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História You Could Be Mine - Capítulo 67


Escrita por:


Notas do Autor


boa leitura e não se esqueçam das notas finais <3

Capítulo 67 - Cousins


Fanfic / Fanfiction You Could Be Mine - Capítulo 67 - Cousins

KIMBERLY POV ON 

Eu estava fora da dieta e não estava nem aí. Meus dias estavam sendo resumidos em lasanha, sanduíches e séries de TV. Eu tinha a casa só para mim, afinal. Estava sendo ótimo dormir o quanto eu queria, comer o que desse vontade e escutar música alta na sala. 

Minha alegria de liberdade temporária permaneceu até minutos atrás. Quando eu estava na cozinha terminando um chocolate quente e escutei barulhos de passos. E então, minha mãe parou na minha frente, sorridente. Eu travei. 

— Vocês... não iam voltar de viagem só semana que vem? — Perguntei, assustada. Ela apenas suspirou, deixando sua bolsa branca em cima da mesa de vidro. 

— Mudanças de planos. Tive que voltar, mas seu pai ainda está na França. Volta amanhã de manhã. 

— Hum. Ok. — Limitei-me a dizer. Peguei meus doces e levantei da cadeira, pronta para voltar ao meu quarto. Contudo, fui impedida. 

— Ei, espere filha. Acho que precisamos conversar. 

— Conversar? — Perguntei, começando a me irritar. Já fazia um bom tempo que eu não falava com os meus pais, apenas o extremo necessário já que, infelizmente, eu ainda dependia deles. Não estava na intenção de voltar a ter uma relação decente, não enquanto eles me tratassem daquela forma. Não enquanto eles não entendessem que eu posso tomar as devidas decisões da minha vida. Que eu podia decidir quem amar. 

— Sim. Você sabe, estamos distantes e eu não estou gostando disso. 

— Me desculpe, mas eu não tenho nada para falar com a senhora. — Disse na intenção de colocar um fim naquilo, caminhando em direção ao meu quarto. Deitei-me na minha cama macia depois de suspirar profundamente e fiquei encarando o teto enquanto abria uma barrinha de chocolate amargo. Sabe, tem menos açúcar. Eu estava comendo muitas besteiras, mas ainda tinha consciência. 

Não passou nem dez segundos e minha mãe adentrou o cômodo, sentando-se calmamente na ponta da minha cama. Eu fingi que ela não estava ali. 

— Kimberly, não gosto de te ver assim. Já faz semanas. — Disse depois de um tempo e eu continuei em silêncio. — Aproveite que seu pai não está aqui, vamos conversar com mais calma. Estou preocupada. 

— Conversar? Pra você jogar na minha cara todas as merdas? — Encarei-a, impaciente. — Eu já ouvi o suficiente de vocês, mamãe. Obrigada. 

— Quero saber de tudo, ok? Prometo não falar nada. Me conte mais sobre... esse garoto. — Eu sentia que ela estava se esforçando. Realmente. Torceu o nariz ao falar daquilo, mas pareceu querer saber de verdade. Foi por isso que depois de um tempo eu dei-me por vencida e sentei-me na cama com as pernas cruzadas.  

— Você quer saber de Slash? 

— Sim... me conte como se conheceram. Sei que foi por causa de Débora, mas quero saber os detalhes. 

— Bom... — Pigarreei. — Como você já sabe, ele mora junto com a Deb. A primeira vez que falei com ele foi por telefone e nós nos demos muito bem. Quando viajei para lá para ficar uns dias, o conheci pessoalmente. A gente tem química, entende? — Abri um sorriso leve. — A gente se deu bem de forma instantânea. Ele me trata de uma forma muito preciosa mamãe, eu nunca fui tratada assim. Eu sinto que ele realmente gosta de mim porque Slash sempre está demonstrando isso. Me sinto feliz quando estamos conversando, quando ele me conta sobre a sua vida e me ouve falar sobre a minha. Ele me ouve de verdade, entende? Ele se preocupa. 

— Filha, você acha que consegue ter um futuro com esse homem? — Perguntou e eu torci o nariz. — Porque veja bem, entenda o meu lado. Eu quero o melhor para você. Esse garoto aceitou até mesmo mentir sobre a viagem da Austrália, foi muito irresponsável. 

