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História You Calling My Name - Capítulo 16


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Notas do Autor


AAAAAaaaaaaaaaaaaaaA

Capítulo 16 - Vodka


Min Yoongi’s POV

Tudo aconteceu rápido demais. Quando percebo, Haewoon está correndo, e eu estou logo atrás dela. Sua respiração pesada e seus passos desesperados mostram como naquele momento ela é capaz de fazer de tudo para se afastar do homem que antes estava parado à sua frente. 

Ela corre um pouco mais, até estar longe o suficiente, e para, colocando as mãos nos joelhos, tentando respirar. Logo percebe que eu estou ao seu lado e vira, exausta. Seus olhos encontram os meus e eu vejo completo desespero neles.

- Preciso… Sair… Daqui… - Sua fala sai cortada devido ao cansaço. Eu penso em algo para atender ao seu pedido, e logo me lembro que a chave do carro ficou comigo. A tiro do bolso e a levanto, indicando que tenho a solução perfeita para seu problema. Ela parece imediatamente aliviada por isso, e começa a caminhar rapidamente em direção ao carro. Eu vou logo atrás. 

Não ouso falar com ela nesse momento, pois tenho medo de dizer algo desnecessário ou simplesmente clichê demais. Sinto que a melhor forma de ajudá-la é ficando calado, mostrando apoio apenas estando ao seu lado, respeitando seu espaço. Quando ela se sentir preparada, virá falar comigo.

Dou partida no carro e começo a dirigir pelas ruas da cidade, sem me importar muito para onde estou indo. Apenas sigo as placas espalhadas pela estrada, onde a primeira coisa que é possível ver assim que saímos da feira é uma escola que aparenta estar abandonada. Seus muros estão destruídos, e tudo que é possível ver é um campo de futebol aberto, com apenas metade das arquibancadas ainda de pé. É como se tivessem decidido demolir o local, mas pararam com as obras pela metade. 

- Pare aqui. - A voz de Haewoon sai grossa e firme, me despertando de meus pensamentos. Aquilo não é um pedido, mas sim uma ordem. Não acho que seja a melhor ideia do mundo, mas também não quero contestar, então apenas a obedeço. Procuro uma vaga do antigo estacionamento que não esteja coberta de metralha, e paro o carro lá. - Abra a mala. - Ela pula do carro antes mesmo que eu possa perceber. Faço uma cara confusa, me perguntando se ela realmente sabe o que está fazendo. Decido obedecê-la só mais essa vez, e se o próximo pedido for tão estranho quanto os dois últimos, não irei ouvi-la. 

Escuto o barulho da mala se fechando e a aguardo voltar para dentro do carro, mas isso não acontece. É quando olho para fora e a vejo longe, caminhando em direção ao campo de futebol da escola, com um saco preto na mão. O que diabos ela estava aprontando? Desço do carro, o trancando o mais rápido que consigo e caminho em sua direção, impaciente. 

Ela com certeza escuta meus passos próximos aos dela, mas não olha para trás. Continua caminhando em direção às arquibancadas, com sua sacola preta. Tento observar melhor o que ela carrega dentro daquilo. Parecia… uma garrafa?

Meus pensamentos se cortam quando ela pula a grade que leva até a arquibancada, e termina rasgando seu vestido no meio do processo. Ela olha para a parte rasgada, mas não parece se importar com aquilo. Apenas leva sua mão livre até lá e puxa o pedaço de pano pendente até que ele suma, rasgando ainda mais sua roupa. O seu vestido - que antes já era curto - agora parecia mais uma blusa, que não cobria o que era necessário. Ela deveria estar morrendo de frio, mas não parecia se importar com isso. Na verdade, no momento, ela parecia não se importar com nada. 

Pulo a grade e corro em sua direção, tentando a alcançar. Coloco as mãos nos seus ombros e a viro para mim, tentando obter algum tipo de explicação. Seus olhos mortos rapidamente encontram os meus, e eu me sinto péssimo. Nunca havia a visto assim. 

