História You Come - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Tags Romance
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Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Luta, Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Meu porto seguro


Meu porto seguro.

O sorriso é o sol que aquece o frio triste de um coração. Como uma primavera que logo chega com suas flores para encantar os olhos. Como um abraço apertado de alguém que seu coração ama. Como uma boa comida aliviando a fome. Como um pedido para ser feliz.

Eu, decidi aceitar esse pedido.

— Bom dia, bela adormecida! — mamãe anuncia sua chegada indo em direção às cortinas, as abrindo — Bom dia, meu amor! Vamos acordar? — voltou a falar vindo até mim penteando com seus dedos meu cabelo, beijando minha testa.

— Mãe, me deixe dormir, poxa vida eu estou cansada! Isso não é justo. Eu sou uma jovem adolescente que necessita dormir bem para crescer e se tornar um ser humano saudável — reclamo trazendo o cobertor sobre a cabeça.

— Cansada, do quê? Levanta Nicky! Te dou 1 segundo! — falou indo em direção à porta do quarto.

Eu estou realmente com sono. Na noite anterior quando fui dormir, já passava das 22:00hs. Apesar disso o filme que assisti com papai foi incrível. Papai não gostou do final, foi pra cama reclamando, como sempre. Não lembro da última vez que ele assistiu um filme e gostou do final dele, - e são filmes que ele mesmo escolheu -. O meu papel nisso são as minhas fortes gargalhadas que o deixa ainda mais irritado.

— NICKY! — alguém grita lá de baixo.

— Ai... — sento na cama com cara de choro, chacoalho os pés resmungona. Logo se vestindo e descendo as escadas galopando, pulando os últimos três degraus.

— Bom dia. — cumprimento papai que está na cozinha de pé ao lado da mesa fazendo seu café enquanto assiste o noticiário.

Eca, eu detesto café!

— Bom dia, Ursinho — sauda beijando minha cabeça.

Ursinho. Ai minha vergonha! Ursinho é o apelido carinhoso que papai me deu já que sou pequena e tenho um caráter fofinho, - essas são suas palavras -. Ele diz que acha isso encantador, mas eu tenho 17 anos é vergonhoso poxa. Não poderia me da um apelido mais... sério? Ursinho? Ahhhh...

— Está bem aquecida? — mamãe pergunta vindo em minha direção ao beijar minha cabeça. — Hoje fará menos 15°C, se agasalhe bem. Coloque mais um casaco por precaução. — pede já depositando o casaco na mesa.

Abro o armário da cozinha para pegar...

— Onde está meu Froot Loops?

— Seu pai não comprou. — mamãe responde saindo em direção à sala.

— Ah, não paiêêê! — levanto a cabeça fazendo cara de choro. — Como o senhor pode esquecer de comprar meu cereal? O que eu vou comer agora?

— Desculpe ursinho, eu esqueci. — explica indo para a pia. — Você pode comer panquecas, eu posso fazer para você. — tenta se redimir

— Você tem apenas uma filha e esquece dela desse jeito? É apenas um cereal, um só... Como pode ir ao mercado e esquecer? Como isso é possível? O que mais o senhor vai esquecer da próxima vez? EU? — lhe pergunto com as mãos ao peito de olhos arregalados. — Vai esquecer que tem filha também? — dobro os braços sobre a mesa afundando a cabeça sobre eles. — Ó, vida cruel, Ó vida cruel! — lamento.

— Você seria uma ótima atriz de drama. — papai sorrir fazendo cafuné em minha cabeça ao passar por mim.

— Ele está brincando com meus sentimentos. Como pode alguém ser assim? Não é qualquer cereal, é Ó cereal! Essa manhã ficará marcada, para sempre! Estou realmente indignada. — falo ainda com a cabeça afundada sobre os braços.

Mamãe sorrir balançando a cabeça, ignorando meu choro dramático.

— Mocinha você precisa estar cedo na escola para avaliação. Já terminou? — pergunta já pegando o prato sem esperar pela resposta, e o pondo na pia. 

A manhã está tão fria que eu mal consigo respirar. No inverno por causa da baixa umidade do ar eu costumo ter pequenas-grandes crises de asma. Sim, o frio pode me matar tirando meu ar, ou ao menos é o bastante para eu me desesperar e acreditar que vou passar desta para melhor.

