História You Can Call Me Monster - Capítulo 43


Escrita por:

Postado
Categorias Girls' Generation
Tags Taeny
Visualizações 519
Palavras 4.710
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Ficção, Luta, Mistério, Misticismo, Orange, Romance e Novela, Shoujo-Ai, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


OLÁÁÁÁÁ

E ai, como ceis tão? kkkkkkkkkkkkkkkk <3
Acabei demorando um pouco, mas como prometido, não abandonei a fic~

Aqui estou com mais um capítulo, aliás, capítulo este que vai trazer algumas mudanças para o que vocês estão acostumados kkkkkkkkkkkkkk Embora haja poucas explicações, mas eu espero que gostem~

Leiam com carinho e perdoem qualquer erro~
Façam boa leitura e até lá embaixo <3

Capítulo 43 - Capítulo Quarenta e Três


 

 

Capítulo 43

 

Tiffany

 

Avancei alguns passos e Ares fez o mesmo, me atacando rapidamente. Ele não tinha a intenção de me matar, pelo menos não era isso que eu sentia conforme aparava seus golpes. O maldito estava me analisando, testando o quanto eu retive de meu treinamento básico. Não reclamei, ao invés disso, forcei meu cérebro a pensar numa estratégia para derrotá-lo, já que técnica e força não me ajudariam; ele me sobrepujava em todos os aspectos. Precisava pensar em algo rápido.

 

Em uma situação comum, desafiar sua força seria total loucura, algo que eu nunca me imaginei fazendo em toda a minha vida, mas eu não tinha escolha. Taeyeon não tinha muito tempo de vida. Eu precisava arrancar o sangue de Ares para salvar Taeyeon. E ainda precisava me preocupar com a reação dos outros quatro. Será que no momento em que eu ferir um deles, eles tentarão me atacar?. Eu precisaria ser rápida o suficiente para misturar o sangue de Ares com o de Taeyeon antes de ser morta e ainda garantir um jeito de colocá-la fora do alcance deles. Mordi o lábio. Era impossível. Mas então, o que eu deveria fazer? Desistir? Não… Deve ter um jeito… Precisa ter um jeito.

 

Sem que eu me desse conta, Ares girou o corpo, desferindo um golpe em uma direção inesperada. Tive a sensação que o corpo do inimigo se moveu mais rápido do que deveria, significando que ele quebrou o tempo do próprio ataque de propósito e repentinamente, para me pegar de guarda baixa. O sangue Imortal que circula dentro de mim pulsou, e meus instintos tomaram conta do meu corpo por tempo o suficiente para usar a mão livre da espada em minha defesa, ao segurar seu braço com força impedindo que ele continuasse o golpe. Não o segurei por muito tempo, não tinha a força necessária para isso, apenas consegui desviar seu golpe para o lado contrário, enquanto meu corpo escapava ileso de um ataque quase mortal.

 

Só então me dei conta do que poderia fazer contra Ares.

 

Segurei a espada com a mão direita em posição de ataque ao mesmo tempo em que minha mão esquerda se projetou para frente no ar, parecendo a postura de ataque de um Imortal ou vampiro, que costumam lutar com as mãos limpas. Eu tinha força na mão o suficiente para agarrá-lo e fincar as unhas em sua pele. Desse jeito, eu com certeza conseguiria fazê-lo sangrar.

 

Ares assobiou, repuxando o canto esquerdo de seu lábio em um sorriso cínico. O Fundador assumiu posição de combate um instante depois, atento ao meu ataque que se seguiu.

 

Golpeei de frente, tentando transpassá-lo, mas como era esperado, Ares bloqueou com um movimento mínimo de sua espada, e naquele instante, sua guarda ficou aberta, então eu imediatamente o ataquei com a mão livre, buscando seu pescoço. O Fundador pulou para trás, tentando fugir de meu golpe, mas eu o persegui, e o golpeei novamente, alternando entre ataques com a espada e com a mão livre, buscando cortá-lo, arranhá-lo, qualquer coisa que pudesse fazê-lo sangrar.