- Hae… - Tento ser delicado para não terminar a afastando de mim. - O que você está fazendo? 

Seu olhar arde de dor quando ela me encara novamente, mas nada sai de sua boca. Percebo que ela tenta falar, mas não consegue, pois não tem forças. A guio levemente até a arquibancada mais próxima, a fazendo sentar ao meu lado. Seu olhar agora é distante, e ela parece não estar muito ciente das coisas que estão acontecendo ao seu redor. 

Percebo que ela começa a tremer de frio, mas nem isso a faz despertar de seus pensamentos. É como se ela ainda estivesse em choque. Tiro meu casaco e a enrolo nele, tentando aquecê-la com as mãos. É quando escuto um pequeno som saindo de sua garganta. Mesmo que não consiga entendê-lo, imagino que ela esteja agradecendo. 

Seu olhar finalmente foca em algo: a sacola preta no chão. Ela se abaixa até ela, tirando algo de lá. É difícil ver por causa da escuridão do local, mas quando meus olhos focam, percebo que é uma garrafa de vodka. A garrafa de vodka que eu trouxe de presente para os pais do Namjoon, mas que esqueci de tirar do carro. Droga. O arrependimento de ter contado a ela sobre isso mais cedo bate no mesmo instante. Não deveria ter falado nada. Ou simplesmente deveria ter lembrado de tirar a sacola do carro. 

- Você vai beber? - É a primeira coisa que eu penso em falar. Não posso simplesmente chegar tirando a garrafa de sua mão. Bom, tecnicamente, eu quem comprei, então escolho o que fazer com ela. Mas, ainda assim… 

- Você tem alguma ideia melhor? - Sua voz carregada de ironia é a primeira frase normal que eu obtenho dela desde o ocorrido, então tento não me importar muito com o seu tom. Apenas relaxo em vê-la melhor, nem que seja só um pouco. 

- Tenho. - Ela levanta a sobrancelha enquanto leva a garrafa até a boca, mas não se incomoda em olhar para mim. Dá um gole longo em sua bebida, e eu respiro fundo. - Conversar sobre o que aconteceu seria uma ideia bem melhor do que se afundar em bebida. 

- E o que você tem a ver com isso? 

- Que eu me importo com você, Haewoon. - Tento ignorar toda a sua grosseria e apenas manter a calma. Eu repetia quase como um mantra: “calma, Yoongi, ela só está passando por um momento difícil.” - Não acho que seja o certo a se fazer. 

- Que música é essa? - Ela ignora tudo o que eu falo e se levanta, procurando de onde a música está vindo. O som de algum rap americano invade meus ouvidos, tão próximo que me deixa levemente incomodado. Tinha mais alguém ali além da gente? Era quase improvável que isso fosse verdade. Não tenho tempo de criar hipóteses, pois quando vejo, Haewoon já têm dado meia volta e está caminhando em direção ao barulho, com sua garrafa de vodka nas mãos. Reviro os olhos e a sigo, correndo em sua direção. 

Quando nos aproximamos do barulho, mesmo ainda de longe, consigo ver muitos jovens ali no local. Eles estão reunidos na área da piscina vazia da antiga escola - onde fizeram uma pista de skate -, e tem tanta coisa acontecendo que é difícil focar. Um cheiro estranho invade minhas narinas, e pelas nuvens de fumaça que têm por ali, percebo logo que é maconha, a qual quase todas as pessoas presentes ali fazem uso. Coloco minha máscara preta - para tentar não ser reconhecido - e adentro o local, seguindo Haewoon. A música logo cessa, e todos param o que estão fazendo para observar nós dois. 