— Está agasalhada, querida? Trouxe seu casaco? Está com as luvas? — mamãe pergunta entregando minha mochila.

— Sim, sim, e... Sim! — sorrio largo ao respondê-la.

Ela dá outro sorriso largo em troca.

— Se aqueça bem e tome bastante líquido quente, ok? Como será a avaliação hoje Ursinho? — papai pergunta enquanto dirige.

— Nada demais. Só teremos que correr 5 km no campo de futebol e fazer alguns alongamentos.

— Se sairá bem. Porque a minha filha é a melhor! — ergue o pulso para o alto como um vencedor.

Sorri.

— Eu vou passar vergonha isso sim. Vocês já me viram correndo?

— Já. Parece uma velhinha. — papai zomba através do retrovisor.

Cerro os olhos em sua direção, mas logo sorrio.

— Eu pareço um Jabuti! Minhas pernas são curtas e não consigo correr com elas. E sem falar que já me sinto cansada só de caminhar, imagina correndo. Ai minha vergonha! Eu já consigo ver... — me afundo no assento do carro com as mãos no rosto tentando cobrir minha frustração.

— Você se sairá bem querida. Apenas dê o seu melhor. Ok? Mas não se esforce muito. — mamãe aconselha.

— Ok. — respondo.

— Vou passar no mercado antes de ir buscar vocês. Precisamos de ovos, frutas e Froot Loops. — papai informa ao olhar pra mim.

— YES! — ergo os braços entusiasmada.

— Você já deveria ter parado de comer o Froot Loops. Não acha que já está crescida para comer cereal infantil? — de cabeça baixa mamãe me cobra sem tirar sua atenção de seus amados livros sobre seu colo.

— Deixe ela Hannah. Nosso ursinho ainda não cresceu. — papai sorri fazendo a careta fofa em minha direção.

Ele fica absurdamente fofinho quando faz a careta fofa. Ele costuma usar quando quer algo, mais na maioria das vezes ele faz por puro charme mesmo. É tão fofo que dá até agonia. Quando eu era criança e não queria comer, ele olhava para mim e dizia palavras doces como: " Você não fará isso para seu papai? Uma colher de jacaré, por favor? Hm? ". Piscando os olhos ao sorrir com uma fofura além desse mundo. E é claro, era IMPOSSIVEL não atender o seu pedido. As vezes eu fingia que não queria comer apenas para vê-lo agir daquela forma novamente. Seu Smile Eyes também é um encanto. Papai é coreano e como todo coreano ele tem seus olhos puxados, tornando assim seu Smile Eyes uma fofurice ainda maior. Puxei papai em muitas coisas como sua cor de pele, seu cabelo escuro escorrido, e um pouco dos seus olhos. Mamãe costuma dizer que puxei também sua doçura e seu Smile Eyes. Diferente dela com sua pele branca, cabelo e olhos castanhos claros. 

— Hoje não ficarei de plantão então sairei cedo. Venha me buscar às 16 horas, ok amor? — mamãe o pede.

— Sim senhora! — Responde concentrado.

Mamãe trabalha no Mercy Hospital. Ela é enfermeira. Ela está estudando para as provas finais para subir de nível e se tornar médica. Eu perdi as contas de quantas noites ela virou estudando. Nem mesmo papai e eu escapamos. Ficamos horas e horas estudando, repetindo milhares de vezes a mesma coisa para ela não esquecer. Às vezes papai dormia mas era acordado pelos safanões que recebia. E assim seguimos várias madrugadas. Era horrível ter que acordar cedo e ir para a escola no dia seguinte. Eu sempre dormia na maioria das aulas. Mais todo o esforço valeu a pena, pois ela conseguiu passar para as finais. Naquelas últimas semanas estudamos tanto que eu sentia que já podia operar alguém. Achava, não, eu tinha certeza que já podia fazer um transplante de coração. Muitas coisas sobre primeiro socorros eu aprendi com ela. Ela sempre nos diz que quando você tem uma enfermeira na família é sempre bom aprender a fazer pelo menos um ótimo curativo.

— Ei, podemos ir hoje à noite no Three Hearts? — pergunto entusiasmada ao me inclinar para frente.

Entre vários cafés em Minessota Three Hearts é o melhor. É um lugar muito agradável e quentinho com o melhor chá quente com caramelo do MUNDO! Eles tem um bolo para a família decorado com três corações magnifico! Sempre que dá vamos lá, principalmente em nossos aniversários. Eles dão um bolo colorido maravilhoso para o aniversariante. Eu realmente amo aquele lugar.