 

Nos primeiros momentos, eu me saí até que muito bem. A espada de Kaitou era balanceada, o que facilitava muito seu manejo. Minhas mãos eram ágeis e em várias situações, consegui sentir na ponta dos dedos as roupas do Fundador. Cheguei até a pensar que se continuasse naquele ritmo, não seria tão difícil atingir meus objetivos, mas eu estava cruelmente enganada.

 

Quando meus ataques começaram a se tornar repetitivos, Ares se voltou contra mim com maisr agressividade, aparando meus golpes e contra-golpes com polidez.

 

Foi então que eu entendi.

 

Naqueles momentos, a guarda do Fundador não estava aberta. Ele apenas fez parecer com que estivesse, me ludibriou a atacar, enquanto retinha total controle da situação. Ares queria ver o que eu conseguia fazer, até onde eu conseguia ir. Estava me testando. E agora estava perdendo o interesse em mim.

 

Mordi o lábio, enquanto continuava atacando sem pausas, repetindo a mesma tática de movimentos em ataques cada vez mais frustrados e longe de atingirem o alvo. Em desespero, aumentei minha porcentagem em um número, agora eu alcançava aproximadamente 95%. Estava tão perto do limite que quase podia sentir meu corpo humano e frágil protestando contra o poderoso sangue Imortal.

 

Ataquei novamente, com mais força. Dessa vez meu golpe apresentou um pouco mais de resistência para as defesas de Ares, e ele precisou de mais de meio segundo para resistir ao golpe e repelir minha lâmina. Minha mão esquerda buscava por qualquer parte exposta de sua pele, tentando agarrá-lo a qualquer custo. Cheguei tão perto a ponto de rasgar ainda mais suas vestes, arrancando uma manga de seu longo manto vermelho escuro. Trinquei os dentes e continuei avançando, extraindo dos meus músculos toda a força que eu conseguia, tanto para me mover com mais velocidade quanto para atacar com golpes poderosos que o forçariam a recuar, a tomar rotas que eu pudesse prever.

 

Sem deixar que ele descansasse ou se acostumasse com o ritmo, aumentei mais um número na porcentagem e ataquei com tudo de uma vez. O fio da espada passou a centímetros do corpo alheio, e por pouco não consegui fatiá-lo, mas não me deixei abater pelo fracasso, ataquei novamente, alternando as investidas entre espada e mão livre, a toda a velocidade. Consegui pegá-lo de surpresa, mas não suficiente para feri-lo.

 

Naquele ponto, começava a ter uma leve ideia de qual seria minha única e última chance de feri-lo. Trinquei os dentes, relutante. Mas não conseguia pensar em outra possibilidade.

 

Aumentar minha porcentagem até os 100% era a única alternativa.

 

Eu teria pouco menos que meio minuto antes de meu corpo humano sucumbir diante do poder do meu sangue, rejeitando-o definitivamente e me fazendo entrar em convulsão, para logo depois morrer. O processo era rápido, mas trinta segundos ainda era muito tempo, da perspectiva de alguém tão rápido quanto um Imortal. Se eu pudesse pegá-lo de surpresa com a mudança brusca, talvez eu conseguisse feri-lo. Isso levaria pouco menos de um segundo.

 

Minha única chance seria no momento exato em que eu alcançasse o 100%, de maneira parecida com o que fiz na minha luta contra o vampiro no castelo. Eu teria que prolongar um golpe básico e aumentar a porcentagem ao máximo no último instante, para quebrar o tempo do ataque inicial e pegá-lo de surpresa com um golpe ainda mais rápido e forte. Eles certamente não esperam que eu vá me sacrificar para salvar Taeyeon, então o aumento exponencial de força e velocidade que se ganha momentaneamente ao alcançar o limite deve pegá-lo de surpresa por tempo o suficiente.

