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História You don't know me anymore - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


Olá, confinados, aqui quem fala é outra confinada como vocês. Espero que a quarentena de vocês esteja indo bem, que todos que tenham tido a possibilidade dado aos seus empregos de estar em quarentena ~ e aos que não tem essa possibilidade espero que estejam se cuidando o máximo possível. Sei que vcs vem aqui em busca de alívio, livrar o pensamento disso, mas falar nunca é demais.

Sobre o capítulo de hoje: caso no Arizona, assim como foi deixado no ar no capítulo passado. Não peguei um caso original da série, inventei do vento e deixei me levar. Terão casos originais, tenham certeza, mas não achei que deveria ser agora.

Aproveitem 💙

Capítulo 3 - Dark as midnight




 

Morgan acordou com um som estranho ecoando pelo quarto onde ele foi alocado. Não era o som do pingar lento de gotas de água na pequena pia do banheiro, não era o chiar da lâmpada que estava prestes a perder sua capacidade de brilhar ou o suave farfalhar da cortina com o vento quente que entrava pela sacada.

 

Uma voz veio para perturbar o sono dele. Ainda mais perturbadora é a forma como a voz, que falava soando ligeiramente desconfortável, falava em outro idioma.

 

Estava tarde, a mente dele ainda estava lenta, por isso ele simplesmente pegou a arma e apontou cegamente para a escuridão. Ele demora para entender que aquele barulho estava vindo da cama ao lado da dele.

 

Piscou, afastando a sonolência para poder compreender o que estava acontecendo.

 

Reid estava em sua cama, embrulhado até o pescoço nos lençóis brancos limpos que o hotel oferecera a eles. O rosto dele estava livre de emoções, estático com ocasionais franzir de cenho. O que realmente estava se movendo era a boca dele — rápida, inquieta enquanto soltava palavras que para Morgan não tinham nenhum significado real.

 

Nos últimos dias Spencer vinha se mantendo em silêncio toda vez que eles entravam no quarto que Hotch havia obrigado-os a dividir. Ótimo. A primeira vez que Reid falava algo real, não relacionado ao caso e isso acontecia quando ele estava dormindo.

 

O garoto provavelmente estava divagando sobre alguma teoria científica. De qualquer forma, não importava. Os dias estavam sendo exaustivos ali no Arizona e Morgan não estava disposto a perder a noite dele ouvindo o idioma dos gênios.

 

Colocou a arma na cama.

 

"Ei" Cutucou levemente. "Acorda, garoto. Acorda. Você está sonhando alto demais."

 

Reid resmunga mais alto em seu sono.

 

"Garoto" Agarrou o ombro do colega e o balançou com força. "Acorda, gênio!"

 

Depois do que acontece a seguir Morgan promete a si mesmo nunca mais acordar Reid. De forma alguma.

 

Os olhos do garoto se abrem num segundo e, seja pelo desfoque causado pela letargia do sono ou pela mágoa que ele guarda em seu peito, ele agarra os ombros de Morgan e o empurra para longe com força surpreendente. Como se não bastasse, um chute cego o acerta na perna direita, fazendo-o recuar.

 

E então Reid está apontando sua própria arma para Morgan, gatilho apertado enquanto murmura algo no idioma desconhecido. A única coisa que ele entende é uma palavra solta. O que parece ser um nome ou uma exclamação qualquer.

 

"Sou eu, Reid! Sou eu!" Exclamou, agitado. "Merda, sou eu! Nenhum suspeito, nenhum elemento! Eu."

 

A arma de Reid cai em seu colo, cabeça baixando para encobrir sua ofegância.

 

Hesitou e então se aproximou um pouco. Reid e ele não estavam bem, mas o moleque ainda despertava o lado fraternal dele.

 

"Reid..."

 

"Estou bem" O garoto diz com um aceno de mão. "Vou ficar bem... Apenas... Me dê espaço."

 

Mesmo sentindo que estava dando espaço demais para Reid, se afastou, dando o que o garoto precisava.