— Podemos! Vamos jantar bolo hoje à noite! — papai comemora erguendo os punhos.

— URUL! — celebro.

Mamãe sorri.

Deito minha cabeça contemplando junto com meu coração as imensas árvores sem folhas que estão vestidas pela neve que cai sobre elas, as deixando brancas como a noiva no dia mais belo de sua vida. Elas sorriem lá do alto para mim, abrindo o vasto caminho que nos guia.

Eu costumo observar muitas coisas ao meu redor. Acredito que a beleza está sempre nos rodeando. Mas por causa da correria do dia a dia, perdemos o que é realmente importante. O céu está acima de nós, mas estamos tão preocupados com os afazeres daqui de baixo que nos acostumamos a viver olhando apenas para baixo. Quando você puder, olhe para o céu. Talvez ele esteja azul, cinza, chuvoso, ou feio... Igual, todos os dias, para você. Mais se você perceber, ainda assim, você sempre verá algo diferente nele. Ei, você perdeu alguma coisa? erga a cabeça! O céu está acima. Como vai enxergá-lo se andar olhado para baixo? 

Hey! God loves you ;)

Feliz? Sim. Feliz.

— Chegamos senhorita, 12 dólares! — papai estende a mão para mamãe, cobrando-a.

— Que tal um beijo senhor taxista? — sorri ao beija-lo nos lábios.

— Amo vocês! Lembre-se de me buscar ás 16hrs, ok? — relembra saindo do carro. — Fiz seu lanche Nicky, está na mochila, a bombinha coloquei no bolso de trás.

— Obrigado. Amo você mamãe.

— Amo você. Bom trabalho querida.

Assistimos ela caminhar em direção ao hospital. Ao chegar na porta de entrada ela acena em nossa direção sendo retribuida pelos acenos e sorrisos vindo do carro.

— Ok. Agora vamos levar a última passageira do dia. — papai sorri fazendo a careta fofa.

Sorrio imitando- o.

— Vamos lá taxista, me leve para o lugar onde será minha vergonha. Estou #morta. — desabafo repondo o cinto em minha cindura novamente.

— Se sairá bem. Não se preocupe, pois você é Kim Nicky, filha de Kim Daejung! — brada orgulhoso.

Sorrio com seu entusiasmo.

Fomos conversando sobre o que iríamos fazer nas férias daqui há a um ano. Mesmo que ainda faltasse muito já estávamos fazendo planos. Na verdade eu sou a mais animada e ansiosa para viajar. Papai e mamãe também estão muito animados, mais não tão animados quanto eu. Faz mais de três anos que não saimos do quintal de casa. Merecemos alguns dias de férias divertidas, principalmente papai e mamãe que trabalham muito e não tem tempo para se divertir.

— Ah! Que tal voltarmos para Nova York e visitar lugares que ainda não visitamos? Realmente gostei do nosso passeio pela cidade. — proponho.

— Hum. Não sei. Que tal irmos para algum lugar que ainda não fomos visitar? Florida? Hawaii? Que tal Texas? Sua mãe deseja ir em um lugar quente dessa vez.

— Ah eu sei eu sei um lugar! Em Washington existe um lindo campo de tulipas. Tem um festival que acontece em toda primavera chamado Skagit Valley Tulip Festival, eu pesquisei, é incrivel! É como está no céu! Por favor, precisamos visitar aquele lugar!

Sorrir.

— Oh sim Washington. Já visitei muitas vezes. É um ótimo lugar. Podemos decidir com sua mãe mais tarde. 

— Chegamos senhorita Ursinho. — ele anuncia se inclinado para pegar algo em sua pasta debaixo do acento.

— Obrigado papai, amo você. — agradeci abrindo a porta do carro.

— Hey hey! — estende a mão em minha direção. — Compre alguma coisa, não fique com fome, é importante, ok? — alerta ao entregar 2 dólares.

— 2 dólares? O que eu faço com dois dólares? — pergunto de cara feia.

— Você quer comprar comida ou um carro? — fala fingindo estar indignado. — Compre uma barra de cereal ou um doce, sei lá, apenas para não ficar sem comer nada até o almoço.

— 10 dólares resolveria tudo. — sugiro levantando uma das sobrancelhas com um sorriso malandro nos lábios.