 

Depois disso, eu teria que sujar minhas mãos com o sangue do Fundador, correr até Taeyeon e abrir um corte em sua pele, misturando os dois sangues. Se por um milagre eu conseguir fazer tudo isso a tempo, antes da minha morte ou da morte de Taeyeon, eu ainda precisaria dar um jeito de tirar minha namorada de perto dos Fundadores e a colocar em segurança antes de morrer, caso ela não acorde por conta própria até lá. Eu teria pouco menos que trinta segundos para fazer tudo isso, em uma situação comum seria mais que o suficiente, mas aquilo não era nada comum. Meus adversários serão os Fundadores.

 

Não sei o que os outros cinco farão se eu conseguir realmente arrancar um pouco do sangue de Ares, mas é provável que tentem me impedir. Eles estão mantendo esse segredo a respeito do próprio sangue por séculos, nos fazendo acreditar que não há meios de deter o avanço do sangue Imortal, certamente não vão permitir que Taeyeon seja a prova viva do que tanto querem esconder. Tendo isso em vista, o plano era arriscado, eu não tinha a menor ideia de como eu me sairia tentando fugir dos cinco, mesmo com 100% de sangue Imortal nas veias.

 

Mas por outro lado, não consigo pensar em outro jeito, e continuar tentando é provavelmente perda de tempo. Talvez não haja um jeito de salvar tanto a mim quanto Taeyeon. Estou sendo apenas uma diversão na mão dele, mas assim que meus ataques deixarem de entretê-lo, ele vai arrancar a minha cabeça, se eu não agir antes. De uma maneira ou de outra, eu vou ter que enfrentar a morte em breve. Afinal, duvido que os Fundadores me mantenham viva por muito mais tempo agora que descobri o que o sangue deles pode fazer, mesmo que eu conseguisse salvar Taeyeon com o sangue de Ares sem elevar minha porcentagem até o limite.

 

Melhor salvar Taeyeon enquanto ainda posso.

 

Ataquei sem hesitar, e não me deixei abater quando meus golpes passaram longe do corpo de Ares. Ele estava cada vez mais convencido de que eu não tinha nada mais a oferecer, e isso era exatamente o que eu queria. Continuei atacando, em ritmo constante, e quando senti suas defesas ficando brutas demais, ríspidas demais, como se ele já estivesse de saco cheio de mim, tomei a decisão, minha última decisão.

 

Girei o punho e desferi um golpe na diagonal, eu sabia que ele iria se defender ao erguer a espada com a mão direita de modo displicente, e isso deixaria a lateral direita de seu corpo livre para um ataque. Respirei fundo uma última vez.

 

Sem esperar que nossas lâminas se chocassem, girei o corpo ao mesmo tempo em que estimulava meu sangue a subir os dígitos restantes, atingindo o 100%, o ápice de minha força. Senti o poder fluir dentro de mim como nunca havia sentido antes. Era entorpecedor.

 

A mudança em meus movimentos foi notável e o giro saiu muito mais rápido do que eu poderia ter previsto. Eu visualizei a guarda aberta de Ares e ataquei, seu dar brecha, sem dar chance.

 

Eu juro que senti a carne dele contra a minha espada, mas…

 

Tudo que consegui cortar foram suas roupas. Ares pulou para trás, surpreso por minhas atitudes.

 

Trinquei os dentes e avancei. Eu sentia meu corpo protestando contra os poderes do sangue, sentia meus passos ficando pesados, o sangue bombeando em meus ouvidos, fazendo pressão. Era corpo se aquele corpo não me pertencesse mais, estava tudo impregnado com a essência de Kwon Yuri, e a Imortal era muito mais forte que a humana Tiffany Hwang. Em meio a esse turbilhão, me mantive firme e continuei os ataques, pé ante pé.

