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História You Found Me - Capítulo 14


Escrita por: ktaecori

Notas do Autor


Nossa, eu amei escrever esse capítulo. Acho que a história tá tomando o rumo que eu queria e tô bem feliz com isso. Mas odeio pensar em títulos para colocar aqui, por isso tô sempre colocando uma palavra só kkk.

Boa leitura!

Capítulo 14 - Armadilha


Sakura percebeu que estava ansiosa demais com as últimas notícias para conseguir simplesmente ir para seu quarto e descansar. Por outro lado, Tsunade lhe avisou que seu remédio para enjoo só ficaria pronto no dia seguinte, porque ela precisaria fazer várias modificações na fórmula original para que atendesse ao que Sakura necessitava, então ir ao trabalho significava enfrentar outra noite de mal estar. Deveria ser uma escolha óbvia, mas, desde nova, Sakura sempre fora teimosa, então pedira um comprimido de remédio para enjoo comum, sendo alertada de que ele apenas diminuiria sua ânsia e o efeito duraria poucas horas.

No fim, lá estava ela. Uma hora atrasada, mas em frente à tenda dos animais. Imaginava que Sasuke lhe daria um sermão pela irresponsabilidade, porém não conseguiu achá-lo em canto nenhum e decidiu que seria ela a reclamar dele. Sakura se aproximou do depósito de fezes dos animais um pouco cautelosa, mas percebeu que o remédio realmente tinha funcionado e que, apesar do cheiro horrível não ter ficado repentinamente agradável, pelo menos não estava mais embrulhando seu estômago.

O fato de que não estava com vontade de colocar as tripas para fora a cada cinco minutos fez com que seu trabalho de provasse muito mais fácil que nos outros dias, e, pouco mais de trinta minutos depois, o chão estava tão brilhante quanto ficaria se ela tivesse arrancado o piso e substituído por um novo. Logo estava tentando descobrir como faria o próximo item da lista de tarefas pregada no mural na parede, que havia aprendido no dia anterior que era atualizada diariamente por todos da equipe, para que eles sempre soubessem o que já havia sido feito e o que ainda estava pendente. Sakura até então não tinha tentado nada diferente de limpar merda, mas achava que poderia dar conta de “escovar as crinas dos cavalos”.

Haviam cinco cavalos adultos pelo que conseguira contar, além de dois potrinhos jovens demais para algo que se pudesse chamar de crina. Sakura começou pelo que imaginava que seria mais fácil: os dois mais jovens. Porém gastou uma eternidade tentando se aproximar deles, que fugiam correndo, como se tivessem medo. Depois de algumas tentativas, já estava ofegante e suando, pensando que talvez teria sido mais inteligente começar pelos cavalos maiores. Foi nesse momento que Sasuke surgiu pela primeira vez em seu campo de visão naquela noite e, instantaneamente, Sakura se empertigou, tentando disfarçar a exaustão. Recompondo-se, ela se aproximou de mansinho e, quando estava perto suficiente para ser ouvida, pigarreou.

— Você está atrasado — comentou. Não como se estivesse tentando soar superior ou algo do tipo, apenas uma observação casual.

Sasuke virou a cabeça em sua direção com a sobrancelha erguida, como se ele pudesse ler sua mente e soubesse que ela também chegara atrasada. Isso deixou Sakura levemente sem graça e ela decidiu não insistir naquela falha que ele cometera, afinal não estava ali para jogar nada na cara de ninguém.

— Então, existe alguma técnica secreta para conseguir escovar os potrinhos? — Olhou na direção deles, desesperançosa. Preferia perguntar aquilo para Itachi ou Neji, que com certeza eram muito mais comunicáveis do que o pedaço de rocha à sua frente, mas não era como se tivesse opção.

— Comida — Sasuke murmurou, surpreendendo-a por ao menos responder, quando Sakura já se preparava para ser ignorada ou ofendida. — Se você se aproximar sem algo em mãos, eles vão achar que está querendo brincar e vão fugir de você.

— Como assim?

