História You Come - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Tags Romance
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Palavras 5.245
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Esporte, Famí­lia, Luta

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olá Chingu!
Tenho um livro chamado " You Come ", no aplicativo Wattpad.
É um livro de romance, assim, MALAVILOSO! Você NECESSITA ler.
Vai lá me visitar: https://www.wattpad.com/user/AliceSantos575
Obrigado. Nos vemos por ai, quem sabe. :)

Não sei se vocês sabem como funciona o aplicativo Wattpad. Para ler todos os capitulos do livro no Wattpad, você precisa baixá-lo e fazer seu login em seu celular ou seja qual dispositivo que você costuma usar, para poder ler sem impedimentos. Você pode entrar pelo seu e-mail ou pelo facebook. Não é chato gente, é maravilhoso, vá por mim. É MUITO bom!
É isso gente. Espero por vocês lá. Leia minha CUMPRIDA história, e comente o que vocês acharam. Assim vocês me ajudam a melhorar e me incentiva, o que é extremamente lindo e importante pra mim. Saranghae <3

Capítulo 1 - Meu porto seguro


Meu porto seguro.

O sorriso é o sol que aquece o frio triste de um coração. Como uma primavera que logo chega com suas flores para encantar os olhos. Como um abraço apertado de alguém que seu coração ama. Como uma boa comida aliviando a fome. Como um pedido para ser feliz.

Eu, decidi aceitar esse pedido.

— Bom dia, bela adormecida! Está na hora de acordar! — mamãe anunciou sua chegada, indo em direção às cortinas da janela, as abrindo — Bom dia, meu amor! Vamos acordar? — voltou a falar vindo até a mim, penteando com seus dedos meu cabelo e beijando minha testa.

— Mãe, me deixa dormir, poxa vida eu estou cansada! — reclamei trazendo o cobertor sobre a cabeça.

— Cansada, do quê? — perguntou ela. — Levanta Nicky! Te dou 1 segundo! — falou indo em direção à porta do quarto.

— Isso não é justo! — protestei — Eu sou uma jovem adolescente que necessita dormir bem para crescer e se tornar um ser humano saudável.

— Aham, levanta logo garota! — Ordenou fechando a porta do quarto ao sair.

Eu estava realmente com sono. Na noite anterior, quando fui dormir, já passava das 21:00hs. Apesar disso o filme que assisti com papai foi incrível! Papai não gostou do final, foi pra cama reclamando, como sempre. Não me lembro da última vez em que ele assistiu a um filme e gostou do final dele, - e são filmes que ele mesmo escolheu -. O meu papel nisso era as minhas fortes gargalhadas, que o deixava ainda mais irritado.

— NICKY! — alguém gritou lá de baixo.

— Ai... — lamentei levantando da cama fazendo cara de choro enquanto chacoalhava os pés sobre a cama, resmungona.

Abri o guarda roupa á procura do look do dia, logo escolhendo as milhares de roupas que iria ajudar-me a enfrentar o inverno rigoroso de janeiro. Peguei minha mochila e desci as escadas galopando, pulando os últimos três degraus.

— Bom dia. — cumprimentei papai que estava na cozinha de pé ao lado da mesa fazendo seu café enquanto assistia o noticiário na TV.

Eca, eu detesto café!

— Bom dia, Ursinho — ele saudou beijando minha cabeça.

Ursinho. Ai, minha vergonha! Ursinho é o apelido carinhoso que papai me deu, já que sou pequena e tenho um caráter fofinho, - essas são suas palavras -. Ele diz que acha isso encantador, mas eu tenho 17 anos, é vergonhoso poxa. Não poderia me da um apelido mais... sério? Ursinho? Ahhhh...

— Está bem aquecida? — mamãe perguntou vindo em minha direção, beijando minha cabeça. — Hoje fará menos 15°C, então se agasalhe bem... Coloque mais um casaco por precaução. — pediu já depositando o casaco na mesa.

Abri o armário da cozinha para pegar...

— Onde está meu Froot Loops? — perguntei em voz alta.

— Seu pai não comprou. — mamãe respondeu saindo em direção à sala.

— Ah, não paiêêê! — levantei a cabeça fazendo cara de choro. — Como o senhor pode esquecer de comprar meu cereal? O que eu vou comer agora?

— Desculpe ursinho, eu esqueci. — explicou indo em direção a pia. — Você pode comer panquecas, eu posso fazer para você. — tentou-se redimir.