 

Eu ainda tinha alguns segundos… Alguns segundos antes do meu corpo sucumbir perante o sangue da Imortal.

 

Ataquei, ataquei, ataquei e ataquei.

 

Em vão.

 

Meus sentidos falharam por um milésimo de segundo. Mesmo assim continuei.

 

Eu precisava… Precisava sobreviver por tempo o suficiente para salvar Taeyeon… Pelo menos para salvar Taeyeon…

 

Desferi um último golpe, rápido, preciso, potente. Ares aparou o golpe com a espada em um baque surdo. O aço vibrou através de minhas mãos e o barulho do choque das espadas poderia ter feito meu ouvido sangrar.

 

Caí de joelhos, sentindo a vertigem tomar conta de mim. E, então veio a dor, e depois as lágrimas. E por fim, a derrota. O meu tempo acabou.

 

Eu falhei. Falhei em salvar Taeyeon. Mesmo depois de ter prometido protegê-la. Salvá-la. Cuidá-la.

 

Falhei em tudo.

 

Apesar de toda a minha força, minha experiência, meu sangue, minha história…

 

No fim… Não houve nada que eu pudesse fazer.

 

Eu falhara. E agora morreria com esse fardo. Com a culpa, e o arrependimento, a impotência…

 

Perdoe-me… Taeyeon. Eu te amo…

 

O sangue pulsou em meus ouvidos, e uma dor aguda em meu coração me fez gritar. Esperei ouvir as últimas batidas do meu coração e o mundo se tornar um vazio, mas não foi isso que aconteceu. Foi tão de repente… Em um momento eu estava a beira da morte, sentindo meu próprio corpo definhar e sucumbir. Mas um instante depois… O quadro se inverteu.

 

Meu sangue pulsava mais forte e meu coração batia acelerado feito um louco, mas estranhamente, aquilo não me deixava com uma sensação de adrenalina… Na verdade, parecia perfeitamente normal.

 

Pisquei uma vez, rápido demais. As cores vibrantes me deixavam desnorteada. Dizem que há muito mais cores e luzes do que os olhos humanos podem enxergar, e eu tinha a sensação de que era exatamente isso que eu estava vendo agora. Ouvi vozes, muitas vozes, mas também ouvi rugidos, asas de pássaros, sons distantes que nunca conseguiria captar de tão longe. De repente, eu conseguia sentir o cheiro dos animais que corriam pela floresta a quilômetros de distância do Núcleo. Meus sentidos foram potencializados e eu sentia toda aquela mudança a flor a pele, mas acima de tudo, eu sentia o poder escorrer por minhas veias e transbordar. Tornei-me subitamente auto consciente da tensão em meus músculos, do quão forte eu havia me tornado. O sentimento foi arrasador e eu não evitei um suspiro satisfeito de puro júbilo causado pela esmagadora sensação de poder que eu tinha nas mãos.

 

— Ah! Ela despertou! — Acima de todas as vozes, essa foi a mais clara de todas. Não precisei olhar para saber que era Kaitou quem falava.

 

Foi então que eu percebi um detalhe muito importante.

 

Meu cheiro… E o cheiro deles… Era o mesmo. Então, eu encarei as criaturas em minha frente. Agora, todos menos Jack estavam de pé e me fitavam com um sorriso revelador, como se dissessem; “Consegue ver a luz agora? Entende o que é e o quanto pode fazer apenas com o mover dos dedos?” E eu entendia. Eu sabia exatamente como eles se sentiam. O que viam e o que ouviam. Cada fibra do meu ser sentia com efetividade o tamanho do poder daquelas criaturas.

 

Não importa o quanto tempo eu tivesse, ou o quanto eu achava que estava ganhando vantagem. Eles estavam muito além de minha capacidade e brincavam comigo, como uma criança medindo a força para não esmagar uma formiga com o dedo. Eu nunca teria conseguido derrotá-los, nem mesmo teria feito um arranhão. Mas agora… Eu não mais precisava do sangue deles…

 

— Agora que finalmente está completa… — Ares começou, ao caminhar em minha direção e estender a mão para mim. —  Não precisa mais dessa humana- — Minha resposta foi automática. Girei a espada em punho em um movimento rápido, decepando sua mão com facilidade.

