1. Spirit Fanfics >
  2. You Can Still be Free >
  3. Two Beds and a Coffee Machine

História You Can Still be Free - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


Novamente obrigada a minha beta @@emyqueiroz

Capítulo 3 - Two Beds and a Coffee Machine


Fanfic / Fanfiction You Can Still be Free - Capítulo 3 - Two Beds and a Coffee Machine

 Wooyoung não acreditava que finalmente havia chegado, não aguentava mais ficar sentado sem ter o que fazer. As últimas horas da viagem foram intermináveis porque sabia que sua nova vida estava próxima. Estava ansioso para conhecer a cidade que passaria a chamar de lar.

 Ainda era cedo, poucas pessoas estavam na rua àquela hora. Tentava não chamar atenção para si enquanto absorvia cada mínimo detalhe do lugar onde estava. Colocou sua mochila nas costas, ajeitou o boné, tentando cobrir o máximo de seu rosto, e decidiu caminhar um pouco antes de ir para o hotel indicado por Binnie. Estava cansado, mas se conhecia bem o suficiente para saber que não conseguiria descansar enquanto estivesse tão agitado.

 Comprou um mapa da cidade e optou por explorar os arredores do local onde ficaria. Perdera um pouco da paranóia inicial e já não achava que Taecyeon ― ou algum de seus amigos ― o encontraria a qualquer momento. Sabia que por algum tempo, mesmo que pouco, seu ex não pensaria em procurá-lo fora da cidade.

 No começo, a ideia de Changbin lhe pareceu loucura, mas agora estava confiante de que havia feito a coisa certa. Tinha certeza de que era mais fácil Taecyeon encontrar outra pessoa para atormentar do que procurá-lo por muito tempo. Em algumas semanas não passaria de uma vaga lembrança para ele. Mesmo que seu ex desistisse de procurá-lo, não poderia voltar para casa tão cedo, aquele era um pequeno preço a se pagar por sua liberdade. Se obrigou a parar de pensar nas coisas de seu passado antes que ficasse deprimido, decidiu apenas se dar ao luxo de conhecer a cidade.

 Caminhou sem rumo por muito tempo, apenas absorvendo a atmosfera ao seu redor. Sua única preocupação era se manter inconspícuo. Queria finalmente ser livre para decidir tudo em sua vida, sem precisar dar satisfações para ninguém ou sempre se policiar para não fazer nada que pudesse ser mal interpretado.

 Além de admirar a paisagem, também observava as pessoas nas ruas. Turistas e residentes se misturavam nas avenidas lotadas. Turistas munidos de máquinas fotográficas e filmadoras registrando todos os momentos de sua viagem enquanto os residentes caminhavam, alheios às belezas ao seu redor, falando ao celular ou distraídos com a própria vida.

 Pouco antes de anoitecer resolveu ir para o hotel. Pelo que Binnie lhe falara, o lugar não era muito bom, mas, pelo menos, não teria que mostrar nenhum documento para se registrar. Não sabia como seu amigo tinha contatos por ali, a única coisa que ele havia avisado era que deveria se registrar como Shi-woo Lee e ninguém o incomodaria.

 O bairro em que ficaria era considerado o “mais perigoso e decadente da cidade”, mas, comparado com as vizinhanças barra pesada de onde morava, aquilo podia ser considerado o paraíso. Não havia tantas paredes e muros pichados. Os prédios, apesar de apresentarem marcas da corrosão do tempo e da poluição, não estavam em ruínas. Havia menos mendigos, traficantes e prostitutas do que esperava.

 Após alguns minutos caminhando achou o hotel espremido entre um conjunto residencial de baixa renda e uma loja de bebidas. Era um prédio pequeno e mal cuidado. A pintura desbotada e descascando, as janelas sujas com cortinas puídas, o piso desgastado. Na recepção, um senhor de cabelos brancos e rosto enrugado fazia palavras cruzadas com o rádio ligado no último volume sintonizado em uma estação de músicas antigas. Suas roupas eram gastas, mas muito limpas.

 Timidamente, se aproximou da mesa em que ele estava e aguardou em silêncio até o senhor notasse sua presença. Sem nenhuma pressa, o idoso fechou a revista, abaixou o volume do rádio, pegou um livro que estava em uma gaveta e o colocou aberto sobre a mesa.