- Olá. - Ela tenta sorrir, mas não obtém muito sucesso. - Eu estava aqui por perto e ouvi um barulho de música, então fiquei curiosa e vim observar. Queria saber se eu e meu… - Seu olhar encontra o meu, espontaneamente, pela primeira vez na noite. Pelo menos uma coisa continua a mesma: ela continua sem saber o que nós somos. - …amigo… podemos ficar com vocês. - Ela morde o lábio, esperançosa. Quando percebe que não obteve nenhuma resposta, levanta a garrafa em sua mão. - Nós temos vodka! 

É quando todos dão um grito, felizes, e a música volta. Provavelmente nos aceitaram na festa. Ela começa a se movimentar pelo local, conhecendo as pessoas, mas eu decido apenas sentar e observá-la. Estava cansado demais para fazer algo diferente disso. Havia sido uma noite e tanto e eu não sabia como lidar com aquela Haewoon que estava parada na minha frente. Em todos os anos de amizade, nunca havia a visto assim. 

Meu celular tocando me desvia de meus pensamentos, e eu me vejo aliviado quando vejo o nome de Namjoon na tela. Talvez ele pudesse me ajudar a lidar melhor com Haewoon. 

- Alô?

- A Haewoon tá bem? - Sua voz sai preocupada. 

Faço uma careta. 

- Você sabe o que aconteceu? 

- Ela fugiu por causa do pai dela, né? Aquele filho da puta. O vi falando com meus pais. 

- Você sabia que ele ia? - Minha voz se eleva um pouco, devido a minha indignação. 

- Claro que não! - Ele parece ofendido com a minha pergunta. - Onde vocês estão? 

- Em uma festa, sei lá… - Olho o ambiente ao meu redor. Não sei se devo dar informações demais, porque não sei se ela gostaria de ser encontrada por mais alguém. Mas, devido ao seu atual estado, não acho que ela tenha muito querer. - Ela tá bem bêbada. E muito grossa. 

- Ela geralmente fica assim quando tem que lidar com assuntos que envolvem o pai dela. Não leve pro pessoal. 

- Estou tentando. - Respiro fundo. - Vou ver se daqui a pouco consigo levá-la para casa. 

- Acho difícil ela querer. Ela provavelmente acha que isso foi coisa dos meus pais, mas eles ficaram tão surpresos quanto ela provavelmente ficou. Se ela não quiser voltar pra casa, tente procurar um hotel pra vocês, ok? Mas por favor, Yoongi, tome cuidado. Ela faz muita besteira quando está assim. 

- Vou tentar evitar que essas besteiras aconteçam. - Dou uma pequena risada sem humor. - Mas, ei, como você sabia que ela estava comigo? 

Escuto meu amigo bufar do outro lado da linha. 

- Eu sei sobre vocês dois. 

Quase me engasgo com minha própria saliva. 

- Você o que?

- Vocês são péssimos escondendo isso. Todos os outros já sabem também. Até minha irmã sacou, cara. 

- Todo mundo já sabe? - Repito, surpreso. 

Namjoon ri. 

- Como eu disse: vocês são péssimos. Mas vocês pareciam tão dispostos a esconder isso que nós apenas entramos na onda. Somos ótimos atores, pelo visto. Mas eu achei que vocês já estavam sacando, na verdade. Faz alguns dias que o Jimin fica rindo toda vez que vocês aparecem juntos em algum lugar. Não sei como não perceberam. 

- Me sinto um idiota… 

- É porque você é! - Ele quase grita. -  Não sei pra que esconder isso da gente, hyung. Como se nós não contássemos tudo um pro outro…

- É que… - Tento explicar, mas a verdade é que nem sei por onde começar. Respiro fundo e mexo nos cabelos, tentando encontrar palavras. É quando percebo, lá longe, que Haewoon está cercada de alguns garotos aparentemente mal intencionados. Eles fazem um círculo ao redor dela, e ela parece incomodada, mesmo bêbada do jeito que está. - Tenho que ir. - É tudo que eu falo ao Namjoon antes de desligar e sair correndo em direção a garota em perigo. 