— Aish, essa criança! Vá logo, já está cinco minutos atrasada!

Desistindo, tiro minha cabeça de dentro da janela e volto para a postura normal, tomando com grosseria os miseros 2 dólares de sua mão dando as costas em seguida.

— Tenha um bom dia. Tome cuidado. Não coma fora da hora. FIGHTING! — ergue as mãos em um ato de encorajamento.

Viro os olhos ignorando seu entusiasmo enquanto caminho em direção ao portão da escola, acenando com os 2 dólares em uma das mãos fingindo um sorriso verdadeiro.

 

16HORAS

— Frio frio frio! — entro no carro as pressas.

— Oi querida.

—  Oi querida

— Como foi? — papai pergunta curioso.

— Ah, tirando o fato de ficar para trás assistindo todos se exercitarem e se divertirem enquanto fiquei fazendo alongamentos durante meia horas grudada na saia da professora igual uma criança do jardim de infância, foi ótimo! A professora Ali disse que eu não precisava me esforçar mais, então fiquei ao seu lado sentada na cadeira enquanto ouvia: " Olá Sra. Kim, quer uma cadeira de balanço e um trico?", " Que tal um cafezinho? ", " Quer ajuda para subir as escadas até a sala? ", "Quer ajuda para atravessar o semáforo? ", " Professora, porquê a Nicky está ai sentada enquanto estamos aqui correndo? Ah é verdade, ela tem 70 anos! ", " Nicky, quer um caixão? "...

— Quê? Te ofereceram um caixão? — mamãe se vira em minha direção espantada.  — Como isso?... Ah, amanhã mesmo irei até a sua escola e vou apertar com vontade as orelhas desses alunos malvados que falaram isso. Como a sua professora... Daejung?... 

— Calma Hannah. — papai sorrir. — eles estavam brincando...

— Brincando? Que tipo de brincadeira é essa, oferecer um caixão para o colega?

— São crianças querida, eles aprontam...

— Ofereceram um caixão para sua filha Daejung, isso é uma brincadeira de mal gosto! Irei naquela escola e conversarei pessoalmente com cada um deles.

— Você irá assusta-los desse jeito.

Ela o encara cruzando os braços. 

— Que jeito?

— Olhe sua expressão... Me lembra aquelas bruxas malvadas prestes a mexer sua varinha e transformar as pesso...

—  Está me chamando de bruxa?

—  Não foi isso que disse, eu falei...

—  Não. Você acabou de dizer. Eu não sou bruxa!

Acompanho papai com gargalhadas, mais logo nos arrependemos quando recebemos um olhar furioso.

— COMO dizia. Estava muito frio e eu fiquei pensando: Em quem em sua sã consciência colocaria os alunos para correr e fazer exercicios no meio do campo de futebol em um dia congelante como este? Bom, a louco para tudo, não é mesmo? Depois a professora achou melhor eu entrar para não pegar um resfriado e a minha nota seria um 9 por " presença ".

— Ah, ganhou um 9 pelo menos. Mesmo sem ter feito muita coisa. — papai zomba da minha situação deplorável.

Fecho os olhos ao dá um falso sorriso em sua direção.

Aos 17 anos, com 1,58cm, 46 kg, eu me sinto como uma vovó em seus 78 anos. Não posso correr, não posso comer muita coisa, é um saco. Mas tudo bem, isso não é nada novo pra mim. Eu já devia ter me acostumado. Desde de criança vivi assim: limitada. Minha bombinha e eu somos inseparáveis, estamos juntas até para ir ao banheiro, - tudo bem, estou exagerando, - mas é quase isso. Dá última vez que ignorei meus limites tive uma crise horrivel de armas que o jeito foi correr para o hospital e ficar entubada com uma máscara de ar no rosto e cheia de agulhas nos braços por cinco dias. Pois eu havia pego uma gripe severa por ignorar o sereno daquela noite na quadra de basquete da escola, onde resultou em grandes momentos de agonia. Depois daquele dia prometi nunca mais voltar para aquele hospital novamente. Também prometi nunca mais ignorar as minha limitações. Foram dias ruim em que não quero que se repita, pois tenho trauma de agulhas e odeio hospitais. O que não deveria já que desde de bem pequena vivi no hospital por ter uma saúde frágil. Mas quem se acostumaria a ser perfurada o tempo todo e ser forçada a depender de uma máscaras de ar duas vezes maior do tamanho do seu rosto? Às vezes minha bombinha não é o suficiente e preciso correr para o hospital. 