— Você tem apenas uma filha e esquece dela desse jeito? É apenas um cereal, um só... Como pode ir ao mercado e esquecer? Como isso é possível? O que mais o senhor vai esquecer da próxima vez? EU? — lhe perguntei com as mãos ao peito de olhos arregalados. — Vai esquecer que tem filha também? — dobrei os braços sobre a mesa afundando a cabeça sobre eles. — Ó, vida cruel, Ó vida cruel! — lamentei.

— Você seria uma ótima atriz de drama. — ele falou sorrindo fazendo cafuné em minha cabeça ao passar por mim.

— Ele está brincando com meus sentimentos. Como pode alguém ser assim? Não é qualquer cereal, é Ó cereal! Essa manhã ficará marcada, para sempre! Estou realmente indignada. — falei ainda com a cabeça afundada sobre os braços.

Mamãe sorrio ao balançar a cabeça, ignorando meu choro dramático.

— Mocinha você precisa estar cedo na escola para avaliação. Já terminou? — perguntou já pegando o prato sem esperar pela resposta, o pondo na pia.

— Sim. — Respondi.

Terminei de tomar meu último gole de leite e sai em direção ao carro que já se encontrava em frente a casa, entrando o mais rápido possivel dentro do carro. A manhã estava tão fria que eu mal conseguia respirar, e isso era um grande incômodo. No inverno por causa da baixa umidade do ar, eu costumava ter pequenas-grandes crises de asma. Sim, o frio pode me matar tirando meu ar, ou ao menos, é o bastante para eu me desesperar e acreditar que vou passar desta para melhor.

Sentei no banco de trás e pus o cinto de segurança. Papai rapidamente ligou o aquecedor. Estavamos salvos, AMÉM!

— Está agasalhada, querida? Trouxe seu casaco? Está com as luvas? — mamãe perguntou entregando minha mochila.

— Sim, sim, e... Sim! — dei um sorriso largo ao respondê-la.

Ela sorrio, dando outro sorriso largo em troca.

No carro, papai ligou a rádio de notícias Oficial de Minnesota. Ouvimos que o dia seria bastante frio; é o inverno mais rigoroso dos últimos anos. Todos deveriam tomar o devido cuidado ao atravessar a rua e os motoristas deveriam dirigir em baixa velocidade, pois as estradas estavam escorregadiças por causa da grande quantidade de neve.

— Se aqueça bem, tome bastante líquido quente, ok? Como será a avaliação hoje Ursinho? — papai interessado perguntou, enquanto dirigia.

— Nada demais, só teremos que correr 5 km no campo de futebol e fazer alguns alongamentos...

— Se sairá bem, porque a minha filha é a melhor! — ele ergueu o pulso para o alto, como um vencedor.

Sorri.

— Eu vou passar vergonha isso sim. Vocês já me viram correndo?

— Já, parece uma velhinha. — falou fazendo careta através do retrovisor ao sorrir.

Cerrei os olhos em sua direção, mas logo sorri.

— Eu pareço um Jabuti! Minhas pernas são curtas e não consigo correr com elas... E sem falar que já me sinto cansada só de caminhar, imagina correndo. Ai minha vergonha! Eu já consigo ver... — me afundei no assento do carro com as mãos no rosto tentando cobrir minha frustração.

— Você se sairá bem querida, apenas dê o seu melhor, ok? — encorajou mamãe — Mais não se esforce muito.

— Ok. — respondi.

— Vou passar no mercado antes de ir buscar vocês. Precisamos de ovos, frutas e Froot Loops. — papai informou, olhando para mim novamente, ao sorri.

— YES! — ergui os braços entusiasmada, concordando.

— Você já devia ter parado de comer o Froot Loops, você come ele desde de criança, não acha que já está velha para comer cereal infantil? — de cabeça baixa mamãe me cobrou, sem tirar sua atenção de seus amados livros sobre seu colo.

— Deixe ela Hannah, nosso ursinho ainda não cresceu. — papai sorrio fazendo a careta fofa em minha direção pelo retrovisor do carro, novamente.

Ele fica absurdamente fofinho quando faz a careta fofa. Ele costuma usar quando quer algo, mais na maioria das vezes ele faz por puro charme mesmo. É tão fofo que dá até agonia. Quando eu era criança e não queria comer, ele olhava para mim e dizia palavras doces como: "Você não fará isso para seu papai? Uma colher de jacaré, por favor? Hm?", piscando os olhos ao sorrir com uma fofura além desse mundo. E é claro, era IMPOSSIVEL não atender o seu pedido. As vezes eu fingia que não queria comer apenas para vê-lo agir daquela forma novamente.