— Eu o pedi. Eu que planejei tudo, apenas mandei uma carta para ele pedindo para que ele fosse. Slash ficou muito preocupado, principalmente com o fato deu estar pagando tudo para ele. Mas resolvemos ir porque estávamos com saudades. Porque eu sabia que não podia simplesmente pedi-lo para vim aqui em casa, papai o expulsaria. — Senti meus olhos marejarem e Amanda, minha mãe, segurou minha mão firmemente. — E nem tem um motivo plausível para isso, entende? Por que nós não podemos ficar juntos? Por que Slash não é um cara rico? Por que ele faz parte de uma banda de rock? Eu nunca vou entender o problema. 

— Filha, ele pode ser uma má influência pra você... 

— Pelo amor de Deus, você não percebe o quão feliz sou com ele? — Interrompi-a, aumentando o tom de voz. — Ele é um cara incrível, nunca me obrigou a nada, reconhece todos os meus limites e os dele. Ele me trata tão bem! Eu só queria poder traze-lo aqui e fazer vocês se conhecerem. Talvez assim vocês percebam porque eu me apaixonei. — Naquele momento, as lágrimas já escorriam livremente. Eu sentia uma angústia gigantesca em cada pedacinho do meu coração, porque tudo aquilo era ridículo. Amanda ficou acariciando minha mão por um tempo, pensativa.  

— O seu pai é um homem difícil, mais duro do que o necessário as vezes. Eu não sei se concordo sobre esse relacionamento Kimberly, mas está me matando vê-la tão cabisbaixa. Você não conversa mais conosco, não é a mesma de antes. 

— Estou magoada com vocês. Eu amo Slash e nada vai mudar isso. Sugiro que se acostumem com a ideia. — Terminei de forma dura, levantando-me da cama. — Vou tomar um banho e arrumar minhas coisas para dormir da Samantha. Não quero estar aqui quando papai chegar. — Entrei no banheiro e respirei fundo, enxugando as lágrimas. Quando voltei para o meu quarto, minha mãe não estava mais por lá. E era melhor assim. 

KIMBERLY POV OFF 

[...] 

— Você ouviu isso? — Perguntei para Alice, assustada. 

— Ouvi. Que porra é essa? — Estávamos na cozinha, almoçando. No andar de cima, gritos altos e incrédulos começaram vindo de não sei quem e não sei o porquê.  

— Quem está gritando? 

— Que porra Steven, como eu não percebi que era você? — Uma voz feminina gritou alto, extremamente nervosa. Eu logo reconheci o timbre. 

— Espera... — Levantei-me com os olhos semicerrados. Andei até a sala e pude ver a garota no topo da escada, arrumando os cabelos. — Dianna?  

— Eu nunca mais uso essas drogas imbecis na minha vida! Eu não acredito que fui para a cama com você! — Escutei Steven gritar, aparecendo ao lado dela com cara de repulsa. O meu queixo quase caiu no chão. 

— O que? Vocês... — Eu nem consegui completar, encarando os dois de forma incrédula. Ontem alguns dos meninos tinham ido para uma festa, mas eu resolvi ficar em casa, assim como Axl, Alice e — pasmem — Duff. Então não sabia absolutamente nada do que tinha acontecido. Até então. 

— Débora! Você ouviu muito? — Ela tentou abrir um sorriso para mim, mas só faltava explodir de nervosismo. Desceu a escada com tanta rapidez que quase caiu de cara no chão ao tropeçar nas próprias pernas. 

— Bem, não muito. Mas o suficiente. Vocês dormiram juntos? 

— Cala a boca! — Os dois gritaram em uníssono, aterrorizados. Eu segurei muito para não rir. Senti Dianna me puxar até o banheiro de baixo e trancar a porta, respirando fundo. 

— Olha, eu fiz merda. Muita merda. Bebi demais ontem, usei drogas pesadas e acabei... ahn... você sabe. Eu e Steven transamos. — A garota estava muito envergonhada e eu arquei as sobrancelhas. — Eu só percebi que era ele agora, só agora tomei consciência. Ontem para mim, era como se fosse apenas um rapaz bonitinho que eu encontrei no bar. 

— Dianna, está tudo bem. Essas coisas acontecessem, ok? Não precisa ficar tão desesperada assim. 