— Teve crise? — mamãe pergunta.

— Não, apenas não consegui. — respondo olhando para fora da janela.

— Sinto muito querida.

— O importante é que você participou de alguma forma, mesmo não participando. — papai dá seu apoio sorrindo sarcasticamente.

— Inacreditável! Poxa papai, obrigado em!

— De nada querida! — sorrir gostando da brincadeira.

Ao chegar no café o barulho e a grande movimentação do lugar nos compartimentam com as boas-vindas, acompanhado do garçom que vem nos receber na porta. O café de paredes avermelhadas bem iluminado traz conforto. Ao invés de cadeiras comuns os acentos são almofadados de cor vermelha escura e a mesa é de madeira clara. Duas imensas janelas com vista das gigantes montanhas traz claridade do mundo lá fora para dentro do café.

— O que vamos pedir dessa vez? — mamãe pergunta mexendo os ombros entusiasmada.

Não demorou muito para escolhermos o que comer. A escolha foi o de sempre: o gigante pão assado recheado de purê de batata com molho de bacalhau, batata frita, omelete apimentado, salada com camarão, e é claro, o famoso bolo decorado com três corações de sobremesa. 

— Hum! Isso está fantástico! — mamãe se delicia.

— Isso está muito bom! — papai se lambuza.

Um pouco do molho suja seu nariz e imediatamente gargalho de boca aberta ao assistir a terrivel cena. Ele parece um louco.

— Nicky! — mamãe me encara. — Daejung! — Vocês dois... Como conseguem se sujar tanto assim?

— O legal de comer é se sujar — papai engole uma enorme colher de molho dando uma piscadela pra mim, me tirando várias gargalhadas.

— Deus! — Mamãe balança a cabeça indgnada.

O café está localizado no alto de uma montanha e por isso a noite demora um pouco a cair, ao contrario da cidade. Essa é a época mais agitada no Three Hearts, pois mesmo que o natal e o ano novo já havia ido, ainda assim o lugar se encontra em clima natalino.

É 03 do 01 de 2016. 

— Estão satisfeitas senhoritas? — papai nos pergunta tirando a carteira do bolso.

— Eu adoraria um sorvete de limão. — respondo.

— HÃ? — olha assustado. — Sorvete? Garota para onde vai tudo isso? — aponta para minha barriga.

— Eu também quero. — mamãe anuncia olhando para o cardápio.

— Minha nossa! Estou falido! — desaba colocando a mão no rosto.

— Eu aposto que toda essa comida custou... 24.00 dólares! — cruzo os braços.

Papai me encara ao levantar uma sobrancelhas.

— Eu aposto que custou 28.00 dólares! 

— Mamãe?

— Eu? Hum... 26.00 dólares? — sugere ainda olhando o cardápio.

Levanto do acento.

— Ok! Quem chegar mais próximo do valor... — ponho a mão no queixo ao pensar... —  Hum... Vai ter que ir lá fora tirar uma foto sem o casaco!

Papai levanta. 

— Sem o casaco, hã? 

— Sim, sem o casaco. — concordo com o olhar malicioso. 

— Ok. GARÇOM! Poderia trazer a conta por favor?

— Dois sorvetes, limão e abacaxi, por favor. — mamãe o cobra.

— E dois sorvetes, limão e abacaxi. Obrigado! 

Estou muito animada com essa aposta. Ainda mais com a ideia do perdedor ter que ir lá fora enfrentar aquele frio congelante. Contando que não seja eu, irei da muitas risadas.

— Ok. A conta se encontra em minhas mãos. — papai faz suspense.

— Abre, eu quero ver. — suplico com o sorvete em uma das mãos.

— Vamos ver... Uh... 

— ABRE LOGO! — mamãe e eu o apressamos.

— To abrindo, calma, Jesus... Mas querem ver agora ou...

— AGORA! 

— Ta bom, ta bom, minha nossa. Vou abrir... Vamos ver... YES! EU SOU DEMAIS! — joga na mesa a conta ao abrir os braços vitorioso.

Me inclino rapidamente sobre a mesa pegando a conta curiosa e caio no sofá enquanto papai comemora de pé ao cantar repetidamente: " Vai tirar foto no gelo, vai tirar foto no gelo, vai tirar foto no gelooo..."