 

"Se quiser ajuda...."

 

"Preciso de ar." Spencer se levanta, cambaleante em seus pijamas velhos. Ele parece abalado como uma pessoa doente. "Não preciso da ajuda de ninguém. Estou bem sozinho."

 

"Você não está sozinho, cara."

 

"Sério. Só preciso de ar."

 

O ar que ele precisa é na verdade uma metáfora para dizer que ele necessitava se afastar e ir falar ao telefone na sacada do quarto.

 

Derek não tenta entender o que ou com quem ele estava falando. Simplesmente o deixou lá. O primeiro diálogo real deles havia sido por causa de algo que estava atormentando Reid. Ele não sabia sobre o que se tratava, apenas que foi o suficiente para fazer a armadura de durão se partir em pedacinhos por alguns segundos.

 

Reid ainda está do lado de fora quando Hotch bate na porta do quarto deles.

 

"Garcia tem duas localizações. Você vai para o primeiro local com Rossi e comigo. Reid, JJ e Prentiss vão para o segundo local." Hotch o informa, baixando o tom quando tenta ser um pouco menos chefe e mais um amigo. "Como estão as coisas com Reid?"

 

Pensou no silêncio constante, na arma apontada para ele há pouco tempo atrás. A primeira reação do garoto havia sido apontar uma arma. Essa reação vinha a Morgan naturalmente, mas Reid... Reid era o cientista, aquele que expunha fatos antes de partir para as armas e tentativas de lutas corporal. Isso estava errado.

 

Balançou a cabeça, sem respostas para Hotch ou para si mesmo.

 

Cada vez mais ele percebia que o homem que estava ali se distanciava em incontáveis aspectos daquele que um dia ele havia considerado como irmão.




 

"Você está encarando."

 

Emily revira os olhos para o comentário de JJ.

 

"Eu sei que estou."

 

Não era como se ela estivesse tentando disfarçar o que estava fazendo.

 

Nos últimos dias ela havia sido como um falcão cuidando de sua presa prestes a ser capturada: constantemente observando Spencer Reid. Ela havia encarado mais do que a educação social permitia, havia estudado cada pequena palavra que saia da boca dele e perfilado cada pequeno movimento dele.

 

Então, ali na escuridão da rua na escura do Arizona na qual eles estavam de tocaia, não era menos do que esperado que ela continuasse o progresso de sua observação. Agora era o melhor momento para fazer isso, na verdade. Não por causa da tocaia, não porque aquele era um ambiente neutro onde estava só ela, JJ e ele. Não. Era o melhor momento porque Spencer estava, pelo que ela podia perceber, pela primeira vez sendo um pouco vulnerável perto delas.

 

Ele estava um pouco afastado do posto que dava vista ao local onde denúncias apontaram que o suspeito poderia estar (apenas um telefonema de confirmação vindo de Garcia e eles iriam invadir), conversando em voz baixo em seu celular (nada incomum). Sua clara tentativa de se esconder no escuro não passara despercebida por ela, mas também não havia funcionado.

 

"Pare com isso. Nossa política de não perfilar um ao outro não existe mais?"

 

"Não quando eu quero informações que ele não vai me dar se eu pedir." Deu de ombros. "Que mal pode fazer isso? Só uma perfilação básica, JJ."

 

JJ suspira, um sinal de que ela não estaria mais falando nada, mas que continuava sem aprovar aquilo. Por Emily tudo bem. A amizade delas não se baseava num contínuo estado de concordância mútua.

 

Voltou os olhos para o alvo dela. Reid estava brincando com a folha de uma árvore, cutucando-a nervosamente sem a tirar de seu lugar natural. Movimentos repetitivos: ansiedade. Os ombros dele estavam retesados, como se estivesse esperando um ataque. Nervosismo. Ocasionalmente ele olhava ao redor, verificando algo que Emily tinha certeza que não era o suspeito. Desconfiança.