— Não Débora, você não está entendendo! — Ela agarrou meus braços, olhando de forma intensa no fundo dos meus olhos. — Axl não pode saber disso jamais! O que acha que ele vai pensar deu ficando com um amigo dele? — Seus olhos ficaram marejados e eu me senti incrédula. — Sei que não devo nada a ele, mas eu não quero que Axl pense isso de mim! 

— Dianna... — Eu murmurei, realmente sem saber o que falar. Eu não estava esperando por aquilo. — Não chore por causa disso, por favor. Axl não saberá sobre isso. 

— E se Steven contar? 

— Ele não vai. — Rebati, passando os dedos pelos seus cabelos longos. Ela estava extremamente frágil. — E mesmo se souber, Axl não tem que achar nada sobre isso. 

— Deb, você não entende. — E dizendo isso, Dih começou a chorar compulsivamente enquanto escondia o rosto entre suas mãos. 

Eu estava em choque. 

Ela realmente estava chorando por medo de Axl saber que ela tinha transado com Steven. Aquilo afetava ela pra valer, muito mais do que eu imaginei. Dianna gostava do ruivo e sentia arrependimento por coisas que não deveria. Aquilo me assustou porque eu não tinha ideia do quão afetada ela estava sobre aquele assunto. Quer dizer, estava bem claro que ela não tinha superado o relacionamento até hoje. 

— Dianna, por favor, não chore. Eu sei que não é tão simples e parece muito vago quando eu falo, mas você realmente precisa esquecer o Axl. — Eu quis rir de mim mesma. Aquele conselho não valia só para ela. Eu era uma hipócrita e sabia disso. — Não está te fazendo bem e você precisa entender que não deve satisfação nenhuma para ele. Sua vida não pode girar em torno do Rose, você entende? Por favor, não se arrependa do que você faz só porque tem medo do que ele vai pensar. É duro de ouvir, mas entenda: vocês não estão juntos mais. Vocês são amigos. Tudo bem se sentir agradecida e feliz pelo o que vocês passaram, mas você precisa superar isso para continuar seguindo a sua vida. — Não sei exatamente da onde saiam aquelas palavras, mas eu apenas dei de ombros, abraçando-a com força. Dianna agarrou-se a mim enquanto seu choro desesperado ia se cessando gradativamente. Cerca de 10 minutos depois, ela já estava bem melhor, pelo menos visualmente. Enxugou as lágrimas com uma toalha de rosto e encarou-me com um sorriso de canto pendendo nos lábios rosados. 

— Obrigada, Débora. De verdade. Eu tenho consciência que preciso mudar e é bom ter um incentivo. Obrigada.  

— Está tudo bem. Agora vamos conversar com Steven, sim? 

[...] 

— Nós transamos e foi ótimo, simples assim. — Steven concluiu, cruzando os braços de forma emburrada. Eu segurei o riso. — Qual seu problema em aceitar isso? Só aceite, não é como se fosse acontecer novamente. 

— E não vai mesmo. Você cala a sua boca sobre isso, Steven. Ninguém além de nós três pode ficar sabendo dessa palhaçada. — Dianna apontou o dedo no rosto do loiro, que rolou os olhos. 

— Você acha que eu vou mesmo perder o meu tempo? 

— Ei, desde quando vocês ficaram tão chatos assim? — Eu ri, levantando-me da mesa da cozinha. — Parecem duas crianças. 

— Eu sinceramente tenho compromissos pra cumprir. Tchau. — E dizendo isso, a garota apenas se retirou do cômodo sem olhar para trás, abrindo a porta da sala e fechando com certa força. Eu gargalhei. 

— Meu Deus. Vocês são dois idiotas. 

— Não quero falar sobre isso mais. — Steven concluiu, mal humorado. Saiu da cozinha também e me deixou por ali, fitando as paredes igual uma imbecil. 

Mais tarde naquele dia, eu resolvi tirar um cochilo no meio da tarde. Não é algo que eu fazia com frequência, mas realmente me sentia cansada. A cama estava macia e eu sonhava com girassóis, unicórnios e algodão doce. 

Até, é claro, Alice bater na minha porta como se não conhecesse o significado da palavra delicadeza. 