— Quanto? Deixe-me ver... — mamãe toma a conta de minhas mãos. — 30.00 dólares! Ah Nicky. — sorrir.

Ah, minha vergonha.

— Parece uma criança abobalhada. — resmungo de braços cruzados. — Como competir com um contabilista? Eu deveria ter ficado quieta.

— Não adianta fazer cara feia. Vamos! Ka ka ka! — me empurra as pressas para fora do café.

— Aqui, fique aqui. Não se mova! 

Como uma criança abobalhada, ele sorrir com o celular nas mãos enquanto as fotos são Capituladas. Sua alma de criança me faz sorrir, encantando minha vida. Eu o observo. Ele é lindo. Seu jeitinho bobo e suas gargalhadas me faz bem e me completa. Entre todos do mundo, meu pai é quem eu mais amo.  

— Rápido Daejung, ela não pode ficar nesse frio. — mamãe o alerta.

— Pelo menos aqui tem alguém preocupada comigo e não se divertindo com a minha desgraça. 

— Ah não está tão frio assim, pare de reclamar. Vire-se, faça aegyo... — faz sua careta fofa ao colocar uma das mãos na cintura fazendo biquinho com seus lábios, tirando risadas de algumas pessoas que nos observam. 

Apesar do clima frio, muitos estão fora do café para apreciar a bela paisagem que enche os olhos. Alguns casais estão tirando fotos em clima romântico, outros apenas apreciam a vista enquanto conversam, outros sozinhos se fazem companhia com sua bebida quente nas mãos, algumas familias se abraçam para uma selfe, e outros tentam humilhar sua filha publicamente. As cumpridas árvores cobertas de gelo combinam perfeitamente com as nuvens do céu. Pequenos diamantes cristalinos caem brilhantemente, refletindo neles o brilho do pôr do sol que ilumina o fim da tarde. Eles segam meus olhos fazendo-me fechá-los ao sentir seu calor por um momento. Isso era bom. 

Eu... poderia voar agora?

— Sorria Kim! 

Abro os olhos com papai sorridente ao me pedir um sorriso. Mas recuso de imediato. Não irei dá esse gostinho pra ele. Mas ele então coloca as mãos na cintura ao fazer a careta fofa. Droga! A quem eu quero enganar? Já que meu orgulho foi por água a baixo, posiciono minhas mãos na cintura e com caras e bocas uso todos os aegyos que conheço.

— Daebak! Mandarei para papai e mamãe hoje mesmo! — sorrir assistindo as fotos capituladas.

— Cubra-se logo! Pelo amor de Deus Nicky! Rápido, para dentro! — mamãe coloca o casaco sobre mim, me empurrando para dentro do café.

— Aish! Minha filha é muito bonita! Eu realmente adorei essas fotos! Olhe amor, como ela está linda.

— Oh, deixe-me ver... Ual, realmente gostei! Ah, essa ficou perfeita! Olha essa! Irei colocá-la em um quadro bem grande e bonito. — mamãe sorrir.

Em direção ao caixa, papai carinhoso me abraça. Eu o observo com um sorriso orgulho.

— Quer mais alguma coisa? — ele pergunta.

O que mais eu desejaria que seja melhor que isto?

— Não papai. Eu não quero mais nada. — respondo abraçando-o mais forte.

Ele sorrir ao retribuir meu abraço, ao beijar minha cabeça.

A chuva de neve nos impulsiona a correr rapidamente até o carro entre gritos e risos. Não é de se espantar, Minnesota é uma das cidades mais frias dos Estados Unidos, o inverno é extremamente rigoroso. Vi muita neve na estrada e lembrei de imediato do noticiário de mais cedo quando Cris falou que esse inverno seria o mais rigoroso de todos os tempos, e que seria dificil mas poderia haver tempestade de neve durante a noite. 

— Está nevando muito. Vá o mais devagar que puder querido. — mamãe aconselha.

— Ok. Recebi uma ligação da mamãe hoje. Ela falou que papai não está bem. — papai desabafa. 

— O que houve? — pergunto.

— Ele pegou uma gripe e está de cama, de novo. Eu estou um pouco preocupado. Depois do acidente ele nunca mais foi o mesmo. Está velho e as doenças da velhice chegaram. Mamãe falou que ele teve febre alta que durou quase quatro dias. Eles estão sozinhos e isso me deixa louco de preocupação.