Sasuke não disse nada, mas caminhou até o depósito onde eles armazenavam a ração e todos os outros alimentos que supriam a dieta dos bichos. Ele saiu de lá segurando duas cenouras, entregou uma para Sakura e, com a outra em mãos, se aproximou devagar de um dos potrinhos, estendendo o alimento à frente. Depois olhou em sua direção, como se perguntasse se ela iria ficar ali parada, então Sakura mexeu as pernas e conseguiu chegar ao lado dele. Com cuidado, ergueu a escova, passando-a pelos fios curtos e rebeldes, sem qualquer tipo de resistência ou fuga, porque o animal estava ocupado demais saboreando o lanche que Sasuke lhe oferecia.

— Obrigada — Sakura murmurou, sem olhá-lo, quando percebeu que ele já dava-lhe as costas para voltar ao trabalho que fazia.

Não recebeu uma resposta, mas havia tido uma conversa em que ele não fora estúpido em nenhum momento. Já era mais do que pudesse esperar.

Descobrindo o segredo das cenouras, Sakura não teve problemas em atrair o outro potrinho para escová-lo também, e os cavalos maiores foram ainda mais fáceis, pois, mesmo sem comida, não tentaram sair correndo em sua vez de terem o pelo escovado. Eles até pareceram gostar.

Sakura estava em meio a sua pausa para o lanche — no caso, um bolo de maçã que havia trago em sua mochila e uma garrafinha de suco de uva — quando pensou que, se a técnica da comida tinha dado certo com os cavalos, também poderia funcionar com os outros animais. Então foi até o depósito e pegou em um saco um punhado de ração sabor carne e saiu à procura da vítima que desejava atrair. Daquela vez finalmente conseguiu achá-lo, deitado com o corpo encostado na parede do lado oposto da que ela própria estava sentada momentos antes.

— Jacob, você estava se escondendo de mim? — perguntou, com uma falsa expressão de irritação. — Assim você magoa meus sentimentos, senti sua falta esses dias, sabia?

Ele apenas abriu os olhos fechados e fitou-a, assim como no dia em que se conheceram.

— Te acordei? Desculpa, tá. — Sakura sentou no chão ao seu lado, estendendo a mão cheia de ração de carne. — Aqui um lanchinho para selarmos nossa amizade.

O lobo não fez um movimento sequer para comer a ração. Sakura encarou-o desconfiada.

— Você é um lobo vegetariano por acaso? — Bufou, largando o punhado de ração no chão em frente à ele, para o caso de que sentisse fome mais tarde ou mudasse de ideia. — Não sabe o que está perdendo, viu. Tenho certeza de que essa deliciosa ração sabor carne de cordeiro é uma iguaria. Não que eu já tenha provado, sabe, minha dieta humana é muito restritiva, mas ouvi boatos de que qualquer lobo venderia a própria pele para comer uma dessas.

Sakura olhou-o pela visão periférica, como se esperasse que, após seu discurso, ele com certeza já estaria se banqueteando e lambendo os lábios esperando por mais. Mas, na verdade, Jacob apenas continuava a encará-la, e dessa vez Sakura sentia que ele estava internamente zombando de sua cara.

— Bom, considerando que toda vez que eu te vejo você está deitado, é até bom que não coma, caso contrário não vai conseguir nem andar daqui um tempo — retrucou, provocando-o. — Já eu vou aproveitar meu bolo de maçã, porque eu mereço. Acho que nunca fiz tanto exercício físico na vida quanto nessas últimas semanas — disse, mordendo um pedaço e mastigando-o sem pressa.

Depois de engolir a comida, continuou seu monólogo.

— Para que você tenha um pouco de pena de mim e seja mais gentil: só hoje fui arremessada no chão vinte vezes pelo Neji, passei trinta minutos fazendo agachamento para recolher os cocôs que vocês deixam de presente para mim e ainda corri muitos quilômetros atrás daqueles potrinhos. Se quer saber se estou com inveja de você por poder ficar aí deitado, sim, estou. — Outra mordida e um gole de suco. Sakura já começava a se lamentar por não ter pegado dois pedaços de bolo.