— O que você quer? Mas que merda! — Eu grunhi, abrindo meus olhos cansados quando percebi que a garota entrou no meu quarto sem cerimônia nenhuma. 

— Venha, vamos dar uma volta! Jim me emprestou o carro dele! 

— O que? — Levantei-me da cama, olhando confusa. Alice estava com um sorriso de orelha a orelha e trajava um cropped azul claro e calças de couro. — Do que você está falando? 

— Por favor Deb, eu quero sair. Preciso esfriar a cabeça. Jim veio aqui e deixou o carro comigo. Vamos, troque de roupa. Estou te esperando na sala. — E dizendo isso, ela bateu a porta com força depois de se retirar. Eu suspirei e fiquei encarando o meu quarto por cinco minutos, até finalmente criar coragem e ir até as minhas roupas. Eu não estava fazendo nada mesmo, estava tudo bem em sair com ela, mesmo que eu não soubesse para onde. Alice andava precisando se distrair. 

Optei por um vestido estampado e peguei meus óculos de sol, descendo as escadas. Alice estava na sala conversando animadamente com Axl e Duff. 

— Acho que preciso fumar maconha. Preciso desacelerar um pouco hoje. — Ouvi-a dizer e torci o nariz. 

— Foi para isso que você me chamou? — Andei até ficar ao seu lado, cruzando os braços. 

— Não necessariamente, eu te chamei para sair de casa. Não é todo dia que nós temos um carro a nossa disposição. Precisamos aproveitar quando um bom amigo nos concede essa maravilha. — Ela arqueou as sobrancelhas para Axl, em uma clara intenção de passar uma indireta. — Sabe como é né, não é todo amigo nosso que empresta o carro. 

— Eu tenho amor ao meu carro, diferentemente de Jim. — Ele rebateu, sorrindo. Fitei-o e percebi que o ruivo me observava. Aquilo acelerou o meu coração.  

— Ah, por favor. Eu dirijo bem. 

— Eu dirijo melhor. — Rebati. 

— Você não tem carteira.  

— Muito menos você. — Fiz careta para ela e em seguida me virei para Rose. — Se algum dia nos deixar dirigir seu carro, lembre-se de dar a chave para mim. Alice não tem paciência no trânsito. 

— Oh, eu sei muito bem disso. Eu não sei como você dirige, mas qualquer pessoa que saiba o mínimo é melhor que Alice. — Ele concluiu e a minha prima grunhiu ofendida, xingando-o com nomes nada corretos. Nós dois rimos e eu me senti aquecida. Nós estávamos nos dando bem. 

— Chega de tanta ofensa pra cima de mim e vamos logo. — Alice puxou-me pelo braço e eu acenei para Axl e Duff, esse último um pouco sonolento. Nós adentramos um carro parado em frente à casa e Alice suspirou, pensativa. 

— Deixa eu dirigir? — Pedi. 

— O que? Você quer nos matar? 

— Alice, por favor. Eu sei dirigir, eu lembro.  

— Não. 

— Ei! Você me obrigou a sair de casa e nem sabe pra onde a gente vai, pelo menos faça uma vontade minha! — Esbravejei e minha prima ficou me olhando com desdém, mas acabou cedendo meio contrariada quando eu ameacei abrir a porta do carro para ir embora. Sorridente, peguei a chave do carro e liguei-o, vendo pelo canto dos olhos que Alice colocou o cinto desesperadamente e se segurou na porta. 

— Esse carro com certeza tem seguro, mas eu não. Se eu morrer, você vai bancar o melhor funeral dessa cidade, entendido? 

— Entendido. — Rolei os olhos, passando a marcha e começando a dirigir. Eu estava realmente andando sem rumo, mas estava bom poder dirigir um carro depois de tanto tempo. 

— Já sei. Vou te levar em uma loja que vende algumas bijuterias, óculos falsificados. 

— O que? — Enruguei a testa. — Por que vai me levar nesse lugar? 

— Você já me levou em lojas da Gucci e me deu um vestido, eu vou te levar na loja da esquina e te comprar uma pulseira de miçangas. Vamos. — E então, ela começou a ditar para onde eu deveria ir. Em seguida, ligou o rádio e um rock começou a tocar, fazendo-a cantar alto e me puxar para fazer o mesmo. Eu cantei apenas o refrão quando consegui decorar e me juntei a ela, sentindo uma estranha felicidade crescer no meu peito por aquele momento, onde cantávamos juntas de forma atrapalhada e os meus cabelos voavam com o vento pelo teto do carro estar aberto. 