- Oi, amor, voltei. - Me enfio por entre os garotos que estão parados ali e seguro sua cintura firmemente, a trazendo para perto de mim. Coloco minha boca próxima do seu ouvido e dou um pequeno beijo no local. Ela parece se encolher em meus braços. - Desculpe a demora. 

- Nós não sabíamos que ela estava acompanhada. - O rapaz mais alto se vira para mim, meio desconfiado. - Desculpe. 

Sorrio um pouco cínico para ele. 

- Não acho que seja a mim que vocês devem desculpas. 

- O que você quer dizer com isso? - Um baixinho parado ao seu lado explode. 

- Só estou dizendo que vocês estavam incomodando ela... não eu. Bom, pelo menos, não diretamente. 

- Você espera que eu peça desculpas a ela? - O rapaz do início volta a falar. - Eu não fiz nada demais. 

- Não é o que pareceu. - Sussurro. 

- O que disse? - O baixinho explode novamente, vindo em minha direção. Haewoon se coloca na minha frente, o encarando. 

- Ele disse que vocês me devem desculpas por me desrespeitarem. E eu estou esperando. - Sua voz sai irritada. 

- Você tá louca, por acaso? - O terceiro dos garotos fala pela primeira vez. - Saia da minha frente antes que eu perca minha paciência. 

- Ou o que? - Haewoon pergunta, irritada. - Vai me bater? 

- Quer descobrir? - Ele sorri malicioso. 

É quando eu sinto meu corpo todinho arder. Puxo Haewoon para trás de mim novamente, antes que seja tarde demais, e caminho em direção ao garoto. 

- Tá maluco? - Dou um empurrão no seu peito. - Vai bater numa mulher na frente de todo mundo, seu filho da puta?

- Tá louco de encostar em mim, seu viadinho? - Ele retruca. Ele está prestes a partir pra cima de mim, quando alguém o impede, segurando seus braços. Sinto Haewoon respirar fortemente atrás de mim e apertar minha mão, nervosa. A aperto de volta, na mesma intensidade, mostrando que tudo vai ficar bem. 

- Já deu, Jay! - A garota que segura o menino parado na minha frente diz. Ela é maior e mais forte que todos ali, então poderia facilmente acabar com qualquer um de nós. - É a porra do meu aniversário e eu não vou tolerar esse tipo de coisa. Nada de brigas. Você prometeu. 

O tal do Jay respira fundo e se solta dos braços de sua amiga, ainda me encarando. Ela então se vira para mim e Hae. Seu olhar encontra nossas mãos dadas. 

- Olha só… vocês são muito fofos e tudo mais, mas eu queria pedir encarecidamente que saíssem da minha festa de aniversário. Eu não sei quem vocês são e, honestamente, não os quero aqui. - Ela sorri. - Mas tudo de bom, ok? Foi um prazer. 

Respiro fundo. 

- Desculpe pelo incomodo. - Puxo a mão de Hae, a levando para longe. - E, ah… feliz aniversário. Adeus. 

Começo a caminhar rápido para sair logo dali. Não posso me envolver em brigas. Se alguém descobre quem eu sou, eu estou completamente ferrado. Mesmo.

Assim que estamos próximos das arquibancadas que estávamos antes, posso ouvir uma voz de choro atrás de mim. Viro, nervoso, dando de cara com o que menos queria: Haewoon chorando. Respiro fundo e sento na arquibancada, a trazendo para perto de mim. A sento no meu colo e a abraço, envolvendo minhas mãos na sua cintura. Ela logo esconde a cabeça no meu pescoço e começa a chorar mais ainda. 

- Desculpa. - Sua voz sai completamente falha devido ao choro. - Obrigada… - Ela para de fazer esforços para falar e volta a chorar. Depois tenta falar novamente. - Desculpa… De novo… De verdade… E obrigada… 

Rio levemente, devido a toda a sua atrapalhação. 

- Poupe seu fôlego, Hae. Não precisa agradecer. E é óbvio que eu te desculpo. Você só estava mal. 