 ― Boa tarde. Acho que o senhor tem uma reserva em meu nome, Shi-woo Lee ― disse Wooyoung nervoso. Esperava que o senhor realmente não pedisse nenhum documento ou estaria encrencado.

 ― Shi-woo Lee…. ― Murmurou o senhor folheando o livro aleatoriamente. ― Sim, sim. Shi-woo Lee. Pagamento em dinheiro e estadia por tempo indeterminado.

 ― Isso mesmo ― confirmou Wooyoung.

 ― Depósito de um mês adiantado que vai ser devolvido na saída se você não destruir nada, depois pagamento toda sexta-feira ― informou o senhor anotando alguma coisa no seu livro. ― Fui claro?

 ― Sim, senhor ― balbuciou Wooyoung nervoso com o escrutínio do senhor. Esperava que ele não mudasse de idéia ou teria problemas, porque não tinha dinheiro para ficar em lugares mais caros e não queria arriscar um lugar em que precisasse mostrar documentos.

 Wooyoung pagou o que o idoso pediu e recebeu a chave. Sem dizer mais nada, o senhor fechou o livro, o guardou na gaveta e voltou a fazer suas palavras cruzadas, ignorando Wooyoung completamente. Percebendo que não receberia mais nenhuma informação, Wooyoung foi para o quarto em que ficaria.

 Não teve nenhuma surpresa quando entrou no quarto, era menor do que o closet do apartamento de Taecyeon. As paredes eram de um branco encardido com várias manchas. Seu novo lar era composto de um pequeno quarto, um banheiro, em que mal conseguia se mexer, e uma cozinha minúscula. Os móveis eram velhos e pareciam de segunda mão, nada combinava. Havia deixado uma vida repleta de luxo para morar naquele buraco, mas aquele era apenas um pequeno detalhe que não o faria voltar atrás. Da janela de seu quarto conseguia ver apenas a parede do prédio ao lado. Era quase possível tocar o outro prédio se esticasse o braço.

 Tomou um banho antes de qualquer coisa, estava se sentindo sujo depois de ficar tantas horas confinado nos ônibus. Antes de entrar no chuveiro, olhou para as marcas em seu corpo. Estava coberto de hematomas de todas as cores, mas as piores eram as marcas roxas ao redor de seu pescoço. Manchas que só poderiam ser escondidas se usasse golas mais altas. Felizmente as marcas em seu rosto já tinham praticamente desaparecido.

 Após o banho, guardou suas coisas e foi dar uma volta pelo bairro para conhecer sua nova vizinhança numa tentativa de não se desanimar com as condições em que viveria. Começaria a procurar emprego na manhã seguinte porque o dinheiro que tinha não duraria muito tempo e havia deixado todos seus cartões em casa para não ser rastreado. Não tinha qualificação e nem experiência para fazer muita coisa, acabaria trabalhando como garçom novamente.

 À noite, o bairro não parecia tão acolhedor como durante o dia. Haviam mais drogados e prostitutas nas ruas. As famílias se escondiam em suas casas e cruzou com algumas viaturas pelo caminho. Encontrou tudo que poderia precisar não muito longe de onde ficaria. Um pequeno mercado, alguns restaurantes não muito convidativos, uma lavanderia e outros pequenos comércios. Passou no restaurante mais limpo que achou, uma pequena cantina italiana, e comprou algo para comer em casa.

 De volta ao apartamento não conseguia se manter calmo. Durante o tempo em que se manteve ocupado havia conseguido não pensar em Taecyeon, mas agora, sozinho e sem ter o que fazer, sua mente estava a mil. Não conseguia evitar de pensar no que Changbin poderia estar passando por sua culpa. Queria ligar para o amigo para saber como ele estava e como Taecyeon havia reagido ao seu desaparecimento, mas não seria seguro ligar porque assim que sua fuga fosse descoberta Binnie seria vigiado dia e noite.

 Tentava se lembrar dos bons momentos que havia passado ao lado de Taecyeon, mas essas lembranças eram, normalmente, maculadas por agressões físicas ou verbais. O único motivo para não ter fugido antes era o medo das consequências que uma fuga geraria. Seu amante o tratava como um troféu, uma posse. A relação deles se deteriorara e o amor havia acabado há muito tempo.