Houve um momento durante o trajeto em que Alice avistou um cara bonitinho que andava na rua sem camisa e gritou para ele, assoviando. Provavelmente o garoto estava bêbado, porque começou a correr atrás do carro, mandando beijos para nós. Quando eu percebi que ele estava alcançando a traseira e queria pular, eu meti o pé no acelerador, ouvindo Alice reclamar. 

Em pouco tempo estávamos na tal loja que ela tinha falado. Ficava em um bairro de classe média e possuía uma pintura azul um tanto quanto desbotada. Provavelmente eu nunca tinha frequentado algo como aquilo. 

— Venha. Você vai adorar. — Ela puxou-me pelo braço depois de sair do carro pulando a porta. Eu abri a minha e acompanhei, um pouco hesitante. Coloquei meus óculos na gola do vestido. 

Ao abrir a porta, um sino barulhento tilintava, como se anunciasse que alguém havia chegado. Um cara loiro de cabelos longos e lisos estava no caixa e levantou a cabeça de uma revista qualquer para ver quem era. Ele abriu um sorriso gigante quando nos viu. 

— Olá. Bem vindas. — Sua voz era fina, porém rouca. Eu não fiz questão de responder, mas minha prima sim. 

— Olá, garoto. O que você tem por aqui? — Ali puxou-me pela loja. Era completamente amarrotada de coisas e vendia de tudo. Tudo mesmo. Observei Alice caminhar até uns chapeis esquisitos quando olhei para o meu lado esquerdo e algo me chamou atenção: uma grande prateleira de óculos. 

— Ei, você sabia que esse modelo de óculos é da Prada? Isso é pirataria. — Voltei-me para o menino segurando um óculos de armação marrom, vendo-o contorcer o nariz. 

— Sabe qual a única diferença entre os dois? O preço. Eu posso andar com um óculos igualzinho da Prada e pagar 5 dólares por isso. — Rebateu, fechando sua revista e me olhando em desafio. Eu escancarei a boca. 

— Não é não! O da Prada dura muito mais do que esse pedaço de plástico vagabundo. — Eu ameacei abrir as hastes para provar como quebrava fácil, mas logo Alice estava tirando-o da minha mão de forma agressiva. 

— Me desculpe pela minha prima, ela é uma imbecil. — Deu um sorrisinho nervoso e puxou-me para o fundo da loja. 

— Eu não gostei dela. — Ouvi o menino murmurar e soltei-me de Alice, indo até ele. 

— Por que? Por que eu te disse a verdade? 

— Porque você foi rude. 

— Eu só falei que aqueles óculos é uma porcaria. 

— Mas é barato. 

— Você prefere pagar barato e ficar sem depois de pouco tempo? 

— Prefiro. — Ele estava analisando o meu rosto de forma bem profunda. Queria saber o que ele estava pensando, mas não ia perguntar. Estava frustrada. 

— Isso é ridículo. 

— Ridícula é você, Débora Campbell. — Ele abriu um sorriso carinhoso e eu fiquei confusa. Nós estávamos brigando, por que ele estava sorrindo para mim? E como sabia a droga do meu nome? — Consegui te reconhecer, tem uma revista da sua mãe aqui na loja. 

— Revista da minha mãe? — Franzi o cenho. Antes que eu pudesse perguntar mais informações sobre aquilo, minha prima — novamente — me puxou dali. 

— Até quando você vai ficar flertando com o cara do caixa? — Bufou e nem me deixou responder. Ou melhor, reclamar. — Venha, olha o que eu achei. — Alice levou-me até uma espécie de caixa gigante coberta por uma cortina de veludo vermelha. 

— O que é isso? 

— Uma cabine de fotos! Vamos entrar. — Nós adentramos. Era pequeno e havia um cenário simples de fundo em cores claras. Nós sentamos nas cadeiras e posicionamos em frente a máquina fotográfica, escutando a música leve e animada que tocava ao fundo. Eu achei aquilo incrível. 