— Sobre o meu treinamento? — murmurou, como se ele realmente tivesse perguntado alguma coisa. — Bom, continuo sem conseguir sentir direito o tal chakra que a Kurenai quer que eu controle, só consegui usar magia para levantar um grão de arroz até o momento, mas foi só uma vez, então estou começando a pensar que ficar olhando fixamente para aquele ponto até meus olhos lacrimejarem me fez imaginar coisas. Ultimamente mal tenho conseguido ficar vinte segundos de pé em um treino com Neji, e isso porque ele não usa magia e está contendo sua força real. E, descobri hoje mais cedo que minhas emoções estão super intensificadas pela magia e que eu posso, sei lá, literalmente morrer de raiva, de nojo, de tristeza, até de alegria. Que loucura, né? — Riu um pouco ao perceber que finalmente tinha conseguido atrair a atenção de Jacob com aquela última parte.

— Ah, mas não precisa se preocupar comigo — tranquilizou-o, decidindo interpretar as orelhas levantadas e a cabeça virada em sua direção como interesse. — Tsunade está fazendo um remédio para enjoo, então não vou mais ficar vomitando enquanto trabalho, não é como se eu esteja tendo muitos motivos para ficar feliz no momento, mas também não estou exatamente triste. Acho que meu maior desafio vai ser não ficar irritada com o Sasuke, mas se eu pegar fogo por causa dele, vou fazer questão de queimá-lo e levá-lo junto para o inferno comigo. Não é uma ótima ideia? — Compartilhou um olhar cúmplice com o lobo.

Jacob tinha olhos incríveis. Sakura já tinha reparado neles antes, mas de perto era mais bonito. A cor incomum também chamava sua atenção, e pela primeira vez parou para pensar se ele tinha nascido assim naturalmente ou alguém havia usado magia para alterar a cor de seus olhos. Será que isso era possível?

— Também tenho tentado resolver o problema com Neji. Asuma me pediu para ficar dois minutos em pé em uma luta contra ele. Falando assim não parece muita coisa, mas, acredite, é praticamente impossível. Ele é mais forte, mais ágil, mais rápido, mais esperto, mais flexível… Basicamente não há nada em que eu consiga superá-lo. Mas tenho tentado uma coisa — murmurou, entretida na conversa. — Percebi que Neji não altera a expressão durante a luta, ele sempre está com o rosto calmo e ilegível. Então nunca dá para saber qual movimento ele vai fazer em seguida. Já eu sempre faço várias caretas e é super fácil decifrar o que estou pensando, então tenho treinado meu “rosto congelado”. Acho que tive progresso e em breve serei a própria personificação da cara de paisagem.

Sakura fez uma careta, entendendo o olhar de Jacob como descredibilidade. Mas decidiu que seria perda de tempo discutir isso com ele e era melhor focar em seu objetivo para que, no fim, pudesse esfregar na cara dele o seu sucesso. Comeu mais um pouco de bolo, apreciando os resquícios finais, e se preparava para colocar o restinho na boca quando viu Jacob roubar o lanche de suas mãos e engoli-lo de uma só vez. Sakura fitou-o incrédula, depois olhou para a mão onde segundos antes estava o último delicioso pedaço de seu bolo de maçã. Tristeza invadiu-a como uma enchente de água e seus olhos marejaram, sem que conseguisse controlar as emoções.

Temia que começasse a soluçar e chorar até que seu corpo morresse de desidratação, mas, quando a primeira lágrima desceu, uma língua áspera limpou-a de sua bochecha. Sakura congelou, surpresa, e, quando percebeu que a vontade de chorar tinha passado, suspirou aliviada. Sorriu para o lobo, que a olhava em expectativa, como se se preparasse para caso ela voltasse a chorar. Ah, Sakura com certeza o adorava. Colocou as mãos dos dois lados de seu rosto e fez um carinho suave, até vê-lo ceder e fechar os olhos totalmente rendido.

— Amanhã trago um pedaço para você, tá?

 

(...)

