de errado!

Lena sorriu para a loira que estava deitada de bruços na cama de Lena. Transar com Olívia não estava em seus planos quando resolveu visitar a vinícola, então não sabia lida muito bom com o pós-sexo.

- Você está com problemas, não é? - perguntou apoiando o rosto sobre as mãos.

Lena não queria falar de problemas, queria apenas aproveitar o momento ali. Cobriu o corpo da loira com o seu e depositou beijos na curvatura do pescoço de Olívia que fechou os olhos ao sentir os dedos da morena passeado por sua pele.

- Sério mesmo que você vai querer falar sobre isso? - sorriu e depositou um beijo na curva do pescoço da loira que arrepiou.

– A sua namorada pré escola sabe que você está aqui comigo? – perguntou debochada.

– Que namorada? – perguntou ainda beijando a loira

 – A pirralha da sorveteria – se afastou dos toques de Lena e riu – Ah, qual é? Eu vi ela te olhando embasbacada.

 – Eu não quero falar da Kara. – falou séria.

 – O que foi? Você se cansou dela? – perguntou rindo – Não aguentou a...

 – Mais respeito por ela – disse levantando da cama e vestindo o pijama.

 

5 MESES DEPOIS

National City, E.U.A

Luthor Corp

Sala do CEO

Lex estava encarando a cidade apinhada de gente. Há dois meses havia iniciado o projeto Superman. E até agora tudo parecia estar indo de acordo com o planejado, precisava trabalhar sozinho em sua criação, pois apenas ele conseguia entender a grandiosidade do seu plano, só ele seria capaz de fazer uma escolha que para muitos seria imoral. Sentou-se novamente em sua cadeira e observou o monitor do iMac e pode ver os gráficos e projeções do impacto do crescimento populacional mundial ao longo da história. Recentemente viu a OMS gastar bilhões de dólares ao enviar médicos para África com a missão de distribuir preservativos gratuitos e falar acerca da importância do uso de métodos contraceptivos, era uma grande besteira. A humanidade estava a beira de um colapso global, era matemática simples, a superpopulação era uma questão de saúde pública. Os recursos naturais estavam ficando escassos para uma população grandiosa.

Lex olhou para a anotação feito com uma caligrafia rebuscada em seu diário, com a seguinte citação de Nicolau Maquiavel: “Quando todas as províncias do mundo estiverem abarrotadas a ponto de seus habitantes não conseguirem subsistir onde estão e nem migrar para outra parte, o mundo iria se purificar”. Olhou para o projeto do aparelho de aspersão que Lena havia criado em seu laboratório, aquilo era perfeito e atenderia ao propósito de Lex.

 – Sr. Luthor, o senhor tem uma visita – avisou a secretária ao abrir a porta da sala.

Lex viu a irmã caçula com adentrar sua sala e sua expressão mudou, passou a ser mais leve e até sorriu. A morena parecia radiante, parecia mais animada, feliz. O homem careca levantou da mesa e foi até ela para abraçá-la. Não se viam há meses. Lex pediu que cancelassem rodas as suas reuniões  da manhã, assim poderiam conversar com maior tranquilidade, decidiu que almoçariam juntos e foi desse modo que Lena contou sobre a visita à Olívia, na Austrália, omitindo que haviam dormido juntas, obviamente. Falou da viagem no Venice Simplon-Orient-Express, saindo de Paris passando pelos interiores da França, Suíça, Áustria e Itália, cruzando montanhas de picos nevados e vilarejos com suas típicas casinhas de madeira, uma jornada que começa às dez da noite e só termina, sem nenhuma pressa, no final da tarde do dia seguinte. Entre Paris e Veneza, o trem faz uma única parada, na estação de Innsbruck, na Áustria. Lena adorava aquela viagem e nunca se cansaria de fazê-la.

 – É impressão minha ou você parece mais animada? – perguntou se recuperando na mesa.

 – Viajar sempre é bom, você conhece outras culturas e lugares – riu – Quero mandar logo as cartas para algumas faculdades que me interessaram.

 – Sim, sim, o chefe do departamento de P&D preparou uma excelente carta de recomendação, seus professores encaminharam algumas também.

– Isso é muito bom, mas eu estou com saudades do meu laboratório, também – riram

O celular de Lena tocou sobre a bancada de mármore e Lena o atendeu ao ver o nome de Sam no visor. Há amiga já havia ligado dezenas de vezes e enviado mensagens no WhatsApp, Lena atendeu preocupada.

Ligação On :

 

– Que droga de lugar você se enfiou? – falou brava.

 – O que aconteceu, Sam?

 – Foi a Sara! – Sam disse seria porém Lena captou o nervosismo na voz da amiga – O que aconteceu com ela?

– Ela estava no Gambit com o Oliver – suspirou pesado – Parece que o barco naufragou próximo da costa do mar da China.

Lena sentiu o corpo pesar e se deixou cair sentada sobre a cama. Precisou de alguns minutos para processar as informações que Sam acabada de falar. Respirou fundo, apertou tão forte os lençóis da cama que quase os rasgou.

 – Laurel me ligou, ela não conseguiu falar com você então...

 – Eu vou pegar o próximo vôo para Starling City – Lena disse deixando o jaleco sobre a bancada.

Ligação off


Notas Finais


Capítulo super tenso 😳
Lex e suas vilanias
Naufrágio do Queens Gambit
Lena e Kara separadas
Rapaz...
Ps: o próximo vai ser beeeem mais leve.
Bjs


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