 

Sinais de ansiedade, nervosismo constante não só ali como em qualquer ambiente e : tudo o que bastava para Emily poder tirar conclusões.

 

Conclusão da madruga, determinada exatamente às 3:17 a.m: Spencer Reid não havia voltado ao BAU apenas por puro prazer ou desejo. Havia algo por trás do retorno dele, algo sério o suficiente para o fazer ficar agindo daquela forma; provavelmente fora esse algo que o fizera mudar da água para o vinho.

 

Emily estremece, o sensor interno de perigo dela apitando loucamente. Trabalhar no FBI era sinônimo de perigo, sim, mas os instintos dela diziam que Spencer estava trazendo consigo mais perigo que o normal.

 

Ela não se considera impulsiva. Emily é tudo menos impulsiva. Ela calcula sempre seus passos, sempre tentando estar preparada para enfrentar o que quer que o universo viesse a oferecer a ela. Por isso, quando começa a marchar até Spencer, deixando JJ para trás, ela classifica sua atitude como... Protetora. Spencer poderia significar perigo e a JJ e seus meninos, Derek e Savannah, Rossi e Tara, Hotch e Derek. Como pessoa que já os havia exposto ao perigo, Emily sentia que precisava resolver aquilo.

 

"Preciso falar com você" Emily informa em seu melhor tom autoritário assim que se aproxima o suficiente. "Agora."

 

Spencer se volta para ela, olhos largos na escuridão.

 

"Emily, eu realmente estou ocupado..."

 

"Agora, Reid!"

 

Um resmungo indistinto e pouco educado ecoa para pontuar a exasperação dele. Ele dá as costas ela e continua com sua ligação, desta vez as palavras saindo mais apressadas.

 

"Tenho que ir, Garcia. Sim, eu sei. Acho essa uma ideia interessante. Se você pudesse, por favor... Sim, entendo. Bem, te vejo depois." Ele desliga o telefone e se volta para ela. "Qual o problema? Alguma atualização sobre o suspeito? Movimentação? Penélope disse que não tem nenhuma novidade."

 

O fato dele realmente estar engajado no trabalho e até mesmo ter levado as mãos ao coldre da arma quase a refreia. Ainda assim não é o suficiente. Pouca coisa seria suficiente para segurar ela.

 

"Quero saber o que você está fazendo aqui."

 

"Conversando no celular. Estava, pelo menos." Ele aponta para o aparelho que guardou no bolso. "Antes disso estava de tocaia com você e JJ."

 

Prentiss revira os olhos.

 

Ele sabia do quê ela estava falando. O QI dele era alto o suficiente para isso.

 

"Responda a minha pergunta." Ordenou autoritariamente.

 

"Você poderia ser um pouco mais clara?"

 

"Estou sendo clara."

 

"Acho que não" Ele inclina a cabeça para o lado, inocência fajuta gritando. "Realmente acho que não já que não estou entendendo o seu ponto."

 

Emily estava vendo o que ele estava tentando fazer. Era estranho ver isso em alguém que sempre deixou sua inteligência vazar naturalmente pelos poros de sua pele, mas ele estava tentando se fazer de burro. Pior. Estava tentando irritá-la com aquela atitude antinatural a ele. O mundo havia oferecido a ele algumas táticas de fuga, interessante. Lamentável que aquela tática não era nada que ela não pudesse contornar.

 

Respirou fundo. Uma tática infantil como aquela não estaria vencendo ela.

 

"Sou naturalmente treinada para suspeitar das pessoas. E estou suspeitando de você. É isso." Sorriu. "Você está escondendo alguma coisa. Algo sério o suficiente para o fazer voltar. Já escondi coisas, ainda escondo, e conheço alguém que esconde coisas quando vejo. Você vai colocar para fora ou não?"

 

"Estou aqui a pedido de Hotch. Estava muito bem onde eu estava antes. Só isso? Temos trabalho a fazer."

 

"Ainda não acredito em você."