— Não se preocupe querido, ele vai melhorar. Ele já passou por isso antes. Ele vai ficar bem. — mamãe o conforta pondo sua mão sobre seu peito, onde seu gesto de carinho foi retribuido com um sorriso e um aperto de mão. — Eles estão no hospital?

— Sim.

Vovô sofreu um acidente há alguns anos atrás que o deixou paraplégico. É impossível não se preocupar. Tudo fica ainda mais dificil com toda a distância, pois a Coréia do Sul não é tão perto quanto queríamos que fosse. Sempre que ouvimos algo sobre os meu avos nunca é algo bom. Papai conversa com eles pelo menos duas vezes por semana por telefone e as vezes por video chamada. Mas sabemos que isso não é o bastante.

— Eu poderia ser médica. — penso alto olhando para fora da janela ao quebrar o silêncio.

— Médica? — mamãe pergunta virando pra mim.

— Hã? Ah, sim. Estou pensando em fazer medicina. — explico. — Bom, eu ainda não sei direito o que quero fazer mais... quero ajudar as pessoas, como você mamãe.

Ela sorrir orgulhosa. 

— Você terá muito tempo para decidir, querida. 

— Também gosto de artes. Realmente gosto de quadro de artes. Eles me encantam de alguma forma... Talvez uma curadora de quadros de artes? 

— Não seria nada mal. Se eu não fosse enfermeira eu seria curadora. Acho essa profissão maravilhosa. Amo arte. Você desenha muito bem querido, deveria transformar seus desenhos em pinturas. 

— Quem, eu? Você acha querida? Então irei pintar vários quadros para você a partir de agora. —  beija a mão de mamãe ao sorrir. — Vou encher nossa casa com minhas pinturas. Van Gogh e da Vinci que se cuide.  

Mamãe gargalha com a ideia. 

— Querida, seja o que for nós iremos te apoiar.  — mamãe se vira em minha direção.

— Mesmo? 

— Uhum. 

— Mesmo se eu quiser ser policial? Arquiteta? Bombeira? Mergulhadora? Professora? Que tal cantora? Eu tenho um ótimo timbre, me sairia bem. WOW, que tal modelo? A nova Angel da Victoria's Secret, a americana de pele sul-coreana de 1,58 de altura, hum? Que tal? — coloco as mãos na cabeça fazendo pose. — Apresentadora de TV? Garçonete? Cozinheira? Chefona das forças armadas americana?...

Gargalhadas enchem o carro.

— Chefona das forças armadas? HAHAHA... Sim. Te apoiaremos. — mamãe sorrir com a ideia.

— E se eu quiser ser da politica?

— Da politica? — papai pergunta ao sorrir.

— Mesmo se você quiser ser da politica. 

É como um cobertor quente. No inverno costumamos assistir filmes debaixo das cobertas no tapete da sala. É muito divertido e quentinho. Um dos meus momentos favoritos com meus pais. O calor que cerca o lugar, que aquece meu corpo e que conforta meu coração não é aquele grande cobertor quente, é o amo deles, dos meus pais por mim. Não existe calor que eu possa encontrar em nenhum outro lugar. Se eu tiver um pedido, pediria que todos os dias fossem inverno, para que assim, eu pudesse ser coberta por esse grande cobertor quente todos os dias, pro resto da minha vida.

— Bom. Espero ajudar as pessoas de alguma forma, como você mamãe, e quero ser bem sucedida como você papai. 

— Seja o que for estaremos com você, para Sempre! — papai inclina sua para trás em minha direção.

Sorriu recebendo seu amor.

 — Estaremos sempre apoiando você. Seja o que for que deseja ser. Estaremos sempre aq... — alguma coisa a faz olhar para frente interrompendo-a. 

— DAEJUNG! — Mamãe grita ao olha para o papai.

Olho rapidamente para frente procurando o que a faz se assustar. Uma forte luz em nossa direção cega nossos olhos no meio da escuridão. Um carro. Uma caminhonete em alta velocidade vem em nossa direção totalmente desgovernada, derrapando sem controle pela estrada de gelo. Papai rapidamente tenta virar o carro para evitar o confronto e antes que eu pudesse dizer algo, rapidamente papai olha em minha direção:

— Nicky. — Ouvi meu nome.



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