Seu Smile Eyes é um encanto. Papai é coreano, e como todo coreano ele tem seus olhos puxados, tornando assim, seu Smile Eyes uma fofurice sem tamanho. Puxei papai em muitas coisas, como sua cor de pele, seu cabelo escuro escorrido, seus olhos, - não que eu tenha os olhos puxados como os dele, mas também não é como os da mamãe -. Mamãe costuma dizer que puxei sua doçura e seu Smile Eyes, - o que eu também não concordo mas também não vou discordar com ela.

— Hoje não ficarei de plantão, então sairei cedo. Venha me buscar às 16 horas ok, amor? — mamãe o pediu.

— Sim senhora! — Ele respondeu concentrado.

Mamãe trabalhava no Mercy Hospital, ela era enfermeira e também ajuda na UTI. Faltava poucas semanas para ela subir de nível e se tornar uma médica cirurgiã, o que era seu sonho. Além de fazer o que ama, ela iria ganhar bem mais agora e isso era muito bom. Eu perdi as contas de quantas noites ela virou estudando para alcançar essa posição, nem mesmo papai e eu escapamos. Ficamos horas e horas estudando, repetindo milhares de vezes a mesma coisa para ela não esquecer. Às vezes papai dormia, mas era acordado pelos safanões e empurrões que recebia da mamãe, e assim, seguimos várias madrugadas. Era horrível ter que acordar cedo e ir para a escola no dia seguinte, eu sempre dormia na maioria das aulas, mais todo o esforço valeu a pena, pois ela conseguiu! Muitas coisas sobre primeiro socorros eu aprendi com ela, ela sempre nos diz que quando você tem uma enfermeira na família é sempre bom aprender a fazer um ótimo curativo.

Naquelas últimas semanas estudamos tanto que eu sentia que já podia operar alguém. Achava, não, eu tinha certeza que já podia fazer um transplante de coração.

— Ei, podemos ir hoje à noite no Three Hearts? — perguntei entusiasmada, me inclinando para frente.

Entre vários cafés em Minessota, Three Hearts era o melhor! É um lugar muito agradável e quentinho, com o melhor chá quente com caramelo do MUNDO! Eles tem um bolo da família com três corações magnifico! Sempre que dá vamos lá, principalmente em nossos aniversários. Eles dão um bolo colorido maravilhoso para o aniversariante, como uma forma te presenteá-lo. Eu realmente AMO aquele lugar.

— Podemos! Vamos jantar bolo hoje à noite! — papai comemorou erguendo os punhos para o alto, comemorando.

— URUL! — celebrei erguendo os braços ao concordar.

— Vocês dois, não tem jeito... — Disse mamãe, ao balançar a cabeça sorrindo.

Relaxei minha cabeça no banco do carro e contemplei junto com meu coração as imensas árvores sem folhas que estavam vestidas pela neve que caiam sobre elas, as deixando brancas, como uma noiva no dia mais belo de sua vida. Elas sorriam lá do alto para mim, abrindo o vasto caminho, guiado-nos pelo o timido brilho do sol que nos cobriam.

Eu, costumo observar muitas coisas ao meu redor. Acredito que a beleza está sempre nos rodeando, mas por causa da correria do dia a dia, perdemos o que é realmente importante. O céu está acima de nós, mas estamos tão preocupados com os afazeres daqui de baixo que nos acostumamos a viver olhando apenas para baixo. Quando você puder, olhe para o céu. Talvez ele esteja azul, cinza, chuvoso, ou feio... Igual, todos os dias, para você. Mais se você perceber, ainda assim, você sempre verá algo diferente nele. Ei, você perdeu alguma coisa? erga a cabeça! O céu está acima. Como vai enxergá-lo se andar olhado para baixo? 

Hey! God loves you ;)

Feliz? Sim. Feliz.

— Chegamos senhorita, 12 dólares! — papai estendeu a mão para mamãe, cobrando-a.

— Que tal um beijo senhor taxista? — ela sorriu, em seguida beijando- o nos lábios ao se despedir.

— Amo vocês! Lembre-se de me buscar ás 16hrs, ok? — relembrou saindo do carro. — Fiz seu lanche Nicky, está na mochila, a bombinha coloquei no bolso de trás. — avisou-me fechando a porta do carro.

— Amo você mamãe.

— Amo você. Bom trabalho querida.