 

"Não posso fazer nada sobre isso."

 

Se aproximou mais dele. Eles estavam na divisão entre estrada e floresta, uma localização ótima que dava vista para a construção que estavam observando (que deveriam estar observando).

 

"Não gosto de não saber das coisas. Não gosto da sensação de perigo que sinto quando olho para você." Enfiou um dedo no peito dele. "Diga: sua volta trás algum perigo para gente? JJ tem filhos, dois meninos, Hotch tem o filho dele, que você deve se lembrar. As famílias deles estão em perigo?"

 

"Não tenho que te falar nada, Prentiss." Ele responde ainda sem perder a compostura. "Se tem dúvidas sobre mim vá perguntar a quem me reintegrou. Eu sequer queria estar aqui."

 

"Eu estou te perguntando."

 

"E eu estou te dando uma resposta. Apenas não é a que você quer."

 

Reid tenta passar por ela, mas Emily é mais rápida e se interpõe no caminho dele. Não tão rápido, malandrinho.

 

"Hotch te trouxe de volta. Você vive cochichando com ele pelos cantos." Ela trás os fatos e os soma. "Vocês dois estão tramando algo. Você tem algo que Hotch precisa, é isso?"

 

"Interessante seu raciocínio. Agora eu tenho algo que Hotch precisa, mas há pouco eu era um perigo para as famílias da equipe."

 

Os olhos de Reis se arregalam de repente, focados completamente nela — ou ela pensar ser nela.

 

"Não disse que você não é mais um perigo. Continuo querendo saber se oferece algum perigo para nós." Retrucou, impaciente. Ele não estava dando respostas concretas. "Isso nã..."

 

"Cala a boca."

 

"Como é?!"

 

Certo. Nenhum homem mandava ela calar a boca. Ela havia errado com Reid no passado, provavelmente estava irritando até os futuros filhos dele com a desconfiança de agora, mas nada dava a ele o direito de mandar ela calar a boca. Nada!

 

Avançou para ele, palavras desaforadas na boca quando uma terceira voz ecoa atrás deles.

 

"Acho que ele te mandou calar a boca, o que vai fazer sobre isso, doçura?"

 

Emily se vira lentamente, mesmo que cada célula do corpo dela suplique para que ela fique congelada no lugar.

 

Lá estava JJ, seus cabelos loiros brilhando na luz dos postes de iluminação pública, com o suspeito deles segurando uma faca rente ao pescoço dela.

 

A tocaia deles tinha ido por água abaixo.

 

Merda.




 

JJ havia prometido a si mesma que assim que ela colocasse os olhos sobre o suspeito deles ela iria dar um soco no nariz dele (isso supondo que ele resistisse).

 

O cara merecia um soco. Robin Marano havia matado garotinhas indefesas (inclusive a vítima que eles supunham ter uma chance de resgate) e nos últimos quatro dias os havia feito ficar rodando em círculos pelo Arizona, o procurando em locais onde ele deixava pistas falsas de sua presença.

 

Infelizmente o plano de dar um soco em Robin Marano não estava indo muito bem. O problema é que Emily e Spencer a distrairam. A discussão dos dois tirou o foco dela, por isso ela não ouviu a aproximação do estúpido e aparentemente valente serial killer do Arizona. E agora por causa de uma distração a vida dela estava a um corte de lâmina. Perfeito.

 

Observou Emily levar a mão até o coldre da arma, pronta para sacar e atirar. Era um tiro perigoso dado que JJ estava na mira e a iluminação não ajudava muito.

 

"Um movimento em falso e sua amiga morre, querida."

 

Para provar seu ponto, o suspeito aperta a lâmina da faca mais rente a pele dela. JJ sente o calor úmido da fina linha de sangue correndo pela pele dela. Qual souvenir ela estaria levando do Arizona para casa? Uma nova cicatriz.

 

"Você não quer fazer isso, Marano." Murmurou suavemente e Emily é rápida em concordar, em adentrar a técnica de negociação.