 

Na semana seguinte, Sakura conseguiu levantar uma borracha com a mente e finalmente se convenceu de que aquilo realmente tinha acontecido. Também conseguiu superar seu recorde anterior e agora podia dizer que passara mais de cinquenta segundos em pé antes de ser derrubada por Neji. O remédio que Tsunade desenvolveu para o seu enjoo era uma benção em sua vida e os vômitos tinham ficado para trás. Sakura até poderia dizer que estava gostando de trabalhar com os animais, tinha conseguido se adaptar bem à maioria das atividades que tentara desde então. Tinha ficado mais próxima de Neji e começado a gostar da companhia de Itachi também. Sasuke continuava ignorando-a ou melhor, se escondendo dela, porque Sakura mal o via durante as seis horas que passavam juntos dois dias por semana.

Não que isso fosse um problema. Raramente Sakura precisava procurá-lo para tirar alguma dúvida e ficar longe dele era a melhor forma de não se irritar, então, apesar de tudo que estava acontecendo, os dias foram relativamente tranquilos. Depois de fazer todas as suas atividades e cuidar de tudo, Sakura sentava-se no chão ao lado de Jacob e passava o tempo até o final do expediente conversando com ele, dividindo sua comida e fazendo carinho no pelo macio. Até chegara a adormecer, usando-o de travesseiro, em um dia que estava particularmente exausta.

Ainda assim, apesar de seu lento avanço e de aos poucos estar se acostumando à rotina do circo, Sakura não estava muito confiante de suas chances. As sessões de extração de magia com Ino duravam tanto tempo agora que a garota sozinha não conseguia fazer tudo e precisava pedir ajuda para Tsunade constantemente. Quanto mais Sakura aprendia e se inseria naquele mundo, mais sua magia crescia e sobrecarregava seu corpo. O prazo final para sua iniciação agora não passava de uma mera semana e, por mais que tentasse não pensar nisso, ela sabia que não conseguiria.

Queria pelo menos ver Naruto, Kushina, Karin e as crianças uma última vez, mas agora estavam longe demais para que pudesse ir até eles. Sakura decidiu que escreveria cartas antes do grande dia e, caso tudo desse errado, pediria à Hinata que as entregasse a eles. Tinha certeza de que a garota faria algo assim por ela, mesmo que se conhecessem há tão pouco tempo.

Sábado era seu dia de folga do trabalho no circo, mas todo mundo que conhecia estava trabalhando porque os finais de semana eram os dias mais cheios. Então Sakura decidiu passar lá, nem que fosse para ficar com Jacob. Era o dia de Itachi e Sasuke — que Sakura descobriu serem irmãos —, mas tinha certeza de que eles não se importariam com sua presença, desde que não atrapalhasse. Itachi, principalmente, que gostava de conversar, ao contrário do irmão mais novo.

— Oi — Sakura cumprimentou ao avistá-lo logo que entrou. — Você viu o Jacob?

— Jacob? — Itachi franziu o cenho, confuso.

— É. O lobo preto, eu te falei dele, lembra?

A compreensão inundou o rosto bonito e Itachi riu.

— Ah, sim. Bom, não vi ele hoje, talvez esteja escondido. Aproveitando que você não dá um descanso para o coitado.

— Para sua informação, é ele quem fica me procurando, ok. Deve se sentir sozinho, acho que ele é o único lobo aqui, né? Por quê vocês não tem outros? Quem sabe uma fêmea para lhe fazer companhia, aí eles podem formar uma família e ter lindos filhotinhos. — Sakura ficou animada com a ideia. Um mini Jacob seria a coisa mais fofa do mundo.

Itachi gargalhou ao ouvi-la. Sakura não achava engraçado, mas deixou-o ter seu momento de diversão, antes de se acalmar e respirar fundo para recuperar o fôlego.

— Sakura você é fantástica — ele olhou-a com uma admiração que a fez ficar envergonhada.

Um pigarro nada discreto interrompeu a continuação da conversa, e Sakura percebeu que Sasuke estava parado ao seu lado, carrancudo. Não que fosse uma novidade, ele sempre parecia insatisfeito com algo.

— Sasuke! — Itachi exclamou alargando ainda mais o sorriso. — Você viu o Jacob? Sakura está procurando por ele.