 

Minha atitude os deixou paralisados por meio segundo. Para um Hunter não seria nem de perto tempo o suficiente… Mas para mim… Nesse exato instante… Era mais do que o necessário.

 

Enquanto eles perdiam tempo tentando entender o que acabava de acontecer, eu já havia guardado a espada nas costas e agora estava correndo na direção de Taeyeon a toda velocidade. Passei a unha da mão esquerda ao longo do meu outro braço, fazendo emergir uma linha escarlate de sangue na pele clara. Rapidamente passei a mão pelo sangue antes que o ferimento cicatrizasse em questão de segundos e me agachei em frente de Taeyeon.

 

Não tive tempo de completar minhas ações naquele instante, mas consegui erguê-la no colo antes que os Fundadores conseguissem se mover.

 

Corri em disparada pelos corredores do Núcleo. Tendo uma nova visão de mundo, eu sabia dizer quase que com precisão a quantidade de sangue consumido de Taeyeon, chegava a quase 93% agora. Os Fundadores estavam em meu encalço e eu não sabia quanto tempo levaria até conseguir despistá-los. Minha única opção era…

 

Apoiei o corpo de minha namorada com uma só mão e arranhei seu braço usando a mesma mão manchada com meu próprio sangue, tudo isso sem perder a velocidade da corrida. Eu não sabia se isso seria o suficiente ou não mas deverá servir para ganhar algum tempo, pelo menos. Ou assim eu espero.

 

Com essa crise temporariamente resolvida, eu poderia me focar no meu problema imediato: Os fundadores. Sem ter que pensar muito, decidi que a melhor saída que eu poderia encontrar naquele labirinto de metal era a janela ao final do corredor central da torre em que estávamos. A altura da janela chegava a quase cem metros do chão, mas eu tinha total certeza que minhas pernas aguentariam o estrago com resistência de sobra, então corri naquela direção, sem diminuir o ritmo.

 

Estava quase alcançando o parapeito quando a parede à minha direita a alguns metros a frente se rompeu em um estrondo. Kaitou havia pegado um atalho ao destruir a parede, sem se importar com um risco de desabamento, e agora bloqueava meu caminho. Aconteceu tudo muito rápido, meu corpo acabou agindo sozinho antes que eu tivesse tempo de pensar.

 

Puxei a espada das costas enquanto segurava o corpo de Taeyeon com uma das mãos, e sem hesitar, transpassei o fundador no peito, usando meu corpo em alta velocidade para tornar o impacto ainda mais brutal. Não perdi tempo retirando a espada de seu corpo e apenas continuei correndo. Tenho certeza que atingi seu coração. Isso deve atrasá-lo por um bom tempo.

 

Deixei Kaitou para trás, mas Neferpitou ainda continuava em meu encalço. Ela corria rápido e estava quase me alcançando. Por um décimo de segundo, me arrependi de ter deixado a espada de Kaitou para trás, pois agora seria um bom momento para usá-la para me defender. Porém, acabei constatando que tomei a decisão certa quando senti as unhas de Neferpitou arranharem a pele das minhas costas, levando consigo o tecido de minhas roupas, no exato segundo em que coloquei um pé no parapeito da janela para tomar impulso e pular. Aqueles segundos que economizei ao não tentar recuperar a espada do corpo de Kaitou foram preciosos e perdê-los teria sido fatal.