 Quando percebeu que se rebelar e contrariar Taecyeon não era a melhor saída, tentou fazer sempre as vontades de seu namorado, mas nem mesmo sua capitulação serviu para melhorar sua vida. Seu amante sempre achava um motivo para brigar com ele. No trabalho, quase todos ficavam de olho nele, apenas Binnie e Namjoon não vigiavam seus passos. Nos últimos meses, um dos capangas de Taecyeon o acompanhava a todos os lugares e teve de largar seu emprego porque seu namorado não confiava nem mesmo em seu capanga.

 Achava que nada poderia ser pior do que sua vida ao lado de Taecyeon, mas estava começando a perceber que viver com medo e incerteza era muito pior. Tinha certeza de que a qualquer momento seu amante apareceria em sua porta e o levaria de volta para casa ou o mataria.

 Todo o otimismo que sentira quando chegou fora esquecido, só conseguia pensar no pior. As oportunidades que vislumbrara antes se tornaram vagas lembranças. O fracasso o aguardava independentemente do caminho que escolhesse. Não tinha amigos, dinheiro ou experiência para um bom recomeço. E, para tornar tudo mais assustador, corria o risco de ser encontrado e, dessa vez, Taecyeon provavelmente o mataria por tê-lo desobedecido.

 Ficou tentado a ir até a loja de bebidas e comprar alguma coisa para acalmar seus nervos, não seguiu em frente pois sabia que não adiantaria de nada ficar bêbado, quando ficasse sóbrio, seus problemas continuariam ali. Nem mesmo tinha dinheiro sobrando para gastar com bebidas, estava com seu dinheiro contado.

 Estava prestes a ter um ataque de pânico e não tinha ninguém para ajudá-lo a passar por isso. Respirou fundo e tentou deixar aqueles pensamentos deprimentes de lado, tentativas falhas. Na solidão de seu quarto não tinha motivos para se animar. Quando o telefone que havia recebido de Changbin tocou, teve que se controlar para não gritar. Atendeu com o coração batendo acelerado.

 ― Alô? ― atendeu Wooyoung, receoso. Sabia que Binnie era a única pessoa que tinha aquele número, mas, mesmo assim, não tinha certeza de que era ele ligando.

 ― Woo? Como foi a viagem? ― Perguntou Changbin assim que escutou a voz do amigo.

 ― Binnie? Graças a Deus é você, eu estava preocupado ― disse Wooyoung relaxando. Era um alívio escutar uma voz conhecida naquele momento angustiante. Pelo menos por algum tempo, conseguiria deixar seus pensamentos deprimentes de lado.

 ― Preocupado comigo? Por quê? Você sabe que nunca precisa se preocupar comigo. ― Changbin perguntou rindo.

 ― Porque Taecyeon não vai deixar você em paz até descobrir onde eu estou. Você é a única pessoa que se arriscaria para me ajudar e ele sabe disso ― respondeu Wooyoung. Não se deixaria enganar pelo amigo. Binnie sempre procurava não o preocupar com seus problemas, mas sabia que, com sua fuga, Taecyeon não o deixaria em paz e faria de sua vida um inferno.

 ― Ele tentou descobrir onde você está, mas não contei nada. Sei que ele vai mandar um dos lacaios dele ficar me seguindo por algum tempo, mas não é nada que eu já não estivesse esperando ― contou Changbin, sem entrar em maiores detalhes.

 ― Binnie... ― Começou Wooyoung. Imaginava que as coisas não estavam tão tranquilas como o amigo dizia, mas não tinha como saber o que estava acontecendo de verdade.

 ― Não temos muito tempo para conversar, então não quero perder tempo falando sobre Taecyeon ― disse Binnie interrompendo Wooyoung abruptamente. ― Você ainda não me contou como foi sua viagem.

 Ficou no telefone com Changbin por quase meia hora. Contou apenas as coisas boas da viagem, evitando falar sobre suas incertezas e medos. Binnie também não falou sobre nenhum problema. Queria insistir com o amigo para contar o que estava acontecendo com ele por sua causa, mas resolveu respeitar a vontade dele. A despedida foi demorada e Changbin avisou que ligaria quando tivesse alguma informação nova.

 Após a conversa com Binnie estava se sentindo um pouco melhor. Por mais que precisasse batalhar muito para conseguir sobreviver ali, pelo menos Taecyeon ainda não tinha nenhuma pista de sua localização e aquilo já servia para deixá-lo mais tranquilo. Dormiu antes que voltasse a se atormentar com pensamentos negativos.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...