 

"Você não quer. Fazer isso, ferir uma agente federal vai piorar tudo para você."

 

A lâmina se move quando o homem dá de ombros. Apenas meio milímetro da morte.

 

"Que se dane. Já vou para a cadeia mesmo, que assim seja por algo grande. Quero ter um nome quando chegar a prisão." O sorriso na voz é inconfundível. "Agora, armas no chão, por gentileza."

 

JJ balança a cabeça levemente. Não. Entregar as armas deles não era uma opção viável. Não mesmo.

 

Com a franja cobrindo a parte superior de seus olhos, Emily se movimenta para jogar a arma no chão; ato o qual Spencer interrompe ao agarrar gentilmente a mão dela.

 

"Nós não negociamos com assassinos" Ele diz com firmeza, trocando um olhar significante com Emily. "Ou você se rende e aceita ir a julgamento ou..."

 

"Ou o quê, garoto?! Vocês me matam? Certo." O suspeito ri desdenhosamente. "Pode tentar. A vontade. Mas duvido que o FBI tenha dado a vocês treinamento o suficiente para enxergar no escuro e não acertar a refém."

 

Spencer balança a cabeça, avançando alguns passos com Emily a seu lado. O homem treme atrás de JJ, confiança um pouco abalada, mas isso só sendo demonstrado a ela. A faca se afasta alguns centímetros para longe do pescoço dela, o que permite que uma linha de pensamento seja aberta.

 

Ela precisava sair da posição de refém, precisava dar àquele maldito assassino um pedaço do inferno que ela estava reservando a ele.

 

"Você não quer fazer isso, Robin. Não quer. Matar mulheres adultas de quarenta, quase cinquenta anos não é a sua compulsão." Spencer argumenta e JJ faz uma nota mental para mais tarde se ressentir com a parte de ter quase cinquenta anos. "Vai mesmo sair da sequência que desenhou nos últimos dias?"

 

"Se vocês insistirem nisso eu com certeza vou. Aqui está minha exigência: um carro. Só isso. Viu? Nem sou tão exigente."

 

"Nós não vamos te dar um carro."

 

"E tampouco te deixar fugir. Aceite que acabou. Sua colaboração na captura é um fator atenuante para a sua pena."

 

A risada do suspeito ecoa pela noite e JJ pode sentir ele chegando ao fim da linha. Na verdade, ele já estava no fim da linha. Cercado por agentes do FBI, tentando se manter no poder com uma refém. Atitude desesperada de quem não desejava ir para a prisão.

 

Estava óbvio ali que as opções era morrer ou fugir. A coisa de ir para a prisão por algo grande era apenas história.

 

"Então de pena de morte vou passar a ter prisão perpétua? Morte ou eterno confinamento? Acho que passo sua oferta."

 

"Sua filha não iria querer isso, Robin. Sua filha não iria querer que você continuasse nessa matança desenfreada." Spencer tenta argumentar apelando para o lado fragilizado do homem. "Certamente ela não iria querer isso."

 

O homem que estava segurando uma faca no pescoço dela faz um barulho que mais parece um latido de um cachorro.

 

Oh-oh! Falar da filha foi arriscado e um erro.

 

"Minha filha morreu. Ela não pode querer mais nada. Eu, por outro lado..."

 

"Sua filha morreu socialmente, corporalmente, mas no seu coração ela está morta?" Spencer pergunta, voz macia. Macia como a voz de Will quando ele estava falando com os meninos. "Sua filha, a criança por quem você está de luto, tinha um coração bom. Ela via em você o melhor e te fazia querer ser o melhor. Ela era tão indefesa, não é? Tão frágil. Você só queria proteger ela do mundo. Sabe quem também queria proteger a filha, mas não pôde? Os pais das crianças que você matou. Você tornou a sua dor a dor deles..."

 

"Nenhuma dor pode se comparar a minha!"