Nós tiramos várias fotos e fizemos poses idiotas, como mostrar a língua ou quando Alice pegou uma mecha do meu cabelo para fingir ser um bigode. Tudo aquilo me fazia rir e eu tenho certeza que a maioria das fotografias não havia ficado boas, já que eu sai nelas rindo como uma hiena. 

Nós saímos aos tropeços da cabine rindo das fotos que eram relevadas na hora e Alice foi até o caixa pagar, levando também um chapéu branco horroroso — mas eu resolvi não dizer nada sobre — e pulseiras de miçangas coloridas. Continuei rindo atoa até ver o menino do caixa novamente e lembrar-me do que ele havia dito. 

— Tem uma revista da minha mãe aqui? 

— Sim. Raquel Campbell, não é? — Perguntou e eu assenti. — Não prestei muita atenção, mas parece que foi uma entrevista que ela deu antes de... bom, você sabe. É claro. 

— Posso ver? — Perguntei, engolindo em seco. Já fazia um bom tempo que eu não parava para ler sobre os meus pais. Não era muito confortável a sensação. 

— Claro. — O garoto levantou-se e foi para uma bancada onde havia milhares de revistas. Voltou de lá com uma onde minha mãe era a capa, trajando uma camisa social branca transparente de uma das suas coleções e sustentando na face um sorriso brilhante. Assim como seus cabelos. 

O loiro do caixa entregou-a para mim e eu li o que estava escrito:  

O legado de Raquel Campbell 

A última entrevista dada pela estilista meses antes da tragédia 

Eu senti meu coração acelerar porque eu realmente não estava esperando por aquilo. Não lembrava dessa entrevista, o que não era surpresa, pois não é como se minha mãe me contasse tudo que ela fazia. Mas ainda sim me chocou. Fez minhas mãos começarem a tremer. 

Eram suas últimas palavras para a mídia. 

— Débora. — Escutei a minha prima me chamar ao longe, mas não consegui levantar o olhar. — Débora, me escute. Você quer comprar essa revista? 

Eu pensei muito sobre aquilo. Não sabia se queria ler o que estava escrito ali. Nos minutos em que fiquei pensando se levava aquela revista ou não, eu tentei convencer a mim mesma que não era nada demais, mas era quase impossível me enganar. 

Quer dizer, e se em sua última entrevista ela não tinha nem ao menos mencionado o meu nome? 

Isso doeria muito. Porque eu queria poder vê-la falando sobre mim uma última vez. 

— Não. Não vou levar. — Entreguei a revista rapidamente para o garoto do caixa, quase fazendo-a cair no chão. Ele me olhou seriamente e pegou-a para guardar, não tirando seus olhos de mim. Parecia que ele estava com pena. 

— Certo. Então vamos levar só isso. — Alice sorriu, pegando suas sacolas de compras. Eu suspirei e já ia me retirando da loja, quando ouvi o menino me chamando. 

— Espere Débora! — Ele saiu do caixa e veio até mim, entregando-me os óculos que eu tinha pegado e brigado com ele sobre. — Leve para você. 

— Levar? — Peguei os óculos da mão dele um pouco hesitante. 

— Sim. Sei que não vai usar, mas pelo menos guarde de recordação. — Ele abriu um sorriso e eu não consegui recusar. Peguei o objeto e sorri, agradecendo. 

Eu e Alice voltamos para o carro. Eu continuei dirigindo e ela continuou ligando a rádio e colocando músicas animadas enquanto sentava-se na ponta do banco e levantava os braços para o alto, com seu chapéu ridículo. Eu comecei a rir descontroladamente e cantar junto com ela. 

Em algum momento, coloquei os óculos falsificados no rosto e não quis pensar sobre isso. Apenas continuei dirigindo. 


Notas Finais


colocando esse clipe aqui só pra vcs verem Alice e Débora juntinhas: https://www.youtube.com/watch?v=NMNgbISmF4I

eai amores, estão de quarentena? eu infelizmente estou. ainda sim tenho que estudar, mas realmente vou ter mais tempo para escrever (eu acho). espero postar o próximo capítulo no dia do meu aniversário :D

independente de como esteja a situação da cidade voces, por favor, fiquem seguros.

vejo vcs em breve.

xx


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