Assistimos ela caminhar em direção ao hospital. Ao chegar na porta de entrada, ela acenou em nossa direção, sendo retribuida pelos acenos e sorrisos vindo do carro.

— Ok. Agora vamos levar a última passageira do dia. — papai sorriu fazendo a careta fofa.

Sorri imitando- o.

— Vamos lá taxista, me leve para o lugar onde será minha vergonha. Estou #morta. — desabafei repondo o cinto em minha cindura novamente.

— Se sairá bem. Não se preocupe, pois você é Kim Nicky, filha de Kim Daejung! — bradou orgulhoso.

Sorri com seu entusiasmo.

Fomos conversando sobre o que poderiamos fazer nas férias que iríamos ter daqui a um ano. Mesmo que ainda faltasse muito, já estávamos fazendo planos. Na verdade, eu era a mais animada e ansiosa para viajar. Papai e mamãe também estavam muito animados para viajar, mais não tão animados quanto eu. Estávamos transbordando de ansiedade e de ideias sobre esses dias de descanso. Também seria justo, fazia mais de três anos que não saimos do quintal de casa, mereciamos alguns dias de férias divertidas, principalmente papai e mamãe que trabalhavam muito e não tinham tempo para se divertir e descansar.

— Ah, que tal voltarmos para Nova York e visitar lugares que ainda não visitamos? realmente gostei do nosso passeio pela cidade. — propus.

— Hum... Não sei. Que tal irmos para algum lugar que ainda não fomos visitar? Florida? Hawaii?... Que tal Texas? Sua mãe deseja ir em um lugar quente dessa vez...

— Ah papai! Em Washington existe um lindo campo de tulipas. Tem um festival que acontece em toda primavera chamado Skagit Valley Tulip Festival, Eu pesquisei, é incrivel! É como está no céu! Por favor, precisamos visitar aquele lugar!

Ele sorriu com meu entusiasmo.

— Oh sim, Washington... Já visitei na minha juventude. Podemos decidir com sua mãe mais tarde.

sorri ao concordar.

— Chegamos senhorita Ursinho. — ele anunciou se inclinado para pegar algo em sua pasta debaixo do acento.

— Obrigado papai, amo você. — agradeci abrindo a porta do carro.

— Hey hey! — estendeu a mão em minha direção. — Compre alguma coisa, não fique com fome, é importante, ok? — falou entregando 2 dólares.

— 2 dólares? o que eu faço com dois dólares? — perguntei fazendo cara feia.

— Você quer comprar comida ou um carro? — falou com os olhos arregalados fingindo estar indignado. — Compre uma barra de cereal ou um doce, sei lá, apenas para não ficar sem comer nada até o almoço.

— 10 dólares resolveria tudo. — sugeri levantando uma das sobrancelhas com um sorriso malandro nos lábios.

— Aish, essa criança! Vá logo, já está cinco minutos atrasada!

Desistindo, tirei minha cabeça de dentro da janela e voltei para minha postura normal, tomando com grosseria os miseros 2 dólares de sua mão, dando as costas em seguida.

— Tenha um bom dia, Tome cuidado, não vá comer fora da hora em... FIGHTING! — ergueu as mãos em um ato de encorajamento.

Virei os olhos ignorando seu entusiasmo enquanto caminhava em direção ao portão da escola, acenando com os 2 dólares em uma das mãos em quanto fingia um sorriso.

 

16HORAS

— Frio frio frio! — entrei no carro as pressas.

— Oi querida.

Fui recebida com um coro.

— Como foi? — papai perguntou curioso.

— Ah, tirando o fato de ficar para trás assistindo todos se exercitarem e se divertirem enquanto eu fiquei fazendo alongamentos durante as 4 horas grudada na saia da professora igual uma criança do jardim de infância, foi ótimo! A professora Ali disse que eu não precisava me esforçar mais, então fiquei ao seu lado sentada na cadeira em quanto ouvia: " Olá Sra. Kim, quer uma cadeira de balanço e um trico?", " Que tal um cafezinho? ", " Quer ajuda para subir as escadas até a sala? ", "Quer ajuda para atravessar o semáforo? ", " Professora, porque a Nicky está ai sentada enquanto estamos aqui correndo? Ahh é verdade, ela tem 70 anos! ", " Nicky, quer um caixão? "... 

— Quê? Te ofereceram um caixão? — mamãe se virou em minha direção — Como isso?... Ah, amanhã mesmo irei até a sua escola e vou apertar com vontade as orelhas desses alunos malvados que falaram isso! Como a sua professora... Daejung?... 