Ela levanta a cabeça lentamente e me encara, curiosa. 

- Você não tá com raiva? - Seus olhos encharcados encaram os meus. Eu dou um sorriso de canto e balanço a cabeça. - Mesmo? 

- Mesmo. - Levo meu nariz até o seu, os roçando de leve, enquanto sorrio. 

- Eu fui uma completa idiota com você… 

- Eu sei. 

Nós dois começamos a rir. 

- E mesmo assim você não está com raiva? 

- Acho que estou acostumado com coisas piores. 

- Pior do que isso? - Ela parece chocada. - Eu me senti uma adolescente que acabou de entrar na puberdade. 

- Foi um surto e tanto. 

- Sim… 

- Quer conversar sobre?

- Agora não. - Ela faz uma carinha triste. - Sinto que preciso descansar um pouco, primeiro. Posso passar a noite no seu carro, hoje? Não quero voltar para a casa dos pais do Namjoon. 

- Imaginei que você fosse dizer isso. - Tento deixar a parte de que imaginei isso por causa do Namjoon de fora. Estava louco para contar para ela que todos os nossos amigos sabiam de nós dois, mas aquele não era o momento para isso. - Vamos para um hotel. A gente passa a noite lá e assim que você quiser nós voltamos para Seoul. Tudo bem? - Sorrio, tentando animá-la. 

- Tudo bem. - Ela sorri de volta. 

Dou um selinho em seus lábios e a vejo fechando os olhos para aproveitar a sensação. Ela parecia tão vulnerável… Eu só queria poder fazer algo para ajudá-la.

A levanto do meu colo e seguro sua mão enquanto caminhamos em direção ao carro. Ela ainda chorava. Minha vontade era de abraçá-la e dizer que tudo iria ficar bem, mas eu sentia que ela estava precisando de um pouco de espaço no momento. Então apenas segurei sua mão pelo resto do caminho, enquanto ouvia seu choro baixinho, até chegarmos no hotel. 

Pergunto se ela quer um quarto só para ela, devido ao seu humor no dia de hoje, mas, incrivelmente, ela diz que não quer ficar sozinha. Então reservo um quarto só para nós dois. Assim que entramos nele, eu decido tomar um banho, e Haewoon vai logo depois. Ela diz que precisa pensar um pouco na vida, e aproveitar e ficar sóbria. Por sorte, a garrafa de vodka não foi a única coisa que eu havia esquecido de tirar do carro: minha mala havia ficado lá também. Então nós não teríamos que nos preocupar com roupas limpas. Pelo menos com isso não.

O cheiro doce do shampoo denuncia a presença de Haewoon no quarto novamente. Seus cabelos molhados caem por cima da minha camiseta cinza - que é o dobro do seu tamanho. Ela sorri enquanto caminha em minha direção, e eu me vejo fixo naquela cena. Acho que nunca a vi tão linda desse jeito. 

Sorrio feito um bobo apaixonado enquanto olho para ela. E talvez eu realmente seja. Talvez isso seja exatamente o que eu sou: um completo bobo apaixonado por Lee Haewoon. 

- O que foi? - Ela começa a sorrir quando me vê sorrindo. Se aproxima de mim com um olhar divertido. 

- Nada. - Abro um sorriso maior ainda, se é que isso é possível. - Só tava pensando em como você está linda nessa roupa. 

- Essa coisa velha aqui? - Ela brinca, apontando para minha camisa. - Peguei a primeira coisa que achei. 

Rio de sua atuação perfeita, estendendo a mão quando ela se aproxima de mim, a sentando no meu colo. Ela deixa a brincadeira de lado e assume uma postura mais séria, e é quando percebo que ela está pronta para conversar sobre o que houve. 