 

Tentei ao máximo proteger o corpo de Taeyeon dos cacos de vidro, a medida que colidíamos contra a janela, sem me dar conta de que agora ela não precisava mais da minha proteção exagerada. Esse pequenos ferimentos eram irrelevantes para sua nova condição. Esse foi o único pensamento que tomou conta de mim enquanto caíamos em queda livre. Meus pés se enrijerecam e meus joelhos se flexonaram instantes antes de atingirmos a terra. Apesar do solo da região ser normalmente muito úmido por causa da sua localização perto da encosta para o mar ao norte, eu senti o chão se rachando sobre meus pés como se fosse terra seca, o impacto causou uma cratera de quase dois metros de profundidade, mas isso não retardou o meu avanço; eu estava preparada.

 

Corri na direção das florestas e das montanhas tão conhecidas por mim. Senti as presenças de Neferpitou e dos outros Fundadores me perseguindo, mas sabia que era só uma questão de tempo até que a escuridão da noite e a vastidão das florestas trabalhassem em meu favor para despistá-los. Eu só esperava poder aguentar até lá.

 

O maior problema estava sendo a minha presença. Eu não fazia ideia de como camuflar minha própria presença. Enquanto os Fundadores já estavam bastante habituados, eu parecia uma criança deixando rastros por todo o canto. Eu mal conseguia percebê-los, mas não fazia ideia de como eles faziam isso. Nossas presenças deveriam ser tão desafiadoras quanto a dos Imortais, esses malditos certamente poderão me localizar mesmo a quilômetros de distância!

 

Lancei um olhar a minha namorada quando a senti se mexer em meus braços. Acho que a morfina deve estar perdendo o efeito. Taeyeon abriu os olhos lentamente, mas logo sua expressão foi contorcida pela dor intensa e ela voltou a fechar os olhos novamente, perdendo a consciência. Ouvi um barulho à nossa direita e desviei o olhar rapidamente. Eu via a sombra de nossos inimigos, estavam muito perto agora. Não podia me distrair com Taeyeon, precisava me focar neles.

 

Senti um dos Fundadores se aproximando da gente pela esquerda e rapidamente mudei o rumo da corrida de modo brusco, sem frear e nem desacelerar o ritmo. Fui pega de surpresa por um ataque direito de algum ponto acima de nós. Ares mergulhou em nossa direção com a espada apontada para minha cabeça. Consegui sair da linha de ataque por muito pouco, mas ele não se deixou abalar pela tentativa falha e veio para cima de mim no exato instante em que seus pés tocaram o chão. Sua mão já havia sido regenerada, mesmo depois de tão pouco tempo. Eu deveria ter previsto isso, previsto que Ares iria nos alcançar primeiro. Ele era o especialista em luta e em caça. Ele foi quem nos ensinou a cercar a presa e a fugir quando necessário, a despistar. Novamente fui ingênua em pensar que poderia superá-lo tão facilmente. Minha nova transformação — no que quer que fosse — só havia nos colocado em pé de igualdade em um combate, mas em experiência e domínio de técnicas, ele ainda era superior a mim.

 

Com Taeyeon no colo e sem espada para me defender, lutar contra Ares era suicídio, então tomei a melhor decisão que podia naquele momento: Concentrei toda a minha força nos músculos das pernas e pulei para trás, desviando constantemente para a esquerda e para a direita a medida que tentava me afastar cada vez mais. Quando consegui certa vantagem, dei as costas a Ares e continuei correndo, focando cada fibra, cada músculo do meu ser nessa tarefa.

 

Taeyeon se remexia com mais vigor agora, seus espasmos de dor estavam ficando violentos e vez ou outra eu podia ouvir sua voz preenchida por dor.

 

— Merda… Taeyeon, aguenta só mais um pouco… Eu vou dar um jeito de tirar a gente daqui! — Falei, mais para mim mesma do que para minha namorada semi consciente em meus braços. Eu não tinha a mínima ideia do que iria fazer, mas precisava pensar em algo, e rápido. Não deixaria Taeyeon morrer depois de chegar tão longe.