— Não — Sasuke respondeu entredentes.

Sakura pensou que ele não devia gostar muito do lobo. Talvez Jacob já o tivesse mordido? Ou arranhado sua belíssima cara azeda? Se fosse o caso Sakura gostava ainda mais do lobo.

— E o que você está fazendo aqui? Não é sua folga? — Sasuke virou-se para ela, claramente insinuando que devia ir embora.

Sakura empinou o queixo, sem se deixar abalar.

— Vim ver o Jacob. Eu e ele temos uma relação muito próxima e prometi que viria visitá-lo hoje. — Aquilo era mentira, mas eles não tinham como saber.

Sasuke estreitou os olhos, e Sakura pela centésima vez desconfiou que ele podia ler seus pensamentos.

— O que é? Não posso fazer nada se ele gosta de mim — rebateu, incomodada pela expressão dele. Mas, surpreendendo-a, Sasuke ficou com o rosto um pouco vermelho e virou a cara.

Isso chocou-a tanto que Sakura fitou Itachi, tentando saber se ele tinha visto o mesmo, porque não podia confiar apenas nos próprios olhos. Ele, por sua vez, encarava o irmão mais novo com um sorrisinho debochado nos lábios, e Sakura se perguntou se eles sabiam de algo que ela não.

— O que foi? — perguntou, já ficando irritada com aquela situação estranha.

— Nada não — Itachi respondeu, aproximando-se e colocando a mão em seu ombro. — Já que está aqui não custa nada ajudar, né? Que tal limpar um pouco o cercadinho? Nós já tiramos uma parte da merda.

— Haha, muito obrigada, mas vou passar. — Sakura desvencilhou-se do alcance dele e acenou para a porta. — Estou indo, preciso arranjar alguma coisa para fazer que não envolva montes de fezes.

— Espera. Sasuke pode te ajudar nisso — Itachi sugeriu, recebendo um olhar mortal do outro garoto.

Sakura congelou, espantada.

— Como assim?

— Bom, pode parecer que não, mas a gente não fica só trabalhando, treinando, estudando e fazendo essas coisas chatas o tempo inteiro. — Deu de ombros. — Aqui no circo não há muitas coisas legais para fazer agora, mas na cidade as opções são muito boas. Tenho certeza que vocês podem resolver isso.

— Estou no meio do meu turno, Itachi — Sasuke cortou-o, dispensando a ideia de imediato. — Vá você, se quer tanto.

— Ah não, irmãozinho. Não se preocupe, eu te cubro. — Novamente aquele sorriso sarcástico. — O que a gente não faz pelos irmãos, né?

— Eu não vou.

— A Sakura é nova aqui e está precisando de ajuda, nós precisamos ser gentis e atenciosos. Nossos pais ensinaram isso, lembra? — perguntou, suavizando a expressão até apenas um sorriso sereno restar em seus lábios.

Sakura não sabia que tipo de discussão exatamente eles estavam tendo, mas Sasuke também desmanchou um pouco a expressão hostil, como se a menção aos pais o trouxesse lembranças boas. Sakura não tinha conhecido os pais deles ainda, mas pela forma como os dois agiam ao mencioná-los, deviam ser pessoas ótimas.

— Volto em uma hora. — Sasuke suspirou, tirando o avental e as luvas que usava para não sujar as roupas. Em seguida tirou as botas que lembravam bastante galochas.

Sakura não entendeu porque eles achavam que podiam discutir sobre o que ela faria naquela noite e na companhia de quem, sem ao menos consultá-la, mas, antes que tivesse tempo de acrescentar sua objeção à ideia, Sasuke já estava saindo pela abertura da tenda e Itachi acenava, incentivando-a a segui-lo. Sakura gostava muito do irmão mais velho, ao contrário do que sentia pelo mais novo, entretanto precisava dizer que aquela ideia fora simplesmente ridícula. Sasuke era a pior pessoas possível para acompanhá-la a qualquer lugar que fosse, e, na verdade, considerando sua habilidade para desestabilizá-la, era até um risco à sua saúde.