 

"...agora eles também estão sentindo uma dor semelhante a sua e que satisfação isso te trás? Que satisfação causar dor àquelas famílias, matar aquelas garotas te trouxe? Você sente que assim a sua filha vai se orgulhar? Que isso vai ocupar o vazio que ela deixou, que vai fazer sumir a dor? Não vai. Causar dor aos outros não diminui intensidade da sua dor. Apenas expande o número de pessoas infelizes, faz com que você não esteja sozinho nesse mundo de dor. No entanto, essa sua dor é diferente da deles. A sua filha foi um acidente e a deles..."

 

"Reid." Emily fala em som de advertência.

 

"VOCÊ NÃO ENTENDE, NINGUÉM ENTENDE!"

 

Argumentação não estava sendo muito produtiva ali, o suspeito não estava pestanejando para a rendição apesar de seu emocional ter sido tocado. Nada chocante. O perfil havia dito que argumentar nunca iria funcionar, que o narcisismo descontrolado do suspeito dava a ele ouvidos surdos para qualquer coisa que não fossem suas opiniões e, se possível, o uso de palavras apenas aprofundava o desgaste racional dele.

 

O que estava acontecendo ali era uma mera perda de tempo. A conversa poderia fluir como fosse, haviam três únicas possibilidades ali segundo a mente de Robin Marano:

 

1) JJ ser degolada e ele fugir.

 

2) Marano fugir depois de um tiro errôneo destinado a ele, mas que mataria JJ.

 

3) Fuga financiada pelo FBI.

 

Nenhuma dessas opções em particular agradava JJ, principalmente porque em duas das três ela acaba morta e sem poder voltar para os filhos. Por isso ela decide fazer o faz.

 

Deixando a mente em branco, JJ agarra o braço do suspeito e força a faca para longe do pescoço dela. A facilidade termina aí. O suspeito não se rende, agarrando o braço dela e a forçando a cair no chão com ele. De alguma forma ele consegue pegar a faca novamente e começa a tentar acertar nela de modo contínuo, independente do quanto ela se desvie.

 

Os dois rolam no chão e JJ, exasperada, espera que algum dos dois amigos façam alguma coisa. Atirar era arriscado, mas ela preferia morrer por um tiro errado de um dos colegas do que pela lâmina da faca daquele psicótico.

 

Gritou, rolando no chão, tentando manter o suspeito acima de si para terem uma linha de tiro melhor.

 

Quando Robin Marano, comerciante local que teve como gatilho de seu comportamento assassino a morte de sua filha mais nova, está em cima dela, dominando, o tiro ecoa.

 

Ouvir o som alto que o disparo de uma arma faz nunca vai soar normal aos ouvidos de JJ. Sempre a primeira micro reação interna dela vai ser ter pânico e então, assim como o treinamento pede, se recuperar. Ela se recupera quando o corpo do suspeito cai sobre o corpo dela, o sangue dele jorrando contra as roupas dela já que o colete a prova de balas fora removido pelo mesmo.

 

Emily corre para ela, empurrando o corpo do homem para o lado e o fazendo cair no chão frio do qual levantava JJ rapidamente. Em uma de suas raras demonstrações de afeto, Prentiss a apertou contra si, abraçando-a e a apalpando.

 

"Obrigada." Agradeceu, pensando em Henry e Michael. Não era dessa vez que eles ficariam órfãos de mãe. "Obrigada, Em."

 

A amiga dela engoliu em seco, nenhuma resposta engraçada ou fria a vista de sair de seus lábios.

 

"Em?"

 

"Acabou, Jay. Só… Vamos para casa, okay? Michael e Henry estão te esperando."





 

Morgan deixa que todos se amontoam ao redor de JJ, tentando driblar a protetora Prentiss (que a julgar o olhar dos paramédicos havia ofendido a um deles) para chegar até a loira. Ele vai conversar com ela mais tarde, vai se certificar de seu bem estar quando estiverem no jato e talvez até durante o final de semana com mensagens de cunho médico cuidadosamente criadas por Savannah para que os dois possam saber sobre a recuperação dela.