- Yoongi, sobre hoje… - Ela começa, respirando fundo, tentando tomar coragem. - Me desculpe. De verdade. Eu sei que eu não tinha nenhum direito de ter sido grossa com você desse jeito, e você não tinha obrigação nenhuma de me ajudar… e mesmo assim, aqui está você. - Ela ri fraco. - Me dói muito perceber que eu fui tão grossa com a única pessoa que está do meu lado desde o início… Fui muito injusta com você. E a verdade é que eu nem sei por que fiz isso. Eu apenas surtei. Acho que entrei em choque e terminei descontando em você, a pessoa que menos merecia isso. Me desculpe, de verdade. Do fundo do meu coração. 

Levo minha mão até às lágrimas que insistem em cair em seu rosto, as enxugando. Tento abrir a boca para responder algo, mas ela me impede. 

- Eu sei que você vai falar que tá tudo bem. Eu sei que é exatamente isso que você vai falar, porque você é bom demais pra ficar com raiva de mim. Ou talvez apenas muito idiota. Acho que jamais saberemos. - Dessa vez ela começa a rir de verdade, e eu a acompanho. - Mas, de qualquer forma, eu sei que não está nada bem, porque tenho noção de que passei dos limites. Isso sempre acontece quando o assunto é meu pai… 

- Eu ia comentar sobre isso com você, na verdade... - A interrompo. - Queria perguntar se você já percebeu que toda vez que você fica muito mal com algo do seu pai, você tende a exagerar na bebida. 

Ela faz uma careta, provavelmente pensando sobre. 

- Aquela história do casaco que você me contou, por exemplo… Você disse que no dia havia saído pra beber com a gente e ficou muito bêbada. 

- Eu sempre tive noção de que exagerava na bebida quando estava mal, mas nunca havia percebido que fazia isso apenas com coisas relacionadas ao meu pai. 

- Acho que ainda é um assunto delicado pra você, e você prefere fugir dele do que lidar com as consequências. 

- Provavelmente. - Ela faz um biquinho. - Mas não sei se quero lidar com esse problema, sendo sincera. Pra isso eu teria que falar com meu pai, e isso eu não quero jamais. Você nem imagina o ódio que eu senti da cara dele o vendo ali parado na minha frente. - Seus olhos se perdem em suas lembranças, e quando ela finalmente volta a prestar atenção em mim, seu rosto está carregado de tristeza. - Eu nem consigo acreditar que os pais do Namjoon fizeram algo assim comigo. De verdade. 

- Que bom que você não acredita, porque não foram eles. - Ela faz uma careta, confusa, provavelmente se perguntando como eu sei disso. - Namjoon me ligou. Disse que seus pais ficaram tão chocados quanto você provavelmente ficou. 

- Você disse que estava comigo? - O foco de sua atenção muda, e é quando eu percebo que essa é a oportunidade perfeita de falar sobre esse tópico. 

- Então, sobre isso… É outra coisa que eu queria conversar com você. - Ela levanta a sobrancelha, desconfiada, e eu termino deixando uma risada nervosa escapar. - O Namjoon meio que sabe de tudo. 

- Tudo… o que? - Ela sabe exatamente a resposta para sua pergunta, mas mesmo assim ainda a fez. Talvez seja o choque. 

- Tudo, no caso, nós dois. Ele sabe. E os outros também. 

Ela começa a rir, nervosa.

- Você tá brincando. 

- Juro que não. - Sorrio. - Gostaria, pois me senti um completo idiota escondendo algo que todos já sabiam; mas não estou. 

- Eu não acredito nisso! – Ela volta a rir de nervoso e esconde o rosto no meu peito, envergonhada. Dou um pequeno sorriso devido a sua atitude. Ela logo levanta o rosto, procurando meu olhar. - E eles não disseram nada? Por quê? 

- O Namjoon disse que parecia que nós estávamos tentando tanto esconder isso, que eles apenas decidiram fingir. De acordo com ele, Jimin não estava mais conseguindo esconder, e tinha uma leve crise de risos quando nós dois estávamos juntos. 