Pensou se, naquele dia em particular, não teria sido melhor tomar um calmante ao invés de um remédio para enjoo.

Eles caminharam em silêncio por um bom tempo. Sasuke andando como se nem percebesse que alguém o seguia e Sakura tentando se concentrar em manter o calor corporal dentro do casaco que usava. Era uma noite bem fria, talvez começasse a nevar em breve.

— Neji me contou — a voz dele cortou o silêncio subitamente, sobressaltando-a — sobre os treinos. Que precisa ficar em pé por pelo menos dois minutos — completou, incerto.

A forma como ele parecia inseguro com a conversa, fez Sakura relaxar um pouco a defesa que automaticamente armava sempre que trocava qualquer palavra com ele.

— É. Só consegui cinquenta segundos até agora — respondeu, não muito interessada em falar sobre seus fracassos.

Tinha a própria consciência para cobrá-la e recriminá-la sempre que possível, não precisava que Sasuke fizesse isso por ela.

— Já pensou em alguma estratégia? — ele perguntou, sem rodeios.

— Ah… Não exatamente, só venho tentando uma coisa, mas não surtiu efeito até agora.

Sasuke hesitou, e ela viu o momento em que ele engoliu a saliva com dificuldade, como se o simples fato de manter uma conversa civilizada fosse um grande desafio para ele.

Sakura decidiu continuar falando para poupá-lo. Afinal, já estava satisfeita por ele ao menos não tê-la ignorado por completo ou criticado até então. Era difícil lidar com ele e Sakura ficava nervosa, porque sempre sentia que estava pisando em ovos, como se qualquer deslize fosse desmoronar o frágil controle que mantinham sobre sua relação esquisita.

— Eu percebi que ele fica, sabe, inexpressivo enquanto luta. Não consigo prever os movimentos dele e achei que seria mais fácil tentar ser menos expressiva do que, sei lá, tentar equipar força ou velocidade. — Deu de ombros, constrangida, porque não parecia uma ideia tão boa quando dita em voz alta. — É besteira, mas achei que seria bom fazer ao menos uma coisa direito.

Sasuke acenou com a cabeça, indicando que a tinha ouvido. Sakura percebeu que ele tinha diminuído um pouco o ritmo dos passos e agora caminhava ao seu lado, ainda que não olhasse em sua direção.

— Você devia tentar o contrário — ele comentou, casualmente.

— Como assim?

— Neji é inexpressivo porque todo mundo que treina durante anos aprende a não demonstrar as intenções na hora da luta. Logo, ele é acostumado a treinar com pessoas que também conseguem controlar as expressões. Você é uma novidade para ele, pode ser inferior em força, velocidade, habilidade... mas ainda pode pegá-lo de surpresa.

— Não sei se entendi. — Na verdade, Sakura estava perdida e não fazia a mínima ideia de onde ele queria chegar.

— Seja expressiva, mas com expressões falsas. Você pode enganá-lo facilmente se seu rosto disser uma coisa e fizer outra — ele explicou, pacientemente.

Sakura pensou sobre o que ele dissera. Fazia sentido. Mas não sabia se conseguiria ter coordenação e foco suficiente para expressar algo e fazer totalmente o contrário. Na teoria já parecia incrivelmente difícil, na prática devia ser muito pior. Duvidava que seria capaz de fazer uma armadilha para Neji, mas, afinal, não perderia nada tentando.

— Ok. Vou deixar para te agradecer se der certo — retrucou, brincando. — Para onde estamos indo?

— Para onde mais? Vamos treinar.

Um bico inconsciente se formou em seus lábios.

— Mas é minha folga, achei que faria alguma coisa divertida.

Sasuke bufou.

— Pode se divertir depois de passar no teste.


Notas Finais


Esse capítulo ia ter mais uma parte. Porém se eu colocasse ia ficar bem grandinho, então decidi cortar e deixar para continuar no próximo. Tô até com medo de a história acabar se estendendo muito por causa desses capítulos curtos, mas isso também facilidade na hora de atualizar com mais frequência. Talvez depois de finalizar tudo, eu revise e junte alguns capítulos para deixar em menor quantidade.


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