 

Mesmo estando cem por cento focada na fuga e nas presenças ardilosas de meus adversários, eu não consegui prever o próximo movimento deles. Neferpitou veio correndo em minha direção em uma velocidade inigualável e desferiu um golpe com a espada em minha direção. Em um movimento rápido joguei Taeyeon por cima do meu ombro, e usei a mão livre para segurar o braço da Fundadora e desviar a direção de seu golpe antes que pudesse me atingir. Ela não desistiu e avançou novamente só que dessa vez eu estava mais preparada, no momento em que ela ergueu o pé direito para andar em minha direção, eu me agachei e a ataquei com uma rasteira. Meu pé acertou em cheio o nervo em cima do calcanhar da perna de apoio de minha inimiga e ela caiu com um baque seco.

 

Levantei-me num pulo e dei um passo à frente, na intenção de passar por Neferpitou, ainda caída, e seguir meu caminho na direção oposta dos Fundadores que ainda me perseguiam, mas não fui rápida o suficiente. Kaitou reapareceu. Ele ainda estava ferido e cuspia muito sangue, mas eu já imaginava que aquele ferimento não o mataria, mas esperava que pudesse atrasá-lo bem mais que isso. Eu o subestimei.

 

Fui obrigada a pular para trás para evitar o golpe de sua espada manchada pelo próprio sangue. Taeyeon gritou em minhas costas, provavelmente pela brusquidão de meus movimentos somados a dor da transformação, mas eu nada podia fazer para ajudá-la... Trinquei os dentes em puro ódio e avancei na direção de Kaitou. Ele estava bastante ofegante por causa do ferimento e por isso não teve sucesso em barrar meu avanço. Acertei um soco bem dado em seu abdômen e estava prestes a torcer seu pescoço quando senti um formigamento começando nas pontas dos meus dedos dos pés e das mãos e subindo por todo o meu corpo.

 

Recuei para trás cautelosamente, temendo ser algum truque ou poder desconhecido de Kaitou. Foi o meu maior erro. Eu deveria ter continuado o golpe antes do feitiço paralisar meu corpo. Sim, feitiço. Eu estava sendo alvo de Joker, o mágico. Só fui perceber tal fato quando era tarde demais. Quando o formigamento chegou até minha cabeça e algo tomou conta do meu corpo, me fazendo congelar no lugar.

 

Vi Kaitou levantar a cabeça e cuspir sangue, enquanto Neferpitou, suja de terra e grama, caminhava em minha direção com um olhar de fúria. Ares vinha logo atrás e era o único que parecia empolgado, ao lado de um Joker sério e presunçoso.

 

— Matem-nas, enquanto eu ainda consigo segurá-las. — Falou o mágico.

 

Trinquei os dentes e senti meu sangue borbulhar em ódio e fúria. Um centelha pareceu ter feito meu corpo incendiar dentro das minhas veias, e foi então que eu percebi que o ardor do meu sangue anulava o formigamento da magia estranha de Joker.

 

Eu podia lutar contra isso.

 

Ares se aproximou de mim com sua espada e a ergueu acima de minha cabeça.

 

Forcei meu sangue a pulsar cada vez mais rápido, deixando que entrasse em ebulição dentro do meu corpo, um ato muito parecido com o que eu costumava fazer para aumentar a porcentagem, mas agora não havia limite. Lutei contra a magia de Joker até o último segundo e quando Ares desceu a lâmina sobre minha cabeça, fui capaz de romper o feitiço que me controlava, jogando meu corpo para o lado no último instante.

 

A brusquidão do meu próprio ato quase me fez soltar Taeyeon, mas não permiti que isso acontecesse. Segurei seu corpo firmemente junto ao meu, enquanto nos arrastávamos pela grama.

 

Eu sabia… Sabia que estava apenas prolongando o inevitável. Eu sabia que estava cercada, que não importa de quantos ataques eu conseguiria fugir, não poderia fazer isso para sempre, e também não iria conseguir ganhar muita distância com todos eles tão próximos de mim, mas alguma coisa dentro de mim não me permitia desistir.