Ela arregala os olhos de leve.

- Eu não percebi nada! 

- Nem eu. - Começo a rir. - Mas, honestamente, eu não acho que a gente seja péssimo em esconder isso. Talvez eles só sejam perceptivos demais.

- E nos conheçam muito bem.

- Exato. 

- É, você tem razão. Foi culpa deles, não nossa. Fizemos um trabalho muito bom em esconder nossa relação. 

- Pra comemorar isso… - Tento, desajeitadamente, emendar um assunto no outro, mesmo que eles não tenham nada a ver. Só queria uma oportunidade de fazer algo que estava planejado. Haewoon não parece ligar para minha tentativa falha. - Eu vou te dar algo que eu trouxe pra você… Eu pensei em te dar isso quando nós saíssemos amanhã, no encontro que eu havia planejado, onde nós iríamos nos sentar em frente ao rio e ter um piquenique… 

- Ah, não… - Pude ver seus olhos lacrimejarem imediatamente. Comecei a rir. - Eu estraguei tudo, não foi? Me desculpa. Que coisa mais linda, Yoongi. - Ela tenta controlar o choro, sem muito sucesso. Vem em minha direção e me dá um selinho. - Se quiser nós podemos voltar pra casa do Namjoon agora mesmo. Sério. 

- Meu Deus, você é muito chorona. - Dou uma gargalhada. - E, por favor, pare de pedir desculpas. Não tem pra que. Honestamente, sinto que fiquei muito mais próximo de você te vendo ser grossa comigo do que possivelmente poderia ficar se nós apenas sentássemos de frente para o rio e comêssemos alguma comida horrível que eu tentasse fazer. 

- Suas comidas são ótimas. - Ela sussurra, na defensiva. 

- Eu sei. Só quis fazer drama. 

Ela gargalha. 

- Enfim… - Tiro do meu bolso uma pulseira que eu havia guardado ali mais cedo. - É algo bem simples, e eu não tive tempo de embrulhar… Mas vem do fundo do meu coração. De verdade. - A coloco devagar em seu braço delicado. Ela parece fascinada com o que vê. - Quero que lembre sempre de mim quando olhar pra ela. 

- Não preciso de uma pulseira pra lembrar sempre de você. - Sua voz sai um pouco embargada devido as lágrimas que escorrem em sua face. Nunca, em toda minha vida, vi alguém tão chorona assim. Sorrio, e ela se joga em meus braços, me abraçando forte. - É a pulseira mais linda que eu já vi. Obrigada. De verdade. 

- Não precisa agradecer. - A sensação de insegurança em relação ao presente logo passa quando eu a vejo feliz dessa forma. Seus olhos e seus lábios parecem estar em sincronia, pois consigo ver os dois sorrindo para mim. Então eu sorrio, também, levando meus lábios de encontro aos seus.

O presente parece despertar algo nela, pois ela decide aprofundar o beijo, pedindo passagem com a língua. Ela se mexe em meu colo, procurando uma posição mais confortável - confortável até demais, eu diria. Sinto todo o meu corpo esquentar quando minhas mãos começam a passear pelo seu corpo macio, decidindo parar levemente em suas nádegas descobertas devido a camisa curta demais. É preciso me afastar rapidamente de seus lábios para tentar me lembrar de como se respira corretamente, e percebo que ela luta contra o mesmo problema. Observo seu corpo por cima do meu e mordo o lábio, tomado de desejo. Nossos olhares se encontram, e eu vejo que ela está do mesmo jeito. Ela está tão linda hoje que seria difícil ter algum tipo de autocontrole. 

Tudo o que eu mais quero é tomá-la em meus braços de uma vez por todas, explorando cada parte de seu corpo, focando nos mínimos detalhes. Sei que é isso que ela espera de mim, também. Mas não acho que seja o momento propício para isso. Hoje havia sido um dia repleto de decisões impulsivas vindas de sua parte, e eu não gostaria que essa pudesse vir a se tornar mais uma, futuramente. A última coisa que eu queria é que ela olhasse para nossa primeira vez dessa forma. 