— Calma Hannah, — papai sorriu. — eles estavam brincando...

— Brincando ? Que tipo de brincadeira é essa, oferecer um caixão para o colega?...

— São crianças querida, eles aprontam...

— Ofereceram um caixão para sua filha Daejung, isso é uma brincadeira de mal gosto! Não vou deixar eles aprontarem com minha filha novamente! Irei na escola e conversarei pessoalmente com cada um...

— Você irá assusta-los desse jeito.

Ela o encarou cruzando os braços. 

— Que jeito?

— Esse ai... Olha sua expressão, parece uma bruxa malvada pronta para jogar um feitiç...

— Está me chamando de bruxa?

Papai sorriu. — Não foi isso...

— Sim, você acabou de dizer. Eu não sou bruxa!

Acompanhei papai com gargalhadas, mais logo nos arrependemos quando recebemos um olhar furioso em nossa direção.

— COMO estava dizendo... Estava muito frio e eu fiquei pensando: Em quem em sua sã consciência colocaria os alunos para correr e fazer exercicios no meio do campo de futebol em um dia congelado como este? Bom, a louco para tudo, não é? Depois a professora Ali achou melhor eu entrar para não pegar um resfriado e a minha nota seria um 9 por " presença ".

— Ah, ganhou um 9 pelo menos. — papai sorriu da minha situação deplorável.

Fechei os olhos ao dá um falso sorriso em sua direção.

Aos 17 anos, com 1,58cm, 46 kg, eu me sinto como uma vovó em seus 78 anos. Não posso correr, não posso comer muita coisa... é um saco. Mas tudo bem, isso não é novo para mim, eu já deveria ter me acostumado. Desde de criança vivi assim: limitada. Minha bombinha e eu somos inseparáveis, estamos juntas até para ir ao banheiro, - tudo bem, estou exagerando, - mas é quase isso. Dá última vez que ignorei meus limites, foi ao brincar de basquete na quadra da escola. Tive uma crise horrivel de armas que o jeito foi correr para o hospital e ficar entubada com uma máscara de ar no rosto e cheia de agulhas nos braços por 5 dias, e para piorar peguei uma gripe severa por ignorar o sereno daquela noite que resultou em grandes momentos de agonia. Depois daquele dia, prometi nunca mais voltar para aquele hospital novamente. Também prometi nunca mais ignorar as minha limitações. Foram dias ruim em que não quero que se repita, pois eu odeio hospitais.

— Teve crise? — mamãe perguntou virando para mim novamente.

— Não... apenas não consegui. — respondi, olhando para fora da janela.

— Sinto muito querida. — mamãe lamentou.

— O importante é que você participou de alguma forma. Isso já é o bastante. — disse papai dando um sorriso sarcástico de zombaria.

Cerrei os olhos em sua direção. 

— Inacreditável... Poxa papai, obrigado em!

— De nada querida! — sorriu gostando da brincadeira.

Quando chegamos no café, o barulho e a grande movimentação do lugar nos deram as boas-vindas acompanhado do garçom que veio nos receber na porta de entrada. O café de paredes avermelhadas bem iluminado trazia conforto. Ao invés de cadeiras comuns, os acentos das mesas eram almofadados de cor vermelha escura com a mesa de madeira clara, tinha duas imensas janelas com vista das gigantes montanhas onde a claridade do mundo lá fora trazia cor para dentro do café. O garçom nos direcionou para uma mesa em uma das imensas janelas e sentamos confortáveis: mamãe e papai sentaram de costas para a janela e eu sentei de frente para eles.

— O que vamos pedir dessa vez? — mamãe perguntou em voz alta mexendo os ombros, entusiasmada.

Depois de passar os olhos no cardápio, não demoramos muito para escolhermos o que iriamos comer. Por fim, escolhemos um pão assado gigante com molho de bacalhau, batata frita, omelete, salada, e alguns molhos apimentados entre outros acompanhamentos, e claro, o famoso bolo com três corações como sobremesa. 

— Obrigado amigo! — papai agradeceu o garçom colocando uma nota de 1 dólar em seu bolso, dando um tapinha em seu ombro ao sorri feliz. 

O moço timido que parecia está em torno de seus 19 anos de idade, aceitou com um sorriso timido ao agradecer, dando as costas logo em seguida. 

— Sério que você deu 1 dólar? apenas 1 dólar? — o olhei com desgosto.

— O quê ? Ele foi legal... — sorriu inocente.

Mamãe sorriu, e eu revirei os olhos.