 

Ele fica mais afastado, apoiado a uma árvore, ficando com a vista tudo o que poderia guardar para colocar no relatório final ou coisas que simplesmente pudessem sanar a curiosidade dele. Não haviam muitos detalhes a serem vistos ali; o corpo do suspeito já havia sido levado para averiguação criminal, o sangue dele sequer podia ser visto em outro lugar senão as roupas de JJ e todas as outras coisas, os pequenos detalhes pelos quais procurava instintivamente como um perfilador eram pequenos demais para nota. Não havia mais nada ali.

 

Prentiss, depois de ter certeza que JJ estava segura sob os cuidados zelosos dos paramédicos e da supervisão e Tara e Rossi, se aproxima dele. Ela parece vazia, uma folha amassada e em branco que estava esperando por informações para ser preenchida. Era difícil ver ela dessa maneira. Ela, depois de Hotch, era a mais durona deles todos.

 

"Ei, princesa" Sorriu para ela, passando um braço ao redor dos ombros e a puxando para si. "Mais uma vez salvando o dia, hein?"

 

"Não fui eu que salvei o dia hoje." Ela conta para a surpresa dele. "Foi o Reid. Ele salvou o dia. Ele atirou. E estava fazendo uma boa negociação se não fosse pelo fato do nosso suspeito ser resistente demais."

 

"Caramba." Exalou, se adaptando muito mal ao que ouvia. "Foi um tiro certeiro, pelo que eu ouvi no rádio da polícia. Limpo e certo."

 

Um apito pisca por trás das pálpebras quando ele as fecha para pestanejar. Uma apito brilhante e metálico que tinha uma cordinha para evitar perdas.

 

"Ele vai ficar envergonhado quanto a isso. Então não vamos mencionar." A voz de Elle sussurou de seu lugar no passado, o alertando da miséria de Reid e sua falta de pontaria que levaram a uma falha consecutiva no teste de armas.

 

Parece que alguém havia superado sua péssima pontaria.

 

Um rápido exame ocular o fez encontrar Reid. O garoto estava sentado no banco traseiro de um dos SUVs deles, porta aberta, pernas longas para fora enquanto conversava com Hotch. Os dois andavam muito juntos ultimamente.

 

Murmurou para si mesmo uma das várias palavras que ouvira Reid proferir mais cedo.

 

"Hein?" Prentiss se assusta, afastando a mão dele. "Por que você falou isso? Você realmente acha isso?"

 

"Eu só repeti uma coisa que eu ouvi... Você sabe o que significa?"

 

"É russo. Eu... Eu não sei o que significa. Essas palavras não existem. Reconheci pelo sotaque. Péssimo sotaque." Prentiss enterra o bico de sua bota na terra. "Quem falou isso?"

 

Morgan não precisa dizer quem falou aquilo. A expressão de Prentiss avisa a ele que ela já deduziu.

 

"O que acha que aconteceu com ele nesse tempo longe de tudo?" Perguntou baixinho.

 

"Não sei."

 

E era isso. Eles não sabiam de nada. Não sabiam, maa tinham em seus corações e mentes algumas suposições que não eram lá muito agradáveis.


Notas Finais


Posso confessar uma coisa? Estou assistindo CM dublado na AXN e que coisa estranha! A dublagem é massa, as vozes combinam, mas o costume com as vozes originais me faz super estranhar.

Enfim, não muito foi revelado aqui, mas algumas coisas foram sim. Anotem no caderninho de vcs (lembram que o Rossi tinha um assim que ele entrou?😁): Spencer Reid é fluente em Russo.

SPOILER, que talvez não tenha muita relevância: ele é fluente em muito mais línguas do que apenas o Russo.

Beijos (de longe, viu? Ou saudação de Wakanda se preferirem)💜

Se cuidem e lavem bem as mãos💙


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