 

Eu iria tirar Taeyeon daqui…

 

Ou morreria tentando.

 

Minha namorada gemeu quando eu coloquei nós duas de pé. Nessas alturas ela já estava praticamente acordada, mas ainda muito desorientada e com muita dor para andar por conta própria, de modo que eu tive que suportar seu peso ao passar um de seus braços ao redor do meu pescoço. Obriguei Taeyeon a andar dois, três passos para trás, mas estávamos devagar demais.

 

Ares avançou em nossa direção e eu forcei o corpo de Taeyeon para baixo, desviando a lâmina por um triz, mas logo Kaitou atacou, me fazendo puxar o corpo de Taeyeon para trás comigo. Aquilo estava se tornando uma dança mortal e eu não tinha estamina para aguentar por muito tempo.

 

Desviei os golpes o máximo que pude, buscando as brechas, os espaços livres, mas o xeque-mate aconteceu quando Neferpitou nos atacou pelo flanco direito e eu vi todas as minhas rotas de fuga sendo bloqueadas por um inimigo.

 

Embora meu coração não quisesse desistir, eu sabia que era o fim, qualquer caminho que eu tomasse, seria fatal, mas ainda assim… Fiz a melhor escolha que pude. Desviei do golpe de Neferpitou ao avançar na direção de Kaitou, que era o mais ferido. Vi sua espada se mover em uma circunferência perfeita e tentei, juro que tentei, bloquear seu golpe, mas eu sabia que não estava sendo rápida o suficiente.

 

Fechei meus olhos esperando o golpe final, mas foi outra coisa que senti.

 

Duas presenças. Presenças que não estavam ali antes, eu tinha certeza.

 

Em instantes, Kaitou estava no chão, o cheiro de seu sangue explodiu em minhas narinas enquanto o grito de raiva de Ares fez meus ouvidos vibrarem.

 

— KWON!

 

Senti o formigamento familiar da mágica de Joker tomar conta das extremidades de minhas mãos em pés, mas o aperto de Yuri em meus braços e as palavras ritmadas do mago que a acompanhava foram muito mais rápidos que o feitiço do Fundador.

 

O mundo girou repetidas vezes e logo estávamos jogados na grama fresca. As presenças dos Fundadores haviam desaparecido, mas em compensação…

 

Levantei-me num pulo e instintivamente coloquei Taeyeon atrás de mim. Ela estava fraca e atordoada por causa do teleporte repentino, eu precisava protegê-la. Estávamos completamente cercados. Havia magos por toda a parte, circulando a gente, além de duas  presenças desconhecidas de criaturas que nunca havia encontrado antes, sem contar Yuri e o mago que nos teleportara. Eu nunca havia visto a cara do sujeito antes.

 

Yuri se levantou a alguns metros de distância de mim e eu a analisei, mostrando os dentes, deixando toda a minha fúria tomar conta de mim diante do que me pareceu uma maldita armadilha, uma situação que talvez fosse ainda mais perigosa do que a que acabamos de deixar para trás.

 

Yuri sorriu misteriosamente para mim. — As engrenagens do destino estão finalmente no lugar!

 

 

 

 


Notas Finais


Será que a Yuri trás problemas ou soluções? kkkkkkkkkkkkkk
Deixem ai suas teorias to muito curiosa com que vocês pensam a respeito do futuro da fic kkkkkkkkkkkk

E falando em teoria, spoiler: Duas integrantes do SNSD vão aparecer no capítulo próximo, 44. Alguém tem alguma ideia de quem e o que serão? kkkkkkkkkkkkkkkkkk

Enfim, espero que tenham gostado~
Muito obrigada por lerem e até a próxima att~

PS: Vamos amigar no twitter POR FAVOR @ _DongBangPeia :)


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...