— Hum! Isso está fantástico! — mamãe bradou ao dá uma mordida no pão.

— Ah, isso está muito bom! — papai deu uma imensa mordida em seu pão.

Ele parecia um louco enquanto saboreava o pão sorridente. Um pouco do molho de bacalhau entrou em seu nariz, e imediatamente gargalhei de boca aberta ao assistir a terrivel cena.

— Nicky! — mamãe me encarou. — Daejung! — Ai, vocês dois! Como conseguem se sujar tanto assim? Usem o prato e os talheres que estão ao seu favor!

— O legal de comer é se sujar — papai engoliu uma enorme colher de molho dando uma piscadela para mim, me tirando mais uma gargalhada.

— Com os talheches demola muito mais... Olha a chinhola, na primecha faticha e nós já eschamos na techeira... — resmunguei de boca cheia.

— Deus! — Mamãe balançou a cabeça envergonhada.

Quando terminamos de jantar, ainda estava escurecendo. O café estava localizado em uma montanha e por isso a noite demorava um pouco a cair, ao contrario da cidade. Essa era a época mais agitada no Three Hearts, pois mesmo que o natal e o ano novo tivesse acabado, ainda assim, o lugar se encontrava em clima natalino, com as luzes e toda a decoração de natal. 

Era 03 do 01 de 2016. 

— Estão satisfeitas minhas senhoritas? — papai nos perguntou tirando a carteira do bolso.

— Eu adoraria um sorvete. — respondi.

— HÃ? — papai olhou assustado. — Sorvete? Garota, para onde vai tudo isso? — apontou para minha barriga. — Assim não dá, você vai me falir!

— Eu também quero. — mamãe falou olhando para o cardápio.

— Ah não. Assim vocês vão mesmo me falir! 

O olhei, e cerrei os olhos em sua direção.

— Eu... aposto que toda essa comida custou... 24.00 dólares! — apontei o dedo indicador em sua direção, o desafiando. 

Papai me encarou. 

— Eu aposto... que custou 28.00 dólares! 

— Mamãe?

— Eu? Hum... 26.00 dólares? Não sei. Ai vocês dois... — ela sorriu, voltando para o cardápio.

Levantei do acento.

— Ok! Quem chegar mais próximo do valor... — pus a mão no queixo ao pensar... —  Hum... Vai ter que... Ir lá fora para tirar uma foto sem o casaco!

Ele levantou. 

— Sem o casaco, hã? 

— Sim, sem o casaco. — concordei com o olhar malicioso. 

— Eu só quero ver onde isso vai dar. — mamãe falou ainda concentrada no cardápio.

— Ok. GARÇOM! Poderia trazer a conta por favor?

— Dois sorvetes, por favor. — mamãe o cobrou.

— E dois sorvetes. Obrigado! 

Eu estava muito animada com essa aposta, ainda mais com a ideia do perdedor ter que ir lá fora enfrentar aquele frio congelante de fim de tarde sem o casaco. Contando que não seja eu, irei da muitas risadas. Irei ganhar essa aposta, estou decidida.

— Ok. A conta se encontra em minhas mãos. — levantou a conta em sinal de vitória.

— Abre, eu quero ver. — supliquei ficando de pé com o sorvete de limão em uma das mãos.

— Vamos ver... Uh... 

— ABRE LOGO! — mamãe e eu o apressamos.

De repente, papai gritou fazendo com que a família ao lado olhassem para nós.

— UHUL! Eu sou demais! — jogou na mesa a conta levantando-se e abrindo os braços vitorioso.

Me inclinei rapidamente sobre a mesa pegando a conta curiosa junto com a mamãe. 

— 30.00 dólares!

— Quanto ? Deixe-me ver... — mamãe curiosa tomou a conta de minhas mãos.

Cai no sofá me sentindo uma perdedora enquanto papai dava risada apontando em minha direção enquanto cantando repetidamente: " Vai tirar foto no gelo, vai tirar foto no gelo, vai tirar foto no gelooo..."

Ah, minha vergonha.

— Parece uma criança abobalhada. — falei fazendo cara feia de braços cruzados. — Como competir com um contabilista? Eu deveria ter ficado quieta. — reclamei cruzando os braços.

— Não adianta fazer cara feia. Vamos, tire seu sobretudo, apenas de vestido. Vá vá vá! — falou enquanto me empurrava porta afora, sorridente.

Dançando alegremente, ele me conduziu para fora do café. Imediatamente sentir o vento congelante soprar em meu rosto, fazendo meus olhos lagrimejarem. Estava tão frio que doia a alma. Mais como não fujo dos meus compromissos, iria cumprir a humilhação com honra e orgulho.