É quando, muito relutante, me afasto dela. Seu semblante confuso torna tudo muito mais difícil. 

- Você ainda está um pouco bêbada, Hae… - Tento explicar. - Não quero que você se arrependa disso depois. 

- Não acho que isso seja possível. - Ela sorri fraco. - Mas, por um lado, você tem razão... Eu prefiro que nossa primeira vez não seja no mesmo dia que eu surtei terrivelmente por causa do meu pai. 

Começo a rir. 

- Né?! - Concordo com ela, que também cai na gargalhada. Ela logo se afasta de minha boca, inclinando o tronco levemente para trás, tentando me observar melhor. Seus olhos cor de mel me observam com bastante carinho, e eu me sinto envergonhado com toda a atenção. Ela parece perceber, pois apenas sorri e joga os braços ao meu redor, me abraçando forte. 

- Você é uma pessoa incrível, Yoongi. - É possível perceber pela sua voz falha que ela já está com vontade de chorar novamente. Nunca a havia visto tão vulnerável dessa forma. - Eu sei que eu já disse isso antes, mas obrigada. Por tudo. Você nem faz ideia do quão importante é pra mim. Sinto que eu surtaria nessa cidade louca sem você ao meu lado. - Ela dá uma pequena risada. - Tem sempre tanta coisa acontecendo por aqui... É uma loucura. 

- Bom, você escolheu a pessoa certa para isso, então. - Brinco. - Minha vida não é nenhum pouco louca, já que não tem nada acontecendo nela. Realmente acho que sou a pessoa perfeita para te ajudar com isso. 

Ela afasta a cabeça dos meus ombros para revirar os olhos de uma forma teatral. 

- Você sabe o que eu quis dizer. Que, apesar de estar envolvido em toda essa loucura, você ainda é o que consegue me deixar um pouco sã. Sinto que perdi minha melhor amiga para as noites baladas de Seoul e sua amizade com a vizinha descolada. Não consigo acompanhar nada disso. - Ela bufa, frustrada.

- E você acha que está preparada pra entrar na loucura da minha vida? - Meu tom de repente fica sério, mas ainda assim, calmo. 

Ela dá um pequeno sorriso, e eu me pergunto onde ela viu graça em minha pergunta. 

- Tenho alguns anos de prática no currículo. 

- O suficiente pra se envolver diretamente comigo? 

Ela olha para longe, refletindo.

- Provavelmente não. Mas não ligo. - Dá de ombros. - Estou disposta a tentar o que for preciso. 

- Você sabe que eu infelizmente não posso te dar uma relação normal, onde a gente pode sair para encontros ao ar livre e se beijar em qualquer lugar...

- Eu não ligo pra isso. - Ela diz antes mesmo de me deixar terminar de falar. - Podemos esconder isso o quanto for necessário. Eu não ligo, de verdade. A única coisa que me importa é ter você perto de mim. 

Ela fica imediatamente vermelha quando fala isso, e eu sorrio, achando a situação adorável. Me inclino levemente em direção ao seu rosto, dando um beijo demorado em sua testa. Ela fecha os olhos e suspira, bocejando logo em seguida. 

- Você deve estar exausta, Hae. Vamos dormir. - A ajudo a sair de cima de mim, fazendo com que ela deite ao meu lado na cama. Ela envolve minha cintura fortemente e esconde a cabeça em meu peito, respirando fundo. Levo minha mão até seus cabelos macios e os afasto para o lado, deixando sua nuca livre. Levo minha boca até o local e dou um beijo molhado e demorado ali, sentindo seu corpo todinho se arrepiar. Traço um caminho de beijos até sua boca, onde dou um último selinho mais demorado, antes de me afastar. 

- Boa noite, Yoongi. 

- Boa noite, meu bem. 



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