— Aqui... Fique ai... Isso! — ele me colocou na posição que desejava. 

Como uma criança abobalhada, ele sorria e dançava com o celular nas mãos enquanto tirava fotos. Sua alma de criança me fazia sorri, encantando minha vida. Eu comecei a observá-lo. Ele era lindo. Seu jeitinho bobo e suas gargalhadas me fazia bem e me completava. Entre todos do mundo, meu pai era quem eu mais amava.  

— Rápido Daejung, ela não pode ficar nesse frio. — mamãe o alertou.

Fiquei séria e cruzei os braços por um momento ignorado sua alegria.

— Pelo menos aqui tem alguém preocupada comigo, e não se divertindo com minha desgraça. 

— Ah, não está tão frio assim. Pare de reclamar. Vire-se, faça aegyo... 

Ele fez sua careta fofa ao colocar uma das mãos na cintura fazendo biquinho com seus lábios, tirando risadas de algumas pessoas que nos observava. 

Apesar do clima frio, muitos estavam fora do café para apreciar a bela paisagem montanhosa que enchiam os olhos. Alguns casais se juntavam para tirar fotos em clima romântico, outros estavam sozinhos com uma bebida quente nas mãos, algumas familias se abraçavam ao posar para uma selfe, outros apenas apreciavam junto com seu acompanhante a bela vista das montanhas enquanto conversavam. Já outro, tentava humilhar sua filha publicamente. 

Parei por um momento para observar o lugar em que visitava com frequência. As cumpridas árvores cobertas de gelo combinavam perfeitamente com as nuvens do céu. Pequenos diamantes cristalinos caiam brilhantemente, refletindo neles o brilho do pôr do sol que iluminava o fim da tarde, segava-me um pouco a visão. Fechei meus olhos e pude sentir seu calor por um momento. Isso era bom. 

Eu... poderia voar, agora?

— Sorria Kim! 

Abri os olhos com papai sorridente ao me pedir um sorriso. 

Recusei. Não iria dá esse gostinho para ele. Ele colocou as mãos na cintura e fez uma careta fofa. Droga, a quem eu queria enganar? sinceramente era irresistível. Já que meu orgulho tinha ido por água a baixo, pus minhas mãos na cintura e fiz caras e bocas usando todos os aegyos que conhecia. 

— Daebak! Mandarei para papai e mamãe hoje mesmo! Eles vão adorar com certeza! — ele sorriu assistindo as fotos tiradas.

— Cubra-se logo! Pelo amor de Deus Nicky! Rápido, para dentro! — mamãe me advertiu colocando o casaco sobre mim e me empurrando para dentro do café.

— Ual! Eu realmente adorei essas fotos. Você deveria ser modelo querida... — ele falou em quanto sorria orgulhoso concentrado nas fotos em seu celular. — Aish! minha filha é realmente bonita! Olhe essa, olhe essa aqui, ual! — sorria compartilhando as imagens com a mamãe que olhava interessada enquanto caminhávamos de volta para o nosso acento.

— Ah, eu realmente gostei! Ah, essa ficou perfeita!... Olha essa!... Irei colocá-la em um quadro bem grande e bonito. — mamãe sorriu ao olhar para mim.

Papai carinhoso me abraçou, trazendo-me para mais perto. Eu o observei com um sorriso orgulho e apaixonado. Eu realmente o amava, mais do que conseguia dizer em palavras.

— Quer mais alguma coisa? — perguntou.

Olhei em seus olhos admirando seu rosto como se quisesse capturar cada centimetro dele. Sorri em sua direção em quanto sentia o calor do seu abraço.

— Não papai. Eu não quero mais nada.

Ele sorriu ao me abraçar mais forte.

A chuva de neve nos impulsionou a correr rapidamente até o carro entre gritos e risos. Não era de se espantar, Minnesota é uma das cidades mais frias dos Estados Unidos, ou seja, o inverno é extremamente rigoroso. Já era noite quando saimos do café, em torno de 20:50hrs á 21hrs. Vi muita neve na estrada e lembrei de imediato do noticiário de mais cedo quando Cris falou que esse inverno seria o mais rigoroso de todos os tempos, e que haveria muita neve. 

— Papai não está bem. — papai rompeu o silencio. 

Olhei em sua direção. 

— O que houve papai? 

— Ele pegou uma gripe, e está de cama, de novo. Eu estou um pouco preocupado. Depois do acidente ele nunca mais foi o mesmo... Está velho e as doenças da velhice chegaram...

— Não se preocupe amor, ele vai melhorar. Ele já passou por isso antes. Ele vai ficar bem. — mamãe o confortou pondo sua mão sobre seu peito, onde seu gesto de carinho foi retribuiu ao ser segurada pela a mão dele que logo o aceitou. 

— Mamãe falou que ele teve febre alta que durou quase quatro dias. Eles estão sozinhos e isso me deixa louco de preocupação.

— Eles estão no hospital?

— Sim.

Vovô sofreu um acidente há alguns anos atrás que o deixou paraplégico e quase quadriplégico. É impossivel não ficarmos apreensivos e preocupados quando alguma noticia chega de lá. Tudo fica ainda mais dificil com toda a distância, pois a Coréia do Sul não é tão perto quanto queriamos que fosse. Sempre que ouviamos algo sobre os meu avos, nunca era algo bom. Infelizmente nós não temos como ir até lá. Estamos sempre presente, mesmo tão longe, mais isso não é o suficiente. Papai conversa com eles quase todos os dias por telefone e as vezes por video online. Mais o desejo dele é está lá, pessoalmente com eles.

Ficamos em silêncio dentro do carro, e isso é muito constrangedor. Eu odeio esse tipo de silêncio, parece que alguém morreu e essa sensação é horrivel. 

— Eu poderia ser médica. — pensei alto olhando para fora da janela.

— Médica? — mamãe perguntou virando para mim.

— Hã? Ah, sim. Estou pensando em fazer medicina. — expliquei. — Bom, eu ainda não sei direito o que quero fazer mais... quero ajudar as pessoas, como você mamãe.

Ela deu um sorriso doce e orgulhoso. 

— Você terá muito tempo para decidir, querida. 

— Também gosto de artes... Realmente gosto de quadro de artes. Eles me encantam de alguma forma... Talvez uma curadora de quadros de artes? 

— Seja o que for, nós iremos te apoiar. 

— Mesmo? 

— Uhum. 

— Mesmo se eu quiser ser policial? Arquiteta? Bombeira? Mergulhadora? Professora? Que tal cantora? eu tenho um ótimo timbre, me sairia bem... WOW, que tal modelo? A nova angel da Victoria's Secret, a americana de pele sul-coreana de 1,58 de altura... hum, que tal? — coloquei as mãos na cabeça fazendo pose para chamar atenção. — Apresentadora de TV? Garçonete? Cozinheira? Chefona das forças armadas americana?...

Eles gargalharam ao ouvir toda a minha animação.

— Chefona das forças armadas americana ? HAHAHA... Sim. Te apoiaremos. — mamãe apoiou novamente.

— E se eu quiser ser da politica? — continuei.

— Da politica? — papai perguntou ao sorrir, curioso.

— Mesmo se você quiser ser da politica. — mamãe concordou.

Era como um cobertor quente. No inverno costumávamos assistir filmes debaixo das cobertas no chão da sala, era muito divertido e quentinho. O calor que cercava o lugar, que aquecia meu corpo e que confortava meu coração, não era do grande cobertor peludo que nos cobriam, era o amo deles, dos meus pais por mim. Não existe calor que eu posso encontrar em nenhum outro lugar. Se eu tiver um pedido, pediria que todos os dias fossem inverno, para que assim, eu pudesse ser coberta por esse grande cobertor quente todos os dias, pro resto da minha vida.

— Bom. Espero ajudar pessoas de alguma forma, como você mamãe, e quero ser bem sucedida como você papai. 

— Seja o que for estaremos com você, para Sempre! — papai sorriu inclinando sua cabeça para trás, onde eu estava.

Sorri recebendo seu amor.

Mamãe se inclinou para trás em minha direção. 

— Estaremos sempre apoiando você, estaremos sempre aqui... — alguma coisa a fez olhar para frente interrompendo-a. 

— DAEJUNG! — Mamãe gritou ao olha para o papai.

Olhei rapidamente para onde ela estava olhando a procura do que a tinha assustado, mais eu não conseguia ver por causa da forte luz que me impedia de enxergar. Um carro. Uma caminhonete em alta velocidade veio desgovernada em nossa direção, derrapando sem controle pela estrada de gelo. Papai rapidamente virou o carro tentando desviar da caminhonete. Mais antes que eu pudesse dizer algo, rapidamente papai olhou em minha direção.

— Nicky. — Ouvi meu nome.

 



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